Categoria: Geral

  • Lanceiros Negros: presente em construção, futuro incerto

    FELIPE UHR
    No colo do pai, Samuel dorme. Com pouco mais de um mês de vida, ele já tem história que poderá contar aos netos. Com apenas três dias, Samuel já estava vivendo na Ocupação Lanceiros Negros.
    No encontro entre as ruas General Câmara e Andrade Neves, está o prédio pertencente ao Ministério Público onde hoje vivem cerca de setenta famílias.
    No dia 23 de maio, o Estado havia obtido um mandado de reintegração de posse do prédio, que seria oficializada no dia seguinte, com a chegada do oficial de Justiça.

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Os moradores da ocupação ficaram sabendo da operação, agentes da Brigada Militar falavam com comerciantes próximos ao prédio apontando para a ocupação. Um tempo depois, a confirmação oficial: a garagem Ladeira, vizinha ao prédio, teria seu acesso bloqueado devido à desocupação do imóvel.
    O bloqueio das ruas do entorno, previsto para a meia-noite, ocorreu antes, por volta das 21h30. Advogados e alguns moradores foram impedidos de entrar no prédio. Do lado de fora, simpatizantes e jornalistas também vigiavam o prédio. Do lado de dentro, as famílias estavam calmas, mas ninguém conseguia fechar o olho. “Fizemos duas reuniões para avaliar a situação”, conta Priscila Voigt, moradora da Lanceiros Negros e integrante do MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas).
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    A primeira assembleia aconteceu por volta das 22h e reuniu quase todas as famílias. Todos concordaram em resistir: não sairiam do prédio, ocupado há 6 meses. Foi acertado como seria o esquema de resistência e de segurança. “Tínhamos medo por causa das crianças”, conta Priscila.
    Às 4h, com o cerco policial reforçado pela chegada da Tropa de Choque da Brigada Militar, foi realizada a segunda audiência, já acertando os últimos detalhes de como agiriam após a entrada da polícia.
    De suas casas, alguns advogados redigiam pedidos da suspensão da liminar de reintegração. Outros buscavam recurso junto ao desembargador de plantão. Com o Choque às ordens do Comandante Ikeda, e a ROCAM (Rondas Ostensivas com Apoio de Motocicletas) vigiando os manifestantes que prestavam apoio à ocupação, a operação parecia irreversível.
    O sol mal raiava quando a cautelar que suspendia a reintegração de posse foi obtida. Com o dia já claro, o documento chegou e a Brigada Militar teve de sair. “Pisa ligeiro, pisa ligeiro, quem não pode com a formiga não atiça o formigueiro”, era o canto entoado com força, do lado de fora e de dentro do prédio. A porta foi aberta e a comoção tomou conta.
    Prédio ganhou cores e vida
    Pouco mais de um mês depois, esta noite ainda é lembrada pelos que vivem na Ocupação. O canto entoado na manhã do dia 24 está gravado em uma das escadas do prédio.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    O imóvel abandonado há 12 anos pelo poder público vem ganhando formas e cores. Em junho, foi inaugurada a creche para as crianças de 0 a 4 anos. O restante está matriculado nas escolas e creches do centro. A ocupação também tem oficinas de teatro, ioga, aulas de judo e boxe.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Nos andares de cima, tapumes de madeira dividem os mais de 50 quartos construídos pelos próprios moradores da ocupação. Além disso, a ocupação conta com uma pequena biblioteca com cerca de 500 livros disponíveis. A cozinha tem 3 geladeiras, 2 fogões, microondas e demais utensílios. Os moradores devem seguir o regimento do MLB, instituído na Ocupação. Entre algumas regras, é proibido o consumo de bebidas alcoólicas, como também ingressar no edifício após a meia-noite ou embriagado.
    Movimento fez proposta para o Governo
    Aos poucos a vida vai fazendo sentido para as pessoas que até meses atrás viviam na zona do tráfico ou regiões perigosas ou tiveram de sair de onde estavam por não terem condições de pagar o aluguel.
    Foi o caso de Carlos Santana, 43 anos, pai de Samuel e de Luís. Morando de favor no bairro Partenon, até março ele e a família não tinham pra onde ir. Soube da Ocupação por uma conhecida e após duas reuniões foi aceito. O ingresso de cada família passa por uma comissão. “Não são todos que conseguem viver em comunidade” explica Voigt.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Outro caso foi o de Patricia Moraes, que está desde o começo da Ocupação. Desempregada, hoje ela vende bolo e cafés para pessoas no centro.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Apesar do sentimento de vitória com a permanência no local, as famílias não se iludem, nem estão satisfeitas: querem um local só delas para morar. Para o local, uma solução inovadora: transformar o prédio em uma casa de acolhimento. Famílias na mesma situação ficariam ali provisoriamente, até conseguirem uma habitação.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    O projeto foi apresentado em duas reuniões do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania – (CEJUSC), quando estiveram presentes representantes da Ocupação Lanceiros Negros, Prefeitura e Governo do Estado. A proposta foi rechaçada pelo Estado, que reiterou o pedido de reintegração de posse o mais breve possível, e garantiu que nenhum dos seis mil e quinhentos imóveis desocupados que pertencem ao Estado possam servir de sede para casas de acolhimento.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Na reunião, o Estado não apresentou nenhuma alternativa para as 70 famílias que hoje habitam o prédio. Foi prometido um estudo de viabilidade para a casa de acolhimento. O próximo encontro será no dia 15 de agosto.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Enquanto isso, os moradores esperam um lugar onde possam morar de forma definitiva. “Queremos políticas públicas de habitação”, cobra Priscila.

  • Baile pela democracia resgata espírito de resistência à ditadura

    Espaço da contracultura na época da ditadura, o bar Ocidente lotou neste domingo com o baile promovido pelo Comitê em Defesa da Democracia. Um público animado reviveu antigas militâncias e reafirmou o espírito de resistência democrática.
    A atriz e performer Deborah Finocchiaro leu um texto de Caio Fernando Abreu, sobre a importância de manter a alegria mesmo nos momentos mais sombrios.

    Deborah Finocchiaro recitou Caio Fernando Abreu. Foto: Charlene Cabral/ Divulgação
    Deborah Finocchiaro recitou Caio Fernando Abreu. Foto: Charlene Cabral/ Divulgação

    A artista visual Zoravia Bettiol cedeu uma gravura de 1999, cotada a 570 reais, para ser sorteada entre os presentes. Foi a Formiga Apocalíptica. “Estamos lutando e resistindo, como a formiga, contra a massa bruta e paquiderme que representa os políticos corruptos do Brasil”, explicou.
    A Formiga Apocalíptica, gravura de Zoravia Bettiol
    A Formiga Apocalíptica, gravura de Zoravia Bettiol

    Além do DJ, a orquestra do maestro Garoto animou a noite, com clássicos dos anos 70 que os dançarinos cantavam junto.
    Maestro Garoto comandou a parte final do baile. Foto: Divulgação
    Maestro Garoto comandou a parte final do baile. Foto: Divulgação

    O próprio Ocidente cedeu o espaço graciosamente, e os funcionários trabalharam como voluntários. Foram diversas as contribuições, como as comidinhas da Maria, à disposição dos convivas.
    A noite serviu para angariar fundos e atrair mais participantes ao Comitê em Defesa da Democracia. Foi uma festa “presencial”, pela qual passaram cerca de 200 pessoas, para celebrar e ampliar o grupo. O Comitê é formado por quase 300 pessoas que, virtualmente, alimentam e acompanham o debate sobre a atual situação política do país.
    Os artigos produzidos pelos integrantes são reproduzidos no espaço destinado a isso na páginas deste Jornal JÁ: https://www.jornalja.com.br/comite/
    Foto: Charlene Cabral/Divulgação.
    Foto: Charlene Cabral/Divulgação.

    Foto: Charlene Cabral/Divulgação
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  • Câmara decide novo presidente dia 14

    O  anúncio foi feito na tarde desta sexta-feira pelo presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão. A decisão vai contra a decisão do colégio de líderes, que havia remarcado o pleito para terça-feira (12).
    Maranhão justificou que pelo  Regimento Interno da Câmara, a prerrogativa de marcar e desmarcar sessões é do presidente da Casa. “Faremos as eleições na quinta-feira; o Regimento e a Constituição estabelecem que a presidência tem essa prerrogativa”, disse, ao sair da Câmara na tarde desta sexta-feira.
    Uma nova reunião na segunda-feira (11), entre líderes partidários foi marcada para resolver a questão e pedir esclarecimentos à Mesa Diretora. Será também uma tentativa de marcar uma nova data.
     
     
  • Série sobre a Redenção estreia nesta sexta-feira na TVE

    A minissérie Redenção tem seu primeiro episódio transmitido nesta sexta-feira, a partir das 20h30, pela TVE, canal 7. A minissérie de ficção conta a história de uma pequena sociedade que vive no Parque da Redenção, em um futuro onde Porto Alegre está vazia e abandonada.
    Produzido pela Primeiro Corte Produções, o programa será veiculado na faixa Histórias do Sul. Serão quatro capítulos, transmitidos às sextas-feiras, com reprise aos domingos às 20h. A direção é de Marcel Kunzler e a produção, de Flávia Matzenbacher.
    Os projetos desta faixa foram contemplados pelo Fundo de Apoio à Cultura do Rio Grande do Sul (FAC). Foram selecionados dez documentários e quatro minisséries, com um total de investimento de R$1,26 milhão nos audiovisuais, que abordam diversos temas e foram realizados por produtoras de Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas e Ijuí.

  • Com grande aparato, tocha olímpica desfila pelas ruas de Porto Alegre

    Matheus Chaparini
    Primeiro, apareceram dezenas de motos da polícia. Em seguida, algumas viaturas, um veículo de uma única rádio local e carros de som dos patrocinadores: uma marca de refrigerante, um banco e uma fábrica de automóveis.

     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Esse era o “abre-alas”, anunciado de cima de um carro de som por um jovem com sotaque da cidade-sede do grandioso evento. Logo atrás de todo este aparato, vinha ela: a tocha olímpica, um canudo de sessenta e nove centímetros feito de alumínio reciclado com fogo na ponta.
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    Teve gente que esperou na rua desde as 15h, horário previsto para a chegada do comboio ao Parcão. Mas a festa teve atraso de quase duas horas. Quando a caminhada partiu do Moinhos de Vento, às 17h20, causou frenesi pelas ruas da região central de Porto Alegre. Os meio-fios viraram camarotes cheios de moradores que aguardavam ansiosos para poder ver de perto o fogo simbólico das olimpíadas.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Ver e fotografar, é claro. À frente da tocha, um batalhão de fotógrafos profissionais se apressava na disputa pelo melhor ângulo. Somavam-se a estes, dezenas de celulares, buscando registrar o momento histórico, e garantir que não passasse batido nas suas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Teve também quem não se ficasse satisfeito com uma olhadinha na chama passando e seguiu o comboio. Durante o trajeto, era possível ver algumas pessoas com simulacros infláveis da tocha ou mesmo tochas feitas em casa, de papel, acompanhando o trajeto. “Esta vai ser uma noite inesquecível, sem dúvida”, garantiu um homem todo trajado de branco que acompanhava o percurso com uma tocha caseira – sem fogo, claro – em uma mão e uma bandeira na outra com a mensagem “paz”.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Em diversos pontos da cidade, foram montados palcos com programação cultural ao longo da tarde para esperar a passagem da tocha. Na Redenção, capoeira, pernas-de-pau, apresentação de danças típicas regionais, entre outras atrações, dividiram o espaço sonora com um ruidoso carro de propaganda de um patrocinador dos jogos.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    O comboio da tocha olímpica cruzou a avenida Osvaldo Aranha ao som de uma versão com base eletrônica do clássico “Mas que nada”, de Jorge Ben, e entrou no Parque Farroupilha. Para o revezamento da tocha, foram convocadas 77 pessoas, entre atletas, jornalistas, líderes comunitários e pessoas ligadas aos patrocinadores.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Na rua José Bonifácio, uma senhora que corria no parque, em seu exercício diário, reclamou: “Só vi gente fora de forma carregando essa tocha. Cadê os atletas?” A chama chegou ao Monumento ao Expedicionário nas mãos do empresário João Vontobel, fundador da Vonpar, representante da Coca Cola no estado.
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     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Vontobel definiu o evento como “um espetáculo! Beleza pura” e logo passou a chama para um grupo de atletas, dentre eles, Marcelo Negrão e Paulo André Jukoski da Silva, o Paulão, medalhistas de ouro nas Olimpíadas de Barcelona, pelo vôlei masculino em 1992.
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
    | Ramiro Furquim/Jornal Jág

    Chamou atenção o aparato de segurança montado para a passagem da pira olímpica pela cidade. O percurso envolveu praticamente todas as esferas da Segurança Pública: Guarda Municipal, Brigada Militar, Corpo de Bombeiros, Polícia Civil, Polícias Rodoviárias Estadual e Federal, além do reforço de agentes da Força Nacional. Surpresa com a quantidade de agentes e viaturas envolvidas na megaoperação, uma moradora da Fernandes Vieira comentou: “Nunca vi tanta segurança na minha vida!”
     | Ramiro Furquim/Jornal Já
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    Após passar pela Redenção, o trajeto seguiu pela avenida João Pessoa, Salgado Filho, Borges de Medeiros, passou pelas proximidades do estádio Beira Rio e encerrou no Largo Glênio Peres, no centro de Porto Alegre.
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  • Assembléia aprova 15 propostas para manter mobilização

    Os professores que participaram da assembleia geral do Cpers/Sindicato nessa quinta-feira aprovaram as seguintes propostas:
    1- “Sartori Inimigo da Educação – Fora Sartori”. Campanha contra o Projeto do Governo Sartori (PMDB) e seus aliados.
    2- Realizar Campanha de Mídia contra o PL 44/2016 e participar das Audiências Públicas sobre o referido Projeto de Lei, organizadas pelo conjunto dos Servidores Públicos Estaduais.  Audiências Públicas confirmadas: dia 14/07, às 18h, na Câmara de Vereadores, em Santa Cruz do Sul e dia 15/07, às 9h30min, na Câmara de Vereadores, em Caxias do Sul;
    3- Participar da Marcha Nacional dos Servidores Públicos Federais, Estaduais e Municipais, no dia 12/07/2016, em Brasília/DF, com a seguinte pauta: Contra Toda a Retirada de Direitos;
    4- Materializar uma Campanha do CPERS/Sindicato nas Lutas Nacionais em prol dos Direitos dos Trabalhadores em Educação com o lema “Educação, Democracia e Direitos”;
    5- Participar da Construção da Greve Geral;
    6- Participar da Campanha Fora Temer;
    7- Denunciar o Estado que utiliza 30% do seu orçamento para incentivos fiscais e afirma não poder pagar os salários. Padronizar um e-mail a ser enviado a todos os deputados e governador, cobrando transparência;
    8- Realizar a Campanha “Onde esta o meu salário?”, organizando painéis e desmentindo as afirmações do Governo Estadual referentes aos valores dos salários dos educadores;
    9- Realizar auditoria nas contas do FUNDEB;
    10- Realizar Atos Públicos, em caso de parcelamento de salário, no dia do pagamento, em frente as agências do Banrisul. A atividade deve ser organizada por cada Núcleo;
    11- Organizar Conferências Regionais, envolvendo toda a comunidade escolar, a partir do mês de agosto, para discutir e repensar a escola que queremos;
    12- Denunciar o PL 190/2016 e pressionar os Deputados para a sua não aprovação;
    13- Garantir a participação de representantes, por Núcleo, no Debate sobre o PNE – Plano Nacional de Educação, frente ao contexto das políticas educacionais brasileiras, que se realizará no dia 13/07/2016 (4ª feira), às 13h30min, no Auditório Paulo Freire do CAFF – Centro Administrativo Fernando Ferrari, em Porto Alegre;
    14- Realizar Moção de Repúdio contra a postura do Ministério Público de Torres, que motivou a instalação de sindicância em relação a um colega por suas convicções políticas;
    15- Realizar Moção de Repúdio as agressões sofridas pelos alunos ocupantes da escola Cristóvão de Mendonça, de Caxias do Sul, de autoria de alguns professores, direção da escola, Coordenadoria Regional (CRE) e Polícia Militar.

  • Professores terminam greve e voltam às aulas na próxima segunda-feira

    Higino Barros
    Foi decretada nessa quinta-feira o fim da greve dos professores da rede pública estadual, depois de 53 dias de paralisação. Os professores voltam às aulas na próxima segunda-feira. A decisão de retorno foi tomada na assembleia geral da categoria, realizada na Casa do Gaúcho, no Parque da Harmonia.
    Ao contrário da assembleia realizada no Gigantinho, há dez dias, dessa vez o grupo que votou pelo fim da paralisação foi majoritário. Nas avaliações feitas pelos defensores do fim da greve o adiamento do retorno as aulas provocou um sacrifício maior da vanguarda do movimento e o aumento do número de professores dispostos a voltar às aulas.
    Nas falas dos professores foi ressaltado a dificuldade de negociar com o governo Sartori, a necessidade de união de todas as correntes para enfrentar o adversário comum e que as ocupações nas escolas, pelos alunos, foi a grande novidade do movimento.
    Foi aprovada também uma agenda de mobilização que envolve questões específicas dos professores e de luta ao lado de outras categorias do funcionalismo estadual e federal.
    Recuo estratégico
    O Comando de Greve negociará agora com o secretário da Educação, Luis Alcoba, para acertar a recuperação das aulas e as reivindicações que o governo atendeu, entre elas , a manutenção da remuneração por risco de 69% da categoria e o não desconto dos dias paralisados.
    Segundo a presidente do Cpers/Sindicato, Helenir Schüller, o fim da greve significa mais um recuo estratégico dos professores do que derrota para o governo estadual.
    “Vamos juntar nossas forças em busca de melhores condições de salário e de trabalho. Foi criado um elo com os alunos e pais que vão mudar o panorama das lutas educacionais. Serão realizadas conferências regionais que vai culminar numa grande conferência estadual para indicar qual escola que desejamos”, afirmou a presidente da entidade.

  • Eduardo Cunha renuncia à presidência da Câmara

    A eleição para escolher o novo presidente da Casa deverá ocorrer no prazo de cinco sessões do Plenário
    O deputado afastado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) leu, em entrevista à imprensa no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, carta entregue à Secretaria-Geral da Mesa, na qual anuncia a renúncia à presidência da Casa.

    “Ao completar 17 dos 24 meses do meu mandato de presidente, 2 meses de afastamento do cargo e, ainda, estando no período de recesso forense do Supremo Tribunal Federal – onde não existe qualquer previsão de apreciação de recurso contra meu afastamento – resolvi ceder ao apelos generalizados dos meus apoiadores”, disse Cunha.
    “Somente a minha renúncia poderá pôr fim a essa interinidade sem prazo”, disse o parlamentar ao afirmar que a Câmara está acéfala.
    Confira a íntegra da carta de renúncia
    Impeachment
    Cunha citou propostas aprovadas durante sua gestão, como a terceirização da mão de obra, a redução da maioridade penal e a “PEC da Bengala”, e destacou a aprovação pelo Plenário da abertura de processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. “Sem dúvida, a aprovação da abertura do processo de impeachment foi o marco da minha gestão, que muito me orgulha e que jamais será esquecido”, disse.
    O deputado disse que é vítima de perseguições e que estaria pagando “um alto preço por ter dado início ao impeachment”. Na opinião do deputado, após a abertura de processo contra a presidente Dilma Rousseff, atualmente afastada, ele passou a ser alvo de uma representação no Conselho de Ética por quebra de decoro e também de seis inquéritos que investigam crimes como evasão de divisas, lavagem de dinheiro e corrupção no STF, tornando-se réu em dois deles.
    Cunha quase chorou ao falar da família. “Quero agradecer a todos que me apoiaram no meio dessa perseguição e vingança de que sou vítima. Quero agradecer especialmente a minha família, por quem os meus algozes não tiveram o mínimo respeito, atacando de forma covarde, especialmente a minha mulher e a minha filha mais velha”, concluiu o deputado, acrescentando que espera, com a renúncia, contribuir para “restaurar o País” após o impeachment.
    (Com informações da ‘Agência Câmara Notícias‘)

     

  • Eleições municipais: onde estão as pesquisas?

    HIGINO BARROS
    Faltando três meses para as eleições municipais, uma pergunta anda no ar: onde estão as pesquisas que, tradicionalmente nos veículos de comunicação, em anos anteriores, iam mostrando a evolução do quadro eleitoral?
    Como a Conceição, da canção imortalizada pelo falecido Cauby Peixoto, ninguém sabe, ninguém viu.
    Isso não significa que o ambiente da disputa para a prefeitura de Porto Alegre esteja amorfo. Pelo contrário. Ele está em ebulição crescente e com idas e vindas cada vez mais definidoras.
    O cenário projetado é o de sempre. No primeiro turno vale quase tudo.
    Candidaturas em profusão, algumas para marcar espaço político, outras por vaidade pessoal e umas quatro com possibilidade de passar para o segundo turno, que é o que interessa.
    Nos últimos 32 anos, a dualidade entre candidatura identificada com discurso de esquerda e a contrária, fincada em ideais centro-liberal, se dá para dizer assim, prevaleceu na disputa.
    Houve quatro anos de Alceu Collares, sucedido por 16 anos do PT e a presença do PMDB e PDT completando 12 anos no final de 2016. Dificilmente o quadro vai mudar.
    Cenário na esquerda
    Entre todos os candidatos, a deputada estadual Manuela D’Ávila, do PC do B, aparecia como favorita para a prefeitura, nas poucas consultas de voto realizadas nos últimos tempos.
    A desistência de Manuela mudou o cenário.
    Segundo analistas do cenário eleitoral local, pela esquerda a candidatura de Luciana Genro, do PSOL, passou a ser vista com chances para alcançar o segundo turno.
    Seria essa, inclusive, uma das razões para não serem realizadas as pesquisas eleitorais, tão comuns em eleições anteriores.
    O custo de uma pesquisa dessa natureza sai por volta de R$ 40 mil. Porque o PSOL então não paga uma pesquisa e divulga? “Para que? Para saber que a Luciana está na frente e tem chances de ir para o segundo turno? Isso será feito na hora adequada” contrapõe um integrante do partido, explicando que o partido não nada em dinheiro.
    Se o PSOL passar para o segundo turno já será considerado uma grande vitória, acreditam na agremiação. O estrago no PT seria de grande monta já que o partido esteve no segundo turno nas últimas sete eleições em Porto Alegre.
    As chances de Vieira
    Já nas hostes dos adversários do voto contra a esquerda, o cenário considerado de candidatos competitivos sinaliza os nomes do atual vice-prefeito Sebastião Melo, do PMDB, e do ex-secretário estadual da Educação, Vieira da Cunha, do PDT.
    A candidatura de Vieira rompeu o acordo que estava vigorando nos últimos 11 anos e seis meses na Prefeitura de Porto Alegre, entre PMDB e PDT.
    Como Melo aparece muito mal nas consultas de intenção de voto, feitas pelos partidos para consumo interno, o nome do candidato pedetista é encarado como uma possibilidade real de segundo turno.
    O que daria uma disputa entre Luciana x Vieira da Cunha.
    Como muita água ainda vai passar por baixo do moinho e muitas variantes se concretizarão até o início da campanha eleitoral, tudo que for especulado não passa disso mesmo. Especulação sobre quem vai ocupar a Prefeitura e administrar uma cidade que alterna momentos de céu com os de inferno.
    Mas a pergunta que cabe no momento é mesmo essa: onde andam as pesquisas eleitorais sobre a Prefeitura de Porto Alegre?

  • Hospitais filantrópicos cobram R$ 144 milhões do governo Sartori

    Representantes de entidades ligadas à área da saúde entregaram, no final da manhã desta quarta-feira (6), no Palácio Piratini, pedido de uma reunião com o governador José Ivo Sartori para tratar da crise do setor.

    O principal tema a ser debatido é o atraso do repasses por parte do governo para programas da saúde como Casa Gestante, Mãe Canguru, Porta de Entrada e Gravidez de Risco.

    Segundo o presidente da Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes, Religiosos e Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Francisco Ferrer, o governo do Estado deve R$ 144 milhões.

    O valor se refere a repasses não efetuados nos meses de fevereiro, março, abril e maio.

    O dirigente também apresentou um levantamento onde 91% dos estabelecimentos hospitalares têm recursos referentes a programas para receber do Estado, 46% foram forçados a reduzir o quadro de pessoal, 43% diminuíram as internações, 44% atrasaram salários e 71% deixaram de pagar em dia os honorários médicos.

    O documento foi assinado pelos presidentes da Federação das Santas Casas e Hospitais Filantrópicos do Rio Grande do Sul, Federação dos Trabalhadores em Saúde, Frente Parlamentar em Defesa da Saúde Pública e Frente Parlamentar em Defesa das Santas Casas, durante audiência pública da Comissão de Saúde e Meio Ambiente da Assembleia Legislativa que debateu a crise de financiamento e a intervenção dos municípios em hospitais do interior do Estado, proposta pelo deputado Tarcísio Zimmermann (PT).

    * Com informações da Assembleia Legislativa