A avenida Venâncio Aires começa na praça Garibaldi, na divisa entre Cidade Baixa e Azenha, margeia o Parque da Redenção, na divisa dos bairros Santana e Farroupilha, e vai até a avenida Osvaldo Aranha, na ponta do Bom Fim.
A história da Venâncio remonta ao ano de 1845, quando, motivado pela visita do Imperador Pedro II e da Imperatriz Tereza Cristina ao estado, o vereador Dr. Luiz da Silva Flores propôs à Câmara a abertura de duas vias: Rua do Imperador e Rua da Imperatriz. Com a proclamação da República, em 1889, estas ruas ganharam novos nomes: Rua da República e Venâncio Aires.
O nome homenageia o advogado e jornalista Venâncio de Oliveira Aires. Nascido em Itapetininga, São Paulo, foi um dos fundadores do Partido Republicano Riograndense e o primeiro diretor de redação do jornal republicano A Federação, impresso em Porto Alegre e que teve sua primeira edição lançado em janeiro de 1884.
A Rua da Imperatriz foi criada para cruzar a área da antiga Várzea, margeando o antigo matadouro público. Com o tempo, a Venâncio cresceu como uma rua predominantemente residencial. Há aproximadamente uma década, este perfil começou a se modificar, com o crescimento e a diversificação da atividade comercial.
Em janeiro de 2006, o Já Bom Fim Moinhos estampava em sua capa a manchete “A Venâncio que virou Osvaldo.” A matéria tratava das modificações que passavam naquelas rua. Em 2008, outra reportagem abordava a ampliação das opções noturnas na Venâncio.
Hoje a avenida Venâncio Aires apresenta uma grande diversidade de estabelecimentos comerciais. Ao longo de seus mil e duzentos metros, encontra-se diversos restaurantes, bancos, lojas e até estabelecimentos de diversão adulta. Além disso, a rua também conta com diversas instituições de ensino, como Senac, a Fadergs e escolas de idiomas.
Seu ponto inicial, junto à praça que já se chamou Concórdia, é um antigo reduto boêmio da cidade. Comenta-se pelas calçadas que um de nossos maiores compositores, Lupicínio Rodrigues, morador da Ilhota, passou ali algumas de suas noites de dor-de-cotovelo. Ainda hoje permanecem ali dois bares: Garibaldi e Eski Bar.
Na segunda quadra, há agências de quase todos grandes bancos: Banco do Brasil, Banrisul, Bradesco e Santander. Depois da esquina da João Pessoa começa a maior concentração de estabelecimentos gastronômicos, como por exemplo o Consultório Culinário, que se mudou recentemente da República, o Café na Paleta, a Pink Velvet e o recém inaugurado Venâncio, que fica no polinho gastronômico da esquina da Vieira de Castro.
Quando a Venâncio se aproxima do Hospital de Pronto Socorro, as atividades predominantes são ligadas à área da saúde, como consultórios odontológicos e farmácias. A Venâncio Aires tem seu fim no encontro com a Osvaldo. Um curioso edifício em formato de fatia de pizza, no número 1211, é o último imóvel da antiga Rua da Imperatriz.
Tablado comemora 25 anos
Em 1991, Andréa Franco criou o Tablado Andaluz, na época uma escola de dança Flamenca, localizada na Avenida Osvaldo Aranha. Mais tarde, a escola ganhou um restaurante especializado no mais famoso e tradicional da culinária espanhola, a paella.
Em janeiro de 2012, o Tablado Andaluz se mudou para a nova sede, na Venâncio. Andréa conta que quando adquiriu o imóvel, ele era apenas um terreno com as paredes laterais e fez uma reforma completa. Hoje, o tablado junta a escola de dança com o bar flamenco formando um centro integrado de arte, cultura e gastronomia espanhola.
Rua de comércios tradicionais em constante renovação
A Casa Moraes foi inaugurada em 27 de outubro de 1952, na última casa da João Alfredo, onde hoje é Aureliano de Figueiredo Pinto. Em 1967, a loja de sapatos se mudou para a Venâncio. Após o falecimento de seu pai, Antônio, Ronaldo Moraes assumiu o negócio. Ronaldo garante que a loja permanece igual há quase meio século atrás. Até a caixa registradora é a mesma.
Ronaldo nasceu em 1954, no imóvel que abrigava a sapataria e também a residência da família. Professor de matemática aposentado, foi o único filho que se interessou a dar continuidade aos negócios do pai.
Os estabelecimentos noturnos são tradicionais. Batista está à frente do Bar do Beto há 27 anos. Daquele tempo permanecem o Pedrini e o Fontana, que já se chamou Cerilo.
Sempre tem negócio novo abrindo na rua. A Grão e Essência Armazém Natural se mudou da Zona Sul para a Venâncio no final de abril.
Outra recém chegada é a Mademoiselle, loja especializada em moda feminina.
Categoria: Geral
Rua Viva: negócios novos e tradicionais na avenida Venâncio Aires
Em maio, artistas da Casa Musgo fizeram um mural no muro da Casa dos Conselho / Ramiro Furquim/Jornal Já Andréa Franco fez uma reforma completa no imóvel para criar o ambiente do Tablado / Ramiro Furquim / Jornal Já Ronaldo, à direita, está à frente do negócio fundado por seu pai em 1952 / Ramiro Furquim/Jornal Já Batista está à frente do Bar do Beto há 27 anos / Ramiro Furquim/Jornal Já Nídia, da Grão e Essência Armazém Natural / Ramiro Furquim/Jornal Já Simone, da loja Mademoiselle / Ramiro Furquim/Jornal Já Feiras Ecológicas sob cerco da fiscalização
Matheus Chaparini
Marcelo Giffhorn comercializa sua produção de mel na feira da José Bonifácio há 28 anos. Ele afirma nunca ter tido problemas burocráticos neste período. Entretanto, há algumas semanas, sua banca, a Apiários Adams, recebeu uma vistoria da SMIC (Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio.) e perdeu o direito ao espaço que ocupa há quase três décadas.
Marcelo é do tempo da Feira do Mel, na década de 80, ainda antes da chegada dos orgânicos / Acervo pessoal de Marcelo Giffhorn
Agora, sua banca é uma das mais de dez que atravessaram a rua e ocupam parte da área da Redenção. Essa foi a solução encontrada pela secretaria para que os produtores possam continuar vendendo enquanto regularizam sua situação. Além de Marcelo, outros produtores reclamam que a SMIC está exigindo questões que nunca antes haviam sido exigidas. “O poder público nunca influenciou na feira, que sempre foi iniciativa dos produtores”, reclama o apicultor.
Feirantes que estão se regularizando não podem permanecer na área da feira, precisam atravessar a rua / Ramiro Furquim / Jornal Já
Ministério cobra Lei dos Orgânicos
Os produtores ficaram meio sem entender o que motivava as batidas da Secretaria na feirinha ecológica. “Até porque em ano eleitoral eles nunca aparecem”, comentou um feirante. O secretário da Produção, Indústria e Comércio, Antonio Kleber de Paula, nega que a presença da SMIC na feira seja uma novidade e garante que a fiscalização é feita desde que a feira existe, “com mais ou menos intensidade, conforme a demanda e o pessoal disponível”.
Entretanto, de Paula reconhece que há um fato novo: em abril deste ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) notificou formalmente a Prefeitura para que faça cumprir a Lei dos Orgânicos.
A lei 10.831 foi criada em 2003 e dispõe sobre a produção de alimentos orgânicos. Em 2007, a lei foi regulamentada através de um decreto, mas somente em 2011 passou a vigorar. A partir daí, iniciou-se uma discussão entre feirantes, consumidores, Ministério e Prefeitura que resultou na resolução 03/12, de dezembro de 2012, que disciplina a realização de feiras ecológicas no Município.
Em 2014, o Ministério considerou que a Prefeitura não estava fiscalizando adequadamente a aplicação da lei e retomou o debate. Agora, em abril deste ano, o MAPA encaminhou um ofício à Prefeitura, cobrando a execução efetiva da legislação. A partir daí, a SMIC intensificou a fiscalização nas feiras.
Da lavoura ao guichê da burocracia
Odair reclama da burocracia que dificulta a produção dos orgânicos / Ramiro Furquim / Jornal Já
Quem comercializa produtos como farinha de milho, erva mate de carijo e até aipim descascado, que são processados, está enfrentando problemas. Pela legislação, para comercializar estes produtos é necessário possuir uma agroindustria própria e constituir uma empresa.
Alguns feirantes afirmam que há aí outro empecilho, pois, se tornando empresário, eles acreditam que o feirante perca os incentivos a que tem acesso como produtor rural, como o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), por exemplo. O secretário da SMIC nega e afirma que há inclusive linhas de crédito específicas para a pequena agroindústria.
Quem produz farinha de milho, por exemplo precisaria ter um moinho próprio, o que não depende só de dinheiro, mas de questões práticas como ter um rio na propriedade e conseguir uma roda de moinho, artigo raro hoje em dia. A clientela também reclama. “Para comprar o produto orgânico é essa dificuldade, mas se eu quiser ir no mercado e comprar um transgênico não tem burocracia”, disparou uma cliente que foi à feira comprar farinha e saiu de mãos vazias.
Há ainda um terceiro caso, das famílias que têm o alvará da banca e a certificação de orgânico em nomes diferentes. É o caso da banca de José Odair Justin, que está funcionando provisoriamente na área do parque. A certificação está no nome de uma de suas filhas, Luciana, e a empresa, no nome de Odair. Além disso, há outros empecilhos, como a falta de algumas informações no rótulos dos produtos. Odair afirma que já encaminhou as providências e espera retomar seu posto na feira já nas próximas semanas.
Certificação do mel custa caro
Marcelo vende mel há quase 30 anos e nunca havia tido problemas com a fiscalização / Ramiro Furquim / Jornal Já
Outro problema é o custo da certificação. Há duas modalidades de certificação de orgânicos: paga ou participativa. Na participativa, são os próprios produtores que fiscalizam uns aos outros, o que barateia, mas demanda mais tempo, em reuniões e visitas. Na outra, o produtor paga uma organização habilitada para a certificação.
Segundo Marcelo Giffhorn, não há organizações habilitadas para a certificação no Brasil e a certificação para apicultores custa entre R$ 15 e 20 mil ao ano, que refletem diretamente no preço final dos produtos orgânicos. “Não é o produto que é caro, é que o produtor tem que pagar a certificação. Será que vale a pena eu gastar essa grana pra vender na feirinha ou vou ter que me render à exportação? Porque lá fora o pessoal valoriza…”
Marcelo teve que optar pela certificação paga, pois suas caixas de abelha estão espalhadas por mais de 10 municípios do estado, o que dificultaria a avaliação participativa. O apicultor afirmou que já encaminhou a documentação necessária para dar início à certificação. Após concedido o certificado, há ainda um período de transição de quatro meses. Marcelo espera poder voltar para o outro lado da rua em meados de novembro.
Para Marcelo, o pior efeito deste processo é gerar um certo “ranso” entre os feirantes, ele também contesta a ideia de que na feira sejam vendidos apenas alimentos. “Isso aqui é muito mais que uma feira de orgânicos, é uma feira cultural, um cartão de visitas pra Porto Alegre.”
Já Odair reclama da burocratização para a produção de orgânicos. “Eu sou agricultor, eu entendo é de plantar, mas cada vez mais para plantar nós temos que entender da burocracia.” Ele defende a criação de organismos de acompanhamento nos municípios. “Seria melhor orientar antes do que punir o agricultor depois. A gente não tem a intenção de fazer nada errado.”
Marcelo defende que a feira é mais que um local de comercializar alimentos, é uma feira cultural / Ramiro Furquim / Jornal Já Entidades se unem em defesa de repórter preso e enquadrado em quatro crimes
Num sábado gelado em que, às dez da manhã, o centro de Porto Alegre ainda estava coberto pela neblina, cerca de quarenta pessoas compareceram ao debate na Associação Riograndense de Imprensa sobre a prisão do repórter Matheus Chaparini, do jornal JÁ.
Vilson Romero, diretor da ARI, fez um breve relato dos atentados à liberdade de imprensa no Brasil e no mundo e apresentou os integrantes da mesa – o próprio repórter, o presidente do Sindicato dos Jornalistas de Porto Alegre, Milton Simas, o editor do jornal JÁ, Elmar Bones, e o coordenador da comissão da direitos humanos da OAB, Dani Rudnicki.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
O vídeo de seis minutos com as cenas chocantes que Chaparini registrou com seu celular dentro do prédio da Secretaria da Fazenda, na hora em que 42 estudantes foram retirados à força, introduziu o assunto.
Em seguida, o repórter reconstituiu seu dia de trabalho. Explicou que acompanha desde o início as ocupações de escolas por estudantes. Na quarta feira, 15, pouco depois das oito da manhã, foi avisado que havia uma nova ocupação.
Chegou ao local quando alguns estudantes ainda estavam entrando. Ele entrou junto. Começou a fazer entrevistas, em seguida chegou a Brigada Militar ele passou a filmar.
Representante da OAB, Dani Rudnicki | Ramiro Furquim/Jornal Já
Gravou 11 minutos de vídeo, registrando a retirada à força dos estudantes. Mesmo tendo se identificado como jornalista, foi levado junto. Foi metido num camburão e, depois de um roteiro por duas delegacias, parou no Presídio Central, de onde saiu em liberdade provisória, por volta das duas da madrugada.
O inquérito, feito pela polícia com base nos elementos fornecidos pela Brigada Militar, também não registra sua condição de jornalista e determinou sua prisão em flagrante, pedindo à Justiça que o enquadre em quatro crimes: esbulho possessório, corrupção de menores, dano qualificado ao patrimônio e associação criminosa. Libertado por liminar, o repórter disse que não sabe ainda dos desdobramentos desse processo.
O editor Elmar Bones disse que o repórter “estava na hora certa, no lugar certo” cumprindo seu dever profissional. Explicou que as invasões de escolas por estudantes configuram um “fato novo” e que por isso o jornal JÁ procura acompanhar o movimento de perto, desde o início.
Jornalista Elmar Bones | Ramiro Furquim/Jornal Já
Segundo Bones, a prisão do repórter é um fato extremo num contexto de discriminações que cercam o jornalismo independente. “O mais chocante, disse o editor, foi a reação de alguns jornalistas, que tentaram desqualificar o repórter por ele estar entre os estudantes, como se o jornalista, para ser isento, tenha que se manter distante dos fatos”.
Bones, de 72 anos, que foi preso três vezes durante a ditadura, contou que não esperava mais ter que passar um dia ao telefone para resgatar um colega preso. “Fiquei com a sensação de que nada mudou. Em certo sentido, parece até que piorou. Na ditadura, por força da necessidade, criou-se uma rede de proteção em que instituições da sociedade civil, como OAB, CNBB e outras se somavam às entidades de classe. Através dela, apesar do arbítrio vigente, chegava-se à autoridade para evitar o pior. Agora, confiados de que estamos numa democracia, não temos isso e a autoridade parece impermeável”.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
O editor contou que ouviu no rádio às 9 horas a informação de que um grupo de estudantes havia invadido o prédio da Secretaria da Fazenda, no centro da cidade. “Mandei uma mensagem aos repórteres e logo veio a resposta do Matheus: “Estou aqui dentro”. O Furquim (fotógrafo) taí? “Só eu”, foi a resposta.
Meia hora depois um telefonema. Em voz abafada, o repórter falava que estava no camburão com os estudantes e ouvira um militar dizer que iriam para o Presídio Central. Em seguida, com medo que lhe confiscassem o celular com as imagens, Matheus passou-o para um dos advogados e ficou sem contato.
Matheus Chaparini dentro de um dos microônibus que levaram os detidos na Sefaz | Ramiro Furquim/Jornal Já
O representante da Ordem dos Advogados do Brasil, Dani Rudnicki, respondeu ao questionamento do debate: Liberdade de Expressão Ameaçada?
“Sim, disse ele, existe ameaça, com consequências para todos, pois só existe garantia de direitos humanos com jornalismo livre e este quadro está piorando”. Matheus Chaparini, segundo Rudnicki, foi “vítima da arbitrariedade policial e do sistema carcerário, inclusive porque não podia ficar em cela comum”.
| Ramiro Furquim/Jornal Já
O advogado lembrou que “há uma forte tendência de criminalizar os movimentos sociais e, por isso, as implicações desse processo que envolve o repórter não devem ser negligenciadas. Ele vai precisar de bons advogados e apoio político para evitar consequências, que podem ser graves”.
O presidente do Sindicato dos Jornalistas, Milton Simas, começou informando que a Brigada Militar foi convidada para o debate, mas não se dispôs a mandar um representante. Mencionou o evento promovido pelo sindicato que, no dia anterior, reuniu mais de 70 profissionais na frente do Palácio Piratini para protestar contra o silêncio do governo estadual sobre o caso. Simbolicamente, canetas e blocos de anotações foram colocados na porta de entrada da sede do governo. Lembrou que em 1987, quando um jornalista foi preso arbitrariamente pela BM (o repórter Alfredo Daudt, do Jornal do Comércio, ficou quatro horas detido), o governador Pedro Simon chamou-o ao Palácio Piratini para pedir desculpas. “Agora nem o Secretário de Comunicação Social se manifesta”.
Fotógrafo Naian Meneghetti ficou 36h preso ao cobrir ocupação de escritório do consulado dos EUA, em 2013 | Ramiro Furquim/Jornal Já
A primeira intervenção da plateia foi o fotógrafo Naian Meneghetti. Ele relatou sua prisão, por 36 horas, e a retenção do seu equipamento (até hoje não devolvido), enquanto fotografava um protesto em 2013, diante do consulado dos Estados Unidos em Porto Alegre. “Também acabei no presídio central. Lá eles pegaram o megafone dos manifestantes e passaram a noite apertando o botão do alarme para impedir que pudéssemos dormir”. Disse que seu processo está agora no STF.
Wálmaro Paz, repórter free-lance, ironizou as insinuações de que o repórter seria militante por estar junto com os estudantes: “Nas cobertura das ocupações de terra, a gente dava carona ao líder do MST no carro de O Globo, ninguém via problema nisso. Se estava cobrindo, tinha que estar junto”.
Jornalista Wálmaro Paz| Foto: Ramiro Furquim/Jornal Já
André Pereira relembrou que a última prisão de jornalistas por causa do seu trabalho no RS durante a Ditadura foi em 1982, quando quatro jornalistas do Coojornal, Bones entre eles, enquadrados na Lei de Segurança Nacional, foram encarcerados por 14 dias, por uma reportagem baseada em documentos do Exército. “Naquela época não se admitia vazamentos”
André Pereira mencionou também o caso do repórter Alfredo Daudt que em 1987, chegou a ser detido por 4 horas durante cobertura da greve dos professores, mas o então governador Pedro Simon, ao saber, o chamou para pedir desculpas.
Sugeriu um contato com lideranças na Assembleia Legislativa, como os deputados Adão Villaverde e Ibsen Pinheiro, dispostas a apoiar um movimento para acompanhar não só o caso do jornalista mas, também, dos 42 estudantes, a maioria menores, presos e enquadrados nos mesmos crimes no inquérito policial.
Representante da Fenaj José Nunes | Ramiro Furquim/Jornal Já
José Nunes, representante da Fenaj, falou dos riscos para os jornalistas num momento de fragilidade política por que passa o Brasil. Chamou atenção para o “absurdo o que o Judiciário está fazendo no Paraná”, referindo-se aos jornalistas da Gazeta do Povo, de Curitiba, acossados por mais de 30 processos em comarcas diferentes por reportagens sobre os altos salários de promotores e juizes.
Ramiro Furquim, fotografo colaborador do jornal JÁ, protestou contra a cadeira cativa de jornalistas com crachás de grandes empresas e uma série de perguntas para emissão de crachá emitido pela Assembleia Legislativa, não reconhecendo a carteira da Fenaj, válida em todo território nacional. “Pra entrar na Casa do Povo, minha identidade de Jornalista não é reconhecida”. O presidente do Sindicato prometeu providências.
O presidente da Associação dos Jornais de Bairro de Porto Alegre, Paulo Bittencourt, reclamou da discriminação dos pequenos jornais e da falta de políticas públicas que estimulem essas iniciativas, que são pequenas do ponto de vista financeiro mas são importantes do ponto de vista social, da vida das comunidades. “A gente faz o diferente, aquilo que a grande mídia não faz, mas o poderio econômico sufoca os pequenos”. Deu como exemplo a lei que destina 20% das verbas publicitárias do governo estadual para os pequenos veículos, que foi aprovada pelos deputados, sancionada pelo governador Tarso Genro e barrada pela PGE, por inconstitucional.
Batista Filho, presidente da ARI | Ramiro Furquim/Jornal Já
O presidente da ARI, Batista Filho, encerrou o debate reafirmando o histórico envolvimento da entidade na defesa intransigente dos profissionais. “As imagens mostram que Chaparini estava ali soberanamente fazendo o seu trabalho”. Disse que ao longo desta semana, junto com outras entidades, a associação estará mobilizada para que o inquérito lavrado contra o repórter seja anulado. “Não podemos esquecer que há outras 42 pessoas, a maioria menores de idade, que foram alvo de violência e são acusadas dos mesmos crimes”.Professores: desocupação abre caminho para o fim da greve
Os professores da rede pública estadual que ocupavam o Centro Administrativo Fernando Ferrari deixaram o local na manhã de sexta-feira. À tarde o Comando de Greve do Cpers/Sindicato reuniu-se com o secretário da Educação, Luis Alcoba, e tudo indica que o fim da greve pode ser decretado na próxima semana.
Segunda-feira haverá reunião do Comando de Greve para avaliação do movimento e possível convocação de assembleia geral da categoria.
As duas partes reconhecem que houve avanço nas negociações. O governo assumiu o compromisso de revogar a portaria do Difícil Acesso e não descontar os dias de greve dos professores e funcionários de escola, desde que as aulas sejam recuperadas.
“Nossa pauta não foi contemplada em sua totalidade, mas reconhecemos que houve avanços. Pedimos um voto de confiança em relação à recuperação das aulas, já que não houve proposta de reajuste. Que seja pago o salário dos dias parados, porque nós recuperamos as aulas, como sempre fizemos”, explicou a presidente do Cpers, Helenir Schürer.
No encontro com o secretário da Educação, o Comando de Greve também exigiu que o governo apresente um calendário para o pagamento do Piso Salarial e dos reajustes de 13,01% (2015) e 11,36% (2016), além de apresentar proposta para repor a defasagem de 69,44%.
O governo ficou de responder a esses pedidos por escrito.Sem maioria de votos Chapa 3 vence eleições para reitor da UFRGS
Foi concluída esta madrugada do dia 17 a apuração que definiu quem será reitor e vice-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, para o mandato 2017-2020.
A chapa 3, composta pelo vice-reitor Rui Vicente Oppermann e pela professora Jane Tutikian, venceu mesmo não fazendo o maior número de votos.
Ao todo a chapa teve 2857 votos.
Com 3696 votos a chapa 1; do docente Carlos Alberto Saraiva Gonçalves e da professora Laura Verrastro Vinas, e a chapa 2, professor Sérgio Roberto Kieling Franco e pela professora Andrea Machado Leal Ribeiro com 831, foram as derrotadas.
Apesar da inferioridade na contagem Rui e Jane são os vencedores porque na eleição da Universidade não há paridade de votos. Os votos de docentes valem mais que técnicos administrativos e estudantes e a contagem de votos é realizada pela divisão dos votos válidos pelo número de votantes habilitados.
Com a fórmula a chapa 3 se elegeria, mesmo sem os demais votos, somente com os votos dos docentes.
Confira abaixo a votação:
Docentes (Peso 0,7):
Chapa 1 – 629 votos
Chapa 2 – 286 votos
Chapa 3 – 1.112 votos
Branco – 32 votos
Nulo –53 votos
TOTAL: 2.112
Votantes habilitados: 2.872
Técnico-administrativos (Peso 0,15):
Chapa 1 – 994 votos
Chapa 2 – 110 votos
Chapa 3 – 465 votos
Branco – 21
Nulo–167
TOTAL – 1.757
Votantes habilitados – 2.656
Discentes (Peso 0,15):
Chapa 1 – 2.073 votos
Chapa 2 – 435 votos
Chapa 3 – 1.280 votos
Branco – 22
Nulo – 98
TOTAL – 3.908
Votantes habilitados – 37.323
Cálculo da apuraçãoDocentes
Técnicos
Discentes
TOTAL
Chapa 1
0,153307
0,056137
0,008331
0,217775
Chapa 2
0,069707
0,006212
0,001748
0,077667
Chapa 3
0,271030
0,026261
0,005144
0,302435
Vídeo revela que BM sabia da presença do jornalista
Ao contrário do que afirma a nota da Secretaria de Segurança Pública (SSP), o jornalista Matheus Chaparini não só se identificou, como foi identificado por outras pessoas que monitoravam a desocupação. Em nenhum momento o repórter se comportou como manifestante como afirma a nota da SSP.
Assista o vídeo:Resposta da Redação à nota da Secretaria da Segurança
A Secretaria de Segurança do Estado emitiu, nesta quinta,16 uma “nota com “esclarecimentos” sobre a prisão do repórter do jornal JA, Matheus Chaparini, “ocorrida em virtude da invasão do prédio da Secretaria da Fazenda, na última quarta-feira.
Diz a nota:
“A prisão em flagrante foi efetuada porque, durante todo o tempo, ele estava dentro do prédio invadido, agindo como integrante do grupo militante que praticou a invasão”.
Nota da Redação: Os vídeos e as fotos feitos pelo repórter não deixam dúvida: ele estava fora da cena, registrando os fatos. O fato de estar dentro do prédio é mérito dele, como repórter: foi o único jornalista a registrar o que ocorreu no interior da Secretaria depois da entrada da BM.
Diz a nota:
“Ele se identificou como jornalista quando já estava consumada a prisão pelo ato de invasão”.
Nota da Redação: O repórter não tinha porque se identificar, mesmo assim falou que era jornalista antes de sua prisão. Sua atividade era ostensiva: ele filmava e tomava notas. No momento necessário ele se identificou devidamente, reiteradamente. Os vídeos mostram isso.
Diz a nota:
“Na Delegacia de Polícia, quando da lavratura do auto de prisão em flagrante, negou-se a falar, permanecendo em silêncio e optando por falar somente em juízo”.
O repórter contesta essa afirmação. Diz que identificou-se para a delegada Andréa Nicotti, da 3ª.DPPA.
Diz a nota:
Portanto, a prisão se deu em virtude do ato individual de invasão, do qual ele foi parte ativa, e não do exercício da atividade profissional de jornalista…”
Nota da Redação: O repórter não tomou parte na invasão. Quando ele chegou, os estudantes estavam invadindo o prédio, ele entrou junto. Que repórter não entraria? O exercício da atividade jornalística exige muitas vezes, que o profissional de imprensa esteja numa posição inconveniente do ponto de vista da autoridade, mas absolutamente necessária do ponto de vista do interesse público. Era esse o caso.
Diz a nota:
“Os profissionais de imprensa presentes na ocorrência em questão, respeitando o trabalho da polícia, tiveram garantido o exercício de sua atividade profissional”.
Pode ser louvável essa obediência, mas se ela fosse seguida por todos, o público provavelmente não tomaria conhecimento dos fatos que ocorreram no interior da Secretaria da Fazenda, num dia fadado a ficar na história.
Diz a nota:
A Brigada Militar e a Polícia Civil cumpriram suas obrigações funcionais, resguardadas no princípio constitucional de que todos são iguais perante a lei. Eventuais equívocos serão apurados nos termos da legislação em vigor.
Ao Poder Judiciário, no momento oportuno, caberá decidir sobre a responsabilidade penal dos adultos presos e indiciados no ato, garantido o contraditório e a ampla defesa.
Nota da Redação: Nossa obrigação é registrar os fatos.
O repórter cumpriu seu papel
Elmar Bones
O repórter Matheus Chaparini, de 26 anos, era o único jornalista dentro do prédio da Secretaria da Fazenda do Estado, no centro histórico de Porto Alegre, às 9h da manhã, da quarta-feira, 15 de junho de 2016.
Há quase uma hora, o prédio estava “ocupado” por mais de 40 estudantes, que exigiam uma audiência com o governador Ivo Sartori.
Do lado de fora, um comando especial da Brigada Militar preparava a invasão do prédio para desalojar os invasores.
Chaparini há um mês faz cobertura do movimento de estudantes que ocupam escolas.
Ficou sabendo pelo face que um grupo dissidente, contrário ao acordo firmado com o governador, decidira ocupar a Secretaria da Fazenda.
Correu para lá, quando chegou os estudantes estavam entrando, ele entrou junto.
Filmou, fotografou e anotou toda a operação para retirar os estudantes. Foi punido com a prisão e a imputação de quatro crimes, inclusive corrupção de menores.
Pior: muitos colegas tentaram desqualificá-lo, por sua militância. Mas, a verdade é que só ele estava lá e se portou como um repórter. As imagens e seu relato dizem tudo.Da ocupação ao Presídio Central: o relato do repórter
MATHEUS CHAPARINI
É uma espécie de caixote de lata, todo pintado de preto pelo lado de dentro. Num dos lados, um banco, do outro, uma barra para prender algemas. Cabem ali duas pessoas, talvez três. Mas quando fui encaçapado na parte traseira do camburão da Polícia Civil, já eramos quarto.
Assim que a porta fecha, o ar fica escasso e quando a viatura anda, cai a total escuridão sobre os detidos. Ao todo, éramos dez, em três espaços do mesmo veículo.
Da Secretaria da Fazenda, no centro de Porto Alegre, fomos para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DECA), onde ficaram os menores de idade. Dali, seguimos para a 3ª Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento, onde me identifiquei como jornalista e informei meu veículo. Em seguida fomos novamente embarcados.
Após uma parada de meia hora no presídio feminino Madre Pelletier para deixar as três jovens presas, seguimos para o Presídio Central, o lar gelado que nos aguardava no final de uma longa quarta-feira.
Na chegada, o clima é de pressão psicológica, como imaginávamos nós, os presos, quase todos em sua primeira visita a uma cadeia. Braços cruzados na altura do peito e cara na parede é o procedimento padrão.
Enquanto isso, soam ao fundo algumas piadas homofóbicas, comentários sobre uma briga violenta que estaria ocorrendo no presídio, o que não se confirmou, e o torturante ruído de um faca sendo raspada na parede por um brigadiano, como se a afiasse para alguma tarefa vindoura.
Fomos os sete identificados, revistados nus e encaminhados a uma cela do Jumbo, como os presos chamam o setor de triagem do Central, a “recepção do casarão”.
Nossa presença gerou um alvoroço entre os vizinhos da cela ao lado, mas o policial que nos conduzia esclareceu: “Não é duque!”
Duque treze é como são chamados os estupradores dentro do sistema carcerário. Estes presos costumam ficar separados dos demais. Havia dois “duques” na cela que nos aguardava, um espaço muito frio, de 3m X 4m, incluindo banheiro e um cheiro constante de merda e mijo.
Fomos presos pela Brigada Militar durante a ocupação da Secretaria da Fazenda por estudantes. O movimento queria uma reunião com o governador José Ivo Sartori, que, na véspera, havia fechado acordo de desocupação das escolas com um dos movimentos, integrado pela UBES (União Brasileira dos Estudantes Secundaristas) e pelo “Juntos”.
O Comitê das Escolas Independentes (CEI) não reconhece o acordo. “Foi mais uma rasteira da UBES”, afirmou um rapaz, “não nos representa”, definiu uma moça.
A intenção do grupo era conseguir uma reunião para negociar com o chefe do executivo. A intenção deste repórter que vos escreve era apenas noticiar este acontecimento.
O saldo foi a prisão de mais de 40 pessoas, a maioria menores de idade, quase todos estudantes, além deste repórter e do cineasta Kevin Darc, que prepara um filme sobre as ocupações escolares Brasil afora.
A ocupação foi decidida em reunião no início da manhã no Colégio Estadual Júlio de Castilhos.Os estudantes ocuparam o prédio em torno das 8h.
Às 9h chegou ao prédio o secretário adjunto da Fazenda, Luiz Antonio Bins. Vinte minutos depois, o secretário entrou no prédio acompanhado pelo comandante do policiamento da capital, Mário Ikeda, para uma reunião.
A reunião aconteceu na parte do prédio voltada para a rua Siqueira Campos. Apesar de os estudantes ocuparem somente a parte da Mauá, as duas entradas estavam fechadas. Conversei pela janela com uma funcionária terceirizada, que trabalha na faxina.
Ela contou que trabalha das 6h40 até as 16h50, tem 4 filhos estudando em escola estadual em Viamão. Ela considera que o ensino estadual está “péssimo”, mas não tem posição em relação às ocupações.
Rapidamente chega o Batalhão de Operações Especiais da Brigada Militar. Inicialmente eram oito viaturas e cerca vinte homens, vários mascarados e sem identificação na farda. Os agentes isolaram uma larga área ao lado do edifício, onde comandante do 9º BPM, tenente-coronel Marcus Vinicius Oliveira. falou com a imprensa.
Ao fim das perguntas dos jornalistas, um estudante ponderou: “Não podemos esquecer que são menores de idade, né?”, ao que o comandante respondeu: “Só sei que são invasores”, e um mascarado exaltado encerrou o assunto: “Eu sei que são menores, ninguém aqui é retardado!”
Às 10h20, os estudantes pintavam uma faixa com o texto “Sem violência, lutamos pela educação”, quando escutaram apitos e tambores se aproximando da entrada da avenida Mauá. Eram estudantes, professores e militantes que vieram prestar apoio à ocupação. “O meu! Os nossos professores são muito foda, eles estão trancando a Mauá por nós”, exclamou uma menina”.
Até aí, tudo transcorria relativamente bem, apesar da presença cada vez maior do choque. Neste momento, já havia mais policiais do que estudantes.
Às 10h25, os estudantes se reuniram com o tenente-coronel Mário Ikeda. O diálogo foi rapido e os estudantes ganharam um prazo de dez minutos para desocuparem o local. E foi aí que começou o problema.
Os estudantes decidiram ficar no prédio. Eles questionavam a falta de uma reintegração de posse e exigiam a presença de advogados e do Conselho Tutelar no local, o que só foi permitido depois de iniciada a ação da Brigada Militar. Os jovens sentaram no chão e se deram as mãos, como forma de defesa.
Os brigadianos arrancaram um por um os estudantes, carregados pelas pernas, braços ou pela roupa. O spray de pimenta tomou o ar no saguão da Secretaria da Fazenda. A cada investida da tropa, os gritos de desespero das meninas e meninos se faziam ouvir. O capitão Trajano, que orientava a remoção dos ocupantes, chegou a esgotar um tubo inteiro, direcionado para o rosto dos estudantes, e solicitou mais um.
Os policiais estavam bastante exaltados e o capitão precisou conter seus homens pelo menos duas vezes.
Os relatos de agressões são diversos. Além de lançar o spray diretamente no rosto dos adolescentes, uma menina teve o pé pisado por um policial, um rapaz relata que levou dois socos na cabeça e outro disse que foi arrastado na escadaria de saída do prédio. Há um caso mais grave, de uma moça que relata que um grande hematoma no seu peito foi ignorado no exame de corpo de delito. Outro problema era a ausência de uma mulher para a realização dos exames.
Permaneci na secretaria até a retirada do último estudante, quando decidimos, eu e o cineasta Kevin Darc, sair do prédio e acompanhar o movimento do lado de fora. Neste momento, também fomos presos. Nos identificamos como profissionais de imprensa e a resposta do capitão foi: “Pra mim tu tá junto.”
Na saída, um homem vestido à paisana e com o rosto escondido por uma toca ninja semelhante à dos policiais arrancou o celular da minha mão. Ali estavam todas as fotos e vídeos que eu havia feito durante a cobertura, além de informações pessoais e profissionais.
Insisti em reaver meu telefone, enquanto brigadianos tentavam me empurrar para fora do prédio. Consegui pegar o aparelho, mas não evitar a prisão.
Ao meio dia teve início uma peregrinação que foi até a sede do Deca (Departamento Estadual da Criança e do Adolescente), 3ª DPPA, no bairro Navegantes, depois Palácio da Polícia, 3ª DPPA novamente, Madre Pelletier e, por fim, Presídio Central.
Os maiores de idade foram conduzidos algemados até a cadeia, de onde só puderam sair em torno das 2h da madrugada. Mas o caso não acaba aí.
Os presos, incluindo este repórter, receberam liberdade provisória e vão responder a processo por dano qualificado em patrimônio público, associação criminosa e esbulho possessório. Os maiores de idade responderão ainda por corrupção de menores. É o caso deste repórter, preso durante o exercício profissional.Exclusivo: vídeo mostra a ação da BM dentro da Sefaz
Foram 11 vídeos feitos pelo repórter Matheus Chaparini, do Já enquanto cobria a ocupação, na quarta-feira realizada por estudantes, na Secretaria da Fazenda. A edição de pouco mais de 6 minutos mostra quando a Brigada entrou no prédio e como agiu na retirada dos estudantes.
Durante vários momentos o repórter se identifica como sendo da Imprensa e é ignorado. 1) 3:50 – o repórter diz: “Sou jornalista não sou policial”
2) 4:48 -(dá para começar ouvir antes) ele diz: “é o meu trabalho, estou num prédio público cobrindo a pauta”
3) 6:10 – Representante do conselho tutelar diz: “ele é jornalista vem com a gente”















