pinheiro do vale
O Lula não vai ser preso. É tudo espuma (ou carneirinhos, como os marinheiros chamam o dorso da ondas. Produção de manchetes para a campanha de 2018.
A Justiça só tem decretado prisão cautelar de pessoas que tem contas no Exterior não declaradas e sem explicação da origem do dinheiro.
A justificacativa é que tendo grana lá fora podem fugir, por isto estão presas.
Lula não se enquadra nessa linha de suspeição. Portanto, não será preso. Pode ser chamado como testemunha ou para dar alguma explicação de alguma denúncia contra ele.
Se for indiciado, o que é muito improvável pois os imóveis têm donos conhecidos e registros legais, responde a tudo em liberdade.
Só correria perigo se aparecesse uma conta com o nome dele ou da mulher no Exterior. .
O erro do Lula foi se lançar candidato sem ter uma cobertura de imunidade. Todos os ex presidente que se candidataram, até hoje, tinham essa cobertura:
Getúlio era senador; Sarney também foi para o Senado; Collor também lá está. Itamar morreu com mandato na Câmara Alta.
Igualmente Juscelino, que era senador dor Goiás e Jânio Quadros, deputado federal pelo Paraná.
Só FHC não tem mandato, mas nas não foi mais candidato desde que saiu da presidência.
Categoria: Geral
Ataques a Lula produzem manchetes para a campanha de 2018
Aedes em Porto Alegre: Índice de fêmeas é informação reservada
FELIPE UHR
O Índice Médio de Fêmeas de Aedes Aegypti (IMFA) é um levantamento realizado semanalmente em 28 bairros de Porto Alegre, onde estão espalhadas 874 armadilhas do mosquito. Desde novembro do ano passado esse índice não é divulgado.
Segundo a assessoria de Comunicação da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde os números são de controle interno e não podem ser informados.
Em novembro de 2015, quando a reportagem teve acesso aos números, o índice de fêmeas era de 0,24 %, estado médio.
No inicio de fevereiro, circulou a informação que havia saltado para 0,43% (quase o dobro), indice que aponta “estado de alerta”. Não foi confirmada nem desmentida.
O grande aumento dos casos confirmados de dengue na capital indicam que esse número já tenha aumentado apesar dos números oficiais não serem publicados.
O próximo balanço da situação epidemiológica deve ser atualizado nesta quarta pela Secretaria da Saúde (SMS).
O último registro oficial confirmava 52 casos de dengue sendo 28 autóctones e 22 importados.
O único levantamento divulgado oficialmente foi o Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes, LIRAa realizado nos últimos dias de janeiro em 57 bairros que não possuem armadilhas. O Índice de Infestação Predial (IIP) médio da cidade ficou em torno de 2,3%, considerado de médio risco.Pela primeira vez mínimo regional é reajustado abaixo da inflação
Contrariando as centrais sindicais, que protestaram nas galerias da Assembleia Estadual, os deputados aprovaram na terça-feira, 1, o reajuste do salário mínimo regional em 9,3% para o Rio Grande do Sul.
Os trabalhadores pediam 11,3%, valor do INPC.
O placar final da votação foi de 38 favoráveis à proposta do governo, apenas três votaram contra.
A bancada do PT se absteve da votação. Em minoria, os petistas alegaram que não referendariam um reajuste abaixo da inflação. Em 2015, o reajuste foi de 16%.
Com o reajuste, a faixa mais baixa do mínimo regional passa de R$ 1.006,88 para R$ 1.103,66.
Este valor é aplicado aos trabalhadores da agricultura, pecuária, construção civil, motoboy, entre outros.
O salário mínimo regional é dividido em cinco faixas, a de maior valor, paga a técnicos de nível médio, foi reajustada de R$ 1.276 para R$ 1.398,65.
As emendas ao projeto sequer foram analisadas.
Antes da votação da proposta do governo, os deputados se dividiram na decisão de analisar ou não as emendas. Com o empate em 25 votos para cada lado, coube à presidente da casa, Silvana Covatti (PP), decidir. Covatti definiu que a proposta seria votada sem análise das emendas.
Entre as emendas, uma do deputado Elton Weber (PSB) fixava o reajuste em 11,3%, a ser pago entre março e maio, em acordo com a reivindicação das centrais sindicais.Abril terá que vender ativos para pagar dívidas
Esta é a conclusão da Standard&Poor´s, agência de avaliação de risco, que rebaixou a nota de crédito corporativo da Abril Comunicações S.A, que edita entre outras públicações a revista Veja..
A decisão foi anunciada no último dia 29/02. Eis o texto:.“Acreditamos que a estrutura de capital da Abril Comunicações S.A. (“Abril”) é insustentável no médio prazo, pois a empresa depende de condições favoráveis de mercado para conseguir vender ativos não estratégicos e assim honrar com seus compromissos financeiros”.
·Portanto, rebaixamos o rating de crédito corporativo da Abril de ‘brBBB-’ para ‘brCCC+’ e o removemos da listagem CreditWatch com implicações negativas. A perspectiva é negativa.
Na sequência, retiramos o rating a pedido do emissor.
Fundamentos
O rebaixamento do rating reflete nossa opinião de que a estrutura de capital da Abril é insustentável no médio prazo, em função da sua fraca geração de caixa comparada às altas necessidades de caixa para pagamento de principal e juros de dívida.
Como resultado, a empresa depende de condições favoráveis de mercado para conseguir vender ativos não estratégicos, o que lhe permitiria pagar parte de sua dívida e melhorar sua fraca liquidez.
No entanto, acreditamos que o cenário macroeconômico atual brasileiro pode atrasar ainda mais os planos da empresa com relação à venda de ativos. Entendemos que a Abril não apresenta uma pressão de vencimentos de dívida no curto prazo devido ao acordo feito com seus principais credores para estender o vencimento das dívidas, mas poderia enfrentar dificuldades a partir de 2017.Deputados votam piso salarial sob pressão das centrais sindicais
Deputados votam hoje o projeto do executivo que propõe 9,61% de reajuste no piso regional de salários. O percentual é menor do que a inflação do ano.
As centrais sindicais reivindicam 11,68%, para manter o princípio de elevar o piso sempre acima da inflação.
A votação, marcada para as 14 horas, ocorrerá sob a pressão dos trabalhadores que desde o início da manhã se posicionam defronte a Assembléia Legislativa do Estado.
O piso regional já está em vigor desde o dia primeiro de fevereiro mas ainda não foi votado, justamente pelo conflito entre os sindicatos e governo, que tem o apoio das entidades empresariais. .
Já foram apresentadas cinco emendas entre elas uma que prevê um aumento que praticamente alcança o pedido pelos trabalhadores. É a emenda do deputado Elton Weber (PSB), que propõe um aumento de 11,3%.Ponte de Pedra: responsável pela obra prevê conclusão em junho
Anunciada no dia 19 de janeiro pelo prefeito Fortunati, a restauração da Ponte de Pedra começará essa semana, segundo a empresa responsável pela obra a, Arquium.
Por enquanto está sendo montado o canteiro da obra: uma casa, a colocação de tapumes e plataformas.
A restauração da ponte começará efetivamente nas próximas semanas com a retirada das pedras do calçamento. Em junho estará concluída, segundo a previsão.
A infiltração de água é o principal problema da ponte de 150 anos, segundo o arquiteto Edegar Bittencourt da Luz, responsável pela obra.
Por isso, o leito da ponte terá um substrato novo, através de um contra-piso, impermeabilizado para evitar a infiltração de água na estrutura.
“Vamos retirar a pavimentação, atingindo as arqueadas de tijolos e reforçaremos o local.”, disse o arquiteto.
Outro problema era o nível do espelho dágua que estava atingindo o capeamento dos pilares, agora será rebaixado.
De 10 a 12 homens trabalharão no restauro que exigirá um reboco especial por se tratar de um material diferente das construções atuais. Para o trabalho foi feito um levantamento gráfico, arquitetônico e histórico sobre a Ponte de Pedra.
A construção da Ponte de Pedra foi finalizada em 1846, depois de dois anos, e representou a solução de um sério problema urbano, que era a travessia do riacho que cortava a cidade.
Quando o riacho foi retificado com o canal da Ipiranga, a ponte ficou sem utilidade. Ganhou um espelho dágua e ficou como um dos monumentos mais antigos da cidade, um dos poucos registros do século XIX que restam.
Suas arqueadas são de alvenaria de tijolos e as cabeceiras de pedra.
A reforma que custará R$ 587,9 mil é uma contrapartida do Grupo Zafarri, é uma das obras que a empresa vai bancar como pagamento de uma área pública junto ao shopping a ser construído na rua Alcides Cruz, antiga estádio do Força e Luz.Padre condenado por pedofilia aguarda recurso em liberdade
Renan Antunes de Oliveira
Não está mais atrás das grades o padre franciscano Paulo Back, 72, condenado pela Justiça a 26 anos de cadeia por abuso de coroinhas e seminaristas sob sua guarda no Rio Grande do Sul, SC, PR, SP, RJ e ES ao longo de 44 anos de sacerdócio.
Depois de um ano e meio detido no presídio de Criciúma, ele foi libertado para recorrer da condenação ao STJ.
Na prática, ele ganhou uma baita mordomia: prisão domiciliar no Palácio Episcopal, a residência oficial do bispo da cidade, num condomínio luxuoso e arborizado.
Melhor, impossível – lá, ele tem a chave do portão.
Sai às ruas quando quer, como para suas sessões de acupuntura e passeios pelas redondezas.
Pode receber visitas a qualquer hora, todos os dias.
Tem suíte privativa equipada com combo TV-fone-internet.
As refeições são feitas na cafeteria do condomínio, preparadas pelas mesmas cozinheiras do bispo e servidas por copeiras – o serviço de copa vai das 6 às 22.
O ambiente é levíssimo: à mesa, ele tem a companhia de seminaristas, religiosos em trânsito na cidade e padres aposentados.
Nas horas vagas se dedica a cuidar do meio ambiente do condo: cultiva flores e verduras nos jardins do episcopado.

SE DISSE VÍTIMA POLÍTICA
O padre recebeu o repórter na manhã de um sábado de janeiro, na sala de visitas do condomínio.
É um salão acolhedor, com um conjunto de sofás, TV a cabo e ornada com um retrato de um padre da congregação, a Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil.
Ao primeiro contato, ele se mostrou um homem afável.
Alto e magro, o padre sentou numa cadeira ao lado esquerdo da minha poltrona, apoiou sua mão direita no meu braço e com suavidade perguntou o que poderia fazer por mim.
Talvez pelo hábito de receber confissões, ele desviou os olhos azuis e sua voz se tornou só um sussurro, encorajador: “Fale, meu filho”.
Me identifiquei como repórter. Ele nem piscou. Perguntei, com a delicadeza possível : “Padre, o senhor é um homem condenado por pedofilia e eu queria saber…”
Ele faz uma leve pressão no meu braço para me interromper, joga a cabeça para trás, continua me segurando, eleva a voz um pouco: “Já expliquei mil vezes…”
Deixei ele falar: “Foi uma armação política contra mim, porque meu sobrinho era candidato do PSDB à vaga de vice de Forquilhinhas” – cidade vizinha de Criciúma, onde ele nasceu e estava como pároco da igreja Sagrado Coração de Jesus até ser detido, em julho de 2012.
O repórter esperava ouvir dele uma confissão, mas ele estava no modo de combate: “Se você for ler o processo verá que a principal acusação contra mim partiu de um menino perturbado. Era um gordinho que tinha umas tetinhas e por isto sofria bullying dos coleguinhas, tenho muita pena dele”.
Argumentei que a primeira acusação surgiu apenas em 2011, porém logo se tornou uma enxurrada de 40 casos recolhidos pelo Ministério Público Estadual (MPE).
O padre então me mandou ler o processo, mas sabe que isto é impossível porque ele corre em segredo de justiça, por envolver menores.
Segundo o MPE, depois que os pais do menino gordinho fizeram a primeira denúncia e a prisão dele foi divulgada, 11 adultos procuraram a polícia com acusações semelhantes.
Em dezembro de 2012, Back foi condenado a 20 anos de cadeia pela Comarca de Forquilhinhas, por “atos libidinosos diversos da conjunção carnal” – por vários relatos de advogados que viram o processo ele gostava de exibir-se pelado e apalpar a genitália dos meninos.
A repercussão na imprensa catarinense foi mínima. Em maio de 2014, o MPE recorreu da decisão ao Tribunal de Justiça e conseguiu aumentar a pena para 26 anos – no final do ano passado a defesa dele levou o caso ao STJ, obtendo o direito de esperar pela sentença na confortável casa do bispo.
O nome dele sumiu do noticiário – e no sistema penal seu destino era um segredo bem guardado.
TERRA DE SANTOS
Até a revelação do escândalo o padre Back era reverenciado em Forquilhinhas, por sua origem. Seus pais e os de uma dupla de santos, seus conterrâneos dom Evaristo e dona Zilda Arns, fundaram a cidade.
Foi o próprio dom Evaristo, hoje com 92, quem ordenou Back sacerdote, em 1968.
No processo, não foi possível precisar o número de pessoas que teriam sido vítimas dele em sua carreira religiosa, iniciada aos 10 anos, em 1954, num seminário do Paraná.
Os promotores contataram cerca de 40, mas estimam que este número pode chegar a 100 porque Back atuou em dezenas de paróquias e seminários de seis estados por mais de quatro décadas.
Nenhum dos hoje adultos quis testemunhar.
ESTUDIOSO
Na salinha de espera a conversa com o padre se torna um papo de barbearia – a esta altura ele já tinha soltado meu braço.
Back conta que era sua tarefa ensinar temas da sexualidade aos adolescentes sob sua guarda porque “os pais não ensinam aos filhos, é um tema tabu”.
Ele disse que “os meninos (nos seminários) dizem uns aos outros que ‘quem não se masturba é viadinho’, o que afeta alguns” – cabia a ele dar a orientação correta sobre o tema.
Back mergulhou na internet para estudar os casos de abusos de padres católicos ocorridos em Boston (EUA), de grande repercussão internacional e tema de um filme concorrente ao Oscar.
Sem que ninguém lhe pergunte, ele compara os casos e tira o corpo fora: “Nunca houve nada parecido aqui no Brasil, não é um tema presente nas nossas igrejas católicas”.
O bispo da cidade não quis dar entrevista – talvez porque no ano passado o Papa Francisco pediu aos católicos para não mais acobertar casos de pedofilia, autorizando inclusive abertura de processos contra os bispos que o fizerem.
NO SALÃO DE BELEZA
Em Forquilhinhas, a mãe de um dos meninos que constam da denúncia inicial pediu para falar sem ser identificada, porque revelaria a identidade do filho – o que aliás, não é um mistério, porque toda cidade sabe quem ele é.
“O que mais me choca é que o pessoal falava mal deste padre, durante anos a gente ouvia coisas. Mas eu achava que era fofoca, até que ele deu em cima do meu filho”, disse a mãe, ainda enfurecida.
Ela contou que “na mesma hora em que eu soube peguei meu menino pela mão e corri para a delegacia”. Deu no que deu.
Na defesa, o padre manteve a tese de perseguição política por causa da candidatura do tal sobrinho: “Eu tinha muita influência na cidade, queriam me tirar da disputa”, sustenta. Com o escândalo, o sobrinho abandonou a a candidatura e a política, de uma vez por todas.
PERSEGUIDO
Fim do papo.
O padre leva o repórter para visitar suas hortas e posa para algumas fotos.
Pede que eu não publique sua história porque “isto pode me complicar”.
Insiste em sua inocência: “É uma provação. Me sinto um homem feliz por ter tido uma vida religiosa plena, ajudei milhares de pessoas. Se hoje sou perseguido, nada mais é do que mesma coisa que aconteceu com São Pedro, São Paulo e o próprio Jesus”.
Ele leva o repórter até a saída do condomínio. No portão, notei que estava com as mãos trêmulas. Queixou-se de uma vaga doença neurológica e teve pequena dificuldade para localizar a chave num molho enorme, até conseguir.
Última resposta, já com o pé na calçada: ele não soube dizer quando seu caso será julgado pelo STF.
Aí, curvou a cabeça e se despediu com humildade: “Vá com Deus”.
———————————————————————————————–
Dívida e pedágios, duas bombas de efeito retardado que explodem no colo de Sartori
P.C. DE Lester
Duas bombas de efeito retardado estão no colo do governador Ivo Sartori: a dívida do Estado com a União e o pedagiamento das estradas estaduais.
Ambas contaram com o apoio de Ivo Sartori, líder da bancada do PMDB, na época em que foram materializadas na Assembleia pelo governo Britto.
O governador diz que as condições em que foi feito o acordo da dívida com a União em 1997, eram muito diferentes das atuais.
Talvez fossem, mas o desastre era previsível. O deputado Flávio Koutzii, líder do PT, denunciou o contrato na tribuna, apresentou os cálculos, mostrou que a dívida nos termos em que fora negociada ficaria impagável. Foi chamado de micuim, a imprensa não lhe deu atenção.
O caso dos pedágios não foi denunciado por nenhum petista. Foi o engenheiro Cloraldino Severo, ministro dos Transportes nos governos militares, filiado ao então PDS, quem abriu a boca.
Ele participou das discussões como representante das transportadoras e divulgou um estudo mostrando que o contrato firmado com as concessionárias das estradas “era lesivo ao interesse público”.
Quinze anos depois, quando findavam as concessões, até a Zero Hora reconheceu em editorial que os contratos foram lesivos ao Estado.
As concessionárias amealharam algo como 2,4 bilhões de lucro líquido e devolveram as estadas com 15 anos de uso e conservação insuficiente. Vai custar mais de bilhão ao governo a recuperação.
Agora o governador Sartori diz que tem pressa para restabelecer o regime de pedágios nas rodovias estaduais, única saída para recuperá-las do estado precário em que estão.
Cabe lembrar que a “urgência em atacar o grave problema das estradas” foi o argumento para aprovar o modelo anterior de pedágio, que quinze anos depois devolveu ao contribuinte gaúcho o mesmo abacaxi.Café do Lago, espaço abandonado no coração do parque
Um dos últimos vestígios da Grande Exposição de 1935, que mudou o nome de Redenção para Parque Farroupilha, o prédio do café junto ao lago dos pedalinhos, está totalmente abandonado.
Na tarde deste domingo, as garças brancas do lago chamavam a atenção das crianças. Mas o que indignava alguns pais era o estado do prédio – aberto, com vidros quebrados, a lona rasgada.
“As árvores caidas, os galhos amontoados, a gente entende, houve uma tempestade, né? Mas esse abandono aí, um prédio desses atirado…é vergonha para a cidade”, comentava um professor.
Nos últimos anos o espaço esteve concedido a um empresário. Mas divergências quanto ao horário de fechamento levaram à ruptura do contrato. Uma nova licitação chegou a ser feita, mas não resultou em novo contrato.
Com a saída do antigo concessionário, o local ficou abandonado.
Os processos de Curitiba e o futuro da democracia no Brasil
Enio Squeff
No filme “Julgamento de Nurenberg”, de Stanley Kramer, há uma cena em que um promotor norte-americano encontra seu antigo professor alemão, um dos réus do processo.
O mestre alemão se queixa a seu ex-discípulo que sua participação no Terceiro Reich fora mínima. Fizera apenas pequenas concessões ao terror nazista. Não entendia porque o arrolavam entre os criminosos de guerra.
O promotor responde: justamente por ter cedido no mínimo, ele preparou o estado alemão para o máximo – os terrores que se seguiram.
Este talvez o maior repto à chamada Operação Lava a Jato.
As concessões feitas ao juiz Sergio Moro e sua trupe – as detenções flagrantemente ilegais, prisões sem culpas comprovadas, extinção temporária do instituto de habeas corpus, tudo sob o princípio medievalesco de que cabe aos acusados provarem não ter culpa – desautorizam o Supremo Tribunal Federal a por cobro a qualquer horror no futuro.
A história, no entanto, não irá absolvê-lo. E por uma razão que já está a vista: ” nunca na história do Brasil” um processo judicial amedrontou tanto os grandes empresários brasileiros que de uma forma ou outra celebraram contratos com os governos do PT.
A esquerda do Brasil, ou o que quer que digamos da situação, incluído nisso o governo mambembe da presidente Dilma – essa esquerda quase sempre desavisada, quando não francamente tapada, hesita entre o que ela condena na desonestidade de alguns empresários e os princípios republicanos que bem ou mal fazem parte do atual repertório político do país.
E que ou bem seguimos os ritos da Constituição em vigor; ou deixamos que a coisa desembeste de vez na selvageria judicial que aí está.
Há quem faça comparações. No regime ditatorial militar teria sido pior: torturava-se e matava-se, sem que os governos da época sequer admitisse as prisões.
É verdade. Mas uma vez reveladas as detenções, seguiam-se os ritos dos processos normais. E as torturas não eram públicas como na Operação Lava Jato.
Nos processos de Curitiba, os acusados são mantidos presos até admitirem alguma culpa. E continuam presos, quando o juiz confirma a sentença arrancada à custa da detenção infindável do acusado.
E como todos temos culpas – que o digam os empreiteiros e não apenas o K do Processo de Kafka- o sujeito é submetido a detenções vexatórias, com as mãos algemadas, como os mais perigosos delinquentes.
A coisa chega a ser tão escandalosa que quando João Santana voltou ao Brasil para ser interrogado, o juiz Moro decretou sua prisão na saída do avião, como se ele não o tivesse atendido à convocação da Justiça.
E tudo para que João Santana e sua mulher fossem humilhados publicamente.
É a isso que os doutos ministros do STF chamam de justiça? Só falta o linchamento. Ou a câmara de gás.
Ora, isso tudo é consabido. Não é de admirar que Edinho Silva – nunca um diminuitivo foi tão apropriado a um personagem – tenha anunciado que o governo, enfim, admitia que o juiz Moro estava extrapolando na sua parcialidade.
E o pior é que a sua declaração – a declaração do porta voz da presidência – tenha tido, tanto na grande imprensa como entre os blogues de esquerda, a ressonância de um traque.
É tudo tão animalesco e pervertido, que o Estadão gastou uma página inteira para tripudiar sobre o sorriso sobranceiro da esposa de João Santana.
Aliás, deve-se prestar um preito à coragem não apenas desta senhora, mas também de Marcelo Odebrecht.
Por enquanto, ele foi um dos poucos a não ceder à tortura de uma prisão descabida que daqui a pouco chegará a um ano. Sem qualquer julgamento.
Diga-se: a história terá necessariamente que registrar muitos personagens nesta verdadeira tragédia que está se abatendo sobre o país.
Há o juiz Sérgio Moro e seus procuradores, sem dúvida. Mas há o ministro Teori Zavascki que sanciona tudo o que emana de Curitiba, há o STF que se cala, há o Senado que abjurou de suas prerrogativas quando concordou com a prisão atrabiliária de Delcídio Amaral ( no que foi acompanhado de forma no mínimo estranha por um jurista do porte de Tarso Genro), há um governo que já não existe a não ser na catatonia da chefe do Executivo. Digamos, para ser elegantes, que a esculhambação é ampla, geral e irrestrita.
Em tempo: num documentário sobre o pintor vienense Gustav Klimt (1862-1918), disponível na internet, há o depoimento de uma senhora que escapou aos nazistas. Em meio a recordações do periodo, ela faz uma revelação que cabe perfeitamente ao Brasil.
Diz ela que a classe média ( também que muita gente de esquerda, entre os quais muitos operários) babavam de satisfação quando alguns empresários, judeus ou não começaram a ser detidos pelos nazistas.
Era o torcida dos boçais que se esbaldam com os autos de fé. Vivem de bodes expiatórios para se curarem da insatisfação de suas frustrações. E que atravessaram a história a se deliciarem com os justiçamentos por mais ignóbeis e covardes que sejam.
Sartre disse uma vez que, se os judeus não existissem, o antissemitismo os inventaria. Estamos vivenciando a invenção de judeus no Brasil, isto é, todos os que são de esquerda. E que não entendem porque Marcelo Odebrecht ou João Santanta estão presos. E Eduardo Cunha está solto.


Um dos últimos vestígios da Grande Exposição de 1935, que mudou o nome de Redenção para Parque Farroupilha, o prédio do café junto ao lago dos pedalinhos, está totalmente abandonado.