Categoria: Geral

  • Wanderley Soares, uma vida dedicada ao jornalismo

    Filho de um tipógrafo, com dois irmãos fotógrafos, Wanderley Soares teve em casa as primeira lições de jornalismo.
    Começou ainda adolescente como office-boy em O Estado do Rio Grande, o jornal do então Partido Libertador (PL).
    Por indicação do irmão, Valdomiro, tornou-se repórter policial da edição gaúcha da Última Hora, a rede de jornais populares fundada por Samuel Wayner.
    Em 1964, quando se deu o golpe militar a Ultima Hora de Porto Alegre, que apoiava Jango e Brizola, foi invadida pela polícia. Ele e vários colegas tiveram que fugir para escapar da prisão.
    Quando o jornal foi definitivamente fechado, ele se transferiu para a Zero Hora, que surgiu meses depois para ocupar o espaço da Última Hora, mas com uma linha editorial favorável ao novo regime.
    “Eu estava na última edição da Última Hora e na primeira edição da Zero Hora”, costumava dizer.
    Foi editor também na Folha da Tarde, na Folha da Manhã, e ultimamente colunista do jornal O Sul, sempre na área policial.
    Há poucos dias, conversando com colegas na Associação Riograndense de Imprensa, dizia que tivera “o privilégio de trabalhar na Zero Hora pobre, na Caldas Junior rica, na Caldas Junior pobre e na Zero Hora rica”.
    Jornal pobre, jornal rico, em qualquer circunstância Wanderley Soares manteve uma rigorosa conduta ética.
    Desde o início, num tempo em que os repórteres muitas vezes se confundiam com os policiais, cultivou um distanciamento crítico, evitando ter a autoridade como a única fonte dos fatos que noticiava.
    O texto preciso e direto e uma visão abrangente das questões de segurança, essa era sua marca registrada.
    É uma voz lúcida que se cala, num momento em que o Porto Alegre vive um colapso na segurança pública.
    Wanderley Soares morreu na tarde de sexta- feira, 4 de março, ao 76 nos.
    Seu corpo foi velado no Crematório Metropolitano de Porto Alegre,  onde foi cremado às 10 h de sábado.

  • Reação de Lula leva o PT às ruas e antecipa a campanha 2018

    Em poucas horas, um ato em defesa de Lula reuniu cerca de quatro mil pessoas no centro de Porto Alegre, na tarde desta sexta feira.
    Manifestações petistas ocorreram também em São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte, Salvador, entre outras cidades e capitais.
    O ex-presidente foi surpreendido de manhã cedo em sua casa e levado, em “condução coercitiva” para o aeroporto de Congonhas onde prestou depoimento por mais de três horas.
    A manifestação indignada de Lula depois do depoimento à Polícia Federal parece ter reacendido o ânimo da militância petista, que em poucas horas foi às ruas em todo o país.
    Lula voltou a dizer que está “com tesão” para disputar novamente a presidência em 2018 e anunciou que vai percorrer o país levantar a militância. Lembrou dos comícios em frente de fábrica, nos pontos de ônibus, na fase de construção do PT.  “Vamos recomeçar”, disse
    O ato em Porto Alegre foi convocado no início da tarde desta sexta-feira para as 17h, na esquina democrática.
    De lá, o grupo saiu em caminhada em direção ao largo Zumbi dos Palmares. “Não vai ter golpe, vai ter luta” e “Lula guerreiro do povo brasileiro”, cantavam os manifestantes durante a marcha.
    Durante a manifestação, algumas pessoas se aproximavam e faziam provocações como “queremos o Lula na cadeia”.
    Do outro lado a resposta vinha em forma de “fascistas, golpistas, não passarão.” Enquanto aconteciam os discursos, na esquina democrática, duas garrafas de vidro foram arremessadas em direção aos manifestantes, mas não atingiram ninguém.
    Manifestações contra Lula e o PT, em proporções menores, também ocorreram em diversos pontos do país.
     
    ato pró lula (4)
    ato pró lula (23)
    ato pró lula (10)

  • Depois da ventania, vendaval de podas assola Porto Alegre

    GERALDO HASSE
    Depois do vendaval que derrubou árvores em Porto Alegre no dia 29 de janeiro, os funcionários da CEEE e de outras instituições se sentiram no direito (e até no dever) de praticar o que José Lutzemberger denominava “poda bárbara”.
    A maioria da população entende e apoia o corte indiscriminado de galhos e ramos, pois tem consciência de que os fios (de eletricidade, telefonia e TV a cabo) são mais importantes do que a arborização.
    Nem é o caso de perguntar quem veio antes – as árvores ou os fios? Mas é pertinente perguntar se não chegou a hora de estabelecer um plano diretor de arborização e paisagismo do perímetro urbano de Porto Alegre.
    Atualmente pelo menos a metade das árvores das ruas da capital é inadequada para o paisagismo urbano, daí o conflito com o cabeamento eletro-eletrônico.
    Nos parques, praças e ruas predominam os espécimes vegetais de grande porte que representam fonte permanente de riscos para pessoas e de prejuízos para os proprietários de carros, imóveis e postes de fiação.
    A arborização é fundamental para amenizar a temperatura, oxigenar o ambiente e reduzir a poluição sonora, mas nem na zona rural se pode dispensar o bom senso na hora de escolher o que plantar perto das moradias.
    Umbu na porteira? Tudo bem, mas paineira não é recomendável perto de telhados.
    Em Porto Alegre a Prefeitura e os moradores plantam árvores-gigantes debaixo da fiação. Angico, pau ferro, tipuana, sibipiruna, abacateiro, ipê, espatódea, plátano, grevílea, guapuruvu, figueiras, flamboyant, mangueiras – nada disso deveria ser plantado nas calçadas, mesmo naquelas em que não há postes. Em parques e praças, tudo bem.
    Para calçadas com postes de fiação, podem ser plantadas, com um adensamento capaz de prover o sombreamento das calçadas, sem risco de acidentes graves com os pedestres, as seguintes árvores: araçazeiro, bico-de-papagaio, cafeeiro, camelieira, chuva de ouro, bauinia (pata de vaca), bergamoteira, extremosa, hibisco, jasmineiro do Havaí, laranjeira, leiteirinho, leucena, limoeiro, manacá, pitangueira, quaresmeira.
    A arborização e a fiação são compatíveis, mas é preciso ter critério e iniciar um programa de fomento ao paisagismo consciente.
    Uma boa fonte de orientação é o livro Cadastro Fotográfico da Vegetação de Porto Alegre, produzido pela Secretaria de Meio Ambiente de Porto Alegre.
    Publicado em 2011, é um trabalho de 430 páginas coordenado pela arquiteta Cleida Maria da Cunha Feijó Gomes, que listou centenas de vegetais identificáveis por fotos e descrições minuciosas.

  • O show dos Stones visto do Portão 3 do Beira Rio

    Matheus Chaparini
    Dez anos atrás eu era um piá sozinho perdido em Buenos Aires.
    Amontoado entre dezenas de milhares de castelhanos, ouvia os gritos enlouquecidos:  “Oooooo vamo los stoooones!” como se fosse um Boca e River na porra do Monumental de Nuñez lotado.
    Era minha primeira viagem sozinho, eu era menor de idade e os corôas tiveram até que assinar papelada pra eu poder partir.
    E agora os velhos me inventam de aparecer aqui na província. E mais: no glorioso Gigante da beira do rio. Mas dez anos se passaram, os tempos são outros. Os custos também. E como a vida não anda nada fácil para quem vive de imprensa – digo apenas de imprensa, não de imprensa, construção civil e shows dos Stones – não deu para ir.
    Pelo menos não dentro do estádio. Mas o lado de fora é sempre democrático.
    Partimos, eu mais um colega do JÁ, garrafita de pinga, meia dúzia de pilas pra ceva, sem muita eira a caminho do Beira. Trocadilhos infames à parte, pra nós, foi um grande espetáculo. E o maior que podíamos pagar. O palco ficou posicionado na goleira sul, portão 7. O portão oposto era o 3, e de lá se podia ver um pedacinho do palco e quase todo o telão. E dava para ouvir muito roquenrou.
    Apesar da moça do tempo da tevê ter passado a semana inteira brigando com a previsão, tentando segurar a chuva na hora do show, uma água pesada desabou sobre Porto Alegre durante quase toda a noite. Não sei como reagiu o pessoal que pagou um mês de aluguel pra assistir lá de dentro, mas o povo da rua ignorou o aguaceiro.
    Depois de meia hora de show, teve um grupo mais exaltado que não aguentou ficar do lado de fora. Alguns bretes foram derrubados, houve correria de seguranças. Umas 50 pessoas conseguiram entrar, metade foi puxada de volta para fora. Os demais atingiram a glória.
    Como represália, os seguranças do estádio colocaram uma enorme lona preta sobre o portão. Ninguém via mais nada. Não sei ao certo se foi a chuva ou o bom senso que derrubou as cortinas e desnudou novamente nossa janela de ver os Stones.
    Sobre o desempenho da banda não há muito o que dizer. Os velhos estão em perfeita forma. Keith Richards é o guitarrista mais foda do rock. O Ronnie Wood é outro monstrengo. Nunca fui o maior fã do Charlie Watt, mas tenho que reconhecer a precisão do cara, uma banda como os Stones precisam de um metrônomo sério na bateria. E o Mick Jagger é sempre o Mick Jagger, canta, dança, se sacode, sai andando pela chuva, comanda o espetáculo. Do auge dos setenta e poucos, o faz como se ainda tivesse vinte.
    Pelos arredores do Gigante, encontrei os caras da banda Cartas na Rua, que foram fazer um aquecimento pro show e tentar entrar de gaiato no navio. Encontrei também uma penca de conhecidos sem ingresso e um camarada da antiga, dos tempos de banda, que conseguiu a maior façanha registrada pela nossa equipe: entrou no show por cem pila. E de forma quase completamente lícita. Até o fechamento desta matéria ninguém fez melhor – não sem correr o risco de tomar umas cassetadas.
    A Cachorro Grande foi a banda escolhida para o show de abertura. Baita escolha. Muito mais adequada que a escolha dos Titãs, em São Paulo, e do Ultraje a Rigor, no Rio – onde o vocalista Roger conseguiu brigar com a plateia que havia feito a obvia constatação de que ele é um coxinha.
    Pra não dizer que eu só falei de flores, na hora da saída, o camarada que me acompanhava foi alvo da profissão mais antiga do mundo: o descuidista. Na parada de ônibus, uma distração, um esbarrão, um bote certeiro no bolso e um celular perdido.
    Na manhã seguinte acordei naquela ressaca stoniana e os jornais anunciavam que tinha sido o show mais empolgante que os Rolling Stones já fizeram no Brasil. Foi meu segundo. E ninguém pode dizer que eu não fui.

  • "Delação" de Delcídio paralisa o governo e tira Cunha das manchetes

    PCde LESTER
    Li a reportagem da IstoÉ com a “deleção premiada” do senador Delcidio Amaral por volta das 14 horas. Já era manchete na versão on line de todos os jornais.
    Respondi ao amigo que compartilhara comigo: “Parece coisa plantada”.
    Começa dizendo que a revista teve acesso às 400 páginas da delação premiada em que Delcidio do Amaral, ex-líder do governo no Senado, relata “com extraordinária riqueza de detalhes” o envolvimento de Lula e Dilma na corrupção.
    Ditas pelo ex-lider do governo no Senado, as afirmações seriam uma bomba de sacudir o Planalto.
    Mas a rigor, o relato não é revelador. Parece um requentado de várias denúncias   Lula e Dilma sabiam de tudo, presidente tentou interferir na Lava Jato, testemunhas foram caladas por influência de Lula…O que ele, Delcídio, estava pagando para Cerveró era dinheiro do empresário Bumlai a mando de Lula.
    “O que ele relatou contra a presidente é gravíssimo”, diz a certa altura a reportagem.
    Mas quando reproduz declarações que Delcidio teria feito não vai além disso:
    “É indiscutível e inegável a movimentação sistemática do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo e da própria presidente Dilma Rousseff no sentido de promover a soltura de réus presos na operação”, afirmou Delcídio na delação. 
    É a repórter que se encarrega de ser contundente em seu comentário:
     “A ação de uma presidente da República no sentido de nomear de um ministro para um tribunal superior em troca do seu compromisso de votar pela soltura de presos envolvidos num esquema de corrupção é inacreditável pela ousadia e presunção da impunidade. E joga por terra todo seu discurso de “liberdade de atuação da Lava Jato”, repetido como um mantra na campanha eleitoral. Só essa atitude tem potencial para ensejar um novo processo de impeachment contra ela por crime de responsabilidade”. 
    Esse tom que percorre a matéria trai o arranjo. Um repórter que tem nas mãos 400 páginas de uma denúncia que pode derrubar a presidente não vai fazer um comentário desses.
    Os documentos reproduzidos não provam nada, podem ser resultado de simples montagem.
    Mas os jornais não se importaram com nada disso. Antes de ouvir Delcídio, antes de ouvir Janot a “delação” já estava em todas as manchetes.
    As cinco da tarde, o senador Delcício do Amaral e o procurador Rodrigo Janot já haviam desmentido a delação.
    Mas aí a crise já estava criada. “O governo está anestesiado com a delação de Amaral”, dizia portal de  O Globo” ainda oito da noite.
    Enquanto isso, Eduardo Cunha saiu do foco. Os dez a zero que ele levou na votação do Supremo passaram para segundo plano.

  • Protesto e bomba enquanto o Conselho ratifica o cálculo da passagem

    Muito barulho por nada. Assim se poderia definir a reunião do Comtu (Conselho Municipal de Transporte Urbano) no final da manhã e início da tarde desta quinta-feira.
    O resultado da votação foi de 12 favoráveis e 4 contrários. Mas não era o valor da passagem ou o reajuste que estava sendo votado, e sim a apresentação, pela EPTC, da metodologia de cálculo utilizada na licitação.
    Basicamente,  o conselho reafirmou que a metodologia está correta. A decisão sobre o valor da tarifa está nas mãos da Justiça.
    O conselheiro da Umespa, Lucas Becker, solicitou que uma nova reunião seja realizada especificamente para votar o valor da passagem.
    Até o final do encontro os conselheiros sequer sabiam se haveria algum tipo de votação. Mas uma coisa se sabia: nenhuma decisão importante e definitiva em relação ao valor da passagem seria tomada ali.
    O representante do Sintaxi, Luis Nozari, chegou a defender a nulidade de qualquer votação, por não estar previsto na pauta da reunião.
    “Estamos fazendo uma reunião para referendar outra reunião que já tivemos no dia 17 de fevereiro”, concluiu Nozari, ao que uma repórter de uma rádio, confusa, virou-se para o lado e questionou  a um colega: “essa reunião não vale para nada? Então, por que estamos aqui?”
    “Estamos aqui para homenagear essa decisão judicial. Se disseram que o conselho não se manifestou, vamos nos manifestar então”, definiu, em outro momento, o presidente do conselho, Jaires da Silva Maciel.

    Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA
    Conselheiros ratificaram cálculo da passagem por 12 votos a 4 / Foto Luciano Lanes / PMPA

    O encontro foi chamado pela própria empresa, pois a não aprovação no novo valor pelo Comtu foi o argumento que embasou a liminar concedida pela Justiça derrubando o aumento na tarifa.
    “Esse conselho foi apenas visitado pela Eptc e não teve nenhuma interferência na fixação da tarifa”, criticou o representante do Sintaxi, Luiz Nozari, que defendeu a nulidade da votação por não estar prevista na pauta. Nozari afirmou que a votação abriria brecha para “oportunistas questionarem judicialmente.”
    Técnicos da Eptc e conselheiros favoráveis ao resultado da licitação e o novo valor da passagem defendem que não há aumento. O argumento é de que a licitação representa um marco zero e, portanto, não há aumento.
    Consórcio notificou prefeitura por quebra de contrato
    Durante a reunião, umas das técnicas da Eptc anunciou uma informação nova. A prefeitura foi notificada extrajudicialmente pela consórcio Mais em relação aos prejuízos do não estabelecimento do contrato. O representante da ATP, Sandro Sleimon, defendeu essa saída. Segundo ele, os consórcios devem entrar com ação judicial contra o Município por quebra de contrato e cobrar os prejuízos relativos à derrubada do aumento.
    Ele atribuiu os questionamentos a “um mesmo grupo de sempre”. “Antes reclamavam que não tinha licitação, agora nos acusam de estarmos mancomunados com a prefeitura”, afirmou Sleimon.
    Para o representante da CUT, Alceus Weber, “está claro que existe fraude nessa planilha”. Weber apontou questões como as especificações dos veículos para defender a tese de que a licitação foi direcionada para beneficiar as empresas que já operavam o serviço e que seguem operando após o processo licitatório.
    Para o representante do Stetpoa, o que estava em questão não era o transporte público de Porto Alegre, que ele defende como um dos melhores do país, e sim as isenções, apontadas por ele como responsáveis pelo alto valor da tarifa. “Temos que achar uma forma de baixar a passagem e é nos 33% de isenção.”
    Do lado de fora, Brigada dispersa manifestantes com bomba de gás
    Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ
    Brigada Militar lançou bomba de gás lacrimogênio contra os manifestantes, na maioria estudantes secundaristas / JÁ

    O Bloco de Luta pelo Transporte Público convocou seu quarto ato do ano em função da reunião. Antes do início,a cerca de 200 manifestantes, a grande maioria estudantes secundaristas, se reuniram em frente ao portão da sede da Eptc para pressionar os conselheiros e tentar a entrada de representantes do movimento, o que não aconteceu. Com faixas, bandeiras de diversas entidades e instrumentos, entoavam cantos como “Dança, Fortuna / dança até o chão / vou barrar de novo o aumento do busão” e “Tri caro / tri demorado / ainda por cima é tri lotado”
    O conselheiro do Stetpoa (Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transporte Coletivo Urbanos de Passageiros de Porto Alegre), Emerson Dutra chegou em cima da hora e foi abordado apelos jovens, que se aglomeraram em torno de Dutra, tentando obter uma garantia de apoio. “Meu voto é sempre do povo”, afirmou vagamente o conselheiro antes de sair correndo, com os manifestantes correndo atrás. Na confusão, o conselheiro teve seu terno rasgado.
    Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ
    Manifestantes pressionaram conselheiro na entrada da reunião / JÁ

    Passava um pouco das 11h quando a reunião teve início e os jornalistas concentraram foco no interior da sala. Do lado de fora, estudantes organizavam um jogral para informar como procederiam no bloqueio da avenida Ipiranga, protesto por não ter sido permitida a entrada de representantes dos estudantes. Agentes da Eptc aguardavam a comunicação quando o choque da Brigada Militar interveio com uma bomba de gás lacrimogênio.
    Os manifestantes se dispersaram e retornaram até o colégio Julio de Castilhos, de onde havia partido o ato. Do lado de dentro da grade, outros funcionários da empresa de trânsito comentavam a ação da Brigada como “desproporcional”.

  • Agapan promove debate sobre árvores derrubadas em Porto Alegre

    Nesta sábado, a partir das 11 horas da manhã,  Agapan  promove encontro junto ao Monumento ao Expedicionário, no parque da Redenção.
    O propósito é fazer uma “coleta de opiniões” a respeito da arborização de Porto Alegre, bastante prejudicada pelo vendaval que atingiu a cidade no dia 30 de janeiro último.
    O encontro é preparatório da intervenção que a Agapan fará na Tribuna Popular da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, na segunda-feira às 14 horas..
    “A fala será curta, mas para evitar uma manifestação restrita às opiniões dos membros da Agapan, estamos convidando todos os interessados no tema a participar de conversa a respeito deste assunto”, diz o presidente da entidade, Leonardo Melgarejo.

  • Aedes em Porto Alegre: índice de fêmeas multiplicou por quatro em um mês

    Felipe Uhr
    O indice de infestação de fêmeas, que mede o potencial de disseminação do aedes egypti, chegou ao nível “critico” em Porto Alegre.
    Esse índice, medido semanalmente, através de armadilhas colocadas em pontos escolhidos era 0,24% em novembro de 2015.
    Passou para 0,43% em fevereiro e agora está em 1,9%.
    A informação foi dada pela veterinária Luiza Lemos, da Coordenadoria Geral de Vigilância em Saúde, durante aula de capacitação sobre o Aedes, realizada na sede da Coordenadoria na tarde desta quarta-feira, dia 2.
    Segundo Luiza, o mosquito vem se proliferando rapidamente pela cidade com o consequente aumento do numero de casos de dengue.
    Na última atualização da Prefeitura divulgada nesta quarta já somam 67, sendo 25 importados e 42 autóctones (contraído em Porto Alegre).
    A atividade tem como objetivo fornecer informações a respeito do mosquito e também dos métodos de eliminação dos criadouros, principal motivo de proliferação do mosquito.
    A veterinária destacou que a falta de conhecimento das pessoas ainda é um grande fator que permite o crescimento desses índices de infestação. “As pessoas não tem plantas em casa e acham que o mosquito não está, e pode sim estar” ressaltou.
    Ela destacou que além dos recipientes e potes de plantas, calhas, ralos e até mesmo potes de água para o cachorro podem ser lugares de hospedagem das larvas que podem levar de 3 a 7 dias para desenvolver o mosquito do Aedes Aegypti.
    “Elas (fêmeas) precisam de água limpa e de lugar firme para colocar  seus ovos” afirmou a especialista.
    Ela também explicou a definição de água limpa: água parada sem produto químico ou muita matéria orgânica. “O mosquito adora a água da chuva”, destacou.
    Há também os criadouros naturais; bromélias, ocos de árvores ou folhas bananeira mas em Porto Alegre o mosquito tem sido “urbano” já que os maiores índices de infestação foram encontrado dentro de domicílios e em zonas centrais da cidade.
    Para monitorar a proliferação do mosquito é realizado semanalmente o do índice Médio de Fêmeas de Aedes Aegypti (IMFA), com 884 armadilhas espalhadas em 28 bairros da cidade. O bairro Vila Nova, que não estava no levantamento, foi adicionado por ter registrado 34 casos confirmados de dengue.

    Armadilha ajuda na captura e monitoramento do mosquito fêmea. Foto: Cristine Rochol/PMPA
    Armadilha ajuda na captura e monitoramento do mosquito fêmea. Foto: Cristine Rochol/PMPA

    O IMFA registra as fêmeas capturadas em cada armadilha. São as fêmeas que transmitem o virus.
    A cada fêmea capturada a estimativa é que existam mais 25 nas proximidades, segundo a fabricante da armadilha, a EVEC. Porém o Ministério da Saúde calcula que esse número possa chegar até 100.
    Os números do IMFA, não estão disponíveis oficialmente pela Prefeitura nem através do site ou de comunicados.

  • Manifestações de rua acompanham reunião do Conselho de Transporte

    Matheus Chaparini
    A reunião do Conselho Municipal de Transporte Urbano de Porto Alegre  nesta quinta será acompanhada por manifestações de rua.
    O coletivo Bloco de Lutas está desde terça-feira convocando os militantes e os usuários do transporte coletivo pelas redes sociais.
    Será o quarto protesto deste ano está marcado para as 9h, em frente ao Colégio Julio de Castilhos.
    De lá, os manifestantes partirão para a sede da EPTC, onde acontece a reunião a partir das 11h.
    A passagem na cidade passou de R$ 3,25 para R$ 3,75 e, depois, por uma liminar da Justiça voltou aos R$ 3,25.
    Uma das razões para suspender o aumento foi a ausência de aprovação pelo Conselho Municipal de Transporte, que agora a prefeitura convoca.
    A liminar foi concedida pela juíza Karla Aveline de Oliveira da 5ª Vara da Fazenda Pública.
    Na mesma madrugada, a prefeitura recorreu e teve recurso negado. Um novo recurso foi movido pela prefeitura e está sendo julgado.
    A liminar concedida ao PSOLl se baseou no fato de o novo preço da passagem não ter sido aprovado pelo conselho e o reajuste ter sido acima do valor da inflação.
    A prefeitura contra-argumenta que o conselho foi ouvido e participou de todo o processo de construção do valor da tarifa e que não houve reajuste,  mas um novo valor determinado pela licitação.
    No site da prefeitura, foi lançada uma nota, justificando a convocação do conselho. O texto afirma que a medida “objetiva apenas a ratificação e consequente explicitação da efetiva participação do Conselho durante todo o processo que resultou na tarifa do novo sistema de transporte coletivo da Capital.”
    Através da nota, a prefeitura afirma ainda que a decisão da Justiça “interfere diretamente em todo o trabalho empenhado pelo município no sentido de regularizar o transporte público da cidade” e que “impõe riscos financeiros incomensuráveis ao município.”
    Se haverá votação ou se a reunião será mera apresentação formal dos valores a EPTC não informa. Segundo a assessoria, isso será decidido na hora da reunião.

  • Lulinha Paz e Amor não deu ouvidos a Leonel Brizola

    PC de Lester
    Pelo menos uma crise de choro foi testemunhada por amigos de Lula nos últimos dias quando o ex-presidente se sentiu acossado.
    Manifestou arrependimento, sem esclarecer por que.
    Se há uma coisa de que Lula se deva arrepender nestes dias é não ter seguido o que Brizola recomendou quando ele ganhou a primeira eleição em 2002: pedir de imediato uma investigação sobre as concessões de rádio e televisão em vigor no país.
    Não precisava ser radical como Brizola que queria cassar as concessões da Globo. Seria suficiente enquadrá-la na legislação vigente para forçar a redução do seu poderio, abrindo espaço para outros atores no mercado da comunicação.
    Lula, contrariando inclusive o seu partido, nada fez.
    Hoje a Rede Globo é o epicentro da conspiração para alijar Lula e o PT do poder. E hoje nem Lula, nem o PT no poder tem força para mexer um dedo da Globo.
    Mas a Globo não é a fortaleza que aparenta. Seu modelo está em xeque, sua situação de domínio do mercado é insustentável a longo prazo.
    Até entre seus aliados há quem reconheça, como fez a Folha de São Paulo recentemente, a necessidade de haver alguma regulação econômica da mídia.
    Mesmo assim, ela aposta tudo para tirar do caminho Lula e o PT, com seu projeto de regulação da mídia.
    Depois, na condição de vanguarda das forças vitoriosas, ganhará uma boa sobrevida para seus privilégios.
    Lula ainda não caiu e há indícios de que não vai cair. Se chegar a 2018 em condições, não será fácil batê-lo.  Se ele ganhar, talvez lembre do conselho de Brizola. Aí vai se ver se o Lulinha Paz e Amor é coisa do passado.