Seis dias depois do vendaval que devastou a região central de Porto Alegre, muitas arvores ainda se encontram no chão a espera de recolhimento. Apesar disso já foram recolhidos mais de três mil toneladas desde sábado quando a Prefeitura começou a agir.
A informação é do Secretário do Meio Ambiente, Mauro Moura. “Estamos recolhendo cerca de 400 toneladas por dia” avaliou. Mais de 30 equipes da Prefeitura atuam no recolhimento das arvores e galhos que foram atingidos.
A prioridade é retirar as arvores das vias e calçadas. A previsão é que o serviço de remoção seja finalizado na próxima semana. As pistas principais da cidade já foram limpas, segundo o Secretario.
As árvores estão sendo depositadas provisoriamente em um terreno atrás da Câmara de Vereadores, local próximo aos bairros mais atingidos. Depois serão transportadas para área Unidade de Triagem e Compostagem, localizado no Bairro Lomba do Pinheiro.
Somente depois disso serão realizados a remoção em parques e praças. “Vamos ver se conseguimos iniciar amanha ou sábado” falou Moura. Para ele o trabalho a ser realizado nos Parques e nas praças será ainda maior.
Uma avaliação parcial da Smam (Secretaria do Meio Ambiente) detectou pelo menos 300 árvores atingidas no Parque Farroupilha, a Redenção. No Parque Marinha do Brasil o estrago foi ainda maior. A estimativa é que mais de mil árvores tenham sido danificadas pelo vendaval.
Até lá a Prefeitura recomenda que os cidadãos não frequentem o Parque Marinha do Brasil e parte da Redenção. “No Parque Farroupilha é preferível utilizar apenas o eixo central evitando as áreas com mais árvores” alertou Mauro.
Ajudam no serviço de remoção, o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil do Estado e Exército.
Categoria: Geral
Após vendaval, três mil toneladas de árvores já foram recolhidas
Celulose investiu R$ 100 milhões em acesso rodoviário
A Celulose Riograndense apresentou à comunidade e à imprensa, na manhã desta quinta-feira (04/02), o novo acesso rodoviário que faz a ligação direta entre a planta industrial em Guaiba e a BR 116.
Para viabilizar a via, que possui 4,3 quilômetros de extensão e um viaduto de 60 metros de extensão com vão central de 30 metros sobre a via urbana (Coletora Sul), a empresa investiu cerca de 100 milhões de reais (US$ 24 milhões).
De acordo com Walter Lídio Nunes, presidente da empresa, a obra foi planejada e executada para evitar que os caminhões com origem ou destino à fábrica circulem pelas vias públicas de Guaíba:
“Todo o transporte de madeira, celulose, papel, resíduos e equipamentos era feito, até então, através das BR’s 116 e 290, passando pela Av. Castelo Branco. Desde dezembro, quando o acesso privado ficou pronto, passamos a usá-lo em caráter experimental. A expectativa é que até março, a totalidade das nossas cargas escoará exclusivamente pela nova via privada”, explicou o presidente.
O executivo disse que, durante este período de aprendizado, as empresas transportadoras que prestam serviços para a Celulose Riograndense treinarão e capacitarão seus motoristas para a utilização do novo trajeto.
A projeção é que, por dia, 725 veículos trafeguem no novo acesso, totalizando cerca de 1.400 viagens diárias. Por ano, serão transportadas 7.600 toneladas de cargas pela rodovia recém inaugurada (madeira, celulose, papel, resíduos, insumos e equipamentos).
O acesso privado conta com um posto de identificação para os caminhões que chegam à fábrica, estacionamento com 60 vagas e um prédio de apoio ao caminhoneiro, com sanitários e chuveiros.
Possui, também, instalações para pesagem de cargas e um local coberto para limpeza de veículos (evitando que restos de materiais sejam carreados para as vias públicas).
Toda a frota de caminhões que transporta a madeira utilizada pela fábrica possui computador a bordo e é totalmente monitorada, via satélite, pela empresa. Um centro de operações instalado na fábrica, em Guaíba, controla em tempo real, o andamento de cada um dos veículos onde quer que eles estejam (nos hortos florestais, ao longo das rodovias ou nas vias de acesso aos municípios de Pelotas e Guaíba). Este controle assegura que o motorista obedeça às instruções de transporte, como velocidade adequada, distância entre veículos para evitar formação de comboios e facilitar as ultrapassagens de outros usuários, paradas obrigatórias para recomposição física do motorista, entre outras normas.Depois da tempestade, a chuva: Porto Alegre em situação caótica
Menos de uma semana depois da tempestade que arrasou a cidade, na sexta-feira passada, Porto Alegre volta a uma situação caótica nesta quinta-feira.
Uma chuva fortíssima provoca alagamentos em pelo menos 40 pontos da capital, com interrupção de trânsito ou passagem muito dífícil.
A chuva começou às 10h30 da noite de quarta-feira e se intensificou na madrugada, quando em duas horas foram registrados 90 milimetros nos pontos de maior precipitação – chuva equivalente a quase um mes.
Falta também luz em diversas áreas da cidade. O prefeito em exercício, Sebastião Mello pelo rádio lançou um apelo à população para que não saia de casa.
Além do volume de chuva, a situação é agravada pela situação de muitas ruas, ainda com boeiros entupidos pelas arvores derrubadas pela ventania da sexta-passada.
Prefeitura decreta situação de emergência em Porto Alegre
O prefeito em exercício Sebastião Melo anunciou nesta segunda-feira, 1º, a assinatura do decreto de situação de emergência na Capital devido à tempestade da última sexta-feira. Melo assumiu a prefeitura provisoriamente em razão das férias do prefeito José Fortunati, iniciadas no mesmo dia do temporal. Melo estima que a cidade retome a normalidade em 30 dias.
A decisão foi tomada durante reunião do Comitê Gestor de Primeira Instância. A medida permite agilizar as providências necessárias à reconstrução da cidade. O documento foi publicado em edição extra do Diário Oficial de Porto Alegre.
Durante a reunião, realizada no Centro Integrado de Comando da Cidade de Porto Alegre (Ceic), Melo também criou um grupo de trabalho para elaborar o dossiê da devastação da cidade. O relatório será utilizado para ter uma dimensão mais exata dos prejuízos financeiros e danos provocados pelo temporal.
Melo determinou prioridade máxima dos trabalhos nas estações de bombeamento do Departamento Municipal de Água e Esgotos (Dmae) que ainda estão sem energia para que a água chegue a todos os pontos da cidade. As seis estações de tratamento de água estão operando normalmente. Porém, o serviço ainda não foi reestabelecido em todas as residências.
Segundo a CEEE, até às 18h15, haviam 12 mil pontos sem energia elétrica na cidade, sendo 6 mil desabastecidos desde sexta-feira.Descida da Borges e venda de ingressos marcam inicio do Carnaval
Acontece hoje a partir das 21 o último dia da famosa descida da Borges. Desfilarão as três primeiras escolas colocadas do Grupo Especial de 2015: Samba Puro, União da Vila do IAPI e Embaixadores do Ritmo. Dia 15 e 22 de janeiro desfilaram as demais escolas.
Os desfiles aconteciam na Avenida Borges de Medeiros até 1960. O evento tem o intuito de resgatar os velhos tempos. “O espírito do Carnaval no Centro não pode se apagar e deve ser permanentemente renovado. A Borges de Medeiros é um marco do Carnaval, destacou o coordenador de Manifestações Populares da Prefeitura de Porto Alegre, Joaquim Lucena.”
venda de ingressos começa amanhã
Os ingressos antecipados para o Carnaval de 2016 começam a ser vendidos neste sábado, dia 30 e neste domingo, 31. As entradas podem ser adquiridas no Centro Municipal de Cultura (av. Érico Veríssimo, 307), das 9h até as 17h. Os ticktes restantes serão disponibilizados nas bilheterias do Complexo Cultural do Porto Seco, nos dias de desfiles.
Para o dia 5 de fevereiro, os ingressos custam R$ 10, para o dia 6, R$ 15, para o dia 9, R$ 10, e para o Grupão custam R$ 5. Crianças até seis anos não pagam. A venda será feita exclusivamente em dinheiro, no limite de dois ingressos para cada pessoa na fila. Ensaios serão gratuitos.
Calendário de Desfiles 2016
02/02 – Ensaio Técnico (Muamba)
Ordem dos desfiles
20h30 – Imperadores do Samba
21h30 – Unidos de Vila Isabel
22h30 – Unidos do Capão
23h30 – Acadêmicos de Gravataí
00h30 – Imperatriz Dona Leopoldina
03/02 – Ensaio Técnico
20h30 – Embaixadores do Ritmo
21h30 – Bambas da Orgia
22h30 – Império da Zona Norte
23h30 – União da Vila do IAPI
00h30 – Estado Maior da Restinga
05/02 – Desfile primeira noite
21h25 – Mocidade da Lomba do Pinheiro
22h15 – Filhos da Candinha
23h05 – Fidalgos e Aristocratas
00h00 – Academia de Samba Puro
00h55 – Copacabana
01h50 – Academia de Samba Praiana
02h45 – Unidos do Capão
03h50 – Imperatriz Dona Leopoldina
04h55 – Acadêmicos de Gravataí
06/02 – Desfile segunda noite
20h45 – Esporte dá Samba
22h45 – Bambas da Orgia
23h50 – Estado Maior da Restinga
00h55 – Embaixadores do Ritmo
02h00 – Império da Zona Norte
03h05 – Unidos de Vila Isabel
04h10 – União da Vila do IAPI
05h15 – Imperadores do Samba
07/02 – Desfile terceira noite
21h05 – Tribo Os Guaianazes
21h55 – Tribo Os Comanches
22h45 – Protegidos da Princesa Isabel
23h40 – Unidos de Guajuviras
00h35 – Império do Sol
01h30 – Realeza
02h25 – Acadêmicos da Orgia
03h20 – União da Tinga
04h15 – Unidos da Vila Mapa
05h10 – Escola de Samba da Glória
08/02 – Complexo Cultural do Porto SecoVereadores discutem comitê de segurança ante a escalada da violência em Porto Alegre
Um comitê metropolitano de segurança é a proposta da Câmara de Vereadores de Porto Alegre para enfrentar a escalada da criminalidade que levou a cidade ao 43º lugar entre as cidades mais violentas do mundo.
A proposta foi apresentada pelo presidente da Câmara Municipal, Cássio Trojildo, em audiência publica com especialistas de segurança, sindicalistas e vereadores da região Metropolitana.
A primeira reunião será em 17 de fevereiro, às 9 horas, na Câmara da Capital.
O coordenador da resiliência em Medellin, na Colômbia, Santiago Uribe, falou da experiência exitosa que retirou a cidade da lista das mais violentas do mundo.
Uribe falou sobre a situação vivida na Colômbia: “Não existe fórmula pronta, mas é preciso ter prioridade para haver resultado. Foram 30 anos de investimentos pesados”, destacou.
Apesar do Comitê ser uma iniciativa do legislativo da capital serão convocadas entidades empresariais, associações de moradores, sindicatos e o poder público de toda região metropolitana.
Críticas ao governo foram feitas
Na reunião, sobraram críticas ao governo estadual. “A Secretaria de Segurança do Estado utiliza uma inteligência artificial.” criticou o vereador Maurício Dziedricki (PTB)
O ex-chefe de Polícia Ranolfo Vieira Júnior foi mais enfático:”A curto prazo, precisamos nomear os concursados da Brigada Militar e da Polícia Civil; a médio prazo, a construção de mais presídios; e a longo prazo, mudança na legislação penal”.
Para o presidente da Associação dos Cabos e Soldados da Brigada Militar (Abamf), Leonel Lucas, o governo do Estado pode deve retirar PMs que estão sem atuar e fazem até mesmo limpeza dentro da academia da BM e colocar na rua.
Ultimos cinco anos foram os mais quentes da história
A temperatura média da superfície global em 2015 quebrou todos os recordes já registrados anteriormente. Pela primeira vez a temperatura média da terra ficou um grau centígrado acima da era pré-industrial.
As informações são da Organização Meteorológica Mundial (OMM) divulgadas na segunda-feira (25). .
“Um El Niño excepcionalmente forte e o aumento das emissões de gases de efeito estufa juntaram forças provocando um efeito dramático sobre o sistema climático em 2015”, afirmou o secretário-geral da OMM, Petteri Taalas.
Ele explicou que os efeitos do fenômeno El Niño acabarão nos próximos meses, mas os impactos das mudanças climáticas provocadas por intervenção humana se manifestarão por muitas décadas.
“As alterações do clima terão crescentes impactos negativos, pelo menos, durante as próximas cinco décadas”, acrescentou.
O período de 2011-2015 foi o período de cinco anos com as mais altas temperaturas já observadas.
Para Taalas, é necessário investir na adaptação às mudanças climáticas, aumentando a capacidade dos países de prover melhores alertas preventivos antes de desastres para minimizar as perdas humanas e econômicas.
“Teremos uma chance de permanecer dentro do limite máximo de 2 graus, se os compromissos feitos nas negociações sobre mudanças climáticas em Paris e, além disso, uma maior redução do nível de emissões for alcançada, afirmou, referindo-se ao aumento de temperatura que a comunidade internacional se comprometeu a não ultrapassar.
O relatório completo sobre o clima em 2015 será apresentado pela OMM em março deste ano.
Fonte: ONU Brasil."A crise na segurança tem nome", diz sindicato dos policiais
Representante de cinco mil policiais civis, o Sindicato dos Escrivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul divulgou uma nota oficial com o título:“Várias verdade para contar uma grande mentira”.
O alvo é a série de reportagens do jornal Zero Hora sobre o colapso da segurança pública no Estado..
“Nossa contestação é que eles falam da segurança como se não houvesse nenhum responsável”, disse ao JÁ o presidente da entidade Isaac Ortiz.
“Tem responsável, sim” afirmou Ortiz. “Se chama Jose Ivo Sartori, do PMDB, e toda sua base. É claro que a criminalidade está explodindo em todo o Brasil, mas aqui, além disso, o governo corta as verbas já escassas, criando uma situação insustentável”.
“O vice-governador disse que ‘tudo a seu tempo’. Mas será que a vida pode esperar este tempo? Quantas vidas serão ceifadas até que o estado tenha condições de combater a criminalidade”, questionou.
Segundo ele, a reclamação dos policiais civis não tem a ver com a questão salarial.
Isaac Ortiz, presidente da Ugeirm/Sindicato
O sindicato reconhece que existe uma crise estrutural na segurança pública no país inteiro, falta de uma política para a área nos âmbitos municipal, estadual e federal.
Mas considera que “a crise específica do Rio Grande do Sul, que é mostrada na matéria de Zero Hora, é fruto da política homicida do governo Sartori.”
A nota afirma ainda que os investimentos do atual governo do estado “beiram o ridículo” e critica a opção do jornal por usar dados relativos aos últimos cinco anos e não apenas à 2015.
“Fica claro, para um olhar mais atento, que a intenção é diluir a responsabilidade do governo Sartori/PMDB.”
A nota apresenta números mostrando a drástica redução dos recursos para áreas essenciais em 2015.
Em equipamento e materiais permanentes, por exemplo, o valor caiu de R$ 92,9 milhões, em 2014, para R$ 39,3 milhões em 2015
Em obras e instalações, a diminuição é ainda mais gritante. Em 2014, foram investidos R$ 123,8 milhões, enquanto em 2015, o valor caiu para R$ 9,4 milhões.
Aprovados em concurso fazem churrasco de protesto em frente ao Piratini
Outra reivindicação importante, não somente dos policiais civis, mas de todas as categorias da segurança púlica, é a nomeação dos aprovados no último concurso público para a área, realizado em 2013.
O evento é motivado pelo aniversário do decreto 52.230, do governador Sartori, que congelou investimentos e barrou contratações e nomeações no executivo.
Nesta quinta-feira, a partir das 10h30, trabalhadores da segurança pública e os aprovados no concurso de 2013, se concentram em frente ao Palácio Piratini com suas churrasqueiras. O objetivo é convocar a população gaúcha a pressionar o governador pela convocação dos novos policiais. “O evento é aberto a todo mundo, porque a questão da segurança pública não diz respeito só aos aprovados”, explica Issac Ortiz.Começa levantamento da dengue em 57 bairros de Porto Alegre
Cerca de 100 agentes começaram nesta segunda a fazer o primeiro Levantamento Rápido do Índice de Infestação por Aedes aegypti (LIRAa) de 2016 na capital. Até o fim da semana, serão visitados 57 bairros que hoje não possuem armadilha para monitoramento.
A ação irá fazer a coleta de larvas do mosquito para que se obtenha o índice de infestação predial desses bairros. A área será dividida em 21 estratos – a unidade amostral do LIRAa.
Cada estrato compreende de 8 a 12 mil domicílios, onde serão visitados 450 imóveis já sorteados no sistema disponibilizado pelo Ministério da Saúde.
este ano, são 139 casos notificados
Em 2016 já foram notificados 139 casos, 92 residentes em Porto Alegre e seis importados confirmados. Em 2015 foram 728 casos residentes na capital, 75 foram confirmados dos quais 58 importados.
Último levantamento foi em março do ano passado
O último levantamento foi realizado em março do ano passado, em 28 bairros. Havia outro previsto para outubro, mas foi adiado devido ao excesso de chuvas, que impediram a coleta dos dados.
Confira os dados dos bairros com grande índice de infestação, conforme o último levantamento:
Mont’Serrat, Bela Vista, Rio Branco, Jardim Botânico, Petrópolis – 5,7%
Bairro Protásio Alves – 7,3%
Lomba do Pinheiro, Agronomia – 6,1%
Teresópolis – 4,3%
Camaquã – 4,3%
Vila Nova – 4,0%
Ipanema, Espírito Santo, Guarujá, Serraria – 5,7 %
Aberta dos Morros, Hípica – 4,2
Arquipélago – 4,0
Bairros com IIP < 1% – 4 bairros
Bairros com IIP ≥ 1% e ≤3,9% – 37 bairros
Bairros com IIP > 3,9% – 18 bairros
Na época, grande maioria dos bairros amostrados (93,2%) estava em condição de infestação média ou alta.Dilma se compara a Vargas por ataques à familia
Pinheiro do Vale
Quando a presidente Dilma Rousseff se compara a Getúlio Vargas, como fez na visita à reunião da Executiva do PDT que fechou questão contra o impeachment, ela de fato não se refere à questão política na Câmara, mas aos ataques à sua família.
Embora não tivesse falado de viva voz, ainda lhe repugnava a baixeza da reportagem de capa da revista Época em que uma equipe inteira procurou sem êxito encontrar alguma migalha que pudesse ligar seu ex-marido Carlos Araújo a algum malfeito, por menor que fosse.
A matéria de Época é um vexame para o jornalismo brasileiro, que se mostra ridículo por produzir profissionais dessa categoria. Expõe sócios controladores cobrando resultados a qualquer preço, sem nenhum prurido ético; um diretor de redação desesperado por sua incompetência para manter-se no cargo; editores de texto medíocres distorcendo declarações e comprometendo descaradamente amigos da família com conteúdos contrários ao que disseram; repórteres tresloucados, errantes no deserto a procura de cavalos com chifres. Uma vergonha! Diria o velho Boris Casoy.
Isto vem da sofreguidão para esconder o tamanho do fracasso, diminuir a distância de concorrentes. Uma ideia brilhante do gênio da redação de Época: “O ex-marido”. Deve ter pensado: como estes coleguinhas são burros, depois de tantos anos cavoucando não se deram conta que o ilibado Carlos Araújo seria o furo do ano. E lá se foram. Que equipe mais esperta…
A matéria foi um espanto: a capa dramática e, lá dentro, nada. Nada vezes nada. Nem uma pista. Coitadas das “fontes” expostas só em negativas. Nem uma linha que levantasse a menor suspeita. Apenas má fé e falta de assunto. Pobre leitor! Esse número da revista dá direito ao comprador de reclamar no PROCON.
Entre os profissionais de imprensa, Época expõe a fraude que se converteu esse tipo de jornalismo investigativo. Os velhos profissionais do ramo lembram-se dos tempos antigos, nos anos 70 e 80, quando o repórter precisava conquistar uma fonte antes de ter uma notícia. Era quase um ritual. Uma alta fonte contava um segredo (“não é para publicar”), deixava “descuidadamente” um papel sobre a mesa e pedia licença para dar um telefonema noutra sala. O repórter rapidamente lia e anotava. Chegando à redação era interrogado duramente pelo editor, tinha de ouvir o outro lado e, sempre, iniciava a matéria com a versão do acusado.
Na fase seguinte já havia mais flexibilidade do editor, a fonte passava um “dossiê”. Vieram os tempos do “denuncismo”. Em meio a muitas verdades também havia as manipulações. Muitas reputações de repórteres furões se fizeram por aí. Pelo menos o jornalista precisava ter uma fonte que lhe passasse um dossiê. Dava algum trabalho.
Agora é mais fácil. Tecnológico. Qualquer hacker passeia como se estivesse em casa nos arquivos dos órgãos públicos. É só plugar o pendrive e tem todo o vazamento em áudio e vídeo sem precisar se esforçar para encontrar uma fonte confiável para lhe passar o “vazamento”. Não precisa prática nem habilidade.
É o caso dos “vazamentos seletivos” do Lava Jato. É melhor para a imagem da Política Federal deixar o público pensando que há uma “garganta profunda” irrigando uma multidão de repórteres do que reconhecer que seus computadores são uma peneira de tela tão grossa que passa tudo. E pior: os órgãos de segurança máxima do País não têm como se defender.
Essa vulnerabilidade veio à tona quando os hackers do Wikileaks de Julian Assenge entraram nos escaninhos mais secretos da presidente Dilma Rousseff. Ela ficou quatro anos brigada com o presidente Barack Obama por causa disso, até o ministro José Eduardo Cardoso confessar que não podia fazer nada par impedir a invasão das delações. Quando um veículo diz que “teve acesso” está na verdade dizendo que invadiu um computador indefeso. Então ela fez as pazes com os norte-americanos.
Por estas e por outras que o programa prioritário do Exército Brasileiro para defender a soberania nacional não fala de tanques e canhões, mas de Segurança Cibernética (a Aeronáutica cuida de segurança espacial e a Marinha de motor nuclear). Se nem os mais profundos segredos de estado estão resguardados, imagine como não estão vulneráveis as pobres máquinas do tempo do Onça da Polícia Federal e do sistema judiciário.
Foi por isto aí que a “esperta” equipe da Época saiu a campo procurando escarafunchar a vida do irrepreensível e discreto Carlos Araújo. E é isto mesmo: tape o nariz e leia a matéria da Época e confirme que ele é irrepreensível e discreto.
Certamente foi por causa dessa grosseria que a presidente Dilma invocou o exemplo de Getúlio Vargas. Ele também teve seus parentes na alça da mira, o irmão Benjamin e o filho Lutero. Com Dilma já tinham procurado o irmão Igor, mas em vez de um nababo encontraram um advogado aposentado com um fusquinha igual ao do presidente Mujica, do Uruguai. Agora foram atrás do Araújo. Encontraram um ex-político de primeira linha retirado e um advogado que tem de trabalhar, mesmo doente, para ganhar seu sustento. Fizeram a anti-matéria. Vergonha!
Voltando a Getúlio, a imprensa ligou o pronunciamento de Dilma no PDT ao impeachment, pois a reunião fechava questão a seu favor e ela estava lá para isto. Entretanto, embora todos os presidentes de 1950 para cá tenham enfrentado pedidos de afastamento na Câmara (e só Collor perdeu), os casos são diferentes. Mas como os jornalistas não atinaram, ficou como se ela estivesse se comparando ao presidente suicida que se concluiu com um tiro no coração e a subsequente derrota eleitoral do candidato da oposição, general Juarez Távora, e eleição do candidato situacionista, Juscelino Kubitschek.
Em todo o caso, naquele ambiente, comparar-se a Vargas foi uma boa tirada retórica, pois ali estavam reunidos os que se apresentam como herdeiros legítimos do legado getulista.

