Em resposta à Associação dos Jornais de Bairro de Porto Alegre, a Secretaria de Comunicação do Governo do Rio Grande do Sul, informou que a lei de incentivo às mídias locais não será regulamentada porque “é inconstitucional”.
Proposta em 2012 pelo deputado Odacir Oliboni (PT), hoje suplente, a lei foi aprovada pela Assembleia Legislativa depois de ano e meio de tramitação, e após debates, audiências públicas, análise nas comissões e emendas em plenário.
A lei 14.541 garante um percentual mínimo de 20% das verbas publicitárias do governo para os pequenos veículos de comunicação, locais, comunitários ou regionais.
O governador Tarso Genro a sancionou em maio de 2014, mas ela nunca foi aplicada, levando a Associação dos Jornais de Bairro a pedir esclarecimentos sobre a regulamentação do texto em novembro de 2015.
“Relativo ao seu pedido de informação quanto à regulamentação da Lei 14.541, informamos que consultamos a Subchefia Jurídica da Casa Civil e a Procuradoria Geral do Estado e ambas consideraram o Projeto de Lei nº 159/2012, que deu origem a Lei 15.541, de 22 de maio de 2014, inconstitucional, por vício de iniciativa.”
Além do apoio público do então governador Tarso Genro, o projeto foi secundado por entidades como a Associação dos Jornais de Porto Alegre (Ajopoa), a Rede de jornais de bairro e segmentados de Porto Alegre, a Associação Brasileira de Rádios Comunitárias do Estado (Abraço-RS), Associação de Rádios Comunitárias (Aracom) e o Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul.
Também o apoiavam o comitê estadual do Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação (FNDC/RS) e os coletivos Fora do Eixo, Catarse e Mídia Ninja.
Do debate entre todos estes atores e a sociedade civil, foram criadas quatro emendas ao projeto – todas aprovadas em plenário – oriundas de reuniões e audiência pública. As adequações contemplaram a inclusão dos veículos de caráter comunitário no texto da lei, a ampliação do percentual mínimo indicado – de 10% para 20% e a obrigatoriedade de um jornalista que seja responsável pela programação veiculada, à exceção de rádios e TVs comunitárias.
90% do bolo publicitário fica com as grandes redes
Para justificar seu projeto, o então deputado Aldacir Oliboni escreveu na emenda que o texto tinha como objetivo “fortalecer os pequenos veículos de comunicação, ampliar a transparência na Administração Pública e democratizar o fluxo das informações direcionadas à população”.
Ela contempla periódicos, jornais e revistas impressas com tiragem entre dois mil e 20 mil exemplares, editados sob responsabilidade de empresário individual, micro e pequenas empresas e veículos de radiofusão local, legalmente habilitados.
Para demonstrar a necessidade da divisão mais equilibrada das verbas publicitárias, o deputado apresentou informações obtidas pela Lei de Acesso à Informação.
Em 2013, o Executivo estadual havia investido entre 5% e 10% em veículos locais, regionais e comunitários. O restante (em torno de 95% a 90%), foi destinado aos veículos pertencentes aos quatro grandes grupos de comunicação do Rio Grande do Sul.
No caso das emissoras de televisão de Porto Alegre, foram investidos pouco mais de R$ 20 milhões, dos quais R$ 19 milhões foram destinados a canais da grande mídia, majoritariamente do Grupo RBS. Apenas R$ 1.149.847,78 dividido entre canais comunitários e educativos da Capital.
Para os veículos sediados no Interior do Estado, a proporção é mantida: de R$ 1,6 milhão as grandes empresas receberam R$ 1,3 e as educativas e comunitárias apenas R$ 167 mil.
Até canais de televisão por assinatura levaram o seu percentual. Em 2013, por exemplo, Multishow, Universal Chanel e GloboNews ficaram com R$ 267mil.
Nota da Associação de Jornais de Bairro e Segmentados de Porto Alegre (Ajob)
Carta Aberta à Comunidade
Governo do Estado desrespeita Lei das Mídias
A Lei das Mídias, número 14.541, de autoria do deputado Aldacir Oliboni (PT), que institui a Política Estadual de Incentivo às Mídias Locais, Regionais e Comunitárias, foi sancionada pelo então governador Tarso Genro, em 22/05/2014. Ela determina que não menos de 20% das verbas publicitárias do Executivo, Legislativo e Judiciário possam ser destinados a esse tipo de veículo.
Ao solicitar a regulamentação da Lei das Mídias, junto à Secretaria de Comunicação do Governo do Estado, em 11.11.2015, a Associação de Jornais de Bairro e Segmentados de Porto Alegre (Ajob) obteve a seguinte resposta:
“Relativo ao seu pedido de informação quanto à regulamentação da Lei 14.541 de 22/05/2015, informamos que consultamos a Subchefia Jurídica da Casa Civil e a Procuradoria Geral do Estado e ambas consideraram o Projeto de Lei nº 159/2012, que deu origem a Lei 15.541, de 22 de maio de 2014, inconstitucional, por vício de iniciativa.”
Lembramos que antes de ser sancionada, a Lei das Mídias, passou pela Comissão de Constituição e Justiça e pelo plenário da Assembleia Legislativa, onde logrou plena aprovação.
A sociedade gaúcha exige a regulamentação da Lei das Mídias, por uma democratização da comunicação, por isso, lutaremos em todas as instancias pela sua efetivação.
Paulo Roberto de Bitencourt
Categoria: Geral
Secom diz que lei de incentivo às mídias locais é inconstitucional
Fortunati grenaliza o transporte público na capital
Matheus Chaparini
Por sugestão do prefeito José Fortunati, os ônibus da capital terão a cor alterada conforme o estádio de futebol pelo qual passem.
Os ônibus da zona sul, região do Estádio Beira Rio, serão identificados pela cor vermelha, os da zona norte, que passam próximo à Arena, serão azuis.
Na prática, Fortunati inverteu as cores das empresas STS e Conorte, responsáveis pelas zonas sul e norte, respectivamente.
As linhas que atendem à zona leste continuam sendo identificadas pela cor verde e os ônibus da Carris seguem com a tradicional cor ocre.
A aparência dos ônibus de Porto Alegre deve ser modificada até abril. As cores de identificação, que hoje aparecem em uma listra lateral, passarão a ser predominantes nos coletivos.
A licitação do transporte público prevê ainda a implantação gradativa de ar condicionado nos veículos, que devem chegar a 25% até abril e a 100% da frota em dez anos.
Atualmente, cerca de 15% dos ônibus de Porto Alegre possuem ar condicionado.
A licitação, lançada no ano passado, foi a primeira da história de Porto Alegre.
Desde 1920, o transporte público era regulamentado apenas por decretos municipais. As empresas vencedoras foram as mesmas que já operam o serviço na capital.
A falta de transparência neste processo foi um dos fatores que desencadeou os protestos de 2013 em Porto Alegre, que depois se espalharam pelo país.
Entre as reivindicações dos manifestantes estavam o transporte 100% público, a abertura das planilhas que determinam o aumento anual da passagem e o passe livre para estudantes e trabalhadores desempregados. O prefeito acena com o ar condicionado e troca as cores dos ônibus para grenalizar o assunto.Fórum quer Mujica e Chico Buarque nos 15 anos
A 12 dias da abertura, o Fórum Social Mundial ainda não tem a confirmação das principais estrelas para comemorar seus 15 anos em Porto Alegre, onde começou em 2001..
Nem o ex-presidente Lula está garantido. O ex-presidente do Uruguai, José Mujica, outro convidado especial, está dividido, tem um evento em Cuba na mesma data.
O Forum, porém, pode surpreender, se os organizadores confirmarem Chico Buarque de Hollanda para o show de abertura. Chico Cesar e Tom Zé são alternativas.
A caminhada que abre o evento, dia 19, parte do Largo Glenio Peres, junto ao Mercado Público e vai até o Largo Zumbi dos Palmares, onde acontece o show de abertura.
A vinda do ex-presidente uruguaio depende de questões de agenda e da saúde de sua esposa.
A ideia da organização é que Mujica participe também de uma das principais mesas do Fórum, sobre política na américa latina, além de uma mesa com a juventude sobre a legalização da maconha no Uruguai.
O sociólogo português Boaventura de Sousa Santos tem presença confirmada. Boaventura chega a Porto Alegre no dia 15 de janeiro e fica até o dia 25.
Ele participa do Fórum Social de Educação Popular além de outras atividades ligadas ao evento.
Outra presença certa é a do rapper paulista, Carlos Eduardo Taddeo, conhecido como Eduardo, um dos fundadores do grupo Facção Central e autor do livro “A guerra não declarada na visão de um favelado”, lançado em 2012.
Também está confirmada uma atividade com integrantes das ocupações de escolas de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.
Mais de 300 atividades já estão inscritas e o número deve crescer. O prazo para as inscrições prorrogado até o dia 10 de janeiro.
A programação prevê atividades autogestionárias descentralizadas pela manhã e as atividades de convergência à tarde.
O Fórum Social 2016 acontece de 19 a 23 de janeiro.
As atividades se dividem em cinco endereços do centro histórico de Porto Alegre: Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa, Redenção, Largo Zumbi dos Palmares e Usina do Gasômetro.Crônica de adeus a um notável jornalista capixaba
Geraldo Hasse
Tomba mais um guerreiro, diz um dos 100 jornalistas que se juntaram em 1968 em São Paulo para fundar a revista Veja sob a direção do navegador genovês Mino Carta.
Quem tombou desta vez foi Claudio Lachini (Colatina, 1941), que estudou Direito em Vitória antes de embarcar na canoa paulistana ao lado de uma centena de remadores aliciados em várias capitais e até em cidades do interior.
Único capixaba entre uma centena de talentosos brasileiros selecionados para suar em madrugadas tensas na beira do rio Tietê, Lachini compensava a solidão falando por dois e bebendo por três.
Mais do que jornalista-remador, foi poeta e narrador primoroso, como se pode conferir abaixo, lendo trechos de sua memorável escrita.
Do seu livro O Que Se Viveu, de 1991, que reune poemas escritos em Vitória, São Paulo, Curitiba e em alguns momentos no exterior, seleciono “Aqui, onde o mineral transformado”, escrito em 1968, o ano em que se estabeleceu em São Paulo:
Aqui, onde o mineral transformado / nos esmaga sem contemplação, / somos todos os homens / que têm coração, ternura e luto. / O trabalhador que revolve a terra / no cimento, recoberto de argamassa e asfalto / me dá a mão como um irmão. / Pernambuco, Maranhão, Bahia, Rio / como corcovados bem acabados / espalmam a tarde como quem / ainda quer regressar. / Mas todo mundo vai ficando / na noite de entorpecer, / como o entardecer do sanguíneo copo que bebemos”.
Depois, em 2000, ele publicou ANÁBASE, a história do jornal Gazeta Mercantil, do qual foi um dos diretores. Era um livro encomendado, para atender aos interesses da Casa, mas o autor colocou nele a alma do jornalista que acompanhou, por dentro, a evolução da economia brasileira ao longo de três décadas, dos anos 1970 ao final do século XX.
É um livro que não se folheia impunemente. Basta abri-lo e fixar os olhos nas suas letras graúdas: impossível não cair na leitura, pois Lachini lhe deu um ritmo de crônica.
Os melhores livros do capixaba Claudio Lachini foram os romances históricos Sperandio (Barcarolla, 2007) e Vasco (Barcarolla, 2009), que poderiam inscrever-se tranquilamente no panteão da literatura fantástica latino-americana.
Leiam o início genial de Sperandio, um capixaba de origem italiana: “Meu nome foi Sperandio Zibaldone. Estou no limbo, onde habitam os seres vividos na Terra e mortos sem destino, como sucede aos animais da espécie dita humana. Os demais bichos, de chão, de mar e de ar, não sei para onde seguem quando falecem, se por acaso algum lugar lhes é destinado. Aqui não sinto frio, calor, fome, sede, desejo sexual, ambição, medo, ódio ou rancor. Meu estado físico é decomposto ao natural. O mundo viaja e seu caminho é inexorável. (…) Quem tem sorte, queima até o toco da vela”. São mais de 200 páginas nessa toada fantástica.
Por fim, em Vasco, Lachini conta (na primeira pessoa, como se fosse uma autobiografia) a história de Vasco Coutinho, o primeiro donatário da capitania do Espírito Santo, que chegou à baía de Vitória em 1534.
Para as orelhas dessa obra de 250 páginas escrevi um textinho do qual extraí uma frase-síntese: “Este livro, meio ensaio histórico, meio livro de memórias, tem um encantador sotaque luso antigo que traz à tona um Portugal esquecido, ainda que cantado por Camões”.
Com essa narrativa fantástica, Lachini elevou-se ao nível mais alto da literatura brasileira. Se não foi festejado nem badalado, talvez a resposta esteja dentro do famoso cesto de caranguejos capixabas, de onde não se alça unzinho que seja, todos sufocados pela inveja.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Rodar o pião já passou,
a bola ainda é uma possibilidade
e fazer a barba, uma necessidade.”
Vitória. 1968
(Poema de Claudio Lachini (1941-2016)Preço do aluguel afugenta comércio do Bom Fim
Matheus Chaparini.
As placas de aluga-se ao longo da avenida Osvaldo Aranha não deixam dúvida. A crise chegou pesada a um dos pontos históricos do comércio de Porto Aegre, no bairro Bom Fim.
Em uma caminhada pelo 1,5 km da avenida, a reportagem do JÁ contou mais de 20 imóveis comerciais para alugar e outros quatro em reforma. Quando se pergunta aos operários que trabalham nas obras o que vai abrir no local, a resposta é a mesma: nada.
São lojas térreas, geralmente de grandes dimensões, algumas até com andares superiores. Muitas estão para alugar há dois, três ou mais anos.
Os comerciantes reclamam do preço dos aluguéis e da queda nas vendas. Se vende pouco, não tem como pagar aluguel caro.
Se o aluguel não baixa, o imóvel fica fechado e imóvel fechado só tem uma serventia: segurar o preço do aluguel. É negócio para quem?
A concentração de imóveis desocupados é maior no trecho entre as ruas Barros Cassal e João Telles. Próximo à esquina da Garibaldi, um anúncio chama atenção. A loja é gigante, tem área de 840m² e vagas de estacionamento com acesso pela rua Santo Antonio, o que da ideia do tamanho. O prédio abrigava a escola de idiomas Acirs, que se mudou para um edifício a poucos metros.
A região próxima ao Pronto Socorro tem maior movimento e atividade comercial mais diversificada. Ainda assim, se encontra uma casa comercial grande, de dois andares para alugar.
Comércio de móveis sente o peso do aluguel
Sandro Nunes é proprietário da Bela Sala há 15 anos, quando comprou a loja do seu antigo patrão. Os imóveis vizinhos dos dois lados estão para alugar, eram lojas de móveis, como a maioria dos pontos vagos.
O empresário atribui os vazios da avenida a dois fatores: “O país está em um momento econômico ruim, mesmo assim os proprietários continuam subindo os aluguéis.”
Há duas décadas a Osvaldo Aranha era um pólo do comércio de móveis.
Esta situação começou a mudar com o surgimento de outros pontos de concentração deste ramo do comércio, como o Shopping DC Navegantes e a Avenida Ipiranga. “As lojas se espalharam. Hoje tem loja por tudo, o cliente não precisa mais se deslocar tanto”, afirma Nunes.
Sandro Nunes, proprietário da Bela Sala
Apesar da queda nas vendas, ele não fala em se mudar. Seu vizinho César Minetti é mais pessimista. “Se não melhorar até de fevereiro eu vou ter que ir embora.”
Minetti trabalha no ramo há 17 anos e é dono de loja há sete. Já teve três unidades na Osvaldo Aranha: uma fechou no final de 2014, outra há dois meses, hoje a Minetti Móveis tem apenas uma loja e um funcionário. Minetti conta que paga R$ 6 mil de aluguel e que já recebeu uma proposta para transferir a loja para Viamão, onde mora. “Me ofereceram um prédio novo, de 530 m², com 10 vagas privativas, por R$ 3.800.”
Quem consegue se manter mais facilmente são os donos dos pontos, que não dependem do aluguel. É o caso de Sérgio Schwartz, comerciante de móveis há 44 anos. A família está no ramo há mais de um século, quando seu avô, Adolfo, veio da Rússia. O avô passou os negócios para o pai, que passou para Sérgio e seu irmão. Com apenas três funcionários, eles mantém duas lojas lado a lado, a Schwartz Móveis e a Ouro Preto. Mas Sérgio conta que, no auge, a rede chegou a sete unidades e mais de 60 funcionários.
“Quando fiz faculdade aprendi que o aluguel não pode custar mais do que um dia do faturamento mensal da empresa. Hoje em dia, nenhum negócio honesto consegue faturar tanto”, afirma Schwartz, comentando os valores do aluguéis nas esquinas próximas à sua loja, entre R$ 7 mil e R$ 10 mil.
Outra reclamação dos comerciantes é quanto ao estacionamento. Desde o começo do ano é proibido estacionar no trecho entre a Thomaz Flores e a Santo Antônio. “Esses dias um cliente meu teve que dar duas voltas na quadra para conseguir parar o carro. Ele havia encomendado uma cadeira, era só encostar e botar a cadeira no carro, mas não pode”, reclama Minetti.
Sérgio Schwartz e César Minetti, concorrência amigável, apesar das baixas vendas
Baltimore: 216 salas, apenas 30 ocupadas
Sete 7 meses após o lançamento, o novo Baltimore tem poucas salas estão ocupadas e a movimentação ainda é pequena. O estacionamento do edifício chegou a fazer uma promoção. Um turno de estacionamento está custando R$ 9, o mesmo valor cobrado por apenas uma hora na garagem vizinha.
O enorme espigão comercial, que carrega o nome do antigo cinema que havia no local, foi lançado em maio deste ano. A maioria das salas comerciais foram compradas por investidores ainda na planta, para revenda ou locação. A construtora Melnick Even mantém um plantão de vendas no hall de entrada. A construtora tem apenas meia dúzia de unidades para venda, ainda assim, o nível de ocupação é baixo.
Das 216 salas, pouco mais de 30 estão sendo utilizadas. As duas lojas térreas, que foram dadas como contrapartida ao proprietário do terreno, seguem vazias.
Novos negócios na Osvaldo
Além da Vasco, algumas ruas de menor movimento vem atraindo novos negócios de pequeno e médio porte. É o caso da Miguel Tostes, que está se constituindo em um polo criativo, da diversidade da Bento Figueiredo e das casas de bolos que se espalham pelas ruazinhas do bairro, para citar alguns exemplos.
Para as farmácias, a Osvaldo continua sendo um ponto atraente. Na região próxima ao Pronto Socorro e Hospital de Clínicas, duas unidades abriram as portas recentemente. A farmácia São João inaugurou no último dia 30, no local onde ficava a loja Gang. A farmácia melhor Preço também abriu nova loja, há cerca de três meses.
Na outra ponta da avenida, ao lado do Mariu’s, o cartório se mudou para o numero 374 e no antigo local, abriu a Luthieria Évora. Ali, entre gatos e motocicletas, se fabrica e conserta instrumentos musicais. “Somos dois sócios. O Evandro Rosa é o mestre Luthier, eu faço o administrativo e sou aprendiz”, explica o músico Moisés Rodrigues. A loja funcionava em Cachoeirinha e mudou-se para o local há cinco meses. “Não estava procurando necessariamente na Osvaldo, mas acabou sendo um ponto bom por ser próximo à Ufrgs e à Cidade Baixa.”
No andar térreo funciona a loja e no mezanino moram Moisés e os gatos, que eventualmente aparecem para receber os clientes.
Moisés Rodrigues e o sócio trouxeram a Luthieria Évora para a Osvaldo na metade de 2015
Na Vasco, o Bom Fim com cara de Moinhos
Na rua Vasco da Gama o cenário é outro. O antigo perfil residencial da Vasco vai se modificando. Até mesmo casas antigas estão sendo transformadas em pontos comerciais. Na esquina com a Santo Antônio, o Mini Shopping Bom Fim é um ponto disputado. Das dez lojas, apenas duas são as mesmas desde a inauguração, em 2008. As outras mudaram de dono, mas os pontos não ficam muito tempo fechadas. “Não da nem tempo de colocar a placa, alguém já alugou”, comenta Tanara Schein, proprietária da loja Cabidero.
Nota-se uma certa diferença entre os negócios que abrem na Vasco e na Osvaldo. Os estabelecimentos da Vasco são mais sofisticados e atingem um público de maior poder aquisitivo. A comerciante justifica a escolha pelo ponto: “escolhi o Bom Fim por que é um bairro aconchegante, tem tudo por perto e as pessoas ainda têm o hábito de andar pelas calçadas.” Ela conta que a rua é uma boa opção por ficar entre duas avenidas de grande movimento, Osvaldo e Independência.
A presença da feira modelo aos sábados movimenta a rua e favorece os negócios. A feira tem uma clientela fiel e atrai gente de outros bairros e ex-moradores do Bonfa. Como o público do mini shopping é majoritariamente de moradores do bairro, a circulação da feira ajuda a ampliar a clientela.
Tanara Schein: “Escolhi o Bom Fim porque é um bairro aconchegante” Servidores denunciam más condições na FASC
Os trabalhadores da Fundação de Assistência Social (Fasc) realizam ato de protesto, nesta quinta-feira (07/01), às 15h, com concentração em frente ao Abrigo Municipal Bom Jesus (Rua São Domingos, 165 – Bom Jesus).
A manifestação, organizada junto com o Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa), denuncia a precarização das estruturas de atendimento à população na Região Leste de Porto Alegre e reivindica condições para a prestação de serviços com qualidade.
Em carta aberta, que será distribuída à comunidade, os trabalhadores elencam alguns dos principais problemas na rede do Serviço Único de Assistência Social (Suas) na Região Leste. A redução dos recursos financeiros prejudica também os benefícios concedidos, como passagens municipais e intermunicipais, cestas básicas, além de materiais de higiene e limpeza em geral para conservação dos espaços de atendimento. Os trabalhadores terceirizados, com seus salários e benefícios sistematicamente atrasados, inclusive o 13º, também ocasionam prejuízos ao trabalho.
DENÚNCIAS:
– O CRAS Leste I, localizado na Rua São Domingos, 79, Bom Jesus, responsável pelo atendimento do Cadastro Único, Programa Bolsa família, Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos – SCFV e o Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família – PAIF, está com o prédio interditado desde maio de 2015, em razão de rachaduras, com a interrupção do atendimento de 85 crianças, aproximadamente 100 adolescentes no turno inverso a escola e 80 idosos. A interdição do CRAS prejudica, principalmente, o atendimento técnico das família beneficiárias do Programa Bolsa família, uma vez que o atendimento do Cadastro Único foi transferido para o Centro Administrativo Regional – CAR, com funcionamento precário.
– No CRAS Leste II, localizado na Rua Emílio Keidann, 50, Morro Santana, o espaço físico não está de acordo com as normas previstas no SUAS, principalmente no que se refere ao número de profissionais, à garantia do sigilo e tamanho das salas, prejudicando a qualidade do atendimento. Além disso, este CRAS não consegue atender o conjunto de demandas e necessidades da região.
– O CREAS Leste, localizado na Rua Porto Seguro, 261, Vila Ipiranga, que acompanha as situações de violações de direitos, funciona, desde 2010, fora do seu território, em espaço precário e de difícil acesso para a população da Região Leste. Apesar das deliberações em conferências, até o momento não há perspectivas para a mudança. Recentemente, o prédio ficou cerca de 45 dias interditado devido a intensa infestação de pombas/piolhos (que ainda permanecem), trazendo risco à saúde de usuários e trabalhadores. O espaço físico é antigo, sem manutenção adequada e sistemática, ocasionando sucessivos problemas nas redes elétrica, hidráulica, de telefonia e de internet.
– O Abrigo Municipal Bom Jesus – AMBJ, localizado na Rua São Domingos, 79, Bom Jesus, que acolhe população em situação de rua ou sem moradia, é um prédio antigo que está com promessas de reformas a três anos, sendo que nada foi executado até o momento. O espaço físico é sucateado, chove dentro, com precárias instalações elétrica, hidráulica e de rede. Estas instalações são inadequadas às normas estabelecidas pelo SUAS, ferindo a privacidade e intimidade dos moradores do abrigo. A gravidade das condições do AMBJ merece especial atenção, pois há poucos dias, ocorreu pela segunda vez, mais um incêndio na lavanderia, demonstrando a precarização desse serviço e colocando em risco os usuários e trabalhadores. Lembramos que, em dezembro de 1994, o abrigo teve 70% de suas dependências queimadas, ficando quase dois anos sem atendimento, decorrente da mesma falta de providencias no espaço naquele período.
– O Abrigo Residencial 10 – AR10, que acolhe crianças e adolescentes em situação de abandono e ou vulnerabilidade social, também apresenta graves problemas. . Nos períodos de forte chuva, é necessária a transferência das crianças para outros espaços, devido as precárias instalações e falta de manutenção de local.Com mais atrações, Porto Verão Alegre começa na próxima sexta-feira
Inicia nesta sexta-feira, dia 8, a 17ª edição do Porto Verão Alegre. O evento cultural realizado sempre no começo do ano na capital terá esse ano 58 espetáculos, 15 a mais do que no ano passado, e irá até o dia 14 de fevereiro. Os ingressos já estão a venda e variam entre R$ 15 (idosos e crianças) até R$ 30 (inteira).
A estreia, porém, será apenas para convidados e apresentará o inédito espetáculo Dona Flor e seus Dois Maridos, patrocinado pelo próprio Porto Verão Alegre. A montagem é dirigida por Zé Adão Barbosa, Carlota Albuquerque e Larissa Sanguiné e tem 11 atores em cena, todos gaúchos. A peça fica em cartaz nos dias 9 e 10 de janeiro no Theatro São Pedro.
A edição deste ano terá 28 novos espetáculos inéditos. Cinco deles escolheram o Porto Verão 2016 para estrear, além de Dona Flor e seus Dois Maridos, são eles: O Bandejão, Besteirol, A Comédia! ou Tem Drag Queen no Funk!, Detonando, Os Gêmeos Venezianos, Não Conte a Ninguém.
Serão apresentadas pela primeira vez no Porto Verão Alegre as montagens: Rádio Odair, Como Diria Mamãe, Enfim Sós, Histórias de um cara suado, Eu, Alcemar e a Mascada Perdida, Brinco de Princesa, Projeto Secreto: a gaiola das loucas, O Quarto Sinal, 6 Stand-Up, CinderElla, Aventuras do Pequeno Príncipe, Pinóquio, Formas de falar das mães dos mineiros enquanto esperam que seus filhos saiam da superfície, Sexteto, Radicci e Genoveva, Fossa Nova, Língua Mãe Mameloschn
Ingressos podem ser adquiridos pela Internet e nos pontos de vendas
As vendas pela Internet, acontecem através do site http://www.myticket.com.br (com cobrança de uma taxa de 15% sobre o valor do ingresso), e com antecedência de 24 horas em relação à data do espetáculo. As formas de pagamento são cartões de débito e crédito aceitos pelo myticket. Também podem ser comprados ingressos antecipados nos seguintes pontos de vendas: Praia de Belas Shopping – em frente ao GNC Cinemas – de segunda a sábado, das 10h às 22h, domingos das 13h às 19h. No Casarão Verde – loja 133 – do DC Shopping – de segunda a sexta, das 13h às 19h. Na bilheteria do Bourbon Country – de segunda a sábado das 14h às 22h, e domingos e feriados das 14h às 20h.
Valores:
Teatro adulto
No teatro:
R$30 inteira
R$24 Clube ZH e Banricompras
R$15 idoso e estudante
Antecipado:
R$25 inteira
R$20 Clube ZH e Banricompras
R$15 idoso e estudante
Teatro infantil
(Brinco de Princesa, CinderElla, Pequeno Príncipe e Pinóquio)
Preços únicos:
No teatro: R$15
Antecipado: R$12
Políticos aproveitam trégua para sondar o ânimo dos eleitores
Pinheiro do Vale
Ano novo vida nova. Mais uma tirada acaciana para abrir uma análise política em nosso país, pois ninguém pode melhor que o Conselheiro explicar “na lata” o que está acontecendo.
A trégua de fim de ano, no campo político, que vai até segunda-feira e pode se estender até depois do Carnaval, foi uma “freada de acomodação” (uma manobra dos motoristas para abrir espaços no corredor de ônibus superlotado).
O ar estava irrespirável. Nos últimos dias do ano, do Natal para cá, abriu-se uma janela para correr um ventinho. Todos os atores se deram uma trégua e assim aliviaram a pressão sobre os demais e de si mesmos.
A presidente Dilma pode sancionar a tempo sua LDO, como hoje se chama o orçamento, e com isto na mão, tem munição para ir governando no seu ritmo, a trancos e barrancos.
O setor político também se recolheu para tomar ar e deve voltar já com as vistas mirando as eleições municipais de outubro.
Por mais que se desmereçam as agendas locais, elas vão influir como nunca no realinhamento de forças.
O tal desencanto com os partidos, com os políticos e com os governos em geral deve mostrar sua cara no resultado das urnas em outubro, principalmente nas grandes cidades. Este será um dado importante no caminho para 2018.
Neste primeiro momento, seguindo-se a trégua do Ano Novo, os políticos estarão sondando suas bases e o resultado vai aparecer na chamada “janela” que se vai abrir para as mudanças de partidos.
Dizem que haverá uma debandada dos partidos governistas. Há que ver.
No campo político, ou seja, fora da área eleitoral, dentro dos parlamentos, também haverá mudanças.
Nos municípios, vereadores e prefeitos assumem o protagonismo, esfriando-se as indignações nacionais em troca de soluções para a buraqueira das ruas, sujeira das cidades e colapso dos serviços públicos devido à penúria financeira.
Assunto pesado: necessidade de aumento dos impostos sobre serviços e transações imobiliárias.
Nas assembleias legislativas também os deputados devem começar a se mexer, aprovando reformas (leia-se ajustes fiscais, cortes de gastos e uma sacudida na economia), pois o eleitorado já está cansado de ouvir as lamúrias de governadores culpando a Dilma ou seus antecessores pelo descalabro de seus governos até este momento.
Na área federal, também foram dadas as cartas. O Executivo pode se queixar de muita coisa, mas não dos políticos, pois a tal base aliada infiel e volúvel deu-lhe a LDO a tempo e a insidiosa oposição não usou seu número de cadeiras para obstruir sua aprovação.
Ou seja: todo mundo vai subir ao ringue com luvas bem colocadas.
A briga de foice no escuro volta no parlamento, especialmente na Câmara. Entretanto não será uma repetição do vale-tudo do primeiro ano (2015). Na tal “freada de acomodação”, muita coisa que estava desarrumada vai voltar para seu lugar. Uma delas será a retomada do comando pelos comandantes.
Os dois lados estavam tontos de tanta paulada que se deram no primeiro turno, consequência de um quadro político inesperado ao final da reeleição.
Os causadores de tudo isto, o eleitorado, fizeram um papelão: nem bem se fecharam as urnas, deram para trás, deixando Dilma à deriva, pedalando sua bike sem sair do lugar, entre 9% e 10% de aprovação.
A situação se viu perplexa com o resultado pós-eleitoral, quando lhe caiu em cima o rombo das “pedaladas”, que se hoje são condenadas, azeitaram a máquina governista e deram à presidente uma vitória apertada, mas qualificada pela maioria absoluta.
Sua base parlamentar de quase 400 deputados chegou ao fim do ano com míseros 199 deputados, o suficiente para impedir o impeachment, mas um retrato constrangedor do desempenho político do Executivo.
A oposição tucana, a mais qualificada no cenário, teve um desempenho ainda pior.
Na reta final da eleição, com a morte de Eduardo Campos e a queda vertiginosa de Marina Silva, seu candidato, que fazia recall para 2018, que amargava um terceiro lugar nas pesquisas, subiu vertiginosamente.
Como um surfista amador colhido por uma onda gigante, o PSDB deixou-se levar pelo descontrole total do espaço político, e, junto com o governismo, foi atropelado pelo deslizamento da estrada conduzido pelo hábil e afoito Eduardo Cunha, que provocou a implosão dos dois lados: governo (PMDB) e oposição (precipitação do impeachment) viraram joguete do deputado carioca.
Esta pausa para meditação deve recolocar minimamente a carreta no trilho.
Os chefões devem reassumir o comando da política, demitindo ou isolando o presidente da Câmara e enquadrando o presidente do Senado, Renan Calheiros.
Há sinais: nesta virada de ano os jornais e programas de tevê abriram suas gavetas e trouxeram muito material à tona.
Eminências das principais universidades brasileiras escreveram artigos e apontaram caminhos, como é a moda de hoje, de se ouvir os cientistas políticos; praticamente todos os atores da política e da economia deram entrevistas caudalosas.
Desde Delfim Neto até os expoentes da direita. Todos falaram. É material que vai formar opinião nos escalões decisórios.
Afastado o espantalho do impeachment, Dilma vai fortalecer seu governo, pois os agentes econômicos devem se mexer. Um corte aqui, outro ali, um impostinho acolá e as contas públicas se acomodam, pois os fundamentos da economia estão razoavelmente preservados, salvo o desemprego, este, de fato, o indicador mais explosivo.
Só falta um naquela mesa: o imperscrutável velho da montanha, José Sarney. Há muitos outros fatores a analisar, como as duas maldições que assombram o PT, a maldição do poder e a maldição do petróleo; o programa Lava Jato, a crise internacional e por aí a fora, só para falar de alguns. Mas isto já é outro assunto
Enfrentar a questão da dívida é o grande desafio
Geraldo Hasse.
Passar a 90 por hora sobre a ponte Anita Garibaldi, livre de engarrafamentos de tráfego que por vários anos mantiveram a BR-101 Sul entupida entre Laguna e Capivari de Baixo, pode dar a nosotros brasileiros uma sensação de vitória, ainda mais agora que voltamos a receber a visita dos hermanos argentinos, todos em busca de la playa.
A ponte Anita Garibaldi é um magnífico exemplo de eficiência. Com mais de dois quilômetros, ficou pronta no prazo e com custo de R$ 700 milhões, sem aditivos.
Mas, verdadeiramente, quantos brasileiros são capazes de reconhecer que o país progrediu?
O imediatismo combinado à memória curta não permite que os ricos e os classemedianos reflitam sobre o que aconteceu nos últimos anos. Nem os pobres se conformam com as dificuldades.
Todos querem “mudar”, esquecendo que não é possível fazer mudanças drásticas numa estrutura social “rica em carências históricas e déficits esmagadores”.
Se por hipótese os brasileiros terceirizassem a gestão do governo a Barack Obama ou a um pai da pátria norte-americano, é certo que eles teriam de começar pela base, ou seja, pelo que foi implantado nos últimos 20 anos pelo governo tucano e pelos governos petistas: Bolsa Família, Pronaf, SUS, Minha Casa Minha Vida, Prouni, Pronatec, Brasil Sem Miséria, Luz Para Todos.
São programas capazes de fazer a fama de qualquer governante, mas os inconformados com a distribuição da renda e da riqueza estão babando para acabar com os inegáveis avanços obtidos nos últimos anos nas áreas sociais e educacionais.
Somente agora o Brasil está se tornando próximo de uma democracia de verdade nos aspectos social e econômico. Mas é inegável que falta muito para aproximar os extremos.
A pior coisa que pode acontecer à sombra da Operação Lava Jato e da recessão de 2015 é os trabalhadores, estudantes, sindicalistas, professores, índios, agricultores, sacerdotes, jornalistas, advogados, esportistas, procuradores, juízes, funcionários públicos em geral admitirem que o progresso das camadas inferiores precisa ser contido.
Que a corrupção em contratos de obras públicas não sirva de pretexto para cortes em verbas aplicadas na melhoria de vida da população carente. O Brasil tem muito a fazer para se tornar um país com menos contrastes sociais.
A bem da verdade, o erro não está em ajudar os pobres a sair do buraco histórico em que vivem.
É preciso ter coragem para peitar um novo modo de enfrentar as amarras do endividamento do governo, que deve R$ 3,7 trilhões e insiste em pagar aos credores 14,25% de juros anuais, numa época em que os juros nos EUA estão abaixo de 2% ao ano.
Basta uma conta simples para concluir que assim jamais vai sobrar dinheiro para suprir todas as lacunas da infraestrutura nacional tanto nos aspectos físicos quanto sociais.
Pagando quase um trilhão de reais por ano entre juros e amortização da dívida, estamos ferrados.
Isso representa quase 20% do Produto Interno Bruto (PIB), estacionado em pouco mais de R$ 5,1 trilhões. Esse (20%) devia ser o índice mínimo da poupança privada nacional para investir na modernização da economia, na geração de empregos e até em parcerias na gestão de negócios públicos.
Sob o império do rentismo, estamos permanentemente com a corda no pescoço.
A saída é fechar a ponte, denunciar o crime hediondo da especulação financeira improdutiva e iniciar a auditagem da dívida.
O país sairá mais forte de um confronto com os sanguessugas nacionais e internacionais. Evidentemente, antes será preciso combinar com os russos — e com os chineses. E, naturalmente, comprar os espaços cabíveis na mídia venal, que perdeu completamente a noção do que vêm a ser interesse público e interesse nacional.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“Jornalista é um profissional pago para preencher os espaços não comercializados”
Herbert Levy, político paulista, dono da Gazeta MercantilCorrupção: "Não vejo Dilma metida nisso", diz Simon
Muito oportuna a entrevista com o ex-senador Pedro Simon na
TVE, exibida e 29 de dezembro, com reprise neste domingo, 3.
Simon, que pautou seu discurso no Senado pelo combate à corrupção, diz que o que está acontecendo no Brasil não tem precedente em toda a história do país. “De Cabral até hoje, nunca um ministro, um senador, um grande empresário foi para a cadeia por corrupção neste país.”
Ele avalia que as denúncias e os indícios de ganhos pessoais atingiram irremediavelmente o ex-presidente Lula, mesmo que nada fique provado contra ele.
“Ele estava certo de que ia voltar em 2018. Agora não tem condições nem de ser candidato”.
Sobre a presidente Dilma Rousseff, em relação aos escândalos de corrupção, ele foi taxativo: “A Dilma não, não vejo ela metida nisso”.
Simon tem alguns lapsos de memória, normal para sua idade, mas seu depoimento é importante, por sua experiência em 60 anos de militância política e até pelo descompromisso por estar afastado.
Neste momento, em que inicia o ano, fornece elementos para uma boa reflexão sobre o conturbado quadro político nacional. (EB)




