Categoria: Geral

  • Cais Mauá: expectativa é que licença para obras saia em março

    Naira Hofmeister
    O consórcio Cais Mauá S.A entregou nesta quarta-feira (23) o Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) da revitalização do Cais Mauá à prefeitura de Porto Alegre. O ato não foi divulgado à imprensa por temor de que grupos de cidadãos críticos ao projeto protestassem diante das autoridades.
    Agora, a Comissão de Análise Urbanística e Gerenciamento (Cauge) tem 90 dias para analisar os documentos e se pronunciar, mas a expectativa da empresa é que o órgão emita as licenças prévia e de instalação – que permitem o início das obras – ainda em março.
    Há, porém, um elemento que pode retardar essa tramitação: nos primeiros dias de dezembro, o Ministério Público de Contas (MPC) encaminhou um ofício à prefeitura solicitando que sejam prestados esclarecimentos sobre irregularidades constatadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) na análise da licitação e contratos que concederam a área pública à iniciativa privada.
    O prazo dado para que as respostas chegassem ao órgão de controle era de uma semana, mas a prefeitura teria pedido a prorrogação do prazo por duas vezes e até a noite de segunda-feira (21), não havia se manifestado.
    Entre outras irregularidades, o TCE-RS apontou a falta da garantia financeira de R$ 400 milhões, que deveria ter sido demonstrada pelo consórcio e não foi, e a não apresentação do projeto executivo da revitalização, onde constariam as plantas detalhadas das construções pretendidas (três torres comerciais de até 100 metros de altura e um shopping center ao lado da Usina do Gasômetro).
    As exigências, que estavam explícitas no edital e que acabaram não sendo cumpridas pelo vencedor, afastaram outros competidores da licitação, que teve como única proposta habilitada a do consórcio Cais Mauá S.A.
    Respostas à população não foram divulgadas
    No mesmo ato de recebimento do EVU, a prefeitura deu por concluída a etapa de análise do Estudo de Impacto Ambiental e seu respectivo Relatório (EIA-Rima), que foram considerados aceitos pelas secretarias envolvidas.
    As respostas à centenas de questionamentos da população, encaminhados durante audiência pública realizada em setembro, foram entregues pelo empreendedor à Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Smam), que, por sua vez, distribuiu às pastas correspondentes para análise sobre sua pertinência.
    O Jornal JÁ tentou obter as respostas com o empreendedor, que se recusou a divulgá-las, observando que cabia à Smam decidir sobre dar publicidade ao conteúdo. A Smam informou que o processo é público e pode ser consultado por qualquer cidadão, entretanto a circulação dos volumes em diferentes departamentos da pasta dificultavam um eventual pedido de vistas.
    Fortunati: “Farei o impossível para que se concretize”

    Maquete mostra linhas gerais do projeto, com shopping e espigões | Divulgação
    Maquete mostra linhas gerais do projeto, com shopping e espigões | Divulgação

    Como a reunião não foi divulgada para a imprensa, o registro do que nela se passou  foi feito pelas assessorias das duas partes: a da prefeitura, que lançou uma nota com fotos no site, e a do consórcio, que também publicou matéria.
    Segundo os textos divulgados, o prefeito de Porto Alegre, José Fortunati saudou a iniciativa: “Estamos dando um passo gigantesco”.
    Ele também disse ter certeza que a maior parte da população “endossa” o projeto de revitalização proposto pelo consórcio e garantiu um esforço da prefeitura para que ele saia do papel.
    “Enquanto eu for prefeito desta cidade eu farei o possível e o impossível, dentro das normas legais, junto com a minha equipe, para que isso se torne realidade. O meu sonho para 2016 é o início das obras de revitalização”, finalizou.
    Ao longo de 2015, um grupo de cidadãos, entidades e organizações da sociedade civil organizaram diversos eventos questionando o modelo proposto de revitalização e pedindo uma discussão pública ampla sobre a utilização do espaço.
    Recentemente eles conseguiram o apoio da Assembleia Legislativa, que agendou uma audiência pública para março sobre o tema.
    A mais recente manifestação do grupo ocorreu na segunda-feira (21), quando os coletivos jogaram dólares diante do edifício da prefeitura municipal para criticar o que entendem ser a privatização da orla do Guaíba.

  • O legado de Flávio Basso

    MATHEUS CHAPARINI
    Montei minha primeira banda de rock quando tinha uns 14 anos, no começo dos anos 2000. A gurizada do colégio queria tocar Cascavelletes na formatura do Ensino Fundamental. Juntamos cinco cabeças, fizemos alguns ensaios na saudosa Fun House e atacamos de “menstruaaaada, mas mesmo assim eu vou transar”, em pleno Salão Nobre da Sogipa.
    A diversão era descobrir alguma versão diferente ou música rara antes dos colegas. Piramos com a demo Vórtex. Chacoalhava nossa imaginação adolescente o texto do repórter Marcel Plasse, da revista Bizz, que descrevia a banda ao vivo como “um inferno” e Flávio Basso como um “clone de garagem turbinada de Mick Jagger.”
    Minha carreira de músico de rock não foi muito longe, mas hoje pela manhã, no velório do Júpiter, fiquei me perguntando quantos daqueles músicos com lágrimas nos olhos devem ter começado suas primeiras bandas por influência dele? Quantas daquelas pessoas foram tocadas pela música através do seu trabalho? Esse foi o seu legado: além de sua obra, as tantas outras que influenciou.
    Flávio Basso morreu nesta segunda-feira, 21, aos 47 anos, de falência múltipla dos órgãos. O músico tinha uma apresentação marcada para o dia seguinte.
    Basso foi criador das bandas TNT e Cascavelletes. Sem dúvida, o principal nome da geração que colocou o rock gaúcho no cenário nacional, nos anos 80. Em carreira solo, já como Júpiter Maçã, lançou uma demo com a banda Pereiras Azuis, que viria a ser o embrião do clássico A Sétima Efervescência, de 97. Complexo e diverso, fez rock, folk, psicodelia, marchinha, bossa e até cinema. Foi Flávio Basso, Woody Apple, Júpiter Maçã, depois Júpiter Apple, depois Maçã novamente.

  • Alstom paga indenização por suborno em São Paulo, no RS processo não anda  

    Na sexta-feira, 18,  a multinacional Alstom assinou um acordo com a Justiça em São Paulo: vai pagar uma indenização de R$ 60 milhões à  estatal Eletropaulo.
    A Alstom aceitou o acordo proposto pelo ministério público  para se livrar de um processo em que é acusada de pagar propina para conquistar um contrato de fornecimento de três subestações de energia.
    No Rio Grande do Sul, a Alstom e outras dez empresas são acusadas de ter pago propina para obter um contrato para construir onze subestações de energia da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE.
    O contrato com a companhia paulista foi assinado em 1997, no governo do tucano Mário Covas.
    O contrato com a CEEE foi assinado em 1987, no governo do peemedebista Pedro  Simon.
    No caso de São Paulo, mesmo tendo iniciado dez anos depois, o processo já teve conclusões e a estatal de energia vai ser ressarcida.
    No Rio Grande do Sul, o processo movido pelo Ministério Público Estadual está há 20 anos no mesmo lugar. Ainda está em primeira instância, na 2ª Vara da Fazenda em Porto Alegre.
    Considere-se ainda que o contrato com a estatal paulista era para construir três subestações, ao valor atualizado de R$ 317 milhões.
    O contrato com a estatal gaúcha era para 11 subestações, ao valor de 150 milhões de dólares, valor da época.
    O prejuízo aos cofres da CEEE foi estimado em R$ 79 milhões em valores de 1996, quando foi ajuizada a ação.  Seriam mais de R$ 800 milhões hoje.
    Pior: o caso da estatal gaúcha parece condenado ao esquecimento. Numa recente reportagem do jornal Zero Hora, premiada pela Associação Riograndense de Imprensa, sobre a crise financeira da CEEE o caso sequer foi mencionado.
    CÁLCULO DO SUBORNO  
    Segundo a Folha de São Paulo, único jornal que vem acompanhando o caso, o valor da indenização foi calculado a partir do suborno pago pela Alstom, que correspondeu a 17% do valor do contrato, de R$ 317 milhões, em valores atualizados.
    Também entrou no cálculo da indenização uma espécie de multa de 10%, para cobrir o que a lei chama de danos morais coletivos.
    Serão pago R$ 55 milhões pelo suborno e perto de R$ 5 milhões a título de danos morais.
    O réu principal na ação é o mais importante auxiliar de Mário Covas à época, Robson Marinho, um dos fundadores do PSDB.
    Chefe da Casa Civil de Covas entre 1995 e 1997, as iniciais do seu nome (RM) foram citadas em documento interno da Alstom, escrito em francês, sobre a distribuição da propina.
    Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, ele foi afastado do cargo em agosto de 2014 por decisão judicial. Marinho é acusado de ter recebido US$ 2,7 milhões da Alstom em contas secretas na Suíça entre 1998 e 2005.
    No caso do Rio Grande do Sul, o principal acusado de ter recebido propina é Lindomar Rigotto, na época diretor adjunto de finanças da CEEE, assassinado em 2001.
    DINHEIRO BLOQUEADO
    Em fevereiro deste ano, a Justiça bloqueou R$ 282 milhões dos réus, sendo R$ 141 milhões da Alstom. Com o acordo, a empresa terá esse dinheiro liberado.
    O acerto, segundo a Folha, foi fechado na última sexta-feira (18), diante da juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi. Aturaram no acordo os promotores José Carlos Blat, Silvio Marques e Valter Santin.
    A suspeita de que a Alstom pagou propina em contrato com uma empresa do governo paulista, a EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia), foi revelada em 2008 pelo jornal americano “Wall Street Journal”.

  • Aprovada a Lei de Bairros: emendas tiram Arena do Humaitá e Pontal do Melo do Praia de Belas

    Foi aprovado o novo projeto de Lei de Limite de Bairros de Porto Alegre. Foram criados 15 bairros, extintos dois e outros tiveram alterações nas delimitações. Porto Alegre tem agora oficialmente 94 bairros. Desde outubro de 2013 na Câmara de Vereadores, o projeto passou por uma Comissão Especial, que apresentou e discutiu com os Conselhos. Depois foi para a Comissão de Urbanismo, Transporte e Habitação (Cuthab) onde mais uma vez passou por estudos e reuniões e, por último, teve o parecer da Comissão de Constituição e Justiça.
    Emendas criam dois novos bairros
    Das 15 emendas, 11 foram aprovadas, duas rejeitadas, uma retirada e uma prejudicada. Entre elas, a emenda de número quatro, feito pela Cuthab, retira a Arena do grêmio do Humaitá e coloca no Bairro Farraposs foi aprovada por unanimidade. Outra emenda mudou o Pontal do Melo do bairro Praia de Belas para o Cristal. Com as emendas, foram criados mais dois bairros: Boa Vista do Sul e Jardim Europa.
    Novos bairros

     Jardim Itu
     Jardim Sabará
    – Santa Rosa de Lima (interface entre os bairros Sarandi e Rubem Berta,
    a partir da Avenida Plínio Kroeff)
    – Costa e Silva (interface entre os bairros Sarandi e Rubem Berta,
    a partir da Avenida Baltazar de Oliveira Garcia)
    – Parque Santa Fé (parcela do bairro Rubem Berta, a partir da Avenida
    Baltazar de Oliveira Garcia)
    – Passo das Pedras (área sem denominação entre Sarandi, Rubem
    Berta e Mário Quintana)
    – Jardim Leopoldina (área sem denominação entre Sarandi, Rubem
    Berta e Mário Quintana)
    – Morro Santana (área sem denominação entre Agronomia, Jardim
    Carvalho e Mário Quintana)
     Sétimo Céu (interface entre os Bairros Tristeza e Ipanema)
    – Aberta dos Morros (área sem denominação e parcela do Bairro Hípica, entre a Estrada Gedeon Leite e Costa Gama, a partir da Avenida Edgar Pires de Castro)
    – Pitinga (área sem denominação entre a Lomba do Pinheiro
    e Restinga)
    – São Caetano (área sem denominação no extremo sul da cidade)
    – Extrema (área sem denominação no extremo sul da cidade)
    – Boa Vista do Sul (no extremo sul da cidade)
    – Jardim Europa (alterando as delimitações dos Bairros Boa Vista, Passo da Areia e Vila Ipiranga)
     

  • Procon investiga telefonicas por propaganda enganosa

    Numa ação conjunta inédita, os PROCONS de todo o país instauraram procedimentos para investigar a pratica de publicidade enganosa realizadas pelas operadoras de telefonia móvel.
    Historicamente, as empresas de telefonia fixa e móvel vêm ocupando os primeiros lugares nos rankings de reclamações nos órgãos de defesa do consumidor.
    As queixas vão desde cobrança indevida, má prestação de serviços, suspensão indevida do acesso à internet, entre outras.
    Além disso, a falta de transparência na venda de pacotes e promoções tem gerado um expressivo número de reclamações, pois o consumidor não tem acesso a informações que efetivamente garantam a escolha de um plano adequado às suas reais necessidades, bem como a formas de controle e acompanhamento de uso de seus pacotes de dados.
    De acordo com a Associação Brasileira de Procons (Proconsbrasil), as prestadoras de serviço vêm sistematicamente desrespeitando os direitos dos consumidores, que pagam caro por um serviço que não tem a qualidade prometida.
    Um dos alvos desta ação é a investigação da publicidade realizada pelas operadoras para estimular a contratação por parte do consumidor das chamadas “promoções”.
    Os consumidores reclamam que as operadoras não esclarecem de forma adequada quais seus direitos e deveres, muitas vezes induzindo o consumidor em erro.
    Conforme o dirigente do PROCON de Porto Alegre e diretor regional sul da Proconsbrasil, Cauê Vieira, que participa da ação conjunta, as empresas estão sujeitas a sanções previstas no Código de Defesa do Consumidor e em especial, a sanção de multa, que varia de R$ 555,60 a R$ 8.333.144,69.
    Após o recebimento das notificações, as empresas têm o prazo de 10 dias para apresentar defesa. (com Assessoria)

  • Eleições gerais: nova bandeira da oposição

    O Datafolha divulgou, nesta segunda, pesquisa feita na semana passada: 42% dos deputados da Câmara Federal aprovam o impeachment de Dilma Rousseff.
    Os que rejeitam são 31%  e os restantes 27% estão indecisos.
    Interessante comparar esses números com os obtidos numa pesquisa de O Globo sobre a “viralização” do tema impeachment, que foi o assunto dominante nas redes sociais na semana passada.
    Os comentários tabulados pela pesquisa mostram um resultado muito semelhante ao obtido na pesquisa com os deputados: 43 % a favor da derrubada de Dilma, 34% contra e 24% indiferentes.
    Considerando as circunstâncias turbulentas em que foram feitas as pesquisas, os resultados indicam, ao contrário da interpretação midiática, que o impeachment por crime de responsabilidade é cada vez menos um desfecho previsível para a crise política.
    Tanto que a oposição política, que se mostra mais sensata que a oposição midiática, já começa a alterar sua estratégia para 2016.
    Em entrevista nesta segunda-feira na Folha de S. Paulo, o senador Aécio apontou o novo caminho que ele e seus aliados pretendem seguir.
    Vão deixar de lado esse impeachment maculado pela falta de escrúpulos de Eduardo Cunha e apostar no Superior Tribunal Eleitoral, onde corre uma ação que pede a anulação da eleição de Dilma e Temer, por vícios na campanha.
    Anulado o pleito de 2014, seriam convocadas novas eleições em seis meses. Claro que Aécio está embalado por uma ambição pessoal (ele aparece na frente nas pesquisas para 2018). Mas ele não diria o que disse na entrevista, se o atual processo de impeachment, em andamento, tivesse alguma chance. (E.B.)
     
     
     
     
     

  • Pesquisa mostra que Dilma reverteu tendência de queda

    “Leve recuperação”. Foi assim que os jornalões classificaram o resultado da última pesquisa do Datafolha sobre o governo Dilma.
    Os que acham o governo ruim ou péssimo diminuíram de 71% em agosto para 65% em dezembro, seis pontos portanto.
    Os que acham o governo bom ou ótimo subiram de 7% para 12%, cinco pontos.
    Isso exatamente no mês em que a presidente foi dada como encurralada pelo processo de impeachment deflagrado pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha.
    Mais do que os ganhos em percentual, a pesquisa revela uma reversão na tendência de queda da popularidade da presidente, que se manteve constante ao longo de quase todo o ano.
    Agora, nas duas últimas averiguações, não só estancou a queda, como teve um crescimento signficativo. Se estivesse mais apegada aos fatos do que ao seu desejo de derrubar Dilma, a imprensa veria a verdadeira importância desse resultado.
    Aparece aí, nesses cinco ou seis por cento que mudaram de opinião, algo que pode ser o início de uma virada que vai enterrar definitivamente o projeto do impeachment.
    A pesquisa na verdade reflete outras vitórias importantes de Dilma, que foram minimizadas pela mídia que atua como tropa de choque da oposição.
    Para citar os mais relevantes:
    1) o fracasso de Temer ao tentar aglutinar o PMDB em torno de seu nome para ocupar a Presidência num impedimento de Dilma;
    2) o fracasso das manifestações de rua pró-impeachment;
    3) a decisão do STF ao derrubar a manobra de Cunha com a votação secreta para a comissão do impeachment;
    4) a substituição de Joaquim Levy, passo decisivo para a presidente recuperar apoio em suas bases.
    Nada disso teve importância para os analistas da mídia “globalizada”.
    As manchetes deste fim de semana parecem orquestradas:
    “Os entraves que Dilma terá que enfrentar para se manter no cargo em 2016” (ZH).
    “Instabilidade política não dará folga a Dilma em 2016” (O Globo).

  • Levy saiu e o mundo não caiu

    Não passou uma semana, este ano, sem que se anunciasse o iminente impeachment da presidente Dilma Rousseff.
    Não passou semana, também, sem que se dissesse que se Joaquim Levy deixasse o ministério da Fazenda seria o caos.
    O STF fez o impeachment contaminado pelo Cunha voltar para trás.
    E, nesta sexta-feira, Levy foi substituido pelo Barbosa, sem sobressalto.
    Dilma pode ser inábil, como dizem. Mas a oposição é burra e os fatos trabalham a favor dela, a Dilma.

  • Movimento quer incluir o Pampa no patrimônio nacional

    Matheus Chaparini
    A inclusão do Pampa entre os biomas protegidos pelo patrimônio nacional foi a principal reivindicação do Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente, integrado por várias entidades ambientais, no evento que marcou o Dia do Bioma Pampa, no auditório da Faculdade de Economia da UFRGS. A data é celebrado em 17 de dezembro, em homenagem ao aniversário do ambientalista José Lutzenberger.
    As bandeiras levantadas pelo movimentos foram a defesa do PEC 5/2009, que visa incluir o Pampa, o Cerrado e a Caatinga no patrimônio nacional, como já são o Pantanal, a Amazônia e a Mata Atlântica e a derrubada do decreto estadual 51.431/2015, que estaria indo a Constituição Estadual e criando brechas jurídicas que desobriguem as reservas legais.
    A Promotra de Justiça de Defesa do Meio Ambiente do Ministério Público Estadual, Annelise Steigleder, classificou como “lamentável” o decreto. “Não está regulamentando nada e está retirando a segurança jurídica garantida pela Constituição Estadual.” A promotora criticou ainda a falta de consulta à população e às universidades na elaboração do decreto, o que teria gerado falhas técnicas.
    A geógrafa Monica Wiggers do IPHAE (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado) abordou o bioma pampa como patrimônio cultural e defendeu a importância desta classificação na ampliação de áreas protegidas. “É preciso aliar a proteção do patrimônio com a proteção ambiental.”

    Evento foi organizado pelo Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente
    Evento foi organizado pelo Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente

    Eduardo Velez, biólogo do Centro de Ecologia da UFRGS, falou sobre a biodiversidade do Pampa. Segundo ele, são mais 2.500 espécies botânicas no bioma e 10 tipos diferentes de campo já foram identificados. “A preocupação ambiental no Brasil geralmente está voltada para as florestas e podemos evr que o Brasil não é só floresta.” O biólogo afirmou ainda que o Pampa é o bioma com situação mais crítica de conservação e apontou falhas técnicas no decreto estadual.
    Pampa é o bioma menos protegido
    O Pampa é um bioma exclusivo da metade sul do Rio Grande do Sul, ocupa uma área de 178.243 km2, correspondendo a 63% do território gaúcho. É o que apresenta o menor número de áreas protegidas, apenas 0,36% de sua área de ocorrência. O bioma exibe um imenso patrimônio cultural associado à biodiversidade. As paisagens naturais do Pampa se caracterizam pelo predomínio dos campos nativos, mas há também a presença de matas ciliares, matas de encosta, matas de pau-ferro, formações arbustivas, butiazais, banhados e afloramentos rochosos.
    Os painéis foram mediados pelo professor do Departamento de Botânica da UFRGS,Paulo Brack. A abertura ficou por conta dos músicos Germán Álvarez e Marcelo Egüez, que apresentaram canções de Alberto Zitarrosa e Atahualpa Yupanqui.
    O evento foi organizado pelo MoGDeMA (Movimento Gaúcho em Defesa do Meio Ambiente) com apoio da AGAPAN (Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural), InGá (Instituto Gaúcho de Estudos Ambientais), NEJ/RS (Núcleo de Eco Jornalistas) e Grupo Viveiros Comunitários, projeto de extensão do Instituto de Biociências da UFRGS.

  • "Fora Cunha" fez a diferença nas ruas

    Havia “fora cunha” nas manifestações que pediam o impeachment de Dilma. Mas era uma coisa encolhida, flagrantemente minoritária.
    Nas manifestações em defesa da presidente o “Fora Cunha” estava em pé de igualdade com o “DilmaFica”.
    É isso. Está claro: o Fator Cunha vai enterrar essa etapa do impichmeant. A oposição terá que reconstruir seu projeto a partir dos escombros deste enorme desastre.