Depois de 9 entidades de segurança ligadas a BM e ao Corpo de Bombeiros, foi a vez do Cpers anunciar greve na segunda-feira. A decisão foi aprovada pelo conselho geral da categoria realizado na sexta-feira dia 31. Além da paralisação da segunda, até o dia 18 de agosto professores da rede estadual atuarão em tempo reduzido.
A medida é uma reação contra o governo Sartori que anunciou ainda na manhã de sexta-feira dia 30 o parcelamento dos salários dos servidores públicos. A medida afeta 38% dos educadores no estado o que representa 62 mil educadores.
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Professores também anunciam paralisação
Um golpe no ar
Um noticiário superficial e mal intencionado segue disseminando o sentimento de que a solução para a crise política seria a queda da presidente Dilma Rousseff.
Segundo essa interpretação primária e perigosa, a presidente poderia ser enquadrada em crime de responsabilidade pelo judiciário e, em seguida, cassada pelo congresso, num processo de impeachment.
Que a oposição faça esse discurso, principalmente a parte menos responsável e mais eleitoreira da oposição, faz parte do jogo.
Mas ver os grandes veículos de mídia encamparem uma tese dessas é extremamente preocupante.
Dilma não é Jango, nem Collor. Jango por suas vacilações perdera a confiança até de aliado mais próximos. Collor, eleito por uma frente oportunista turbinada pela mídia, não tinha base política para resistir.
Não é o caso de Dilma. Embora ela esteja fragilizada, com a popularidade em baixa, com seu partido acuado por acusações de corrupção, ela ainda é a expressão eleitoral de forças sociais amplas e organizadas e não consta que tenha, até o momento, sido abandonada por elas.
Em vez de tranquilidade, a derrubada da presidente, poderá resultar numa instabilidade sem precedentes e pode desencadear uma sucessão de crises, que ninguém pode prever onde vai acabar.
O país tem problemas, a crise é real e crescente e a presidente parece perdida diante do quadro de instabilidades. Mas forçar sua saída agora é golpe e golpe a gente já viu: sabe-se como começa, não se sabe como termina. (Já Bom Fim/Julho 2015)Livro para colorir não é arteterapia
EMÍLIA GONTOW*
Os livros de colorir lotaram as prateleiras das lojas e estão fazendo sucesso. Porém, com seu surgimento vieram também equívocos no que diz respeito aos benefícios que esta forma de passatempo oferece. Nas capas destes livros estão estampadas palavras como Arte, Arteterapia e Criatividade. É preciso esclarecer.
Estes livros são bonitos e podem divertir, lembram nossa infância e antigas atividades de lazer – formas de passatempo. Imagino que vieram para ficar, pois brincar com as cores e material para colorir é muito bom. Podem acalmar, colaborar na concentração e até instigar a imaginação para posterior criação. Mas eles não são arte e, muito menos, Arteterapia.
A Arteterapia surgiu no Brasil no final da década de 1960 e, assim como a arte, que é pouco explorada na nossa cultura, ainda não é bem compreendida. As palavras arte, terapia e criatividade são usadas nas diferentes expressões informais do dia a dia, porém na prática contém especificidades. Na hora de se divertir com os livros de colorir, pode parecer não ser importante, mas o esclarecimento é fundamental para estar ciente do que se está fazendo ou “consumindo” e quanto às terapias a procurar.
Criatividade significa capacidade de criar, gerar um novo ser ou objeto. Os desenhos dos livros de colorir já vêm criados, não são formulações da pessoa que pinta, esta apenas os colore.
Arte é criação pessoal, representação ou nova interpretação; envolve conhecimento da história, intenção e proposta do artista, que se, até um período, tinha a ver com o belo, no início do século passado, com os horrores das guerras, perdeu este compromisso. Por isso, não podemos dizer que este passatempo estimula a criatividade e que seja arte.
Arteterapia é expressão criativa, nasceu justamente para desmanchar o desenho pronto (estereotipado) da pessoa, devolvendo-lhe a própria identidade, simbologia e metáforas. São usados recursos artísticos nas áreas visual, musical, poética, dança e teatro, com finalidades terapêuticas, a fim de propiciar expansão da consciência, mudanças psíquicas, resolução de conflitos internos, desenvolvimento da personalidade e autoestima de pacientes, clientes, familiares, profissionais e cuidadores. Só é assim concebida quando o processo é conduzido por um arteterapeuta formado, o que ocorre em nível de especialização, e capacitado para oferecer o ambiente preparatório, pensamento terapêutico, materiais específicos para tal, propostas, acompanhamento adequado e reflexão final fundamental.
Como funciona a arteterapia?
A Arteterapia atua nas emoções em desequilíbrio, situações traumáticas, nas patologias e distúrbios de comportamento, déficit cognitivo e físico. Os arteterapeutas atendem em clínicas, hospitais, organizações não-governamentais, aldeias, escolas, universidades, em grupos informais e consultórios; em parceria ou não com outros profissionais da área da saúde. As propostas para o cliente abrangem uma gama enorme nas diversas técnicas de desenho, pintura, montagem, colagem, gravura, cerâmica, fotografia, canções, escrita, expressão corporal e outros.
Os primórdios da Arteterapia (1870) são tecidos por médicos, psicanalistas e psicólogos, mais tarde, por pedagogos e educadores que atestaram a importância da arte na vida humana como função estruturante, que revela possibilidades e aponta para o novo. O objetivo era libertar crianças e adultos de desenhos e pinturas que não fossem pessoais. Constitui-se como terapia e não objetiva a estética; o foco é o processo do paciente e não análise da obra de arte. É reconhecida como profissão pelo Ministério do Trabalho e uma busca simples na internet nos coloca em contato com Associações de arteterapeutas na Itália, Canadá, Estados Unidos, Portugal, Brasil, entre outros.
Assim, os livros para colorir servem para colorir desenhos prontos, produzidos por outra pessoa. Arteterapeutas apontam que estes livros aprisionam a criatividade e estimulam o famoso “não sei desenhar”, limita o olhar ao desenho “perfeito”, mantendo a pessoa estagnada, já que criar incomoda, dá trabalho. Um livro para colorir serve para o que diz: colorir.
Nunca atuará efetivamente na transformação psíquica de uma pessoa. Em época de produção e consumo rápido como a nossa, é fundamental que se diga que os livros de colorir não trazem o aprofundamento necessário às mudanças decorrentes de uma terapia, que demanda tempo e o profissional adequado.
* Emília Gontow é artista plástica, arteterapeuta, taróloga terapeuta e terapeuta floral em Porto Alegre.
Dívida pública vai chegar a R$ 2,6 trilhões
Nos últimos 12 meses a dívida pública brasileira subiu 17%.
Chegou aos R$ 2,5 trilhões em junho. É um número impensável, com onze zeros.
Distribuída entre os 200 milhões de brasileiros daria uma dívida de R$ 12,5 mil para cada um.
No fim de 2015, já será maior: pode superar os R$ 2,6 trilhões: para fechar suas contas, o governo federal terá que emitir novos títulos até dezembro.
Só para pagar os juros, o país terá que desembolsar R$ 63 bilhões.
Os dados são da Secretaria do Tesouro Nacional e revelam um dos maiores problemas do país, um iceberg do qual conseguimos ver uma pontinha.
Este ano, por exemplo, para não aumentar excessivamente o endividamento, o governo terá que usar R$ 147 bilhões do orçamento para resgatar títulos.
Dinheiro que, numa hora dessas, sairá da segurança, da educação, da saúde, dos investimentos…
A dívida pública federal inclui os endividamentos interno e externo do governo.
Os números mostram que o aumento da dívida em junho deste ano está relacionado com a emissão líquida (o governo fez mais dívidas do que pagou) e com a apropriação de juros sobre o estoque do endividamento brasileiro (pediu emprestado para pagar o juro).
No mês passado, foram emitidos R$ 66,58 bilhões em papéis da dívida federal, ao mesmo tempo em que foram resgatados (pagos) R$ 2,52 bilhões. A diferença, de R$ 64,05 bilhões, foi coberta com novos papéis. Ao mesmo tempo, as despesas com juros totalizaram R$ 23 bilhões.
Interna e externa
A quase totalidade desta dívida é interna, com bancos e fundos nacionais. Com o crescimento de 3,8% em maio, a dívida interna atingiu R$ 2,462 trilhões.
A dívida externa, junto a bancos e fundos internacionais, está diminuindo. Caiu 2,34%, em maio, ficando em R$ 121,28 bilhões.
A maior parcela desses títulos (42%) pagam juros pré-fixados. Outros 32% pagam juros segundo o índice de preços. O restante, em torno de 20%, são títulos remunerados por taxa flutuante.O empresariado faz, mas rouba
Geraldo Hasse
No Brasil estão acontecendo coisas até há pouco impensáveis. Parecia totalmente improvável a condenação à prisão de executivos de empreiteiras como a Camargo Correa Construções, desde os anos 1950 presente em grandes obras públicas como a construção de Brasilia, a ponte Rio-Niterói, a usina de Itaipu ou o Metrô de São Paulo.
No duro, no duro, faz tempo que a Camargo Corrêa não é uma simples empreiteira e, sim, um grupo econômico de grande porte e altos interesses nas áreas de cimento e energia. Algo como um Grupo Votorantim ligeiramente menor, pois de origem mais recente.
Mas o que dizer da Odebrecht, que domina o setor petroquímico? A construtora é grande, mas o grupo Odebrecht é gigantesco. E temos na “lista do mal” outras empreiteiras de extração mais recente, como a baiana OAS, que se criou à sombra do governador e senador Antonio Carlos Magalhães, o falecido vice-rei do Norte.
Por uma ironia da História, ficou fora do rolo o megaempreiteiro Olacyr de Moraes, recentemente falecido. Fundador da Constran, que chegou a ser uma das dez maiores empreiteiras de obras públicas do Brasil, ele fez sucesso como plantador de soja e chegou a ter um banco de médio porte (Itamarati), mas quebrou sufocado pelas dívidas da construção da Ferronorte, vítima da perseguição de políticos paulistas que não lhe deram licença para chegar ao porto de Santos.
Visionário sem força política no regime democrático, acabou tendo de repassar sua construtora para seus executivos. Se algum dia comprou alguém, não se divulgou; o que ficou patente é que aos setenta e tantos anos gostava de aparecer em restaurantes paulistanos com lindas moças contratadas by leasing.
Também não aparece nas listas o nome do também falecido Cecilio do Rego Almeida, o maior empreiteiro do Paraná e considerado o pivô da demissão — por “corrupção”, segundo os órgãos de segurança da ditadura militar — do governador Haroldo Leon Peres em 1971.
Se levantarmos os nomes dos envolvidos nos escândalos Lava-Jato (propinas para assegurar obras públicas) e Zelotes (propinas para obter o perdão por dívidas com a Secretaria da Receita Federal), estará formada a lista preliminar da fatia mais balofamente corrupta da grande plutocracia brasileira.
Dos maiores frequentadores dos rankings das grandes empresas nacionais não escapa quase ninguém: lá estão Bradesco, Construtora Camargo Corrêa, Gerdau, Itaú, OAS, Odebrecht e a até a gaúcha RBS. Isso tudo sem falar do flamante emergente Eike Batista, que saiu de campo içado pelos guindastes de sua própria megalomania.
Quando se fala dessa turma de alto coturno e colarinho alvo, é praticamente impossível não recordar Antonio Ermírio de Moraes, que morreu há alguns meses.
Ele saiu de cena absolutamente isento da pecha que atinge seus antigos pares do empresariado nacional. Antonio Ermírio era um sujeito meio tímido mas dado a arroubos de exibicionismo, como quando, em palestras ou entrevistas à imprensa, se punha na lousa a debulhar equações matemáticas sobre fatos triviais da vida econômica.
Desde que se formou engenheiro metalúrgico na Colorado University, nos States, ganhou fama de gênio. Depois de trabalhar 12 horas por dia nas suas empresas (aço, cimento, mineração, banco, celulose), dava expediente na Beneficência Portuguesa, da qual foi provedor por vários anos. Chegou a ter veleidades políticas – foi candidato a governador de São Paulo no fim da ditadura militar, mas não conseguiu os votos que esperava e voltou à vida empresarial. Não há menção a seu nome em qualquer falcatrua ou irregularidade.
Impõe-se a pergunta: se tivesse uma empreiteira de obras públicas, o grupo Votorantim estaria enredado em alguma das investigações em curso?
Não se pode responder a uma hipótese, mas precisamente aí parece estar o X da questão: tanto no caso da Lava-Jato como da Zelotes, a imoralidade reside no vínculo das empresas com os agentes da administração pública.
Incluamos o Mensalão em nosso raciocínio e o que vemos? Figuras de proa do mundo político, desde ex-ministros até deputadinhos de legendas de aluguel.
É de supor, portanto, que os conluios entre empreendedores e representantes do poder instituído existem desde os tempos das ferrovias do Barão de Mauá, da construção de quartéis por Roberto Simonsen nos anos 1920, das obras de Brasília nos anos 1950 ou da Paulipetro nos anos 1970 – até que chegamos à construção de plataformas de exploração do petróleo do pré-salve-se quem puder.
O que podemos concluir por enquanto é que finalmente o sistema policial-judiciário brasileiro chegou às fontes da corrupção, como cobrava o senador Pedro Simon na época da CPI da Corrupção, 20 anos atrás. “Cadê os corruptores?!”, bradava o político gaúcho, hoje aposentado.
Mais do que nunca, está ficando claro que o empresariado brasileiro faz muita coisa mas também rouba, no que conta com a ajuda jeitosa de funcionários públicos e a conivência esperta de políticos.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“O respeito irrefletido pela autoridade é o maior inimigo da verdade”.
Albert Einstein (1879-1955)Cai área plantada com florestas no Rio Grande do Sul
Carlos Matsubara
A área plantada com florestas para fins industriais apresentou uma leve queda nos últimos cinco anos no Estado. Conforme dados de 2014 divulgados no relatório “A Indústria de Base Florestal no Rio Grande do Sul”, a área de plantio utiliza hoje 2% do território gaúcho.
O documento, disponível aqui , foi produzido pela Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), em parceria com empresas do setor.
Em 2009, segundo levantamento da mesma entidade, eram 738 mil hectares, ou 2,62% do território estadual ocupados por florestas plantadas. Uma pequena queda, portanto.
A redução vai na contramão do que vinha sendo observado até então, já que em 2009 a área havia dobrado em relação a 2002, quando os plantios de pinus, eucalipto e acácia ocupavam 360 mil hectares, equivalentes a 1,3% do território gaúcho.
Projetos não saíram do papel
Essa queda, no entanto, pode ser explicada em parte com a não confirmação de três grandes projetos na área de celulose no Rio Grande do Sul: Stora Enso, Votorantim Celulose e Aracruz Celulose. Os plantios, em sua quase totalidade, eram apoiados financeiramente por essas empresas, que tinham interesse em construir megaplantas de celulose por aqui.
A Aracruz, absorvida pela chilena CMPC Celulose Riograndense, cuja recente ampliação da unidade em Guaíba vem sendo criticada por ONGs ambientalistas, ainda poderá ser investigada pelo Ministério Público.
Área ocupada é insignificante perto de pecuária e agricultura
No Rio Grande do Sul existem 596,7 mil hectares de florestas plantadas, o que equivale a 8% da área com plantios florestais no Brasil.
As “fazendas” de eucalipto representam 52% (309 ha), enquanto o pinus e a acácia representam 31% e 17% da área plantada no Estado, respectivamente.
Para efeito de comparação, enquanto os plantios de florestas ocupam 2% da área total do RS, a pecuária e a agricultura, ocupam pela ordem, 33% e 25%. Ainda de acordo com o relatório da Ageflor, a região de Encruzilhada do Sul é a que possui maior concentração de florestas plantadas no Estado, com aproximadamente 49,3 mil hectares de pinus, eucalipto e acácia em proporções semelhantes.
O município de São Francisco de Paula ocupa a 2ª posição, com 33,5 mil hectares predominantemente de pinus (90%), seguido por Piratini com cerca de 30,7 mil ha das três espécies.
Setor quer reconhecimento
O presidente da Ageflor, João Fernando Borges, ressalta que o setor florestal contribui com 4% do PIB gaúcho, gerando 7% dos empregos e 3% da arrecadação de impostos, além de responder por 2% do valor das exportações por meio de produtos originários da madeira e derivados químicos.
“Nosso principal desafio é criar condições para a retomada dos investimentos da indústria florestal. O Rio Grande do Sul tem excelentes condições para o crescimento do setor, mas temos gargalos que reduziram nossa competitividade”, lamenta.
Para Borges, é necessário restabelecer a atratividade do setor com visão de longo prazo, equilibrando desenvolvimento e conservação dos recurso naturais. “Neste sentido, achamos fundamental disponibilizar os dados do relatório para sermos reconhecidos como m setor sustentável e relevante para economia gaucha”, conclui.Rugby Charrua lança novo uniforme e campanha para angariar sócios
Matheus Chaparini
O clube pioneiro do rugby gaúcho, o Charrua, apresentou as novas “armaduras” que as equipes adultas passarão a usar na temporada nacional 2015. O coquetel para a imprensa e convidados, na noite da segunda feira (20) marcou também a largada de uma campanha para angariar sócios-torcedores, cuja meta inicial é filiar 100 pessoas à entidade.
O evento foi realizado no restaurante Outback do Barra Shopping e marcou a retomada da parceria da casa especializada em comida australiana com o Charrua. “Começamos esse relacionamento seis anos atrás, com a loja do Iguatemi. Depois a rede passou a patrocinar a seleção brasileira e é até hoje patrocinadora oficial do time de rugby nacional”, explica o presidente do Charrua, Rodrigo Hleveina dos Reis.
Os uniformes foram confeccionados pela Sulback, especializada em material esportivo para rugby. A empresa, que tem sede em Caxias do Sul, é do argentino Aldo Tamagusuku, um dos fundadores do Serra, clube pelo qual jogou até 2013.
A Sulback existe desde 2009 e fornece uniformes para cerca de 70 equipes de rugby do país e desde o ano passado, detém a exclusividade da marca Charrua. Aldo considera que a parceria tem dado visibilidade à empresa e alavancado os negócios.
“Colocamos a marca em uma linha customizada com mais de 40 produtos. O Charrua sempre foi atrativo pra nós, a marca é muito forte e os valores que o clube transmite são muito genuínos, o Charrua é uma família”, afirma Aldo.
O sócio torcedor foi uma modalidade criada pra quem não é atleta ou familiar e quer apoiar a equipe e se manter informado sobre o time. Através de uma mensalidade de R$ 25, o interessado ganha uma camiseta e passa a receber uma newsletter com os resultados e novidades do clube – além de ter direito a cortesias no Outback. Atualmente, são cerca de 120 associados, entre atletas e sócios-familiares.
O Charrua manda seus jogos na Sociedade Hípica de Porto Alegre. As partidas acontecem nos finais de semana e a entrada é franca. Os treinamento ocorrem aos sábados na casa do Charrua, e às terças e quintas à noite no estádio Ramiro Souto, no parque da Redenção.Mauro Pinheiro admite impossibilidade de sancionar projeto anti-corrupção
Felipe Uhr
O Presidente da Câmara Municipal de Porto Alegre, vereador Mauro Pinheiro (PT), assume interinamente a cadeira de prefeito às 14h dessa quarta-feira (22).
E apesar de desfrutar de plenos poderes durante seu período de exercício como chefe do Executivo, Pinheiro não deverá aprovar o projeto de lei de seu companheiro de bancada Marcelo Sgarbossa, que prevê o fim de contratações de empresas doadoras de campanhas políticas.
Na segunda-feira, Pinheiro havia afirmado ao Jornal do Comércio que sancionaria o texto se tivesse oportunidade.
Apesar de ser simpático ao teor do texto, Pinheiro admite a impossibilidade de tomar tal atitude. “Eu votei a favor do projeto, mas não faria nada contrário ao pensamento do prefeito Fortunati”, avisou, lembrando que desconhece a opinião do titular do Executivo a respeito do assunto.
“Seria totalmente anti-ético”, complementou.
Ele antecipa que não fará grandes alterações na agenda tradicional do Paço Municipal. Em seus pouco mais de dois dias na cadeira, Pinheiro pretende recolher informações precisas sobre dois postos de saúde que estão para ser construídos na Zona Norte da Capital.
Segundo o vereador, a prefeitura tem um acordo com o Grupo Hospital Conceição e deve repasses a entidade que poderia interferir na situação. “Vou me reunir com alguns secretários para saber mais, já que como vereador estou tentando a liberação dos recursos para as obras”, justifica.
Mauro Pinheiro recebe o cargo das mãos do vice-prefeito, Sebastião Melo, que embarca para Brasília em seguida. O prefeito José Fortunati está na Europa em uma agenda da Frente Nacional de Prefeitos, da qual é presidente, e retorna à Capital somente na sexta-feira.
Desde Cuba, with love
Naira Hofmeister
Em algum lugar no bairro latino de Miami, Nancy deve ter olhado para aquela cena da bandeira cubana sendo hasteada em Washington, na última segunda-feira, (20) dividida entre o alívio e o rancor.
Quantas histórias como a sua poderão ser evitadas a partir do restabelecimento das relações diplomáticas entre Estados Unidos e Cuba, simbolizados pelo ato transmitido pelas TVs em todo o mundo?
Naquele ano de 2006, ela havia decidido – apesar do aperto no peito que lhe provocava – ir embora de Havana. Nancy amava seu país e o regime dos irmãos Castro: seus olhos se acendiam e a boca se rasgava em um sorriso muito vermelho de batom quando ela apontava, do “balcón” do apartamento em Centro Havana, com exatidão, o caminho percorrido por Fidel diante de sua janela, em uma celebração do aniversário da Revolução Cubana.
A saudade da pátria, entretanto – ela calculava – haveria de doer menos que a da filha, que deixara o país ainda adolescente: primeiro circulou pela América Central em busca de um emprego que pagasse mais que os 15 dólares mensais de teto salarial vigente em Cuba. Em Porto Rico encontrou a oportunidade como corretora de imóveis e a passagem do território norte-americano para o continente foi rápida.
Durante quase uma década, elas haviam se visto uma única vez quando a menina conseguiu visitar a mãe durante uns poucos dias, já que a permanência em território nacional era rigorosamente contabilizada – e taxada – pelo governo cubano. Telefonemas tampouco eram frequentes.
O quarto da “niña” não havia sido desmontado e nele Nancy recebia estrangeiros que estivessem de visita ao país. Ilegalmente, já que ela não havia se registrado e nem pagava as taxas ao governo para ter tal autorização.
Quando eu conheci o espaço – no qual morei durante três meses – ela me disse que seríamos “como mãe e filha” – “porque eu hoje estou só, e tens a idade da minha menina” – e foi assim que eu fui introduzida a esse drama tão universal da separação, mas que em Cuba tem um inegável apelo especial.
A cada aluguel mensal recebido – que equivalia a cinco dias em uma pensão autorizada barata, mas cujo valor era bem mais alto que os tais 15 dólares de teto salarial – Nancy conseguia pagar para entrar uma vez no então chamado escritório de interesses dos Estados Unidos em Cuba, diante do qual um outdoor provocava: “Señores imperialistas: no les tenemos ningún miedo!”
Hoje esse prédio é a embaixada americana e duvido que a mensagem ainda esteja lá.
Uma vez dentro do edifício, ela precisava contar com o bom humor dos funcionários. Durante o período em que estive com ela, nunca houve boas notícias. A cada visita, Nancy voltava com instruções diferentes das que havia recebido da vez anterior. E com uma lista de novos documentos que precisava providenciar – todos com alto custo para a maior parte da população cubana.
Mas se a burocracia fazia o possível para que ela desistisse, sua filha, do outro lado daquele estreito que os balseiros atravessam, deu uma forcinha ao ânimo materno: engravidou. Brindamos com Havana Club Añejo Especial e nem sentimos a ressaca no dia seguinte, tamanha a felicidade (eu também já a sentia como minha) com o anúncio da chegada do Máximo – Nancy se divertia com o nome escolhido para o netinho.
Graças a ele Nancy não desistiu: pensava no neto, na ajuda que precisaria dar a filha e ria com as lições de inglês que tentava aprender. As vezes, a galhofa escondia um certo nervosismo, porque dava para sentir que ela estava morrendo de medo de não se adaptar, de deixar a pátria da qual era uma entusiasta, de ser confundida com uma traidora.
De noite me perguntava como era estar longe de casa, e, acho, devia se perguntar como seria estar longe de casa. Mas embora buscasse nas minhas palavras algum alento era impossível esquecer que eu tinha uma passagem de volta comprada, que só precisava ir até a companhia aérea para postergar um pouco mais enquanto não cumprisse “minha missão” naquele lugar: cobrir uma suposta abertura de Cuba após o afastamento (que era temporário mas que depois de dois anos foi oficializado) de Fidel Castro do poder.
Como para lograr tal objetivo seria preciso permanecer na ilha quase 10 anos, retornei a Porto Alegre sem poder testemunhar esse momento histórico. Nancy tampouco consegiu.
Ainda sob o impacto daqueles três meses sobre os quais não construí outras certezas além do imenso amor por aquele povo feliz, recebi a notícia de que ela havia finalmente conseguido seu visto e a passagem aérea para Miami.
Na sua despedida, soube que preparou um prato de lagostas – caríssimas para os nativos da Ilha, que ela comprava no mercado negro como todas as iguarias que de vez em quando nos dávamos ao luxo de consumir. O mesmo que havia feito em meu aniversário de 25 anos.
Durante todos esse anos ela nunca deixou de me abastecer com informações sobre “su Cubita querida”: mandava fotos de Fidel Castro em mesas redondas, artigos de jornalistas sobre a Ilha e até uma manchete que dizia “Fidel Castro é considerado o maior estadista do mundo por um jornal de Bangladesh”.
Quando o comandante em chefe se afastou definitivamente das funções administrativas, em 2008, e o poder ficou nas mãos de Raúl, ela me escreveu: “Ele não podia permitir que o elegessem dada dua idade e complicado estado de saúde. Está velho e doente, mas segue sendo Fidelllllllll, para os que queiram e para os que não”.
Nancy nunca deixou de amar a seu país e ao seu povo. Aos poucos deve ter se acostumado aos norte-americanos e talvez até tenha assistido à cerimônia de içamento da bandeira cubana pela televisão (antes ela havia me confessado que preferia desligar o aparelho quando começavam a falar de Cuba, porque não aguentava ouvir os “horrores e as idiotices” dos comentaristas sobre sua pátria).
Fico pensando se Nancy vai poder desfrutar dessa aproximação, se tentará visitar familiares e amigos que seguem em Cuba ou se o trauma da burocracia é forte demais para ser superado. Ou então se a crise econômica não a colocou em dificuldades ou ainda se o tempo não terá apaziguado seu coração e aplacado as saudades.
O último e-mail que recebi dela, em janeiro deste ano – Nancy nunca se esquece do meu aniversário e todos os anos me manda saudações virtuais – terminava com um singelo “with love”.Movimentos convocam audiência pública popular sobre Cais Mauá
Enquanto aguardam a convocação da audiência pública oficial para debater o projeto de revitalização do Cais Mauá de Porto Alegre, que será feita pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, movimentos comunitários e ambientalistas decidiram realizar seu próprio debate.
O coletivo Cais Mauá de Todos, crítico à proposta apresentada pelo consórcio vencedor da licitação para realizar a obra, está chamando os habitantes da Capital para participar de uma audiência pública popular no dia 1º de agosto.
Com o título de “Pára tudo!”, um evento foi criado no facebook para divulgar o encontro.
A ideia surgiu depois que o consórcio protocolou o Estudo de Impacto Ambiental e o Relatório de Impacto Ambiental do empreendimento (EIA-Rima) que, entre outras implicações, prevê a derrubada de 330 árvores no entorno do Cais e alterações no trânsito dando prioridade para a circulação de automóveis.
Há também preocupação com a construção de “torres muito mais altas do que nas imagens exibidas à população” e com a desistência, por parte do empreendedor, de cobrir o shopping center que será construído ao lado da Usina do Gasômetro com um telhado verde, como havia sido anunciado anteriormente.
“Pretendemos dialogar com a população e principalmente com os moradores do centro, afetados diretamente pela intervenção pretendida”, justificam os organizadores do evento.
para ativistas, projeto é deboche
O EIA-Rima do cais Mauá alerta ainda para a falta de manutenção do sistema de proteção contra cheias de Porto Alegre – que tem no Muro da Mauá sua face mais conhecida – o que poderia levar a falhas em uma eventual necessidade de acionamento.
“E para fechar o deboche com a população, apresentaram em PDF estapafúrdias idéias a serem aprovadas, como um passeio de helicóptero turístico, uma mega Roda-Gigante, um ônibus anfíbio…A especulação na especulação”, lamentam os ativistas.
O documento foi protocolado na Smam no dia 1º de julho, mas tramita na prefeitura há pelo menos três anos. Em abril, uma lista com contrapartidas cujo valor alcançava os R$ 36 milhões foi entregue ao Executivo Municipal.
Agora a pressa de agendar a audiência pública é do empreendedor, já que não há um prazo estabelecido para sua realização. A única obrigação é que ela seja convocada através de um edital publicado em jornais de ampla circulação, 45 dias antes de sua realização – período no qual a população pode consultar o EIA-Rima na biblioteca da Smam. O estudo já está disponível para quem tiver interesse de mergulhar nas mais de duas mil páginas.
Falta de diálogo é a maior crítica
O grupo, que desde o início do ano vem realizando intervenções para refletir sobre a proposta – e que inclusive apresentou um projeto alternativo para a área – reivindica maior participação popular no processo.
“Apresenta-se o projeto na mídia como se estivéssemos assistindo o futuro acontecer na nossa frente, mas sequer podemos decidir se é esse futuro que queremos para o Cais, e como consequência, para todos nós”, reclamam.
Indignado com a falta de receptividade do poder público e dos empreendedores, eles dizem que agora é a hora do “não”. “Desde o começo do ano propusemos debate, queremos ser propositivos, mas agora é a hora do não! Não queremos um projeto de revitalização que não ouve a população. E que sequer parece ter investidores interessados”, provocam.
mostra de economia criativa é outra atração
Além do debate popular – que terá entre seus convidados o presidente da seccional gaúcha do Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB-RS), Tiago Holzmann, a criadora do projeto alternativo para a área, Maria Helena Cavalheiro, e a líder do Ocupe Estelita no Recife, Liana Cirne Lins – outras atrações estão sendo organizadas.
O grupo quer fazer na Praça Brigadeiro Sampaio uma grande mostra de economia criativa, que inclua entre as atividades planejadas ideias que pudessem ser implementadas no Cais Mauá idealizado pelo coletivo.
Para isso o local receberá também uma feira de música e filmes e quiosques com venda de cerveja artesanal e produtos orgânicos. “E o que pintar no espaço livre à manifestação popular”, convidam os organizadores.
A audiência pública popular e a feira de economia criativa ocorrem no sábado, dia 1º de agosto, às 15 horas, na praça Brigadeiro Sampaio, no Centro Histórico de Porto Alegre.
