Categoria: Geral

  • Prisão decretada: Lula tem 24 horas para se apresentar em Curitiba

    O juiz federal Sérgio Moro determinou há pouco a prisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme a decisão, Lula terá até as 17h de amanhã (6) para se apresentar à Polícia Federal.
    “Relativamente ao condenado e ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva,  concedo-lhe, em atenção à dignidade cargo que ocupou, a oportunidade de apresentar-se voluntariamente à Polícia Federal em Curitiba até as 17h do dia 06/04/2018, quando deverá ser cumprido o mandado de prisão”, decidiu Moro.
    A medida foi tomada após a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou ontem (4) um habeas corpus protocolado pela defesa para mudar o entendimento firmado pela Corte em 2016, quando foi autorizada a prisão após o fim dos recursos naquela instância. Lula foi condenado a 12 anos e um mês na ação penal do tríplex do Guarujá (SP), na Operação Lava Jato.
    Sérgio Moro também determinou à Polícia Federal que não sejam utilizadas algemas em “qualquer hipótese”. O juiz também determinou que Lula terá direito a cela especial.
    “Esclareça-se que, em razão da dignidade do cargo ocupado, foi previamente preparada uma sala reservada, espécie de Sala de Estado Maior, na própria Superintência da Polícia Federal, para o início do cumprimento da pena, e na qual o ex-presidente ficará separado dos demais presos, sem qualquer risco para a integridade moral ou física”, diz o mandado de prisão.
    Na decisão, Moro explicou que, embora caiba mais um recurso contra a condenação de Lula, os chamados embargos dos embargos, a medida não poderá rever os 12 anos de pena.”Não cabem mais recursos com efeitos suspensivos junto ao Egrégio Tribunal Regional Federal da 4ª Região. Não houve divergência a ensejar infringentes. Hipotéticos embargos de declaração de embargos de declaração constituem apenas uma patologia protelatória e que deveria ser eliminada do mundo jurídico. De qualquer modo, embargos de declaração não alteram julgados, com o que as condenações não são passíveis de alteração na segunda instância”, explicou.
    A defesa do ex-presidente emitiu nota dizendo que “a prisão é árbitrária” pois ainda há recursos que não foram julgados.

  • Feira de Cambará do Sul tem o "melhor mel do mundo"

    GERALDO HASSE
    Os mais antigos apicultores de Cambará do Sul não se esquecem da primeira tentativa de realizar uma feira do mel da cidade. O ano, ninguém sabe, mas foi no mês de julho do início da década de 1980.
    O CTG Baio Ruano realizava seu tradicional rodeio na Fazenda das Corucacas, a um quilômetro do centro da cidade. Vendo a multidão atraída pelo evento equestre, um grupo de apicultores teve a ideia de armar ali mesmo uma barraca para vender o estoque de mel remanescente do último verão.
    Teria dado certo se os promotores do rodeio não se incomodassem com a incursão comercial dos produtores de mel.
    Obrigados a retirar seu caminhão do recinto, os apicultores aproveitaram a desfeita para organizar a Associação Cambaraense de Apicultores (Acapi), fundada em 11 de julho de 1984  sob incentivo e orientação do agrônomo José Otávio Aragon, responsável técnico pelo escritório da Emater-RS no município (Aragon vive hoje em Florianópolis).
    O primeiro presidente foi Luiz Eleu dos Santos Lima, o Biriva, auxiliar de veterinário da Secretaria da Agricultura do Estado. Aos 79 anos, “todo quebrado” por acidentes com animais, ele continua na ativa, não mais como produtor de mel, mas como guia e zelador de apiários migratórios que chegam para explorar a rica flora regional.
    Logo depois da fundação da Acapi foi realizada a 1ª Feira do Mel de Cambará do Sul, evento que passou a divulgar anualmente ou a cada dois anos as excepcionais qualidades do “mel branco” produzido pelas abelhas dos Campos de Cima da Serra a partir do néctar das flores de três árvores típicas desse ecossistema: carne-de-vaca, gramimunha e guaraperê.
    Trata-se de um mel claro e aromático cuja principal característica é cristalizar sob baixa temperatura, assumindo facilmente a aparência da banha de porco. Exatamente por isso ele gera desconfiança nas pessoas acostumadas ao mel viscoso da maioria das fontes vegetais.
    Quatro décadas depois da sua estréia, a feira do mel de Cambará está em plena 25ª edição.
    Começou no fim de semana da Páscoa passada e termina no próximo domingo, 8 de abril. Modesta, orçada em R$ 105 mil, ocupa um quarteirão ao lado da igreja matriz consagrada a São José.
    Para evitar o frio e as chuvas comuns nos Campos de Cima de Terra, o local foi coberto por uma estrutura de lona branca que abriga cerca de 30 expositores, seis deles membros ativos da Acapi, que apóia o esforço da nova Associação dos Apicultores dos Campos de Cima da Serra (Apicampos) para registrar o mel branco como um produto regional digno de merecer um selo de origem geográfica, como os vinhos da Serra Gaúcha, as carnes do Pampa e os queijos artesanais da agricultura familiar, entre outros alimentos orgânicos.
    Com sete mil habitantes, Cambará do Sul tem 400 famílias rurais atendidas pela Emater-RS. Destas, 120 possuem alguma atividade apícola. Destes, 30 são profissionais que têm na apicultura sua maior fonte de renda.
    “A maioria das pessoas ignora que o mel se tornou um bom negócio”, diz Nivaldo Castellan, presidente da Acapi, autodeclarado profissional da apicultura, embora também faça dinheiro com a criação de gado.
    Aos 50 anos, ajudado em sua banca pelo filho Maicon, de 15 anos, e a esposa Lurdinha, funcionária municipal, Castellan está vendendo mel a R$ 25 o quilo, o mesmo valor praticado pelos apicultores presentes na feira. Estão todos satisfeitos com as vendas.
    A safra de 2018 revelou-se melhor do que os prognósticos feitos com base no comportamento anômalo do clima. Ainda não foi feito um balanço da produção, mas é consenso que não se chegou ao recorde de 2002, quando Cambará produziu 450 toneladas de mel, o equivalente a 1% da produção nacional.
    Naquele ano sobrou tanto mel que o veterano apicultor Cely Carvalho foi escalado para apresentar o produto cambaraense num seminário de apicultura em Porto Alegre. “Isso não é mel, é puro açúcar”, disse um técnico diante do pote de conteúdo esbranquiçado. “Pois mande analisar: se não for mel, eu pago a despesa do laboratório”, respondeu Carvalho.
    É claro que o desafio não foi levado adiante, mas desde então o mel branco não parou de crescer no conceito dos consumidores e dos especialistas em apicultura.
    “Estou pra lhe dizer que o mel de Cambará é o melhor do mundo”, afirma Carvalho, ainda ativo no ramo, aos 81 anos.
    Entretanto, ao observar as mudanças em curso nas atividades apícolas, entre elas a presença crescente de apicultores migratórios disputando áreas de mata na região e a diversificação no uso das terras por agricultores vindos de fora para plantar batata e soja nos Campos de Cima da Serra, ele conclui: “A apicultura está ficando mais complicada do que namoro de vesgo”.
     

  • Governo gaúcho decreta o fim da FEE

    Foi publicado nesta quinta-feira, 05/04, no Diário Oficial do Rio Grande do Sul, o decreto que extingue as atividades da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Segundo o texto, o recém-criado Departamento de Economia e Estatística (DEE), da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) assume as atividades da FEE. Será a SPGG a sucessora dos direitos e obrigações da FEE, como convênios e contratos, “inclusive quanto a eventuais obrigações remanescentes, bem assim nas demais obrigações pecuniárias”.
    Já os servidores “passam a compor Quadro Especial vinculado à SPGG e poderão ser relotados, de acordo com a necessidade de serviço, nos demais órgãos da Administração Direta do Poder Executivo Estadual, observada, em qualquer caso, a pertinência com as atribuições do emprego”. A regra se aplica a “servidores estáveis, legal ou judicialmente” do quadro da fundação.
    A maior parte do quadro da fundação é de pesquisadores e técnicos concursados com contratos pela CLT. Os funcionários com mais de três anos de serviço estão protegidos por uma liminar da Justiça do Trabalho.
    O acervo patrimonial mobiliário e imaterial da fundação será gerido e conservado pelo Departamento de Economia e Estatística da SPGG. No decreto está posto que será “preservado o acesso aos dados e às informações de interesse público, inclusive em meio eletrônico”.
    A FEE, junto com outras cinco fundações: Zoobotânica, Piratini, Metroplan, FDRH e Cientec tiveram a extinção aprovada em janeiro de 2017. Segundo o governo, até 17 de abril as entidades devem ter suas atividades suspensas.
    Semapi diz que governo acaba com uma das mais renomadas instituições do Estado
    O Sindicato dos Empregados em Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas e de Fundações do RS (SEMAPI) publicou nota contra o ato do governo, classificando o decreto como um retrocesso de 80 anos.
    Para o órgão sindical, a estatística e o planejamento do Estado voltam a ser vinculados a interesses políticos, sem autonomia para produção de dados de interesse de toda a sociedade.
    “Há 45 anos, a FEE vem guardando, atualizando e produzindo o maior acervo de dados e estudos socioeconômicos do Estado, com acesso público, gratuito e amplo de informações que permitem conhecer, analisar, debater e planejar políticas públicas relevantes para o desenvolvimento gaúcho. Os estudos desenvolvidos são orientados para subsidiar o planejamento com conhecimento específico, rigoroso, detalhado, contando com um quadro funcional integralmente técnico, com 38 doutores e 93 mestres em diversas áreas… É o pior governo que poderíamos ter, que apequena o Rio Grande, debocha dos servidores, desrespeita a sociedade e não assume a própria responsabilidade na má administração do Estado. Mas nós seguimos lutando, aguardando que o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RS) e o Supremo Tribunal Federal (STF) avaliem as liminares que suspendem as extinções”… O texto completo pode ser lido aqui.

  • Voto "coerente" de Rosa Weber fulminou as esperanças de Lula

    A ministra Rosa Weber votou contra a concessão de habeas corpus ao presidente Lula, condenado em segunda instância a mais de 12 anos de prisão. O voto dela foi decisivo.
    Quando o Supremo votou a matéria em 2016, Rosa Weber votou contra a prisão depois da condenação em segunda instância.
    Foi voto vencido. Desde então, manteve-se fiel à decisão do colegiado.
    Em todas as sentenças que emitiu depois, contra sua convicção, ela seguiu a orientação do colegiado e rejeitou habeas corpus para réus condenados em segunda instância que pleiteavam aguardar em liberdade até o julgamento final de sus recursos no STF.
    Ela manteve esse posicionamento ontem e votou contra o habeas corpus para o ex-presidente Lula.
    Sexto voto, depois de seis horas de julgamento iniciado às duas da tarde, Rosa Weber desequilibrou o placar marcando cinco a um pela prisão do ex-presidente.
    O  julgamento avançou pela madrugada terminou  com cinco votos a favor e cinco contra. Foi decidido pelo voto da presidente do STF, Carmen Lucia, que negou o habeas corpus ao ex-presidente.

  • Até a Globo, em editorial, puxa as orelhas do general

    O jornal O Globo publicou um editorial histórico nesta quarta-feira, referindo-se às manifestações do comandante do Exercito, general Villas Boas, na véspera do julgamento do habeas do ex-presidente Lula no STF
    Depois do mea-culpa, feito em 2004, cincoenta anos depois de ter incentivado e apoiado o regime militar, é uma das mais importantes manifestações da Globo. Eis o editorial:
    “O cidadão Eduardo Villas Bôas poderia compartilhar suas dúvidas sobre quem pensa “no bem do país e das gerações futuras e quem está preocupado apenas com interesses pessoais”. Mas o general Eduardo Villas Bôas, comandante do Exército, não deveria.
    Eduardo Villas Bôas poderia compartilhar “o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição”, mas não em nome do Exército, tampouco às vésperas do julgamento de habeas corpus impetrado pelo ex-presidente Lula.
    O general avançou o sinal da Constituição, mesmo que isso tenha acontecido impulsionado por reais preocupações com desdobramentos decorrentes da concessão do habeas corpus pelo Supremo, numa quebra injustificável da jurisprudência da Corte, de que sairá vitoriosa a impunidade.
    As instituições republicanas estão suficientemente fortes para, por meio da Constituição, contornar-se qualquer recuo na luta contra a corrupção. A mesma Carta a que estão submetidas as Forças Armadas, sob comando do poder civil. Não cabe a um chefe militar opinar sobre questões políticas ou judiciais.
    Quaisquer que fossem suas intenções, a manifestação foi inadequada”.

  • PT diz que Globo quer repetir o que fez em 1964

    Recebemos do Partido dos Trabalhadores a seguinte nota:
    “É escandalosa a pressão da Rede Globo para que o Supremo Tribunal Federal negue ao ex-presidente Lula o direito constitucional de se defender em liberdade da condenação ilegal e injusta, sem crime nem provas, imposta por Sérgio Moro e agravada em decisão previamente combinada da 8a. Turma do TRF-4.
    Chegaram ontem (3/4) ao cúmulo de encerrar o Jornal Nacional associando uma declaração do comandante do Exército, general Villas Boas, ao julgamento marcado para hoje do habeas corpus em defesa de Lula no STF.
    Não é natural da democracia que chefes militares se pronunciem sobre questões políticas ou jurídicas, como vem ocorrendo nos últimos dias. Mais estranho ainda é que uma manifestação do comandante do Exército, general Villa Boas, em rede social, seja divulgada e manipulada no decorrer de uma edição do Jornal Nacional especialmente dedicada (23 minutos) a pressionar os ministros do STF.
    Nos governos do PT, prestigiamos as Forças Armadas como nenhum outro desde a redemocratização do País. Em nossos governos, não faltou fardamento nem rancho para os recrutas. Investimos na defesa das fronteiras terrestres, das águas territoriais e do espaço aéreo, devolvendo a dignidade aos militares.
    E assim como defendeu o general Villas Boas nas redes sociais, nós do PT sempre combatemos a impunidade e respeitamos a Constituição, inclusive no que tange ao papel das Forças Armadas definido na Constituição democrática de 1988.
    A defesa da Constituição implica em reconhecer a presunção da inocência, conforme definida no parágrafo 57 do artigo 5o. É o que esperamos que seja ratificado hoje pelo plenário do STF.
    A Globo quer repetir o que fez em 1964, quando incitou chefes militares contra o governo constitucional de Jango Goulart. E o faz agora para pressionar o Supremo. A Globo tem sido historicamente um veneno a democracia.
    Colunistas amestrados da imprensa, porta-vozes do fascismo e até oficiais da reserva vêm brandindo a ameaça de um novo golpe militar contra o reconhecimento dos direitos de Lula. São as vozes do fascismo e da intolerância.
    A saída para a crise política, econômica e social está na realização de eleições livres e democráticas, com a participação de todas as forças políticas e sem vetos autoritários a Lula. E no respeito ao pacto político consagrado na Constituição de 1988. É este pacto, democrático, que o STF tem o dever de proteger”.
    Senadora Gleisi Hoffmann
    Presidenta do Partido dos Trabalhadores
    Senador Lindbergh Farias
    Líder do PT no Senado Federal
    Deputado Paulo Pimenta
    Líder do PT na Câmara dos Deputados

  • Mudança na cor dos táxis: Câmara aprovou, Marchezan pode vetar

    As novas regras para o serviço de táxis em Porto Alegre, aprovadas há uma semana,  ganharam forma final nesta segunda feira, 2, com a votação de três emendas.
    Trata-se das emendas 4 (que tira do taxista a responsabilidade de prestar descontos e a confere à categoria), 7 (que institui taxa de gerenciamento operacional) e 27 (sobre a adoção de equipamento eletrônico no taxímetro para identificação do motorista).
    As mudanças ainda precisam ser sancionadas pelo prefeito.

     Para o usuário, a mudança mais visível será na cor dos táxis da cidade, que passarão do atual laranja (vermelho ibérico) para o branco, atendendo a uma antiga reivindicação dos taxistas.
    A justificativa para mudar a cor dos táxis é financeira, não visual.
    A cor branca, segundo a emenda, “propiciará uma melhor viabilidade econômica para a atividade, dispensando os taxistas de terem que pintar ou adesivar os carros no momento da compra e ingresso na frota, bem como no momento da venda à particulares”. Os táxis terão 24 meses para adequação.
    A aprovação, por maioria simples, não foi fácil: 16 votos favoráveis e 11 contrários. Nove parlamentares não votaram.
    Entre as alterações, está a mudança no status do serviço de táxi de “serviço público” para “serviço de utilidade pública”.
    Na prática, o serviço de táxi deixará de ser uma “permissão” e passará a ser uma “autorização”, alinhando-se à lei federal 12.865, que não exige licitação pública.
    Essa nova forma facilita a transferência do táxi. Agora, terminam os casos de concessões. Pode ser transferido para filhos e familiares, dependendo de regulamentação pela EPTC.
    Os parlamentares também alteraram o prazo para renovação da frota, que passou para oito anos, e que os veículos serão brancos, em vez de laranja. Ficou definido, ainda, a possibilidade de utilizar automóveis 1.0 (o Executivo queria bani-los) e realizar corridas compartilhadas por aplicativo com mais de um passageiro.

    Exigência de biometria gerou polêmica

    A adoção do sistema de biometria foi o assunto que gerou mais mobilização.
    A proposta do Executivo implanta um sistema de reconhecimento digital do taxista no taxímetro como medida de segurança.
    Uma emenda do vereador Adeli Sell (PT), que retirava apenas a aplicação do prazo de 180 dias para implantação do sistema foi motivo de confusão: muitos vereadores entenderam que o texto propunha a retirada da adoção da biometria em vez do prazo. Logo, os parlamentares aprovaram o texto, que permitiu a adoção sistema, pensando que estavam vetando a medida.
    O erro foi percebido quase no fim da sessão. Então os vereadores decidiram aprovar a emenda 27, proposta por Ferronato, que prevê a adoção de sistemas eletrônicos para a identificação dos taxistas.
    Apesar de não excluir a biometria, a proposta é mais abrangente ao possibilitar a utilização de outros meios para identificação e que o registro seja feito por um motorista auxiliar (desde que também tenha o carteirão).
    Líder do governo na Câmara, o vereador Moisés Barboza (PSDB) lamenta que a exigência de biometria tenha sido derrubada. As mudanças no projeto dependem de decisão do prefeito Nelson Marchezan, que pode vetar emendas aprovadas.
    — Espero que a gente consiga salvar a ideia principal, que é ter uma revolução no sistema de táxi para que tenha mais passageiros, que seja um táxi novo — ressalta.
    Com a prorrogação dos debates sobre a lei geral dos táxis, a votação sobre o projeto que regulamento o transporte por aplicativos também foi transferida para segunda.

    Taxistas marcaram presença nas galerias do Plenário Otávio Rocha(Foto: Ederson Nunes/CMPA)
    A Câmara Municipal de Porto Alegre renovou, na tarde desta segunda-feira (2/4), a votação de três emendas ao Projeto de Lei que altera a chamada Lei Geral dos Táxis na Capital, aprovado na sessão da última quarta-feira (28/3).
    Das 27 emendas que haviam sido apresentadas pelos vereadores ao projeto original do Executivo, 18 delas foram aprovadas pelo plenário, bem como duas subemendas.
    Entre elas, as emendas de nºs 4, 7 e 27, cuja renovação de votação foi solicitada pela Liderança do governo municipal, em função da diferença entre o número de votos favoráveis e contrários ter sido menor ou igual a três na aprovação de cada uma delas. Diferentemente da semana passada, o plenário voltou atrás nesta segunda-feira e rejeitou as emendas de nºs 4 e 7. Foi mantida a aprovação da emenda de nº 27.
    Emendas com votação renovada:
    Emenda n° 4 – Altera o artigo 15 no seu parágrafo 4º, que passa a vigorar com a seguinte redação: “Faculta-se à classe taxista a concessão de descontos tarifários na prestação do serviço de transporte público individual. O desconto promocional deverá ser decidido por acordo celebrado pela maioria dos permissionários, considerando suas representações por ponto fixo.”; Aprovada em 28/3 e Rejeitada em 2/4.
    Emenda n° 7 – Altera o artigo 34 da Lei e inclui parágrafo 9º, estabelecendo que a taxa de gerenciamento operacional (TGO), a ser cobrada do permissionário do transporte público individual no valor equivalente a quatro bandeiradas por prefixo, deverá ser cobrada 24 meses após vigorar a presente lei.” O projeto original prevê taxa de oito bandeiradas. Aprovada em 28/3 e Rejeitada em 2/4.
    Emenda nº 27 – Define que o taxímetro deverá ser dotado de equipamento integrado ou periférico que possibilite a identificação eletrônica do motorista, permitindo que os condutores auxiliares trabalhem em qualquer prefixo do sistema, desde que os veículos já estejam equipados com esta identificação. Aprovada em 28/3 e mantida a aprovação em 2/4.
    Principais alterações:
    Entre as principais mudanças incluídas na Lei Geral dos Táxis por emendas aprovadas na última semana estão a de cor dos veículos, que passarão a usar o padrão branco em vez do tradicional laranja.
    Outra flexibilização permite que, ao contrário do texto original, a partir do início da vigência da nova legislação, seja possível utilizar automóveis com 1.0 cilindradas, e, ainda, a realização de corridas compartilhadas, por sistema de aplicativos, com mais de um passageiro.
    A proposta ainda altera a legislação em vigor e também redefine as condições para emissão da Identidade do Condutor de Transporte Público (ICTP), cria a Categoria Executiva, propõe normas de comportamento para motoristas e estabelece a possibilidade de utilização de aplicativos e pagamento de corridas por meio de cartões de crédito ou débito.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

  • Sob pressão até de militares, STF decide a sorte de Lula nesta tarde

    A manifestação comandante do Exército introduziu o fator militar na crise jurídico-política que divide o Brasil neste momento.
    Pelo Twitter, o general Villas Bôas, disse assegurar “à Nação que o Exército Brasileiro julga compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à Democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais”.
    A declaração foi por profissionais do Direito, parlamentares e jornalistas, interpretada como pressão contra os ministros do STF um dia antes do julgamento do habeas corpus do ex-presidente Lula; os tuítes tiveram grande destaque no Jornal Nacional, da Globo.
    O julgamento começa às 14 horas, em Brasilia, onde manifestações pró e contra o presidente Lula estão programadas.
    A corte está dividida e o resultado é incerto, com tendência para o acolhimento do HC de acordo com manifestações de ministros. Se o habeas for negado, Lula pode ser preso imediatamente.
    A opinião pública brasileira está dividida diante do julgamento e qualquer decisão pode ter consequências imprevisíveis.
    A pressão mais cerrada pela prisão do ex-presidente parte dos grandes jornais, onde a divisão de opinião que se vê no país inteiro, não se percebe: todos os colunistas e editorialistas destes grupos consideram que a concessão do habeas a Lula é um golpe mortal na Operação Lava Jato e todo o processo de combate á corrupção.
    Não se tem notícia na história do país, de uma pressão sobre a suprema corte na hora do julgamento de um homem público. Lula está condenado em segunda instância a mais de 12 anos de prisão. O habeas corpus interposto por seus advogados pede garantias para que ele aguarde em liberdade até a decisão final, que caberá ao mesmo TSF.

  • Novo decreto permite restaurantes 24h e limita ambulantes na Cidade Baixa

    Após oito meses de estudos, a prefeitura de Porto Alegre anunciou nesta terça-feira o início do seu plano de intervenção no Bairro Cidade Baixa.
    Com um novo decreto, que estabelece novas regras para horários de fechamentos de estabelecimentos no bairro, limita os horários de ambulantes e proíbe som na rua após às 22h.
    O novo texto revoga o antigo Decreto nº 17.902/12, que reduziu o horário dos restaurantes da Cidade Baixa.
    De acordo o texto, os restaurantes poderão funcionar 24 horas, como no período anterior ao regramento instituído em 2012, desde que solicitem alvará específico.
    Além de revogar a antiga regulamentação, institui que as atividades de bar, café e lancheria funcionarão nas sextas-feiras, sábados e vésperas de feriados até as 2h, e de domingo a quinta-feira até 1h.
    O funcionamento das lojas de bebidas e minimercados terá horário limitado, das 7h às 24h.
    O decreto também traz novos regramentos para os ambulantes e distúrbios sonoros.
    Pelo prazo de um ano, o horário para este comércio será das 7h às 24h. Fica também proibida a utilização ou funcionamento de qualquer instrumento ou equipamento em via pública que reproduza ou amplifique som, das 22h às 7h do dia seguinte.
    O texto ainda prevê que lixo gerado nos bares — e também por quem estiver em frente a eles — serão responsabilidades dos respectivos estabelecimentos.
    A Prefeitura diz que, além do decreto, está trabalhando em ações para a revitalização urbana da Cidade Baixa. Com ações de curto, médio e longo prazo.
    O secretário adjunto da Secretaria Municipal de Relações Institucionais, Carlos Siegle de Souza, explica que: “Muitos centros urbanos têm dificuldade de ocupar os espaços públicos. Em Porto Alegre, isso já acontece. Nosso trabalho é organizar os excessos”, disse.
    Neste mês de abril, a prefeitura, em parceria com a Associação dos Comerciantes da Cidade Baixa, vai realizar abordagens para conscientizar frequentadores sobre as novas regras. Duas reuniões já estão marcadas para apresentação das ações: nesta quarta-feira, 4, e na sexta-feira, 6, em seminário promovido pelo Ministério Público.
    Um projeto piloto será executado na rua João Alfredo. A primeira etapa da obra iniciará em junho, liderada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação.
    Essa etapa consiste em renovar a sinalização da via e demarcar novas áreas para pedestres, com o objetivo de equilibrar as necessidades dos usuários e tornar a rua mais segura e revitalizada.
    A ação mais ousada da administração municipal é estimular as atividades noturnas em outras regiões, como o Centro Histórico, em espaços como o Largo Glênio Peres, Praça da Alfândega e imediações, que são áreas comerciais, onde quase não há residências nas imediações.
    Essa ideia ainda passará por debate prévio com a comunidade local. O Plano Diretor divide as áreas de animação da cidade das áreas residenciais. Atualmente, os bairros Moinhos de Vento, Centro Histórico, Cidade Baixa e a orla de Ipanema integram as Áreas de Animação.

  • Unidade é o principal desafio da esquerda para enfrentar retrocesso

    A unidade da esquerda para enfrentar o retrocesso democrático e a ascensão do facismo na conjuntura mundial e nacional foi a tônica  do painel de abertura  do seminário “Desenvolvimento nacional: dilemas e perspectivas” na noite  desta segunda-feira (02/04). No teatro Dante Barone na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul.
    Os palestrantes foram Tarso Genro, ex-ministro e ex-governador, Ângela Albino, ex-deputada federal de Santa Catarina e presidente da Fundação Maurício Grabois daquele estado e Jairo Jorge, ex-prefeito de Canoas/RS e representante da Fundação Leonel Brizola-Alberto Pasqualini.
    A mediação foi de José Vicente Tavares dos Santos, coordenador do Instituto Latino-americano de Estudos Avançados da UFRGS.
    Limites da democracia representativa
    “Há momentos em nossa história que são momentos de virada da consciência pública, de ousadia da direita e do fascismo e estamos vivendo um desses momentos”, disse o ex-ministro Tarso Genro.
    “Todos aqui estamos preocupados em construir uma unidade política superior, não só de resistência ao fascismo e ao projeto neoliberal rentista, mas também de construir um programa comum de uma esquerda plural, capaz de construir um grande plano político e democrático de avanço para o país”, salientou.
    Genro lembrou que o moderno estado de direito deixou legados importantes como os princípios da igualdade e da inviolabilidade dos direitos. “Quando esses fundamentos começam a ser erodidos de maneira planejada, é porque o estado moderno, tal qual foi concebido, está em crise”.
    Um dos exemplos dessa erosão destacados pelo ex-ministro é o tratamento diferente que a Justiça tem reservado a acusados de corrupção.
    Ao fazer isso, a Justiça “rompe com o princípio da igualdade formal, segundo o qual todos são iguais perante a lei. Portanto, aquilo que é uma deformação se torna um elemento constante do próprio regime, colocando o Estado contra um determinado setor da sociedade, contra alguns partidos políticos e algumas lideranças”.
    Outra violação dos direitos fundamentais, segundo Genro, é a reforma trabalhista, especialmente pela modalidade intermitente. “Um trabalhador intermitente terá de trabalhar 12 horas diárias para ganhar um salário mínimo. Essa regra viola direitos como a jornada de 8 horas, com reflexos na saúde e na vida das pessoas. E isso está sendo feito, aprovado “legalmente” por um Congresso eleito pelo povo”.
    Para ele, ataques como estes são possíveis graças a mecanismos de formação de hegemonia comandada pelas classes dominantes e pelo sistema financeiro, nas quais se inserem think tanks como o Instituto Millenium e grandes veículos de comunicação, como a Rede Globo. “Eles formam pensamentos e produzem o senso comum alienado”, explicou. “Isso é o vírus do fascismo, que compra a opinião do povo para atacar a política e dissolve-la, abrindo fendas para a força normativa do capital sobre as massas populares”, explicou.
    Tarso Genro finalizou dizendo que diante deste cenário, a neutralidade acaba sendo “a manifestação dos covardes e ineptos”. Para ele, “não pode haver neutralidade contra o fascismo”. “A superação deste momento passa pela formação de uma frente política com direção política de hegemonia da esquerda para dar consequência a esse processo de lutas”.
    Para isso defendeu a necessidade de se trabalhar com três elementos concretos: a reforma política, a democratização dos meios de comunicação e a “desdinheirização” da política, porque “não é mais possível que a política tenha de passar por relações espúrias ou de mendicância” junto ao empresariado.
    Equívocos da esquerda
    A ex-deputada Ângela Albino iniciou sua apresentação homenageando o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, o Cau, cujo suicídio, destacou, foi “fruto do Estado de exceção que vivemos no Brasil”.
    Na sequência, a advogada elencou algumas das dificuldades da esquerda que precisam ser superadas para o enfrentamento do momento atual. Um deles é o não reconhecimento do real inimigo, o imperialismo.
    “Na hora em que o Brasil diz que é uma nação soberana, que passa a ter assento na ONU, que faz acordos que vão além dos acordos aos quais historicamente estivemos submetidos como quintal dos EUA, a partir deste momento, deveriam ter sido adotadas medidas que nos protegessem deste grande e real inimigo”.
    Outro ponto salientado por Ângela é que “a melhor política de direitos humanos é o desenvolvimento econômico”. “Em algum momento, tivemos a impressão de que as nossas lutas segmentadas (LGTB, negros, mulheres) eram maiores do que a luta de classes”, explicou.
    O terceiro equívoco destacado por Ângela foi a “incompreensão dos limites da correlação de forças”. “Esperamos que deste momento tão doloroso que estamos vivendo, possamos aprender que o inimigo não está entre nós; o inimigo não é aquele com o qual se disputa uma eleição num mesmo segmento; o inimigo está do outro lado. E precisamos construir, sobre bases concretas, essa correlação de forças mais favorável”.
    Por fim, o último equívoco apontado pela ex-deputada foi uma profunda ilusão de Estado e do republicanismo. Ela abordou as carreiras de estado neste processo atualmente vivido. Para exemplificar, lembrou o jejum prometido pelo procurador Daltan Dallagnol que busca pressionar o STF com relação à decisão de condenação em segunda instância. “É uma lástima que não tenham jejuado pelo fim do auxílio-moradia”, brincou.
    Ângela Albino também destacou que a grande votação de Marine Le Pen na França e a vitória de Donald Trump nos EUA acendem um alerta importante: “demonstram que tem muita gente que precisamos disputar no campo das ideias, incansavelmente, todos os dias”. Para ela, essas votações, bem como certas candidaturas de extrema-direita no Brasil, não têm como base apenas o discurso de ódio. “Elas falam da vida concreta, do cara que tem medo de sair com o celular e ser assaltado. Como disputar essas pessoas? ”, questionou.
    Para ela, o papel da esquerda é “ganhar essas pessoas adeptas desse discurso de ódio porque por trás disso há uma angústia profunda com a segurança e com a perspectiva de futuro”. E defendeu a necessidade de uma frente ampla para construir um novo projeto nacional de desenvolvimento. “Nossas divergências, se somos leninistas ou trotskistas, não têm importância agora porque estamos numa encruzilhada civilizatória no Brasil e temos de ter a responsabilidade de conduzi-la da melhor maneira”.
    Aprofundar a democracia
    A última palestra da noite foi feita pelo jornalista e ex-prefeito de Canoas, Jairo Jorge, que se focou no aprofundamento da gestão democrática no campo governamental. “Vivemos tempos de intolerância, ódio e violência. Tempos de desconstrução de um projeto nacional e de ações para solapar conquistas sociais e avanços democráticos”, disse.
    De acordo com Jorge, há uma crise de legitimidade entre o representante e o representado. “As pessoas não vêm nos eleitos práticas e propostas que estejam conectados com seus anseios e perspectivas e isso é um fenômeno mundial”, destacou.
    Segundo ele, o grande desafio, hoje, “é re-encantar os indivíduos com a política e a esfera pública; não podemos dar velhas respostas para novas perguntas”. Para o capital, explicou, “a democracia deixa de ser essencial” e “há um processo de desconstrução da política na cena mundial, em que os temas da corrupção e da ineficiência surgem como aríetes para derrubar governos progressistas e colocar em seu lugar a necessidade de soluções técnicas sem colorações ideológicas ou partidárias”.
    Neste sentido, disse que “a versão neoliberal do desencanto se manifesta de diversas formas; uma delas é a apologia dos governos técnicos, apresentando o político como responsável por todos os males, como algo antiquado, uma espécie de tumor que precisa ser extirpado”.
    Diante deste novo momento, destacou, “defendo que a melhor resposta da esquerda é estimular a cultura da participação popular, aprofundar a democracia fortalecendo as atuais e criando novas ferramentas de participação”. Para ele, é preciso “dessacralizar a autoridade e aproximar cada vez mais os cidadãos de nossos políticos” e a “vontade popular precisa estar no centro da administração”, um contraponto ao conceito de “choque de gestão” formulada pela direita neoliberal, na qual o cidadão é mero consumidor.
    “Hoje, infelizmente, há um processo crescente de criminalização da política, afastando as pessoas do engajamento cívico. Isso leva ao afastamento de inúmeros talentos da construção de um Estado compromissado com a justiça e a garantia de direitos, com a promoção da democracia e de um projeto de desenvolvimento a serviço do povo”. Neste sentido, também defendeu a convergência e a unidade do campo da esquerda para a superação dos atuais desafios.
     
    Um minuto de aplausos a Marielle Franco
    A abertura do evento teve a participação do deputado Altemir Tortelli(PT), representando a presidência da Alergs; Raul Carrion, da Fundação Maurício Grabois; Jorge Branco, da Fundação Perseu Abramo; Miguelina Vecchio, da Fundação Leonel Brizola/Alberto Pasqualini; Francisvaldo Mendes de Souza, da Fundação Lauro de Campos — que prestou homenagem à vereadora Marielle Franco e ao seu motorista, Anderson Gomes, assassinados no dia 14 de março no Rio de Janeiro; Vicente Selistre, da Fundação João Mangabeira; da ex-deputada e atual dirigente do Cebrapaz-RS, Jussara Cony; Miguel Frederico do Espírito Santo, do Instituto Histórico e Geográfico do RS; Benedito Tadeu Cesar, do Comitê Gaúcho em Defesa da Democracia e Mark Kuschick, da Sociedade de Economia do RS.
    O seminário segue no dia 09/04 com a mesa “Soberania nacional e integração internacional não-subordinada”, com as participações de Renato Rabelo (Presidente da FMG), do historiador Gilberto Maringoni (Fundação Lauro Campos e UFABC), do sociólogo Miguel Rossetto (ex-Ministro do Desenvolvimento Agrário) e da historiadora Analúcia Danilevicz (NERINT/UFRGS).