Eram sete horas da manhã quando cerca de 350 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra invadiram, nesta quarta feira, a Fazenda Esmeralda, no interior de São Paulo.
A fazenda formalmente pertence à empresa Argeplan, de João Baptista Lima Filho, o coronel Lima, ex-assessor e amigo do presidente Temer. Lima, assim como Temer, também é investigado no inquérito dos Portos
A fazenda foi citada nas delações do empresário Joesley Batista e do executivo Ricardo Saud, da JBS.
Os dois mencionaram o deputado federal Paulinho da Força, do Solidariedade, que teria dito a eles que a fazenda no interior de São Paulo em nome da Argeplan ou mesmo do Coronel Lima, na verdade pertence a Temer.
A defesa de Temer nega ter ligação com o imóvel.
Joesley Batista, que também prestou depoimento no inquérito dos Portos, em 15 de fevereiro, disse que “se recorda que Paulinho da Força comentou com ele que existe uma fazenda no Estado de São Paulo, em nome do coronel Lima ou de sua empresa Argeplan, mas que na verdade seria de Michel Temer; que inclusive Paulinho sempre expressava para o depoente, quando estava irritado com Michel Temer: uma hora nós vamos invadir aquela fazenda dele”.
É a terceira vez que o MST ocupa a propriedade.
De acordo com dirigentes a ocupação tem o objetivo de “denunciar a ilegitimidade” do governo Temer e de se posicionar contra a “agenda de retrocessos para a classe trabalhadora”. Eles reivindicam ainda a área e todas as áreas adquiridas por corrupção devem ser destinadas para Reforma Agrária.
A Polícia Militar afirmou que a ocupação foi pacífica e que monitora a situação. (com informações de O Estado de São Paulo)
Categoria: Geral
MST invade fazenda do coronel amigo de Temer, em São Paulo
Assembleia aprova criação do IPE Prev e novas normas para concessão de benefícios
O plenário da Assembleia Legislativa aprovou nesta terça-feira (6) dois dos quatro projetos do Governo Sartori que mudam regras no IPE. As matérias criam a estrutura do IPE Prev, órgão que será o gestor da previdência dos servidores estaduais, e estabelecem novas normas para concessão de benefícios.
Ao longo da discussão do terceiro projeto previsto para ser apreciado, o PLC 212/2017, que reorganiza o IPE Saúde, o líder do governo informou que o Executivo iria enviar emenda acolhendo sugestões à proposta e necessitava de tempo para a redação.
Criação do IPE Prev
O PLC 206 2017, aprovado com 32 votos favoráveis e 22 contrários, altera a estrutura do Instituto de Previdência do Estado do Rio Grande do Sul (Ipergs) e cria o IPE Prev, órgão que passa a ser o gestor único do regime de previdência dos servidores estaduais.
O novo órgão caracteriza-se pela autonomia administrativa, financeira, patrimonial e de gestão de recursos humanos e autonomia nas suas decisões.
Durante a discussão, os deputados da oposição ocuparam a tribuna com críticas à proposta. Enio Bacci (PDT) afirmou não concordar com reformas estruturais profundas no final do governo. “”Essas reformas devem ser feitas no início de governo, com mandato urgido pelos votos”. A deputada Miriam Marroni (PT) expressou preocupação com a manutenção do IPE como órgão público. “Mexer nesta estrutura açodadamente, sem debate, sem falar com os servidores é preocupante. Não temos segurança que o governo vá manter o IPE público”.
O deputado Juvir Costella (PMDB) defendeu a proposta, afirmando que a separação da prestação de serviços de saúde e previdência será benéfica para os segurados. O líder do governo, deputado Gabriel Souza (PMDB) apresentou emenda à proposta em plenário, informando ter sido construída em conjunto com órgãos públicos, servidores e bancadas da casa.
Regras para concessão de benefícios
O PLC 207 2017, aprovado com 32 votos favoráveis e 22 contrários, dispõe sobre o Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Rio Grande do Sul – RPPS/RS, que dá cobertura aos benefícios previdenciários da aposentadoria, da transferência para a inatividade, da pensão por morte e do auxílio-reclusão. A proposta faz a adequação da legislação estadual ao regramento geral da Previdência Social e incorpora medidas como o reconhecimento do cônjuge/companheiro para fins de pensionamento nos mesmos moldes da esposa/companheira e o reconhecimento da união estável homoafetiva, nos termos do decidido pelo Supremo Tribunal. Também estabelece a criação de fundo financeiro e a normatização dos planos de custeio e de benefícios.Marlon Santos pede prazo de 10 dias para MP se manifestar sobre delação de Diógenes Basegio
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Marlon Santos (PDT), reuniu a imprensa no início da tarde desta terça-feira (6) para relatar encontro com o procurador-geral de Justiça, Fabiano Dallazen, a respeito de notícia de delação premiada do ex-deputado Diógenes Basegio, cujo mandato foi cassado em 2015. Na conversa institucional com o MP, Marlon Santos obteve a confirmação de que a delação, que envolve quatro parlamentares, foi encaminhada para homologação. Ele pediu que em até dez dias a Assembleia receba manifestação formal sobre o assunto.
Ao lado dos deputados Nelsinho Metalúrgico, que é membro da Mesa Diretora, Pedro Pereira (PSDB) e Missionário Volnei (PR), o presidente da Assembleia explicou que a sua preocupação é evitar “danos para o coletivo” e a paralisação dos trabalhos legislativos diante de uma acusação que joga suspeição sobre todos os deputados. “Não podemos brincar com reputações”, salientou. Marlon Santos solicitou a Dallazen que o MP se responsabilize pelo sigilo da delação.
Conforme o presidente da Assembleia, o MP está envolvido com essa questão há mais de 60 dias. Inicialmente, cinco deputados foram apontados por Basegio pela prática de irregularidades, mas quatro permanecem no processo de delação. A acusação é de que também teriam praticado malfeitos em seus gabinetes, ações que resultaram na perda do mandato do agora delator. Os atos supostamente praticados pelos envolvidos são anteriores e até 2015, mas até o momento nenhum deles foi ouvido pelas autoridades judiciárias. Santos assegurou que os documentos relacionados com a rotina de gabinetes parlamentares estão preservados e com acesso restrito, a partir de agora.
Durante a visita ao MP, o presidente da Assembleia estava acompanhados dos deputados Edson Brum, que é membro da Mesa Diretora, e Gabriel Souza, ambos do PMDB.Mel branco dá o primeiro passo para obter o selo de origem
GERALDO HASSE
O radialista Gabriel Boeira, secretário da Associação de Apicultores dos Campos de Cima da Serra, classificou como “excelente” a reunião realizada na última segunda-feira à tarde em São Francisco de Paula para se obter o selo de indicação geográfica do mel branco produzido nos municípios de Bom Jesus, São José dos Ausentes, Cambará do Sul, Jaquirana e São Chico.
Os apicultores receberam dicas e instruções da veterinária Beatriz Kuchenbecker, do escritório do Ministério da Agricultura em Porto Alegre.
À reunião esteve presente o professor (de apicultura) Anselmo Kuhn, presidente da Federação Apícola do Rio Grande do Sul. “O processo de obtenção do selo leva de dois a três anos”, diz ele, lembrando que é fundamental criar uma infraestrutura ou, seja, uma “casa do mel” apta a conquistar o certificado de inspeção federal (CIF) concedido pelo MAPA. Depois disso, pode ser encaminhado o pedido de registro no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), cujo processo pode demorar pelo menos um ano.
Estima-se que uma casa do mel bem equipada custe cerca de R$ 300 mil reais, valor que pode ser obtido por empréstimo junto a bancos de fomento ou mediante contribuição voluntária de apicultores em ação conjunta com apoiadores públicos e/ou privados.
Mel branco / Tânia Meinerz / JÁ
O mel branco dos Campos de Cima da Serra é uma especialidade resultante das floradas de três árvores da região – carne-de-vaca, gramimunha e guaraperê – que dão néctar abundante no auge do verão. Este ano a safra (considerada boa) se prolongou até meados de fevereiro.
O assunto da indicação geográfica do mel branco será discutido em meados de 2018 no congresso estadual de apicultura em Panambi. Há muitos apicultores nativos dos Campos de Cima da Serra, mas os maiores produtores desse ecossistema são oriundos de outras regiões, especialmente de Santa Catarina, que sedia alguns dos maiores operadores da apicultura migratória.
No Rio Grande do Sul há uma dezena de variedades de mel. Além do branco, os mais comuns são os de eucalipto, de laranjeira e o silvestre, que poderia ser qualificado como “genérico”, já que resulta de uma composição do néctar de diversas plantas, como todos os méis, já que as abelhas visitam todas as flores que encontram em seus voos.
Nas últimas safras vem aumentando o volume do mel de uva-do-japão, tanto que alguns apiários já colocaram em circulação rótulos indicando o produto dessa árvore exótica invasora da mata atlântica. No litoral norte do RS produz-se o mel de quitoco, erva também chamada de arnica. Destaca-se ainda o chamado melato, resultante do processamento pelas abelhas da resina da bracatinga, árvore nativa do sul do Brasil. Por ser um mel escuro, o mel da bracatinga é pouco valorizado. No entanto, segundo Anselmo Kuhn, é de todos o mais rico em sais minerais.Entidades denunciam desmonte do ensino de arquitetura e urbanismo no RS
DENÚNCIA: DESQUALIFICAÇÃO DO ENSINO DA ARQUITETURA E URBANISMO COM APRESENTAÇÃO DE DOSSIÊ AO MINISTÉRIO PÚBLICO
Nesta quarta-feira (07/03), às 11 horas, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul (CAU/RS), e o Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB RS) apresentam à imprensa gaúcha uma denúncia da desqualificação do ensino de arquitetura e urbanismo no Rio Grande do Sul.
Na ocasião, serão mostrados dados, documentos e fatos que integram o dossiê apresentado ao Ministério Público Federal, como por exemplo a irregularidade de algumas Instituições de Ensino na exclusão de 350 horas da carga horária mínima exigida pelo Ministério da Educação (MEC), além da demissão de 1.216 professores do ensino superior em 2017, entre outras informações polêmicas do setor.
SERVIÇO
O que: Coletiva de Imprensa no Conselho de Arquitetura e Urbanismo do RS (CAU/RS)
Quando: Dia 07 de março / Quarta-feira
Horário: 11 horas
Onde: CAU/RS (Rua Dona Laura 320, 15º andar)
Assessoria de Imprensa: Sabrina Ortácio (51) 98196.7951/ Luciano Antunes (51) 98423.7406.
Três delegados trabalham para desvendar a farsa do ritual satânico
Três delegados estão reconstituindo as investigações para esclarecer como e porque foi armada a farsa que levou a polícia e a imprensa a acreditarem que as duas crianças esquartejadas em circunstâncias ainda não esclarecidas haviam sido sacrificadas num ritual satânico.
O delegado Marcos Meirelles, chefe da Corregedoria da Polícia onde corre o inquérito, disse ao JÁ que no prazo estabelecido, 16 de março, o trabalho estará concluído.
Por enquanto o que ele pode adiantar é que há um homem preso, suspeito de ter sido o mentor de toda a trama – induzindo as testemunhas a mentirem para a polícia.
A identidade do suspeito não foi revelada, assim como as motivações que o teriam levado a inventar a trama.
O envolvimento do delegado Moacir Fermino e outros policiais na montagem da farsa também está sendo investigado.
Fermino, um policial experiente, com 44 anos de atividade, foi quem encampou desde o início a tese duvidosa do ritual satânico, levado ao que tudo indica por suas convicções de “evangélico fervoroso”.
A partir dos testemunhos falsos, Fermino encontrou elementos para uma história completa, cheia de detalhes que chegou a apresentar à imprensa, dando o caso como elucidado, com o indiciamento de sete pessoas.
Quatro, inclusive o bruxo que teria feito o ritual, estiveram presas mais de 40 dias.
O delegado Fermino perdeu-se na coletiva que convocou para apresentar à imprensa o caso resolvido. Quando teve que explicar como havia chegado às três testemunhas, invocou a intervenção divina, dizendo que eram “profetas” que Deus havia enviado para que ele elucidasse o monstruoso crime.
A fantasia comprada pela internet chegou depois do crime / Divulgação PC / JÁ
Uma prova da manipulação é uma foto de uma capa preta com a cabeça de um lobo, que teria sido usada para “assustar as vítimas”.
A cabeça do lobo é uma máscara comprada pela internet por um filho do “bruxo”, para uma festa à fantasia, chegou ao Brasil muito depois dos corpos terem sido encontrados.
A montagem da foto reforça a versão fantasiosa do delegado, de que a indumentária foi usada no ritual em que as crianças foram sacrificadas.Proibição a manifestos no "Prefeitura nos Bairros" é mantida pela justiça
O Prefeito Nelson Marchezan Júnior poderá participar da primeira edição do Prefeitura no Bairros de 2018, que ocorrerá neste final de semana, dia 03, no bairro Belém Novo em Porto Alegre, sem o risco de ser vaiado.
A 20ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) que pedia a revisão da decisão de primeiro grau, em caráter liminar, que impede o Sindicato de realizar manifestações durante a realização do projeto.
Segundo a decisão unânime, do dia 31 de janeiro deste ano, “as manifestações de cunho político do Sindicato agravante revelam-se prejudiciais à realização do evento ‘Prefeitura nos Bairros’, voltado ao fornecimento de serviços diversos à população carente”.
O projeto Prefeitura nos Bairros foi instituído pelo Decreto Municipal nº 19.826/2017 e equipara os espaços de realização do evento a repartições públicas.
Um dos coordenadores do SImpa, Alberto Terres, lamentou a decisão do Tribunal de Justiça: “É uma decisão arbitrária, fere o direito de se manifestar”. Terres ainda classificou as ações realizadas no programa como “extremamente superficiais”. Ainda ressaltou que enquanto o governo “oferece corte de unha” no Prefeitura dos Bairros, unidades de Saúde e de assistência social seguem sucateadas.
“Queremos políticas públicas permanentes e não eleitoreiras” finaliza o sindicalista.
Segundo a Prefeitura, a 11ª edição do Prefeitura nos Bairros receberá mais de 35 atividades, incluindo programação cultural, esportiva e de serviços. O evento ocorre entre 10h e 16h, na Praça Inácio Antônio da Silva. No caso de chuva, as atividades serão realizadas na Escola Estadual de Ensino Fundamental Evarista Flores da Cunha (em frente a praça).
Veja abaixo a programação completa das atividades/serviços
Serviços
2ª Via da certidão de nascimento, casamento e óbito.
Informações gerais sobre direitos da Pessoa com Deficiência
Atividades Lúdicas
Divulgação dos serviços prestados pelo Sine Municipal
Torneio de Futsal
Atividades do Programa Brincalhão
Divulgação de ações/atividades das Unidades recreativas
Ofertas de Vagas Pronatec
Avaliações físicas e dicas de alimentação
Estação DMLU
Consulta de Enfermagem – 1 consultório
Consulta Médica – 1 consultório
Farmácia Avançada
Acolhimento
Cartão SUS
Práticas Integrativas em Saúde
Tenda da Saúde
Tenda da Saúde Bucal
Tenda da Saúde Avaliações e Orientações para Escolares – Programa Saúde na Escola (PSE)
Ônibus do Fique Sabendo
Espaço de Doações de Livros
Espaço de Criação
Espaço de Pinturas Faciais
Escolinha Bike
Entrega de Livros
Ônibus Palco
Posto Comercial Dmae
Espaço de Educação Ambiental
Ônibus- Coordenação de Direito animal
Educação ambientalNúcleo do Conselho Municipal de Saúde toma posse no meio da rua
O novo Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre tomou posse no meio da rua, no início da noite de quinta-feira (1/3), porque o secretário municipal de Saúde, Erno Harzheim, proibiu o acesso ao auditório do prédio da Secretaria, normalmente usado para as reuniões do CMS.
Horas antes, Harzheim emitiu circular tentando proibir a posse dos novos conselheiros eleitos no dia 22 de fevereiro e o uso do espaço público. No dia da eleição, por meio de portaria publicada no Diário Oficial de Porto Alegre, ele tentara anular o edital de convocação para a eleição.“Na história de 25 anos do nosso conselho, nunca tínhamos vivenciado uma situação como esta”, lembrou Maria Letícia de Oliveira Garcia, empossada titular do Núcleo de Coordenação do CMS. “É fundamental ressaltar a importância da democracia e do controle social para a saúde pública. O SUS só existe na democracia”, disse.
Maria Angélica Mello Machado, coordenadora adjunta, destacou que o processo eleitoral, injustamente questionado pelo secretário, “foi feito às claras, em plenária, e devidamente registrado. A plenária é soberana, houve eleição e a nossa chapa ganhou. Muito me entristece saber que agora talvez eu não possa exercer o meu papel de cidadã”. Ela questionou: “Por que a relação tem de ser de cima para baixo e não em conjunto? Por que não se usa a democracia? Por que tentar controlar espaços como este que servem para que as coisas deem certo?”.
João Miguel da Silva Lima, coordenador adjunto e representante dos usuários, destacou: “damos total apoio aos conselheiros que nos ajudam a melhorar o SUS. Somos da periferia, somos usuários e queremos que a saúde melhore logo para todos nós”.
O Sindicato dos Municipários de Porto Alegre (Simpa) emitiu nota em repúdio à atitude do secretário. “Ao tomar tais medidas, a SMS está descumprindo com um dos preceitos fundamentais do SUS e dos Conselhos de Saúde: permitir o controle social das ações do Executivo, a fim de garantir o bom uso dos recursos e estrutura pública em favor da população”, destaca a nota do Simpa
“É uma vergonha essa posse acontecer pela primeira vez fora do prédio, o que mostra que é mais um ataque do governo Marchezan à cidadania e à democracia”, salientou o secretário de Comunicação da CUT-RS, Ademir Wiederkehr.
Núcleo de Coordenação do Conselho Municipal de Saúde de Porto Alegre:
Maria Letícia de Oliveira Garcia – coordenadora
Gilmar Campos – vice-coordenador
Ana Paula de Lima – coordenadora-adjunta
Maria Angélica Mello Machado – coordenadora-adjunta
Rosa Helena Cavalheiro Mendes – coordenadora-adjunta
João Miguel da Silva Lima – coordenador-adjunto
Luis Antônio Matias – coordenador-adjunto
Erno Harzheim – membro-nato(Com informações da CUTRS e do Simpa)
Polícia rastreia chamadas telefônicas em busca de pista sobre crianças esquartejadas
ELMAR BONES
Na manhã desta quinta, 1 de março, o delegado Rogério Baggio autorizou mais uma diligência em escolas da região do Vale dos Sinos, para averiguar denúncia anônima sobre crianças desaparecidas.
É a centésima denúncia desse tipo que ele manda investigar nos últimos seis meses.
“Até agora deu em nada, mas não posso descartar qualquer pista”, diz o delegado de 39 anos. Há dez anos como delegado, Baggio está diante não só do maior desafio de sua carreira, mas de um dos casos mais intrigantes da história policial do Estado.
Policiais encontraram os corpos esquartejados no meio do lixo à beira da estrada / Divulgação PC / JÁ
É um crime hediondo que parece perfeito: duas crianças esquartejadas, sem cabeça, dentro de caixas de papelão, no meio do lixo à beira de uma estrada deserta. Nem imagens de câmeras, nem testemunhas, nem registro de crianças desaparecidas, nem impressões digitais, nem as cabeças, apesar das buscas e escavações.
Há seis meses a polícia tateia em busca de pistas que possam levar ao assassino ou assassinos.
Os testemunhos que apareceram levaram as investigações a uma farsa: as crianças teriam sido sacrificadas num Ritual Satânico.
Sete pessoas tiveram a prisão decretada, quatro foram parar no presídio, inclusive o “bruxo” que teria feito o ritual. Era uma armação até agora não esclarecida.
O delegado Baggio está no caso desde o início. Trabalhou com a hipótese de tráfico de órgãos (descartada porque a caixa toráxica dos dois corpos estava íntegra), guerra entre facções do tráfico, ritual de sacrifício, vingança, nem caso passional foi descartado.
O delegado reconhece que até 10 de dezembro, quando saiu de férias, nenhum desses caminhos havia levado a nada.
Quando ele retornou, no dia 10 de janeiro a versão do ritual satânico estava consagrada, com grande estardalhaço na imprensa.
O delegado Moacir Fermino, que o substituiu, botou fé em duas testemunhas que se apresentaram, direcionou as investigações para a hipótese de ritual satânico e chegou a construir uma história completa que aparentemente fazia sentido.
“Os testemunhos eram muito detalhados e as diligências policiais encontraram comprovação do que eles diziam em muitos pontos. Tudo fechava, tinha muitos elementos verdadeiros”.
A primeira testemunha, um pedreiro que trabalhou numa obra num sítio onde havia um templo em que se realizavam rituais. Um dia esqueceu a carteira e o casaco no local e quando voltou à noitinha para buscar viu uma cena que lhe pareceu um ritual: sete pessoas em círculo, duas crianças no centro, que pareciam sedadas.
Os policiais foram ao local indicado, chamado Morungava, e se espantaram com o que encontraram. “Era macabro”, diz o delegado Baggio.
O portão com o pentagrama / Divulgação/JÁ
Começava no portão preto de metal, ornado por um pentagrama, antigo simbolo associado à magia em diversas culturas.
A casa de alvenaria, por fora era comum, a não ser pela pintura cor de laranja. Na sala, porém, descortinava-se um altar sobre o qual dominava uma estátua de Lúcifer e por todo lado símbolos de magia negra, inclusive uma bacia com crânios (que depois se veria, eram de silicone) mergulhados num líquido vermelho (não era sangue, como os jornais chegaram a relatar).
O dono do lugar era Silvio Rodrigues, que tem na internet um site “Templo Iniciático de Lúcifer” e se apresenta como bruxo e mestre em rituais de alta magia negra: pactos para riqueza, abertura de caminhos, amarração amorosa entre outros.
Para complicar, no celular de Rodrigues a polícia encontrou uma postagem da notícia sobre o achado dos corpos no dia 4 de setembro. Quem compartilhou a notícia foi Jair da Silva, um dos suspeitos de terem encomendado o ritual. Fechava.
Delegado Fermino foi afastado do caso / Divulgação / JÁ
Nas mãos do delegado Moacir Fermino o caso adquiriu dimensões mediúnicas. Policial experiente, com 44 anos de investigações, Fermino é considerado pelos colegas um “evangélico fervoroso” que se deixou levar por preconceitos religiosos.
Na versão que se montou, Silva e um sócio, Paulo Ademir Norbert, ambos qualificados como “empresários” nas noticias dos jornais, teriam pago 25 mil reais a Rodrigues para um ritual, buscando prosperidade nos negócios.
O bruxo teria exigido sacrifício humano, duas crianças do mesmo sangue. Sete dias de preparação, sete participantes, tudo foi adquirindo um tom cabalístico.
A segunda testemunha que se apresentou, “um trabalhador que passava”, disse ter visto as caixas onde foram encontrados os corpos sendo descarregados de uma caminhonete vermelha.
Nada menos que uma caminhonete vermelha foi encontrada com um dos suspeitos.
Esse depoimento pareceu ainda mais convincente quando a polícia levou a testemunha à estrada onde foram encontrados os corpos e ele apontou o local exato onde viu a caminhoneta e o descarte das caixas: “É uma estrada extensa, tomada de lixo nas margens, um matagal, e ele foi no ponto certo”.
Ao reassumir o caso, o delegado Baggio percebeu que faltava um elo consistente que ligasse os seis suspeitos ao bruxo Rodrigues. Mandou refazer investigações e não encontrou elementos convincentes. Nesse momento se apresenta uma terceira testemunha.
O delegado desconfia e passa, então, a investigar as testemunhas. Um dossiê de cada testemunha deu base a um novo interrogatório e aí apareceram contradições que desmontaram a farsa.
Uma das testemunhas disse que lembrava a data, 4 de setembro, em que viu as caixas com os corpos serem descartadas, porque era aniversário de seu filho que morava em outra cidade e viera comemorar com ele.
A polícia checou as informações, ele realmente tinha um filho que mora em outra cidade e faz aniversário dia 4 de setembro. Mas há dois anos ele não via o filho.
A testemunha disse também que viu as caixas com os corpos sendo largadas na estrada quando passava a caminho do trabalho. Na checagem a polícia descobriu que na época ele trabalhava no outro lado da cidade.
Essa terceira testemunha contou uma história tão detalhada que o delegado achou que estava mentindo. Quando foi checar descobriu que essa “testemunha-chave” era filho do homem que as outras duas testemunhas já haviam apontado como o mentor da farsa. Ele teria prometido dinheiro e benefícios do Programa de Proteção à Testemunha e forjado a história toda.
Este homem está preso e sua identidade não é revelada. O inquérito que corre na Corregedoria da Polícia tem até o dia 16 para esclarecer o que aconteceu nesse episódio do Ritual Satânico.
Enquanto isso o caso das crianças esquartejadas continua um mistério.
A delegacia de homicídios de Novo Hamburgo destacou desde o início dois de seus 12 investigadores para cuidar exclusivamente desse caso.
Um dos investigadores nesse momento está dedicado a rastrear os telefonemas registrados na região nos três dias anteriores ao crime.
Com autorização da Justiça, a polícia está checando todas as chamadas telefônicas registradas em três estações de rádio-base de Novo Hamburgo, nos dias anteriores ao crime. Só uma delas registra 20 mil ligações nesses três dias.
“É um trabalho de formiguinha”, diz o delegado.Prefeitura sugere passagem a R$ 4,50 e pressiona câmara para restringir isenções
A Prefeitura de Porto Alegre já encaminhou ao Conselho Municipal de Transportes Urbanos (Comtu) o parecer do cálculo da tarifa técnica dos ônibus de Porto Alegre com o valor sugerido de R$ 4,50. Um aumento de 11% no atual valor, de R$ 4,05, muito acima da inflação oficial, de 2,95%.
Mas, além de enviar a planilha com os cálculos previstos em lei, como normalmente é feito, o Executivo propôs ainda que o Conselho delibere sobre medidas que poderão reduzir o valor da passagem.
Na prática, a gestão do prefeito Nelson Marchezan Júnior quer acelerar na Câmara de Vereadores a votação de projetos encaminhados em meados de 2017, e que, impopulares, estão parados no Legislativo municipal. Esses projetos mexem com gratuidades e isenções. Para a Prefeitura, a apuração dos números demonstra que a tarifa da Capital pode ser reduzida para uma faixa entre R$ 4 e R$ 4,25, caso todos os projetos sejam aprovados.
A Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) e a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Mobilidade Urbana (SMIM) enviaram também para aprovação do Comtu cálculos referentes ao retorno da cobrança de 50% na segunda viagem que, caso realmente volte a ser cobrada e com o cálculo aprovado, baixam o valor da tarifa original calculada para R$ 4,30.
O Conselho tem até o dia 9 para analisar os documentos e decidir o que será enviado para sanção do prefeito.
No começo do mês, o Sindicato das Empresas de Ônibus de Porto Alegre (Seopa) solicitou que a tarifa de ônibus passasse para R$ 4,54 – alegando o aumento do preço do combustível e a redução do número de usuários.
E a redução do número de passageiros é colocado pela EPTC como o principal causa para o aumento da passagem acima da inflação. Segundo o órgão, a redução atingiu 11% no volume de passageiros em 2017.
Ainda no documento enviado ao Comtu, a prefeitura pede posicionamento com relação a outras possíveis medidas para atrair novos usuários – que as empresas possam conceder desconto tarifário, sem ônus à tarifa, em horários diferenciados, por exemplo, entre as 22h e 05h; e que possam oferecer desconto tarifário para usuários do cartão TRI PA (Passe Antecipado), no intuito de reduzir-se o pagamento em dinheiro, que atualmente representa 31% dos usuários pagantes.O impacto de cada medida proposta, segundo a EPTC:
Segunda passagem
Redução de R$ 0,22Estabelece novas regras, mantendo a isenção para estudantes e reduzindo para 50% o valor para quem usa o passe antecipado e vale-transporte. A proposta também limitou o uso a três integrações diárias, em até 30 minutos após desembarque, para conter o valor da tarifa.
Idosos
Redução de R$ 0,03 (aplicação gradual) / R$ 0,13 (aplicação imediata do benefício)Extinção da isenção para pessoas entre 60 e 64 anos de maneira gradual. Para maiores de 65 anos, conforme legislação federal, o benefício segue igual.
Passagem Escolar
Redução de R$ 0,11
Passagem escolar de 50% será mantida aos que recebem menos (renda familiar até três salários mínimos nacionais). Haverá também um limite na quantidade de utilizações por mês (50 passes).
Cobradores
Redução R$ 0,05
O projeto desobriga a reposição do cobradores nos casos de: pedidos de demissão, despedida por justa causa, aposentadoria, falecimento. Além disso, será possível não ter cobradores nas viagens entre 22h e 4h, domingos, feriados e dias de passe livre.





