GERALDO HASSE/ O grande intervalo

Ninguém estava preparado para parar por um período tão longo

O vírus de Wuhan paralisou o mundo dito civilizado, colocando-nos num intervalo que se vai prolongando numa espiral sem fim.

Para nós brasileiros a quarentena começou em meados de março e já se vislumbra que o recesso de atividades escolares, comerciais, industriais e de serviços se estenderá até o inicio de setembro.

Muita gente não se conforma e sai pra rua disposta a trabalhar, segurar o emprego e ganhar a vida, mas a maioria não tem dinheiro para o consumo, de modo que as coisas tendem a ficar nesse vai-não vai, pesando nas costas de quem já vivia com o mínimo ou menos do que isso.

Estamos numa viagem sem prazo de término definido. Os otimistas torcem por um remédio, nem que seja uma panacéia temporária, mas sabem que a solução é uma vacina que pode surgir, na melhor das hipóteses, no primeiro semestre de 2021.

Enquanto isso, não é razoável pensar que se deve retomar todas as atividades, recolocando nos trilhos, a todo vapor, o trem da Economia. Pelo menos por um tempo, a Economia não é a prioridade. Além disso, a retomada haverá de ser lenta.

A crise mundial desencadeada pela pandemia evidenciou a importância da Saúde como item central da vida humana, desde que se ponha ao seu lado a Educação como fonte dos conhecimentos necessários para equacionar problemas sanitários da gravidade de uma virose como essa que aí está.

Dentro do conceito amplo de Saúde se alinham inevitavelmente a Higiene e o Saneamento; e faz parte da Educação, no mínimo, a Ciência, na qual se encaixa, ainda e sempre, a Ecologia. O resto é complementar.

Ganhar dinheiro, comprar coisas, construir patrimônio – tudo isso virou secundário. Estamos em processo de adaptação sem saber exatamente o que virá depois do grande intervalo forçado a que estamos submetidos.

O custo do intervalo é incomensurável e só pode ser sanado por uma aliança entre recursos públicos e privados, tudo isso com alcance internacional. Comprar briga com outros países, nesse momento, é dar tiros nos pés.

Sem Saúde não adianta forcejar. E, basicamente ainda, precisamos de Educação/Ciência para penetrar no labirinto e desvendar os mistérios que a Natureza nos apresenta. E que não nos falte Segurança para chegar são e salvos ao outro lado do rio.

LEMBRETE DE OCASIÃO

“Do dito ao feito hai muito eito”

Fructuoso Rivera (1785-1854), primeiro presidente do Uruguai

 

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