Reviravolta no Alvorada?

PINHEIRODO VALE
Há uma fração do grupo palaciano do Palácio da Alvorada se articulando para levar à presidente afastada Dilma Rousseff uma proposta ousada que, acreditam, poderia provocar uma reviravolta no placar de votos favoráveis no plenário do Senado Federal.
A ideia desses assessores é de a presidente dizer ou vazar que voltando ao governo materia a atual equipe econômica, ou pela menos a parte não tucana do grupo liderado pelo banqueiro Henrique Meirelles.
Próceres do governo deposto dizem que essa seria uma manobra estapafúrdia, sem a menor possibilidade de Dilma aceitar, pois teria o repúdio da esquerda e provocaria estranheza descabida.
Os formuladores dessa estratégia, no entanto, dizem que isto poderia vingar, se conseguir apoio de segmentos mais conservadores da antiga base aliada, pois sinalizaria, também, que a presidente afastada estaria, ainda, tomando distância dos grupos envolvidos nos processos da Lava Jato.
Meirelles, como se recorda, era o sonho de consumo do ex-presidente Lula para compor um governo de notáveis, antes do impeachment se configurar.
Nessa formação, Dilma poderia propor o tal governo de salvação nacional. Em complementação, ela apoiaria a candidatura de Meirelles à sua sucessão. Este posicionamento poderia atrair a adesão de grande parte das forças econômicas que estão paralisadas esperando uma solução da crise política para dar um empurrão na economia e nos negócios.
Em contrapartida, Dilma se comprometeria a apoiar as reformas propostas por Meirelles.
Neste particular, os donos da ideia não descartam que Dilma chegue até o ponto de sugerir que ela daria sinal verde às alterações drásticas no sistema previdenciário, que é um ponto fundamental do discurso de Meirelles.
Com o apoio de Dilma, parte da esquerda poderia votar no Congresso com o novo governo e a atual situação. Neste caso, nem mesmo o PSDB teria como se negar a dar seu voto a dispositivos polêmicos e considerados inaceitáveis pela esquerda como uma nova faixa etária para as aposentadorias.
Esta fórmula se apoia no estrago previsível do Lava Jato que deve atingir segmentos expressivos e poderosos do PMDB e de outros partidos, ameaçando inclusive o próprio presidente interino Michel Temer, que seria chamado a se explicar sobre financiamentos de campanha para o partido de que foi o presidente efetivo até poucos dias.
Esses analistas acreditam que se o próprio presidente interino se encontrar numa situação insustentável, a melhor opção para o sistema será uma solução de compromissos com a presidente afastada.
Isto teria de acontecer agora, antes do impeachment, pois se Temer cair depois de 31 de dezembro terá de haver uma eleição indireta. Neste caso, a confusão irá muito além da escolha de um candidato. Não há uma regulamentação em Lei para a eleição indireta.
O único diploma disponível é a 4.321 de 1964, publicada no diário Oficial de 8 de abril aquele ano, que serviu para eleger o ditador marechal Humberto Castello Branco.

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