Temer por um fio

Pinheiro do Vale
O mandato de Michel Temer está por um fio. Delatado e prestes a ser indiciado por crime eleitoral, este delito está fora da margem de imunidade,  que o exime de qualquer responsabilidade por falcatruas anteriores à sua posse.
Portanto, se a eleição foi fraudada, este mandato não vale mais e assim, já ex-presidente, ele voltará para a primeira instância da Justiça Federal, porque seu governo, além de obtido num golpe parlamentar, será invalidado pela ilegalidade do pleito.
Isto é muito sério e já acende a luz vermelha no Palácio do Planalto.
Mentes mais crédulas admitem que esse processo não chegará a tempo de tirá-lo da residência oficial do Jaburu. Afinal, o governo acaba no ano que vem. O processo será lento e cheio de idas e vindas.
Mas só o fato em si já dá arranque no motor da política. Por isto, o croupiê já está com a mão na roleta eleitoral. Cada qual botando suas fichas. E aí aparece um quadro de apostadores que não estavam no pano verde.
Na primeira vaza, a nova aposta dos tucanos, o prefeito de São Paulo João Doria Jr. O trio de ouro do partido está fora do jogo: Aécio Neves e José Serra caem ainda neste primeiro semestre, fulminados pelo Caixa 2 da Operação Lava Jato.
O terceiro nome, o governador Geraldo Alkmin, também está em fase de descarte, por falta de apelo eleitoral.  Nas pesquisas seu nome não se mexe, nem para baixo, nem para cima. O número estável é seu recall está vitaminado por São Paulo, em torno de 8% no âmbito nacional .
Nos demais estados cai para traço, ou seja, perto de zero. Será candidato a senador.
A aposta em João Doria revela o desespero do golpismo tucano. O almofadinha paulista é um estreante político, com alcance apenas municipal. Assim mesmo, eles já estão pensando em botá-lo no páreo quando não terá cumprido sequer metade de sua prefeitura. Perigo.
Os argumentos a seu favor são pífios: O mais ousado diz que Doria não tem rejeição. Isto é óbvio, pois é um homem não testado. Quando começarem a aparecer as mazelas da cidade ele vai naufragar, como todos os demais prefeitos da Pauliceia Desvairada..
O segundo argumento é que seu nome foi reconhecido por 61 por cento dos entrevistados. É muito pouco, mesmo considerando que a Rede Globo fala dele todos os dias em rede nacional.
Há muitos outros “poréns”. O mais óbvio será quando trair sua própria eleição, abandonando o posto em nome de uma ambição desmedida. Isto nunca deu certo.
Os demais candidatos da direita são irrelevantes. Mesmo o estapafúrdio capitão Jair Bolsonaro, que vem repontando nas pesquisas estimuladas. Espera-se que ele não cresça, embora seja um perigo real. Aí está Collor para mostrar como não se deve errar.
Intelectuais e analistas vêm chamando atenção dos partidos de esquerda para a tática de enfrentamento com o cometa a direita. A tática de tentar descontruir e desqualificar foi aplicada em Collor, que era apenas um histrião moralista, mas foi subindo nos degraus da anti-propaganda.
As pessoas mais lúcidas estão dizendo que devem combater Bolsonaro com ideias e propostas, impedindo assim que seu discurso populista ganhe força, como foi no caso do alagoano.
Ele não tem base política. Na eleição para presidente da Câmara teve apenas quatro votos, o dele, do filho e de dois policiais militares deputados. Deixá-lo crescer seria muita incompetência de seus adversários.
Collor cavalgou o naufrágio das candidaturas dos políticos tradicionais: Covas, Ulysses, Aureliano, Maluf, Afif Domingos.
Brizola e Lula chegaram divididos, mas a reação se uniu em torno do galã de Maceió. Deu no que deu. O erro foi atacar Collor pelo lado errado.
Há as duas opções à esquerda: Ciro Gomes que sonha ocupar a vaga de Lula, quando o líder petista for e declarado inelegível. Sonho de uma noite de verão. Lula somente será barrado em caso de condenação em segunda instância, o que é impossível pois será no máximo processado, mas não julgado no tribunal básico. Não há provas contra ele, só denúncias de dedos-duros.
A outra seria da ecologista Marina. Seu desempenho na última eleição demonstra que é um cavalo paraguaio, de tiro curto.
Quando a Lula, sua posição melhora todos os dias. Além de ter um recall extraordinário, na faixa dos 30 a 35%, sua rejeição, produzida pela propaganda massacrante, cai assim mesmo. Esteve com 71% negativos e na última pesquisa reduziu para 60 por cento. Botando uma campanha rua o líder paulista pode descer a níveis aceitáveis de 40 por cento. Isto seria normal num primeiro turno.
 
 

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