Tensão entre policiais e governo

O adiamento das negociações indica um confronto inevitável.
A indefinição do governo em estabelecer um escalonamento que direcione para uma grade de salários dignos para as organizações policiais poderá gerar um confronto nunca antes ocorrido no Estado, nesta área, que poderá levar uma greve real da Polícia Civil e a uma paralisação branca da Brigada Militar. Por lei, os brigadianos não têm direito à greve, mas nada impede que eles adotem a chamada “operação padrão” que corresponde a agir, ri-gorosamente, somente após o fatos consumados.
Os policiais apresentaram ao governo um projeto salarial tendo como pa-râmetro o Distrito Federal – e não São Paulo, como citei ontem. Isso, no entanto, não se constitui numa posição de intransigência e, sim, numa base para negociação. Se o governo continuar de ouvidos moucos, o leite, inevi-tavelmente, vai derrarmar. E a sociedade, que há decadas é penalizada pe-los equívocos praticados na política da segurança pública, assustada com o avanço da violência e da criminalidade, terá suportar a continuidade das organizações policiais desassistidas em luta contra a bandidagem e enfren-tando a sua própria deterioração.
Presídio
O governo do Estado entregou, ontem, a nova penitenciária regional de Caxias do Sul. Orçada em R$ 15 milhões, a obra é uma ação do Programa Estruturante Cidadão Seguro. Situada na localidade de Apanhador-Rincão das Flores, o presídio regional tem capacidade para 432 apenados, em re-gime fechado. O secretário estadual da Segurança, Edson de Oliveira Gou-larte, representou a governadora Yeda Crusius na solenidade. Também es-teve presente, além de autoridades locais, o novo titular da Susepe, Paulo Roberto Zietlow.
Descuidistas
A Polícia Civil investiga a ação de ladrões que se valem de uma tática muito antiga, o “descuido”, que está sendo agora aplicada em bares e res-taurantes. Os criminosos agem quando as vítimas saem de suas mesas para irem ao banheiro ou se servirem nos bifês, deixando celulares, carteiras e até as chaves de seus carros imaginando que estão em lugar seguro.
Jogatina
No bairro Restinga, Zona Sul da capital, 75 máquinas caça níqueis foram apreendidas em operação realizada pela Polícia Civil sob a coordenação do delegado Eduardo Rargs. Os equipamentos estavam em bares e em outros estabelecimentos comerciais da região.
Tráfico
Na manhã de ontem, 28 pessoas foram presas pela Polícia Federal na O-peração Vanguarda, que combate o tráfico de drogas, o contrabando e o descaminho em pelo menos 13 municípios do Estado. Entre as prisões, cinco foram realizadas em Porto Alegre e 23 em Santo Ângelo. Foram a-preendidos carros roubados e clonados, além de cargas de pneus contra-bandeados, moedas estrangeiras, que seriam um indício de lavagem de di-nheiro, notas de real falsas, armas e munição. De acordo com o delegado Santos Juliano Zorzan, a investigação foi iniciada em janeiro deste ano. e mobiliza 184 policiais federais, entre delegados, agentes e escrivães. Eles são apoiados por 45 policiais civis, 60 PMs e 12 servidores da Receita Fe-deral.
Em Canoas, agentes da 3ª DP seguiram e prenderam uma mulher de 38 anos que distribuia um kit completo de drogas (crack e cocaina) em sistema de telentrega. Ela foi presa quando fazia uma entrega para um cliente, le-vando, para disfarce, seus três filhos menores.
Agentes do Denarc prenderam um homem de 36 anos de idade por tráfico de drogas e porte ilegal de arma. A prisão ocorreu na Travessa Dílio An-dreoti, bairro Vaqui, em Sapucaia do Sul. Foram apreendidas 64 gramas de haxixe, 78 gramas de cocaína, 6 kg de maconha, 91 gramas de crack, um revólver calibre 38 municiado, duas balanças digitais. Segundo o delegado Daniel Ordahi, vinham ocorrendo há 15 dias.
Em ação conjunta com a 1ª DP de Santa Rosa, policiais do Serviço de In-formação Policial e Análise Criminal da 13ª DP Regional de Polícia detive-ram em flagrante um adolescente de 17 anos de idade, transportando quase 10 Kg de maconha. O jovem pilotava uma motocicleta e pretendia entregar a droga em Santo Ângelo.
Barraca
A Brigada Militar voltou a montar uma barraca na Vila Maria da Concei-ção devido à tensão provocada na área com as prisões ali realizadas no combate ao tráfico de entorpecentes. A barraca funciona como um posto policial. Trata-se de um estratégia nova do comandante-geral da Brigada, coronel Paulo Roberto Mendes, que sempre defendeu patrulhamento móvel e nunca postos fixos.
Alerta
Apenas na Grande Porto Alegre, a média é de duas pessoas assassinadas por dia em 2008.

Deixe uma resposta