Uma bandeira no bairro Bom Jesus

Nada contra as bandeiras, desde que elas estivessem hasteadas em todo o estado.
A beleza e a feiúra, a tragédia e a comicidade, a perfeição e o aleijume, o real e o virtual, o olor e o fedor, a corrupção e a honestidade, a justiça e a injustiça, a mentira e a verdade são concepções, entre outras, que nos levam à incerteza que é a exata certeza de todos os tempos: o homem (como gêne-ro) é um animal perfeito por ter todos os instintos dos animais imperfeitos.
Há uma certa inconformidade por quem passa por uma vizinha belíssima, inteligente e culta, que ama um pedreiro rude, de mãos calosas e suadas, sem saber que ele concretiza as obras de engenheiros e arquitetos, diplo-mados e de mãos lisas e perfumadas.
Todos têm o seu valor, mas a inter-pretação disso sempre será contraditória e nenhuma poderá alcançar o que os pedreiros livres chamam de justo e perfeito. No fundo, bem no fundo, todos desejam que o príncipe seja belo e que case com uma divinal prince-sa. E o que tem isso a ver com a aridez dos temas que desenvolvo aqui, do alto da minha torre? Sigam-me.
Dúvida
A Brigada Militar montou uma barraca no bairro Bom Jesus e lá hasteou a gloriosa bandeira do Rio Grande o que, virtualmente, passa a significar a vitória da policia ostensiva contra os traficantes de drogas que ali se estabe-leceram. A Brigada faz o papel de príncipe e a comunidade do bairro Bom Jesus é a princesa. E viverão felizes para todo o sempre? É claro que não, pois a Brigada não poderá sustentar este casamento. No entanto, por algum tempo, haverá, ali, no mínimo, a dúvida sobre a intensidade de poder do olor (da Brigada) e o do fedor (dos traficantes).
Pulverização
O projeto do governo (entendo como governo os três poderes e de lambu-ja o Ministério Público) na área de inteligência e operacional da segurança pública deveria dar condições para a SSP-RS (Secretaria da Segurança Pú-blica) de colocar não apenas uma barraca enbandeirada no bairro Bom Je-sus, mas, sim, pulverizar todo estado com um complexo de segurança que fugisse da filosofia do príncipe encantado que estará, sempre, entre o olor e o fedor.
Fuga
Três presos fugiram da delegacia de pronto atendimento de Gravataí. A fuga foi constatada na manhã de ontem. O trio havia sido detido em Cacho-eirinha entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. Dois foram presos em flagrante por roubo a pedestre e o outro estava foragido. Não pode haver espanto nesta fuga, pois, no RS as delegacias não têm nenhuma estrutura para manter vigilância sobre pessoas detidas.
Baleado
Um homem foi encontrado baleado dentro de uma casa de veraneio, na rua Espanha, em Capão da Canoa. Segundo a polícia, Pedro Cristiano Pires, de Almeida, invadiu a casa depois de ter sido ferido na barriga.
Prisões
Agentes da Polícia Civil prenderam dois homens acusados de envolvi-mento na tentativa de assalto à agência do Banrisul da rua José do Patrocí-nio, no bairro Cidade Baixa. Noé dos Santos Dias, de 41 anos, foi captura-do ontem e Paulo Dalbosco da Silva, de 20 anos, está preso desde terça fei-ra.
Detran
Uma quadrilha pode ter retirado dezenas de veículos dos depósitos do Detran na Região Metropolitana. A suspeita é da Polícia Civil de Eldorado do Sul. Segundo a delegada Tatiana Bastos o grupo utilizava procurações e documentos de automóveis falsos para ter acesso aos carros. Nessa quinta-feira um integrante foi detido quando tentava retirar irregularmente o veí-culo Golf de um depósito no município.
Tráfico
Um empresário de 28 anos foi preso, ontem, em sua residência, no bairro Jardim Lindóia, na capital, com 200 micropontos de LSD escondidos na palmilha do tênis. Ele foi detido pela segunda vez por tráfico de entorpecentes. O delegado Daniel Ordai monitorava o traficante a cerca de um mês.

4 comentários em “Uma bandeira no bairro Bom Jesus”

  1. VIOLÊNCIA
    É sempre bom lembrar que a violência na família não deve ser somente atribuída ao espaço que a mídia ocupa hoje na sociedade. Muito antes dos jornais e revistas, antes do rádio, da tv, da Internet, a violência que se tem notícia já assolava a humanidade.
    No Éden não existia revista erótica, programas de tv de baixo nível cultural como hoje, “músicas” ridículas, com apelos caóticos, todavia, Caim não pensou duas vezes e esmagou a Abel. Aí os educadores se perguntam: por que?
    Certa vez um pai ensinava ao filho que o ser humano tem dois ursos poderosos dentro dele, o urso do bem e o urso do mal. O filho então perguntou:
    – Pai, qual é o mais forte?
    E o pai respondeu:
    – Aquele que você alimenta mais.
    O que alimenta a violência? Alguns dirão que é a miséria, outros dirão que é o abandono, alguns se arriscarão a dizer que é a falta de religião. O que levaria um pai a matar uma criança – seu filho – de forma trágica e cruel? Cerca de 40% de todas as ocorrências registradas por mês nas delegacias do Estado do Rio de Janeiro são atribuídas à agressão infantil. Dados do Disque-Denúncia revelam que o maior número de casos é registrado na Baixada Fluminense. Na maioria dos casos são os pais ou os companheiros dos pais os principais agressores das crianças.
    Apenas 1% das denúncias são feitas pelas vítimas. “A violência no seio da família assume formas diferentes – desde a agressão física à agressão psicológica – como intimidação e humilhação, incluindo vários comportamentos controladores, tais como, isolar a pessoa da sua família e amigos, controlar e restringir os seus movimentos e o acesso à informação ou ajuda”.
    No Canadá os custos da violência contra a família rondam 1.6 bilhões de dólares por ano, incluindo despesas médicas e baixa de produtividade. (UNICEF 2000). Adão e Eva no Paraíso tinham a Internet do Bem e do mal. O Provedor do Bem deu ao homem a senha da obediência e com ele se comunicava, diariamente. Até que o provedor do mal se instalou, criou o racker com o vírus do pecado. O internauta pecador digitou a senha e caiu nas malhas da mentira. Caiu a conexão, porque o homem estava fora da área de atuação de Deus!
    Claro, a violência é resultado de escolha: pode-se escolher entre o Bem e o mal. Então, preparem as costas do educador, porque o peso vai recair sobre ele! Pode-se educar a vontade! A educação pode ajudar a reverter a situação da humanidade! Apesar da perplexidade desta Era atual, quando se distribuem computadores como pílulas da felicidade e de saber da origem desse duríssimo dinheiro do povo que é gasto assim para estancar as lágrimas da carência e do abandono das áreas sociais, da saúde e da educação. Onde e como sobrevivem os educadores mal pagos e mal treinados que sobraram altivos, solidários e quase solitários, gritando no deserto de uma política atroz? Mesmo assim, há esperança. Mãos à obra, heróico povo brasileiro!
    Qualquer tipo de violação de direitos e/ou violência contra criança ou adolescente » procure o Conselho Tutelar de sua cidade e/ou a Delegacia Especializada em Crimes contra Crianças e Adolescentes. Criança e/ou adolescente desaparecido » denuncie no site http://www.desaparecidos.mj.gov.br do Governo Federal Exploração sexual infanto-juvenil » denuncie pelo telefone 100 Trabalho infanto-juvenil » veja como denunciar: casos de exploração do trabalho infanto-juvenil pelo Tele-denúncia (3101.7605), SOS Criança (3101.2739 ou 155) ou DRT (3255.2200) Denúncias de pornografia infantil na Internet >> Devem ser encaminhadas aos seguinte sites: http://www.safernet.org.br http://www.mp.rs.gov.br/infancia/pedofilia http://www.censura.com.br/ http://www.dpf.gov.br/ http://www.prsp.mpf.gov.br/
    Ivone Boechat

  2. Natal de paz
    Os “homens de boa vontade” estão lutando desesperadamente para mudar a política dos homens com má vontade de acertar. Até porque no Natal de luz vai faltar luz para acender milhões de árvores de Natal de R$ 1,99.
    20,2 milhões de pessoas pobres não têm energia elétrica no Brasil. 48,4% da energia produzida por hidroelétricas no Brasil são utilizados por empresas. 6% da população mundial que vive nos países ricos consome 1/3 de toda a energia hidroelétrica produzida.
    Segundo o site http://www.consciencia.net “O modelo energético favorece grandes empresas e não alcança nem interessa à maioria da população.”
    Na ceia de Natal, com certeza, o peru do jantar será representado pelo cabo eleitoral do angu de fubá da cesta nada básica, distribuída no curral de cada zona. Aí, reúne-se a família em volta da árvore ultra iluminada, se você estiver entre os felizardos que têm energia elétrica, sobrecarregada de presentes, traumatizada pelos ausentes e a sociedade é capaz de cantar:
    “tudo é paz”.
    O Brasil corre o risco de não ter mais papai-noel com mais de 60 anos, porque o índice de idosos abandonados, agredidos e mortos, cresce a cada dia! Antes de ligar para alguém e desejar Feliz Natal, se você tem conhecimento de alguma injustiça social, corra ao serviço que recebe denúncias de abandono e maus-tratos a pessoas de idade: Disque-Idoso, no telefone 0800-410001, ou pelo [email protected].
    Só para se ter uma idéia da situação, a Fundação de Ação Social (FAS) constatou que em Curitiba cerca de 40% dos idosos que vivem nos 53 asilos da cidade não têm mais contato algum com a família. Quando o estudo se limita às 11 instituições públicas ou mantidas por fundações e organizações não-governamentais, a situação piora: 70% dos internos foram abandonados pelas famílias, que a essa altura estão ensaiando o coro:
    tudo é paz.
    O Rio concentra o maior índice de idosos do país. Correspondem a 12,53% da população total do município. Em agosto de 1999, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio (Faperj) contaram 3.535 pessoas nas ruas. Desses, 40% são idosos, doentes mentais e portadores de patologias diversas. A situação não melhorou, porque o número de idosos abandonados nas ruas, nos asilos, nos hospitais aumentou muito e as pessoas continuam cantando:
    “tudo é paz”.
    Os presentes de Natal, nem sempre necessários, muitas vezes, são o cala-a-boca pela ausência sistemática e a omissão. Pais e avós, tios idosos, filhos sucateados, torcem para chegar a única época do ano em que um fio de esperança escorra pelo rio poluído e ressecado do abandono.
    Não só em tempo de Natal, prepare o melhor abraço, aquele sorriso guardado, desocupe as gavetas entulhadas de roupas que você não usa mais e ficam no seu brechó particular, distribua tudo, principalmente, promova a paz, porque sai baratíssimo promover a “paz na Terra’. A guerra custa trilhões, a paz se faz todo dia de graça!
    O perdão que distribui a paz é gratuito, tem embalagem perfeita, pronta-entrega, in delivery: seu coração. Prepare seu despertar, às 24h do dia 24 de dezembro, ligue para aquela pessoa que você jurou ódio, para o seus pais que você deixou pra lá ou… perdoe a você e faça o propósito de ser melhor em TUDO daqui pra frente. Agora, sim, peça perdão a Deus pelo mal e saia correndo para desejar a todos FELIZ NATAL!
    Pra comemorar sua iniciativa audaz, cante bem alto:
    “tudo é paz”.
    Ivone Boechat

  3. Liberdade
    A liberdade não é um pássaro voando no azul do infinito, sem destino, sem consciência: ser livre é ser infinito em cada destino, é saber porque e para que voar naquela direção.
    A liberdade propõe autonomia e habilita a sair das cavernas para abrir os olhos e ver as próprias oportunidades. A pessoa livre não depende, compartilha, não estende a mão para receber, sem trabalhar, porque é um ser inteligente capaz de superar, avançar, aprender, produzir. A liberdade é a mãe da igualdade: ela não sustenta a pobreza, ela socorre na fome emergencial, mas ensina seus filhos a pescar.
    A liberdade mobiliza, não paralisa. Ela inclui. Jamais exclui alguém pela raça, pela camada social, pela etnia, pela fé que professa, pelo pensamento político/ideológico. A liberdade põe de pé, dá energia para concorrer e vencer, chegar junto, sem deixar pessoas clamando na beira do caminho eternamente.
    A liberdade não censura, não se desculpa, não discrimina, ela ensina o discurso e a postura dos iguais perante a lei e canta junto o hino cívico, sem interferência de apartheid. A liberdade é o espelho onde se mira a responsabilidade.
    A liberdade é atributo do ser humano. Ela não aceita máscara, mentira, submissão, nem tem medo da verdade, porque só a verdade liberta.
    Ser livre é não estar comprometido com nenhum tipo de constrangimento e nem estar carimbado por siglas que reduzem a velocidade no caminho da paz. Para ser livre há sacrifícios e não guerra!
    Ser livre não é impor conceitos, filosofia, ideologia, religião, política. Ser livre é ter sabedoria para viver a verdade sem atropelar o tempo e o espaço, no limite do outro. Quem impõe não sabe o que é liberdade. Quem apoia a servidão, a escravidão, o sequestro de ideias ou se regozija com a prática de manter pessoas reféns de qualquer projeto político, tem discurso provisório e frágil de liberdade. Finge-se libertador.
    “…Liberdade, essa palavra que o sonho humano alimenta que não há ninguém que explique e ninguém que não entenda…” Cecília Meirelles.
    Ivone Boechat

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