Em Rei Lear, de Shakespeare, a oportunidade de cotejo entre dois idiomas

 

A coleção de 20 volumes com obras de William Shakespeare apresentada pelo psicanalista, escritor e intelectual Luiz-Olyntho Telles da Silva. Hoje, o 11º volume.

A coleção Shakespeare da Editora Movimento – 11

REI LEAR

p/William Shakespeare

Tradução interlinear, introdução e notas de Elvio Funck

Porto Alegre, Editora Movimento, 2013, 256p.

Em coedição com a UDINISC, Santa Cruz do Sul, RS.

Telefone da editora: (51) 3232-0071

“Há cerca de uma dezena de traduções de King Lear para o português, algumas mais afeitas ao poético, outras mais preocupadas em transmitir o desenvolvimento da história propriamente dita. Em tese, todas as traduções de um texto clássico publicáveis são bem-vindas, pois, com suas idiossincrasias, cada tradutor de razoável competência dá sua iluminação ao texto. Dentre as traduções de King Lear, a de Elvio Funck se caracteriza por seu aspecto bilíngue-interlinear, que enseja, ao leitor curioso, oportunidade de cotejo entre as duas línguas, e pela presença de notas explicativas de pé de página, que esclarecem aspectos semânticos, gramaticais e históricos.”

Ato III, cena2 – Lear:

Soprai ventos, arrebentai vossas bochechas. Enfurecei-vos, soprai!

Vós, cataratas e trombas d’água, derramai-vos

até que nossas torres afundem e os galos dos cata-ventos se afoguem.

Vós, relâmpagos sulfurosos, rápidos como o pensamento,

mensageiros dos trovões que racham ao meio os carvalhos,

chamuscai minha cabeça branca. E vós, trovões que tudo sacudis,

achatai a volumosa redondeza da terra,

destruí os moldes da natureza, derramai de uma só vez os germens

que criam os ingratos seres humanos.

Ato III, cena 2 – Bobo:

Ó, titio, água benta da corte numa casca seca é melhor do que

esta água da chuva ao relento.

Bom titio, entra; pede a bênção a tuas filhas. Esta é uma daquelas

noites que não têm compaixão nem do sábio, nem dos bobos.

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