O Projeto Internacional Miniarte, criado em 2003 pela artista visual gaúcha Clara Pechansky, chega ao vigésimo ano de existência e monta, em Porto Alegre, sua 46ª edição. A abertura será na quinta-feira (5/10), das 18h às 20h, na Gravura Galeria.

No sábado (7), às 11h, Clara fará visita guiada aberta ao público. A visitação à mostra prossegue até 28/10. Essa edição, denominada de Miniarte Futura, celebrará os 20 anos ininterruptos de realizações, incluindo homenagens aos ex-coordenadores internacionais, aos pioneiros e a artistas já falecidos cujas obras constam do acervo do projeto, que reúne cerca de 3 mil imagens.

“Estou muito contente por poder resgatar artistas que participaram dessa história e prestar homenagem aos que já se foram”, diz Clara, de 86 anos de idade e 67 de uma reconhecida carreira como pintora, desenhista, capista da lendária Editora Globo, gravadora e gestora cultural, com obras em importantes acervos de museus e galerias no país e no exterior.

Divulgação
A Miniarte, montada em painéis pela restauradora Eliete Corrêa, apresentará obras de autoria de 163 artistas, originários dos seguintes 12 países: Argentina, Colômbia, Costa Rica, Equador, Espanha, Estados Unidos, Holanda, Índia, Irlanda do Norte, México, Portugal e Brasil. Afora esses, já estiveram representados em edições anteriores, entre outros, países como Inglaterra, Austrália, Canadá, Chile, Cuba, França, Nova Zelândia e Venezuela.
Clara idealizou o Projeto Miniarte Internacional, centrado em obras de pequeno formato, para promover o intercâmbio artístico entre criadores de diferentes países e regiões geográficas. Nas primeiras edições os artistas enviavam as obras pelo Correio. Com o passar do tempo e as dificuldades impostas pelas aduanas internacionais, a Miniarte passou a reproduzir as obras em fotos. As facilidades proporcionadas pela internet ajudaram a consolidar o novo formato. Com a pandemia a participação virtual dos artistas aumentou, bem como o caráter internacional da Miniarte.

Ao longo dos anos, foram realizadas Miniarte que tiveram como título – e sugestão de tema para os artistas – Magia, Vida, Ilusão, Enigma, Verdade, Fantasia. As coleções de obras das são expostas em locais como galerias, museus, bibliotecas, fundações e institutos culturais. A primeira edição foi na Usina do Gasômetro e a 10ª na Casa de Cultura Mario Quintana, por exemplo.

Outra edição da Miniarte Futura já tem data e local para ocorrer em 2024: 4 de maio do ano que vem, no Centro Municipal de Cultura de Gramado.

SERVIÇO
Miniarte Futura
Abertura: quinta-feira (5/10)
Horário: das 18h às 20h
Visita guiada: sábado (7), às 11h
Visitação: até 28/10
Local: Gravura Galeria
Endereço: Rua Corte Real, 647, bairro Petrópolis
Horário: segunda à sexta das 9h30 às 18h30; sábado das 9h30 às 13h30
Fone: 51 3333-1946
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A exposição no olhar da artista
Clara: “De mãos dadas pela arte”
Pergunta: Quando o projeto nasceu imaginava que teria tal amplitude e duração?
Resposta: Clara Pechansky – A Miniarte, nestes 20 anos, criou uma grande teia de comunicação entre artistas. Tenho orgulho de ter sido a geradora dessa rede que até hoje se mantém viva, porque artistas de 38 países ainda se comunicam comigo e entre si, seja em inglês, em espanhol ou em português. Eles se movimentam em seus países de origem, criando novos desafios e convidando colegas para participar de exposições ou outros eventos. Com a pandemia muita coisa mudou, mas a arte seguiu viva e se impulsionou de novas maneiras. A Miniarte é o elo que reúne todos, desde os pioneiros aos recém-chegados.

Seguimos juntos, sob minha liderança e de outros colegas, parceiros antigos e novos da Miniarte, fazendo a teia crescer democraticamente, sem exigir currículo de ninguém, mas sempre de mãos dadas pela arte. É o grande abraço universal. Com a evolução dessa teia, foi necessário trabalhar de forma mais específica com países da América Latina. Em 2018, criei o Projeto Fiesta de Paz Brasil, que agrega literatura às àrtes visuais. Poetas e escritores são chamados para escrever sobre nossas obras, ampliando a teia de comunicação.
P: De que forma a pandemia impactou o projeto em termos de adesão de artistas inscritos e do conteúdo apresentado pelos participantes?

R: Clara – Houve uma total reviravolta no projeto. Até então, as obras chegavam de forma física, pelo Correio ou pessoalmente. Eu já havia reduzido o formato das obras de 20 x 20 cm para 18×18 cm, para permitir que mais obras coubessem nos painéis, já que cada edição sempre recebia no mínimo duas centenas de artistas. Decidi então criar a Miniarte Verdade, para a qual os artistas enviaram fotografias que foram impressas, e as obras, portanto eram só virtuais. Outra modificação ocorreu devido à dificuldade de circulação de dinheiro, então eu tornei a Miniarte gratuita e totalmente virtual. Dessa maneira, chegamos à participação de cerca de 400 artistas. A Miniarte então se tornou cada vez mais virtual, e passamos a publicar catálogos somente na internet, e nossas coleções completas estão no Flickr: http://www.flickr.com/photos/miniart2010/sets/ e também no website da Miniarte (www.miniartex.org).

P:Olhando o acervo formado pelas coleções ao longo do tempo que análise artística faz?
R: Clara – A pandemia foi um turning point na organização das edições da Miniarte, gerando novas ideias e novas maneiras de mostrar as obras. Temos até agora uma história de quase 50 edições, cada uma em um local diferente, sempre coordenadas por artistas, entre galerias particulares e públicas, museus, centros de cultura e academias.
Quanto à análise artística, é evidente que houve um aperfeiçoamento na obra de cada artista, seja na técnica, seja porque a qualidade da resolução das fotos melhorou, permitindo a impressão de cada obra com suas cores e detalhes originais. Artistas que vêm há anos participando da Miniarte sem dúvida tiveram um crescimento técnico indiscutível, e isso é muito gratificante. Posso também acompanhar a trajetória de artistas que lancei há tempos, quando eram emergentes, e que, devido ao caráter democrático da Miniarte, tiveram sua primeira oportunidade de expor em exposições internacionais ao lado de artistas conhecidos, já que a Miniarte é exposta em ordem alfabética.

P: Produzir arte em pequeno formato facilita a vida do artista?
R: Clara – Pelo contrário, trabalhar em pequeno formato é muito mais difícil do que criar algo em formato grande. Quando um iniciante começa a pintar ou desenhar, ele tem medo e sempre sugere: ‘vou começar com uma telinha pequena’. Grande erro. Ao tentar pintar uma obra pequena, o candidato a artista está empilhando todos os problemas e eles ficam sobrepostos, como se numa corrida de obstáculos todos os saltos tivessem que ser dados ao mesmo tempo. Fica bem mais fácil espalhar os obstáculos por uma superfície grande, onde será possível identificar todos os saltos a serem trabalhados. Falo como supervisora e orientadora de arte, como alguém que nunca permitiu o uso de borracha em seu atelier, porque é necessário acompanhar o pensamento daquele que está começando, e para isso as marcas do seu traço, deixadas visíveis, ajudam a acompanhar e entender o caminho percorrido.

P: Requer quais virtudes, principalmente?
R: Clara – Requer reflexão, técnica e, sobretudo, paciência. A Miniarte espraiou esse desafio: criar uma obra pequena é distribuir todos os problemas de composição, equilíbrio, luz e sombra e demais fundamentos do desenho e da pintura num espaço reduzido. Desde o início exigiu-se dos artistas obras em pequeno formato, era 20 x 20 cm e ultimamente passou a ser 18 x 18 cm.

*Com Assessoria de Comunicação- Jornalista Carlos Souza(texto)
FOTOS: Divulgação Miniarte / Clara Pechansky

