Ideias e propostas para educação, inovação e tecnologia pautaram o primeiro debate com os pré-candidatos à Prefeitura de Porto Alegre nas eleições 2020. Promovido pela IMED (Faculdade Meridional de Porto Alegre), o encontro foi realizado online, com transmissão pelo YouTube, na noite desta terça-feira, 22/09. O objetivo foi oportunizar que a comunidade acadêmica e o público em geral conheçam as ideias de cada candidato, para que possam exercer, de forma plena, o seu direito ao voto.
O encontro teve duração de duas horas e foi dividido em três blocos: o primeiro com foco no tema Educação; o segundo, Inovação e tecnologia; e o terceiro dedicado às considerações finais.
Os participantes responderam a duas perguntas e cada pré-candidato teve três minutos para apresentar suas ideias e percepções, além de um minuto e 30 segundos para considerações finais. A ordem de fala no debate foi definida previamente por sorteio.
Abaixo, por ordem alfabética, algumas das propostas trazidas por cada participante.
Fernanda Melchionna (PSOL)
Afirmou que o problema do Brasil não está nos salários dos professores, mas no dos políticos e que é preciso equalizar essa diferença. Alertou para a redução de investimentos em educação, que impactam até a merenda escolar.
Para o desenvolvimento social baseado em inovação, pretende criar um plano municipal de ciência e tecnologia, chamando cientistas, comunidade acadêmica, professores e estudantes. Para ela, ainda é importante criar novos mecanismos de participação social e construir um calendário escolar que valorize o turno inverso.
Gustavo Paim (PP)
Paim destacou como ponto principal o foco no aluno. O envolvimento e diálogo com comunidade também esteve na fala do pré-candidato, que pretende buscar uma escola de portas abertas para toda a comunidade escolar, professores capacitados, uso de tecnologia da informação e investimento em educação.
A tecnologia, defende ele, deve ser usada para desburocratizar processos ao empreendedor e serviços públicos aos cidadãos. “Temos que ter a missão e a visão de Porto Alegre como a capital nacional da liberdade econômica (…) Temos que desburocratizar”.
João Derly (Republicanos)
Analisando os dados do Ideb, lembrou que apenas cinco escolas do município atingiram a nota média, o que isso significa que nossas crianças estão saindo da escola sem aprender o básico em português e matemática. É necessário ouvir professores e sociedade civil, investir no diálogo e na capacitação de professores. Também afirmou que garantir a segurança torna-se essencial para manter os alunos na escola.
O contraturno escolar, a criação da Secretaria do Idoso e da Acessibilidade estão entre os projetos de Derly, assim como o acesso a serviços do município por ferramenta mobile e a Escola do Empreendedorismo. “Queremos que a tecnologia e a inteligência artificial estejam servindo à sociedade.”
José Fortunati (PTB)
Fortunati observou que é preciso resgatar o diálogo com a comunidade escolar, o projeto de capacitação de professores, reforma de escolas, convênio com o Banco Mundial para criar condições de retomar o crescimento em educação.
Defendeu ações como: ampliar o número de creches e pré-escolas, propiciar atento ao retorno das crianças ao convívio escolar, estender o horário de creches, investir na capacitação do ensino e no combate à evasão escolar, repactuar a relação com os professores, funcionários e diretores das escolas.
Quanto à inovação e tecnologia, quer agilizar a concessão de alvarás e acesso a microcréditos para empresas. “Podemos dizer que Porto Alegre é um celeiro perfeito para a economia do conhecimento. Um dos pontos fundamentais é incentivar as startups.”
Juliana Brizola (PDT)
Juliana trouxe o exemplo do município cearense de Sobral para lidar com a alfabetização e não deixou de destacar a educação em tempo integral, um modelo defendido por seu avô Leonel Brizola. “A gente percebe que faz a diferença na vida das pessoas, que acolhe, que gera uma conexão importante para que se tornem grandes cidadãos.”
Também quer garantir vagas em creches a todas as crianças de Porto Alegre e criar a creche noturna, ressaltando que a falta delas cria um problema que impede muitas mulheres de terem um trabalho formal. Ainda destacou que tem um projeto de desenvolvimento social que pressupõe o financiamento desse desenvolvimento através da educação e da tecnologia.
Júlio Flores (PSTU)
Conectar trabalhadores e construir conselhos populares, para criar um novo modelo de gestão pública na capital, foi a proposta apresentada pelo pré-candidato. Afirmou que os estudantes têm enfrentado dificuldades como acesso à internet. “É preciso que a gente tenha uma outra postura, de construir uma sociedade em que as periferias adotem um caminho de organização em conselhos populares”.
Luiz Delvair Martins Barros (PCO)
Para a área da educação, o pré-candidato promete um programa de governo criado não só para o município e para o estado, mas sim um projeto que envolve a estatização do ensino público para todas as pessoas. “Defendemos que as pessoas tenham o direito de frequentar uma faculdade, principalmente as pessoas mais pobres”.
Manuela D’Ávila (PCdoB)
Manuela lembrou que aquele que assumir a prefeitura na próxima gestão terá que lidar com um ano letivo perdido para os estudantes da rede, com um previsto aumento de evasão escolar e, para evitar isso, a Prefeitura precisará apoiar esses estudantes.
Para enfrentar um cenário como o apresentado no Ideb, propõe ações de combate à evasão escolar e ao combate ao trabalho infantil, ampliação da oferta de vagas na educação infantil e creches, diálogo com a comunidade escolar, gestão democrática, formação continuada e monitoramento da aprendizagem. “Nós precisamos garantir internet para as nossas crianças (…) as crianças da rede pública de ensino que aprendem têm tablet na sala de aula e comida na mesa.”
Montserrat Martins (PV)
Para mudar o cenário na educação, Montserrat elencou seis fatores os quais acredita que devem atuar juntos: avaliação, inclusão digital, alimentação, cultura da paz, turno inverso, atenção às pessoas.
Entre os temas, sustentou equipar escolas para promover a inclusão digital e promover a alimentação sadia com alimentos orgânicos oriundos da economia local e de hortas comunitárias, além de utilizar a tecnologia para gerar economia e engajar a Procempa em projetos de inclusão digital. “A geração de empregos em Porto Alegre deva se dar através de uma vocação que a nossa sociedade tem para tornar Porto Alegre uma capital de tecnologias limpas.”
Nelson Marchezan (PSDB)
Marchezan disse que quer dar continuidade a boas políticas, apontando exemplo conduzidos por colegas de partido. Para ele, as mudanças na cidade precisam ser estruturais, com ampliação de carga horária e com incentivo já no ensino infantil. Ainda citou o projeto Aprova Porto Alegre que pretende medir o aprendizado do aluno e o desempenho do diretor escolar.
Para ele, o principal objetivo de um prefeito deve ser construir um modelo viável de parceria com o setor privado, que estimule a inovação. “É inviável buscar a inovação sem a parceria do setor privado, que estimule a solução dos problemas públicos (…) Uma cidade mais inteligente quer dizer uma cidade mais humana”.
Sebastião Melo (MDB)
Para Melo, a gestão pública precisa restabelecer o diálogo com a cidade e com a comunidade escolar. Ele propõe criar salas de mediação dentro das escolas, investir em formação continuada dos professores e no turno inverso para reforço do aluno, além do espaço para cultura, lazer, esporte.
Também enfatiza a importância de combater a evasão escolar e, para lidar com os fatores que levam à ela, acredita que é preciso transversalidade.
Argumenta que é preciso criar ambiência para inovação e empreendedorismo. “O mundo é digital e os governos são analógicos. E como a gente começa a fazer um governo digital? É dentro das escolas.”
Rodrigo Maroni (PROS)
Em sua fala, destacou a necessidade de diálogo com a comunidade escolar, argumentando que político algum tem solução próxima do que um professor poderia trazer. Para buscar o desenvolvimento social a partir da tecnologia e inovação, afirmou: “Devemos chamar a universidade para construir esse programa. Quem entende disso é a universidade, a academia”.
Valter Nagelstein (PSD)
Afirmando que a educação é a força motriz para o desenvolvimento, Valter disse que é preciso fazer um pacto para contornar o cenário que coloca a capital gaúcha no 25ª do Ideb. Entre seus projetos, está a distribuição de um tablet a cada criança da rede pública de Porto Alegre.
No campo da inovação, afirmou que Porto Alegre não é uma cidade amistosa a empreendimentos e que é preciso criar um ambiente de negócios e liberdade econômica, para que jovens queiram crescer em Porto Alegre e desenvolver a cidade. “O que faz com que as empresas nasçam e cresçam? Criar um ambiente de negócios, com liberdade econômica. (…) A inovação só vem a partir das ferramentas da economia de mercado”.
A transmissão na íntegra pode ser acessada em youtube.com/imedoficial.