Autor: Elmar Bones

  • Campanha eleitoral começa na internet, com dois crimes virtuais

    Campanha eleitoral começa na internet, com dois crimes virtuais

    Dois crimes virtuais nesta segunda-feira, 17/08, sinalizam para o clima das eleições municipais em Porto Alegre, onde estão listados 15 pré-candidados, incluindo o prefeito Nelson Marchezan que busca a reeleição.

    O primeiro foi um vídeo anônimo que viralizou nas redes com ataques ao prefeito, à RBS e à duas agências de propaganda, Morya e Escala, que gerem a verba de publicidade da prefeitura.

    “Saiba por que a RBS defende tanto Marchezan” é a chamada principal de um texto que mistura fatos verdadeiros com ilações e, no final, para demonstrar a parcialidade de jornalistas, parte para a invasão de privacidade e ataques pessoais. Com isso desqualifica todo o conteúdo.

    O fecho com o slogan  “Fora Marchezan”, em vermelho revela a intenção de incriminar partidos de esquerda.

    Todos os envolvidos – prefeito, RBS e as duas agências – emitiram notas repudiando a baixaria e prometendo recorrer à delegacia de crimes cibernéticos para descobrir e processar os autores.

    O segundo crime, na mesma tarde, ocorreu durante um debate virtual promovido por uma ong LGBTI, da qual participava a deputada federal Fernanda Melchiona, líder do PSOL na Câmara e pré-candidata a prefeita em Porto Alegre.

    Quando a deputada começou a falar, o vídeo foi invadido imagens estranhas contendo ofensas e ataques homofóbicos, além de vídeos pornográficos. Sem conseguir reunir os conteúdos ofensivos, os participantes tiveram que encerrar o debate.

     

  • SOB PRESSÃO: Governador cede a prefeitos controle do distanciamento nas regiões

    SOB PRESSÃO: Governador cede a prefeitos controle do distanciamento nas regiões

    O governador Eduardo Leite definiu como  “um passo à frente” no combate à pandemia o acordo que assinou nesta segunda-feira (10/8) com a Federação das Associações de Municípios (Famurs), para a gestão compartilhada do modelo de Distanciamento Controlado.

    Na verdade, é um passo atrás.

    Foi a pressão dos prefeitos que levou o governador a rever as regras, deixando liberdade para as regiões decidirem o nível de isolamento que vão adotar.

    Dentro dos princípios estabelecidos pelo governo estadual e com sua anuência às decisões, claro. Mas o governador cedeu (“foi sensível”, na linguagem palaciana) e vai dividir com os prefeitos o ônus e o bônus do enfrentamento à covid.

    Leite acredita que “o momento mais difícil tenha passado” e que a estabilidade no número de casos nos últimos dias permite “ajustar o modelo” para ter “uma melhor adesão (dos municípios) ao distanciamento”

    “Para melhor conciliar a atividade econômica com a garantia de proteção à saúde das pessoas”, explicou o governador.

    As alterações já são válidas já para a 14ª rodada do modelo, que vigente esta semana.

    Protocolos mais brandos

    O modelo de Distanciamento Controlado seguirá rodando para classificar o risco epidemiológico de cada região, sempre às sextas-feiras, com base nos dados compilados às quintas-feiras.

    A partir da classificação, associações regionais poderão adotar protocolos mais brandos à bandeira na qual estão classificados, mas no mínimo iguais à bandeira anterior (região classificada em vermelha adota protocolos da bandeira laranja, por exemplo, e, no caso de preta, as regras mínimas da bandeira vermelha).

    Para a elaboração de um protocolo específico para a região, será necessária a criação de comitês científicos regionais de combate à Covid-19.

    Cada associação regional poderá criar um protocolo. Inicialmente, o governo do Estado defendia que a concordância entre os prefeitos de cada região fosse unânime. Depois de ponderações feitas pelos próprios chefes de Executivo municipais, o Gabinete de Crise determinou que o protocolo mais brando à bandeira de risco poderá ser adotado se tiver maioria absoluta (ou seja, 2/3 dos prefeitos de cada região Covid).

    “Esses protocolos terão de obedecer aos quatro níveis das bandeiras (amarela, laranja, vermelha e preta) já estabelecidas. Não será possível definir protocolos distintos desses níveis de risco, como protocolos intermediários. O importante é que a decisão seja tomada de acordo por pelo menos 2/3 dos prefeitos de cada região. Isso é importante porque garante o princípio de solidariedade e da integração do sistema de saúde. Por isso, as regiões precisam ter o compromisso de adotar um conjunto de medidas que garantam que o vírus não se propague a ponto de comprometer o sistema hospitalar da região”, detalhou Leite.

    As regiões que estabelecerem protocolos alternativos deverão enviá-lo, acompanhado dos documentos e justificativas que embasam as medidas adotadas, ao Estado, por meio eletrônico. “Os prefeitos deverão informar qual é o protocolo e no que diverge dos protocolos estabelecidos pelo Estado para garantir que estão de acordo com nosso decreto e que não são menos restritivos que a bandeira anterior”, esclareceu o governador.

    O protocolo alternativo deve ser enviado ao Estado até 48 horas antes de entrar em vigor. Por exemplo, se a região enviar o protocolo até esta terça-feira (11/8), às 12h, a mudança entrará em vigor na quinta-feira (13/8), às 12h – a menos que o governo vete algum dos protocolos propostos pela região. O plano regional será disponibilizado ao público, para facilitar a fiscalização por parte de órgãos de segurança e do Ministério Público.

    As regiões, no entanto, que preferirem seguir o modelo de Distanciamento Controlado poderão fazê-lo, com as decisões sendo mantidas no formato atual. A instância recursal ao mapa preliminar e a Regra 0-0, que permite adoção de protocolos de bandeira laranja em cidades que passaram os últimos 14 dias sem internações e sem óbitos por Covid-19, seguirão valendo para todas as 21 regiões.

    (Com informações e foto da Assessoria de Imprensa)

  • CRISE AMERICANA: Saques em Chicago, susto em Trump na Casa Branca

    CRISE AMERICANA: Saques em Chicago, susto em Trump na Casa Branca

    A mídia tem sido cautelosa, mas alguns fatos que parecem isolados podem ser o sinal de que algo muito inusitado está fermentando nos Estados Unidos nestes tempos de pandemia.

    Uma sucessão de eventos intrigantes vem se acumulando desde que um policial branco matou o negro George Floyd entrelaçando a questão racial e a agitação social com a tensão e as incertezas trazidas pela Covid-19.

    Na tarde desta segunda-feira, 10 de agosto, o presidente Donald Trump  foi retirado às pressas de uma entrevista coletiva. “Temos tiros disparados do lado de fora”, disse a Trump, em voz baixa, o agente do serviço secreto que o retirou local.

    “Foi interrompido no meio da frase”, segundo a correspondente do NYT.

    Trump voltou em seguida e disse que “um suspeito estava armado nas imediações”. “Pode não ter nada a ver comigo”, explicou ao retomar seu briefing diário sobre o coronavírus.

    O Serviço Secreto confirmou “um tiroteio envolvendo um oficial” perto da Casa Branca, sem dar maiores detalhes. Os jornais foram discretos.

    Horas antes, a mil quilômetros da Casa Branca, centenas de pessoas mobilizadas pelas redes sociais marcharam para o Magnificent Mile, o bairro comercial mais famoso de Chicago, “o coração reluzente da cidade”.

    Quebraram vitrines, saquearam lojas e entraram em confronto com a polícia. Mais de 100 pessoas foram presas, duas foram baleadas e 13 policiais ficaram feridos.

    Aparentemente não há relação causal entre estes dois eventos, mas é inegável que por trás deles está uma crise que se aprofunda na esteira da Covid e cujo desfecho ainda não é previsível – a não ser por aqueles que acreditam que passada a pandemia tudo voltará ao normal.

    A queda de 32% no PIB americano no segundo trimestre deste ano, os 40 milhões de desempregados, o crescimento da pobreza absoluta, o poder nas mãos de um presidente errático – completam o cenário de instabilidade que mina os alicerces do Império do Norte.

    As eleições de novembro podem ser cruciais para a maior potência do planeta.

  • Reforma Tributária: Eduardo Leite tenta tirar R$ 3 bilhões de uma cartola

    Reforma Tributária: Eduardo Leite tenta tirar R$ 3 bilhões de uma cartola

    O governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, começou a apresentar o seu projeto de Reforma Tributária.

    O governo promete “reduzir alíquotas”, o que pressupõe uma mágica, porque seu objetivo principal com a reforma é cobrir os R$ 3 bilhões que deixarão de entrar nos cofres do Estado por ano com o fim do ICMS turbinado.

    Desde janeiro de 2016, o Rio Grande do Sul mantém um dos ICMS mais altos do país com alíquota de 18%, que não tem condições políticas de ser renovada.

    Como aumentar (ou manter aumentada) a arrecadação do ICMs, num ambiente de recessão econômica, e ao mesmo tempo atender ao que todos reclamam, que é a redução de alíquotas? É o que o governo pretende explicar aos deputados nos próximos dias.

    Correndo contra o tempo, pois tem que aprovar em três meses para vigorar no ano que vem, o governador Eduardo Leite apresenta seu projeto por etapas.

    Promete  “atacar a despesa, cortar incentivos, distribuir a carga tributária – de modo que a médio prazo haja redução”.

    A análise dos efeitos desse aumento de alíquota, aprovado no governo Sartori e renovado anualmente, ainda está por ser feita.

    Há indícios que a elevação em 25 % de alíquotas seletivas como combustíveis, energia e telefonia, que representam mais de dois terços do ICMS, não rendeu a arrecadação esperada, afastou investimentos do Estado e não evitou sequer o reiterado parcelamento dos salários.

    Sartori aprovou por um ano, renovou por mais um e Leite conseguiu manter. Agora não há mais sustentação, o próprio governador prometeu no início do ano que iria reduzir o valor da alíquota. Será preciso tirar pelo menos R$ 3 bilhões da cartola palaciana.

     

  • As máquinas estão parando: crise dos jornais impressos atinge em cheio o Interior

    As máquinas estão parando: crise dos jornais impressos atinge em cheio o Interior

    Pelo menos sete impressoras rotativas estão paradas e empacotadas no interior do Rio Grande do sul.

    São máquinas potentes e modernas capazes de imprimir milhares de exemplares em poucas horas, mas que, de repente, perderam a função: os jornais impressos estão fechando ou reduzindo tiragens e periodicidade, as impressoras estão ociosas.

    Uma das alternativas que resta aos donos dessas máquinas é vendê-las para a Siderúrgica Gerdau, como sucata, para fundir e fazer aço.

    Um dos casos emblemáticos é o do maior diário do interior do Estado, o Diário Popular de Pelotas, fundado em 1890, que desativou o seu parque gráfico e passou a ser impresso em Porto Alegre, na gráfica da Zero Hora.

    O mesmo fez há mais tempo A Plateia, de Santana do Livramento, com mais de 90 anos, que já foi o principal diário da Fronteira Oeste, com circulação em vários municípios da região. Passou a cobertura diária para o digital, desativou o parque gráfico e tornou semanal a edição em papel, impressa em Porto Alegre.

    Na mesma região, a Gazeta de Alegrete, que é o terceiro mais antigo do Brasil, fundado em 1882, mantém-se por conta dos editais da prefeitura local, com escassas chances de sobrevivência. A gráfica local foi desativada ainda nos anos 90, quando o secular jornal passou a ser semanal.

    Em Bento Gonçalves, na industrializada Serra Gaúcha, onde circulavam dois jornais diários, um fechou e o outro virou semanário. Em Caxias, o diário Folha de Caxias virou semanário, e outro mantém-se com cortes. O tradicionalíssimo Correio Riograndense suspendeu sua edição impressa e se mantém no online.

    Em Santa Maria, o jornal A Razão sucumbiu ante a crise e a concorrência do Diário de Santa Maria, que a RBS lançou na cidade em 2002. Com mais de 80 anos, um rotativa própria e um grupo que chegou a ter 90 funcionários, A Razão fechou as portas em 2017. Tinha então 12 jornalistas na Redação.

    Quando a crise apertou, também a RBS vendeu o Diário de Santa Maria para um grupo de empresários locais.

    Em Santa Cruz, a poderosa Gazeta do Sul tenta se reinventar. Reduziu cadernos para compensar a perda de anúncios, mas criou páginas temáticas e busca manter-se como parque gráfico regional que chegou a ter mais de 50 títulos impressos em sua rotativa de 25 metros, capaz de imprimir 20 mil exemplares de 40 páginas, por hora.

    O tamanho real desta crise ainda não pode ser medido, os números são imprecisos, as mudanças estão acontecendo. Nem a Associação dos Jornais do Interior, a Adjori, tem os dados exatos.

    Estima-se que tenham registro cerca de 400 jornais nos 525 municípios do Rio Grande do Sul. Quantos sumiram, quantos reduziram a tiragem ou o número de páginas ou simplesmente sumiram do mapa?

    A Adjori, que tem 70 sócios ativos, estima que no total uns 190 jornais ainda estão em atividade no Estado, a maioria apenas na internet.

    A Associação dos Diários do Interior, que reúne os jornais de cidades-polo, hoje tem 24 membros, e espera a inscrição da Folha de São Borja e Diário de Santa Maria. Até o final do mês o grupo pretende realizar um encontro virtual e debater alternativas ao momento de crise.

    A professora Beatriz Dornelles, da PUC-RS, que pesquisa o assunto há 20 anos, calcula que pelo menos dez jornais impressos deixaram de circular este ano no Rio Grande do Sul.

    Quantos diários, quantos semanários, quantos bi-semanários? São dados que a professora está levantando para um livro.

    A crise econômica prolongada, a expansão da internet e das redes sociais, já haviam ferido de morte o jornal impresso. A pandemia do coronavírus está dando o golpe final.

    A maioria já migrou ou está migrando para o meio digital. A perda com o fechamento dos jornais impressos em cidades médias e pequenas pode  ser estimada pela redução dos profissionais nas redações.

    O sindicato ainda está consolidando os números, mas há indicativos bem claros: redações onde trabalhavam 20 jornalistas, restaram apenas quatro. Sem contar que os remanescentes estão com os salários e jornadas reduzidos em até 70%.

    No caso dos parques gráficos que estão sendo desmontados, ainda há que somar os trabalhadores especializados ocupados na cadeia que moviam estas impressoras agora paradas.

  • No pior momento da crise, Banrisul corta programação de anúncios nos jornais do interior

    No pior momento da crise, Banrisul corta programação de anúncios nos jornais do interior

    No meio da pior crise de sua história, os jornais do interior do Rio Grande do Sul receberam esta semana a informação de que o Banrisul decidiu suspender a programação de publicidade em todos os veículos municipais no segundo semestre de 2020.

    A decisão chegou aos jornais através da Centro Propaganda, uma das agências que administram as verbas publicitárias do banco.

    A Adjori (Associação dos Jornais do Interior) confirmou a informação ao JÁ, mas seu presidente, Jair Francisco de Souza, disse na tarde desta sexta-feira que ainda tem a esperança de reverter a decisão.

    Até agora, porém, duas reuniões agendadas com a representação dos jornais para discutir o assunto foram adiadas.

    Maior anunciante do Estado,  o Banrisul  é o único banco a manter agências em todos os municípios gaúchos e anunciou em fevereiro um lucro recorde de R$ 1,34 bilhão, em 2019, o maior dos últimos seis anos.

    Segundo a Adjori, a suspensão dos anúncios ocorre depois de longas negociações em que os jornais ofereceram descontos de até 70% para manter as programações do banco.

    “Será uma pá de cal para muitos jornais que ainda sobrevivem”, disse o presidente da entidade.

    Pelo menos 12 jornais impressos suspenderam a circulação em cidades do interior gaúcho nos últimos seis meses em consequência da crise, que se agravou com a pandemia do coronavírus.

     

     

     

     

     

     

     

  • Auditor de finanças assume interinamente no lugar de Weintraub

    Auditor de finanças assume interinamente no lugar de Weintraub

    O presidente Jair Bolsonaro nomeou Antonio Paulo Vogel de Medeiros  como ministro interino em substituição a Abraham Weintraub no Ministério da Educação.

    A exoneração de Weintraub foi publicada neste domingo.

    Vogel ocupava o cargo de secretário-executivo, considerado o número 2 da pasta, desde que Weintraub tomou posse, em abril de 2019.

    Tem graduação em economia e direito e pós-graduação em administração financeira. É auditor de finanças e controle desde 1998.

    Participou do grupo de transição do governo Bolsonaro e atuava como secretário-executivo adjunto da Casa Civil, onde Weintraub foi o secretário-executivo.

    Quando anunciado como secretário-executivo do MEC, Vogel era o quinto nome indicado publicamente para o cargo.

    Antes, vários nomes passaram pelo cargo:

    -Luiz Antônio Tozi, exonerado em 12 de março após uma disputa interna entre grupos ligados aos militares e os seguidores do escritor Olavo de Carvalho;

    -Rubens Barreto da Silva, que era secretário-executivo adjunto, atuou interinamente mas nunca chegou a ser nomeado ou tomou posse efetivamente do cargo principal;

    -Iolene Lima, que foi diretora de um colégio batista no interior de São Paulo, nunca chegou a ser nomeada oficialmente e, oito dias depois, divulgou uma nota afirmando que fora informada de que não ficaria mais no ministério.

    A Secretaria-Executiva passou 17 dias sem comando definitivo, e só teve outro nome oficialmente nomeado no “Diário Oficial de União” em 29 de março.

    Na ocasião, o governo anunciou a escolha do nome do tenente-brigadeiro Ricardo Machado Vieira para o cargo.

    Menos de duas semanas depois, com a troca de ministro quando Weintraub assumiu, foi anunciado Vogel como secretário-executivo.
    No site do Ministério da Educação, foi publicado um breve  perfil de Antonio Vogel:

    “Servidor público federal, no cargo de Auditor Federal de Finanças e Controle, o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC) é formado em Economia, pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e em Direito, pela Universidade de Brasília (UnB). Também possui pós-graduação em Administração Financeira, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
    Atua em gestão pública há mais de 20 anos, tendo, durante esse período, ocupado funções de chefia e alta direção na Secretaria do Tesouro Nacional, nos estados do Rio de Janeiro e de Goiás, na cidade de São Paulo e no governo do Distrito Federal. No Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, foi secretário de Gestão e assessor especial no Ministério da Fazenda.
    Fora do serviço público, trabalhou como consultor do Banco Mundial em finanças públicas e diretor do IRB Brasil Resseguros.

  • Saques mostram que racismo e desemprego se cruzam na crise americana

    Saques mostram que racismo e desemprego se cruzam na crise americana

    Os protestos nos Estados Unidos foram detonados pelo assassinato de um homem negro por um policial branco.

    Começaram há nove dias em Minneapolis, onde ocorreu o crime, e já provocam toque de recolher em 40 cidades americanas, incluindo a capital, Washington, e a maior cidade, New Yok.

    Movem-se contra o racismo desde o início. Nos últimos dias, porém, é crescente a presença de depredadores e saqueadores na esteira das manifestações que estendem por avenidas de grandes cidades.

    Enquanto a policia acompanha o movimento dos manifestantes, grupos que se movem no contra-fluxo, arrombam e saqueiam lojas e edifícios.

    O governo diz que são “baderneiros”,  “ladrões” e “criminosos” e ameaça endurecer com a repressão policial.

    Na verdade é mais um sinal de que  o desemprego – outro problema americano que se agrava vertiginosamente- está ganhando corpo no ambiente de caos gerado pela pandemia.

    Cerca de 20 milhões de trabalhadores perderam o emprego desde o início da crise. Os números do Departamento do Trabalho mostram que já são 38 milhões os que dependem do seguro de desemprego.

    Os saques se repetem e multiplicam  nos últimos dias indicando que esse ingrediente conjuntural- o desemprego, que atinge sobretudo negros – está  se misturando ao caldo histórico do racismo,  tornando ainda mais indigesta a sopa que ferve no caldeirão americano.

  • Senado vota projeto para combater fake news

    Prevista para esta terça-feira, 2, a votação, no Senado, do projeto sobre fake news. O objetivo é combater as noticias falsas espalhadas nas redes sociais, segundo um dos autores da proposta, senador Alessandro Vieira, do Cidadania, de Sergipe.

    Vieira argumenta que o projeto mira nas ferramentas que são utilizadas criminalmente, em especial as contas falsas e as redes ilegais de disparo, e defendeu que a proposta não atinge a liberdade de expressão.

    No entanto, entidades ligadas à sociedade civil, como a Coalizão Direitos na Rede, que reúne organizações de defesa de direitos digitais, pedem cautela e cobram mais tempo de debate sobre o tema, como aponta a jornalista Bia Barbosa.

    Joana Varon, diretora da Coding Rights e Fellow em Tecnologia e Direitos Humanos, na Kennedy School, da Universidade norte-americana de Harvard, diz que a entidade concorda na necessidade de se elaborar um projeto para o combate das fake news e elogia o incentivo à transparência que prevê o texto. No entanto, Joana relata preocupação em se intensificar a remoção de conteúdos arbitrariamente, e na proibição do anonimato nas redes sociais.

    Os deputados Tábata Amaral, do PDT, e Rigoni, do PSB, também são coautores da proposta. A parlamentar diz que ouviu as organizações e retirou da proposta original os itens que não tinham consenso. Segundo a deputada, o projeto não prevê censura, não quebra a privacidade e nem retira conteúdo do ar. O trecho sobre os dispositivos que permitiam intervenção sobre conteúdos considerados falsos também foi retirado.

    O trecho era polêmico porque, na proposta original, as empresas poderiam usar os serviços de verificadores independentes de conteúdo. Na prática, entidades privadas ficariam com a missão de decidir o que é ou não fake news.

    Na Câmara, o projeto também divide opiniões. Parlamentares ligados ao governo são contrários à regulação de redes sociais. Já os presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre, defendem punição para as plataformas digitais que não adotarem meios para combater robôs que disseminam fake news, por exemplo.

    (Com informações da EBC)

  • STF analisa pedido de habeas para Weintraub

    O ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin encaminhou dois pedidos para o plenário da Corte.

    Um é do procurador-geral da República, Augusto Aras, para que o inquérito que apura a disseminação de fake news e ataques aos ministros do Supremo seja suspenso até que o próprio tribunal defina limites para as investigações.

    Essa manifestação do PGR ocorreu nessa quarta-feira, após uma operação da Polícia Federal quebrar sigilos bancários e cumprir 29 mandados de busca e apreensão contra políticos, empresários e blogueiros. A ação foi autorizada pelo ministro do Supremo Alexandre de Moraes, que é relator do inquérito.

    O outro pedido foi feito pelo ministro da Justiça, André Mendonça. É um habeas corpus para que o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não precise depor sobre uma declaração feita por ele na reunião ministerial no dia 22 de abril.

    Na gravação, divulgada na última sexta-feira, Weintraub avaliou que o governo estava perdendo a luta pela liberdade e disse: “Por mim, botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”.