Autor: Elmar Bones

  • Leite prepara discurso para a campanha em 2022 e já conta com apoio na imprensa

    Leite prepara discurso para a campanha em 2022 e já conta com apoio na imprensa

    O recado foi dado em manchete na coluna de Rosane de Oliveira nesta quarta-feira: “Como o governo Leite conseguiu colocar as contas em dia depois de dois anos”.

    A matéria não pára em pé e necessitou de três parágrafos de “nariz de cera”  antes de chegar à notícia, que não faz jus ao título:

    “Nesta terça-feira (12), ao fazer o balanço parcial do ano que passou, o governador e o secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso, comemoraram os resultados das reformas aprovadas em 2019 e 2020 e os indicadores de que as contas estão, finalmente, caminhando para o equilíbrio”.

    Trata-se. na verdade,  de um novo discurso que o governo Eduardo Leite prepara com base numa “contabilidade criativa”, para evitar que as pretensões do governador fiquem pelo caminho antes da campanha de 2022.

    Guardadas as circunstâncias, é algo como o “déficit zero”, da governadora Yeda Crusius, do mesmo PSDB de Leite.

    Não por acaso, o economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda de Yeda e assessor informal do governador desde o início, é cogitado para um cargo na equipe de Leite.

    Arrochando as despesas sem piedade, cortando até mesmo contingências constitucionais, como os gastos em educação e saúde,  Aod conseguiu equilibrar o caixa por dois anos. Perdeu o cargo, inclusive, porque ganhou mais notoriedade que a governadora, candidata à reeleição.

    Agora, o recado está dado: não se fala mais em “rombo nas finanças do Estado”.

    A palavra é “equilíbrio”, embora o governo estadual continue na corda bamba –  corda essa que tem uma das pontas nas mãos de Jair Bolsonaro, por enquanto,  interessado em turbinar uma candidatura tucana de Eduardo Leite para minar os planos do adversário que ele mais teme em 2022: João Dória, governador de São Paulo.

     

     

     

  • Jefferson em nova ameaça ao STF: “Palavras estão acabando e a pólvora virá”

    Na correria do pré-Natal, passou batida a entrevista do presidente nacional do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson, em que ele volta a incitar a violência contra membros do Supremo Tribunal Federal (STF).

    Ex-deputado federal, investigado pela justiça por organizar e atuar em atos contra o sistema democrático, Jefferson disse que os ministros do STF são “lobistas” e “malandros” que devem ser julgados “na bala” caso defendam o que definiu como “ideologia de gênero”.

    “Nós temos que entrar lá e colocar para fora na bala, no pescoção, no chute na bunda, aqueles onze malandros que se fantasiaram de ministros do Supremo Tribunal Federal”, afirmou Jefferson, em live com Rodrigo Constantino no YouTube, na quarta-feira (23).

    Na avaliação da mestre em direito penal e advogada criminalista Luiza Oliver, ouvida pelo “Congresso em Foco”, a fala  pode ser enquadrada no artigo 18 da Lei de Segurança Nacional, que considera crime “tentar impedir, com emprego de violência ou grave ameaça, o livre exercício de qualquer dos poderes da União ou dos Estados”.

    “Independentemente disso, a fala pode configurar um crime de ameaça no Código Penal tradicional, assim como crimes como a honra aos ministros”, ponderou a advogada.

    “Todo mundo está sujeito a crítica, mas há limite da crítica e da ofensa. Passa-se um pouco do limite da crítica para ofender ao chamar os ministros de ‘malandros’, e isso não é crítica, mas sim ofensa à honra alheia.”

    Jefferson afirmou que ações do presidente Jair Bolsonaro estariam acordando a população. “O povo já entendeu que, quando cessam as palavras – e elas estão acabando – principia a pólvora. E a pólvora não virá pelo Estado, pelas Forças Armadas: o povo vai lançar mão da pólvora para resolver estas situações”. “É o povo que botará fogo na primeira banana de dinamite”.

    “Se o Supremo der a ideologia de gênero, nós temos que entrar lá e julgar aqueles caras todos no meio da praça, na bala”.

    O ex-deputado se refere à ADI 5.668, apresentada pelo Partido Socialismo e Liberdade (Psol) em 2017 que pede que a corte obrigue as escolas a coibir também as discriminações por gênero, por identidade de gênero e por orientação sexual e respeite as identidades das crianças e adolescentes LGBT+. A proposta iria contra a previsão dada pelo Congresso ao legislar sobre o tema.

    A questão posta pelo partido, caso acatado pela corte, poderia causar a “destruição da família judaico-cristã que defendemos”, segundo o ex-parlamentar, notório por ser o delator do Mensalão em 2005.

    O caso no STF tem a relatoria do ministro Edson Fachin, e não possui data fixada para ser julgado.

    Roberto Jefferson continua a proferir opiniões contra as instituições brasileiras mesmo após ter sido impedido pelo STF, em maio, de usar suas redes sociais oficiais. Desde então, só tem avolumado críticas à suprema corte:

    “São nomes que não tem mérito de concurso público nem foram eleitos para a função que ocupam. Foram colocados lá por lobbies, por interesses que o Brasil conhece e sabe como são”, disse durante a entrevista.

    O STF ainda não se manifestou.

    Os ministros que compõem a corte atualmente foram escolhidos, conforme manda a Constituição Federal, pelos presidentes Fernando Collor (que escolheu Marco Aurélio Mello) Fernando Henrique Cardoso (Gilmar Mendes), Lula (Lewandowski, Cármen Lúcia e Dias Toffoli), Dilma Rousseff (Luiz Fux, Rosa Weber, Luis Roberto Barroso e Edson Fachin), Michel Temer (Alexandre de Moraes) e Jair Bolsonaro (Kassio Nunes Marques). Todos os nomes também foram sabatinados e aprovados pelo Senado Federal.

    (Com informações do Congresso em Foco)

  • “Fadiga do zoom”, a nova doença do excesso de teletrabalho

    “Fadiga do zoom”, a nova doença do excesso de teletrabalho

    “Fadiga do zoom” é como os psiquiatras estão identificando  o desgaste provocado pelo excesso de encontros virtuais e videoconferências que a pandemia está impondo.

    Para avaliar esse impacto na saúde mental dos brasileiros a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), fez a primeira pesquisa sobre o tema, no período de 14 de agosto a 21 de novembro.

    A sondagem revela a elevação das queixas de pacientes sobre o excesso de trabalho por videoconferências nos últimos cinco meses, recebidas por 56,1% dos psiquiatras associados da ABP entrevistados.

    “Os pacientes relataram que a “fadiga do zoom” é um fato na vida delas, que elas de fato aumentaram o trabalho via teleconferência e adoeceram, precisaram de ajuda”, disse à Agência Brasil o presidente da ABP, Antonio Geraldo da Silva.

    O levantamento foi feito junto aos psiquiatras associados da ABP que atendem no Sistema Único de Saúde (SUS), no sistema privado e suplementar, e mostrou também que 63,3% deles perceberam um aumento de prescrição de psicotrópicos (remédios controlados) para tratar pessoas que tinham a queixa de excesso de trabalho por videoconferência.

    Os médicos associados da ABP notaram ainda a elevação de 70,1% da necessidade de prescreverem psicoterapia para seus pacientes também com essa fadiga.

    “É uma situação nova, é um fato novo. Mas estamos percebendo que há um cansaço das pessoas em usar a videoconferência, porque ela retira de você toda privacidade, aumenta sua carga de trabalho e sua carga de descanso fica comprometida e isso é, realmente, adoecedor”, disse Silva.

    De acordo com o presidente da ABP, as pessoas passaram a trabalhar em casa e os horários rotineiros foram rompidos. “Os chefes passaram a entender que as pessoas estão disponíveis 24 horas”.

    No teletrabalho, muitas vezes, as pessoas entram em uma videoconferência às 8h e saem somente ao meio-dia”, disse Silva. “Houve uma perda dos limites relacionais”.

    Na avaliação do presidente da ABP, o cuidado com a saúde mental da população deve ser abrangente e direcionado a todos para haver uma mudança de pensamento e comportamento.

    Enfatizou que as preocupações com a onda de consequências à saúde mental derivadas da pandemia permanecem com tendência ascendente.

    Segundo Silva, a agenda da saúde mental “é urgente e será um dos pilares para o bom enfrentamento às demais consequências trazidas pela pandemia. A saúde mental é a chave para enfrentarmos o cenário atual e seus desdobramentos”.

    A ABP estima que há 50 milhões de pessoas com algum tipo de doença mental no Brasil. O país engloba o maior número de pessoas com casos de transtornos de ansiedade do mundo.

    São cerca de 19 milhões de casos, que correspondem a 9% da população. Além disso, o Brasil ocupa o segundo lugar no mundo e o primeiro na América Latina em pessoas com quadros depressivos.

    Na avaliação do psiquiatra Jorge Jaber, da Associação de Psiquiatria do Estado do Rio de Janeiro (Aperj), o excesso de informações pode provocar um certo cansaço mental.

    Ele recomenda que as pessoas utilizem um filtro, uma seleção das fontes, buscando instituições tradicionais para obter conhecimento ou tirar dúvidas.

    Sobre prescrição de remédios, Jaber vê uma tendência comum nos pacientes psiquiátricos de conseguir mais receitas do que seria necessário. Neste momento de pandemia, ele atribui esse movimento a três fatores: o custo muitas vezes inacessível das consultas; a redução da capacidade do atendimento público aos pacientes psiquiátricos; e o receio do paciente de não ter o remédio à mão, em um momento de crise.
    (Com Agência Brasil)

  • O assalto em Criciúma e o boicote ao Timeline: um precedente perigoso

    O assalto em Criciúma e o boicote ao Timeline: um precedente perigoso

    Seis patrocinadores suspenderam suas publicidades no programa Timeline, da rádio Gaúcha,  por causa de um comentário do jornalista David Coimbra sobre o assalto ao Banco do Brasil em Criciúma.

    O assalto cinematográfico que chocou o Brasil ocorreu na madrugada de terça-feira, 1 de dezembro.

    Na manhã seguinte, na abertura do programa, o jornalista comentou o fato, chamando atenção para o tratamento dado aos reféns pelos assaltantes, que inclusive espalharam na rua dinheiro para que as pessoas pegassem.

    Disse que os assaltantes eram  “organizados”: “(… )tu vês que eles tem método… E  mais do que isso, eles tem respeito pelo cidadão”.

    Citou trechos de conversas dos assaltantes com os reféns e concluiu que eles tinham “uma justificativa ideológica para o ato, existe uma filosofia no assalto”.

    O comentário em diálogo com a “âncora” do programa, Kelly Matos, se desenrolou por três minutos, mais ou menos.

    O próprio David, ao final, ironizou a digressão filosófica a respeito do assunto: “Tu vês que há filosofia pra tudo, até pra roubo de banco”.

    O ataque começou antes mesmo do programa encerrar.

    Às 11 horas o empresário Roberto Rachewski postou numa rede social:

    “Se eu fosse dono da RBS demitia o David Coimbra e a Kelly Matos antes do fim do programa que comandavam. Curioso que defendem assalto a banco sendo patrocinados por um, a Unicred. Se eu fosse dono da Unicred cortava essa verba publicitária dessa emissora”.

    Rachewski, um dos fundadores do Instituto de Estudos Empresariais, é um empresário e militante ultra liberal. Seus últimos artigos no site do Instituto Liberal são eloquentes:

    “Racismo é a pior forma de coletivismo”.

    “Não precisamos mais experimentos comunistas, nem socialistas”.

    “Como definir o comportamento de um extremista”.

    O último artigo do empresário foi publicado nesta sexta-feira, dia 4: “Por que as empresas contratam jornalistas de esquerda?”.

    O artigo é “uma pregação aos anunciantes (…)para que direcionem suas verbas publicitárias patrocinando quem não defende bandido, seja o que assalta e mata nas ruas, seja o que usa a coerção estatal para impor suas pautas coletivistas estatistas”.

    O principal reforço à pregação de Rachewski veio já no dia seguinte ao programa: o Instituto Cultural Floresta, que reúne empresários empenhados em melhorar as condições de segurança no Estado.

    O Instituto, que já fez doações para equipamento da Brigada Militar e reforma em instalações policiais, emitiu uma “nota de reprovação aos comentários feitos pelos jornalistas”.  A nota é branda e registra que “as manifestações não são condizentes com formadores de opinião tão experientes e respeitados, que muitas vezes apoiaram e enalteceram as iniciativas da entidade”.

    Na sequência de manifestações, a Associação dos Oficiais da Brigada Militar, em nota oficial assinada por seu presidente, coronel Marcos Paulo Beck, “reprova” os comentários dos jornalistas.

    A nota da ASFOB reverbera o post de Rachewski, e considera “manifestações não condizentes com a realidade do trabalho dos policiais e nem com os valores éticos e morais que devem nortear uma sociedade, onde bandido é bandido e em situação alguma pode ser transformado em um herói, como Robin Hood de “quarta categoria”.

    A Unicred, cooperativa de crédito, foi a primeira, poucas horas depois, a anunciar numa nota pública a suspensão dos anúncios.

    Até o fim da sexta-feira, os cinco patrocinadores (Unicred, Salton, Biscoitos Zezé, Sebrae e Santa Clara) haviam cancelado seus contratos com o programa.

    Até um anunciante de varejo, o shopping Total, que teve alguns de seus anúncios avulsos para o Natal inseridos ao longo do programaTimeline, publicou nota informando que pediu para retirá-los daquele horário.

    Em notas, todos  afirmaram respeitar a “liberdade de imprensa e de opinião”, repudiando, porém, as opiniões emitidas por Coimbra e sua colega Kelly Matos e tornan público o rompimento do contrato com a emissora.

    Um post apócrifo circulando na internet comemorava o resultado na sexta-feira: “Hoje é dia de abrir conta na Unicred, comer queijo Santa Clara com biscoitos Zezé e tomar vinho Salton”.

    Os comentários dos jornalistas são inoportunos e equivocados, sem dúvida. Mas nada que não pudesse ser colocado nos devidos termos com uma manifestação ao programa.

    Qualquer um dos patrocinadores, tanto quanto os empresários ou o comandante da ASFOB teriam acesso ao microfone para manifestar sua opinião, com certeza.

    A reação desproporcional de boicotar o programa de maneira drástica, como que forçando a demissão dos apresentadores, configura claramente uma tentativa de linchamento profissional pelo delito de opinião.

    Um precedente perigoso para a imprensa e para todos os jornalistas.

  • Eleições 2020: o caminho do continuísmo já estava pavimentado

    Eleições 2020: o caminho do continuísmo já estava pavimentado

    A vitória de Sebastião Melo na eleição de Porto Alegre vai passar para os anais da política como mais um exemplo de que debates não ganham eleição.

    Melo perdeu em todos os debates com Manuela D’ávila.

    No último, na sexta-feira que antecedeu o pleito, foi constrangedora a fragilidade da sua retórica populista. Mas foi o vencedor nas urnas.

    Na verdade, os debates são irrelevantes.

    Primeiro porque  são burocráticos e pouco esclarecedores. Trabalham sobre uma base muito rasa de informações. “Uma formiguinha atravessaria com a água pela canela”, diria Nelson Rodrigues.

    Aquele sistema de sortear as questões tirando um papelzinho é coisa de gincana de colégio. “Saúde! O sr. tem dois minutos e trinta segundo para expor suas propostas para area da saúde em Porto Alegre”.

    Depois tem a replica de um minuto, a tréplica 30 segundos… No total quatro minuto para a saúde pública de uma cidade de um milhão e meio de habitantes.

    Ai tira-se outro papelzinho: “Transporte”.

    O  caso do transporte coletivo em Porto Alegre é patético. O presidente da Agergs, a agência reguladora dos serviços públicos concedidos, engenheiro Luiz Afonso Senna, define como “primitivos” os contratos de concessão do transporte coletivo a empresas privadas em Porto Alegre.

    Melo diz que vai “repactuar” os contratos assinados em 2015, quando era o vice-prefeito. Passou a campanha inteira falando na tal “repactuação” sem explicar. A preocupação dos perguntadores era se os candidatos iam ou não privatizar a Carris.

    Na verdade, não só os debates não influem. A própria campanha alterou pouco o resultado que já estava anunciado no primeiro turno.

    O que ganha eleição é um sistema de comunicação dominante, oligopólico, que distila diuturnamente uma ideologia, desqualificando, quando não criminalizando, um caminho, enaltecendo outro.

    Nesse ambiente, quando um candidato como Melo chega com seu discurso os corações e mentes já estão preparados.

     

  • Eleições 2020: dois projetos se defrontam em Porto Alegre neste domingo

    Eleições 2020: dois projetos se defrontam em Porto Alegre neste domingo

    Porto Alegre neste segundo turno é onde mais nitidamente se defrontam dois projetos, duas visões  do Estado e da sociedade, que hoje dividem ideologicamente o Brasil.

    Mais do que São Paulo,  inclusive.

    Manuela D’Ávila, de uma coligação de esquerda (PCdoB-PT-PSOL-PDT) e Sebastião Melo,  do MDB, liderando uma frente que inclui desde frações trabalhistas até a extrema direita bolsonarista.

    Manuela representa  forças que já governaram Porto Alegre por 16 anos e deram projeção internacional à cidade. Ênfase em políticas sociais, democracia direta, o poder público como redutor das desigualdades.

    Sebastião Melo, independente de suas qualidades pessoais, representa um projeto que fracassou em Porto Alegre. Privatizações, terceirizações, redução da estrutura pública para abrir espaço a negócios privados.

    Basta olhar em volta: obras da Copa 2014, Portais da Cidade, BRTs, entorno da Arena, transporte coletivo, o Mercado Público.

    Não foi o princípio da PPP ou das terceirizações  que fracassou, foi sua implementação, o despreparo do poder público, a falta de fiscalização, a leniência.

    Duas gestões do PPS/PMDB (José Fogaça), uma do PDT (Fortunati) e a do PSDB (Marchezan) cobrem esse período pós PT.

    Principalmente depois que Fogaça, na metade do segundo mandato, saiu para concorrer ao governo do Estado, a marca  é a estagnação, as indefinições, a falta de projetos, os  conflitos com o funcionalismo, desmonte do planejamento, numa cidade que foi uma das pioneiras em planejamento urbano no Brasil.  A gestão de Marchezan  foi uma continuidade atípica dessa distopia.

    Melo é um homem do diálogo, um político de conduta, um hábil articulador, mas, por injunção partidária, está à frente de um  projeto que envelheceu,  uma árvore que fanou  sem dar frutos. O que ele propõe é continuar empurrando com a barriga os graves problemas da cidade.

    Melo representa as forças que, há 16 anos, derrubaram  o projeto que hoje tem Manuela como candidata. Estão no poder também há 16 anos sem  conseguiram colocar  no lugar algo que fosse claro, que pudesse significar um projeto para a cidade.

     

     

  • Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

    Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

    A morte de Carlos Alberto de Freitas, negro de 40 anos, espancado e asfixiado por dois seguranças do Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes e motivou protestos antirraciais por todo o mundo.

    No supermercado onde ocorreu o crime houve manifestações já na sexta-feira, com forte repressão policial. No fim de semana vários atos de protesto denunciaram o racismo e a violência.

    O tema contaminou a campanha eleitoral na sua reta final. No mesmo dia Manuela e Melo participaram de atos contra o racismo.

    A morte de João Alberto abriu o horário eleitoral de televisão, no primeiro dia de exibição no segundo turno, quando os dois candidatos renderam homenagens.
    Melo dedicou dois dos cinco minutos do programa da noite de sexta-feira ao caso. O vídeo iniciou com uma mensagem: “Porto Alegre está de luto”.
    Em seguida, o próprio candidato lamentou o fato: “20 de novembro é o Dia da Consciência Negra. É com profunda tristeza que em um dia tão emblemático Porto Alegre se depare com mais um episódio de violência”.
    E completou: “A Porto Alegre que queremos é de paz, igualdade, dignidade e respeito para todos, independente de cor, gênero, religião, ideologia ou partido político”.
    Manuela encerrou o programa da noite de sexta-feira com uma homenagem. E dedicou todo o programa de sábado ao caso. A peça começou com uma série de imagens de pessoas negras em Porto Alegre e a citação de estatísticas sobre assassinatos e violência contra negros.
    O programa teve imagens do protesto em frente ao Carrefour, com pedidos de justiça, e falas sustentando que a morte de João Alberto não é um caso isolado. Políticos negros também citaram casos de racismo pelos quais passaram, falando em racismo estrutural.
    Os cinco vereadores negros eleitos para a próxima legislatura em Porto Alegre – Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB) – também protestaram em frente ao Carrefour na sexta-feira, pedindo justiça.

    Qual será a influência deste fato, de repercussão internacional, junto ao eleitor que vai domingo às urnas decidir entre Manuela d’Ávila e Sebastião Melo?

    Esta é a pergunta que vai marcar a semana decisiva das eleições de 2020 em Porto Alegre.

     

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  • Boulos ameaça o favoritismo do prefeito Bruno Covas em São Paulo

    Boulos ameaça o favoritismo do prefeito Bruno Covas em São Paulo

    O desempenho de Guilherme Boulos (PSOL) no primeiro debate com Bruno Covas, em São Paulo, aponta para a ascensão de uma nova estrela da esquerda brasileira, que poderá surpreender no segundo turno das eleições municipais, dia 29.

    O debate foi promovido pela CNN na noite desta segunda-feira e foi um caso exemplar de disputa política em alto nível.

    Covas fez  1,7 milhões de votos (32,85%) no primeiro turno, superando largamente o seu oponente Boulos que fez pouco mais de 1 milhão de votos (20% do total).

    O confronto entre os dois no primeiro debate mostrou que não vai ser fácil para Covas, o atual prefeito que disputa a reeleição, manter esse favoritismo.

    Tranquilo, articulado, demonstrando conhecimento dos problemas da cidade, Boulos foi incisivo, sem agressividade, nas perguntas e claro e preciso nas respostas.

    Mostrou que tem projetos e não pretende fazer uma gestão sectária, se for eleito. O prefeito Bruno Covas, candidato qualificado, sentiu em vários momentos que tem pela frente um osso duro de roer.

    Boulos tem ainda um diferencial nesta campanha: a sua candidata a vice, a deputada Luiza Erundina, ex-prefeita da cidade, de 85 anos.

    Eleita em 1988, numa campanha surpreendente em que começou com 6% das intenções de voto e acabou batendo dois profissionais de política – o ex-prefeito Paulo Maluf  e o então deputado José Serra.

    A atuação de Erundina, que atua há mais de 30 anos nas regiões da periferia da cidade, certamente pesou bastante no desempenho de Boulos no primeiro turno, que começou com 9% das intenções de voto e chegou aos 20% superando nomes tradicionais como Celso Russomano e Mario França.

    Neste segundo turno, Boulos terá o apoio do PT, que no primeiro turno concorreu com Gilmar Tatto e obteve 8,6% dos votos.

     

     

     

     

     

  • Desafio de Manuela e Melo é conquistar os 400 mil que não votaram no primeiro turno

    Desafio de Manuela e Melo é conquistar os 400 mil que não votaram no primeiro turno

    O resultado lógico da eleição municipal em Porto Alegre, no segundo turno, seria uma derrota da candidata Manuela Dávila, do PSOL, frente a Sebastião Melo, do PMDB.

    Começa pelo desempenho dos candidatos até aqui.

    Manuela que liderou com folga desde o início da campanha, chegou a ter 40% das intenções de voto na reta final do primeiro turno.

    O resultado das urnas, que lhe deram 29% dos votos válidos, indica perda de dinamismo numa trajetória que era, até então, ascendente a ponto de alimentar ilusões de liquidar a disputa ainda no primeiro turno.

    Seu adversário, ao contrário. Ao longo da campanha patinou em torno dos 10% nas intenções de voto, numa disputa acirrada pelo segundo lugar com José Fortunati, do PTB,  e com o prefeito Nelson Marchezan, do PSDB.

    A saída de Fortunati, numa decisão intrigante, para aderir à candidatura Melo, teve o efeito esperado, com a maciça transferência de votos que o levaram aos 31% e à vitória no primeiro turno, ao qual chegou em trajetória ascendente.

    Costuma-se dizer que o segundo turno é uma outra eleição, pois o rearranjo de forças pode alterar significativamente o quadro da disputa.

    Nesse caso, Sebastião Melo, já favorecido pelos votos do PTB de Fortunati, tende a ampliar o arco de alianças, ganhando o apoio da oito dos 12 partidos que disputaram o primeiro turno. Inclusive parte dos eleitores de Marchezan, que vai ficar neutro, tendem, pela força do anti-petismo, a votar em Melo.

    Já Manuela, candidata de um partido pequeno, o PCdo B, tem como base de sua candidatura a força eleitoral do PT, partido do seu vice, Miguel Rossetto. Terá no segundo turno o apoio do PSOL, que no primeiro turno concorreu com Fernanda Melchiona.

    A votação de Fernanda Melchiona, cerca de 28 mil votos, comparada ao desempenho dos vereadores do PSOL (os campeões de votos nesta eleição), mostra que parte dos psolistas já praticou o voto útil e votou em Manuela, no primeiro turno.

    Em todo caso, são mais de 4%dos votos  que tendem a ir em massa para Manuela, que contará também com a militância dos puxadores de voto do PSOL –  como Karen Santos, Pedro Ruas e Roberto Robaina.

    Manuela terá também uma parte dos votos do PDT (6,5% do total), pois os trabalhistas mais à esquerda tendem a não votar em Melo, cujo espectro de alianças inclui até os bolsonaristas da extrema direita.

    Essa é a lógica que indica o favoritismo de Melo na eleição do dia 29, em Porto Alegre. No entanto, as disputas eleitorais em segundo turno nem sempre respeitam a lógica.

    Uma das razões pelas quais se diz que o segundo turno é uma outra eleição é a chance de um debate mais direto e mais claro entre os dois oponentes, que terão também tempos iguais na propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

    Há que considerar também a influência de fatores externos, como é o caso da eleição em São Paulo, onde Guilherme Boulos, do PSOL, caminha para ser o maior fenômeno eleitoral do país neste segundo turno.

    Em todo caso, o desafio principal de ambos será mobilizar os mais de 40% dos eleitores que não foram votar (33%) ou votaram  em branco ou nulo. Esse contingente, que soma mais de 430 mil eleitores, se tivesse votado num único candidato teria ganho a eleição no primeiro turno.

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

  • Boulos em São Paulo, Manuela em Porto Alegre: a direita põe as barbas de molho

    Boulos em São Paulo, Manuela em Porto Alegre: a direita põe as barbas de molho

    Duas cidades nestas eleições ameaçam a hegemonia que a direita construiu em 2018: São Paulo e Porto Alegre.

    Porto Alegre, que já foi “a cidade vermelha”, pelo aspecto simbólico.

    São Paulo, terceiro orçamento do país (depois da União e do Estado de SP), pela peso econômico e  influência nacional.

    Em São Paulo, Guilherme Boulos, do PSOL, está em segundo lugar e se credencia para a disputa final com o prefeito Bruno Covas.

    Se chegar ao segundo turno, unirá toda a esquerda em torno de seu nome e se alcançar a periferia, onde conta com a influência da ex-prefeita Luiza Erundina, de 85 anos, agora sua vice, pode surpreender.

    Em Porto Alegre, Manuela d’Ávila, da chapa PCdoB/PT, lidera a disputa desde o início e tem lugar garantido no segundo turno, com 35% das intenções de voto conforme as pesquisas.

    Vai enfrentar Sebastião Melo, ao que tudo indica. Mas uma reação do prefeito Nelson Marchezan Junior, que está em terceiro lugar, não é descartável.

    De qualquer forma, o maior inimigo de Manuela no segundo turno será o anticomunismo e antipetismo que vai unir um amplo espectro de centro direita contra ela.

    Em torno dela, deverá unir-se toda a  centro esquerda, que já elegeu quatro prefeitos em Porto Alegre de 1988/2004, mas desde então sofre sucessivas derrotas.

    Se essas duas candidaturas tiverem sucesso, todo o cenário de 2022 estará alterado.