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  • Eleições 2020: Caetano e Paula Lavigne doaram 200 mil para a campanha de Manuela

    Eleições 2020: Caetano e Paula Lavigne doaram 200 mil para a campanha de Manuela

    A campanha de Manuela D’Ávila à prefeitura de Porto Alegre já arrecadou R$ 5.038.897,13, segundo a Justiça Eleitoral. Sendo R$ 358.510,13 de doações de pessoas físicas (7,11%) e R$ 48.959,00 de financiamento coletivo (0,97%).

    Os maiores doadores da campanha são o casal Caetano Veloso e Paula Lavigne, que juntos doaram R$ 200.000,00.

    O artista, um dos maiores do Brasil, realizou dia 10 de novembro uma Live na internet para arrecadar fundos, tanto para Manuela D’Ávila quanto para Guilherme Boulos, que disputa a prefeitura da cidade de São Paulo. Inicialmente o show online foi proibido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE/RS). Mas, em 5 de novembro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) liberou o ato.

    Nas doações, após o casal Caetano e Paula, vem a escritora Beatriz Bracher, que doou R$ 30.000,00 para a candidatura. Ela é membro da diretoria do Instituto Acaia, entidade sem fins lucrativos dedicada à educação, e pertence a uma tradicional família de banqueiros. O pai, Fernão Bracher, foi fundador do Banco Central e Banco BBA, hoje parte do grupo Itaú Unibanco.

    A vaquinha da candidata, que contam com contribuições espontâneas de eleitores e admiradores, arrecadou quase R$ 50 mil (48.959). É o melhor desempenho deste tipo de modalidade na eleição em Porto Alegre. Na lista ainda de doadores há outras dezenas de pessoas que fizeram doações de menor porte.

    Os valores arrecadados ainda não são os definitivos, já que despesas e receitas podem ser inseridas a qualquer momento pelo partido e candidato no sistema da Justiça Eleitoral. Oficialmente, a campanha tem até 15 de dezembro para apresentar as despesas finais.

    As principais fontes de receita dos candidatos são o fundo especial e partidário (dinheiro público). Depois são seguidas de doações de pessoas físicas e a possibilidade do financiamento coletivo. A Justiça Eleitoral definiu em R$ 6,6 milhões o teto de gastos para cada um dos concorrentes à prefeitura de Porto Alegre.

    Para chegar no segundo turno, Manuela D’Ávila gastou R$ 10,14 para cada voto obtido, enquanto Sebastião Melo gastou R$ 7,24.

    Do total arrecado, a campanha de Manuela já indicou despesas no valor de R$ R$1.899.387,77 .

    O maior gasto é com instituo de pesquisa Methodus, que já recebeu R$ R$255.000,00 por pesquisas e teste eleitorais.

    Ranking doadores campanha de Manuela D’Ávila (PCdoB)
    
    - Direção Nacional (PCdoB)               R$ 2.954.000,00
    - Direção Nacioan (PT)                   R$ 1.677.428,00
    - Paula Mafra Lavigne                    R$ 100.000,00 
    - Caetano Emmanoel Viana Telles Veloso   R$ 100.000,00
    - Financiamento Coletivo                 R$ 48.959,00
    - Beatriz Sawaya Botelho Bracher         R$ 30.000,00
    
    Fonte: Divulgação de Contas TSE
  • Eleições 2020: grandes empresários são os financiadores da candidatura Melo

    Eleições 2020: grandes empresários são os financiadores da candidatura Melo

    A candidatura de Sebastião Mello ao cargo de prefeito de Porto Alegre arrecadou exatos R$ 1.482.681,99. Valores informados à Justiça Eleitoral.

    Do total, R$ 478.800,21 são doações de pessoas físicas, o que representa 32,29% do total arrecado (R$ 1.482.681,99). Os dados estão disponíveis no site do TSE.

    Os sete maiores “mecenas” da campanha emedebista são os empresários Ricardo Antunes Sessegolo, diretor do grupo Goldsztein; José Isaac Peres, sócio do grupo Mulitplan, ambos doaram R$ 40 mil. E os sócios do grupo Abelim, empresa que atua no processamento e importação de carne, Michele Shen Lee, Maximiliano Chang Lee, Lee Shing Wen, Eduardo Shen Pacheco da Silva e José Roberto Fraga Goulart.

    Ricardo Sessegolo, empatado no 1º lugar no ranking de maiores doadores, é do ramo da construção civil, diretor da Goldsztein e ex-presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado do Rio Grande do Sul, o SINDUSCON-RS.

    José Isaac Peres, que também foi um dos maiores doadores da campanha de Nelson Marchezan Júnior (com R$ 70000), é fundador e acionista do Grupo Multiplan, responsável pelo Barra Shopping Sul. O grupo também controla outros 18 shoppings de alto padrão, em seis estados brasileiros.

    Já os sócios Lee Shing Wen, chinês naturalizado brasileiro, Michele Shen Lee, Maximiliano Chang Lee, Eduardo Shen Pacheco da Silva, descendentes do país asiático, e José Roberto Fraga Goulart, atuam na importação de produtos alimentícios, mais especificamente no segmento de proteína animal, tendo como base duas marcas: a Alibem, produtora de carne suína; e a Agra, produtora de carne bovina. Ambas estão entre as cinco maiores exportadoras de carne do sul do país.

    Outras dezenas de pessoas também aparecem na lista de doadores da campanha de Melo. Os valores arrecadados ainda não são os definitivos, já que despesas e receitas podem ser inseridas a qualquer momento pelo partido e candidato no sistema da Justiça Eleitoral. Oficialmente, a campanha tem até 15 de dezembro para apresentar as despesas finais.

    A principal fonte de receita dos candidatos é o fundo especial e partidário (dinheiro público). Depois aparecem doações de pessoas físicas. Há ainda possibilidade de financiamentos coletivos. A Justiça Eleitoral definiu em R$ 6,6 milhões o teto de gastos para cada um dos concorrentes à prefeitura de Porto Alegre.

    Para chegar no segundo turno, Sebastião Melo gastou R$ 7,24 por voto. Já sua adversária, Manuela D’Ávila, gastou R$ 10,14.

    Do total arrecado, a campanha de Melo já indicou despesas no valor de R$1.451.725,73. O maior gasto é com a produtora Cubo Filmes, R$ 278.256,00.

    Ranking doadores campanha de Sebastião Melo (MDB) 
    
    - Direção Nacional (MDB)                   R$ 720.900,00
    - Direção Estadual (MDB)                   R$ 202.481,78
    - Direção Nacional (Democratas)            R$ 80.500,00
    - Ricardo Antunes Sessegolo                R$ 40.000,00
    - Jose Isaac Peres                         R$ 40.000,00
    - Michele Shen Lee                         R$ 36.000,00
    - Maximiliano Chang Lee                    R$ 36.000,00
    - Lee Shing Wen                            R$ 36.000,00
    - Jose Roberto Fraga Goulart               R$ 36.000,00
    - Eduardo Shen Pacheco da Silva            R$ 36.000,00
    
    Fonte: Divulgação de Contas TSE

     

  • Ibope mostra Sebastião com 49% dos votos e Manuela com 42%

    Ibope mostra Sebastião com 49% dos votos e Manuela com 42%

    Sebastião Melo (MDB) tem 49% contra 42% das intenções de voto de Manuela D’Ávila (PCdoB) no segundo turno das eleições para a Prefeitura de Porto Alegre. Os números são da pesquisa Ibope, divulgada nesta terça-feira, 24/11.

    Ainda, brancos e nulos são 5%, enquanto 4% não sabem/não responderam.

    Se considerados somente os votos válidos, ou seja, excluindo brancos e nulos, Sebastião Melo tem 54% e Manuela, 46%. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

    Foram ouvidos 805 eleitores da capital, entre os dias 22 e 24 de novembro. A pesquisa tem identificação na Justiça Eleitoral e foi encomendada pelo grupo RBS.

    No primeiro turno mais de 33% dos eleitores de Porto Alegre não compareceram à votação. Convencer esses eleitores a irem votar pode ser decisivo na disputa.

    Foi a primeira pesquisa do Ibope para o segundo turno na Capital. Na semana passada uma pesquisa do Instituto Paraná apontava Melo com 53% e Manuela tendo 32% das intenções do voto. Comparando os números, nota-se uma diminuição da diferença entre os candidatos. A eleição ocorre domingo, 29/11.

  • Fiscal do Carrefour é presa temporariamente por participação no assassinato de Beto

    Fiscal do Carrefour é presa temporariamente por participação no assassinato de Beto

    A Polícia Civil pediu e a justiça decretou a prisão temporária de Adriana Alves Dutra, 51 anos, pelo prazo de 30 dias, prorrogável pelo mesmo período. O pedido feito pela polícia e ratificado pelo Ministério Público foi inicialmente pela prisão preventiva de Adriana, que é investigada pela participação na morte de João Alberto Silveira Freitas, na última quinta-feira, 19/11, no supermercado Carrefour da zona norte de Porto Alegre.

    Agente de fiscalização do supermercado, Adriana é vista em vídeos da morte de João Alberto andando ao redor da vítima e parece falar por meio de um rádio. Ela ainda é flagrada tentando impedir as filmagens e discute com outros clientes. A funcionária, que aparece em imagens de camisa branca, calça preta e crachá, ameaça pessoas que gravavam o fato. “Não faz isso, não faz isso senão vou te queimar na loja”, diz.

    Adriana se apresentou no Palácio da Polícia nesta terça-feira e foi avisada da prisão. Para a delegada Roberta Bertoldo, ela é a superior hierárquica dos homens que espancaram e asfixiaram a vítima, os seguranças Marcos Braz Borges e Giovane Gaspar da Silva, que já estão presos desde a noite do assassinato. A fiscal é investigada por homicídio doloso triplamente qualificado, assim como os seguranças.

    Adriana Alves Dutra teria acionado os dois acusados, que faziam a segurança do estabelecimento naquela noite, para conduzir a vítima para fora da loja, onde ele foi agredido e morreu. A polícia informou que a suspeita deixou a casa onde mora logo após o fato, sem informar onde estava, o que também sustentaria o pedido de prisão. A Advogada dela afirmou que Adriana saiu de casa por se sentir ameaçada.

    A Juíza Cristiane Busatto Zardo esclareceu que é preciso verificar a participação de Adriana Alves Dutra e, talvez, de outras pessoas neste caso. A magistrada disse que não afasta a necessidade, mas antes de se cogitar a prisão preventiva, é preciso investigar melhor a posição da representada nos fatos. “Entendo, assim, que a prisão temporária se mostra mais adequada, neste momento, permitindo à Autoridade Policial que colha os elementos que forem necessários e possíveis aos esclarecimentos dos fatos”. A justiça também esclareceu que a prisão não viola a lei eleitoral, já que a mulher é moradora da Região Metropolitana, em cidade que não terá segundo turno.

    A Polícia Civil também investiga a possível participação de outras pessoas no crime e pretende esclarecer o motivo do soco que João Alberto deu em um dos seguranças, o que desencadeou a reação abusiva dos seguranças, e se há registros de outros desentendimentos de Beto ocorridos no supermercado.

    ONU pede investigação independente da morte

    A alta comissária da Organização das Nações Unidas (ONU) para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, pediu às autoridades brasileiras que seja investigada de maneira “rápida, completa, independente, imparcial e transparente” a morte de João Alberto Silveira Freitas.

    Em comunicado, a porta-voz da alta comissária, Ravina Shamdasani, disse que a morte de João Alberto “é um exemplo extremo, mas infelizmente muito comum, da violência sofrida pelos negros no Brasil”, onde há “persistente discriminação estrutural”. Segundo ela, Bachelet salienta que é preciso apurar se o crime foi motivado por preconceito racial.

    A morte ocorreu na noite de quinta-feira (19), véspera do Dia da Consciência Negra, no supermercado Carrefour, em Porto Alegre.

    Conforme a porta-voz da alta comissária da ONU para os Direitos Humanos, o racismo, a discriminação e a violência contra afrodescendentes no Brasil “são documentados por dados oficiais, que indicam que o número de vítimas afro-brasileiras de homicídio é desproporcionalmente maior do que outros grupos”.

  • Vice na sombra: Bruno Covas e Sebastião Melo têm algo em comum

    Vice na sombra: Bruno Covas e Sebastião Melo têm algo em comum

    No debate do Roda Viva desta segunda-feira, 23/11, na TV Cultura, foi levantada mais uma vez a questão do vice que o candidato Bruno Covas tenta manter na sombra durante sua campanha à reeleição como prefeito de São Paulo.

    O vereador Ricardo Nunes, do MDB, vice na chapa de Covas, tem registro policial de violência contra a mulher e uma investigação no Tribunal de Contas por suspeita de superfaturamento em creches alugadas à prefeitura. Estas acusações já foram publicadas pelo blogueiro Felipe Neto e motivaram um processo, mas a Justiça não mandou retirar as denúncias do ar.

    Covas, no Roda Viva, voltou a repetir que não há nada provado contra seu vice e que ele está sendo atacado porque é uma figura popular. Mas a verdade, como comentaram os entrevistadores do programa, é que Covas só fala do vice quando questionado.

    Enquanto seu adversário, Guilherme Boulos, não perde oportunidade de mencionar a sua vice, Luiza Erundina, Covas não cita o vice nem na propaganda.

    Nisso se parece ao candidato Sebastião Melo, do MDB, cujo vice Ricardo Gomes, atual DEM, também fica na sombra e mal aparece na propaganda eleitoral.

    Fundador do Movimento Brasil Livre (MBL), Gomes foi eleito vereador na esteira das manifestações de apoio ao impeachment de Dilma Roussef e defendendo uma política liberal e a favor de privatizações. Com histórico em atuação e promoção de sociedades empresariais ligadas ao liberalismo, presidiu o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), associação que reúne empresários, forma lideranças políticas e realiza eventos como o Fórum da Liberdade.

    O vice de Melo foi secretário de Desenvolvimento Econômico de Marchezan, mas brigou e rompeu com o atual prefeito ao discordar da lei que modificou o IPTU na Capital gaúcha. Ricardo Gomes é contra o projeto, que classifica como aumento abusivo de imposto. Eleito pelo PP, trocou de partido e está no DEM, e foi o indicado para vice de Melo.

    Gomes já denominou a chapa como de “centro-direita” e age como ligação ao empresariado gaúcho liberal e com forças próximas ao bolsonarismo, ainda que ele, Gomes, não se declare abertamente apoiador do presidente da República.

    A eleição no segundo turno ocorre no próximo domingo, dia 29. Em Porto Alegre disputam o voto Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’Ávila (PCdoB), que tem como vice em sua chapa Miguel Rosseto (PT).

     

  • Sinais de virada em São Paulo: Boulos segue subindo, Covas perde força na reta final

    Sinais de virada em São Paulo: Boulos segue subindo, Covas perde força na reta final

    A seis dias da eleição, a pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira aponta sinais de virada em São Paulo, com o candidato do PSOL, Guilherme Boulos mantendo a forte tendência de alta e o prefeito Bruno Covas (PSDB) em queda.

    De acordo com a pesquisa, Boulos ganhou cinco pontos em uma semana, chegando a 40% das intenções de voto, enquanto Covas se manteve nos mesmos 48% do levantamento realizado nos dias 17 e 18.

    A pesquisa mostra que a Boulos conseguiu o voto de pessoas que antes diziam votar branco ou nulo.

    A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

    Considerando os votos válidos, que exclui brancos, os nulos e os eleitores que se declaram indecisos, Boulos oscilou de 42% para 45% dos votos válidos, enquanto Covas oscilou negativamente de 58% para 55%. Este é o critério usado pela Justiça Eleitoral determinar o resultado oficial da eleição. Para vencer no 2º turno, um candidato precisa de 50% dos votos válidos mais um voto.

    A principal diferença do segundo turno para o primeiro é o tempo de TV, que passou a ser dividido de forma igualitária entre os candidatos. No primeiro turno, ancorado em sua coligação de dez partidos, Covas teve 3 minutos e 29 segundos no horário eleitoral de TV, contra 17 segundos de Boulos.

    Boulos cresceu em intenções de voto sobretudo nos estratos mais jovens do eleitorado: ele cresceu 6 pontos entre os eleitores de 16 a 24 anos e três pontos entre os eleitores de 25 a 34 anos.

    Covas, entretanto, mantém sua vantagem em todos os recortes de renda familiar: vence tanto entre os mais ricos quanto entre os mais pobres. Guilherme Boulos, por outro lado, tomou a dianteira entre os eleitores com ensino superior.

    O Datafolha mostra que o atual prefeito recebeu a maior fatia de votos dos principais concorrentes de ambos no primeiro turno: 45% dos eleitores de Márcio França vão votar em Covas e 72% dos eleitores de Russomanno votarão no tucano.

    A pesquisa foi realizada no dia 23 de novembro, ouviu 1.260 pessoas na cidade de São Paulo e foi registrada no Tribunal Regional Eleitoral com o número SP-0985/2020. O nível de confiança utilizado é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem o atual momento eleitoral, considerando a margem de erro.

     

  • Pessoas negras são apenas 3% dos servidores de nível superior do RS

    Pessoas negras são apenas 3% dos servidores de nível superior do RS

    Pesquisa realizada pela PUCRS com associados do Sindicato dos Servidores de Nível Superior do Rio Grande do Sul (Sintergs) mostra que apenas 3% dos funcionários públicos com graduação são pretos. Entre os 366 participantes, 5,7% são pardos e 0,3% indígenas. Brancos chegam a 91%. Os dados fazem parte de estudo realizado em 2020 e serviram de base para a cartilha lançada pelo Sintergs em outubro.

    A baixa representatividade de negros no serviço público, especialmente em cargos de nível superior, demonstra a dificuldade de acesso à educação de qualidade. Ângela Antunes, diretora do Sintergs, frisa que como primeiro passo para uma mudança é importante questionar a desigualdade e assumir que há privilégios em ser branco.

    “Entender a necessidade das cotas, da dívida histórica do Brasil com os afrodescendentes e indígenas e desmitificar a meritocracia, como se todos tivessem acesso às mesmas condições, é fundamental”, avalia Angela. Ela lembra que o Dia Nacional da Consciência Negra tem sua raiz em solo gaúcho, no Grupo Palmares, em Oliveira Silveira, Antonio Carlos Côrtes e outros militantes negros e negras. “Que o 20 de novembro conscientize também a branquitude”, apela.

    Educação contra racismo

    Abidemi significa “aquela que chegou antes”. O nome que rebatizou Josi Beatriz Viegas Cunha no batuque traduz o sentido que ela tem para sua comunidade. Mulher preta forte e pioneira, abriu caminhos para si pela educação. Mas revela que não cresceu sozinha – teve a força de sua ancestralidade e o apoio de pai, mãe e irmãs. As guias no pescoço e o dread nos cabelos há 21 anos são marcas de Josi. Mais do que mudar paradigmas, ela diz que carrega suas referências como forma de assumir seu estilo e sua crença na religião afrobrasileira.

    Formada em Engenharia Civil pela PUCRS como aluna destaque da turma de 1993, é servidora estadual há 20 anos. Começou sua trajetória na Secretaria de Educação e hoje trabalha na Secretaria de Obras. Desde que ingressou no serviço público, ela tem consciência de seu papel para ajudar a melhorar a vida das pessoas. “O posto de saúde vai para a comunidade preta, a escola estadual vai para a comunidade preta”, conta, motivada pelo trabalho que realiza.

    Na carreira, os desafios são grandes. “Minha posição não é de inferioridade, mas estou atrás até de quem entrou agora. Vejo que colegas brancas que fizeram faculdade já chegam em patamar superior, mesmo eu ganhando financeiramente mais, elas têm mais acesso. Tive de ser melhor do que homem branco e que mulher branca, ser a melhor das melhores, pois, além de ser mulher, sou preta”, explica.

    “Às vezes, olham pra mim e dizem que as cotas não são necessárias: se tu conseguiste, outros também conseguem. Mas um dos meus anjos, homem preto que conseguiu meu primeiro estágio, não se formou. Faltou suporte familiar e econômico. Meus pais abriram mão de conquistas para eu me formar, eu abri mão. Meu pilar era de madeira, não era de concreto. Não havia estrutura, por isso a necessidade de reparação.”

  • Câmara volta a discutir projeto para facilitar renegociação de dívidas

    Câmara dos Deputados decidiu acelerar a tramitação de um projeto que permitirá a renegociação de dívidas de pessoas físicas e jurídicas.

    A proposta é chamada de Programa Extraordinário de Regularização Tributária durante a pandemia e é considerada um “Refis da Covid-19”.

    O despacho encaminhando o texto para tramitação nas comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça foi publicado no Diário Oficial de sexta-feira, 20.

    Há pedidos de líderes para aprovar um regime de urgência, o que poderia levar a proposta para votação direta em plenário. A proposta do deputado Ricardo Guidi (PSD-SC) estava parada desde maio na Casa.

    O despacho para a tramitação nas comissões é assinado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

    Maia afirmou neste domingo que uma renegociação das dívidas poderia ser incluída nas discussões da reforma tributária, mas não seria prioridade neste momento.

    O projeto na Câmara prevê renegociação dos débitos de pessoas físicas e jurídicas, inclusive para quem já está em recuperação judicial.

     

     

  • Covid pega deputado Osmar Terra, aliado de Bolsonaro na crítica do isolamento social

    Covid pega deputado Osmar Terra, aliado de Bolsonaro na crítica do isolamento social

    O deputado federal Osmar Terra deu entrada no domingo (22) no Hospital São Lucas, de Porto Alegre.

    Em postagem nas redes sociais, o parlamentar, que está com Covid-19, afirmou que fará exames de avaliação e fisioterapia no tratamento da doença.

    Segundo ele, o tratamento visa “acelerar a volta ao trabalho o mais breve possível”. Segundo o hospital, ele seguirá em observação durante os próximos dias.

    “Já iniciei tratamento precoce com hidroxicloroquina e ivermectina. Comecei o isolamento em casa e cumprirei minha agenda de forma remota nos próximos dias seguindo as instruções médicas”, informa post do político.

    Estudos no Brasil e no exterior já negaram a eficácia da hidroxicloroquina no combate à doença. E a Anvisa diz que “não existem estudos conclusivos” para o uso dos antiparasitários, como a ivermectina.

    Ex-ministro dos governos Bolsonaro e Temer, Terra também foi secretário de Saúde do Rio Grande do Sul.

    Durante debate, em maio, o deputado criticou o isolamento social. O Twitter chegou a marcar uma postagem dele com um aviso de sanção, pois contrariava medidas do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde.

    Osmar foi um dos críticos mais ativos contra as medidas de isolamento social apoiadas desde o início da pandemia, opondo-se ao então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta. Após a demissão deste, os rumores apontavam para que Osmar Terra assumisse o cargo, dada sua relação com o presidente Jair Bolsonaro.

    Em março Osmar chegou a dizer que os casos de covid seriam menores que os de H1N1 no Brasil em 2019 – o que geraria cerca de 3.500 casos de infecção e 800 mortes. Hoje, já são mais de 6 milhões de casos e 167 mil mortos pela pandemia.

     

  • Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

    Eleições 2020: a influência dos protestos às vésperas do voto

    A morte de Carlos Alberto de Freitas, negro de 40 anos, espancado e asfixiado por dois seguranças do Carrefour em Porto Alegre, ganhou manchetes e motivou protestos antirraciais por todo o mundo.

    No supermercado onde ocorreu o crime houve manifestações já na sexta-feira, com forte repressão policial. No fim de semana vários atos de protesto denunciaram o racismo e a violência.

    O tema contaminou a campanha eleitoral na sua reta final. No mesmo dia Manuela e Melo participaram de atos contra o racismo.

    A morte de João Alberto abriu o horário eleitoral de televisão, no primeiro dia de exibição no segundo turno, quando os dois candidatos renderam homenagens.
    Melo dedicou dois dos cinco minutos do programa da noite de sexta-feira ao caso. O vídeo iniciou com uma mensagem: “Porto Alegre está de luto”.
    Em seguida, o próprio candidato lamentou o fato: “20 de novembro é o Dia da Consciência Negra. É com profunda tristeza que em um dia tão emblemático Porto Alegre se depare com mais um episódio de violência”.
    E completou: “A Porto Alegre que queremos é de paz, igualdade, dignidade e respeito para todos, independente de cor, gênero, religião, ideologia ou partido político”.
    Manuela encerrou o programa da noite de sexta-feira com uma homenagem. E dedicou todo o programa de sábado ao caso. A peça começou com uma série de imagens de pessoas negras em Porto Alegre e a citação de estatísticas sobre assassinatos e violência contra negros.
    O programa teve imagens do protesto em frente ao Carrefour, com pedidos de justiça, e falas sustentando que a morte de João Alberto não é um caso isolado. Políticos negros também citaram casos de racismo pelos quais passaram, falando em racismo estrutural.
    Os cinco vereadores negros eleitos para a próxima legislatura em Porto Alegre – Karen Santos (PSOL), Matheus Gomes (PSOL), Laura Sito (PT), Bruna Rodrigues (PCdoB) e Daiana Santos (PCdoB) – também protestaram em frente ao Carrefour na sexta-feira, pedindo justiça.

    Qual será a influência deste fato, de repercussão internacional, junto ao eleitor que vai domingo às urnas decidir entre Manuela d’Ávila e Sebastião Melo?

    Esta é a pergunta que vai marcar a semana decisiva das eleições de 2020 em Porto Alegre.

     

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