As fontes renováveis e a segurança energética

Fernando Zancan
Associação Brasileira de Carvão Mineral
Heiner Flassbeck, ex-secretário do ministério de Finanças da Alemanha, afirmou que a Alemanha não poderá confiar somente na energia renovável, por mais que invista na capacidade destas fontes, para sua segurança energética. No último inverno europeu, houve pouco sol com uma alta pressão e intenso fog (nevoeiro intenso), afetando também as usinas eólicas. Durante várias semanas a Alemanha sofreu com a falta de sol e vento.
Para Heiner, não é viável que a Alemanha desative sua base de energia (nuclear e carvão) sem afetar a sua segurança de suprimento. As lições da experiência alemã, nos mostram que será necessário a energia despachável, que independe dos humores de São Pedro. As fontes despacháveis fornecem eletricidade 24hs/dia, sete dias por semana, só dependendo do fornecimento do combustível e da disponibilidade das máquinas, que operam mais de 90 % do tempo.
As mesmas conclusões foram tiradas do seminário realizado em julho de 2015 em Cambridge, Massachusetts/USA, onde especialistas do setor de energia discutiram a operação de sistemas com mais de 50% de renováveis na geração de energia elétrica em um mundo de baixo carbono. Concluíram também que a nova matriz de geração deverá levar em consideração uma transição que não privilegie tecnologias específicas, mas sim um portfólio de fontes intermitentes e despacháveis. Essas fontes de base aliam despachabilidade e inércia ao sistema como um todo, gerando qualidade de energia e segurança.
No Brasil, um recente relatório do Instituto Acende Brasil, conclui que no país onde cerca de 80% da geração de energia elétrica é renovável, meta que a Alemanha pretende chegar em 2050, será necessário o uso de térmicas despacháveis para manter a segurança energética. Como dependemos das usinas hidráulicas para gerar energia com a finalidade de complementar as usinas eólicas, a baixa hidraulicidade e a construção de usinas a fio d’agua, tornam cada vez mais imprescindíveis as usinas despacháveis de gás e carvão, principalmente carvão que é abundante e de baixo custo.
Portanto, será cada vez mais importante a discussão das tecnologias de baixo carbono e implantação de políticas públicas de baixo carbono, iniciando com a substituição das usinas térmicas antigas, por máquinas mais modernas com menor emissão de CO2/KWh gerado, e avançando com tecnologias de combinação de carvão e biomassa e por último o desenvolvimento da Captura e do Armazenamento do Carbono (CCS).
 

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