Autor: Elmar Bones

  • Brizola, brizoletas e a campanha eleitoral

    Brizola, brizoletas e a campanha eleitoral

    Leonel Brizola estará no centro da campanha eleitoral para o governo do Estado e um dos pontos centrais do discurso serão suas realizações na educação, com destaque para as “escolhinhas” que disseminou pelo Rio Grande do Sul na campanha “Nenhuma criança sem escola”.

    A reiteração e a propagação de uma campanha eleitoral tendem a consagrar, no que se refere às “escolinhas do Brizola” um erro histórico ao chamá-las de “brizoletas”, como já vem sendo repetido na imprensa, nas redes, e até por brizolistas raiz.  Certamente é um detalhe, mas não é irrelevante.

    “Brizoletas” foi o nome que os adversários de Brizola deram aos Títulos do Tesouro Estadual que ele emitiu em 1959, quando assumiu o governo com o caixa raspado e funcionários e fornecedores com pagamentos em atraso.

    O apelido tentava desmoralizar a jogada arrojada do Brizola, uma medida criativa para escapar ao sufoco financeiro. Foi ideia de seu Secretário da Fazenda, Gabriel Obino, e foram chamadas de “obinetas”, no início.

    Os adversários passaram a chamar de brizoletas, com sentido pejorativo, quando o governo não conseguiu cumprir com o prazo de resgate dos títulos e eles se desvalorizaram.

    Não se encontra nos principais jornais da época, Correio do Povo, Folha da Tarde, Diário de Notícias, o termo “brizoleta” referindo-se às escolas, que sempre foram uma marca do governo Brizola, o que nem os mais renhidos adversários negaram. Eram “as escolinhas do Brizola”.

    O termo “brizoleta” associado às escolhinhas aparece pela primeira vez numa tese acadêmica dos anos 1990. Aos poucos a versão foi ganhando a imprensa e se propagando. Nos últimos anos algumas escolhinhas remanescentes foram reformadas e ganharam inusitadas placas de “brizoletas”. Hoje até o Google relaciona as brizoletas com as escolhinhas.  Caso exemplar de uma fake history.

  • Carlos Bastos: anotações para um perfil

    Carlos Bastos: anotações para um perfil

    ELMAR BONES

    Carlos Bastos levou com ele um bom da naco da memória de uma ou duas gerações de jornalistas, especialmente daqueles que militam ou militaram na imprensa do Rio Grande do Sul no último meio século.

    Sim, restam relatos, entrevistas, depoimentos… Nada será comparável à verve e ao repertório com que nos brindava em cada uma das intermináveis conversas, que morreram com ele neste julho de 2026.

    Conheci-o em 1972 na Folha da Manhã. Tinha 38 anos, já era um veterano a quem todos recorriam em momentos de dúvida ou desentendimento.

    Indicado pelo João Souza, outro baluarte, foi chamado, exatamente, para resolver um conflito na editoria de política entre alguns repórteres jovens e afoitos e calejados conservadores apegados ao “espírito da casa”.

    O jornal apostava na abertura democrática, queria romper com o oficialismo que imperava na imprensa sob a ditadura. Duvidar das versões oficiais, ir atrás dos fatos, ouvir a oposição.

    Era um fio de navalha. Tinha que empolgar os jovens repórteres, sem afrontar o “espírito da casa”, e o regime militar, ainda em pleno vigor (um censor “visitava” a redação).

    Bastos me impressionou desde o primeiro momento pelo “modus operandi”. Uma interminável conversa com uma repórter em crise ou uma entrevista com o presidente da Assembleia… parecia que o trabalho não lhe exigia esforço algum. O sorrisinho sedutor, a fala mansa, ele tirava o melhor de cada situação.

    Não era brilhante redator, mas era conciso, objetivo, como aprendera na Última Hora, a grande escola dessa geração de jornalistas.

    Brizolista, foi desde a primeira hora filiado ao PDT e até nisso aparecia o seu temperamento ponderado: na coluna política, que escreveu durante anos no Jornal do Comércio, é um desafio achar um tópico que indique o partidarismo do redator.

    Suas melhores qualidades, acredito, se revelavam no repórter e no analista político, que não teve grandes oportunidades.

    Como tinha também um talento incomum para a gestão e a direção de pessoas, em boa parte de sua carreira, foi chamado para cargos de chefia, até hoje lembrado e aclamado pelas equipes que liderou.

  • Brizola e a campanha eleitoral no RS

    ELMAR BONES

    A candidatura de Juliana Brizola, na cabeça de uma inédita frente de esquerda, coloca o ex-governador Leonel Brizola, seu avô e inspirador, no centro da disputa eleitoral deste ano.

    Brizola morreu em junho de 2004.

    Governador do Rio Grande do Sul, líder do legendário movimento da Legalidade, deputado federal e, depois de 15 anos de exílio, duas vezes governador do Rio de Janeiro e duas vezes candidato à presidência da República, Leonel Brizola – que começou a vida como engraxate em Porto Alegre – se tornou uma figura mítica na política brasileira por seu discurso contundente e sua defesa incansável da soberania nacional e da educação pública como pilar da justiça social.

    Ele está colocado no centro da campanha eleitoral no Rio Grande do Sul e poderá ter peso decisivo no resultado de uma disputa histórica no Estado.

    É normal que apareçam as críticas e até alguns equívocos a respeito do grande líder popular. O mais grave deles até agora diz respeito às “brizoletas”, os títulos do Tesouro Estadual que o governo Brizola emitiu para pagar o funcionalismo que amargava cinco anos de atrasos salariais.

    Foi uma medida inédita e arrojada que gerou muitas críticas na época, mas que hoje está sendo distorcida pelos adversários de Juliana. Outro equívoco é a relação das lendárias “escolinhas do Brizola” com as brizoletas. Nada a ver, mas o erro repetido na imprensa tem envolvido até alguns brizolistas históricos.

  • O nome e o chapéu

    ELMAR BONES

    Disse lá atrás que Flávio Bolsonaro era um “chapéu na cadeira”. Um sobrenome para amparar a tese da polarização “Bolsonaro-Lula” e abrir caminho a uma “terceira via”, que viria “unir o país” e livrá-lo “da polarização e do radicalismo”.

    Até agora não surgiu o nome, se surgiu ainda não foi identificado.

    Vai surgir ou o chapéu vai ocupar a cadeira e ser mesmo o nome para barrar o Lula 4, em outubro? Eis a questão.

    Ferido de morte com a revelação de suas relações com Daniel Vorcaro, o capo do Master, Flávio ganha alguma sobrevida com as últimas manifestações de Trump. Mas ainda é cedo para dizer que ele é o nome ou o chapéu.

    A agressividade de Lula nos ataques a Flávio depois do tarifaço dos Estados Unidos pode ser lida como um sinal de que ele está escolhendo o oponente.

    De fato, é o oponente que Lula pediria a Deus: despreparado, com robusto contencioso de denúncias, das rachadinhas ao dinheiro de Vorcaro, sem falar na pecha de traidor da Pátria. 

  • Os limites da atuação parlamentar

    Lamare Conceição Garcia

    O recente episódio ocorrido na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, onde o vereador Mauro Pinheiro (PP) retirou o microfone das mãos da vereadora Juliana de Souza (PT) durante uma sessão plenária, colocou em evidência um complexo debate jurídico sobre os limites da atuação parlamentar e a caracterização de crimes contra a mulher na política.

    O caso, que gerou a suspensão temporária dos trabalhos, agora se desloca para as instâncias de controle interno da Casa Legislativa.

    No centro da disputa jurídica está a acusação de violência política de gênero. A vereadora Juliana de Souza argumenta que o ato de “cassar a fala de uma parlamentar no uso de suas prerrogativas” configura um ataque à liberdade de expressão e à democracia, indo além de um mero incidente regimental. Sob essa ótica, o cerceamento físico do direito à palavra é interpretado como uma tentativa de excluir ou restringir o mandato eletivo feminino através de intimidação.

    Em sua defesa, o vereador Mauro Pinheiro sustenta uma tese estritamente técnica e regimental, alegando que sua conduta foi pautada pelo Artigo 192 do Regimento Interno da Câmara Municipal de Porto Alegre (RI CMPA), que trata da preservação da ordem e do foco na pauta em discussão. Pinheiro argumenta que não houve motivação de gênero, mas sim uma reação a uma manifestação que se afastava do tema deliberado naquele instante — a citação de áudios do senador Flávio Bolsonaro, em um debate sobre a Lei de Uso e Ocupação do Solo.

    Do ponto de vista procedimental, a vereadora anunciou que formalizará uma denúncia na Comissão de Ética por quebra de decoro parlamentar. Caberá a este colegiado analisar se a conduta de Pinheiro excedeu os limites da disciplina regimental para ingressar na esfera da violência política. O presidente da Câmara, Moisés Barboza (PSDB), já confirmou que dará o devido encaminhamento à representação, seguindo os trâmites previstos no regimento.

    O incidente coloca em perspectiva interpretações divergentes sobre a aplicação da legislação no ambiente parlamentar. Caberá agora aos órgãos de controle avaliar se a conduta se restringiu ao exercício da disciplina regimental ou se caracterizou violência política de gênero.

    O desfecho do processo deverá contribuir para a definição de parâmetros sobre o uso da força física e os limites da interrupção de falas no exercício do mandato, buscando equilibrar as regras internas de conduta e a proteção dos direitos políticos.

  • Vargas e Lula, algo em comum

    ELMAR BONES

    Pela primeira vez, desde Getúlio Vargas, o Brasil tem um grande líder popular com Luiz Inácio da Silva, o presidente Lula.

    Vargas também estava no auge de sua popularidade em 1954. Tornara-se líder de um “partido de massas” e estava à frente de um movimento trabalhista/reformista, que mobilizava intensamente o nascente operariado brasileiro. Era o “pai dos pobres”.

    Não era candidato, o mandato presidencial era de cinco anos, sem reeleição. Mas, como diziam, “elegeria até um poste”. Em oito meses armou-se uma tempestade que começou com um manifesto de coronéis e culminou com o “atentado da rua Tonelero” – uma crise que encurralou o presidente e o levou ao suicídio, em agosto daquele mesmo ano.

    Saído da elite rural do Rio Grande do Sul, Vargas era um “melancólico”, daqueles tipos do pampa, descritos por Dyonélio Machado.

    Em seu livro sobre Vargas, o psiquiatra João Mariante conta que ele tinha sempre um revólver à mão. Em 1930, quando Flores da Cunha e Oswaldo Aranha saíram do palácio Piratini para liderar a tomada dos quartéis em Porto Alegre, Vargas tirou a arma da gaveta, colocou-a sobre a mesa e só voltou a guardá-la quando soube que a situação estava dominada.

    Naquele 24 de agosto de 1954, ele saiu da reunião com os seus ministros certo de que havia perdido. Para não ser preso e humilhado, usou o seu revólver contra o próprio peito.

    Lula é cria do povo, saiu de sua terra num pau de arara e, se cogitasse o suicídio diante de perigos ou fracassos, já estaria morto há tempo. A sanha antipovo já se abateu sobre ele, foi preso e humilhado, mas não se deixou abalar. Ao contrário, afiou as suas capacidades, que já eram excepcionais, e tornou-se um líder reconhecido no mundo, como nem Getúlio Vargas foi.

    Em 2026, ele está no seu terceiro mandato presidencial, líder de um partido de massas e à frente de um movimento trabalhista/reformista. É candidato a reeleição, favorito, mas há uma crise se armando em volta dele. As “forças ocultas” se articulam mais uma vez.

    Qual vai ser o desfecho?

  • EUA convoca Europa a recolonizar o Sul Global

    HENRIQUE CASANOVA

    O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, fez discurso sábado passado no qual convoca a Europa para o reestabelecimento do que ele chama de civilização ocidental.

    Numa fala naturalmente carregada de propaganda ideológica imperialista, ele diz que a decadência do mundo ocidental é acelerada “por revoluções comunistas ateias e levantes anticoloniais”.

    Ou seja, Marco Rubio trata as lutas de resistência dos povos colonizados como algo negativo, problemático e que deve ser sufocado.

    Lembremos que Marco Rubio tem obsessão pela destruição da experiência socialista em Cuba. Essa foi sempre sua principal pauta, mesmo sendo ele filho de imigrantes cubanos. Ao falar de si mesmo, porém, no sábado último do discurso, fez questão de apresentar-se como Americano descendente de Europeus.

    Rubio fala diretamente aos líderes europeus dizendo que os EUA não querem “aliados fracos, (…) acorrentados pela culpa e pela vergonha”. Ele diz ainda que os aliados dos EUA devem se orgulhar da sua cultura e do seu patrimônio, da sua grande e nobre civilização e devem ser capazes de defendê-la.

    O discurso visa justificar as intervenções dos EUA e seus aliados em outros países. Rubio chega ao extremo de dizer que a noção de uma sociedade global onde “todos são cidadãos do mundo” foi uma “ideia tola”.

    O que as corporações de mídia estão reportando apenas como um discurso de reconciliação entre EUA e Europa pós crise da Groelândia é, na verdade, um convite dos EUA para que a Europa continue em pleno apoio nos fronts de conflito do Imperialismo norte-americano e que esteja disposta a escaladas nos conflitos.

    Na América Latina, os EUA tentam reestabelecer influência inconteste através da troca de regime em países como Venezuela e Cuba.

    No Oriente Médio, com vitória recente na Síria e o processo colonial sionista já se expandido de Gaza para a Cisjordânia e o Líbano, os EUA precisam apenas derrubar o Irã para ter ampla hegemonia na região.

    Na Eurásia, a tentativa de desestabilizar a Rússia via Guerra da Ucrânia fracassou. Mas é com a China que os EUA se preocupam mais, já que os chineses são o “case” de sucesso do Sul Global: único país que foi de muito pobre a grande potência.

    A China tem um modelo de Socialismo de Mercado que prospera na paz, focando sua indústria em infraestrutura e inovação ao mesmo tempo em que se beneficia de ser ainda o parque industrial do mundo capitalista. Liderando em setores como carros elétricos e energias renováveis em geral, a China esbanja competitividade já que não precisa reservar a maior fatia dos lucros para sua burguesia, como ocorreria no Capitalismo.

    Estamos então perante anúncio dos EUA de que eles vão tentar reestabelecer o mundo unipolar Ocidental com o uso de força: “Estamos preparados para fazer isso sozinhos”, afirma Rubio, “mas preferimos fazer em parceria com os amigos da Europa”.

    Rubio diz que será uma tarefa de “restauração”. Restauração do quê? Cara Pálida!

    *Henrique Casanova é porto-alegrense, jornalista e geógrafo.

  • Se fosse uma luta, Lula teria dado uma surra em Donald Trump

    Os analistas da mídia ficaram cheios de dedos, mas os fatos são bastante claros.

    O que aconteceu na Assembleia Geral da ONU foi o desdobramento  dessa guerra político-comercial entre Estados Unidos e Brasil, deflagrada com o tarifaço de Donald Trump, em agosto.

    Pela primeira vez, ao invés de curvar-se às pressões de Tio Sam, o Brasil reagiu e, sem abrir mão das negociações, foi à luta e buscar alternativas para os produtos ameaçados, sem mudar o rumo das iniciativas que provocaram o ataque – o processo contra Bolsonaro e golpistas do 8 de janeiro, os acordos de cooperação comercial com a China e a regulação das big techs.

    No primeiro mês, as tarifas de 50% impostas por Trump derrubaram em mais de 15% as exportações para os Estados Unidos.  Mas, no total, o pais conseguiu aumentar em 3% as suas vendas para o exterior.

    Também não surtiram efeito as sanções a ministros e altos funcionários brasileiros: Bolsonaro e seus golpistas foram condenados e estão presos.  As pesquisas mostram que a opinião pública apoia a punição e é contra qualquer  anistia.

    A regulação das big techs e redes sociais que operam no país, obstruida no Congresso, avançou pelo STF. E as relações comerciais com a China seguem florescentes, com acordos bilionários para investimento em infraestrutura e outras áreas. O comércio entre os dois países bate recordes.

    Em síntese,  se é possível comparar esse embate com uma luta, o Brasil venceu sem dificuldade maior o primeiro round.

    O segundo round, foi o que ocorreu na 80a. Assembleia Geral da ONU, nesta terça-feira, 23 de setembro de 2025.  E aí, se é válida a metáfora do pugilato, pode-se dizer que o Brasil deu uma surra.

    Lula disse o que precisava ser dito. Não citou os Estados Unidos, nem Trump, mas  o recado foi claro, contra os autocratas, que tomam medidas unilaterais, os que querem interferir na soberania de outros países, os que apoiam as guerras e o genocídio…

    Trump em seu discurso foi patético, falseando fatos, atacando a ciência, s. Foi duro com o Brasil, mas no trecho  mais agressivo interrompeu a leitura,  para dizer que não se sentia muito confortável em falar aquilo porque havia cruzado com o líder do Brasil nos corredores e havia gostado dele. “Nos abraçamos”.  E anunciou que combinaram uma reunião na próxima semana.

    Dizer que “jogou a toalha” é exagero. Esse embate se dá num cenário internacional de alta instabilidade e muitos pontos de extrema tensão, impossível imaginar sequer quantos rounds terá a luta. Certo é que os dois primeiros, ganhou o Brasil.  O terceiro será a reunião de Lula com Trump, ainda não marcada.

     

  • ELMAR BONES / Mino Carta, mestre de todos nós

    Mino Carta não gostava de ser chamado de mestre, mas ele não foi outra coisa senão o grande mestre de duas gerações de jornalistas brasileiros, entre os quais orgulhosamente me incluo.

    Tinha 24 anos, era um “foca” provinciano quando o conheci, em São Paulo, no curso da Editora Abril, em 1968. Ele formava a equipe que ia fazer a Veja.

    Lembro de sua figura elegante, um Mastroiani, rumo à sua sala no fundo da redação, no sexto andar da Abril, onde ele reuniu uma seleção de editores de primeira linha: Sérgio Pompeu, Luís Garcia, Renato Pompeu, Raimundo Pereira, Sebastião Gomes Pinto, Leo Gilson Ribeiro, José Ramos Tinhorão, Carmo Chagas, Geraldo Mayrink, Ulisses Alves de Souza, Bernardo Kuscinsky, Roberto Muggiatti, Henrique Caban… Mino Carta regia aquele grupo, brilhante e heterogêneo, com  maestria.

    Não era diretor de ficar no gabinete dando ordens. De portas abertas, discutia em voz alta, às vezes italianamente aos gritos, raramente perdendo o humor. Acompanhava todo o processo, da reunião de pauta ao fechamento. Em cima de sua mesa tinha sempre os diagramas, onde ia desenhando página a página da revista.

    Fiquei quatro anos na Veja e posso dizer que ali me formei. Com Mino e aquele grupo, percebi o jornalismo, com suas responsabilidades, seus riscos e suas ilusões.

    Não tínhamos proximidade e, nos últimos anos, nos encontramos esporadicamente. A última vez que fui a São Paulo, em julho, ele já não recebia visitas.

    Como profissional, porém, acompanhei-o sempre, como uma referência segura e inspiradora, que ele foi e será sempre para todos os que exercem esse difícil e espinhoso ofício de “informar o que acontece”.

    (Texto que escrevi a pedido do meu amigo Luís Augusto Fischer para a revista Parêntese)

  • Ruy, Jaguar, Verissimo, Mino Carta… logo agora?

    Sempre achei que certas pessoas alcançam uma condição que se tornam arquétipos e não deveriam morrer ou, pelo menos, deveriam ter um prolongado tempo para servir de referência a muitas gerações, para que a evolução fosse mais rápida.

    Claro, não é assim e cá estamos nós, no espaço de um mês,  diante da morte do Ruy Ostermann,  do Jaguar,  Luis Fernando Verissimo, Mino Carta…

    A morte não os aniquila, ainda bem. Restam suas obras, seus ensinamentos, sua inspiração.  Mas logo agora?

    Neste momento em que o Brasil vive o maior desafio de sua história perder alguns de seus melhores intérpretes! É sacanagem! (E.B)