Categoria: Análise&Opinião

  • E no Cunha, não vai nada?

    P.C.DE LESTER
    O “Fora Cunha” é o unico bordão que frequenta manifestações dos dois lados, contra e a favor do impeachment de Dilma.
    Talvez a única unanimidade nacional neste momento tumultuado seja o mal estar que ele provoca em todos: enquanto Eduardo Cunha permanecer na presidência da Camara, não se poderá levar nada disso a sério.
    Mas ele está lá, entrando para mais uma semana triunfante. É o recordista em protelações na Comissão de Ética, com quase 200 dias empurrando o processo com as mais diversas manobras.
    No STF onde estão meia dúzia de inquéritos incriminando Cunha, não há sinais de julgamento. Segundo O Globo, que ouviu ministros em reserva, o Supremo não quer julgar agora no calor do impeachment.
    Até porque, segundo o jornal, a tendência entre os ministros do Supremo é absolver Cunha.
    Junto ao “novo presidente” Cunha está ainda em melhor situação.
    Na semana passada, começou a circular nas redes sociais um vídeo em que Michel Temer aparece numa reunião de evangélicos, dizendo que “Eduardo Cunha é um homem de fé”.
    Quando recebe uma missão, Cunha cumpre sem hesitação, disse Temer no vídeo gravado durante a campanha de 2014.
    Cunha se elegeu, tornou-se presidente, conduziu com maestria o impeachment que abre o caminho para o poder de Temer. O que terá ele a temer?
     
     
     

  • Uma imagem que vale por mil punhaladas

    Andres vince
    Se existia uma mínima esperança que a presidenta não seja forçosamente removida do seu cargo, esse fio de esperança se desfez completamente com a contemplação da imagem acima.
    “O SFT é o último bastião da cidadania”, repetiu o ministro Marco Aurélio, em sua recente tour midiática-institucional. Suas entrevistas, que pipocaram como sarampo, traziam a certeza que nenhuma injustiça seria cometida no desenrolar do processo de impeachment.
    Claro, isso foi antes daquele domingo fatídico, quando presenciamos um evento, no mínimo, traumático para a democracia. Nesse dia ficou mais que provado que não vamos a lugar nenhum sem uma urgente, verdadeira e profunda reforma política.
    Agora, com essa não menos traumática imagem, escancara-se também a necessidade de uma reforma jurídica, de forma a criar um mecanismo de proteção da cidadania contra o judiciário. Não há esse controle. Se há, não funciona. Quem afinal de contas fiscaliza o STF?
    Atualmente, digo de cadeira, ninguém. Como pode um ministro voto vencido pedir vistas num processo e ficar mais de um ano sentado em cima dele? E, pasmem, esse mesmo ministro dá entrevista afirmando que está sentado em cima do processo porque acha que quem deve decidir isso é o Congresso. E só saiu de cima do processo quando o Congresso votou de acordo com ele. Pode? Pode sim. Pelo menos quando se trata do financiamento empresarial de campanhas políticas.
    O que dizer da decisão do STF que mandou o presidente da Câmara abrir processo de impeachment contra o vice Michel Temer? Que foi feita dessa decisão? Jogada na lata do lixo. Simples assim.
    Não fosse suficiente toda essa chicana, os maiores formadores de opinião do País não coram em dizer que o grande vendedor desse processo todo é o fortalecimento das instituições. Pausa para as gargalhadas.
    O poder Executivo está sendo violentamente estuprado pelo Legislativo e pelo Judiciário, com a mídia transmitindo em close e comentando ao vivo, com requintes de crueldade.

    Reprodução redes sociais
    Reprodução redes sociais

    Mídia essa, aliás, que ajudou a produzir muitas aberrações nesta vida, mas nenhuma que se compare ao que essa outra imagem traduz, o que, no figurativo imaginário popular poderia ser interpretado como “o cachorro que morde a mão que o alimenta”.
    Essa foto foi tirada durante as manifestações a favor do impeachment da comprovadamente não corrupta presidenta Dilma.
    Um fenômeno que só pode ser visto como fruto da mais intensa manipulação de informação que se tem notícia na história deste país.
    O sujeito dessa imagem, não tem a mínima noção do que lhe espera.

  • Meirelles para presidente

    PINHEIRO DO VALE
    Na entrevista que deu na tarde de sexta-feira em frente à casa do vice-presidente Michel Temer, em São Paulo, o ex-presidente do Banco Central do governo Lula falou como se já fosse o novo ministro da Fazenda.
    Ato falho de Henrique Meirelles, certamente uma das pessoas mais versáteis politicamente no país, ou melhor, um pula-muro que poderia bater o recordista mundial do salto com vara das Olimpíadas.
    Há poucos meses Meirelles chegou a Brasília como virtual ministro da Fazenda da presidente Dilma Rousseff, prestigiado pelo ex-presidente Lula e festejado pelo mercado, tanto que só menção de seu nome fez a Bolsa de Valores subir e o dólar despencar.
    Nesta sexta-feira ele aparece no meio dos jornalistas de plantão em frente à mansão dos Temer dando receita de política econômica.
    Para bom entendedor, de aliado de Lula a golpista foi uma chispa. Mais ligeiro que um raio.
    Agora vai começar o seu calvário, caia ou não Dilma, pois com isto ele sinaliza que entra na corrida presencial com o apoio de Michel Temer,  vice-presidente e dono do PMDB, partido que já anunciou que vai ao pleito de 2018 com nome próprio.
    Este nome seria o de Henrique Meirelles. Uma repetição de Fernando Henrique com Itamar Franco. Pega uma crise, resolve o problema e sai do ministério nos braços do povo para o Palácio do Planalto. Só falta combinar com os russos.
    A ambição presidencial de Meirelles é notória. Ele não esconde de ninguém, nos meios da plutocracia internacional, que já é um homem realizado.
    Nada lhe faltaria, pois tem dinheiro aos borbotões, prestígio mundial como banqueiro, nome na política como mago das finanças do presidente Lula e uma vida tranquila nos Estados Unidos, onde vivia nos últimos tempos.
    Só uma coisa faria Meirelles se mexer: a presidência da República. Este seria seu prêmio. Não a cadeira de Dilma, mas a vaga para concorrer, o que, diga-se, não será fácil, pois teria pela frente vários pesos pesados e seu mestre Lula bombando como líder da oposição ao governo Temer.
    Por outro lado, não seria difícil repetir a trajetória de Fernando Henrique. Seria até mais fácil, pois o tucano pegou uma economia em frangalhos. Já Meirelles herdaria uma economia plantada em fundamentos macroeconômicos sustentáveis, com inflação cadente e um potreiro de oportunidades para atrair investimentos.
    Espertamente, ele vê esse páreo como uma barbada.
    Entretanto, ele é um neófito em política. Nem sabe o que é colar no peito um alvo de presidenciável. Vem muita bala.
    Veja o caso de Lula: saiu do governo consagrado, continuou no paraíso como ex-presidente, fazendo conferências pelo mundo e recebendo homenagens.
    Bastou dizer que pensava voltar em 2018 para desabar o mundo sobre ele e sua família.
    Meirelles que ponha as barbas de molho.
    O paulista Antônio Mariz caiu antes de entrar por uma declaração bem menos detalhada que a de Meirelles na saída do encontro com Temer.
     

  • Procuradores induzem depoimento sobre “sítio de Lula”

    Reproduzo texto de Marcos de Vasconcellos, do Conjur:
    O cenário é uma casa humilde no interior de São Paulo. Quatro procuradores batem à porta e, atendidos pelo morador — que presta serviços de eletricista, pintor e jardinagem em casas e sítios—, começam a questionar se ele trabalhou no sítio usado pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e se conhece um dos donos do imóvel, o empresário Jonas Suassuna. Ao ouvirem que o homem não conhecia o empresário nem havia trabalhado no local, começam o jogo de pressões e ameaças:
    Procurador: Quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas…
    Interrogado: Dessas… Sobre o quê?
    Procurador: Sobre, por exemplo, o senhor já trabalhou no sítio Santa Barbara?
    Interrogado: Não trabalho.
    Procurador: O senhor já conheceu o senhor Jonas Suassuna?
    Interrogado: Nunca… Nunca vi.
    Procurador: O senhor já fez algum pedido pra ele em algum lugar?
    Interrogado: Nem conheço.
    Procurador: Então, por exemplo, aí eu te apresento uma série de documentações. Aí fica ruim pro senhor, entendeu?
    A conversa foi gravada pelo filho do interrogado, um trabalhador da região de Atibaia. Os visitantes inesperados eram os procuradores do Ministério Público Federal Athayde Ribeiro Costa, Roberson Henrique Pozzobon, Januário Paludo e Júlio Noronha.
    Nas duas gravações, obtidas pela ConJur, os membros do MPF chegam na casa do “faz tudo” Edivaldo Pereira Vieira. Sutilmente, tentam induzi-lo, ultrapassando com desenvoltura a fronteira entre argumentação e intimidação, dando a entender que dizer certas coisas é bom e dizer outras é ruim.
    Na insistência de que o investigado dissesse o que os procuradores esperavam ouvir, fazem outra ameaça velada a Vieira, de que ele poderia ser convocado a depor e dizer a verdade.
    Procurador: É a primeira vez, o senhor nos conheceu agora, e eventualmente talvez a gente chame o senhor pra depor oficialmente, tá? Aí, é, dependendo da circunstância nós vamos tomar o compromisso do senhor, né, de dizer a verdade, aí o senhor que sabe…
    Interrogado: A verdade?
    Procurador: É.
    Interrogado: Vou sim, vou sim.
    Procurador: Se o senhor disser a verdade, sem, sem problema nenhum.
    Interrogado: Nenhum. Isso é a verdade, tô falando pra vocês.
    Procurador: Então seu Edivaldo, quero deixar o senhor bem tranquilo, mas, por exemplo, se a gente chamar o senhor oficialmente pra depor daqui a alguns dias, e você chegar lá pra mim e falar uma coisa dessas…
    Investigado ou testemunha
    Ao baterem à porta de Vieira, um dos procuradores diz: “Ninguém aqui tá querendo te processar nem nada, não”.
    No entanto, o nome de Pereira Vieira aparece na longa lista de acusados constantes do mandado de busca e apreensão da 24ª etapa da operação “lava jato”, que investiga se o ex-presidente Lula é o dono de sítio em Atibaia, assinado pelo juiz Sergio Fernando Moro, da 13ª Vara Federal de Curitiba.
    Ao se despedirem, deixando seus nomes e o telefone escritos a lápis numa folha de caderno, os membros do MPF insistem que o investigado escondia algo e poderia “mudar de ideia” e decidir falar:
    Procurador: Se o senhor mudar de ideia e quiser conversar com a gente, o senhor pode ligar pra gente?
    Interrogado: Mudar de ideia? Ideia do quê?
    Procurador: Se souber de algum fato.
    Interrogado: Não…
    Procurador: Se você resolver conversar com a gente você liga pra gente, qualquer assunto?
    Interrogado: Tá.

  • A direita bota um ovo

    Pinheiro do Vale
    A direita botou um ovo.
    Enquanto esperam curtir dois anos no Palácio do Planalto, os golpistas levam uma bola nas costas arremessada pela presidente Dilma Rousseff.
    Numa virada de 180 graus, algo comparável a uma bicicleta do futebol,  Dilma vai deixar o governo propondo a antecipação das eleições.
    Esta manobra agrada a um grupo bem numeroso de senadores, o suficiente para atingir o quórum mínimo de 28 votos para barrar a condenação da presidente na votação do impeachment daqui a 180 dias no máximo.
    Esta não é uma proposta nova. Entretanto, dependeria da renúncia de toda a chapa vencedora da eleição de 2014, Dilma e Michel Temer.
    Como o vice avança guloso para o cargo, não se imaginava que pudesse apoiar esta reviravolta.
    Entretanto, com  esta proposta, em negociação sob a coordenação do ex-presidente Lula, o placar de 28 ou mais votos implica na volta de Dilma com o fracasso do impeachment.
    A proposta de Dilma é renunciar, abrindo espaço para a convocação de novas eleições. Como é possível, se há um vice-presidente no cargo?
    Diante da volta de Dilma, Temer não terá alternativa se não aceitar a proposta, abrindo mão de seu cargo, pois, ao contrário, se insistisse em continuar, ficaria falando sozinho.
    As forças políticas que o apoiam preferem voltar às urnas e continuarem com Dilma no poder. O político paulista é suficientemente realista para não impedir esse desdobramento.
    A nova eleição viria no bojo de uma grande reforma política, que incluirá a reforma partidária, mandato flexível e um semiparlamentarismo.
    É consenso, e até Dilma concorda que o presidencialismo de modelo norte-americano já não é mais adequado.
    O exemplo mais significativo examinado pelas lideranças brasileiras é o caso recente da Grécia.
    Como Dilma em, 2014, o primeiro-ministro Alexis Tsíprus foi eleito com o programa que logo se verificou inviável, devido ao agravamento brusco da crise internacional.
    Logo nos primeiros meses de seu governo, entre 15 de janeiro e 27 de agosto de 2015, constatando que seu projeto naufragava diante de situação externa (a União Europeia negou- lhe respaldo para equilibrar as contas públicas e fazer um ajuste fiscal), o líder da Coligação da Esquerda Radical chamou seu eleitorado de volta às urnas com uma mensagem muito clara, algo assim: “Olha pessoal, não deu. Vamos fazer outra tentativa de tal e qual forma”.
    O povo apoiou e ele continua no governo até hoje, depois de nova eleição, em 21 de setembro do ano passado.
    Esta seria a proposta da esquerda brasileira: “Vamos reajustar nosso projeto e disputá-lo nas urnas com nossos adversários”.
    A diferença é que, no Brasil, certamente a esquerda trocaria Dilma por outro nome, o ex-presidente Lula, que está com as melhores chances eleitorais dentre todos os candidatos prováveis.
    Ontem no Senado o senador gaúcho Paulo Paim, que lançou a ideia na Câmara Alta, tevevárias adesões de outros parlamentares, que se pronunciaram a favor de eleições já na tribuna da Casa.
    Se isto ocorrer, pelas pesquisas, a esquerda vence a nova eleição. A direta bota um ovo.

  • Cartas marcadas

    PINHEIRO DO VALE
    A tradição da raposice política mineira diz e o ex-presidente Tancredo Neves gostava de repetir: “Só se faz reunião depois que tudo está decidido”. Mais uma vez se confirmou o axioma.
    Este cronista esteve fora do ar nos últimos dias, deixando passar a enxurrada que inundou o noticiário com a votação do relatório da Comissão Especial da Câmara que propôs ao Senado a abertura de um processo de impeachment da presidente da República, dona Dilma Vana Rousseff.
    Seria um anticlímax sugerir, naqueles momentos, que não haveria surpresa, pois se tratava de um jogo de cartas marcadas.
    Dizia o então vice-presidente dos Estados Unidos, Gerald Ford, às vésperas da renúncia do presidente Richard Nixon: “Se não tiver a base parlamentar mínima, de nada vale haver ou não responsabilidade comprovada”.
    O impeachment que tentavam aplicar em Nixo, também  era baseado em acusações duvidosas, pois não se poderia dizer que mentir para a Imprensa fosse um crime de responsabilidade.
    Mais ou menos isto, o que se repete no Brasil: não há crime, mas as forças políticas estão apeando uma presidente eleita. Têm os ¾ dos votos e basta. Assim pensam e fazem.
    Uma comprovação desta afirmação é que já havia um acordão, como se chamam no Brasil os grandes conluios. A antiga “base aliada”, a formidável coligação de partidos que apoiava a presidente, roeu a corda e aplicou um golpe no PT, que perde a cadeira da mandatária, mas ganha um espaço mais confortável para se bater nas próximas campanhas eleitorais.
    O quadro político ainda é instável, volátil, como dizem os cientistas do ramo. Uma previsão sensata, ou melhor, realista, de realpolitik, diria que Dilma será afastada pelos 180 dias, mas não inteiramente derrubada.
    Tudo vai depender das próximas eleições municipais, para se avaliar como se comporão as forças políticas após o pleito.
    Assim, tanto ela pode voltar como ser mandada embora, conforme as conveniências dessas forças políticas majoritárias, que se movimentam para ocupar o Palácio do Planalto: PMDB e a corriola de partidos pequenos e nanicos. O chamado “novo centrão”.
    Na verdade, nada têm de centro, mas de direitona.
    Enfim, hoje em dia, em política, as palavras valem o que se quiser.
    Os dois grandes antagonistas, PT e PSDB, ficam de fora. Todos de olho em 2018.
    Ninguém quer pagar o preço da crise. Também não querem amargar o efeito do purgante.
    Sorrateiramente vão esperar que a economia se ajeite, com Temer ou com a volta de Dilma, para assumir um país melhor arrumado em 2019.
    Ainda há muito pano para essas mangas. Mas, por enquanto, basta falar desse acordão, que nos próximos dias vai se explicitar para espanto de muita gente.

  • Brossard: “Impeachment é falácia pomposa e inútil”

    PC de Lester
    Paulo Brossard, cuja morte completou um ano neste 12 de abril,  foi lembrado neste domingo pelo colunista do G1, Hélio Gurovitz, por sua posições a respeito do impeachment.
    Brossard, que foi deputado, senador e ministro da Justiça, foi também consagrado jurista e professor de Direito Constitucional.
    Abordou o impeachment num livro publicado em 1992. O impeachment diz ele é uma “falácia institucional pomposa e inútil”.
    A coluna saiu com o discreto título: “Brossard e o impeachment”.  O trecho principal:
    brossardBrossard critica o uso da expressão “crime de responsabilidade” na Constituição, por criar confusão e dar a entender que o impeachment é algo que não é – preferia o uso de “infrações políticas”, um termo mais claro para qualificar as instâncias passíveis de impeachment. Ele considera, enfim, o impeachment um processo “penoso e traumático” que paralisa a nação, uma “falácia institucional pomposa e inútil”. “Não funciona porque é lerdo em demasia, ao passo que as crises evoluem rapidamente e reclamam rápidas soluções”, escreveu. “Incapaz de solucionar as crises constitucionais, paradoxalmente, contribui para o agravamento delas.” A partir desta semana, quando o Senado, pela primeira vez na história. começa a apreciar o julgamento de um presidente em exercício – Collor renunciou antes dessa fase –, o Brasil testará os vaticínios de Brossard.?

  • A farsa do impeachment ou de como aprendi a rir do Brasil

    Enio Squeff
    O espetáculo – a grotesquerie, na verdade –  dos deputados no episódio em que,mais de três centenas deles,  disseram “sim”ao impeachment, chegou a tal ponto. que a própria arte de rir passou a ser quase um constrangimento; na realidade, não foi mesmo de rir , mas de morrer de rir. Os deputados fazendo-se de sérios e serem, por sua vez, levados a sério, torna o Brasil um país, não vamos dizer uma farsa, mas, talvez, mais picaresco quanto nunca foi. Cada uma das peça  do “sim, sou a favor do impeachment ” montou seu personagem como que numa cena felliliana. A sua moda, eles fizeram uma espécie de teatro brechtiano, de modo a desdramatizar tudo o que foi dito e feito.  E comemorado.
    Conceitos como patriotismo, liberdade, família, igreja propriedade – montaram um teatro embromatório, de tal monta, de maneira que a cada palavra aduzida, como honradez, heroísmo, moralidade e outras mais, acabou desmistificada no ato mesmo em que foi pronunciada. Tudo muito  bufo,  e derrisório, para dizer o mínimo, mas principalmente pela vibração do Brasil do lado de fora do Congresso; e olha que coxinha algum se sentiu ridicularizado na ação dos farsantes. Depois da condenação de uma inocente, a pátria amada, salve, salve – vibrou uníssona com a possibilidade de termos, por fim, réus confessos e comprovados, a governarem a República, da sétima economia do mundo e do maior país da América Latina.
    Aí, porém, entra o maior deus – o deus ex-machina – o Supremo Tribunal Federal – o grande organizador do fudúncio.  Mas disso se fala nos créditos que não foram dados à farsa.
    Tudo começou, como é sabido, há mais de ano  e, com aquilo que, em todas as óperas bufas, se chamam abertura, ou prelúdio(como quiserem). E que tanto na ópera, quanto na encenação levou o nome pomposo de “Mensalão”.  Ali, um dos ministros, ou melhor, um dos inquisidores, o mais pimpão e tonitruante, proclamou, em alto e bom som,  o princípio basilar de que é próprio dos chefes dos bandidos, não levar nenhum do butim. Tese novidadissima  na história da humanidade, como é consabido. Ou seja, o sujeito é tão esperto que, ao roubar, deixa a muamba pra outros. E, assim, como os  bufantes homens de preto, concluiriam, de fato, que quem era culpado, o mais culpado dos culpados, não deixaria rastros, tudo o mais se sucederia porque José Dirceu – o acusado mor, o chefe da bandidagem – apesar de não apresentar nenhum sinal de enriquecimento ilícito, exatamente por isso – não poderia deixar de ser condenado.
    Brilhante, não?
    Um lembrete a propósito, para os que não conhecem os métodos usados pela Inquisição. Naquela época, a partir do século XV, o José Dirceu de ocasião , teria amarradas as suas pernas numa grande e  pesada pedra e jogado num rio – se afundasse era sinal de que não tinha culpa alguma – mas se se afogasse, os prestimosos pastores ou padres católicos,olhariam para o céus  compungidos, fariam uma oração para o afogado; e ele tinha, então, o céu garantido. Se, porém, flutuasse, prova insofismável de que assinara um pacto com o demônio, seria ato contínuo, queimado num auto-de-fé. Como vivemos tempos mais civilizados, José Dirceu mofa na cadeia da Lava a Jato.
    Deve, em todo o caso, provir desses tempos o ditado que o presidiário José Dirceu ainda leva por divisa ( assim como os judeus tinha marcada com um ferro em brasa o seu número, nos campos de concentração ), de que por vezes, na vida, ficamos  entre “a cruz e a caldeirinha”.
    Por ser simples assim, contudo, José Dirceu e outros foram devidamente encarcerados. Ficou decidido pelo Suprematíssimo Tribunal Federal, que para ser condenado não são necessárias provas, mas indícios, desconfianças, digamos. E sobretudo, uma figura jurídica até então desconhecida da maioria dos cidadãos brasileiros, o chamado “domínio do fato”. Que é o seguinte: o Marcelo Odebrecht pode não estar implicado no pagamento de propina ao PT ( outras partidos não vem ao caso, como diz o juiz Sérgio Moro), mas como é o filho do dono da Odebrecht. supõe-se que ele conhecesse ou devesse conhecer tudo o que fazem seus subordinados. Logo, ainda que sem provas, explica-se que ele tenha sido condenado a 19 anos de cadeia. Justiça é isso, brasileiros e brasileiras.
    Aqui, na encenação, com o povo expectante, todos quase morreriam de rir. E logo então, como premio de sua boa ação, o Inquisidor Mor, ganharia – ou compraria – (não se sabe muito bem – é um dos mistério da peça)- um apartamento em Miami.  
    Concluída a abertura da ópera bufa, porém, abre-se o pano,  sinal de que o teatro irá começar.
    Daí em diante, realmente,  o enredo não poderia ser mais engraçado.  Agora a vítima é uma mulher chamada Dilma Rousseff, contra a qual nem mesmo o famoso “domínio do fato” é invocado.  Tudo indica que nenhuma acusação séria pesa sobre ela. Aí, entretanto, é que está a graça. Não está dito, mas a acusação que pesa sobre ela, sub-repticiamente, vamos dizer, é a de ser uma bruxa. Ou uma ladra. Só que, de novo, ela é tão sórdida que nem mesmo evidências de roubo lhes são atribuída. Os que a acusam, porém,  não são só os espectadores, os brasileiros de cada rincão da pátria amada, mas vários ladrões que assomam à cena. Cada qual berra uma frase no bom e velho português.  Um, acusado de levar propina, arranca gargalhadas da platéia, ao dizer que é porta-voz de Deus, da sua igreja e principalmente da moralidade pública. Outro manda beijinhos a seu neto e a sua amantíssima mulher, boa mãe, esposa exemplar. Outro fala em nome do povo sofrido da sua região, que planta mandioca. Outro, sempre sob os aplausos até mesmo emocionado do respeitável público, manda suas saudações à maínha que está na sua sofrida Bom Sucesso da Gabiroba.  Uma cena de tirar o fôlego e que fará gargalhar o povaréu, é a mulher do prefeito que será preso logo em seguida, por roubar para o hospital da sua propriedade. Na verdade, só uma heroína pode numa só frase, tornar-se capa de uma revista semanal, a vangloriar-se da inacreditável honestidade do marido.  
    Detalhes sobre o figurino. Quase todos fizeram botox, usam cabelos e cabeleiras pintadas. Quase todos estão disfarçados.
    Voltemos, porém, ao teatro.
    Depois de 325 menções a Deus, 220 agradecimentos ao meu pai, homem honesto, que me ensinou a honrar a Deus e ao Brasil, 128 invocações ao mais extremado patriotismo, 10 ameaças de morte ao nunca dantes tão xingado Lula, segue-se a ópera – sempre sob os aplausos do povo.
    É um rico cenário. No fundo do palco, mas irreprochavelmente bem focado pelos holofotes, o presidente da Câmara sobre o qual avultam-se provas de que é um ladrão – mas que o povo  ama e  venera – comanda tudo com o olhar sobranceiro de quem, se deve alguma coisa, é à sua sã consciência, à sua igreja e principalmente a suas bem recheadas contas na Suíça.
    Como todo o bom teatro temos, em suma, o principal: uma catarse. E tudo, afinal, seria uma apoteose nunca vista no Brasil gentil e varonil, não fosse um episódio destoante; a cusparada do único homossexual assumido da Câmara na cara do mais destemido e temido, deputado do Brasil, o votadíssimo e machíssimo, Jair Bolsonaro.
    Não foi um happy end, convenhamos; o “fresco,” o “frutinha,” o “veado,”a  bicha” . o isso o aquilo, humilhou de forma irrevogável o maior defensor da tortura e dos torturadores. Que, de forma constrangedora para alguém que se diz valentão, depois de limpar o rosto, ficou de olhos vermelhos, choroso, com medo inequívoco do seu agressor. Uma vexame para nunca mais ser esquecido. E que, como se dizia antigamente, empanou o espetáculo.
    Alguém dirá,  finalmente, deste dia glorioso, que o maior macho da Câmara, ou melhor do teatro que foi a Câmara, é um homossexual.
    Mil perdões ao respeitável público brasileiro, mas o deputado Jean Wyllys nunca deveria ter deixado tão claro que é o único homem digno do nome no nosso parlamento.
    Outra falha, para não concluir em vão, foi o não se dar o merecido crédito ao patrocinador da peça, o Supremo Tribunal Federal. É uma injustiça que o esqueçam a essas alturas dos acontecimentos. Ninguém melhor do que ele por liberar Eduardo Cunha de qualquer constrangimento por ser ladrão. Obrigado STF, obrigado ministro Teoriza Vasques, obrigado principalmente ao excelentíssimo Procurador Geral da República, o dr. Rodrigo Janot. Como se diz no fim dos espetáculos, sem vocês, essa peça cômica não teria sido encenada.

  • Por que a mídia não quis ouvir Joaquim Barbosa?

    P.C. de Lester
    O maior sintoma de que há um golpe em andamento é a manipulação do noticiário, sutil quase sempre, às vezes escancarada.
    Um exemplo, quentinho: a palestra do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal,  Joaquim Barbosa, na sexta-feira em Florianópolis.
    Ele vinha dando sinais de que discordava das interpretações legalistas que foram feitas (e trombeteadas) a respeito do processo de impeachment contra Dilma Rousseff.
    Postou varias mensagens no twitter, intrigantes, questionadoras. E anunciou que falaria mais sobre o assunto na palestra que faria em um evento da Unimed Florianópolis na sexta.
    E falou. Disse claramente que “falta fundamentação ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff”.
    “”Há um problema sério com a fundamentação. Tenho uma certa dificuldade, uma mal estar como ex-magistrado, com esse fundamento. A alegação é fraca e causa desconforto. Descumprimento de regra orçamentária é regra de todos os governos da Nação. Não é por outro motivo que os Estados estão quebrados. Há um problema sério de proporcionalidade. Não estou dizendo que ela não descumpriu as regras orçamentárias. O que estou querendo dizer é que é desproporcional tirar uma presidente sobre esse fundamento num país como o nosso. Vão aparecer dúvidas sobre a justeza dessa discussão. Mais do que isso, essa dúvida se transformará em ódio entre parcelas da população. Quanto à justeza e ao acerto político dessa medida tenho dúvidas muito sinceras”, afirmou.
    joaquimbarbosa“Acredito que, à medida que o tempo for passando, vão crescendo as dúvidas e os pensamentos de boa parte dos brasileiros quanto à justeza dessa destituição, que sem dúvida alguma vai acontecer dentro de duas ou três semanas. Mais do que isso, acho que essa dúvida paulatinamente se transformará em um racha profundo, uma rivalidade, um ódio entre parcela da população. A história mostra, o impeachment provoca esse tipo de paixões. Se ele não é fundamentado de maneira indiscutível, incontroversa, vai provocar esse tipo de discussão. E isso já estamos vendo no cotidiano do Brasil”.
    “Quanto à justeza e ao acerto político dessa medida tenho dúvidas muito sinceras. E essa a interpretação que estou dando em primeira mão para vocês. Por outro lado, tem que se levar em conta, impeachment não é só uma questão legal, do domínio dos profissionais dos direitos. É muito mais político do que jurídico. E é isso que a maior parte dos autores desse processo em curso não conseguem perceber. Estamos lidando com algo que mexe com a relação delicada que cada um e nós mantém com o Estado que governo as nossas vidas”.
    Graves e importantes declarações de uma figura como Joaquim Barbosa, mesmo que estimuladas por alguma ambição política (ele prega eleições gerais, como saída para a crise).
    A palestra terminou antes das dez horas da manhã, conforme registrou o Diário Catarinense. Na mesma hora estava no 247.
    Suas palavras foram, no entanto, ignoradas pelos informativos on line  e os noticiários da Globo, Estadão, Folha… só a Zero Hora deu no site uma nota copiada do DC. Postou pouco depois das dez e às seis da tarde já estava fora da capa.
    A edição impressa da ZH, a dita superedição de fim de semana, que circula sábado deu cinco linhas no pé de uma nota, amaciando as declarações de Barbosa.
    No dia em que Dilma falaria na ONU sobre a crise brasileira, não era conveniente uma voz como a de Joaquim Barbosa engrossando o coro dos que dizem que esse impeachment é um golpe parlamentar.
    Se ele tivesse dito que o impeachment é legal, teria merecido manchetes.

  • Os ministros estão nus!

    Raul Ellwanger
    Zapeando distraído, na quarta feira dia 20 de abril cruzei na tela com o ministro Celso de Mello, numa longa fala. Em seguida, outra longa fala do ministro Toffoli. E logo outra longa fala do ministro Mendes.
    Percebi que o momento era sério, grave. Três ministros do Supremo jogados ao ar de enfiada, colados na edição, somando uns dez minutos. Pensei: caramba, algo aconteceu, deram um golpe, está chovendo Zika virus, o deputado Cunha enfartou, meu Cruzeiro de Porto Alegre saiu campeão,  houve um terremoto em Brasília e a Bolívia invadiu o Atacama!!!
    Ilustra_Andres_Vince20160423_1Diz a tradição: juiz só fala nos autos. Mas estes loquazes três ministros falavam pelos cotovelos e bíceps, no meio da rua, por entre os autos, acima das bicicletas e nas roletas dos ônibus, falavam aos gritos, para todo o país ouvir em horário televisivo de pico, escancaravam bocas e olhos para serem notados.
    Eram três dos máximos dirigentes do país arengando ao conjunto do povo, eram a reserva moral no meio do tumulto!
    Importantíssimo! Um só deles já seria magnifico.
    Imagino um membro da mais alta Corte vir a auxiliar o país, deixando de lado aquela fila histórica de centenas de milhares de processos que esperam sob a poeira de suas togas, para debruçar-se ante a opinião pública como impoluto Mestre e mostrar a luz aos concidadãos.
    Já que são três e falam muito tempo no megafone fora dos autos, qual seria o processo jurídico tão descomunal, estratégico e urgente, que os obrigasse a deixar suas pesadas tarefas legais e a quebrar a norma de prudência e discrição?
    Nem mesmo o impedimento da Presidente demandaria tamanha organização e dedicação coletiva, afinal as câmaras legislativas vão fazendo seu serviço.
    Mas não era nada disso, nada de tão importante assim, nem sequer era da alçada deles. O assunto era mais prosaico. Ou parecia. Os três falaram do mesmo assunto, com as mesmas três ideias, na mesma ordem, com o mesmo ar compungido de normalistas surpresas, quase traídas. Diziam, todos os três, na mesma ordem:
    1) “sim, claro, este assunto não é minha atribuição, não me compete”;
    2) “bom, mas por alguma razão ou força inexplicável, vou falar assim mesmo”;
    3) “a ida e a fala da Presidenta ao exterior é impropria, inconveniente, pode gerar isto ou aquilo, esta hipóteses, aquela crise, etc, etc, etc “.
    Ilustra_Andres_Vince20160423_3Nenhum conseguiu articular o porque da fala ser ruim para o Brasil, mostrando que o ensaio era cabal até nos silêncios.
    Os idênticos olhares de cordeiro, as mesmas comissuras caídas, o  biquinho labial de muxoxo, a uníssona tonalidade mansa dos três combinavam com a conversa do tipo “Joãozinho do passo certo”, no caso, “do papo certo”, parecendo três coroinhas que tivessem  vindo recitar o catecismo ante a filmadora severa do padre, cada qual mais aplicado em repetir a idêntica lição.
    Com alivio, pois afinal o vulcão Etna e a Falha de San Andrés seguiam tranquilos e o Sol cumpria sua rota normal, descobri então que a monótona emissora tinha ampliado o plantel de comentaristas internacionais. Sim, agora nada mais de Jaboresinhos e Nóibartinhas, agora os noticiários são de nível ministerial. Não apenas com simples jornalistas, mas com finíssima e selecionada ‘elèvage’, que conta simplesmente com três Ministros do Supremo, o que daria um peso cavalar às suas opiniões.
    Não consegui, entretanto, descobrir qual a poderosa força do item 2) que os fez romper com o item 1) e desaguar impropria e arriscadamente no item 3).
    Que motorização os fez dilapidar a já fatigada imagem do STF? Quem os mobilizou? Foi a repórter da salinha de redação via emei, foi algum estagiário que ligou do seu celular?
    Mas se isto não era pauta nenhuma, ninguém associava STF com viagem presidencial, a matéria é um invento, como notícia é uma barrigada (de dez minutos)! Estou convencido de que foi uma força poderosa, um oculto tsunami, uma retroescavadeira que tirou os ministros do pedestal e os jogou ao lixo das ruas.
    Fiquei com duas perguntas, sendo a primeira: que poder pode, em qualquer país do mundo, juntar no mesmo dia, na mesma hora, na mesma arenga com o mesmo texto, mais da quarta parte de seu máximo Tribunal numa véspera de feriado, para colocar o dedo em terra alheia, justamente membros daquela Corte que deveriam analisar questões constitucionais e que vem, misteriosamente, denegrir a presença internacional do seu próprio pais?
    Acho que ninguém, nem o Presidente Obama consiga. Ou talvez o tirano saudita consiga. Não lembro da Presidente Dilma (que sim, tem o dever de representar seu país no exterior) comentar a esclarecedora e oportuna viajem de Mendes e Toffoli para um evento tipo pitza “pré-pronta”, por eles mesmos organizado e auto-convidados em Portugal, num estranho conjunto com gulosos políticos derrotados em 2014.
    Ilustra_Andres_Vince20160423_2A segunda pergunta que ficou boiando na minha cabeça: porque foi necessário despí-los da aura de imparcialidade, porque tirar aquela venda que cobre os olhos do juiz, porque mostrar os três homens nus, sem roupa, à vista de todos delatando suas preferencias?
    Porque eles tem que comentar uma viagem de outro Poder, se é que se fez antes com algum Presidente ou funcionário?
    Lembremos de Osvaldo Aranha e todos os demais, ano após anos, representando o Brasil nas aberturas da Assembleia Geral da ONU!
    Porque atacar isto,  porque fazê-lo, porque fazê-lo no dia 22 de abril, porque cometer  esta violência institucional degradando o STF, porque correr este risco político, porque gastar este fusível, porque esta desmoralização gritante da dita Justiça, porque afetar a independência entre os Poderes?
    Imagino como se sentem os outros ministros do STF e das demais instâncias, os desembargadores e os jovens juízes sinceros em suas comarcas distantes, os advogados que lutam por seus clientes, o cidadão comum que crê no Direito, ao verem seus ‘magister’ engalfinhados na politica rasteira pela mão enluvada dos donos unitários da monocórdica comunicação eletrônica do Brasil.
    Meu bom Barão de Itararé, há algo mais no ar, além do avião do Zezé e a poeira que levanta. Por fim, mais uma dúvida: serão os três ministros contratados como comentaristas fixos no plantel da uniemissora, terão as carteiras assinadas e recolherão os impostos trabalhistas?  Afinal, todo trabalho deve ser remunerado.