Autor: da Redação

  • Eleição concorrida e polêmica indica recondução de Rui Oppermann na UFRGS
    Rui Oppermann e Jane Tutikian. Foto: Divulgação

    Eleição concorrida e polêmica indica recondução de Rui Oppermann na UFRGS

    guilherme Hagel

    Chega a Brasilia nesta segunda feira, a lista tríplice para escolha do novo reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que será decidida até setembro pelo presidente Jair Bolsonaro.

    O atual reitor Rui Vicente Oppermann e sua vice Jane Tutikian, da Chapa 2, encabeçam a lista.

    Eles foram os escolhidos pela comunidade acadêmica, em votação on line, na segunda feira, dia 13/06, e referendados pelo Conselho Universitário na sexta-feira, 17.

    As outras duas chapas que disputaram a eleição, completam a lista tríplice, pela ordem da votação que fizeram:

    Chapa 3: Karla Maria Müller (Reitora)/ Claudia Wasserman (Vice),

    Chapa 1.: Carlos André Bulhões (Reitor)/ Patricia Helena Lucas (Vice).

    Com votação on line, a escolha do novo reitor para o quadriênio de 2020/2024 teve uma participação sem precedentes. Foram computados 15.700 votos, mais que o dobro da última em eleição, em  2016, quando apenas 7.700  compareceram para votar.

    A participação de mais de 11 mil alunos fez a diferença e deu a nota polêmica da eleição. Eles votaram em massa na chapa 3, encabeçada pela professora Karla Maria Muller, diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação, que seria a vencedora se os votos de professores alunos e funcionários fossem paritários.

    Como são ponderados e o voto dos professores tem peso de 0,7 enquanto de alunos e funcionários tem, cada um, peso de 0,15 ( mais de quatro vezes menos), os 1.454 votos do corpo docente deram a vitória a Rui Oppermann.

    Entre os professores havia 2.932 votantes habilitados. Votaram 2.605, dando 1.454 votos para a reeleição do atual reitor Rui Oppermann.

    A votação não deixou de ser polêmica, com muitos comentários nas redes sociais sobre o caráter “antidemocrático” do critério que da mais peso para o voto dos professores, frente a alunos e funcionários.

    Contemplada com o maior número de votos, pela votação dos estudantes e funcionários, a candidata Karla Maria Muller, reconheceu o resultado, mas levantou a bandeira da paridade já: “A adoção da paridade hoje é uma necessidade gritante, pois o resultado não corresponde à de decisão da maioria dos votantes”

    “Para nós isso é bastante ruim, pois desconsidera todo o papel dos técnicos e estudantes para poder ter uma universidade adequada. Então, não é uma democracia que está acontecendo ali dentro, infelizmente”, diz a candidata.

    A praxe é que a escolha do reitor seja feita de acordo com a indicação do Conselho Universitário e recaia sobre o primeiro nome da lista tríplice, o que significaria a recondução de Opperman, para um segundo mandato até 2024.

    Mas não é uma regra e surpresas podem acontecer dada a transição que ocorre no MEC, onde, em menos de dois anos, tem-se um terceiro ministro recém nomeado.

    DETALHES DA ELEIÇÃO PARA A REITORIA DA UFRGFS

    Votantes        Professores    Alunos    Funcionários

    Chapa 1            436                    1.216       208

    Chapa 2         1.454                   2.713        516

    Chapa 3            679                    7.212      1.056

    TOTAL             2.569                11.141        1.780

    COMO VOTOU CADA CATEGORIA 

    Docentes (peso 0,7)

    ●        Chapa 1 – 436 votos

    ●        Chapa 2 – 1.454 votos

    ●        Chapa 3 – 679 votos

    ●        Branco – 7 votos

    ●        Nulo – 29 votos

    ●        TOTAL: 2.605

    ●        Votantes habilitados: 2.932

    Técnico-administrativos (peso 0,15):

    Os servidores da Universidade habilitados a votar eram 2.545 e deram maioria dos votos (1.066 votos) para a chapa 3.

    ●        Chapa 1 – 208 votos

    ●        Chapa 2 – 516 votos

    ●        Chapa 3 – 1.056 votos

    ●        Branco – 15 votos

    ●        Nulo– 33 votos

    ●        TOTAL – 1.795

    ●        Votantes habilitados – 2.545

    Alunos  (peso 0,15):

    Mais de 40 mil alunos estavam habilitados para votar. Pouco mais de 11 mil deram seu voto na consulta on line, dois terços dos quais votaram na chapa 3:

    ●        Chapa 1 – 1.216 votos

    ●        Chapa 2 – 2.713 votos

    ●        Chapa 3 – 7.212 votos

    ●        Branco – 76 votos

    ●        Nulo – 75 votos

    ●        TOTAL – 11.217

    ●        Votantes habilitados – 40.128

     

     

  • Militares no governo Bolsonaro: são 6.157, segundo o Tribunal de Contas
    A parte de baixo da Esplanada dos Ministérios e cercada por concertina, um arame farpado com lâminas instalada pelo Exército para reforço da segurança para posse presidencial

    Militares no governo Bolsonaro: são 6.157, segundo o Tribunal de Contas

    O Tribunal de Contas da União (TCU) divulgou na sexta-feira (17), um levantamento sobre a quantidade de militares da ativa e da reserva que ocupam cargos civis no governo federal. O número mais do que dobrou nos dois primeiros anos da gestão de Jair Bolsonaro.

    Em 2018, havia 2.765 militares em cargos civis do governo federal. Em 2019, o número chegou a 3.515 cargos destinados a servidores oriundos da caserna.

    Em 2020, o total chegou a 6.157, um aumento de 122%.

    É a primeira vez que um levantamento oficial mostra o grau de militarização do governo Bolsonaro.

    Um dos maiores aumentos ocorreu entre militares que passaram a ocupar cargos comissionados.

    Em 2016 eram 1.965, em 2018 caiu para 1.934. Já no primeiro ano do governo Bolsonaro, a quantidade subiu para 2.324, um aumento de 20%. Neste ano, são 2.643 militares ocupando esses cargos, ou 34,5% a mais.

    O TCU ainda aponta que cresceu também a presença de militares em conselhos de administração de estatais, função pela qual recebem pagamentos adicionais, e em “cargos na alta administração do Poder Executivo”.

    Oito militares estão nessas posições, conforme o TCU. Nenhum as ocupou em 2016, 2017, 2018 e 2019, afirma o tribunal. O levantamento pode ser incompleto porque o tribunal não teve acesso às bases de dados de toda as estatais.

    O levantamento sobre a presença de militares no governo Bolsonaro foi feito a pedido do ministro Bruno Dantas. Os dados foram repassados ao presidente do TCU, ministro José Mucio Monteiro, e então enviados aos gabinetes de todos os ministros do tribunal.

    O subprocurador Lucas Rocha Furtado fez o pedido em meio a críticas à presença dos militares no governo. De acordo com Furtado, o trecho da Constituição que autoriza o uso de militares da ativa em cargos civis principalmente para “melhorar o atendimento a populações de regiões de fronteira e distantes dos grandes centros urbanos”.

     

  • Por que o silêncio em torno das ações contra a propaganda de Marchezan?
    Anúncio nos principais jornais de São Paulo: Qual o objetivo?. Reprodução: AJURD

    Por que o silêncio em torno das ações contra a propaganda de Marchezan?

    Pelo menos três representações já foram levadas ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas contra a aplicação que o prefeito Nelson Marchezan vem fazendo da verba de publicidade de R$ 34,9 milhões aprovada para este ano em Porto Alegre.

    A primeira representação foi protocolada no dia 29 de janeiro de 2020, pela Associação dos Juristas pela Democracia (Ajurd) com a assinatura de quinze juristas e advogados.

    Não mereceu sequer um registro no noticiário local e o MP não dá qualquer informação. Na internet, o processo aparece como inteiramente sigiloso.

    “Em quase seis meses, não obtivemos sequer um parecer”, disse ao JÁ o advogado Mário Madureira, presidente da Ajurd.

    “É um caso absolutamente estranho, pois a representação não precisa de instrução, se baseia em provas documentais”, disse o jurista Lenio Streck, também signatário da representação.

    No dia 10 de julho, uma nova representação foi levada ao Ministério Público de Contas,  desta vez pelo Conselho Municipal de Saúde, que acusa o prefeito de estar usando recursos do Fundo Municipal de Saúde para fazer publicidade de sua gestão .

    O procurador Geraldo Da Camino, do MPC, em seguida,  pediu ao Tribunal que suspenda a campanha em andamento e instaure inquérito para apurar as denúncias. O Tribunal não se pronunciou até o momento e nem informa sobre o andamento do processo.

    “O silêncio de mídia a respeito do assunto, a gente entende: o prefeito é um grande anunciante. Mas a posição do Ministério Público não dá para entender”, diz Madureira.

    Anúncios em São Paulo

    O alvo da primeira representação é uma série de anúncios da campanha “As reformas que o Brasil precisa Porto Alegre já fez” veiculada no final de dezembro de 2019, “em diversos meios, inclusive em jornais que não possuem circulação no Município, como Valor Econômico, Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo”.

    A Ajurd denuncia o prefeito Nelson Marchezan Jr. por propaganda ilegal e crime de responsabilidade, pedindo inclusive, seu afastamento.

    A representação é assinada pelos juristas Lenio Luiz Streck, Gabriel Pauli Fadel, Mario Luiz Madureira, Jorge Buchabqui, Maritânia Dallgnoll, Jorge Luis Garcia de Souza, Luciane Toss, Jucemara Beltrame, Leonardo Kauer Zinn, Ramiro Goulart, Daniel Severo Schiites e Luísa Stern.

    Aponta “crime de responsabilidade em razão dos gastos de verbas públicas com publicidade em desacordo com a Lei Orgânica do Município e as Constituições Estadual e Federal”.

    As peças de propaganda, veiculadas em jornais de São Paulo, foram consideradas “de cunho eleitoral” na decisão judicial proferida pela Juíza Keila Silene Tortelli em 2 de janeiro, tendo a magistrada determinado a suspensão da publicidade governamental.

    Na Representação, a AJURD pede:

    [1] a instauração do processo penal diante da prática, em tese, de crime de responsabilidade;

    [2] o afastamento do Prefeito do exercício do cargo durante a instrução criminal; e

    [3] a apuração do montante dos gastos indevidos com a publicidade ilegal, com vistas ao ressarcimento aos cofres públicos.

    A representação invoca a Constituição Federal, no artigo 37 que trata dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, dispõe o seguinte sobre o tema:

    “§ 1º – A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.

    E a Constituição Estadual, no Art. 19, que estabelece:

    “§ 1.º A publicidade dos atos, programas, obras e serviços, e as campanhas dos órgãos e entidades da administração pública, ainda que não custeadas diretamente por esta, deverão ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, nelas não podendo constar símbolos, expressões, nomes,“slogans” ideológicos político-partidários ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridade ou de servidores públicos”.

    Também a Lei Orgânica do Município,  equivalente à de uma Constituição Municipal, é invocada no artigo 125, que estabelece:

    “§ 2º – Ficam proibidas a publicidade e a propaganda de órgão da administração direta e indireta fora do Município, seja qual for o objetivo, exceto aquelas referentes à atividade turística.

    […]

    § 8º – O não-cumprimento do disposto neste artigo implicará crime de responsabilidade, sem prejuízo da suspensão da propaganda ou publicidade e da instauração imediata de procedimento administrativo para apuração do ilícito”.

    Crimes de responsabilidade cometidos por Prefeitos Municipais e Vereadores estão enquadrados no Artigo 1º do Decreto-Lei 201/1967 e são julgados pelo “Poder Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara de Vereadores.

     

    Na representação, a Ajurd informa que, em tese, o Prefeito incorreu nos seguintes crimes [artigo 1º do Decreto]:

    “III – desviar, ou aplicar indevidamente, rendas ou verbas públicas;

    V – ordenar ou efetuar despesas não autorizadas por lei, ou realizá-las em desacordo com as normas financeiras pertinentes;

    XIV – Negar execução a lei federal, estadual ou municipal, ou deixar de cumprir ordem judicial, sem dar o motivo da recusa ou da impossibilidade, por escrito, à autoridade competente;”.

    Rito de julgamento de crime de responsabilidade

    Caso o Ministério Público acolha a Representação da Ajurd, denunciará o Prefeito Municipal, que então terá de responder a processo criminal na Justiça.

    O juiz pode acatar o pedido da Ajurd de afastar o Prefeito Marchezan Júnior do exercício do cargo durante a instrução criminal, como prevê o inciso II do artigo 2º do Decreto-Lei 201/1967. Além disso, o artigo 2º estabelece:

    “I – Antes de receber a denúncia, o Juiz ordenará a notificação do acusado para apresentar defesa prévia, no prazo de cinco dias. Se o acusado não for encontrado para a notificação, ser-lhe-á nomeado defensor, a quem caberá apresentar a defesa, dentro no mesmo prazo.

    II – Ao receber a denúncia, o Juiz manifestar-se-á, obrigatória e motivadamente, sobre a prisão preventiva do acusado, nos casos dos itens I e II do artigo anterior, e sobre o seu afastamento do exercício do cargo durante a instrução criminal, em todos os casos.

     

  • Governo gaúcho anuncia R$ 55,1 milhões para poços e açudes

    O governo do Estado anunciou, nesta quarta-feira (15/7), recursos para o enfrentamento à estiagem e para mitigação dos danos causados pelos meses de seca no Rio Grande do Sul, entre o final do ano passado e o começo de 2020. No total, serão R$ 55,1 milhões destinados a perfuração de poços, construção de açudes e pagamento de horas-máquina para recuperação de estradas.

    São R$ 29,1 milhões oriundos de emendas parlamentares da bancada federal gaúcha, por meio da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), R$ 6 milhões do Ministério do Desenvolvimento Regional e R$ 10 milhões do próprio governo do Estado. Outros R$ 10 milhões foram direcionados a partir do orçamento da Assembleia Legislativa na semana passada.

    O governador Eduardo Leite, em transmissão ao vivo pelas redes sociais, agradeceu os esforços de todos os agentes envolvidos neste processo. “Há uma ação coordenada, desde janeiro, por parte do governo do Estado, para minimizar os danos e os prejuízos da estiagem. Além disso, estamos trabalhando juntos para viabilizar meios de prevenção e de antecipação de cuidados em relação a futuras estiagens”, detalhou.

    Dos R$ 55,1 milhões, R$ 10 milhões serão destinados à construção de 1.025 açudes, cuja execução ficará a cargo da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, em 102 municípios – cada um receberá dez. Esse valor, oriundo da Assembleia Legislativa, também será destinado à perfuração de 55 poços.

    Os R$ 10 milhões do governo do Estado servirão para a perfuração de 50 poços e para a contratação de horas-máquinas em 53 municípios.
    O secretário de Obras e Habitação, José Stédile, explicou que os R$ 6 milhões provenientes do Ministério do Desenvolvimento Regional serão destinados também à perfuração de poços. A Funasa perfurará o restante dos poços.

    Confira a lista de municípios e de ações a serem executadas.

  • Jornal mais antigo do Estado, terceiro no país, a Gazeta de Alegrete luta para salvar a memória
    Com 137 anos, Gazeta de Alegrete é, possivelmente, o maior arquivo da cidade da fronteria. Foto: Camila Cunha/Arquivo Ascom PUCRS

    Jornal mais antigo do Estado, terceiro no país, a Gazeta de Alegrete luta para salvar a memória

    Tiago Baltz

    “A situação é terrível”. É assim, de forma direta, que Lilia Ricciardi, atual diretora da Gazeta de Alegrete, resume a situação do centenário impresso da cidade da fronteira oeste do Rio Grande do Sul.

    O jornal Gazeta de Alegrete, com 137 anos de existência, é o mais antigo em circulação no Rio Grande do Sul, e o terceiro no Brasil, ficando atrás apenas do “Diário de Pernambuco” e de “O Estado de São Paulo”.

    Tudo começou em 1882, com uma campanha em pró da absolvição dos escravos negros.

    Barão de Ibirocay, ganhou o título por sua vertente abolicionista / Reprodução

    O jornal foi fundado por Jesuíno Melquíades de Souza, José Celestino Prunes e Luís de Freitas Vale, que em 1888 foi condecorado pela Princesa Isabel como Barão de Ibirocay, justamente pela sua campanha abolicionista.

    De lá pra cá o jornal viu a República nascer, passou pela pandemia da gripe espanhola em 1919 e viu em suas páginas textos de políticos como Oswaldo Aranha e Demétrio Ribeiro e do poeta Mário Quintana. Foi ainda na Gazeta que começaram nomes como Nico Fagundes e Sérgio Faraco.

    O jornal viu a passagem de um novo século, até uma nova pandemia determinar o momento mais difícil de sua existência. “Estamos apenas com o dinheiro das publicações legais da prefeitura e alguns antigos apoiadores. Com a nova crise econômica as empresas estão cancelando seus contratos pois não estão vendendo e infelizmente a mídia do Governo Federal não chega aos jornais do interior”, diz a atual proprietária, Lilia Ricciardi, que consegue manter apenas mais três funcionários e uma tiragem semanal mínima.

    A família Ricciardi está no jornal desde os anos 50, quando o pai de Lilia, o poeta Hélio Ricciardi comandava a publicação, então diária. Desde 1970 o jornal passou a ser de propriedade do jornalista e poeta. Foi também Hélio Ricciardi que criou os Cadernos do Extremo Sul, importante publicação literária que contou com textos de Mário Quintana, Laci Osório, Sérgio Faraco e Nico Fagundes, muitos dos poemas e contos, antes de serem publicados nos Cadernos eram veiculados pela Gazeta.

    O poeta Mario Quintana com Hélio Ricciardi, também escritor e jornalista que comandou a Gazeta por mais de 40 anos / Arquivo pessoal

    O poeta da aldeia, como se autodefinia e cujo nome completo era Hélio Irajá Ricciardi dos Santos, foi diretor do jornal até 2003, quando passou o serviço para a filha Lilia, mas manteve uma coluna até sua morte em 2015.

    Na antiga gráfica da Gazeta de Alegrete / Reprodução

    No início dos anos 90, com o fechamento da gráfica própria, a Gazeta deixou de ser diária, com os anos passou de bissemanal para semanal, e com o novo século acabou perdendo leitores, principalmente entre os mais jovens. No auge, chegou a ter mais de 40 funcionários.

    Em 2020, ano de uma nova pandemia, o jornal ocupa uma pequena loja, com apenas dois computadores. É impresso em Ijuí, e distribuído aos sábados, com doze páginas e um preço de capa de R$ 2,50. Além de Lilia, há mais três funcionários, sendo que um é jornalista.

    O jornal fez parte da Associação dos Diários do Interior (Adjori), mas segundo Lilia, não havia nenhum retorno da entidade e optou-se pela saída do grupo.

    Durante dois anos houve um site, que está desativado: “Não há ganho financeiro que justifique um site”, coloca a proprietária.

    Em 1978 foi inaugurado o Grupo Gazeta de Comunicações, formado pelo Jornal Gazeta de Alegrete, pela Rádio Gazeta AM e pela Rádio Cultura FM. A Rádio Cultura FM foi posteriormente vendida para um grupo de Santa Maria e seu nome fantasia passou a ser Nativa. A rádio Gazeta continua no ar, mas a operação da emissora e do jornal Gazeta é separada.

    Em 2016, a história do jornal começou a ganhar novo capítulo com o processo coordenado pela PUC para digitalização do acervo completo. A Gazeta de Alegrete é possivelmente o maior acervo público da cidade, um patrimônio. Mas apenas um terço do trabalho foi concluído, ainda faltam recursos para o restante do trabalho.

    “Em cada página, em cada edição, estão registrados os hábitos e costumes da nossa gente, tudo que resultou ao que hoje somos como cidade. A Gazeta é a cara de Alegrete. Folhear as Gazetas antigas é viajar pelo tempo”, define Lilia. A ideia é que após a digitalização completa as edições antigas passem para um memorial. O futuro é incerto, mas ao menos, a memória poderá ser assim preservada.

    Capa de 1 de outubro de 1982, quando o jornal completou 100 anos / Reprodução
    16 de junho de 1964
    18 de junho de 1942
  • Itaú financia reforma para transformar escola em Centro de Acolhimento
    Prefeito Nelson Marchezan visitou o local nesta segunda-feira, 13. Foto: Cesar Lopes/PMPA

    Itaú financia reforma para transformar escola em Centro de Acolhimento

    Está prevista para o dia 20 de julho a abertura do Centro de Acolhimento e Isolamento Social (CAIS), o primeiro de Porto Alegre destinado a moradores de baixa renda com teste positivo para Covid-19, com sintomas leves e não tenham condições de isolamento adequado.

    A prefeitura cede o local e a Fundação Itaú para Educação e Cultura financia a reforma e o funcionamento do centro, no prédio da Escola Estadual Marechal Mallet, que está desativada, na Vila Jardim.

    O custo total do projeto é de R$ 3,5 milhões com as obras e as equipes que irão trabalhar no novo espaço. O acordo de cooperação tem validade de três meses, podendo ser prorrogado.

    O Centro terá inicialmente capacidade para abrigar 100 pessoas, podendo ser ampliado para até 200 pessoas.

    “A parceria com a iniciativa privada vai permitir desafogar o SUS”, explicou o prefeito o prefeito Nelson Marchezan ao visitar o local nesta segunda feira, 13,, acompanhado do secretário municipal da Saúde, Pablo Stürmer, e do adjunto, Natan Katz.

    Porto Alegre, segundo a prefeitura, é a primeira cidade do Sul do país a receber o projeto, que já tem outros dois centros de acolhimento em São Paulo e ainda será implementado em outros estados.

    O secretário Pablo Stürmer explica que os pacientes serão encaminhados pelas unidades de saúde de Porto Alegre. “É uma iniciativa para possibilitar atendimento adequado a quem não tem condições de cumprir o isolamento social em casa”, acrescenta.

    O CAIS vai funcionar 24 horas, e os residentes terão apoio de uma equipe de assistentes sociais, enfermeiros, cuidadores e monitores, e acompanhamento médico via telemedicina.

    Também receberão roupas e cinco refeições por dia. Custeado pela Fundação Itaú, o projeto integrará o Plano Emergencial de Proteção Social, conjunto de ações que a prefeitura organiza para minimizar os efeitos sociais causados pela pandemia.

    De acordo com o coordenador regional do projeto, Marcos Soares, o centro não vai atender como equipamento de saúde, mas como  local de acolhimento temporário.  “É para os casos em que o paciente não precise ir ao hospital ocupar um leito, mas não tenha um local adequado para fazer o isolamento. Durante o período de risco de transmissão, ele ficará recebendo todo o suporte necessário”, explica.

    A casa está passando por reforma da estrutura e adequação para atender os pacientes a partir do dia 20 de julho.

    O Instituto Renascer será responsável pela gestão da “Já temos uma parceria importante da Prefeitura de Porto Alegre com os residenciais terapêuticos, e agora vamos administrar o CAIS e dar o atendimento e apoio aos que precisam neste momento”, afirma Thiago Franklin Flores, presidente do Instituto Renascer.

    Critérios para atendimento no CAIS:

    Teste RT-PCR for positivo;
    – Não ter possibilidade de isolamento adequado em casa;
    – Ser encaminhado por um profissional de saúde;
    – Residir com pessoas do grupo de risco ou com idosos com mais de 60 anos;
    – Residir com pessoas com comorbidades: HIV, tuberculose, gestantes e lactentes, pessoas com câncer, DPOC, obesos, cardiopatas, diabéticos, hipertensos, com insuficiência renal grave ou outras doenças relacionadas à imunossupressão.

    (Com informações da Assessoria de Imprensa)

     

  • Tribunal vai investigar se há verba da saúde na propaganda de Marchezan
    O seminário de lançamento da campanha, em dezembro de 2019. Foto: Divulgação PMPA

    Tribunal vai investigar se há verba da saúde na propaganda de Marchezan

    O procurador geral do Ministério Público de Contas, Geraldo da Camino, pediu ao Tribunal de Contas do Estado que suspenda a campanha publicitária “Poa pra Frente, Poa pra Gente”, patrocinada pela prefeitura de Porto Alegre.

    O pedido, encaminhado na sexta-feira,  tem por base uma representação do Conselho Municipal da Saúde, que denuncia o uso de recursos do Fundo Municipal da Saúde em campanha de propaganda da prefeitura, sem “que o conteúdo se atenha ao caráter educativo, informativo ou de orientação social”.

    Em nota, o CMS “lamenta que, em meio à maior crise sanitária já vivida no SUS, frente a todas as necessidades prioritárias de investimento de recursos para o enfrentamento da pandemia, o prefeito volte sua atenção para  flagrante campanha de propaganda”.

    Caberá agora a apreciação do pedido pelo Tribunal. Se for acolhido, a propaganda será suspensa imediatamente e um inquérito vai apurar se há ou não desvio de verba do Fundo Municipal da Saúde para propaganda do prefeito.

    A campanha, depois de uma licitação vencida pela agência Morya, foi lançada em todos os veículos de comunicação da capital, em dezembro do ano passado e se desdobra por todo 2020.

    Para divulgar o “novo conceito de comunicação”, a prefeitura promoveu um Seminário de Governo, na Fiergs, com cerca de 800 participantes, dentre eles secretários municipais, vereadores e gestores públicos.

    Há outros dois processos na Justiça – um movido pela Associação dos Juristas pela Democracia e outro pelo Sindicato dos Municipários – questionando os investimentos que Marchezan vem fazendo em publicidade de sua administração.

  • Ondas de até cinco metros entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina

    Ventos de até 75 km  são previstos no comunicado da Marinha do Brasil, por meio do Centro de Hidrografia da Marinha (CHM).

    “A frente fria poderá provocar ventos de direção Oeste a Sudoeste, com intensidade de até 75 km/h (40 nós), na faixa litorânea compreendida entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao sul de Laguna, entre a manhã do dia 12 de julho e a tarde do dia 14 de julho”.

    Os ventos associados a esse sistema meteorológico poderão ocasionar agitação marítima com ondas, em alto-mar, com até 5,0 metros de altura, entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, ao sul de Laguna, entre a manhã do dia 12 de julho e a noite do dia 14 de julho.

    Há condições favoráveis à ocorrência de ressaca com ondas de direção Sudoeste a Sudeste, com até 3,0 metros de altura, na faixa litorânea compreendida entre os estados do Rio Grande do Sul e de Santa
    Catarina, ao sul de Laguna, entre a tarde do dia 13 de julho e a manhã do dia 15 de julho.

    A Marinha do Brasil mantém todos os avisos de mau tempo em vigor no endereço eletrônico
    http://www.marinha.mil.br/chm/dados-do-smm-avisos-de-mau-tempo/avisos-de-mau-tempo.

  • Nova pesquisa aponta que mais de 30% de bares e restaurantes podem fechar as portas em definitivo no RS

    A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Rio Grande do Sul (Abrasel-RS), realizou uma pesquisa junto aos associados para identificar os reflexos econômicos e sociais das medidas restritivas estabelecidas ao setor de alimentação no Estado.

    Dos entrevistados, 33,1% apontam que podem fechar em definitivo em 60 dias e 31% avaliam como real a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho como empregado e deixar de empreender.

    Ainda, conforme a pesquisa, a estimativa é que mais de 19 mil pessoas percam o emprego. Até o momento 72,3% dos associados já demitiram, mesmo que 83,4% tenha utilizado a MP 936 para suspender ou reduzir a carga horária. E 54,8% precisará prorrogar as suspensões ou reduções.

    A Abrasel-RS já tinha divulgado no começo do mês uma pesquisa sobre a situação em Porto Alegre, onde até 50% dos entrevistados apontaram que poderiam não abrir mais seus estabelecimentos.

    “O resultado desta pesquisa confirma o que já prevíamos para o futuro do setor, uma segunda onda de fechamentos em definitivo e mais demissões. Um reflexo da instabilidade na tomada de decisões do Executivo Municipal e Estadual. Estamos em meio a uma grande crise, uma situação que piora a cada dia e os números que levantamos demonstram o quanto nós precisamos que os governantes tenham um maior diálogo conosco para que possamos encontrar uma solução para manter o setor vivo”, conta Maria Fernanda Tartoni, Presidente da Abrasel no RS.

    Além dos números sobre o funcionamento das operações e o cenário de empregos, a pesquisa levantou dados sobre linhas de crédito, investimento em insumos, tributos, negociações de contratos de aluguéis, faturamento e as expectativas futuras para o setor.

    Confira o resultado completo da pesquisa:

    Levantamento feito no dia 08.07.20, sendo 53,5% dos respondentes de Porto Alegre.

    FUNCIONAMENTO:
    Dos estabelecimentos pesquisados, 69,4% está funcionando com delivery, sendo que 54,8% também opera com pague e leve. Com o salão em funcionamento apenas 19,7% do setor está operando no Rio Grande do Sul.

    Com a operação suspensa estão 14% e 3,8% estão se preparando para suspender.

    Na atual pesquisa, no Estado todo, 33,1% apontam que ainda podem fechar em definitivo nos próximos 60 dias.

    Alguns empresários já pensam em deixar de empreender, sendo que 31% avaliam como real a possibilidade de voltar ao mercado de trabalho como empregado.

    EMPREGOS:
    Estimamos, com base nas pesquisas e nos dados do Atlas Econômico de 2017, que o setor possua em torno de 100 mil trabalhadores no Rio Grande do Sul. Destes, em torno de 30 mil já foram demitidos e nos próximos meses, não havendo mudança na situação atual e não prorrogando a MP936, mais 19,5 mil devem perder o emprego.

    Das empresas pesquisadas, 72,3% já demitiram mesmo que 83,4% tenha utilizado a MP936 para suspender ou reduzir a carga horária. Dos entrevistados, 54,8% precisará prorrogar as suspensões ou reduções.
    Dado importante é que 26,1% possui receio de utilizar a MP936, pois caso precisem fechar não poderão demitir, em virtude da estabilidade exigida na, agora, lei.

    O que está pesquisa demonstrou, comparada a pesquisa de junho feita exclusivamente na capital, é que a situação está mais crítica em Porto Alegre, onde se concentra o maior número de trabalhadores da área e 21,7% dos estabelecimentos do setor.

    CRÉDITO:
    Sobre as linhas de crédito 79,4% buscaram algum tipo, sendo que destes 81,3% não conseguiram o crédito ou tudo o que necessitavam.

    Dentre os que buscaram, 73,5% tiveram dificuldade de acesso, sendo os motivos mais comuns: linhas do governo que não chegaram ou demoraram a chegar nas agências bancárias; banco solicitou garantias reais, banco pediu contrapartidas adicionais (reciprocidade, venda casada, etc), os juros altos, dificuldade de informação com os bancos e bancos que não retornavam as solicitações.

    ECONOMIA
    Dos entrevistados, 39,6% passaram a comprar entre 51 a 75% menos insumos comparado a período anterior aos decretos de calamidade.

    Uma fatia um pouco menor, 29,9%, passou a comprar entre 76 a 100% menos insumos. Estável apenas 6,5%, sendo o restante também em queda no nível de compra.

    Com relação aos tributos, não houve aumento para nenhum dos entrevistados. Sendo que 38,3% estão recolhendo entre 76 a 100% menos tributos do que recolhia normalmente e 7,1% mantém o patamar.

    As negociações nos contratos de aluguel foram buscadas por 83,4% dos entrevistados, sendo que 69,4% chegou num acordo.

    Comparando com a média de faturamento anterior aos decretos de calamidade pública (em março), 21,2% teve mais de 90% de queda no faturamento e 39,7% teve queda entre 70 a 89%. Apenas 3,8% aumentou o faturamento e o 5,8% se manteve estável. Nos dois casos é possível inferir que foram amparados pelo Delivery e o pague leve.

  • MST doa 15 toneladas de alimentos na região Metropolitana de Porto Alegre
    Comunidades de Viamão e da capital foram contempladas com kits de alimentos saudáveis. Foto Leandro Molina / Divulgação MST

    MST doa 15 toneladas de alimentos na região Metropolitana de Porto Alegre

    O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra realizou a doação de alimentos agroecológicos, nesta sexta-feira, 10/07. Foram entregues mais de 15 toneladas de produtos produzidos por assentados do Rio Grande do Sul.

    “Hoje entregamos essas cestas em nome de todos os camponeses e camponesas que estão em seus territórios produzindo alimentos saudáveis, cuidando da natureza, dos filhos dos outros, para que a gente possa enfrentar esse momento de pandemia que tem atingido todos no mundo inteiro, mas principalmente os trabalhadores e trabalhadoras” declara Daniele Cazarotto, dirigente estadual do MST/RS.

    As doações ocorreram na região Metropolitana de Porto Alegre. Em Viamão, foram doadas cinco toneladas de alimentos a 127 famílias. Já em Porto Alegre, os assentados distribuíram 10 toneladas, mais mil cestas de produtos da Reforma Agrária a moradores das comunidades do Morro da Cruz, da Lomba do Pinheiro, da Grande Cruzeiro e indígenas Caingangues e Guaranis.

    Luana Faria, moradora da comunidade Pedreira agradeceu a ajuda que vem recebendo do movimento. “Se não fosse essa doação do MST, eu não teria alimento na minha casa. Eu vim agradecer pela comunidade”, afirma.