A campanha de Flávio Bolsonaro estabeleceu para a reta final da campanha uma agenda intensa batizada de “Bloquinho do 22”, inspirada no formato de micaretas, com trios elétricos e forte apelo visual e musical para levar a campanha com mais força às ruas.
No sábado (17 de outubro), Flávio liderou atos presenciais de rua na Praia de Camburi, em Vitória (ES), e em Salvador (BA), acompanhado por cabos eleitorais influentes , como o deputado Nikolas Ferreira e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. No início da semana, as carreatas também passaram pela Baixada Fluminense (São Gonçalo).
A principal resposta da campanha do PL ocorreu na manhã deste domingo na Avenida Paulista, em São Paulo. Flávio Bolsonaro percorreu a avenida em carro aberto no formato do “Bloquinho”, com a presença do governador Tarcísio de Freitas, lideranças da extrema-direita e shows de artistas sertanejos apoiadores para rivalizar diretamente com os públicos anteriores obtidos pelo PT. Mobilizou cerca de 70 mil apoiadores, segundo estimativa.
O comitê do PL programou para os últimos dias de campanha carreatas de Flávio nas regiões Sudeste e Nordeste, focando em municípios populosos do interior paulista (como o eixo que interliga Santa Bárbara d’Oeste e Americana) e na Região Metropolitana de capitais nordestinas, com o objetivo de assegurar os votos conquistados no primeiro turno e frear a abstenção.
Fato novo numa campanha programada para as redes sociais e os meios de comunicação, as manifestações de rua deram gás à campanha de Lula, depois da derrota no primeiro turno.
Na primeira semana de outubro, no embalo da vitória no primeiro turno, Flávio Bolsonaro chegou a ampliar para seis pontos a vantagem sobre Lula.
No dia 8 de outubro, por exemplo, a pesquisa da PoderData dava 53% a 47%. O Datafolha na mesma semana registrou 52% a 48% e o Gerp chegou a dar 10 pontos de vantagem para Flávio.
Já no dia 16 de outubro, a pesquisa da PoderData mostra os dois candidatos empatados, e o DataFolha em pesquisa realizada entre 13 e 15 de outubro registra 51% a 49%, dois pontos apenas de vantagem de Flávio.
Outra pesquisa, do Ipespe, em 17 de outubro de 2026, dá Flávio com 51,2% e Lula com 48,8% dos votos válidos, 2,4 pontos apenas de diferença. Sete dias antes, a mesma pesquisa havia registrado 5,4 pontos de vantagem para Flávio.
Os coordenadores da campanha dizem que a recuperação de Lula na reta final decorre de uma mudança estratégica e das medidas de forte apelo popular, tomadas pelo presidente.
A aprovação do fim da escala 6×1, por exemplo, tornou-se uma das principais bandeiras da campanha de reeleição. O próprio Flávio Bolsonaro mudou sua posição e votou a favor da medida no Congresso para mitigar o desgaste.
Mas verdade é que a percepção da mudança, que deu tração ao movimento de virada nas pesquisas, veio das grandes manifestações pró-Lula por todo o país na última semana.
As multidões nas capitais e outras cidades por todo o país, coincidentes com os ganhos nas pesquisas, criaram um clima de virada. Neste domingo, houve mobilizações em 18 capitais.
Foi o fato novo desta campanha. Um movimento que começou espontâneo, entre a juventude e o movimento estudantil, e culminou com as maiores multidões já reunidas em atos públicos, no país. Lembrou e até superou em alguns lugares a campanha das Diretas Já, em 1985, como foi o caso do comício na paulista, no domingo passado.
Tanto que os adversários estão, agora, chamando seus eleitores para a rua, para conter a virada.
O crescimento da direita bolsonarista nas eleições de domingo revela como um instrumento intrinsecamente democrático, como o voto, pode ser manipulado para fins antidemocráticos.
Defensor do golpe militar de 1964 (“que não matou quem tinha que matar”), Jair Bolsonaro tem como herói um símbolo do regime dos porões. Nunca escondeu suas preferências.
Está preso porque tentou se manter no poder com um golpe em que planejava executar o presidente eleito e ministros do STF.
Fracassado na conspiração, ameaça voltar ao poder através do filho e, ironicamente, pelas urnas.
A vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, por mais de dois milhões de votos, demonstra que a maioria do eleitorado não percebe (ou não se importa) com o risco embutido com a volta do bolsonarismo ao poder, e agora com as bençãos de Trump..
O resultado do primeiro turno foi surpreendente até para os vencedores e é possível ver nele os sinais de um golpe midiático, muito bem calibrado. Denúncias em plena campanha eleitoral envolvem ministros do STF com “o maior escândalo da história financeira do país”. Suspeitas generalizadas respingam no governo, o noticiário ceva a crise institucional e a sensação de descrença se espalha..
Desiludido, o senso comum vota “no menos pior” ou “pra mudar isso que está aí”. E acaba dando seu precioso voto aos inimigos da democracia.
A sessão plenária do STF nesta terça-feira, 15 de setembro, será transmitida ao vivo pela Rádio e TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube, a partir das 10h. O sinal também liberado para retransmissão por emissoras interessadas.
Na sessão os ministros vão decidir se cabe um inquérito para investigar o envolvimento de Alexandre de Moraes com o ex-banqueiro, hoje preso, Daniel Vorcaro.
O STF abriu também credenciamento para jornalistas que cobrem o caso. O credenciamento dará acesso ao espaço reservado à imprensa na marquise do prédio principal.
Foi estabelecido um limite de cinco profissionais por veículo de comunicação. Os setoristas (que fazem a cobertura regular no STF) não precisam realizar novo credenciamento e terão acesso, além da marquise, ao comitê de imprensa, basta apresentar o crachá de acesso.-
Serão disponibilizados telões para acompanhamento da sessão.
A sessão plenária será transmitida pela Rádio e TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube, a partir das 10h.
• Sinal liberado para retransmissão por emissoras interessadas.
• Fotógrafos e cinegrafistas também devem se credenciar.
• Não será permitido montagem de estrutura de estúdio na marquise do prédio principal, apenas estrutura básica para links.
• Haverá estrutura com telão, cadeiras, mesas, wifi, água e café para a imprensa.
A crise institucional desencadeada pelo ministro André Mendonça faz parte de um plano de ações para desestabilizar o país e por em risco as eleições de 4 de outubro? Potencial ela tem. Desestabilizar para forçar uma intervenção e impedir a eleição por falta de garantias, seriam os propósitos golpistas.
Por trás da crise, estão dois maiores escândalos da história brasileira, Master e INSS e, pela frente, uma eleição decisiva, em que a soberania nacional está em jogo.
A crise já atinge em cheio o Judiciário, ronda o Parlamento e molha os pés do Executivo. A implosão do STF por um de seus ministros vai muito além do fato.
Com as insinuações sobre Lulinha, a crise roça a Presidência. Também o envolvimento do Procurador Geral no caso Vorcaro atinge o Executivo. Os dois escândalos têm elementos contaminantes suficientes para enlamear a República.
A inquietação com a anarquia chega à população e já é visível nos meios mais politizados. O editorial da Folha de S. Paulo, o manifesto da Associação Brasileira de Imprensa nesta semana, são indicativos claros de que está disseminada a percepção do perigo institucional. Os desdobramentos da crise no STF esta semana poderão ser decisivos.
Pela primeira vez na campanha para reeleição, Lula visita o Rio Grande do Sul e faz um comício em Porto Alegre, nesta sexta-feira, 11 de setembro. O ato começa às 17 horas, no Largo Glênio Peres, Centro Histórico.
A viagem, a pouco mais de 20 dias do primeiro turno, se dá num momento de tensão máxima com a crise institucional deflagrada com a divulgação das ligações do ex-banqueiro Daniel Volcaro para o ministro Alexandre de Moraes, na semana passada.
Muitos observadores vêem nos desdobramentos destes fatos sinais de uma tentativa de desestabilização do processo eleitoral. Além do impacto negativo para o governo, a crise no Judiciário e seus desdobramentos favoreceu a candidatura de Flávio Bolsonaro, que pela primeira vez em uma simulação de segundo turno nas últimas pesquisas supera Lula.
Por isso a preocupação das lideranças da coligação partidária que apoia a reeleição do presidente é demonstrar força na mobilização e consolidar a união das forças progressistas no estado. Estarão no palanque a candidata ao governo estadual Juliana Brizola (PDT) e seu a vice, Edegar Pretto (PT) e os candidatos ao Senado Paulo Pimenta (PT) e Manuela d’Ávila (PSOL).
Lula e sua comitiva desembarcam ao meio dia na Base Aérea de Canoas. À tarde, o presidente fará uma visita oficial ao campus do Instituto Federal do Rio Grande do Sul (IFRS) em Viamão. A previsão de chegada à instituição de ensino está estimada entre as 14h30 e 15h30.
Lula não pretende pernoitar no Rio Grande do Sul. Vai para Curitiba, onde dará sequência à agenda de campanha.
Em Porto Alegre, concentração dos apoiadores será a partir das 17h, com início do comício previsto para as 19h.
Pesquisa do Datafolha, a primeira depois do início da campanha, dá Lula com 47% e Flávio com 43 no segundo turno, empate técnico, portanto.
É um resultado semelhante ao de pesquisas anteriores e posteriores, todas igualmente inexplicáveis à luz dos fatos da campanha em andamento.
Vejamos:
Os eventos de Flávio Bolsonaro são um fracasso que nem a imprensa favorável consegue esconder, não junta gente nem no Rio, seu território.
Seu discurso é raso, medíocre, seu plano econômico está sendo feito por assessores do Paulo Guedes, os partidos aliados lhe negaram um nome para vice, no centro de Porto Alegre candidato a deputado pelo PL omite a sigla do partido nos folhetos que distribui aos passantes.
Já Lula, em seu terceiro mandato, vive seu melhor momento, pela desenvoltura, pelo discurso, pela segurança com que assume a sua condição de líder, pelas multidões que tomam seus eventos, pelas relações com o parlamento, pelo reconhecimento dos maiores líderes internacionais.
Nesta quinta-feira falou uma hora ao telefone com o presidente dos Estados Unidos e acertou negociações sobre o tarifaço imposto por Trump.
As pesquisas que apontam o risco dele perder a eleição para um candidato sem biografia, como Flávio Bolsonaro.
A explicação mais recorrente dos “analistas políticos” que escrevem nos jornais é a “polarização”.
Dividido em dois blocos ideologicamente antagônicos, o eleitorado manteria um comportamento rígido, de rejeição sistemática ao outro lado.
Um comportamento novo que fez praticamente desaparecer a figura do indeciso (entre 1 e 4% em todas as pesquisas).
Ambos os candidatos teriam um “teto de crescimento” determinados pelas altas taxas de rejeição.
Segundo dados da pesquisa Quaest, Flávio possui 54% de rejeição e Lula aparece colado com 52%.
O antipetismo justificaria a alta rejeição a Lula. Nesse contexto, a campanha só fará sentido na reta final do segundo turno para definir aqueles poucos eleitores que farão a diferença na hora do voto.
È possível que estas pesquisas por amostragem reflitam uma realidade construída em pelas proprias pesquisas e, por isso. estão em confronto com os fatos da campanha que está nas ruas.
O Rio Grande do Sul tem de 2,19 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, que representam 20,15% da sua população. Ou seja: um em cada cinco gaúchos é idoso.
Pela primeira vez, há oficialmente mais idosos do que crianças e adolescentes de até 14 anos de idade no Estado. Porto Alegre é a capital brasileira com o maior percentual de idosos.
Mais: das 20 cidades mais envelhecidas de todo o Brasil, 19 estão localizadas no Rio Grande do Sul.
Especialistas projetam que a população do Rio Grande do Sul começará a diminuir em termos absolutos a partir de 2027. No Brasil, a redução da população só deve começar por volta de 2042. Os números são do censo do IBGE/2022 e projeções a partir deles.
O 43º Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo foi lançado nesta quinta-feira (06) no evento Cidade do Advogado, realizado no Cais Embarcadero, em Porto Alegre. Nesta edição, o certame elege o feminicídio como tema. Para marcar o lançamento, um painel de especialistas debateu o assunto e apresentou sugestões de enfrentamento e prevenção. A iniciativa é do Movimento de Justiça e Direitos Humanos (MJDH) e da Ordem dos Advogados do Brasil Rio Grande do Sul (OAB/RS).
O painel de especialistas reuniu a advogada Alice Bianchini, conselheira de Notório Saber do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e a professora e pesquisadora da Universidade do Noroeste do Estado (UnIjuí), doutora em Direito, Joice Graciele Nielsson, com mediação da advogada Fabiane Cavalcanti, conselheira da OAB/RS e mestre em Ciências Criminais. Também participaram do lançamento do prêmio os coordenadores da Comissão de Direitos Humanos Sobral Pinto (CDH) da OAB/RS, Rodrigo Puggina e Roque Reckziegel, e o presidente do MJDH, Jair Krischke.
O Rio Grande do Sul vive uma escalada de violência contra as mulheres e concentra 38,8% dos assassinatos por feminicídio de toda a região Sul. Enquanto a média nacional de feminicídios subiu 4,7%, o índice no estado gaúcho saltou 11,1% entre 2024 e 2025, totalizando 80 assassinatos confirmados e 4.189 tentativas. Além das vidas perdidas, o rastro da violência é extenso, em 2025, o estado registrou 258 tentativas de feminicídio e o crime deixou 116 órfãos (filhos com até 18 anos).
Os números também mostram a dificuldade de proteção estatal, das 80 vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul, cinco possuíam medida protetiva de urgência vigente no momento do crime. A maioria delas, 59 mulheres, tinham registro de ocorrência policial prévio por violência doméstica.
No cenário nacional, o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Entre janeiro e março de 2026, foram registradas 399 vítimas de feminicídio, um aumento de 7,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. O alarmante número de crimes consta do relatório Retratos do Feminicídio no Brasil, divulgado em 2026. Link para o relatório:
“No mundo, o Brasil ocupa um ranking vergonhoso, é o quinto país que mais mata mulheres”, salientou a advogada Alice Bianchini. Os demais países, pela ordem, são El Salvador, Guatemala, Colômbia e Rússia. A advogada disse também que a Lei Maria da Penha, de 2006, é uma das normas jurídicas mais avançadas do mundo, mas que advogados e juízes a questionaram, deixando de aplicá-la. Foi necessário que a OAB recorresse ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que a constitucionalidade da lei fosse confirmada, em 2012. “Mesmo assim, houve decisões que não contemplavam a lei”, lamentou Alice.
A advogada também lastimou que até o ano de 2023, os autores de crimes contra as mulheres podiam alegar que agiram em legítima defesa da honra para escapar da prisão ou ter sua pena atenuada. “A cultura da violência e da tolerância aos crimes praticados pelos homens era facilitada até três anos atrás. Vivemos em uma sociedade em que essa memória da impunidade está muito viva e presente entre nós”.
Para a professora Joice Graciele Nielsson, é necessário conhecer o perfil dos autores de crimes contra as mulheres para identificar padrões de escalada de violência. “A pesquisa que fazemos na UnIjuí tem o objetivo de conhecer o criminoso para que possamos proteger as mulheres e a rede geracional que as cercam, porque elas são mães, filhas e irmãs. Isso provoca um impacto entre gerações e também social”. Joice destaca que é necessário acabar com os álibis utilizados para desculpabilizar os crimes praticados contra as mulheres, como, por exemplo, alegar que a importunação sexual foi praticada porque a mulher usava uma roupa decotada ou curta. “Ciúmes, roupa ou alguma discordância doméstica não podem ser fatais e nem servir de atenuante para o crime”, declara.
A professora finalizou sua intervenção afirmando ser necessário agir de forma preventiva, fazer gestão de risco e criar protocolos que acabem ou diminuam os riscos para as mulheres, como dificultar o acesso às armas, estar atento aos sinais das crianças nas escolas e das mulheres nas unidades de saúde e “que paternidade não é sinônimo de poder e autoridade, é cuidado e responsabilidade social”.
O Prêmio Direitos Humanos de Jornalismo é uma realização do MJDH e da OAB/RS. Apoiam a iniciativa a Regional Latino-Americana da União Internacional dos Trabalhadores da Alimentação (Rel UITA), a Associação dos Repórteres Fotográficos e Cinematográficos do Rio Grande do Sul (ARFOC-RS) e a Caixa de Assistência dos Advogados do RS (CAARS).
A Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) é a principal norma jurídica no Brasil para prevenir, punir e erradicar a violência doméstica e familiar contra a mulher. Sancionada em 7 de agosto de 2006, ela define os tipos de agressão de gênero, garante medidas protetivas de urgência e endurece as penas para os agressores.
A lei é uma homenagem à biofarmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que ficou paraplégica após sofrer duas tentativas de homicídio realizadas por seu marido em 1983. Diante da omissão do Estado brasileiro em julgar o caso na época, ela levou a denúncia à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH/OEA), resultando na cobrança internacional para que o Brasil criasse uma legislação específica de proteção às mulheres.
O crime de feminicídio (Lei 13.104/2015) é o homicídio doloso praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino, ou seja, desprezando, menosprezando, desconsiderando a dignidade da vítima enquanto mulher, como se as pessoas do sexo feminino tivessem menos direitos do que as do sexo masculino. Antes desta lei, não havia nenhuma punição especial pelo fato de o homicídio ser praticado contra a mulher por razões da condição de sexo feminino. O crime era punido, de forma genérica, como sendo homicídio. Ou, no caso de violência sem morte, como vias de fato.