Não mereceu manchete nos jornais tradicionais de Porto Alegre a audiência pública sobre a nova fábrica de celulose da CMPC em Barra do Ribeiro, que ocorre neste 29 de janeiro de 2026, às 16h, no Parque Municipal Nenê Naibert.
A reunião aborda o Projeto Natureza, com investimentos de R$ 24 bilhões, e previsão de 12 mil vagas temporárias na construção e 1,5 mil empregos diretos/indiretos na operação da fábrica.
As manchetes tem saudado este chamado “Projeto Natureza” como o maior investimento privado na história do Rio Grande do Sul, mas tem silenciado sobre o impactos ambientais dessa mega-fábrica, que vai exigir a ampliação dos plantios de eucalipto de 1 milhão de hectares plantados atualmente para 4 milhões de hectare.
Quando esta área for alcançada nos próximos dez anos no máximo, o Estado terá mais da metade de sua área produtiva (área apta para a agropecuária) ocupada por duas monoculturas, duas commodities, matérias primas de exportação, que pagam pouco ou nenhum impacto.
Quanto à fábrica, as entidades ambientalistas alertam para o despejo de mais de 240 milhões de litros de efluentes por dia no Guaíba.
“Entre os diversos aspectos que preocupam as entidades socioambientais, está a localização do emissário de efluentes líquidos da fábrica — a 3,5 km de Belém Novo, na Capital, próximo de duas novas estações de captação e tratamento de água do Dmae —, além da vazão de efluentes, com substâncias tóxicas, em volumes de 240 mil m3/dia, acima do volume de efluentes de toda a cidade de Porto Alegre”, registrou o Sul21, na quarta-feira..
A audiência pública desta quinta-feira é a primeira e única prevista no processo de licenciamento ambiental deste mega-projeto. Por que ela não é notícia? Por que os protestos dos ambientalistas são praticamente ignorados?
(Cartas para a Redação)
Obras da nova fábrica estão confirmadas para iniciar em 2026, com operação prevista para 2029.
À véspera de uma paralisação programada para atualização do sistema, o INSS foi surpreendido com uma avalanche de acessos em busca de empréstimos consignados.
O presidente do INSS, Gilberto Waller, disse em entrevista à Gaúcha que o aplicativo Meu INSS colapsou diante de uma demanda seis vezes maior nos últimos dias.
Nesta segunda-feira, 26, em Porto Alegre, na agência central do INSS, onde há atendimento presencial, uma grande fila se formou desde cedo e houve tumulto quando as pessoas que estavam há horas sob sol quente foram informadas que o sistema havia caído, sem previsão de retomar. A Brigada Militar foi chamada para conter os ânimos.
Segundo o INSS, a situação foi causada por um erro na divulgação de um mutirão de atendimento, que não ocorreu na unidade central.
O tumulto ficou restrito a Porto Alegre, mas a instabilidade digital é nacional. A suspensão temporária de serviços como bloqueio e desbloqueio de consignado afeta beneficiários em todo o país.
O aplicativo Meu INSS e a Central 135 já apresentam falhas intermitentes nos últimos dias.
A causa da corrida é o aumento da margem consignável para aposentados e pensionistas do INSS com o reajuste salarial e a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.
O salário mínimo foi reajustado para R$ 1.621,00, representando um aumento de 6,79% em relação ao ano anterior. Benefícios acima do mínimo tiveram um reajuste de 3,90%, elevando o teto do INSS para R$ 8.475,55.
A isenção do Imposto de Renda até R$ 5.000, a partir de 1º de janeiro, aumenta o valor líquido do benefício e amplia diretamente a capacidade de crédito para milhões de segurados que antes tinham imposto retido na fonte.
Com o novo piso, a margem de 35% destinada a empréstimos subiu para R$ 567,35.
A nova margem começou a ser liberada após o processamento da folha de pagamento de janeiro de 2026 na semana passada.
Além da pane momentânea, o INSS confirmou que o sistema passará por uma paralisação programada para modernização a partir desta terça-feira (27/01), às 19h, com retorno previsto apenas para 2 de fevereiro.
O atendimento presencial será suspenso em todo o Brasil de 28 a 30 de janeiro para a atualização dos sistemas.
A privatização dos serviços de abastecimento de água foi manchete neste fim de semana.
Não em Porto Alegre, onde um polêmico projeto de concessão está em exame na Câmara de Vereadores.
Foi em Londres, onde o princípio de delegar serviços públicos à iniciativa privada se instaurou, com Margaret Thatcher, há quase meio século.
“Como as empresas de água se tornaram uma vergonha nacional” foi a manchete de The Independent, no sábado.
O jornal diz que a Thames Water (empresa que atende Londres) “perdeu toda a credibilidade” depois das últimas falhas que deixaram Kent e Sussex, na região metropolitana de Londres, toda a semana sem água. Foram 75 acidentes num período em que as tarifas subiram 35%. “O dinheiro que deveria ter sido gasto na manutenção e reparação foi desviado para dividendos e bônus aos acionistas”.
Apesar das altas tarifas, a empresa deve bilhões de libras, mas “os dividendos dos acionistas e os bônus dos executivos não foram afetados”, diz o jornal.
Sob investigação da agência reguladora, não é descartada uma “nacionalização de emergência”. O problema seria o custo disso, por que lá houve a venda do patrimônio público, que agora o poder público não tem como reaver.
Os jornais destacam o plano de reforma (“white paper”) a ser apresentado pelo governo que prevê punições severas, incluindo multas pagas do próprio bolso por executivos de empresas de água em caso de falhas graves.
Destacam ainda os jornais londrinos que “a polêmica sobre a privatização da água é um tema central em diversos países europeus, onde cresce um movimento por reestatização (ou “remunicipalização”).
A França “tornou-se o símbolo da reversão desse modelo”. Em 2010, a capital não renovou contratos com gigantes como Veolia e Suez, criando a operadora pública Eau de Paris, que anunciou redução de tarifas e melhoria na eficiência.
Outros pontos destacados nas edições dos jornais (londrinos):
Alemanha: “Após forte pressão popular e um referendo, Berlim recomprou as ações de sua empresa de saneamento entre 2012 e 2013”.
Espanha: “Cidades como Barcelona e Arenys de Munt têm sido palcos de batalhas jurídicas entre prefeituras que tentam retomar o controle da água e concessionárias privadas que alegam quebra de contrato”.
Portugal: “Há uma tendência de remunicipalização em várias autarquias devido ao aumento excessivo das tarifas e à falta de investimento em infraestrutura rural”.
A REAG Investimentos, que teve sua liquidação decretada pelo Banco Central esta semana, deixou um rastro de milhões no Rio Grande do Sul.
Em março de 2018, ela assumiu a gestão do Fundo de Investimentos em Participações do Cais Mauá, o principal cais de Porto Alegre, desativado e, desde 2010, concedido a um consórcio privado.
O consórcio ganhou a concessão e criou um Fundo de Investimentos e Participações para engajar investidores no projeto, orçado em R$ 350 milhões, que incluía a construção de nove espigões de 30 andares à beira do Guaíba.
Uma operação da Polícia Federal, meses depois, revelou que o Fundo Cais Mauá, administrado inicialmente pela Icla Trust, captara R$ 130 milhões de investidores, dos quais R$ 40 milhões já haviam sido consumidos em “despesas operacionais”, sem que nenhuma obra tivesse iniciado.
As investigações da PF apontaram que a maior parte daqueles R$ 130 milhões havia sido captada junto a entidades de previdência privada de servidores públicos, e de maneira fraudulenta. Muitas queriam o dinheiro de volta.
O IPE, Instituto de Previdência do Estado, dos funcionários públicos estaduais do Rio Grande do Sul, era uma delas.
A Reag alegou que assumira a gestão do fundo exatamente para sanar as irregularidades, praticadas na gestão anterior, da Icla Trust.
As revelações da PF, no entanto, levaram ao rompimento do contrato de concessão do governo do Estado com o consórcio Cais Mauá, em julho de 2019. A PF prosseguiu com as investigações, mas o assunto saiu do noticiário.
Em 2023, a PF revelou que dados coletados na operação de 2018 (Operação Gatekeepers) ajudaram a identificar um esquema maior de desvio de R$ 239 milhões de
regimes de previdência em diversos estados brasileiros.
O mesmo esquema adotado pelo FIP Cais Mauá.
Em setembro de 2025, a REAG e seu fundador, João Carlos Mansur, foram alvos da Operação Carbono Oculto que investigou lavagem de dinheiro ligada ao crime organizado (PCC) e ao setor de combustíveis.
Neste janeiro de 2026, João Carlos Mansur foi preso e a Reag tornou-se alvo central da investigação das fraudes bilionárias em fundos de investimento ligados ao Banco Master.
O Fundo Cais Mauá tinha R$ 130 milhões quando iniciaram as investigações da PF, R$ 40 milhões haviam sido gasto em “despesas operacionais” e restavam R$ 90 milhões. Em janeiro de 2026, o FIP Cais Mauá do Brasil CNPJ 17.213.821/0001-09 consta como encerrado.
Os R$ 90 milhões remanescentes mencionados nas fases iniciais da Operação Gatekeepers (2018) foram consumidos ao longo dos anos “por desvalorização de ativos, custos de manutenção de uma estrutura paralisada e taxas de administração”.
Registros financeiros de 2026 indicam que o fundo possui patrimônio líquido de R$ 0,00 e status de “cancelado” ou “encerrado” nos sistemas de análise de ativos.
Institutos de previdência que investiram no fundo tiveram que reconhecer a perda integral do capital, pois o fundo não possuía liquidez nem ativos reais após o cancelamento do contrato de concessão anterior.
Embora o dinheiro não tenha sido recuperado, em 16 de dezembro de 2025, o Colegiado da CVM absolveu os dez acusados de fraude. O entendimento foi de que não houve prova de dolo (intenção de fraudar) nas operações de transferência de ações, mas sim um insucesso empresarial agravado pela rescisão do contrato pelo governo estadual em 2019.
O presidente Lula sancionou a Lei Orçamentária de 2026 mantendo o corte de R$ 488 milhões na verba das universidades federais, aprovado anteriormente pelo Congresso.
O corte incide sobre os recursos destinados ao custeio básico, como contas de água, luz, limpeza, segurança e manutenção predial.
Há uma preocupação direta com a redução de bolsas e programas de permanência para estudantes de baixa renda.
Com os cortes, a verba orçamentária das 69 universidades caiu para cerca de R$ 6,43 bilhões, 7% a menos do que o executado em 2025, sem considerar a inflação do período.
Reitores apontam que a redução nesses recursos “pode consolidar um ciclo de precarização administrativa e científica, dificultando o funcionamento pleno das universidades federais ao longo de 2026”.
O governo justificou o corte como parte do esforço para cumprir as metas do arcabouço fiscal.
Lula sancionou o orçamento aprovado pelo Congresso com veto a apenas dois dispositivos que destinavam cerca de R$ 400 milhões para emendas parlamentares, que não estavam previstas no projeto original.
A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) publicou uma nota manifestando “profunda preocupação” com os cortes no orçamento das Universidades Federais feitos pelo Congresso Nacional durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. A entidade pede a recomposição imediata dos valores, “sob pena de comprometer o funcionamento regular das universidades e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.”
De acordo com cálculos feitos pela própria Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais acabou sendo cortado em 7,05%, o que significa uma redução de R$ 488 milhões.
“Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior”, diz a nota publicada pela associação.
A Andifes argumenta ainda que os cortes, de aproximadamente R$ 100 milhões, na área de assistência estudantil, comprometem diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, “colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público”.
“Os cortes aprovados agravam um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra”, complementa o texto.
De acordo com a Andifes, cortes semelhantes também vão impactar o orçamento da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (Capes) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPQ).
“Estamos em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica”, diz a entidade.
A Polícia Federal realiza nesta manhã de quarta-feira (14) a segunda fase da Operação Compliance Zero para investigar, novamente, o Banco Master do empresário Daniel Vorcaro.
As autoridades apuram prática de crimes de organização criminosa, gestão fraudulenta de instituição financeira, manipulação de mercado e lavagem de dinheiro.
Ao todo, 42 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), estão sendo cumpridos em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Também há medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que ultrapassam os R$ 5,7 bilhões.
A operação tem como objetivo interromper a atuação da organização criminosa, além de recuperar ativos.
Preso em novembro pela PF, enquanto tentava embarcar para o exterior em seu jatinho particular, no Aeroporto de Guarulhos PF, Daniel Vorcaro teve a prisão relaxada e está em prisão domiciliar.
Defesa
Em nota, a defesa do dono do Master informou que ele tem colaborado com as autoridades: “Todas as medidas judiciais determinadas no âmbito da investigação serão atendidas com total transparência.”
“O Sr. Vorcaro permanece à disposição para prestar esclarecimentos sempre que solicitado, reforçando seu interesse no esclarecimento completo dos fatos e no encerramento célere do inquérito”, complementa a nota.
Entenda
Em novembro, o ex-presidente do BRB e Daniel Vorcaro foram alvos da Operação Compliance Zero, que investiga a concessão de créditos falsos. As fraudes podem chegar a R$ 17 bilhões em títulos forjados. “Podemos estar diante da maior fraude da história bancária do país”, como disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.
Em março de 2025, o BRB anunciou a intenção de comprar o Master por R$ 2 bilhões, mas o Banco Central (BC) rejeitou a negociação. Em novembro, foi decretada a falência da instituição de Vorcaro.
Como o nosso quadro de repórteres internacionais está desfalcado e a imprensa nacional não deu nada até agora, perguntamos ao Google se o Brasil vai participar do “Will for peace 2026” ? De que forma? Confirmamos também o anúncio do “exercício marítimo” e as reações a ele até agora.
Confira:
O Brasil participará do exercício marítimo “Will For Peace 2026” apenas na condição de observador.
O país declinou o convite para participação ativa com navios de guerra, optando por enviar apenas observadores, assim como Egito, Etiópia e Indonésia.
O exercício foi anunciado oficialmente pelo Ministério da Defesa Nacional da China em 9 de janeiro de 2026. Ele ocorre entre os dias 10 e 16 de janeiro de 2026* nas águas da África do Sul, com base naval em Simon’s Town.
Objetivo oficial: operações conjuntas de segurança marítima, exercícios de interoperabilidade e proteção de rotas comerciais contra ameaças como pirataria e terrorismo.
Reações ao Exercício
As reações têm sido polarizadas devido ao contexto geopolítico:
Países do BRICS+: China, Rússia e Irã (participantes ativos) apresentam o exercício como um novo modelo de cooperação de segurança do Sul Global, focado na “vontade coletiva de manter a ordem marítima” e romper monopólios de alianças tradicionais.
Críticas internas (África do Sul): Partidos de oposição, como a Aliança Democrática (DA), criticam o governo sul-africano por comprometer sua neutralidade internacional ao realizar manobras com Rússia e Irã em meio a tensões globais.
Percepção ocidental: Analistas e governos ocidentais veem o exercício como uma “militarização” do bloco BRICS e um desafio estratégico às arquiteturas de segurança dominadas pelo Ocidente.
Posição do Brasil e Índia: Ambos optaram por não participar militarmente (a Índia declinou formalmente), o que é interpretado como uma tentativa de manter o equilíbrio diplomático e evitar alinhamentos automáticos em blocos militares opostos aos Estados Unidos.
* A data ainda não foi divulgada. A agência chinesa Xinhua fala em “meados de janeiro”.
Três anos depois do ataque golpista à democracia em 2023, o dia 08 de janeiro é marcado por manifestações populares em todo o país em defesa da soberania do Brasil e que também exigiram o cumprimento da pena dos condenados pela tentativa de golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, deterioração de patrimônio tombado e liderança de organização criminosa.
O clamor popular foi respondido com o veto total do presidente da República Luís Inácio Lula da Silva ao PL da Dosimetria, que reduziria a pena do ex-presidente Jair Bolsonaro, de 27 anos, e de seus auxiliares diretos pelo crimes cometidos, que incluía o assassinato de Lula e do ministro STF- Supremo Tribunal Federal, Alexandre Moraes, relator do processo dos atos golpistas. O veto aconteceu nesta terça-feira, 08 de janeiro, em evento realizado no Palácio do Planalto para celebrar a democracia.
Cerca de mil pessoas assistiram a solenidade em dois telões instalados em frente ao Planalto e cerca de 200 convidados participaram do evento no salão nobre. A cerimônia iniciou com uma fala do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, que hoje deixa o cargo. O ministro lembrou o tenebroso período presidencial de Bolsonorado, em que cerca de 800 mil brasileiros morreram vítimas de Covid diante da indiferença do governante. Logo em seguida, discursou o vice-presidente da República e ministro da Indústria e Comércio, Geraldo Alckmin, que criticou o PL da Dosimetria e afirmou que a democracia não pode ser fracionada. O presidente Lula foi o último a falar, saudando o povo que estava em frente ao palácio, que ele podia ver pelas amplas janelas de vidro do Planalto, e foi ovacionado pelos manifestantes.
O presidente Lula destacou a harmonia dos Poderes em seus três anos de governo, com conquistas no campo social, como o combate à fome, o aumento no número de pessoas empregadas e a queda da inflação. “Tudo realizado com ampla participação popular”, destacou Lula. Ele também salientou a importância da garantia dos direitos humanos em seu governo e disse que “aqueles que duvidavam e debochavam dos direitos humanos, tiveram um julgamento justo, com todos os seus direitos garantidos”.
Há três anos, no mesmo dia 08 de janeiro, bolsonaristas que estavam há meses acampados em frente ao QG do Exército, em Brasília, desceram o Eixo Monumental em direção à Praça dos Três Poderes para uma manifestação supostamente pacífica, escoltados por policiais militares. Nenhuma barreira de proteção havia sido montada. Com a conivência da cúpula da segurança do Distrito Federal (DF)- que foi julgada e condenada, eles invadiram, depredaram e saquearam o Palácio do Planalto, o Congresso Nacional e o STF, além de agredirem jornalistas e roubarem equipamentos de fotógrafos e cinegrafistas.
Este ano, para chegar até o Palácio do Planalto, os manifestantes, todos pacíficos, precisaram passar por três barreiras da Polícia Militar do DF, a primeira era para organizar uma fila, a segunda para a revista de bolsas e mochilas e a terceira de detector de metais. Eu passei pela revista e retiraram da minha bolsa uma caneta bic, sob alegação de que poderia ser usada como arma. Desta vez, também o Batalhão de Cães foi acionado.
A Polícia Federal (PF) apontou ao Supremo Tribunal Federal a existência de R$ 28,638 milhões em movimentações suspeitas, sem justificativa plausível, em contas de assessores dos gabinetes dos deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Carlos Jordy (PL-RJ), bem como funcionários do partido, entre outras pessoas próximas aos parlamentares.
As informações constam no relatório parcial, cujo sigilo foi levantado nesta manhã pelo ministro Flávio Dino, relator do caso no Supremo, e que embasou a Operação Galho Fraco, deflagrada pela PF nesta sexta-feira (19) tendo os parlamentares entre os alvos.
Segundo informações preliminares, R$ 400 mil em dinheiro vivo foram encontrados pelos agentes em um dos endereços de Sóstenes, que é líder do PL na Câmara.
Nesta sexta, os agentes cumpriram sete mandados de busca e apreensão autorizados por Dino com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). As diligências incluíram busca pessoal, veicular e em imóveis de Jordy e Sóstenes.
Segundo as investigações, os dois parlamentares são suspeitos de usar locadoras de veículo de fachada para desviar a cota parlamentar – verba a que cada congressista tem direito para pagar custear o funcionamento de seu gabinetes, incluindo despesas com o aluguel de frota de carros para deslocamento do deputado ou senador.
Nas redes sociais, Jordy disse estar sendo perseguido por Dino e negou qualquer esquema ilegal. “Hoje, no aniversário da minha filha, a PF fez busca e apreensão novamente na minha casa por determinação de Flávio Dino [ministro do STF]. Perseguição implacável!”, escreveu.
Smurfing
De acordo com o relatório parcial da PF, além das quantias incompatíveis com a renda declarada, o que chamou atenção dos investigadores foi a realização de saques nunca superiores a R$ 9.999,00, indicando a “possível prática de lavagem de dinheiro conhecida por “smurfing”, que consiste em limitar o valor das transações para tentar burlar o monitoramento dos órgãos competentes.
Os maiores montantes suspeitos foram movimentados por Adailton Oliveira dos Santos, assessor especial do PL. Pela conta dele passaram mais de R$ 11,4 milhões entre 2023 e 2024, quantia que “mostra-se incompatível com a capacidade econômica declarada do titular, considerando-se seu vínculo funcional e contexto familiar”, escreveram os investigadores.
Já Itamar de Souza Santana, secretário parlamentar de Jordy, movimentou sozinho R$ 5,9 milhões. Ele também foi alvo de buscas nesta sexta-feira.
Os investigadores afirmaram haver indícios de utilização de cota parlamentar para pagamento de despesas inexistentes ou irregulares. Além disso, foram anexados trechos de conversas no aplicativo WhatsApp que sugerem pagamento “por fora” por parte dos deputados.
Além das buscas contra os deputados e mais três pessoas, com a respectiva quebra de sigilos telefônicos e telemáticos, Dino autorizou a quebra de sigilo bancário dos parlamentares e outras 12 pessoas físicas e uma pessoa jurídica. O ministro mandou ainda que informações de interesse sejam compartilhadas com a Receita Federal.
Nota do Editor: As últimas revelações sobre as fraudes no INSS tornam atual esta matéria, aqui publicada no dia 2/5/2025.
Em seu pronunciamento aos trabalhadores, neste primeiro de maio de 2025, o presidente Lula mencionou as fraudes que teriam lesado milhões de aposentados e pensionistas, através de descontos indevidos na folha de pagamentos do INSS, desde 2019.
Lula deu a entender que a crise está controlada: ele mandou investigar, a CGU e a polícia federal já identificaram os responsáveis . As associações e sindicatos envolvidos na fraude “vão devolver o dinheiro roubado das contas dos aposentados”.
Mas as manchetes a cada dia mostram que as verdadeiras dimensões desse escândalo monumental recém estão emergindo e seu desdobramento poderá ter para o governo Lula um custo político que ainda não se pode avaliar.
Em janeiro de 2023, quando Carlos Lupi tomou posse como ministro da Previdência, chegaram ao INSS mais de 22 mil pedidos de exclusão de descontos indevidos, feitos na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.
Somados aos pedidos que se acumulavam nos registros do INSS desde o ano anterior, já eram mais de 40 mil pedidos de exclusão, 90% deles relativos a descontos não autorizados.
Em fevereiro, a advogada Tonia Galleti, que integrava o Conselho Nacional da Previdência, pessoalmente alertou Lupi sobre a gravidade do problema. Em julho, a advertência dela foi registrada em ata, mas não entrou na pauta da reunião do Conselho.
Gráfico mostra o crescimento dos pedidos de exclusão dos descontos a partir de 2022 e que chegaram a mais de 190 mil até as primeiras medidas em 2024. Fonte Relatório CGU
O INSS só foi tomar as primeiras providências para conter a fraude em março de 2024, exigindo assinatura eletrônica e biometria, conforme constatou a auditoria da Controladoria Geral da União que, de abril a julho do mesmo ano, investigou onze das 33 entidades associativas cadastradas junto à Previdência para fazer descontos diretamente na folha de pagamentos de aposentados e pensionistas.
A suspensão dos descontos, medida cautelar recomendada desde o início e reiterada no relatório da CGU, só foi decidida em 24 de abril de 2025, um dia depois da “Operação Sem Desconto”, em que política federal prendeu cinco pessoas suspeitas de envolvimento nas fraudes. No dia seguinte, o INSS suspendeu cautelarmente todos os descontos.
Nos dois anos decorridos entre a posse de Lupi no Ministério da Previdência e a efetiva suspensão dos descontos, os aposentados e pensionistas do INSS tiveram descontados de seus benefícios quase R$ 4 bilhões (gráfico), dois terços do total da fraude estimado em R$ 6,3 bilhões.
Em pesquisa por amostragem, com 1.273 entrevistados, os auditores da CGU constataram que 97% deles não haviam autorizado os descontos.
Com sua leniência, para dizer o mínimo, Lupi perdeu uma oportunidade única de denunciar nos primeiros dias do governo um monumental esquema de corrupção que foi montado no governo anterior. Teria prestado um relevante serviço ao país e ao governo do qual é ministro.
Ao deixar que a Polícia Federal revelasse a fraude sob suas barbas, em vez de um trunfo, Lupi jogou no colo de Lula uma bomba-relógio cujos efeitos poderão se desdobrar até a eleição de 2026.
Carlos Lupi, com sua verve, que conquistou Leonel Brizola, se mantém no cargo, transferindo responsabilidades e chantageando Lula com os votos do PDT, do qual foi presidente e é uma espécie de patrono.
De olho no tabuleiro político, Lula mantém Lupi para não perder o apoio dos pedetistas, 17 deputados federais e três senadores. O preço desses votos no parlamento pode se tornar caro nas urnas de 2026.
Quando a fraude veio a público, na semana passada, com as prisões e as apreensões feitas pela Polícia Federal na “Operação Sem Desconto”, já a grande imprensa, sempre pré-disposta a desgastar Lula, embaralhou os fatos e colou no governo “mais um escândalo de corrupção”.
A comunicação do governo foi falha e o próprio relatório da CGU, concluído em julho de 2024, mas divulgado só agora, depois da Operação Sem Desconto, contribuíu para a confusão.
O gráfico sobre a disparada dos descontos indevidos, por exemplo, mostra que o grande salto nos valores descontados se deu a partir de 2023, duplicando em 2024, ou seja, no governo Lula.
O INSS disse em nota oficial que apenas uma entidade foi credenciada depois de 2023 e que o crescimento dos descontos deve-se a entidades credenciadas no governo anterior. Mas o gráfico contido no relatório da CGU mostra um acréscimo de onze entidades em 2023 e 2024. Quem está certo?
O INSS diz que apenas uma entidade foi credenciada a partir de 2023. Mas o gráfico do relatório da CGU mostra a evolução dos descontos e das entidades a partir de informações da folha de pagamentos do INSS e aponta que em 2023 e 2024 onze empresas se credenciaram junto ao INSS. Quem está certo?
Fica no rodapé o esclarecimento de que, das onze empresas investigadas, dez foram credenciadas entre 2019 e 2022, sendo metade neste último ano, ou seja, no governo Bolsonaro.
Nos últimos dias, vazamentos seletivos de informações tem colocado nas manchetes aliados do governo – a Contag, o Sindinapi, entidades que divulgaram notas dizendo que há tempo denunciam junto ao INSS a “farra dos descontos”. É um sinal do que vem por aí. (Leia mais)
Atualização: Na sexta-feira, 2 de maio, depois de reunião com o presidente Lula, Carlos Lupi pediu demissão do Ministério da Previdência.