Autor: Elmar Bones

  • Por que a Brigada Militar montou esquema de guerra para o julgamento de Lula?

    POR SOLDADO ADRIÉLY ESCOUTO/PM5 às 10h52
    “A Brigada Militar informa: sobre o esquema especial de segurança para o julgamento do ex-presidente Lula nesta quarta-feira (27/11), no Tribunal Regional Federal da 4° Região, a situação em seu entorno está tranquila.
    Na ausência de manifestações, foi possível liberar os bloqueios de trânsito, preventivos, para minimizar o impacto no fluxo de veículos na área central, em favor da população que circula nas vias de Porto Alegre. A situação atualizada do trânsito é a seguinte:
    Vias liberadas:
    – Trecho da Avenida Mauá com a Rua General Bento Martins no sentido centro/bairro.
    – Avenida Edvaldo Pereira Paiva no viaduto Abdias do Nascimento.
    Único bloqueio de trânsito que segue:
    – Avenida Augusto de Carvalho entre Loureiro da Silva e Edvaldo Pereira Paiva”.
    ***
    Pouco antes desse comunicado, em entrevista à rádio Gaúcha, o sub-comandante da Brigada explicava que o aparato repressivo, com bloqueios de avenidas, dezenas de veículos, pelotões do Choque, cavalarianos, e apoio de helicópteros, fora decidido a partir de informações do serviço de inteligência.
    Segundo essas informações grupos organizados tentariam ações violentas. Com base nelas um aparato de guerra foi montado e, no final, os abnegados e pacíficos lulistas que se deslocaram até  o TRF4 não perfaziam três dezenas.
    Terá sido a inteligência da Brigada Militar vítima de fake-news?

  • Em audiência pública, pais, alunos e professores denunciam precariedade nas escolas

    Emoção e indignação marcaram os relatos feitos por educadores, pais, mães e estudantes que participaram da reunião da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa, na manhã desta terça-feira (26).
    Foram expostas as dificuldades enfrentadas no cotidiano das escolas como o fechamento de turnos, a extrema precariedade na estrutura física das instituições, a falta de funcionários de escola, as péssimas condições de trabalho dos educadores, o fechamento de bibliotecas e de refeitórios.
    Também frisaram o repúdio ao pacote do governo, que ataca severamente os educadores e a educação pública.
    Diante do cenário de total descaso, afirmaram ser justa a greve do magistério gaúcho e frisaram total apoio à categoria.
    “Por termos um sistema diferenciado de ensino, nós nunca participamos de uma greve. Porém, desde a sema passada toda a nossa equipe está de braços cruzados. Estamos assustados com o que prevê o pacote do governo. Nós trabalhamos em locais insalubres e de periculosidade e querem nos retirar o difícil acesso. Estudamos os projetos de forma intensa e tivemos a certeza de que se esse pacote passar será o fim da nossa carreira”, ressaltou a professora da EEEM Tom Jobim – Fase-RS, Magali Giordani.
    A presidente da Umespa e ex-aluna da escola Parobé, Vitória Cabreira, apresentou os dados repassados para a entidade pela Secretaria de Educação (Seduc).
    De acordo com as informações da secretaria, 15% das escolas não têm laboratório de informática, 51% não possui laboratório de ciências, 74% não conta com quadra coberta, 28% não dispõem de refeitório e 76% não tem auditório. “E apesar desse panorama, a educação pública tem qualidade. Estamos aqui para deixar claro que a partir do momento em que o governador protocolou esse pacote na Assembleia, a luta passou a ser de toda a comunidade escolar. Os educadores têm todo o apoio dos estudantes secundaristas”, garantiu.
    “Por todo o Estado estamos vendo crescer o apoio dos estudantes à greve dos professores. Esta é a prova de que apesar de todos os ataques, as escolas públicas estão formando cidadãos e cidadãs conscientes. É uma batalha diária ser professor neste Estado que só destrói a escola pública. Empatia com os professores é o que eu peço a vocês deputados. Não vamos permitir que o governo roube o futuro dos nossos professores”, afirmou Pedro Possa, aluno do 2º ano e membro do conselho escolar do Parobé, Pedro Possa.
    A professora Maria Antonieta Dias, da escola Evaristo Gonçalves, expôs a preocupação com o fechamento do turno da tarde, informado à instituição no início de outubro. “Muitos professores terão um gasto maior porque precisarão pegar outro turno em outra escola, só Deus sabe onde. Os pais também terão transtornos, precisarão se reorganizar. Agora eu pergunto, o que está sendo feito com os prédios das escolas que já foram fechadas pelo governo”, indagou.
    Simone Dorneles, representante do Coletivo de Pais e Mães do Colégio Piratini, observou que em época de campanha eleitoral a educação pública sempre é prioridade no discurso dos candidatos, mas esquecida quando se elegem. Recentemente, o Coletivo foi ao Brique da Redenção, na capital, conversar com a população sobre as consequências do projeto do governo aos educadores e ao ensino público. Ao relembrar o apoio recebido, ela não conteve as lágrimas. “Não houve um homem, uma mulher, um jovem, um idoso que não parasse para dialogar conosco e prestar apoio. Somos cidadãos e cidadãs que estão cansados de pagar impostos e só ouvir promessas que nunca se concretizam. O colégio estadual Piratini foi uma das poucas escolas que aderiu ao programa de educação integral. Os professores fazem um trabalho de inclusão maravilhoso. O meu filho é um dos jovens que foi acolhido. Desde quando um educador merece receber menos do que qualquer outro profissional do legislativo ou do judiciário”, questionou.
    A presidente do CPERS, Helenir Aguiar Schürer, salientou que há mais de um mês o CPERS entregou ao governo os apontamentos do sindicato sobre os projetos que integram o pacote. Porém, até o momento, o governador não se dispôs a conversar com a entidade. “Eduardo Leite prega o diálogo da boca para fora. Até agora não sentou para conversar conosco sobre o pacote que nos atinge brutalmente. Estamos realizando uma greve histórica. Por onde passamos constatamos que a sociedade reconhece a nossa luta. Nós continuaremos firmes ao lado dos nossos estudantes, dos pais e de toda a comunidade escolar para derrotar este pacote”, garantiu.
    A deputada Sofia Cavedon, que preside a Comissão de Educação, frisou que o pacote do Executivo não contempla nenhum projeto pedagógico e nenhuma proposta de incremento a educação. “Leite só quer saber de ir visitar as escolas charter e fala em privatização. Não tem nenhum compromisso com a educação pública. As condições das nossas escolas estão degradantes demais”.
    (Com informações da Assessria de Imprensa)

  • Lula define polarização como estratégia: "Nós somos o oposto do Bolsonaro"

    Em seu discurso na abertura do 7º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, nesta sexta-feira (22), em São Paulo, o ex-presidente Lula definiu sua estratégia de se posicionar como o anti-bolsonaro. “O PT é sim o oposto de Bolsonaro”, disse.
    “Não fomos nós que falamos em fechar o Congresso com um cabo e um soldado. Em nossos governos as instituições foram respeitadas, nenhum general deu murro na mesa, nem esbravejou contra líderes políticos. Não fomos nós que sabotamos a economia do país para forçar um impeachment. Não fomos nós que forjamos um processo judicial para tirar do páreo um candidato das eleições. E são essas pessoas que nos dizem para não polarizar o país. Como se o Brasil já não estivesse polarizado há séculos entre os poucos que tem tudo e os muitos que nada tem. Nós somos sim o oposto de Bolsonaro. Somos sim radicais na defesa das universidades, da soberania nacional, da saúde. Nós somos oposição e meia. Enquanto ele semeia o ódio, nós vamos mostrar que o amor vai fazer esse país muito melhor”, disse Lula.
    “Eu sou o maior polarizador deste país. Eu quero é polarizar. Eles não sabem o que é enfrentar um senhor de 74 anos apaixonado”, advertiu.
    Lula não poupou Sergio Moro e a Lava Jato.
    “Como podem dizer que combateram a impunidade se Moro soltou pelo menos 130 dos 159 réus que ele mesmo havia condenado? Negociaram todo tipo de benefício com criminosos confessos, venderam até o perdão de pena que a lei não prevê, em troca de qualquer palavra contra o Lula.”
    Para ele, o Brasil só não está passando por uma convulsão social extrema, como acontece em outros países da América Latina, por causa da herança dos governos do PT. “Porque não conseguiram acabar com o Bolsa Família, último recurso de milhões de deserdados”, frisou.
    A ex-presidenta Dilma Roussef, os ex-ministros Fernando Haddad e José Dirceu, Guilherme Boulos, Manuela D’Ávila, além de parlamentares de todo o país participaram do congresso.
    (Com informações da Assessoria de Imprensa e do 247)
  • Pesquisa mostra que 45% dos brasileiros não confiam em vacina

    Uma pesquisa da organização não governamental Avaaz, em parceria com a Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), mostra que a credibilidade das vacinas é menor entre homens e jovens de 16 a 24 anos.
    O estudo mapeou o impacto das fake news em vacinas e contou com um questionário domiciliar em que o Ibope ouviu 2.002 pessoas entre 19 e 22 de setembro deste ano, em todas as regiões do país.
    Segundo a pesquisa, 54% dos brasileiros consideram as vacinas totalmente seguras, e 31% avaliam que elas são parcialmente seguras. Para 8%, elas são parcialmente inseguras, e 6% responderam que elas são totalmente inseguras.
    A soma dos três últimos grupos mostra que 45% dos brasileiros têm algum grau de insegurança em relação às vacinas. Um percentual de 2% não respondeu ou não soube opinar.
    Entre os homens, cai para 49% o percentual dos que consideram as vacinas totalmente seguras, e os outros três grupos somam 48%.
    Em relação à faixa etária, a situação é mais preocupante entre os jovens de 16 a 24 anos, já que 45% veem as vacinas como totalmente seguras e 53% têm algum nível de insegurança.
    As pessoas com ensino médio se mostraram menos seguras sobre as vacinas do que aqueles com nível fundamental completo ou incompleto, sendo este último grupo o que dá maior credibilidade às imunizações (61%).
    Segundo a pesquisa, metade das pessoas que pararam de estudar ao concluir o ensino médio têm inseguranças em relação à vacinação, enquanto para quem tem nível superior esse percentual cai para 43%.
    Assim como nos níveis de escolaridade, a camada mais pobre da população, com renda de até um salário mínimo, é a que confia mais nas vacinas.
    O resultado se repete entre as classes D e E, que superam a A, a B e a C no percentual que avaliou as vacinas como totalmente seguras.
    Para o presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Juarez Cunha, os dados de renda, classe social e escolaridade mostram que a população mais pobre está menos impactada pelas fake news por consumir mais as informações da mídia tradicional, utilizar mais os serviços do Sistema Único de Saúde (SUS) e ter menos acesso às redes sociais.
    “Elas são bastante impactadas pelas mídias tradicionais, mesmo sendo populações mais carentes. E tem a ação do SUS. São pessoas que são usuárias do SUS. E quando elas conseguem acessar o sistema, os profissionais de saúde se tornam muito importantes na informação”.
    Outro dado trazido pela pesquisa é que os evangélicos dão menor credibilidade às vacinas que os católicos e as pessoas que se declararam de outras religiões.
    Enquanto 60% dos católicos e 49% do terceiro grupo consideram as vacinas totalmente seguras, esse percentual cai para 44% no caso dos evangélicos, o menor percentual entre todos os recortes populacionais.
    O questionário mostra que 61% dos entrevistados já receberam mensagens negativas sobre vacinas nas redes sociais, sendo que 9% disseram que essas mensagens chegam todos os dias ou quase todos os dias.
    Entre as pessoas que declararam considerar as vacinas parcialmente inseguras, 72% disseram ter recebido notícias negativas por redes sociais. E, entre os que disseram que elas são totalmente inseguras, esse percentual é de 59%.
    A pesquisa revela que a mídia tradicional ainda é a principal fonte de informação sobre vacinas para a população, sendo citada por 68% dos entrevistados, que podiam apontar as três fontes principais de informações sobre o assunto.
    As redes sociais ficaram em segundo lugar, com 48%, à frente do governo (42%) e dos profissionais de saúde (41%). O presidente da SBIm acredita que a disponibilidade das redes sociais contribui para que elas tenham ultrapassado fontes oficiais.
    “A gente tem que estar disponível para ensinar e esclarecer da mesma forma que as pessoas que disseminam essas inverdades estão. A gente tem que encontrar tempo, disponibilidade e uma linguagem pra isso”, diz ele, que reconhece que redes sociais como o Whatsapp favorecem a criação de “guetos”, onde informações que desmintam fake news dificilmente conseguem penetrar. “É importante a gente ter a parceria com as plataformas [de redes sociais]”.
    Para a coordenadora de campanhas do Avaaz no Brasil, Nana Queiroz, o país vive uma epidemia de desinformação que precisa ser combatida por diferentes esferas de governo, sociedades médicas e também pelas plataformas de redes sociais, como o Facebook, o YouTube, o Instagram e o Whatsapp. “Nesse caso, o remédio é que as plataformas mostrem correções (vindas de checadores de fatos independentes) a todos que foram expostos a notícias falsas. Essa estratégia ficou conhecida mundialmente como correct the record [corrigir o erro]. Ela é prática, justa e nos protege contra a censura, pois nada é tirado do ar: apenas corrigido”.
    O Avaaz analisou ainda 30 histórias falsas sobre vacinas desmentidas pelo Ministério da Saúde e por serviços jornalísticos de checagem de informações. Esses conteúdos tiveram  23,5 milhões de visualizações e 578 mil compartilhamentos no Facebook. Além disso, foram 2,4 milhões de visualizações no YouTube. Quase metade desses artigos ou vídeos foi traduzida de sites antivacina dos Estados Unidos.
    (Com informações e fotos da EBC)

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  • Por que Bolsonaro confessou o fato que pode derrubá-lo?

    O presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) afirmou neste sábado (2) que recolheu a gravação das ligações da portaria do Condomínio Vivendas da Barra, no Rio de Janeiro, onde tem uma casa, para que não fossem adulteradas.
    “Nós pegamos, antes que fosse adulterada, ou tentasse adulterar, pegamos toda a memória da secretária eletrônica que é guardada há mais de ano. A voz não é a minha”, declarou Bolsonaro.
    A revelação espantou mesmo jornalistas experientes. “Ele botou as digitais no caso Marielle”, disse Ricardo Noblat.
    Por que o presidente da República revela um fato que pode levar ao seu impeachment? Interferência nas investigações de um crime, obstrução da justiça são os enquadramentos possíveis, que podem levar à cassação,  segundo vários juristas que já se manifestaram.
    Certamente não foi por ingenuidade que Jair Bolsonaro assumiu correr esse risco.
    A hipótese mais provável é que ele decidiu antecipar-se a um novo vazamento com o resto da história, que começou com o depoimento do porteiro, até agora não identificado.
    Há quatro dias o Jornal Nacional revelou que um dos envolvidos no assassinato da vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, esteve no dia do crime no condomínio Vivendas da Barra, onde Bolsonaro tem uma casa.
    Elcio Queiroz, ex-policial, apontado pela polícia como o motorista que dirigiu o carro usado no crime, visitou a casa 66, onde morava Ronnie Lessa, o outro envolvido, mas disse na portaria que ia na casa 58, a de Bolsonaro. O porteiro revelou em depoimento à polícia que a entrada foi autorizada por “seu Jair”.
    Em seguida, viu que o visitante se encaminhara para a casa 66 e informou à mesma pessoa na casa 58, que disse saber aonde o visitante ia.
    Está provado que Jair Bolsonaro estava  em Brasília neste dia, mas seu filho Carlos*, estava no condomínio. Não se sabe se na casa 58 ou 36, que também é da familia. Pelo que já foi divulgado a portaria registra que por volta das 15 horas entrou uma encomenda para ele e depois das 17, a chegada de um Uber que veio buscá-lo.
    Se estava no número 58 pode ser ele quem autorizou a entrada de Elcio Queiroz.
    A fúria dos ataques de Bolsonaro ao governador do Rio, Wilson Witzel e a delegado que conduz as investigações sobre o caso Marielle,  indicam onde se localiza sua preocupação.
    Há poucos dias, ele  próprio deu uma pista ao declarar: “Andam querendo prender um filho meu”.
    .*Por equívoco foi mencionado Flávio, no texto original.
     

  • Nobel de Física: “Probabilidades de que haja vida no universo são descomunais” 

    O astrofísico Michel Mayor ficou mundialmente conhecido em 1994, quando anunciou a descoberta da 51 Pegasi, uma estrela a 50 anos-luz da Terra.
    Naquele mesmo ano, ele confirmou a descoberta do primeiro exoplaneta. Michel Mayor e seu assistente Didier Queloz inauguraram um novo campo da astrofísica.
    O universo dos “planetas inconcebíveis”, fora do nosso sistema solar. Desde então foram descobertos 4.057 exoplanetas, alguns deles do tamanho da Terra e com capacidade de abrigar vida.
    Aos 77 anos, ganhador do Nobel de Física de 2019, juntamente com Queloz, ele não tem dúvida sobre a existência de vida em muitos lugares do universo, como explica nesta entrevista a El Pais:
    Pergunta:. A Real Academia de Ciências da Suécia concede-lhe o prêmio por mostrar “o lugar que a Terra ocupa no cosmos”. Que lugar é esse?
    Resposta. As estatísticas dizem que há bilhões de planetas em nossa galáxia, a Via Láctea. Muitos são como a Terra. Parte deles está na distância exata de sua estrela para que haja uma temperatura adequada e ocorra a química complexa necessária para que surja a vida. Com base nisso, as probabilidades de que haja vida no universo são descomunais. Agora o importante é procurar os exoplanetas que estão mais perto de nós para que possamos captar mais fótons e analisar a química de sua atmosfera.
    P. Encontraremos vida nesses planetas?
    R. Pelo menos sabemos como fazer isso. Podemos detectar os biomarcadores na atmosfera que demonstram que há vida neles. Mas não temos os instrumentos para analisar a luz do planeta, algo muito complicado, porque sempre há uma enorme quantidade de luz emitida pela estrela e é difícil separá-las. Estou convencido de que existe vida em muitos lugares do universo.
    É uma fantasia pensar que podemos viajar até um exoplaneta
    P. Os planetas extrassolares, mesmo aqueles considerados habitáveis porque podem conter água líquida, são ambientes muito expostos à radiação estelar…
    R. Podem ser formas de vida mais simples do que nós. Os elementos químicos são sempre os mesmos, mas há muitas possibilidades de diversidade. Pense, por exemplo, na Terra, no quanto os animais que vivem sobre a terra são diferentes dos que estão no oceano, ou em um deserto, ou em uma floresta… Como é realmente a vida em outros planetas? É uma questão preciosa e enorme para a próxima geração.
    P. Giordano Bruno, que foi queimado pela Igreja no século XVII, propôs que existem muitos outros sistemas no universo, o que não se encaixa no relato cristão da criação. Qual é o lugar de Deus no universo?
    R. A visão religiosa diz que Deus decidiu que houvesse vida apenas aqui, na Terra, e a criou. Os fatos científicos dizem que a vida é um processo natural. Acredito que a única resposta é investigar e encontrar a resposta, mas para mim não há lugar para Deus no universo.
    P. Qual é a possibilidade de que alguns desses milhares de planetas com vida sejam Terras como a nossa?
    R. Encontrar vida evoluída, uma civilização, é uma pergunta completamente diferente. É muito mais difícil, por enquanto não é possível responder. Posso passar o resto da minha vida feliz tentando responder apenas à pergunta sobre se há vida além da Terra.
    P. O primeiro exoplaneta que você descobriu estava a 50 anos-luz e é um gigante gasoso, como Júpiter. O exoplaneta terrestre mais próximo da Terra, o Proxima b, descoberto em 2016, está a 4,5 anos luz. Algum dia será possível explorar algum desses mundos?
    R. Nunca poderemos ir. Os humanos demoram três dias para viajar até a Lua. A luz só precisou de um segundo. Imagine um planeta a 12 anos-luz. A luz demora um bilhão de segundos para chegar. Multiplique três dias por um bilhão, é muito tempo. É uma fantasia pensar que podemos ir até lá. Existe um projeto para enviar minissatélites para Proxima b, acelerados com laser até quase a velocidade da luz. É muito difícil, mas mesmo que dê, um artefato a essa velocidade que passe durante uma fração de segundo ao lado do planeta não poderá captar nada interessante. Não aprenderemos nada! Nossa única opção é desenvolver métodos de detecção remota baseados na química.
    P. Muitos dos exoplanetas terrestres descobertos estão em torno de estrelas anãs vermelhas, diferentes de nosso Sol. Isso afeta a possibilidade de que haja vida?
    R. Descobrimos algumas centenas de planetas usando a técnica da velocidade radial. No ano passado, minha equipe começou a operar um novo espectrógrafo, chamado Esspreso, que pode se conectar a quatro telescópios de oito metros de diâmetro em Paranal, no Chile. Com esse instrumento, já temos a capacidade de detectar um planeta de massa baixa [semelhante à Terra]. Além disso, o E-ELT nos dará uma enorme capacidade para detectar biomarcadores em planetas terrestres.
    P. Estão em estrelas como o Sol?
    R. A maioria dos esforços atuais se baseia em estrelas menores, porque a zona habitável está mais próxima do astro e é mais fácil analisá-la. Mas, pessoalmente, acredito que a zona habitável está tão perto da estrela que pode haver um enorme bombardeio de partículas estelares, o que pode tornar difícil a existência de vida. Eu me inclino a procurar nas estrelas anãs laranja, que são um ponto intermediário entre as anãs vermelhas e o nosso Sol, com uma massa de 0,7 sóis. Para o futuro, aposto nessas estrelas.

  • Prêmio mais antigo do jornalismo recebe inscrições até 19 de novembro

    Estão abertas as inscrições para o 61° Premio ARI de Jornalismo, o mais antigo certame jornalístico do país, criado em 1958 .
    Onze categorias de trabalhos jornalísticos são considerdas no prêmio, que é o mais disputado entre os jornalistas profissionais do Rio Grande do Sul.
    Os trabalhos serão recebidos até 19 de novembro.
    http://www.premioaridejornalismo.com.br/_pdfs/regulamento.pdf?20191001212513

  • Arquitetos de todo o país discutem a profissão em Porto Alegre

    Entrevista: Tiago Holzmann da Silva, presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo/RS, que promove com o Instituto dos Arquitetos do Brasil, o Congresso Brasileiro de Arquitetos, que se realiza em Porto Alegre de 9 a 12 de outubro.
    JÁ- Porto Alegre recebeu um congresso nacional de arquitetos em 1948, quando a cidade ainda nem tinha faculdade de Arquitetura…Por que?
    -O maior objetivo desse congresso de 1948 em Porto Alegre era exatamente criar uma faculdade de arquitetura aqui. Havia dois cursos, um na Engenharia e outro na Escola da Belas Artes,  que não se falavam. Também havia no Rio Grande do Sul uma tradição dos arquitetos alemães, Theo Wiedersphan, Joseph Lutzenberger e outros… era influência muito forte, um estilo que não era o dos cariocas,  já ligados ao modernismo internacional.
    -O congresso trouxe essa corrente...
    -Sim, o objetivo era  também chamar atenção para as tendências da arquitetura moderna, com Le Corbusier e outros… abrir porteira para a arquitetura moderna.
    -Os modernistas daqui viviam no Rio…
    -Até então, os arquitetos gaúchos eram formados no Rio ou em Montevidéo, Machado Moreira, Demétrio…
    -O congresso abriu as porteiras ao modernismo, mas só voltou 20 anos depois...
    -O segundo congresso em Porto Alegre, em 1969, é da resistência. Momento de reorganização dos arquitetos. Já tinha caído a ficha de que o golpe era pra valer, mas é também onde  tem origem a questão da reforma urbana tema importante nas década seguintes.
    -E esse congresso de agora, meio século depois daquele da resistência?
    -O congresso é um momento de reunir, discutir, tirar as conclusões e trazer para a sociedade as demandas, que são nossas, mas são da sociedade também. E esse agora ocorre no momento em que a gente tem um ponto de inflexão muito  importante da profissão, consequência da multiplicação dos cursos de arquitetura…
    Multiplicação?
    Hoje temos o dobro do que se tinha há dez anos, quando foi criado o Conselho de Arquitetura e Urbanismo. No Brasil inteiro eram em torno de 80 mil arquitetos, hoje chegam a 200 mil, crescimento vertiginoso.
    -Qual é a consequência disso?
    -Não seria grave se a qualidade fosse alta. Seria ótimo, mas a gente vê a proliferação de faculdades e a qualidade da formação em queda, a mercantilização da cidade e do ensino…Momento de grave reflexão, de pensar o que vamos fazer com isso.
    -No Rio Grande do Sul também cresceram assim os cursos?
    -No Rio Grande do Sul são cinquenta e duas faculdades e, algumas delas, já dão o curso sem que o aluno precise ir à faculdade, pelo ensino à distância. Formam quase mil arquitetos por ano. Há dez anos, eram oito ou novel mil arquitetos no Estado, hoje são mais de 15 mil.
    E tem mercado?
    -Essa é a questão. O mercado que o arquiteto tradicionalmente atende, de classe média alta, residencial ou comercial, está saturado. O desemprego é enorme.
    Como o congresso vai abordar isso?
    -Uma grande meta da profissão hoje é a Lei da Assistência Técnica, a LAT,  iniciativa do arquiteto Clovis Ilgentritz quando era deputado federal.
    O que diz a lei?
    -Cria um serviço de arquitetura e urbanismo para cuidar dos programas de moradia, para população de baixa renda.  A moradia está entre os direitos fundamentais – educação pública, saúde pública, segurança pública, defensoria, mas não temos o atendimento à moradia que está garantido lá na constituição, não tem o serviço público para atender esse direito e essa lei permite. Ela coloca como sendo uma obrigação do estado fornecer um serviço público para planejamento, reforma, ampliação de moradias, para regularização de áreas populares. Essa lei já fez dez anos e não é aplicada.
    As prefeituras teriam que aderir?
    -Sim, nós estamos fazendo um grande esforço para levar às instituições, prefeituras, governos, mostrar que é uma lei e que pode trazer enormes benefícios à população com poucos recursos. Fazer cumprir essa lei é o principal objetivo do CAU.
    -Os prefeitos são sensíveis à idéia?
    -A receptividade é muito grande. Já visitamos dezenas de prefeitos… Eles ficam empolgados com a idéia.  Criar dentro da secretaria de planejamento, por exemplo, um serviço público para as famílias que moram precariamente. Eles sabem a gravidade da questão da moradia, sabem também que é pouco investimento. Para resolver a vida de uma família precisa de poucos milhares de reais. É um investimento pequeno que gera resultados.
    -Já tem esse serviço em alguma prefeitura?
    -Nós temos boas experiências, mas não uma política implantada. Tivemos experiência muito boa no governo do Distritio Federal, no governo do  Rolemberg. Ele chamou uma turma do IAB para dentro do governo. Fizeram um trabalhjo muito intenso de regularização, mais de 60 mil moradias regularizadas no período, contra cinco mil em toda a história, em quatro anos. Fora muitas ações de qualificação urbana nas áreas periféricas do distrito federal. Depois, temos várias boas experiências em prefeitura, com ongs e movimentos sociais mas ainda são ações isoladas dependem de um agente que lidere para que ele tenha continuidade. Criamos aqui no CAU um Gabinete da Assistência Técnica que é exatamente para ajudar quem quer fazer, principalmente as prefeitura. Vamos ensinar as prefeituras a implantar o serviço, cada uma com sua particularidade.
    -Que prefeituras estão no radar?
    – Venâncio Aires. Carlos Barbosa, Xangrilá, Piratini, Santa Rosa, e várias outras que vão entrar num projeto piloto.
    -O mercado é imenso, só em Porto Alegre 20% da população mora em condições irregulares…
    -Se incluir a  Região Metropolitana, Alvorada, Viamão Eldorado… metade está em área irregular, muitas em áreas de risco, é muito urgente.
    -Como sustenta esse serviço, o orçamento da prefeitura?
    -São várias possibilidades, estamos construindo alternativas. Pode ser um fundo público, gerido pela prefeitura…
     

  • O RS teve seu primeiro caso de mormo confirmado em 2015, totalizando 47 focos de junho de
    2015 até julho de 2017. A título de informação o último foco de Mormo no RS havia ocorrido em julho de
    2017, fato que fez com que o Estado do Rio Grande do Sul pleiteasse o status de Zona Livre de Mormo.
    Infelizmente neste mês dois novos casos foram confirmados através do exame de Western Blotting
    (WB), que é o exame confirmatório e conclusivo preconizado pelo Ministério da Agricultura para
    confirmação dos suspeitos. Os novos casos ocorreram em setembro, nos municípios de São Lourenço do
    Sul e Santo Antônio da Patrulha, acometendo dois equinos, um em cada propriedade, até o momento.
    Atualizações sobre o mormo

  • Dois anos depois, não há explicação para o crime das crianças sem cabeça

    A garota de uns 12 anos tinha as unhas pintadas de rosa e o menino, seu irmão, teria no máximo nove anos. É quase tudo que se sabe sobre os dois corpos esquartejados encontrados  em setembro de 2017 numa estrada de chão batido, no bairro Lomba Grande.
    “Nenhuma luz no fim do túnel, nenhuma pista”, disse  o delegado Rogério Baggio, nesta terça-feira quando se completaram dois anos do misterioso caso.
    Baggio conduziu u as investigações até o início de agosto pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Novo Hamburgo.
    A investigação teve reviravolta em dezembro de 2017, quando Baggio entrou em férias e foi substituido pelo delegado Moacir Fermino, hoje aposentado e réu por falsidade ideológica e corrupção de testemunhas.
    Assim que assumiu, Fermino afirmou que havia elucidado o crime e que se tratava de um ritual satânico.
    Cinco pessoas foram presas , duas não foram  encontradas.
    Apesar da ampla cobertura da mídia, a versão do “ritual satânico” não se sustentou.  A própria Polícia Civil precisou desfazer a investigação. Os presos foram libertados e a apuração voltou à estaca zero.
    “Aquelas circunstâncias atrapalharam demasiadamente a investigação. Aquilo tudo que se descobriu que era mentira. De certa forma, tirou o foco. Quem realmente matou as crianças teve todo tempo do mundo para se livrar de uma eventual prova. Pode até ter saído do país”, afirmou Baggio ao Diário Gaúcho.
    As cabeças das vítimas nunca foram encontradas. As digitais e o DNA foram coletados, mas não havia registros compatíveis no Estado. Um dos pontos que sempre intrigou a polícia foi o fato de nenhum parente registrar a falta de duas crianças. Situação que levou a investigação a suspeitar de que os pais poderiam ter sido assassinados também..
    Enquanto isso, os restos mortais do menino e da menina são mantidos nas dependências Departamento Médico-Legal (DML), sem ninguém reclamar por eles.