A situação da pandemia no Brasil ganha repercussão mundial com a proibição anunciada neste domingo: brasileiros e estrangeiros que tenham passado pelo país nos últimos 14 dias não podem entrar nos Estados Unidos.
O decreto foi assinado pelo presidente Donald Trump, no domingo, 24. A entrada passa a ser proibida a partir do dia 29 de maio.
“Não quero que as pessoas venham aqui e infectem o nosso povo”, declarou Trump há dez dias, quando o aumento de casos colocou o Brasil em segundo lugar entre os países com mais pessoas contaminadas, atrás justamente dos EUA.
Neste domingo, o número de mortes registrado no Brasil (653) foi maior do que nos Estados Unidos (638), segundo a universidade Johns Hopkins.
“Os Estados Unidos doarão 1.000 respiradores para o Brasil para ajudar nas necessidades de saúde. Essas restrições de viagem são projetadas para proteger os cidadãos dos Estados Unidos e do Brasil e não refletem de forma alguma uma redução no forte relacionamento bilateral entre nossos dois países”, diz o comunicado do governo americano.
Segundo as agências internacionais, Trump conversou com o presidente Jair Bolsonaro duas vezes nos últimos dois meses sobre o assunto.
A cada semana, mais de 1.500 passageiros chegam a aeroportos dos EUA vindos do Brasil. Entre 11 e 17 de maio, cerca de 1.800 viajantes do Brasil entraram nos Estados Unidos.
Os voos entre os dois países no momento estão bastante reduzidos. Atualmente, os únicos estados dos EUA que ainda operam voos com origem e destino ao Brasil são Texas e Flórida.
A restrição não será aplicada a pessoas que residam nos Estados Unidos ou sejam casadas com um cidadão americano ou que tenha residência permanente no país, filhos ou irmãos de americanos ou residentes permanentes também poderão entrar, desde que tenham menos de 21 anos.
Membros de tripulações de companhias aéreas ou pessoas que ingressem no país a convite do governo dos EUA também estão isentas da proibição.
Neste domingo, os Estados Unidos chegaram à marca de 1.635.192 casos de Covid-19, com 97.599 mortes pela doença, segundo a universidade Johns Hopkins. Já o Brasil tinha 347.398 casos e 22.013 mortes.
Filipe Martins, assessor especial da presidência brasileira para assuntos internacionais, usou seu perfil em uma rede social para comentar o decreto de Trump.
“Ao banir temporariamente a entrada de brasileiros nos EUA, o governo americano está seguindo parâmetros quantitativos previamente estabelecidos, que alcançam naturalmente um país tão populoso quanto o nosso. Não há nada específico contra o Brasil. Ignorem a histeria da imprensa”, escreveu.
Anteriormente, os EUA já tinham proibido a entrada de pessoas provenientes de outros países devido à pandemia de coronavírus: da China (excluindo Hong Kong e Macau), do Irã, de países europeus membros da zona Schengen, do Reino Unido e da Irlanda.
As autoridades brasileiras também destacaram a cooperação do governo dos EUA à presidência brasileira no combate à pandemia e disseram que “as restrições não afetam o fluxo de comércio entre os dois países”.
“A decisão do governo dos EUA baseou-se em critérios técnicos, que levam em conta uma combinação de fatores tais como os casos totais, tendências de crescimento, volume de viagens, entre outros.
A restrição americana tem o mesmo propósito de medida análoga já adotada pelo Brasil em relação a cidadãos de todas as origens, inclusive norte-americanos, e de medidas semelhantes tomadas por ampla gama de países.”, diz a resposta do Itamaraty.
(Com informações da EBC e G1)