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  • O BRASIL À BEIRA DO ABISMO

    O BRASIL À BEIRA DO ABISMO

    Atolado na crise de saúde provocada pela pandemia do coronavíus, que atinge o país no momento mais agudo de uma crise econômica que já dura cinco anos, o Brasil agora enfrenta uma das mais graves crises políticas da sua história recente.

    O pronunciamento do ministro da Justiça, Sérgio Moro, na manhã desta sexta-feira, lançou uma bomba sobre as instituições que garantem a democracia brasileira – o Congresso, o Supremo Tribunal Federal e o próprio Poder Executivo.

    Moro disse que seu pedido de demissão foi motivado pelas pressões do presidente Jair Bolsonaro para trocar a direção da Polícia Federal e colocar pessoas de sua confiança, às quais tivesse acesso para interferir em investigações da Polícia Federal. Seria uma tentativa de obstrução de Justiça.

    Moro disse também que não assinou o ato de exoneração do diretor geral da PF, Maurício Valeixo, publicado no Diário Oficial com seu nome (veja abaixo), e que não houve pedido do delegado Valeixo para deixar o cargo, conforme consta na publicação oficial. Seria crime de falsidade documental.

    Decreto com assinatura de Moro pode configurar crime de falsidade documental

    A disparada da cotação do dólar e a queda recorde das bolsas de valores sinalizam o tamanho do impacto econômico que a crise política terá na combalida economia nacional.

    Mesmo a imprensa que apoiou a eleição de Jair Bolsonaro e inclusive apoiadores do governo já admitem que as chances do presidente da República permanecer no cargo são ínfimas.

    A deputada Joyce Hasselmann, ex-aliada do presidente, disse em entrevistas que Bolsonaro tenta proteger seus filhos, acusados de montar um esquema de fake news financiado com recursos privados e usando estrutura pública.

    O impeachment de Jair Bolsonaro é aventado por opositores do presidente desde o início de seu mandato.

    Nas últimas semanas, durante a crise da pandemia do novo coronavírus, a possibilidade ganhou força nos discursos públicos de políticos.

    Em sua edição de domingo (22), o jornal Folha de S.Paulo listou ao menos 14 crimes de responsabilidade que teriam sido cometidos pelo presidente. As atitudes envolvem ofensas a jornalistas, abuso de poder e quebra de decoro.

    Segundo analistas políticos, a “base jurídica” para o impeachment existe. O que faltava até agora era a decisão política de derrubar o presidente.

    “Um presidente sabidamente criminoso pode ser poupado do impeachment se um cálculo prudencial de lideranças políticas achar que o ônus de mantê-lo no cargo é menor do que o bônus de removê-lo”, disse o professor Rafael Mafei, da Faculdade de Direito da USP, em entrevista ao Nexo publicada em 29 de fevereiro.

    Apesar de haver pedidos protocolados na Câmara Federal, poucos líderes relevantes do Congresso apoiavam a abertura de processo contra Bolsonaro.

    A decisão de arquivar ou dar sequência a um pedido do gênero cabe ao presidente da Câmara, cujo cargo é ocupado hoje pelo deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ).

    Responsável por aceitar ou não o pedido de impeachment, Maia disse ao Valor, em entrevista publicada no dia 16 de março, que os processos dificilmente vão prosperar. “Nós já temos muitos problemas no Brasil para a Câmara ou o Senado serem responsáveis pelo aprofundamento da crise. Nós não seremos responsáveis por isso. Às vezes, me dá a impressão que o governo quer isso. Todos nós fomos eleitos. O presidente teve 57 milhões de votos, os deputados tiveram 100 milhões de votos”.

    Para alguns analistas, Jair Bolsonaro vê no impeachment a possibilidade de um acirramento de sua base eleitoral mais fiel. Ele aposta na retomada de uma polarização nas ruas que poderia lhe resgatar o apoio da opinião pública.

    Com o agravamento da crise a partir do pronunciamento do agora ex-ministro Sérgio Moro,  parece existir uma única chance para que Jair Bolsonaro se mantenha na presidência: um golpe militar para fechar o Congresso e o Supremo Tribunal Federal.

    As reiteradas manifestações dos chefes militares, em favor da constitucionalidade, indicam que ele não dispõe de base para isso. Mas o cenário político, com a crise de saúde e a crise econômica como pano de fundo, torna-se imprevisível.

    O ministro do STF Marco Aurélio Mello em entrevistas nesta sexta-feira sintetizou a perplexidade nacional: “Aonde vamos parar? Quem viver verá”.

     

  • Pandemia econômica e climática são os outros fronts na Europa

    Pandemia econômica e climática são os outros fronts na Europa

    No dia em que a União Européia obteve consenso sobre o “pacote de resgate” da economia do bloco, um total de 500 bilhões de euros, agências de notícias informavam o início das negociações entre governo e empresas aéreas. A gigante do turismo TUI recebeu 1,6 bilhão de euros nas primeiras semanas da pandemia, e agora pleiteia pelo menos o dobro. A Lufthansa pede outro um bilhao de Euros. A quarentena do coronavírus já custou 166 bilhões de euros ao tesouro alemão na forma de ajuda a empresas e trabalhadores.

    “Devemos evitar a imagem de um Estado que nos ajuda distribuindo dinheiro numa emergência como essa. Em algum momento teremos que pagar essa conta”, aponta Reiner Hoznagel, presidente da Federação Alemã dos Contribuintes.

    Na linha de frente, um quinto das empresas do país pretendem demitir funcionários, segundo o IFO-Institut (www.ifo.de). Em meio a esse turbilhão, a pergunta do dia foi: como uma sociedade democraticamente organizada assume o desafio contra uma massiva ameaça contra a vida? Olhando para trás, é inevitável a pergunta sobre se tudo isso era necessário.

    Dr. Christian Drosten, Virólogo da Charité de Berlin, e um dos principais responsáveis pela estratégia adotada pelo governo alemão para conter a pandemia, ajuda a responder.

    “No mundo todo, 2,6% das pessoas infectadas pelo coronavírus, independente da idade, precisam ir para o hospital. Para termos uma informação mais precisa sobre a situação, precisamos saber também o que ocorre fora dos centros de saúde. Segundo os modelos estatísticos mais avançados, 0,5 % de todas as pessoas infectadas pelo vírus morrem”, explica ele. Detalhe, para os acima de 80 anos a mortalidade é de 8,3%.

    Parece nada, um peido molhado na taxa de mortalidade. Cerca de 70% da população de 85 milhões da Alemanha deve ser contaminada pelo vírus, de um jeito ou de outro, de acordo com os dados apresentados pelo co-descobridor do coronavírus da SARS em 2003. Fazendo as contas com calma, serão 280 mil pessoas que morrerão quando a contaminação atingir esse número de pessoas, e a taxa de mortalidade da doença for mantida.

    Christian Drosten lembra que se as pessoas não puderem ser atendidas nos hospitais por conta da superlotação, o percentual de mortos em relação ao número de infectados aumenta. “Em algumas regiões da Itália esse percentual chegou a 12%”.

    Dr. Drosten aposta sua reputação contra aquilo que chama de “boa vontade política”. “Há tanta fantasia a respeito de como podemos regular nosso comportamento no sentido de proteger-nos de um vírus assim”, conta ele, sem esquecer de frisar que máscaras e luvas não serão suficientes para garantir segurança. “Não ficarei surpreso se observarmos nas próximas semanas um retorno da corrente de infecções que tivemos nas primeiras semanas da epidemia”.

    Contrário a qualquer apelo dramático, o mais importante virólogo alemão invoca a cautela recomendada pelas autoridades. “Passamos por um teste, como não vivíamos desde o fim da segunda guerra mundial, ninguém faz com prazer, mas é a verdade, temos, hoje, não o final da pandemia, mas o começo”, consentiu a primeira ministra, Angela Merkel, durante seu discurso no Parlamento.

    “O Estado é absolutamente dispensável. É tempo de relaxar a restrição de direitos fundamentais, e delegar a responsabilidade pelas medidas de proteção a cada individuo”, defendeu Alexander Gauland, uma das proeminentes figuras do Afd (Alternative für Deutschland), partido de extrema direita da Alemanha.

    Para o líder do Partido Verde no Reichtag, Anton Hofreiter, se o assunto é prevenção, então não podemos esquecer da questão climática. Enquanto “a crise do Cororna” monopoliza atenções, o Hemisfério Norte arde, com incêndios florestais espalhados pela Ucrânia, Russia, Polônia, Alemanha e Holanda.

    Na Alemanha a seca é recorde desde 2018. Ainda assim, os alemães assistem impassíveis a recordes de temperatura e de redução pluvial. Dados oficiais apontam que praticamente um terço do país vive uma seca extraordinária para os padrões observados pela ciência há pelo menos cem anos. “É uma verdadeira catástrofe”, diz Philipp Fölsch, diretor da Produtos Agrários Dambec enquanto cava no solo seco e arenoso da sua plantação de milho. Segundo Dr. Andreas Marx, do Centro Helmholtz de Pesquisa em Meio Ambiente, as medições de umidade do solo indicam que a seca irá perdurar por toda temporada de verão.

  • Moro diz que Bolsonaro queria controlar investigações da Polícia Federal e abre caminho para o impeachment

    Moro diz que Bolsonaro queria controlar investigações da Polícia Federal e abre caminho para o impeachment

    O pronunciamento do ministro da Justiça, Sérgio Moro, em cadeia nacional, nesta sexta-feira, abre uma crise sem precedentes no governo Bolsonaro.

    O ministro pediu demissão e acusou o presidente de tentar interferir nas investigações de Polícia Federal.

    Moro deixou claro também que o Palácio do Planalto divulgou uma mentira ao anunciar que o diretor geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, foi exonerado a pedido.

    Essa justificativa foi mencionada no ato que exonerou Valeixo publicado no Diário Oficial desta sexta-feira. “Não houve o pedido de exoneração”, disse Sérgio Moro.

    Mesmo nos veículos que apoiaram a eleição de Bolsonaro já se diz que “é o começo do fim de Jair Bolsonaro”.

     

  • Artistas se unem para ajudar Instituto do Câncer Infantil

    As lives nas redes sociais são alternativas comuns durante a quarentena e isolamento social para entreter e informar quem está em casa. Mas já pensou assistir a um show em casa e ainda poder contribuir para a causa do câncer infantojuvenil? O Instituto do Câncer Infantil será beneficiado em algumas dessas atividades.

    Durante as transmissões ao vivo, os interessados poderão doar através do QR Code na tela – que reencaminhará para a página de doações do ICI – ou poderão entrar em contato através do WhatsApp da instituição no (51) 99230-9593. O ICI precisa de alimentos, material de higiene e limpeza, máscaras descartáveis, álcool em gel, luvas e vestuário.

    Confira a lista de artistas que farão transmissões em prol do ICI. Assista, contribua e se divirta:

    25/04 – Live no YouTube do Mc Jean Paul às 20h

    26/04 – Live no Youtube do Ehexpresso às 20h

    27/04 – Live no Instagram @Virozueira às 18h30

  • Apesar do sucesso inicial, Alemanha não garante controle da Pandemia

    Apesar do sucesso inicial, Alemanha não garante controle da Pandemia

    Mariano Senna, de Berlim/Alemanha

    Após 40 dias fechados, estabelecimentos de até 800 metros quadrados reabriram na quarta-feira (22/04) na Alemanha. Também indústrias, como a de automóveis, retomaram as atividades com ocupação reduzida. Tudo seguindo as novas regras de higiene e prevenção, incluindo a distância mínima, luvas e máscaras.

    No caso das montadoras, além da quebra da produção, há uma quebra acumulada da demanda da ordem de dois milhões de veículos. Quatro milhões de trabalhadores do setor não sabem o que o futuro lhes reserva. “Não creio que o governo possa salvar todo mundo”, diz Albert Reiss, diretor-presidente da ARKU Machinenbau de Baden-Baden.

    Mesmo com a retomada das atividades, em setores como o de turismo, o prejuízo pela crise pode fechar um terço dos negócios, dizem os prognósticos. No total, até o momento mais de 700 mil trabalhadores entraram com pedido ajuda do governo por conta da redução ocupacional.

    Enquanto políticos profissionais como o Ministro da Saúde, Jens Spahn (CDU) comemoravam a autorização para o início de testes de uma vacina, especialistas criticavam como o processo de reabertura acontece na prática.

    “Estamos arriscando perder as conquistas que obtivemos”, alertou o principal virólogo assessor do governo, Prof. Dr. Christian Drosten, Chefe do Instituto de Virologia da prestigiosa Charité de Berlin.

    Na Alemanha morreram até o momento 5.100 pessoas vítimas do Covid-19, quatro vezes menos do que na Espanha, quem tem menos da metade do numero de habitantes.

    Como um dos descobridores do Coronavírus da SARS em 2003, Dr. Drosten foi um dos principais responsáveis pelo “Lockdown” alemão. Desde o início da crise ele aposta a própria credibilidade contra todos os críticos e defensores da abertura ou do isolamento vertical. “Pela forma como as coisas vêm sendo conduzidas nessa reabertura, eu não me surpreenderei se tivermos em Maio e Junho uma situação fora de controle nos hospitais”, alerta o virologista.

    O titular da saúde, Jens Spahn, preventivamente avisou em seu pronunciamento no parlamento: “Teremos que estar preparados para perdoamo-nos, pois nunca na história da humanidade se decidiram tantas coisas significativas e importantes, em um ambiente de tamanha incerteza e em tao curto espaço de tempo”.

    O que significa isso? O prenúncio daquilo que em breve ocupará os alemães? Nas ruas da capital Berlin a vida voltou quase ao normal. Lojas abertas, mas muitas ainda vazias. Nos supermercados quase ninguém usa máscara, nem mesmo os caixas. Isso apesar da obrigatoriedade, que vem ganhando espaco Estado após Estado. “Máscara serve só para quem está doente”, justifica a Rosa Pankowa, gerente de Loja de uma grande rede no bairro de Neukölln, em referência a um dos dicensos dessa crise.

    A estratégia do governo é criar uma rede de informações sobre a infecção. Todas as pessoas infectadas e aquelas com quem essas tiveram contato devem ser cadastradas e acompanhadas. Cinco pessoas serão responsáveis por seguir, interpretar os dados coletados por 150 times móveis para teste e diagnóstico por todo o país. Em complemento, será implementada a obrigatoriedade das notificações de testes (positivos e negativos) em todos os níveis da federação.

    Em contra-ponto está a política de testes em vigor. Idosos e trabalhadores de asilos, como um dos grupos de risco, ainda não são sistematicamente testados. Médicos, enfermeiros e profissionais da saúde ainda não são sistematicamente testados.

    Como exemplo de inovação em termos de medidas de controle, o correspondente em Pequim da rede ZDF, Ulf Röller, cita o aplicativo desenvolvido pelo governo Chinês. Em Wuhan, qualquer pessoa que queira ir a uma loja precisa baixar o App. Ele autoriza e controla a circulacao de pessoas por todos os lugares. “É um tipo de sistema de vigilância total através do celular, pois você não entra em lugar nenhum sem a autorização do aplicativo”, relata o jornalista. Segundo ele, os chineses estão achando uma maravilha o controle epidemiológico digital, tamanho o pânico da morte pelo Covid-19.

  • MTG prepara roda virtual para comemorar Dia do Chimarrão

    O Movimento Tradicionalista Gaúcho do Rio Grande do Sul realiza, nesta sexta-feira, mais uma edição do #vempromate. O evento é online e tem por objetivo comemorar o Dia do Churrasco e do Chimarrão, instituído por lei e comemorado no dia 24 de abril.

    Para participar, basta publicar na rede social de sua preferência uma foto mateando, com a hashtag #vempromate. A proposta do MTG é fazer uma grande roda de mate virtual, celebrando a hospitalidade do povo gaúcho.

    Em tempos de pandemia do Covid-19, as autoridades aconselham a não compartilhar bomba e cuia.

  • Coronavírus já estava circulando na Espanha em meados de fevereiro 

    Pesquisadores do Centro Nacional de Microbiologia, pertencentes ao Instituto de Saúde Carlos III, publicaram um estudo genético sobre a transmissão do patógeno na Espanha e concluíram que  o vírus entrava em quinze rotas diferentes e que já havia transmissão pela comunidade a partir de 14 de fevereiro, excluindo a existência de um paciente zero.

    Portanto, o  coronavírus  já estava circulando entre os espanhóis pelo menos um mês antes da decretação do estado de alerta, quando o país foi obrigado a adotar as mais altas restrições de mobilidade em décadas.

    O trabalho científico, assinado por Francisco Díez e María Iglesias, foi publicado como uma ‘pré-impressão’ e, portanto, inclui resultados preliminares que não foram submetidos à revisão por pares. O estudo analisou  os 28 primeiros genomas completos do vírus seqüenciado na Espanha , rastreando as erratas que ocorrem no RNA do vírus quando ele se reproduz.O resultado não aponta para um único paciente zero, mas confirma “muitas entradas” de pessoas infectadas de outros países durante o mês de fevereiro.

    O novo vírus tem um grande potencial de transmissão, em grande parte devido à sua alta capacidade reprodutiva:  uma vez dentro do corpo da pessoa infectada, cada um desses vírus se reproduz até 100.000 vezes em apenas 24 horas. Mas pequenas falhas de replicação podem surgir em cada cópia, herdada por novos vírus. Estudando esses erros, a evolução do patógeno em sua expansão em todo o mundo pode ser rastreada de maneira muito conclusiva.

    O estudo, no qual o Hospital Clinic de Barcelona também colaborou, realizou análises filogenéticas e filodinâmicas  para estimar a origem temporal e geográfica mais provável dos diferentes clados ou famílias  – que definem a evolução biológica de um organismo – e os caminhos da difusão. Eles concluíram que pelo menos duas dessas entradas de vírus resultaram “no aparecimento de clusters transmitidos localmente, com a subsequente disseminação de um deles para pelo menos seis outros países”.

    Potencial pandêmico “extraordinário”

    Esses resultados “destacam o  extraordinário potencial do SARS-CoV-2 para uma distribuição geográfica rápida e ampla ” , diz o estudo, que foi publicado no  repositório de relatórios científicos BioRxiv .

    A análise do genoma do coronavírus identificou  três grandes clados ou famílias que abrangem o mundo, designados G, V e S. A  análise de todas as sequências genômicas do SARS-CoV-2 obtidas de pacientes na Espanha revelou que a maioria delas está distribuída nos clados S e G (13 seqüências em cada) e as duas sequências restantes se ramificam no clado V.

    O ancestral comum mais recente da pandemia de SARS-CoV-2 Está localizado na cidade chinesa de Wuhan, por volta de 24 de novembro de 2019 . A origem dos clades S e G na Espanha está localizada em 14 e 18 de fevereiro de 2020, respectivamente. Os três primeiros pacientes S identificados na Espanha foram detectados com amostras  colhidas nos dias 26 e 27 de fevereiro em Valência , algo que pode estar relacionado à viagem de milhares de torcedores do Valencia a Milão para assistir ao jogo da Liga dos Campeões contra o Atalanta, jogado em 19 de fevereiro.

    No entanto, a análise genética sugere que  os coronavírus da família S já haviam circulado na Espanha antes, por volta de 14 de fevereiro . Além disso, destaca que outros vírus da família G já estavam circulando em Madri em 18 de fevereiro.

    Fernando Simón. “É muito certo que casos assintomáticos nos escaparam”
    Questionado sobre os resultados deste estudo, o diretor do Centro de Coordenação de Alertas e Emergências em Saúde do Ministério da Saúde, Fernando Simón, afirmou que  “é certo que na Espanha houve casos assintomáticos que nos escaparam”  em meados de fevereiro.

    Com relação à ausência de um único paciente zero, Simón disse que ” é óbvio que não houve , porque senão o crescimento exponencial não teria sido tão explosivo e imediato”. “Esses casos teriam passado despercebidos dias antes, é perfeitamente possível. A verdade é que, se essa circulação existisse, ela não seria detectada pelos serviços de saúde”, admitiu.

    Simón explicou que a grande onda de infecções na Espanha ocorreu durante a última semana de fevereiro, com esses positivos sendo relatados na segunda semana de março. “Se combinarmos as informações sobre a evolução genética do vírus com as informações epidemiológicas,  sabemos que o aumento significativo da epidemia na Espanha na segunda semana de março se deve a infecções que ocorreram na última semana de fevereiro . Epidemiologicamente, está claro em períodos de incubação. Isso é consistente com o que diz o estudo “, afirmou ele.

    No entanto, para Simón, a entrada do vírus não significa que circulava livremente na Espanha. “O vírus original que saiu da China, enquanto se reproduz, tem opções para gerar modificações na prole, pois de pais para filhos pode haver pequenas variações nos genes. Isso permite identificar quando as diferentes linhagens divergem. Em meados de fevereiro, foi detectada uma divergência de alguns dos vírus que entraram na Espanha em relação aos vírus originais.  Mas o fato de o vírus que entrou na Espanha ser divergente não implica necessariamente que ele estava circulando na época “, afirmou.

    RTVE.es

  • Justiça suspende decreto municipal e proíbe acesso às praias de Balneário Camboriú

    TJ acolhe mandado de segurança impetrado pelo MPSC e suspende decreto municipal que permite a frequência das praias de Balneário Camboriu

    Com a decisão liminar, o acesso às praias de Balneário Camboriú volta a ser proibido, em consonância com os decretos estaduais que determinam as medidas de distanciamento social para evitar os riscos de contágio pela covid-19. Com isso, prevalece o entendimento de que a defesa da saúde é um direito maior e os municípios não podem adotar medidas menos restritivas do que os decretos estaduais que tratam da contenção da pandemia do novo coronavírus.

    O Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC) atendeu ao pedido do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e suspendeu, por meio de liminar, o Decreto n. 9.876/2020, do Município de Balneário Camboriú/SC, que permitia a prática de esportes individuais nas praias do município, o que contraria as medidas de distanciamento social determinadas pelos decretos estaduais emitidos para combater a pandemia de covid-19 no estado. A decisão foi proferida pela Desembargadora Denise Volpato por volta das 15 horas deste domingo (19/4).

    O MPSC ingressou com um mandado de segurança junto ao Tribunal de Justiça após decisão monocrática que manteve abertas as praias de Balneário Camboriú ao negar o recurso do MPSC contra o decreto municipal que contraria os decretos estaduais sobre o enfrentamento à covid-19.

    Decisões recentes do Supremo Tribunal Federal reconheceram que, em situações de emergência como a que vive o estado neste momento, os municípios só podem adotar medidas mais restritivas que as definidas nos decretos estaduais ou federais.

    No caso de Balneário Camboriú, o Ministério Público atacou a inconstitucionalidade do Decreto Municipal n. 9.876/2020, por contrariar diretrizes sanitárias estabelecidas pelo Estado de Santa Catarina no Decreto n. 562/2020.

    Em sua decisão, a Desembargadora argumentou que reconhece os prejuízos econômicos e sociais das medidas de distanciamento social estabelecidas para combater a covid-19, mas afirmou que, “no choque entre o direito ao lazer (e seus consectários para o turismo e atividade econômica local) e o princípio de preservação da vida e saúde dos cidadãos, imperioso reconhecer a prevalência do primeiro”.

  • Alemanha cancela Oktoberfest 2020; prejuízo será de 1 bilhão de euros

    Alemanha cancela Oktoberfest 2020; prejuízo será de 1 bilhão de euros

    Mariano Senna, de Berlim, especial para o JÁ

    Agora o bagulho ficou sério! O governador da Bavária, maior e dos mais importantes Estados da federação alemã, Markus Söder (CSU) anunciou nesta terça-feira, 21 de abril, o cancelamento da Oktoberfest 2020.

    É como se o Brasil cancelasse o carnaval. O prejuízo mínimo estimado é de um bilhão de euros, segundo Dieter Reiter (SPD), prefeito da capital Munique, sede da festa.

    “Não há como garantirmos as regras de higiene e prevenção para os visitantes de todo o mundo que vêm para Munique por causa da festa”, justificou Söder, ressaltando a extrema cautela com que as autoridades do país estão conduzindo o processo de retomada das atividades.

    “Estamos prontos para acelerar ou reduzir o ritmo do relaxamento das restrições de acordo com os resultados das medidas já tomadas”, declarou em referência ao acompanhamento da pandemia por instituições como o Robert-Koch Institut (RKI), que aconselha e ajuda no embasamento técnico da política de prevenção do governo federal.

    Mesmo com o inicio da reabertura do comércio, para grandes festividades não há perspectiva de ocorrerem de forma segura este ano. “Já estamos focados no Natal”, conforma-se Hugo Seybold, que há 30 anos produz pães de mel e doces de amêndoa queimada em Munique.

    O ministro das Relações Exteriores, Heiko Maas (SPD), também adiantou que a temporada de verão será restringida. “Não temos ideia ainda das regras para permitir a entrada de turistas ou a viagem de cidadãos alemães para outros países, mas seguramente não será uma temporada normal”, garantiu o social-democrata.

    A boa notícia é que cultos e missas estão permitidas a partir de 04 de Maio, desde que respeitadas as regras de prevenção como o limite de até 50 participantes e a distância mínima de 1,5 metro entre eles. Partidas de futebol também poderão ocorrer a partir do dia 09, mas sem público.

    E os jogadores deverão ser testados para o corona antes de cada jogo. Também continuam proibidos qualquer tipo de comemoração em grupo, no que tange os jogos. Tudo parte de um plano de segurança epidemiológico elaborado em tempo recorde pela Federação Alemã de Futebol (DFB).

    No desenrolar da infecção, pouco a pouco se torna obrigatório o uso de máscaras de proteção. Já são nove dos 16 Estados da Alemanha que adotaram a medida.

    Em paralelo se acumulam estudos que contestam até mesmo os dados do governo. Oficialmente são 148 mil casos registrados, 4.948 mortos e 95.200 pacientes curados. Cerca de 87% dos mortos pelo Corona vírus no país possuíam mais de 70 anos de idade.

    O professor Klaus Püschel, diretor do Instituto de Medicina Legal da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, examinou pessoalmente vários dos mortos pelo Covid-19 na cidade. “Alguns deles haviam na realidade falecido por ataque cardíaco, isso sem mostrar nenhum sintoma de infecção pulmonar”, denunciou ele. “Outros doentes estavam praticamente mortos, como dizemos no jargão médico, por conta de um longo histórico médico”, acrescentou.

    Em contra-ponto, o presidente da Federação Alemã de Patologia, professor Karl-Friedrich Bürrig, aponta para diversos casos documentados em diversas cidades como Dresden, Stuttgart, Leipzig que desafiam essa regra.

    “Há relatos de esportistas, na metade dos quarenta anos que surpreendentemente acabaram morrendo da infecção causada pelo Covid-19”, lembra ele.

    Detalhe importante, até agora não existe obrigatoriedade de autópsia em todos os mortos, muito menos dos diagnosticados com corona vírus. “Em todos os institutos de patologia do país o percentual de autopsias em relação ao número de mortos varia entre 1 e 4%, ou menos”, informa o professor Johannes Friemann, diretor do Instituto de Patologia de Lüdenscheid.

  • Na Espanha, prefeito é preso e afastado por violar isolamento e dirigir bêbado

    Policiais prenderam na noite de terça-feira, 21, o prefeito de Badalona (província de Barcelona, comunidade autônoma da Catalunha), ​​Alex Pastor,  por dirigir com sintomas de embriagues e furar o confinamento.

    Os policiais pediram para que ele fizesse o teste de álcool, mas ele recusou e tentou intimidar as autoridades. Segundo o jornal TOT Barcelona e fontes policiais da ARA, o pastor foi detido por agressão à autoridade e desobedecer as regras de confinamento total.

    A reação do Partido Socialista da Catalunha (PSC-PSOE) foi imediata. “Em vista dos fatos conhecidos que afetam o prefeito de Badalona, ​Alex Pastor, o PSC-PSOE o suspende da militância e pede que ele renuncie a todas as suas posições públicas”, disse o partido em uma declaração emitida esta manhã.

    O PSC suspendeu o prefeito de Badalona depois de ser preso por dirigir embriagado e violar o confinamento.