Autor: Elmar Bones

  • Indecisões na pasta da Segurança

    Mais do que os funcionários mais humildes, a modorra doa executivos da segurança pública atinge a sociedade.
    A situação dos praças da Brigada Militar que prestam serviço no Disp (De-partamento de Inteligência da Secretaria da Segurança) não é cômoda, co-mo de resto acontece com toda a área da pasta da Segurança. Eles não per-cebem FGs (remuneração por função gratificada), privilégio de poucos, nem horas-extras, apesar da carga-horária excessiva. Há cinco meses que esses profissionais não recebem etapas de alimentação e, nisso, vale um jogo de empurra entre o comando geral da Brigada Militar e a cúpula da SSP-RS (Secretaria da Segurança Pública). Isso causa um grau de insatisfa-ção do efetivo lotado naquele departamento que deságua na sociedade, pois é a partir dali que são prestados serviços como o do disque-denúncia, por exemplo. Cabe salientar que chegou a sair no Diário oficial do Estado de 30 de julho passado, a Portaria de nº 109/2008, regulamentando as etapas de alimentação, assinada por José Francisco Malmann. No entanto, a Bri-gada fez vistas grossas para a publicação ao alegar que Mallmann já era. Sigam-me.
    O pato
    Além da carência de efetivo e do arrastado apoio logístico, a segurança pública é permeada por procrastinação de decisões que influenciam na me-sa de cada servidor, protecionismo em relação a apadrinhados em desvio de função, o que tem a cobertura dos Três Poderes e até mesmo por fantasias futurísticas. Tudo isso leva a alimentar a boataria de que tudo está sendo feito, entre vários setores das organizações policiais, no sentido de encami-nhar a extinção da pasta da Segurança. No entanto, no frigir dos ovos, quem paga o pato nesse processo são os servidores mais humildes e, muito mais ainda, a sociedade.
    Ponto
    A Brigada Militar descobriu um ponto de tráfico de drogas no Jardim Aparecida, em Alvorada. Sete homens, com idades entre 19 e 30 anos, fo-ram presos. Os policiais apreenderam uma pistola, um revólver, drogas e 14 telefones celulares.
    Quadrilheiros
    Sete pessoas foram presas em operação desenvolvida pelo Deic, em Es-teio. O grupo é apontado como responsável por clonar automóveis rouba-dos, falsificar documentos e vender os veículos por meio de anúncios em classificados. Seis pessoas foram detidas no bairro Primavera e outra em Alvorada. Foram apreendidos carros e dois revólveres. Segundo o delegado Heliomar Franco, os quadrilheiros se passavam por funcionários do fórum central de Porto Alegre e da Receita Federal para vender os produtos com valor abaixo do mercado.
    Mutirão
    Um mutirão cartorário da Polícia Civil, em Porto Alegre, teve encerradas as atividades do mês de agosto. Dos 1.825 inquéritos distribuídos, 851 fo-ram concluídos. Ao todo foram indiciadas 616 pessoas Segundo o delegado Miguel Mendes Ribeiro Neto, coordenador do mutirão no mês de agosto, desde o início de junho foram remetidos à Justiça 2.719 inquéritos polici-ais.
    Lei de Trânsito
    A Acadepol (Academia de Polícia Civil) promoverá, amanhã, a partir das 14horas, no Auditório da SSP-RS, uma palestra com o jurista Damásio E-vangelista de Jesus. O tema a ser abordado é a repercussão penal da nova Lei de Trânsito. O evento resulta de uma parceria da Acadepol com a OAB/RS.
    Vales
    Quatro homens roubaram, ontem, 200 mil reais em vale transporte no hospital da Criança Conceição em Porto Alegre. É espantoso que a maioria desses vales são vendidos abertamente nas proximidades dos terminais de transporte coletivo da Capital e Região Metropolitana.
    Banco
    Quatro homens assaltaram, ontem, a agência do Banrisul no centro de Tenente Portela, na Fronteira Oeste gaúcha. O segurança do banco ficou ferido, mas está fora de perigo. Os ladrões fugiram em um Golf em direção a Miraguaí.
    Idosos
    Maria Inês de Castro Gonçalves e Vinícius Montag, escrivães de polícia lotados na DP para o Idoso, da capital, ministrarão, hoje, uma palestra para o grupo da terceira idade “Os Pioneiros”. Tendo como tema a segurança, o evento acontecerá a partir das 9h na sede do Clube Comercial Sarandi, lo-calizada na Avenida Salvador Leão, nº 277, bairro Sarandi, em Porto Ale-gre.
    Paralisação
    Os agentes da Polícia Civil do interior gaúcho paralisarão suas atividades nos dias hoje e amanhã. Neste período só serão registradas ocorrências (in-clusive flagrantes) de crimes com maior repercussão. O Sindicato dos Es-crivães, Inspetores e Investigadores de Polícia do Rio Grande do Sul apre-sentou as reivindicações ao secretário Edson de Oliveira Goularte, mas não houve, manifestação sobre o atendimento das demandas. Nos dias 1º e 2 de outubro, a paralisação será feita na capital e região metropolitana. Nos dias de protesto, serão registrados os crimes de latrocínio, homicídio, lesão cor-poral grave, estupro, atentado violento ao pudor e todas as ocorrências que tiverem menores e/ou idosos entre as vítimas.

  • A morte de um coronel de paz

    Prioridade é uma palavra que está perdendo o sentido quando aparece em discursos oficiais.
    O coronel da reserva da Brigada Militar, Celso Sousa Soares, 64 anos, mor-to a tiros, domingo último, por bandidos que tentaram assaltá-lo, era um amigo de muitos anos. Apaixonado pela cultura de nosso Rio Grande sem-pre foi estimado por seus companheiros de farda e por todas as lideranças do tradicionalismo gaúcho. Sóbrio em todos os seus gestos, Celso era um homem de paz e, talvez por isso, não tenham sido certeiros os tiros que dis-parou contra os bandidos que o atacaram.
    Leio que o secretário da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, quer prio-rizar o combate ao tráfico de drogas e assaltos para reduzir o índice de ho-micídios no Estado. Tanto quanto eu saiba, esta prioridade, no papel, existe há muito tempo. Como está só no papel, Celso, vítima de assalto, foi assas-sinado. Mas fatos semelhantes atingem a todas as categorias de cidadãos e os policiais estão submetidos ao mesmo cerco. Dentro deste diapasão penso que o vocábulo ‘prioridade’ deveria ser evitado nos discursos oficiais, pois ele está perdendo o sentido diante da falta de forças das organizações poli-ciais em combater a bandidagem. A palavra prioridade não significa ação. É preciso haja ação para que a sociedade sinta a existência da prioridade.
    Identificação
    O trabalho da Polícia Civil em torno do assassinato do coronel Celso foi ágil e bem sucedido. Os dois bandidos apontados como autores do crime foram identificados como Fabiano Luís Macedo e Emerson dos Santos. A ação dos investigadores provou, neste caso específico, a prioridade, o que não acontece quando se trata de estabelecer, pelo governo, a política da se-gurança para todos os cidadãos.
    Emergência
    Desde a noite de domingo, até ontem, em Viamão, houve oito assassina-tos e sete pessoas resultaram feridas e passa a liderar o rankig das cidades mais violentas do estado, posição que durante muito tempo foi ocupada por Alvorada. A série de homicídios teve como episódio de maior gravidade a chacina ocorrida no bairro Minuano, onde, domingo, três jovens foram e-xecutados a tiros num ponto de venda de drogas. Este quadro está motivan-do uma série de reuniões nas cúpulas da Brigada Militar e da Polícia Civil, as quais deverão resultar em providencias emergenciais, o que estará longe se significar uma solução.
    Assassinato
    Um homem foi encontrado morto, ontem, no bairro Navegantes, em Es-teio. Segundo a policia civil, o corpo, com marcas de tiros, foi localizado dentro de um valão na rua Beira Rio. A vitima foi identificada como Luiz Ricardo Gomes de Souza, 23 anos.
    Droga
    Agentes da DP de Vacaria prenderam uma quadrilha que realizava tráfico de crack e maconha naquele município. O grupo era formado por um ho-mem com 31 anos de idade e três mulheres com 41, 23 e 24 anos. Eles agi-am em vários bairros.
    Motoqueiros
    Quatro homens assaltaram o hipermercado BIG de Cachoeirinha, por vol-ta das 9h15min de ontem. Segundo a Brigada Militar o grupo invadiu a lotérica localizada dentro do hipermercado e levou R$ 20 mil. Em seguida, roubou mais R$ 1 mil de um dos caixas do mercado. De acordo com os policiais, a ação foi rápida e não deixou nenhum ferido. Nenhum tiro foi disparado. Os bandidos fugiram em duas motos.
    DNA
    A perita químico-toxicologista do IGP (Instituto-Geral de Perícias), So-lange Pereira Schwengber, fez a defesa pública de sua dissertação de mes-trado, na última quinta-feira, na Faculdade de Biociências, da PUCRS. Com o trabalho acadêmico, intitulado “Utilização de marcadores de cro-mossomo ‘Y’ como ferramenta visando a elucidação de casos de crimes sexuais na genética forense”, a autora teve o objetivo de contribuir para a formação de um banco de dados de DNA da população do Rio Grande do Sul.
    Susepe
    O atual chefe do gabinete da SSP-RS (Secretaria da Segurança Pública), coronel Paulo Renato Biachi, que foi homem da máxima confiança de José Francisco Mallmann, está cotado para assumir a Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários). A indicação de Biachi, se acontecer, deverá provocar inconformismo entre os servidores da Susepe, que preferem um profissional de carreira naquele posto.

  • Uma bandeira no bairro Bom Jesus

    Nada contra as bandeiras, desde que elas estivessem hasteadas em todo o estado.
    A beleza e a feiúra, a tragédia e a comicidade, a perfeição e o aleijume, o real e o virtual, o olor e o fedor, a corrupção e a honestidade, a justiça e a injustiça, a mentira e a verdade são concepções, entre outras, que nos levam à incerteza que é a exata certeza de todos os tempos: o homem (como gêne-ro) é um animal perfeito por ter todos os instintos dos animais imperfeitos. Há uma certa inconformidade por quem passa por uma vizinha belíssima, inteligente e culta, que ama um pedreiro rude, de mãos calosas e suadas, sem saber que ele concretiza as obras de engenheiros e arquitetos, diplo-mados e de mãos lisas e perfumadas. Todos têm o seu valor, mas a inter-pretação disso sempre será contraditória e nenhuma poderá alcançar o que os pedreiros livres chamam de justo e perfeito. No fundo, bem no fundo, todos desejam que o príncipe seja belo e que case com uma divinal prince-sa. E o que tem isso a ver com a aridez dos temas que desenvolvo aqui, do alto da minha torre? Sigam-me.
    Dúvida
    A Brigada Militar montou uma barraca no bairro Bom Jesus e lá hasteou a gloriosa bandeira do Rio Grande o que, virtualmente, passa a significar a vitória da policia ostensiva contra os traficantes de drogas que ali se estabe-leceram. A Brigada faz o papel de príncipe e a comunidade do bairro Bom Jesus é a princesa. E viverão felizes para todo o sempre? É claro que não, pois a Brigada não poderá sustentar este casamento. No entanto, por algum tempo, haverá, ali, no mínimo, a dúvida sobre a intensidade de poder do olor (da Brigada) e o do fedor (dos traficantes).
    Pulverização
    O projeto do governo (entendo como governo os três poderes e de lambu-ja o Ministério Público) na área de inteligência e operacional da segurança pública deveria dar condições para a SSP-RS (Secretaria da Segurança Pú-blica) de colocar não apenas uma barraca enbandeirada no bairro Bom Je-sus, mas, sim, pulverizar todo estado com um complexo de segurança que fugisse da filosofia do príncipe encantado que estará, sempre, entre o olor e o fedor.
    Fuga
    Três presos fugiram da delegacia de pronto atendimento de Gravataí. A fuga foi constatada na manhã de ontem. O trio havia sido detido em Cacho-eirinha entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. Dois foram presos em flagrante por roubo a pedestre e o outro estava foragido. Não pode haver espanto nesta fuga, pois, no RS as delegacias não têm nenhuma estrutura para manter vigilância sobre pessoas detidas.
    Baleado
    Um homem foi encontrado baleado dentro de uma casa de veraneio, na rua Espanha, em Capão da Canoa. Segundo a polícia, Pedro Cristiano Pires, de Almeida, invadiu a casa depois de ter sido ferido na barriga.
    Prisões
    Agentes da Polícia Civil prenderam dois homens acusados de envolvi-mento na tentativa de assalto à agência do Banrisul da rua José do Patrocí-nio, no bairro Cidade Baixa. Noé dos Santos Dias, de 41 anos, foi captura-do ontem e Paulo Dalbosco da Silva, de 20 anos, está preso desde terça fei-ra.
    Detran
    Uma quadrilha pode ter retirado dezenas de veículos dos depósitos do Detran na Região Metropolitana. A suspeita é da Polícia Civil de Eldorado do Sul. Segundo a delegada Tatiana Bastos o grupo utilizava procurações e documentos de automóveis falsos para ter acesso aos carros. Nessa quinta-feira um integrante foi detido quando tentava retirar irregularmente o veí-culo Golf de um depósito no município.
    Tráfico
    Um empresário de 28 anos foi preso, ontem, em sua residência, no bairro Jardim Lindóia, na capital, com 200 micropontos de LSD escondidos na palmilha do tênis. Ele foi detido pela segunda vez por tráfico de entorpecentes. O delegado Daniel Ordai monitorava o traficante a cerca de um mês.
    Reproduzido com autorização do Jornal O Sul*

  • Brigada e Polícia Civil em rota de colisão

    Há uma angustiante indefinição sobre quem manda e quem lidera a segurança pública gaúcha.
    Desde que iniciou o governo de Yeda Crusius estou envolvido, aqui na mi-nha torre, com, pelo menos, duas dúvidas que, com certeza, não estão no rol dos questionamentos da governadora, pois no seu discurso o tema nunca aflora em contradição com o que agita as discussões em todos os segmen-tos da sociedade. Minhas perguntas são simples e, evidentemente, não es-pero por nenhuma resposta, pois, nesse campo, a governo não responde na-da. Quem manda e quem lidera a segurança pública no RS?
    Entendo que quem manda nem sempre é o líder e vice-versa. Por vezes penso que quem manda é o secretário da Segurança, Edson de Oliveira Goularte, mas ele não se apresenta como líder. De outra banda, o coman-dante-geral da Brigada Militar, coronel Paulo Roberto Mendes, desponta como líder, mas não se sabe se ele, realmente, manda. Num plano burocra-ticamente paralelo a Mendes, está o chefe da Polícia Civil, delegado Pedro Rodrigues, que, invisível, não aparece nem como quem manda nem como quem lidera.
    Dentro desta moldura, o que poderia ser rolado até o final do governo para tudo ser recomeçado por Yeda, por falta de liderança plena ou pela indeci-são de quem é indicado e pago pelo erário para decidir, mais do que provo-car uma semi-paralização está fazendo com que Brigada e a Polícia Civil entrem em rota de colisão. Rusgas entre os dois braços mestres da seguran-ça estão se agravando e, amanhã, o coronel Mendes deverá, oficialmente, questionar o delegado Pedro sobre a exposição midiática, através de uma delegada de polícia, de um capitão da Brigada que estaria envolvido com um empresário das máquinas caça-níqueis. Mendes não sairá em defesa do capitão, mas protestará contra o que ele entende como uma gratuita agres-são contra a Brigada Militar a partir de um caso que está em investigação não conclusa. Sigam-me.
    Perplexidade
    Setembro deverá iniciar com um processo de retaliação entre a Brigada Militar e a Polícia Civil sob o pálio de filó do Piratini que, encaminhando-se para o final da primeira metade do governo, ainda não conseguiu definir a sua política de segurança pública. Há uma legião com saudade de Ênio Bacci, primeiro titular da Segurança do governo Yeda, há gente chorando a queda de José Francisco Mallmann, que cheio de fé sucedeu Bacci, e uma sociedade inteira perplexa diante da invisibilidade de Edson de Oliveira Goularte, substituto de Mallmann. Enfim, estamos perto de nos acostumar com o novo jeito de governar.
    Maradona
    Durante uma ação policial, em Pelotas, foi morto, ontem, o jovem Diego Maradona Vasconcelos Rodrigues, 22 anos, que foi baleado por policiais civis num ponto de drogas do bairro Simões Lopes.
    Casais
    Um tema sempre atual e que interessa a um universo imenso de pessoas: “A sucessão dos cônjuges e companheiros. Questões polêmicas.” O tema será aborddo na próxima terça-feira, das 12h às 13h30min por Mônica Guazzelli no Iargs (Instituto dos Advogados do RS). A palestra, com entra-da franca, ocorrerá na sede da entidade, na travessa Acelino de Carvalho, 21, centro da Capital.
    Tristeza
    Hoje, às 9h, será sepultado, no Jardim da Paz, Isaac Varriento, radialista competente, indiático, sorridente, grandalhão e amigo que, durante mais de duas décadas operava na parte técnica de transmissões que consagraram gente que, certamente, estará lhe prestando hoje homenagens que, em vida, ele nunca recebeu. Na sexta-feira, foi sepultado o jornalista Luiz Osório, o Barão, dono e editor do jornal Kronika. Amigo de muitas décadas, marco da história do jornalismo gaúcho.

  • Uma bandeira no bairro Bom Jesus

    Nada contra as bandeiras, desde que elas estivessem hasteadas em todo o estado.
    A beleza e a feiúra, a tragédia e a comicidade, a perfeição e o aleijume, o real e o virtual, o olor e o fedor, a corrupção e a honestidade, a justiça e a injustiça, a mentira e a verdade são concepções, entre outras, que nos levam à incerteza que é a exata certeza de todos os tempos: o homem (como gêne-ro) é um animal perfeito por ter todos os instintos dos animais imperfeitos.
    Há uma certa inconformidade por quem passa por uma vizinha belíssima, inteligente e culta, que ama um pedreiro rude, de mãos calosas e suadas, sem saber que ele concretiza as obras de engenheiros e arquitetos, diplo-mados e de mãos lisas e perfumadas.
    Todos têm o seu valor, mas a inter-pretação disso sempre será contraditória e nenhuma poderá alcançar o que os pedreiros livres chamam de justo e perfeito. No fundo, bem no fundo, todos desejam que o príncipe seja belo e que case com uma divinal prince-sa. E o que tem isso a ver com a aridez dos temas que desenvolvo aqui, do alto da minha torre? Sigam-me.
    Dúvida
    A Brigada Militar montou uma barraca no bairro Bom Jesus e lá hasteou a gloriosa bandeira do Rio Grande o que, virtualmente, passa a significar a vitória da policia ostensiva contra os traficantes de drogas que ali se estabe-leceram. A Brigada faz o papel de príncipe e a comunidade do bairro Bom Jesus é a princesa. E viverão felizes para todo o sempre? É claro que não, pois a Brigada não poderá sustentar este casamento. No entanto, por algum tempo, haverá, ali, no mínimo, a dúvida sobre a intensidade de poder do olor (da Brigada) e o do fedor (dos traficantes).
    Pulverização
    O projeto do governo (entendo como governo os três poderes e de lambu-ja o Ministério Público) na área de inteligência e operacional da segurança pública deveria dar condições para a SSP-RS (Secretaria da Segurança Pú-blica) de colocar não apenas uma barraca enbandeirada no bairro Bom Je-sus, mas, sim, pulverizar todo estado com um complexo de segurança que fugisse da filosofia do príncipe encantado que estará, sempre, entre o olor e o fedor.
    Fuga
    Três presos fugiram da delegacia de pronto atendimento de Gravataí. A fuga foi constatada na manhã de ontem. O trio havia sido detido em Cacho-eirinha entre a noite de quarta-feira e a madrugada de ontem. Dois foram presos em flagrante por roubo a pedestre e o outro estava foragido. Não pode haver espanto nesta fuga, pois, no RS as delegacias não têm nenhuma estrutura para manter vigilância sobre pessoas detidas.
    Baleado
    Um homem foi encontrado baleado dentro de uma casa de veraneio, na rua Espanha, em Capão da Canoa. Segundo a polícia, Pedro Cristiano Pires, de Almeida, invadiu a casa depois de ter sido ferido na barriga.
    Prisões
    Agentes da Polícia Civil prenderam dois homens acusados de envolvi-mento na tentativa de assalto à agência do Banrisul da rua José do Patrocí-nio, no bairro Cidade Baixa. Noé dos Santos Dias, de 41 anos, foi captura-do ontem e Paulo Dalbosco da Silva, de 20 anos, está preso desde terça fei-ra.
    Detran
    Uma quadrilha pode ter retirado dezenas de veículos dos depósitos do Detran na Região Metropolitana. A suspeita é da Polícia Civil de Eldorado do Sul. Segundo a delegada Tatiana Bastos o grupo utilizava procurações e documentos de automóveis falsos para ter acesso aos carros. Nessa quinta-feira um integrante foi detido quando tentava retirar irregularmente o veí-culo Golf de um depósito no município.
    Tráfico
    Um empresário de 28 anos foi preso, ontem, em sua residência, no bairro Jardim Lindóia, na capital, com 200 micropontos de LSD escondidos na palmilha do tênis. Ele foi detido pela segunda vez por tráfico de entorpecentes. O delegado Daniel Ordai monitorava o traficante a cerca de um mês.

  • O equilíbrio está à vista? (2)

    Elmar Bones
    Fico com pé atrás com essa história de zerar de um ano para o outro um déficit crônico de 30 anos por muitas razões. A primeira delas são os antecedentes. Em 1987, fiz uma reportagem sobre a façanha anunciada pelo governo Pedro Simon. Foi matéria de capa da revista IstoÉ. Em um ano e meio de austeridade, Simon havia alcançado o equilíbrio entre despesa e receita. Era um caso exemplar num Brasil em que quase todos os governos estavam endividados e deficitários
    Aquele equilíbrio havia custado um sacrifício enorme à sociedade gaúcha. O estado suportara 93 dias de greve do magistério, o arrocho nas despesas praticamente paralisava os serviços públicos…”Leve o Rio Grande no peito”, conclamava Simon.
    Simon deixou o cargo um ano antes para ser candidato ao Senado, assumiu o vice, Sinval Guazzelli…O fato é que ao final do seu mandato, o rombo não só permanecia, como estava um pouco maior. Não foi a primeira nem a última vez anunciou o fim do déficit.(segue)

  • Reflexão absurda sobre segurança pública

    É preciso crer que daqui a dez anos tudo vai ser muito diferente.
    Na hipótese absurda – e o absurdo também existe – de que os policiais passassem a desenvolver, cada um, o dobro das ações que hoje desenvolvem, com otimismo, no período máximo de 15 dias, a segurança pública nas principais cidades do RS, a partir da Capital e da Região Metropolitana, entraria numa crise extremamente mais grave do que a que existe agora. A estafa atingiria aos efetivos da Brigada Militar e da Polícia Civil, as viatu-ras, já quebradas, ficariam imobilizadas, o sistema de comunicação, hoje sucateado, seria desativado, a ação dos agentes penitenciários nas casas pri-sionais entraria num campo beirando ao pânico, os peritos do IGP sofreri-am um sufoco sem saída.
    A segurança gaúcha está, a cada dia, com mais intensidade, operando por amostragem. E dentro deste equadro de carência de efetivo e de amparo lo-gístico, é notável como o governo tem se mostrado incompetente, inclusive, de descobrir como mobilizar e onde colocar as principais lideranças das corporações, além de conservar uma política protecionista no entorno dos profissionais em desvio de função.
    Não se vê policiamento nas ruas, nem a cavalo, nem com motos, nem com viaturas. Um dia, um major da Brigada, vítima de assalto, mata um bandi-do, outro dia é uma empresária que se encarrega de eliminar um assaltante, a seguir, um assaltante mata um segurança, isso para citar os casos mais marcantes ocorridos num pequeno espaço de tempo somente em Porto Ale-gre. A política da segurança está invisível e chego a crer que continua em vigor o discurso de que daqui a dez anos tudo será diferente.
    Tráfico
    No final da noite de quarta-feira, a Brigada Militar prendeu três homens por tráfico de tráfico de drogas e porte ilegal de arma em Caxias do Sul. O trio estava em uma casa no bairro Vila Ipê. Foram apre-endidas 15 pedras de crack, dois revólveres, munição, R$ 1,6 mil em di-nheiro e um rádio comunicador que estava na freqüência da polícia. Na casa também havia uma câmera de vigilância para monitoramento da área externa. Em Porto Alegre, na Vila Bom Jesus, a Brigada apreendeu 50k de maconha.
    Estudante
    O estudante universitário Everson Reinaldo, 31 anos, foi baleado, na noi-te de quarta-feira, quando saia do campus da Feevale, em Novo Hamburgo. A vítima levou um tiro no pescoço ao reagir contra o ataque de dois bandi-dos que fugiram. Everson estava numa moto, que não foi levada pelos as-saltantes.
    Perito
    Selecionado entre 492 trabalhos inscritos no edital nacional da RPS (Re-de Brasileira de Policiais e Sociedade Civil), o estudo sobre “identificação veicular”, do perito-criminalístico do IGP (Instituto-Geral de Perícias), Cleber Muller, será apresentado no Workshop “Liderança para o Desen-volvimento Institucional Policial: práticas e saberes policiais”. O evento será realizado de 17 a 19 de setembro no Rio de Janeiro. Muller é enge-nheiro químico e coordenador de Informática do DML (Departamento Mé-dico-Legal) órgão do IGP.
    Presídio
    O titular da SSP-RS (Secretaria da Segurança Pública), Edson de Oliveira Goularte, na tarde de ontem, esteve reunido com uma comitiva de São José do Norte, município localizado na região sul do Estado e distante 318 Km de Porto Alegre. Na ocasião, o prefeito José Vicente de Farias Ferrari afir-mou que é favorável à instalação de uma casa prisional naquela cidade. O prefeito Ferrari garantiu que há um cidadão interessado na doação de um terreno para a construção de casa prisional e a Prefeitura será parceira no que for necessário para a obra.
    Agressão
    Quarta-feira última, às 10h50min, um agente da polícia civil dirigindo uma viatura da instituição, com as cores oficiais (preta e branca), de prefixo 1248, subindo a Borges de Medeiros entrou à direita na rua Riachuelo, conversão que é proibida, e, em seguida, estacionou no ponto de parada de lotações. O policial, que estava sozinho, desceu, chaveou a porta da viatura e, tranquilamente, entrou na Galeria São Marcos. Este tipo de comporta-mento é uma agressão à cidadania.

  • Plano Diretor ganha eleição?

    As propagandas da Justiça Eleitoral sobre a relevância do voto parecem ter sido feitas sob medida para os eleitores de Porto Alegre.
    “Não desperdice seu voto, ele é muito importante” é um recado preciso para os moradores da Capital gaúcha que querem melhor representação na Câmara Municipal, que a cada legislatura recebe mais vereadores sem qualificação.
    Como a grande mídia está distante da Casa e poucos eleitores acompanham a atuação dos vereadores, as sessões parlamentares ainda são dominadas por homenagens e nomes de rua, embora desde 2006 exista uma restrição a essas ações.
    Exemplo é a revisão do Plano Diretor de Porto Alegre, matéria de suma importância para o desenvolvimento sustentável da cidade, incompreendido pelos vereadores e ainda mais pela imprensa, que se limita a repetir declarações e justificativas para o atraso.
    Ainda assim é um avanço, já que há seis anos os jornalões sequer mobilizavam um repórter para acompanhar o assunto. O assunto era totalmente desconhecido e ficava fácil manipular resultados.
    A insistência dos movimentos comunitários transformou o assunto em pauta eleitoral, inclusive. Nos debates, Luciana Genro chamou o Sinduscon de máfia.
    O debate dessa vez inclui propostas até nos programas de governo. Os candidatos deixam claro que querem enfrentar o interminável confronto entre preservação e desenvolvimento. Resta saber se não será mais uma promessa de campanha esquecida após a posse.

  • O equilíbrio está à vista? (1)

    Elmar Bones
    Aos poucos vai-se plantando nos corações e mentes a idéia de que estamos próximos do equilíbrio nas contas do Estado, que será alcançado já no ano que vem.
    Rosane de Oliveira, que pauta o noticiário político do Estado, chegou a dar duas notas no mesmo dia dizendo que o equilíbrio está a vista, em 2009.
    Não quero duvidar da seriedade do secretário Aod, nem dos propósitos da governadora Yeda Crusius. Acho que o governante tem que ser otimista em suas metas e enfático em seu discurso.
    Ao jornalista, no entanto, concerne questionar. No caso, não encontro informações que permitam convicção quanto a consistência dessa melhora ocorrida nas finanças estaduais, pelo menos não a ponto de dar como favas contadas o equilíbrio em 2009.(segue)

  • Uma soma de erros que teve resultado certo

    Diante dos bandidos, apenas os tiros de quem não sabia atirar foram certeiros.
    As mulheres do gênero frágil assim como os policiais de pontaria indefini-da e os cidadãos e cidadãs de uma maneira geral, creio eu, ainda analisam e debatem o caso ocorrido terça-feira, em Porto Alegre, em que a mulher de um coronel da reserva da Brigada Militar baleou, com o trezoitão do seu marido, dois assaltantes, um dos quais morreu sem ter – ela – nunca, antes, ter dado um só tiro. Mais do que isso, a autora dos disparos recebera apenas algumas noções de como usar o artefato. Ela, praticamente, nada sabia de armas e dirigia uma empresa cuja mercadoria era dinheiro. A jovem senho-ra fez, no episódio, tudo errado e tudo deu certo. Deveria ter agentes de se-gurança em sua empresa e não tinha; não deveria reagir diante de um assal-to e reagiu; não sabia usar uma arma e usou. Também agiu errado o coronel Ilson Pinto de Oliveira por ter deixado um revólver, plenamente municiado, talvez até engatilhado, à disposição de uma pessoa – no caso, a sua mulher – sem adestramento mínimo na arte do tiro ao alvo fixo, muito menos no móvel. Errou Ilson, errou sua mulher. Mas a mulher acertou os tiros. Na soma dos erros o resultado foi enigmaticamente certo, mas não é um exem-plo a ser seguido, mesmo que os mais fervorosos rezadores repitam até o fim dos tempos que Deus escreve por linhas tortas.
    Assassinatos
    Duas pessoas foram assassinadas em Alvorada. No inicio da manhã de ontem, a policia encontrou o corpo de homem não identificado que levou um tiro nas costas no Jardim Americana. Durante a madrugada Fábio Mar-celo foi morto a tiros no Jardim Aparecida.
    Drogas
    Agentes do Denarc prenderam, na tarde de ontem, um homem de 44 a-nos de idade portando meio quilo de cocaína. A prisão ocorreu na Vila Hí-pica, Zona Sul da Capital, onde os policiais também foi apreendida uma pistola Taurus, um quilo de maconha, 200 gramas de cocaína, três bolas de haxixe e 123 gramas de crack. Segundo o delegado Cleomar Marangoni, as investigações foram realizadas durante três meses. O traficante preso dis-tribuía drogas para os bairros Restinga, Campo da Tuca e Região Metropo-litana.
    Modernização
    A aquisição de viaturas, coletes, armamentos e equipamentos para a Bri-gada Militar, foi anunciada terça-feira pela governadora Yeda Crusius. En-tre os itens anunciados está a compra de 92 viaturas leves que serão pulve-rizados nos municípios do RS. Há sete anos, cerca de 70 viaturas eram usa-das somente em Porto Alegre, que hoje conta, em números redondos, com 40 e, muitas, em condições de meia-boca.
    Sanduíche
    Segundo a Ajorsul (Associação do Comércio de Jóias, Relógios e Óptica do RS), de janeiro até agosto deste ano, foram registradas 11 ocorrências de assalto a joalherias e ópticas em Porto Alegre. Dirigentes da entidade foram recebidos, ontem, pelo titular da SSP-RS (Secretaria da Segurança Públi-ca), Edson de Oliveira Goularte, que prometeu providencias. Nesse campo da criminalidade, é simplesmente espantosa a atividade de receptadores de peças de ouro que, com máxima tranqüilidade, contratam homens e mulhe-res-sanduíches para o marketing de suas atividades.
    Cidadão seguro
    A governadora Yeda Crusius assinou, terça-feira, no Palácio Piratini, jun-tamente com o titular da SSP-RS, Edson de Oliveira Goularte, uma série de medidas para a segurança pública do Estado em uma reunião de avaliação e acompanhamento da execução orçamentária de 2008 e de preparação do orçamento para 2009. Como sempre, o discurso e o que está nos diagramas e textos dos projetos assinados tudo se aproxima do justo e do perfeito. No entanto, na vida real, não há brigadianos nas ruas nem policiais civis nas delegacias. Mas o “Projeto Cidadão Seguro” está de pé e integra os 12 Pro-gramas Estruturantes lançados pelo governo em maio deste ano e definidos em três eixos (Desenvolvimento Social, Desenvolvimento Econômico Sus-tentável e Finanças e Gestão Pública).
    Meditação
    A Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários) entregou, on-tem, ao secretário de segurança Édson de Oliveira Goularte o pedido de afastamento do diretor do presídio de Passo Fundo e do delegado peniten-ciário regional. Valdemar dos Santos Gomes e Celso Rodrigues dos Santos teriam presenciado confronto entre agentes e presos. A solicitação foi feita pela corregedoria da Susepe depois que 21 apenados foram espancados na semana passada dentro da cadeia. Segundo o contestado superintendente interino do órgão, Bruno Trindade, a medida é preventiva porque a sindi-cância não foi concluída. Este é mais um detalhe da crise no sistema peni-tenciário gaúcho que está diante do olhar meditativo do secretário Goularte.