Categoria: Cultura-MATÉRIA

  • Integrando  a Feira do Livro, Clarice Lispector na pintura de Graça Craidy

    Integrando a Feira do Livro, Clarice Lispector na pintura de Graça Craidy

     

    Este ano Clarice Lispector não estará apenas nas bancas da Feira do Livro de Porto Alegre com seus muitos títulos de sucesso. A 68ª edição do evento livreiro também homenageia a escritora com uma exposição no Espaço Cultural Correios, contíguo à Praça da Alfândega. Clarices apresenta 33 retratos da escritora pintados pela artista visual Graça Craidy. A mostra será aberta no sábado (29/10), às 10h, e permanecerá em cartaz até 17 de dezembro.

    Clarice com filho. Obra de Graça Craidy/ Divulgação

    No dia 6 de novembro, às 18h30, o ator e diretor teatral Zé Adão Barbosa dramatizará trechos de livros de Clarice Lispector em um “Sarau Andante” dentro da exposição. No dia 17, também às 18h30 e no mesmo espaço, as especialistas na obra da autora Cíntia Moscovich, Jane Tutikian e Catia Simon comentarão sobre os “mistérios” de Clarice.

     

    Clarice na Suiça-. Obra de Graça Craidy/ Divulgação

    Os retratos em acrílica, aquarela e pastel oleoso, na maioria de 100 x 70 cm,  mostram a jornalista, a escritora, a mulher de diplomata, a mãe de dois meninos, a tutora do cão Ulisses, a refugiada judia ucraniana, a conselheira sentimental, a tutora do cão Ulisses, entre outras Clarices.

    Ela nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, veio bebê para o Brasil com os pais que fugiam da perseguição aos judeus, morou com a família no Nordeste, em Maceió e Recife, e a maior parte da vida no Rio de Janeiro. Viveu também na Europa e nos Estados Unidos. Morreu em 9 de dezembro de 1977, aos 57 anos.

    Clarice e a maquina de escrever. Obra de Graça Craidy/ Divulgação

    A artista visual, que produziu a série de retratos a partir de 2021, declara-se apaixonada por literatura em geral e por Clarice Lispector em particular. “Criei essa coleção clariceana para compartilhar com os leitores da escritora suas muitas facetas, além de estimular novos leitores a se aproximarem de sua escrita, considerada por alguns hermética, por outros reveladora de epifanias” diz Graça Craidy.

    SERVIÇO:

    O quê: Exposição Clarices, de Graça Craidy

    Quando: Abertura: 29 de outubro de 2022, às 10h.

    Onde: Espaço Cultural Correios, Rua 7 de Setembro, 1020 (entrada pela Av. Sepúlveda), Centro Histórico Porto Alegre

    Visitação: Até 17 de dezembro, de terça a domingo, das 9 às 18h

    Entrada franca

    Currículo da artista

    Graça Craidy (1951, Ijuí/RS) é artista visual e artivista pelo fim da violência contra a mulher; graduada e mestre em Comunicação (PUCRS), foi publicitária em Porto Alegre e São Paulo, professora de Processo Criativo na ESPM-Sul. Começou nas artes visuais em 1987, no curso de desenho de Dalton de Luca, em São Paulo, e em 2011 ingressou no Atelier Livre da Prefeitura de Porto Alegre, onde desenvolveu sua carreira. Possui obras no acervo do MACRS. Já realizou mais de 20 individuais, inclusive na Itália, e participou de mais de 40 coletivas, inclusive no México. Atualmente integra a exposição coletiva feminista Fora das Sombras, no Museu Oscar Niemeyer, em Curitiba, considerado o maior museu da America Latina.

  • “No ano da peste “:  exposição mostra a fotografia como arte de resistência

    “No ano da peste “: exposição mostra a fotografia como arte de resistência

     

    Higino Barros

    A pandemia da Covid 19, que causou 650 mil mortes no Brasil, é um acontecimento a ser estudado e refletido no País, em todos os níveis e todas as escalas. O registro sobre o que aconteceu é farto, largo e profundo. A medida que o tempo passa há a percepção que um dia os anos de 2020 a 2022 serão contados em toda suas dimensões.

    Uma área em que as pessoas se refugiaram, se recolheram e resistiram foi no campo das artes em geral.
    No caso das artes visuais, profissionais, amadores, amantes e praticante comuns, se envolveram em trabalhos que volta e meia surpreende pela força, originalidade e criatividade na execução.
    Um destes trabalhos foi o executado pelas irmãs Lise Lampert e Dora Lampert, moradoras em Novo Hamburgo, que estão expondo atualmente no Espaço Cultural Antiga Matriz, em Dois Irmãos. No trabalho elas reproduziram, com fotografias, obras consagradas e conhecidas universalmente da arte pictórica. A mostra abriu dia 23 de outubro, e fica no local até  à 27 de novembro de 2022
    A abertura ocorreu no Espaço Cultural Antiga Matriz às 17 horas com apresentação da Caxias Ensemble Orquestra.
    Momento de autógrafos dos livros RUIDO SILENCIO – poesias de Dora Lampert e POETICOIA poética brasileira com seis autores participantes.

    Sobre o projeto as irmãs escreveram:

    “Nosso objetivo foi manter o isolamento social de forma produtiva, fugindo do terror daqueles dias sombrios. Todos os objetos, figurinos, adereços e cenários, estavam ao alcance de nossos domínios domésticos. A cozinha foi nosso estúdio, o jardim, os campos.

    A iluminação, um abre e fecha da cortina. O paninho impregnado de álcool 70 virou babado barroco; os lençóis, vestidos épicos; as saias se transformaram em blusas bufantes e vice-versa. Tudo fotografado e editado num aparelho celular apenas com intuito de publicações nas nossas redes sociais.

    O isolamento antes de tolher nossos intentos, animou nossa criatividade, trazendo conhecimento sobre os artistas e suas obras. Eles estiveram conosco, nos ensinaram, nos fizeram rir, sonhar e chorar. Com eles sobrevivemos a nós mesmas no ano da peste.”
    Lise e Dora Lampert.
    QUEM SÃO
    Lise Lampert
    Fotógrafa amadora, atua como técnica de enfermagem. Trabalha num grande hospital público da região metropolitana, foi afastada do cargo por seu médico traumatologista desde antes do início da pandemia, o que  favoreceu o isolamento.
    Pesquisou, estudou, produziu e fotografou todas as interpretações.
    Dora Lampert
    Amante das Artes – música, teatro, cinema, plásticas e literatura. Pesquisou, estudou, produziu e interpretou todas as obras apresentadas.
    Fez estreia na poesia com RUÍDO SILÊNCIO e na Antologia POETICOIA pela OIA editora em 2022.

    SERVIÇO:
    Exposição fotográfica do projeto no confinamento
    QUANDO   – De 23 de outubro, domingo,  à 27 de novembro de 2022
    ONDE   – Espaço Cultural Antiga Matriz, Avenida São Miguel, 473 Centro – Dois Irmãos.

    HORÁRIO PARA VISITAÇÃO DO ESPAÇO CULTURAL ANTIGA MATRIZ, SEMPRE AOS SÁBADOS E DOMINGOS ENTRE 13H E 17H, SALVO PROGRAMAÇÕES ESPECIAIS. OU AGENDAMENTO PELO TELEFONE (51)995601968.

    VISITAS GUIADAS PARA GRUPOS ESCOLARES .
  • Alemão que mudou a cara de Porto Alegre ganha exposição de projetos e desenhos

    Alemão que mudou a cara de Porto Alegre ganha exposição de projetos e desenhos

    Theo Wiederspahn, arquiteto alemão que, se pode dizer, redesenhou a paisagem do centro de Porto Alegre, é tema de uma exposição inédita na Pinacoteca Aldo Locatelli, no prédio da prefeitura antiga (Praça Mondevidéo, 10).

    A obra de Wiedersphan é visível em pontos históricos do centro de Porto Alegre: no prédio do  Margs, no Edifício Ely, na Casa de Cultura Mario Quintana e em muitos outros edifícios conhecidos .

    Além dos 250 anos de Porto Alegre, a exposição marca também os 70 anos da morte do arquiteto e estará aberta até o dia 20 de janeiro de 2023, com desenhos originais de projetos do artista.
    A mostra, com curadoria da professora alemã Vera Grieneisen, resulta de uma parceria entre o Consulado Geral da Alemanha, Instituto Goethe e a Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

    A visitação é gratuita, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h30min às 17h. É possível solicitar visitas guiadas, para grupos de até 20 pessoas, pelo e-mail acervo@portoalegre.rs.gov.br ou pelo telefone (51) 3289-3643.
    Nascido em 1878, na Alemanha,  Wiederspahn chegou a Porto Alegre em 1908, num momento de efervescencia política e crescimento econômico, com a forte presença de empresas alemãs.

    “Sua chegada coincidiu com uma mudança nas paisagens da Capital, que abandonava os ares açorianos originais em favor de uma arquitetura mais eclética, em sintonia com os grandes centros europeus”.

    Em associação com o construtor Rudolph Ahrons, com quem trabalhou em seus primeiros anos na cidade, Theo Wiederspahn logo assumiu muitos dos projetos mais importantes daqueles tempos.

    Exímio desenhista, Theo elaborava cada detalhe de suas realizações: na Cervejaria Bopp, prédio que hoje abriga o Shopping Total, ele esquematizou pessoalmente os elementos escultóricos da fachada, incluindo o elefante que deixou a estrutura famosa.

    “Ele fazia todos os cálculos, desenhava cada viga de cada prédio, até a última calha, até a florzinha da decoração ao lado da janela. Tudo pensando e calculado várias vezes até chegar ao melhor resultado.”

    A carreira de Wiederspahn foi afetada pelas duas Guerras Mundiais, que geraram hostilidade e restrições à sua origem alemã, e o realizador enfrentou dificuldades de registro junto aos órgãos oficiais de arquitetura e urbanismo de então – circunstâncias que reduziram muito sua produção em Porto Alegre e o levaram a realizar obras no interior do Estado. Chegou a se afastar da arquitetura em mais de uma ocasião, dedicando-se a criar abelhas em seu sítio na Ponta Grossa, no Extremo Sul da Capital. Depois de décadas de quase esquecimento, a obra de Wiederspahn (vista por especialistas como de qualidade diferenciada, mesmo em comparação com o que se fazia na Europa de então) vem sendo redescoberta e recebendo valorização crescente – processo que a exposição no Paço Municipal certamente ajuda a consolidar.

    (Com informações do Jornal do Comércio)

  • A Bela e a Fera – Show Musical em única apresentação, no Centro Cultural 25 de Julho

    A Bela e a Fera – Show Musical em única apresentação, no Centro Cultural 25 de Julho

     

    Neste sábado (22), às 16h, o Centro Cultural 25 de Julho apresenta A Bela e a Fera – Show Musical. O clássico inspirado na obra de Madame Jeanne-Marie LePrincede Beaumont, conta a história de Bela, que tem o pai capturado pela Fera, e decide se oferecer ao estranho ser em troca de sua liberdade. No castelo, ela descobre que a Fera é, na verdade, um príncipe, que precisa de amor para voltar à forma humana.

    A ideia é que as crianças percebam que, de forma simples, todos podem contribuir para a segurança do coletivo, até as criaturas dos contos de fadas, como o amor transforma as pessoas e que o mais importante é a beleza interior e não a aparência.

    Foto: Pixie Dust Fotografia/ Divulgação

    FICHA TÉCNICA
    Direção: Adriana Goulart
    Elenco: Bruno Bottega, Camila Pires, Luciano Fernandes, Júlio César Oliveira
    Figurino: Lacinho de Princesa | Karin Bernich
    Operador de luz e som: Prego Produções
    Produção: Raiar Produções
    Realização: Adriana Goulart Produções

    SERVIÇO
    A Bela e a Fera – Show Musical
    Quando: 22 de outubro | Sábado | 16h
    Onde: Centro Cultural 25 de Julho (Rua Germano Petersen Jr., 250 – bairro Auxiliadora)

    Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia-entrada) para Clube do Assinante ZH, crianças e adolescentes até 15 anos, estudantes, idosos e deficientes com acompanhante
    Ingressos antecipados: https://www.sympla.com.br/evento/a-bela-e-a-fera-show-musical/1733448

    Pontos de Vendas: Lojas Catarinense Criança (Shopping Total – Floresta | Avenida 24 de Outubro, 562 – Moinhos | Avenida Azenha, 1093 – Azenha)

    O Centro Cultural 25 de Julho dispõe de plataforma de acessibilidade, ar-condicionado e estacionamento próprio.

  • Escola de Música da OSPA oferece 101 vagas gratuitas para aulas e prática de canto e orquestra

    Escola de Música da OSPA oferece 101 vagas gratuitas para aulas e prática de canto e orquestra

     

    Primeira etapa do processo seletivo é feita de forma on-line até 28 de outubro
    A Escola de Música da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (OSPA), fundação vinculada à Secretaria de Estado da Cultura, acaba de disponibilizar 101 oportunidades a jovens que buscam se aperfeiçoar num instrumento musical, como aluno regular, ou até mesmo integrar uma orquestra, uma banda ou um coro. As inscrições para ingresso a partir do primeiro semestre de 2023 são feitas por meio de um formulário on-line, que segue disponível no site da OSPA até 28 de outubro, às 18h.
    Tanto as vagas quanto O ingresso na Escola é feito mediante a abertura de um edital, que desta vez compreende  14 instrumentos: violino, viola, violoncelo, contrabaixo, flauta transversal, oboé, clarinete, fagote, trompete, trompa, trombone, tuba, eufônio e percussão. Algumas modalidades incluem turnos distintos e acessibilidade para pessoas com deficiência. Entre as vagas, também há a oportunidade de jovens músicos integrarem três conjuntos da Escola da OSPA: a OSPA Jovem (violino, viola, violoncelo), a Banda Sinfônica (flauta, flautim, clarinete, requinta, clarinete, fagote) e o Coro Jovem.
    Escola da OSPA na Comunidade. Foto: Leonel Jacques/ Divulgação

    Atualmente, o Conservatório Pablo Komlós fica no Palacinho (Av. Cristóvão Colombo, 300) e conta com 270 alunos. O diretor da escola, Diego Grendene de Souza, comenta a importância das novas vagas: ‘‘Este edital é um marco para a Escola de Música da OSPA. 2021 foi o ano da reabertura após a pandemia e, no primeiro semestre de 2022, alcançamos o número de alunos equivalente ao que tínhamos em 2019. Com este novo edital nossa expectativa é superarmos esta marca e alcançarmos o maior número de alunos da última década, pelo menos.’’

    Foto: Vitória Proença/ Divulgação
    Para concorrer a uma vaga é necessário ler o edital completo. O pré-requisito para todas as modalidades é estar comprovadamente matriculado no ensino regular ou ter concluído o ensino médio. Nos cursos de instrumento, a idade mínima é de 8 anos e o postulante deve possuir o instrumento pertinente à vaga. Na prática de coro, o candidato deve ter entre 8 e 20 anos. Já o músico que busca ingressar na OSPA Jovem ou na Banda Sinfônica deve ter mais de 14 anos.
    O processo seletivo também tem uma etapa presencial, que consiste numa audição avaliada por professores do conservatório e músicos da OSPA, entre os dias 7 e 18 de novembro. O horário e o local da seleção serão indicados pela secretaria da Escola da OSPA, juntamente com a confirmação da inscrição. O resultado fica disponível no site da OSPA em 22 de novembro, sendo que os novos alunos iniciam o período letivo em 6 de março de 2023.

     

    Sobre a Escola de Música da OSPA

    Fundada em 1972, a Escola de Música da OSPA – Conservatório Pablo Komlós cumpre função fundamental para o fomento cultural no RS. Promove educação musical gratuita, oferecendo oportunidade de formação profissional de músicos de orquestra. Grande parte dos instrumentistas que hoje integram a OSPA estudaram na instituição, bem como muitos músicos que atuam em outras orquestras ou nas diferentes áreas da música, no Brasil e no exterior. Hoje a escola é dirigida por Diego Grendene de Souza e atende em torno de 270 alunos no Palacinho – Palácio do Vice-Governador (Avenida Cristóvão Colombo, 300). Todos os professores são instrumentistas da OSPA. Além disso, a instituição conta com grupos orquestrais, como a OSPA Jovem, regida por Arthur Barbosa, a Banda Sinfônica da Escola da OSPA, regida por Wilthon Matos, e o Coro Jovem, regido por Cosmas Grieneisen. Mantém projetos de inserção social como o Escola da OSPA na Comunidade, que leva recitais de alunos a lugares como hospitais, escolas, lares de idosos e praças, além de promover apresentações de estudantes avançados na Biblioteca Pública do Estado do RS e no Instituto Goethe. A Escola da OSPA é mantida pela Fundação Orquestra Sinfônica de Porto Alegre (FOSPA), vinculada à Secretaria de Estado da Cultura do RS. A FOSPA é presidida pelo Dr. Luis Roberto Ponte e tem como diretor artístico o maestro Evandro Matté.

    Escola de Música da OSPA – Vagas para o primeiro semestre de 2023

    Inscrições, matrículas e aulas gratuitas

    Período de inscrições: das 12h de 17 de outubro às 18h de 28 de outubro de 2022

    Edital: https://bit.ly/editalescolaospa2023

    Ficha de inscrição: https://bit.ly/escolaospa2023_inscricoes

    Mais informações: site ospa.org.br/escola-de-musica, e-mail escolademusica.ospa@gmail.com e telefone (51) 3228-6737

    Acompanhe a OSPA e a Escola da OSPA no Instagram

    instagram.com/ospabr

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  • Christa Berger em publicação não acadêmica com “Jurema Finamour: a jornalista silenciada”

    Christa Berger em publicação não acadêmica com “Jurema Finamour: a jornalista silenciada”

    O que apaga a história de uma escritora, repórter, engajada, inteligente, corajosa, próxima à elite intelectual brasileira nas décadas de 1950 e 1960? Por que teria sido esquecida? Por quem teria sido silenciada?

    Instigada por essas questões, a professora acadêmica Christa Berger dedicou-se, ao longo de quatro anos, na pesquisa e na escrita de  Jurema Finamour, a jornalista silenciada (Libretos Editora, 300 páginas, ISBN 978-65-86264-48-7, R$55. Na Feira: R$44). No livro, ela nos apresenta Jurema, a jornalista, romancista, escritora, viajante, feminista, cozinheira de mão cheia. Uma figura interessantíssima: foi retratada por Di Cavalcanti e por Dimitri Ismailovitch, viajou pelo mundo, tendo realizado os primeiros livro-reportagem no Brasil sobre a União Soviética, a China, a Coreia e Cuba. Entrevistou o filósofo francês Jean-Paul Sartre, a escritora alemã Anna Seghers, o cineasta italiano Roberto Rossellini e foi secretária de Pablo Neruda por três ocasiões.  “Mas para a memorialística brasileira, ela não existe: seus livros não foram reeditados e não é mencionada nas biografias dos que conviveram intensamente, como Jorge Amado, Graciliano Ramos, Candido Portinari, Carolina Maria de Jesus, Carlos Drummond de Andrade, entre outros”, coloca Christa.

    A professora aposentada da UFRGS Christa Berger. Foto: Marco Nedeff/ Divulgação

    Christa revela as possíveis causas do apagamento histórico de uma mulher presente e atuante na vanguarda do mercado editorial. Uma vida que “compõe o arquivo das histórias de mulheres cujas proezas, infortúnios e escritos não encontraram guarida no seu tempo”, observa a autora.

    A escritora Lélia Almeida exalta a iniciativa de resgate, escuta e testemunho da autora: “Christa Berger, jornalista, pesquisadora e biógrafa, com as mãos ungidas no buquê com os óleos do alecrim, do manjericão, da espada-de-são-jorge, da arruda, da guiné, da pimenta e da comigo-ninguém-pode, traz a público uma história emudecida e silente, como são as histórias das grandes mulheres que constroem os momentos mais desafiadores das histórias de seus países e que sempre são ignoradas pelo cânone intelectual e literário masculino, que lhes destina o lugar de uma ausência contundente ou de mera coadjuvante”.

    Óleo sobre tela. Retrato de Jurema Finamore por Di Cavalcanti (1945)/ Reprodução

    E conclui: “(…) convocada pela interlocução teimosa de Christa Berger, que se dedicou exaustivamente à construção deste diálogo além do tempo, podemos conhecer com mais justeza esta (Jurema) – que foi, como outras contemporâneas suas e também deslembradas – Carmen da Silva, Dinah Silveira de Queiroz, entre outras –, uma mulher que anunciava e participava da construção de um novo tempo, em que as mulheres não seriam mais cidadãs de segunda categoria.”

    Jurema com Pablo Neruda./Reprodução

    O livro tem lançamento na 68ª Feira do Livro de Porto Alegre no dia 04 de novembro (sexta-feira). Às 16h30, acontece o Painel Jurema Finamour, a jornalista silenciada, com Christa Berger, Beatriz Marocco e Lélia Almeida, na Sala Noé – Espaço Força e Luz (Rua dos Andradas, 1223). Em seguida, às 18h ocorre a sessão de autógrafos na Praça Central. O livro já está disponível no site da www.libretos.com.br

    Christa Berger. Foto: Marco Nedeff/ Divulgação

    Christa Berger

    Nasceu em Ijuí, no Rio Grande do Sul, em 1950, e vive em Porto Alegre desde 1968, com intervalos em outros lugares. Nos anos 1970, morou na Cidade do México, onde participou do movimento feminista latino-americano. Jornalista, trabalhou no Diário de Notícias e na Folha da Manhã. Mestre em Ciências Políticas (Unam/México), doutora em Ciências da Comunicação (USP/São Paulo), foi professora-pesquisadora nas faculdades de Comunicação da PUCRS, UFRGS e Unisinos. Autora do livro A terra e o texto: campos em confronto; organizadora de O jornalismo no cinema, tem artigos em coletâneas e revistas. Jurema Finamour – a jornalista silenciada é sua primeira publicação não acadêmica.

    Jurema Finamour por Dimitri Ismailovitch (1961)/ reprodução

     

     

  • A última entrevista de Sérgio da Costa Franco: uma crítica ao descaso com a memória

    A última entrevista de Sérgio da Costa Franco: uma crítica ao descaso com a memória

    Sérgio da Costa Franco, que morreu nesta quinta-feira (13), aos 94 anos, deixou uma obra única sobre a história de Porto Alegre, cidade que conheceu em 1935, quando sua família se mudou de Jaguarão para a capital.

    Ele tinha sete anos.

    O viaduto Otávio Rocha recém-inaugurado (dois ou três anos antes) lhe pareceu monumental. “Tudo era grandioso”, diria ele sobre a cidade que conheceu e adotou e à qual dedicou décadas de laboriosas  pesquisas que resultaram em textos fundamentais para o entendimento da evolução de Porto Alegre.

    Com mais de 30 obras publicadas, ele produziu também textos fundamentais da historiografia regional, como a já clássica biografia política de  Júlio de Castilhos. Autor de uma obra extensa, foi também jornalista e cronista por muitos anos.

    Em dezembro de 2021, Sérgio da Costa Franco aceitou dar um depoimento aos editores Elmar Bones e Caco Schmitt para  a edição especial da História Ilustrada de Porto Alegre, da qual foi consultor quando lançada, em 1997.

    Foi a última entrevista, segundo ele mesmo decretou. Chama atenção sua crítica ao descaso com a memória da cidade.

    Para ver a entrevista, clique aqui.

     

     

  • “Descolorindo”, com 34 obras de Marcelo Hubner, na Galeria Bublitz

    “Descolorindo”, com 34 obras de Marcelo Hubner, na Galeria Bublitz

    É a primeira vez que o artista expõe as séries “Geometria Impressionista” e “Paisagens Gaúchas” em Porto Alegre. Mostra também destaca obra-homenagem “Flores aos Médicos”. Vernissage será no dia 15 de outubro.

     

    Marcelo Hübner e obras da série rural. Foto: Daniel Martins/ Divulgação

    A reconhecida arte de Marcelo Hübner vai ganhar novas formas e cores na Bublitz Galeria de Arte. A exposição “Descolorindo” inaugura no sábado, 15 de outubro, das 11h às 13h, no espaço localizado na Av. Neusa Goulart Brizola, 143, em Porto Alegre. A mostra, com 34 obras, fica na galeria até o dia 14 de novembro e poderá ser conferida ainda no link: https://virtual.galeriabublitz.com.br/.

    As tradicionais “Floristas” de Hübner também integram a exposição. Foto: Divulgação

    Conhecido pelas séries “Floristas”, “Banhistas” e “Urbanos”, também presentes na exposição, Hübner apresenta, pela primeira vez, seus “Geometria Impressionista”, uma série em que as formas abstratas tomam conta das telas. Elas expressam uma composição mais minimalista e menos colorida na trajetória do artista.

    Abstrato 2. Foto: Divulgação

    “Primeiro, eu era conhecido por ser um colorista bem vibrante. Com o tempo, eu vim suavizando os tons. Inclusive, as floristas e os urbanos têm algumas peças bem coloridas para mostrar esse processo todo, mas têm outras que são praticamente em preto e branco. Também estou diminuindo o tamanho das figuras e deixando até o vazio, o branco aparecer”, revela Hübner.

    A obra “Flores aos Médicos” é um dos destaques da exposição em uma homenagem à classe que tanto salvou vidas durante a pandemia.. Foto; Divulgação

    Um dos destaques da exposição é a obra “Flores aos Médicos”. “É uma merecida homenagem à classe médica, produzida durante a pandemia. Foi feita para o projeto social Arquitetos Voluntária e rendeu doações a mais de 10 hospitais da região da capital gaúcha”, conta o artista.

    A colheita é uma das cenas das paisagens gaúchas que inspirou o artista; Foto: Divulgação

    Nas “Paisagens Gaúchas”, Hübner retoma as origens com os cenários do Rio Grande do Sul ao retratar a grandiosidade dos campos e dos pampas. Nas obras, estão presentes as colheitas, os animais e as paisagem rurais que compõem a beleza do Estado.

    SERVIÇO

    “Descolorindo” por Marcelo Hübner
    Local: Bublitz Galeria de Arte
    Endereço: Av. Neusa Goulart Brizola, 143
    Período: 15 de outubro a 14 de novembro
    Vernissage: 15 de outubro, das 11h às 13h
    Visitação:segundas às sextas, das 10h às 18h, e sábados, das 10h às 16h

     

     

  • Oficina de desenhos e piquenique, no Dia da Criança, do Meme Estação Cultural

    Oficina de desenhos e piquenique, no Dia da Criança, do Meme Estação Cultural

    Nesta quarta-feira (12), o MEME Estação Cultural celebra o Dia das Crianças com mais uma edição do projeto Rua da Criança organizado pelo espaço desde 2010. As atividades iniciam às 10h, com um piquenique no Parque da Redenção. O encontro ocorre em um trecho localizado próximo ao Chafariz Central, próximo ao monumento Gaúcho Oriental e o Recanto Europeu, o grupo de artistas da casa irá confraternizar com amigos e o público infantil que frequenta as oficinas de teatro e dança que acontecem dentro do espaço cultural, em companhia dos pais dos pequenos.

    Para participar, basta levar a cesta de guloseimas e a toalhinha. Vai ter brincadeira de tecido acrobático, bate-papo com a idealizadora do projeto Gioco Estúdio de Brinquedos e, obviamente, brincadeiras e risadas. Também será oferecido água e saladinhas de frutas.

    Após a atividade de lazer, que se encerra às 12h, o Rua da Criança se desloca para a sede do MEME, localizada na rua Lopo Gonçalves, 176, no bairro Cidade Baixa, onde, das 14h às 17h, acontece a Oficina Infantil – Desenho e Criação de Bonecos, ministrada por Lu Mello (Gioco Estúdio de Brinquedos). O público-alvo são crianças a partir de sete anos.  No caso da oficina, onde os pequenos vão experimentar criar seus próprios brinquedos, através do desenho, da pintura em papel e tecido, e de jogos narrativos com livros infantis, as reservas podem ser feitas pelos telefones 51-98257.0024 e  51-99649.8994.

    Este será o primeiro encontro da atividade, que segue nos dias 15 e 22 de outubro, sempre das 14h às 17h.  O investimento é de R$ 240,00 e inclui ainda o compartilhamento de livros, a construção de um boneco – a partir dos desenhos feitos na oficina – e todos os materiais e ferramentas que serão utilizados no espaço de arte durante a atividade. Não é necessário ter experiência de qualquer tipo.

    Sobre o MEME:

    O espaço se identifica como um território cultural que visa o fortalecimento, o intercâmbio e o diálogo através de ações e projetos desenvolvidos coletivamente. Desta maneira, vem contribuindo efetivamente no desenvolvimento das cadeias produtivas do segmento da economia criativa.

    Projeto Rua da Criança:

    O dia da criança no MEME Estação Cultural sempre foi mais do que uma comemoração, mais do que simples brincadeira, mais do que arte. O MEME levou durante mais de dez anos para o meio da Rua Lopo Gonçalves sua proposta de vida, que é educação e arte juntas. Os gestores do espaço acreditam que a arte é potencialmente transformadora e que adultos e crianças de todas as idades, classes sociais, gêneros, sempre têm o que aprender e trocar. Para isso, propõe, desde 2010, uma festa lúdica, com muitas brincadeiras e apresentações artísticas.

  • Livro com oito quilos de bronze volta às mãos do poeta na Praça da Alfândega

    Livro com oito quilos de bronze volta às mãos do poeta na Praça da Alfândega

    Há mais dois anos mutilado, o Monumento à Literatura na Praça da Alfândega, no centro de Porto Alegre, foi restaurado nesta sex-a-feira,7.

    O livro de bronze, que fora roubado há mais de ano, foi recolocado, nas mãos do poeta mineiro Carlos Drumond de Andrade, que o lado da figura do gaúcho Mario Quintana, compõem a obra.

    Uma parceria da Secretaria Municipal de Cultura com o Sinduscon-RS para revitalizar monumentos históricos de Porto Alegre, garantiu a restauração, como já ocorreu com o Monumento do Laçador, na Zona Norte.

    A nova peça é de autoria do escultor uruguaio Mario Cladera, radicado em Porto Alegre, e pesa oito quilos.

    O material foi soldado e recebeu reforço com dois pinos de aço. “Estamos felizes com esta parceria que restaurou um dos nossos mais queridos monumentos”, afirmou o secretário municipal de Cultura, Gunter Axt.

    A reposição do livro ocorreu a tempo da 68ª Feira do Livro, que ocorrerá entre 28 de outubro e 15 de novembro e deve movimentar a Praça da Alfândega com as comemorações dos 250 anos da Capital.

    Inaugurado em 2001,  o Monumento à Literatura tem como autores Eloisa Tregnago e Xico Stockinger.

    “Enquanto entidade representativa das empresas da construção civil de nosso Estado, temos uma visão de contribuir com a arte e a cultura. Possuímos um papel importante neste trabalho e esta ação faz parte do projeto”, completou o coordenador do projeto cultural do Sinduscon-RS, Zalmir Chwartzmann.

    Segurança – A Guarda Municipal já vem reforçando o patrulhamento na região visando o combate à criminalidade. A Praça da Alfândega é um dos pontos estratégicos na região Central, que já conta diariamente com rondas das esquipes de segurança.