Autor: da Redação

  • ELEIÇÕES 2020: Porto Alegre tem o maior número de indecisos entre as capitais: 54%

    ELEIÇÕES 2020: Porto Alegre tem o maior número de indecisos entre as capitais: 54%

    Porto Alegre tem a maior percentagem de eleitores indecisos entre as capitais.  Há menos de um mês da eleição, mais da metade dos porto-alegrenses ainda não sabem em quem vão votar, segundo o Ibope.

    Os números coletados nas 26 capitais indicam que o percentual de indecisos é elevado em todo o país, variando de 23% em Rio Branco a 54% em Porto Alegre.

    Entre os portoalegrenses com renda familiar de até um salário mínimo o percentual de indecisos chega a 64%.

    Estes percentuais foram registrados na pesquisa espontânea, quando a lista de candidatos não é apresentada.

    Quando a lista de candidatos é apresentada ao entrevistado — pesquisa estimulada —o percentual de indecisos não vai além de 11%.

    Segundo especialistas, a diferença entre o percentual de indecisos nas duas modalidades da pesquisa mostra que o eleitor usa mais a memória do que o raciocínio para decidir, o que indica um potencial grande mudança de opção de voto nas últimas semanas.

    Outro desafio para os candidatos a prefeito nas capitais é o alto número de eleitores que afirmam que votarão em branco ou nulo.

    Esse percentual chega a 27% no Rio e supera a marca de 20% também em Aracaju, Recife e Natal, cidades onde a disputa eleitoral ainda segue indefinido.

    No Rio, em São Paulo e Porto Alegre, a indecisão também é maior entre eleitores com menor escolaridade e renda.

     

  • ELEIÇÕES 2020 : “Desinformação é o principal problema da saúde pública”

    ELEIÇÕES 2020 : “Desinformação é o principal problema da saúde pública”

    Convidamos três profissionais com experiência nos diversos níveis do sistema de Saúde Pública  para nos ajudar a identificar os desafios principais a serem enfrentados pelos que se candidatam a administrar a cidade. A íntegra da conversa pode ser conferida no nosso canal do youtube. Um resumo está aqui:

    “O problema maior é a desinformação”, resume o médico Armando de Negri Filho, mestre em Epidemiologia, Saúde Pública e Gestão Clínica. Ele se refere aos graves desafios dos serviços de saúde pública em Porto Alegre, realidade comum a todas as capitais, na verdade.

    Começa, em sua avaliação, com a falta de percepção da importância do Sistema Único de Saúde pela população.

    “Quem procura atendimento na Santa Casa de Porto Alegre, por exemplo, muitas vezes não sabe que o hospital é um prestador de serviço do Sistema Único de Saúde, que é ao SUS que o cidadão está recorrendo”.

    Armando de Negri Filho

    Deveria, segundo ele, “ter placas enormes na entrada dos hospitais da Santa Casa, do Clínicas e do Conceição: “Este estabelecimento é do SUS de Porto Alegre e está sob gestão municipal”, diz Negri, cuja tese de doutorado em Políticas e Sistemas de Saúde na Universidade de São Paulo foi a reforma hospitalar do SUS em 2016.

    Essa baixa percepção, segundo Negri, faz com que o cidadão não defenda o SUS e, muitas vezes, até assuma o discurso de que é um sistema falido, que custa caro e não funciona.

    Essa situação permite que, mesmo com a valorização do SUS por sua atuação na pandemia, decisões políticas sejam aprovadas esvaziando o sistema público.

    “Precisa uma gestão pública muito potente e integrada, ter representantes da Prefeitura nos conselhos diretores dos hospitais, junto com representantes das comunidades, para poder estar de fato no centro da articulação de todos esses recursos”.

    O governo federal entra com a maior parte dos recursos para o SUS, (60%), Estados e municípios complementam, mas é na cidade que tudo acontece.

    “Nos últimos anos tivemos um grave problema em Porto Alegre, de restringir o debate público, a Prefeitura evitando o diálogo com o Conselho Municipal de Saúde, os conselhos locais, como determina a lei orgânica”, lamenta  Negri.

    Ana Paula de Lima

    “Hoje o SUS está sob ataque, com mudanças de grande impacto”, alerta a psicóloga Ana Paula de Lima, 27 anos no SUS, e que integra o Conselho Municipal de Saúde há 15 anos.

    A histórica falta de recursos foi agravada a partir de 2017 com a emenda constitucional 95, que congela os investimentos em saúde. Em 2019, o governo alterou a forma de financiamento da rede de atenção básica, responsável por atender mais de 80% dos problemas de saúde.

    Antes, os municípios recebiam um piso fixo, proporcional à sua  população. Isso garantia o caráter universal. “Novos critérios colocam até em risco a rede de atenção básica, que é a porta de entrada para o paciente”, diz Ana Paula.

    A pandemia escancarou como os problemas atingem de forma diferente os segmentos sociais.

    Para Negri, questões ideológicas e falta de gente na mídia dedicada a entender os problemas de saúde emperram o debate. “Saúde é sempre tema de baixa política, não está no centro da agenda política, nem as desigualdades como um todo. Porto Alegre tem que enfrentar a persistência das desigualdades sociais. Na saúde, isso começa por questões de fundo, a disputa sobre a qualidade do ar, da água, do processamento do lixo, a lógica do transporte público. Se o acesso universal ao sistema é um marco constitucional, não há a alternativa de não fazer.”

    Gerusa Bittencourt

    A enfermeira Gerusa Bittencourt,  gerente do Posto Modelo, na região central, questiona por que Porto Alegre optou por outro tipo de gestão, no qual a maioria das unidades de saúde serão terceirizadas. No Modelo, onde foi introduzido o terceiro turno, até as 22 horas, uma parcela dos médicos é terceirizada. “Cada dia, não sei quem vem trabalhar… troca contrato, mudam as empresas, os profissionais. Era necessário terceirizar?”, questiona.

    Pelo retorno dos usuários, ela sabe que o serviço segue igual ou piorou. Houve ampliação de equipes, mas centralização de unidades. “Hoje preciso de um agente de saúde pra vincular numa equipe. Antes havia uma equipe com dez, agora dez equipes com um… Ampliou, mas diminuíram os recursos humanos. Trabalho com o mínimo de gente, mas a porta está aberta até as 22h. As pessoas dão seu máximo, mas com uma equipe mínima.”

    Ana Paula observa que o cenário nacional com muitos retrocessos, bota em risco o próprio SUS. Com as mudanças de 2017, vem se desenhando um processo de mudança de modelo.

    Uma das políticas mais reconhecidas, o Saúde da Família, criado em 1990, está sendo atacado.

    Porto Alegre é exemplo das alterações. Na rede de atenção primária, que resolve mais de 80% dos casos, o princípio do SUS é descentralização, com resultados já comprovados. “Aqui estamos centralizando”, diz Gerusa.

    A atual gestão municipal começou com 141 unidades de saúde, hoje são 133. Para reduzir custo em escala, perde qualidade. Amplia o número de equipes mas em menos unidades e mais longe de comunidades mais carentes, como Lomba do Pinheiro, Bom Jesus, Grande Cruzeiro que tiveram unidades fechadas. “De que adianta o Posto Modelo aberto até 22 horas se as pessoas não têm dinheiro para o ônibus para chegar lá?”

    Porto Alegre tem registrado os piores índices de tuberculose, sífilis, HIV, entre as capitais do Brasil.

    “É uma ampliação às avessas, para apresentar números. Mas não houve qualificação”, constata Ana Paula. A psicóloga trabalha há 27 anos, os últimos 15 também nas instâncias de controle social das políticas de saúde, como o Conselho Municipal de Saúde.

    “Estamos regredindo, a extinção do Imesf, de setembro de 2019 até agora pra construir uma saída com a participação, que fosse a melhor para a rede de saúde da família, não para os trabalhadores. É um equívoco acharem que estamos defendendo os trabalhadores, estamos defendendo o próprio SUS. Leva anos pra formar esses profissionais, e criam vínculo com aqueles pacientes, é uma questão de  responsabilização, de continuidade…”

    “As mudanças estão sendo feitas de forma irresponsável, e num contexto de pandemia. Como vai ser a continuidade da saúde família, entregue à iniciativa privada menos de um mês antes da eleição?”

    Negri lembra que o SUS nasceu e viveu sob o signo da escassez. Um projeto ambicioso, de solidariedade social, que universaliza direitos, mas desde a regulamentação o SUS foi sendo podado, limitado na sua ação, sempre mantido com suporte econômico insuficiente. “Tivemos muitos avanços, porém num ritmo inferior ao das demandas da sociedade – é um direito coletivo e individual, tem que ser acessível.”

    “O atendimento tem que começar pela prevenção, pois depois pode ser tarde, como é o caso agora da quantidade enorme de pessoas evoluindo para insuficiência renal, quando deveríamos estar cuidando da saúde renal dessas pessoas. É preciso movimentar universidades, meios de comunicação, usar os espaços da sociedade  para construir este debate público. E tornar consciente que o sistema está amarrado, que o que estamos vendo hoje é uma incompatibilidade entre a  necessidade de expandir o sistema de saúde e a lei de responsabilidade fiscal. O limite de contratação de pessoal que estimulou a contratação de terceiros. O que tem que fazer é atenção publica, e garantir a gestão pública dos recursos”.

    Os problemas podem ser superados, mas demandam estratégia pra 10, 15 anos

    Gerusa: “Acho que estamos pensando a cidade, a saúde é importante pra cidade. Com minha experiência de enfermagem, quero estrutura física, equipamentos adequados. Mas também pensar que cuidar da saúde não começa nem se esgota aí. É absurdo o que a Lomba do Pinheiro passou este ano por falta de água. Tem questão da mobilidade urbana, não tem transporte público, uma pessoa que consulta lá na 15, durante o dia precisa de um antibiótico que só tem na farmácia distrital, e ela não consegue vir porque tem deficiência, não tem dinheiro para a passagem… É esse conjunto de coisas… A pandemia mostrou que as pessoas passam fome, toda essa arrecadação de comida demonstra que não temos um estado de segurança, de soberania alimentar, e  o estado brasileiro não dá conta do mínimo, que é comida na mesa, moradia, trabalho numa região que tem muita gente em situação de rua, e prédios públicos fechados, vazios, se deteriorando e cem pessoas ao redor, na rua. O conceito de saúde tem que ser ampliado, cidade ser pensada de forma transversal, saúde precisa conversar com educação, com habitação, transporte, trabalho e renda, tudo gera saúde. As pessoas adoeceram de covid mas também há muitas com a saúde mental abalada pelo isolamento”

    Ana Paula: “O SUS tá dentro de um sistema de seguridade social, temos tido várias perdas que contribuem para o adoecimento da população. Sub-financiado não significa que não dá pra fazer nada, podemos fazer muito mais do que tem sido feito, depende da forma como é feito, articulado com outras políticas públicas e com a sociedade. SUS traz um modelo ousado de um estado de bem-estar social que foi interrompido. Porto Alegre já foi exemplo seguido nacionalmente. Vem sendo feita uma campanha de dizer que a falta de efetividade das políticas públicas seria responsabilidade dos funcionários, e é o contrário, se nós conseguirmos, no âmbito do SUS, os avanços que conseguimos, não foram em função do gestores, mas dos servidores.

    Negri: “A imagem de uma cidade que investe em saúde é uma cidade de bem-estar, não podemos continuar aceitando tantas desigualdades injustas, moradia, alimentação, água… O governante tem que se responsabilizar por tudo relacionado à saúde.”

    “Vamos enfrentar problemas decorrentes da covid. O sistema se mobilizou em função de uma única patologia. Tivemos em Porto Alegre um milhão a menos de internações até agosto. Muita gente não conseguiu ter acesso. Vamos ter um impacto logo adiante.  A forma de avançar é criar espaço de discussão pública”.

     

  • Prefeitura de Porto Alegre recorre de decisão que adia demissões no Imesf

    A Prefeitura de Porto Alegre divulgou nota oficial sobre a decisão da Justiça do Trabalho de suspender demissões de servidores do Imesf até dezembro.

    Segundo o texto, “a decisão expedida pelo Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região (TRT-4) nessa quinta-feira, 15, sobre a manutenção dos vínculos empregatícios de profissionais ligados ao Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), não trata da garantia dos empregos mas estabelece um prazo de transição para a extinção do Imesf e demissão de servidores.

    O Município recorrerá da decisão por entender que o TRT-4 desconsiderou a transição complexa, já em andamento, como também não avaliou o impacto econômico ao orçamento municipal, justamente em período de pandemia, momento em que houve relevante perda de arrecadação. Os cofres municipais serão impactados em R$ 20 milhões no custeio, montante equivalente a 22% do valor líquido de toda a folha de pagamento da Capital, que é de R$ 85 milhões. Além disso, hoje, das 135 Unidades de Saúde do Município, apenas 25 ainda são Imesf, o que, por si, já demonstra a incapacidade dos recursos humanos ligados ao instituto em atender às demandas da população.

    Dessa forma, a prefeitura entende que a manutenção dos empregados do Imesf não se justifica jurídica, econômica nem administrativamente, já que o gestor não pode ficar aguardando o aval dos demais Poderes para administrar o Município. Por invadir a atribuição do Executivo municipal, a decisão é danosa à população de Porto Alegre e pode inviabilizar a assistência ao cidadão, uma vez que, diante da inconstitucionalidade do Instituto, é inviável a contratação de profissionais para atendimento em Unidades de Saúde.

  • Justiça do trabalho suspende, até dezembro, demissões no Imesf em Porto Alegre

    Justiça do trabalho suspende, até dezembro, demissões no Imesf em Porto Alegre

    A justiça do trabalho determinou que a prefeitura de Porto Alegre suspenda a demissão dos trabalhadores do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf), pelo menos até dezembro.

    A desembargadora Maria Madalena Telesca concedeu liminar favorável ao pleito do Sindisaúde-RS, Sergs, Soergs, MPF e MP-RS. Com isso, após live realizada na página do Sindisaúde-RS com profissionais de saúde, os sindicatos orientaram a suspensão da greve iniciada na quarta-feira, 14/10.

    O processo na Justiça a respeito da extinção do órgão está encerrado, com decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), mas há processos na Justiça do Trabalho sobre destinação dos 1,8 mil funcionários do órgão. A Prefeitura já demitiu cerca de 500 e pretendia afastar os demais ainda este ano. A procuradoria do município pode recorrer da liminar.

    Também nesta quinta-feira, 15/10, o vice-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 4ª Região, desembargador Francisco Rossal de Araújo, conduziu audiência de mediação entre sindicatos que representam trabalhadores do Imesf e o Município de Porto Alegre.

    A audiência resultou em uma proposta de acordo sobre a greve deflagrada pelos servidores do Imesf. Os trabalhadores se comprometeram a manter o mínimo de 80% de prestação de serviços. A direção do Instituto, juntamente com a Prefeitura, fica autorizada a fazer eventual remanejamento em caso de necessidade. O acordo vale a partir desta sexta-feira (16).

  • Saúde em Porto Alegre: Jornal JÁ Debate nesta quinta-feira, 18h30

    Saúde em Porto Alegre: Jornal JÁ Debate nesta quinta-feira, 18h30

    Jornal JÁ Debate – Sempre às quintas, às 18h30.

    ELEIÇÕES 2020

    O que a cidade pode esperar dos eleitos?

    Em vez de perguntar aos candidatos o que eles prometem fazer pela cidade, vamos perguntar à cidade o que ela espera dos que se elegerem.
    Como perguntar para a Cidade é impossível, convidamos pessoas que se destacam em setores essenciais e que têm uma visão abrangente da questão urbana para nos ajudarem nesse exercício de esclarecimento.

    Nesta quinta-feira, dia 15/10, a pauta da live do JÁ aborda a saúde em Porto Alegre.

    Convidados:

    – Ana Paula de Lima, psicóloga, integrante dos conselhos municipal e nacional de saúde;

    – Armando de Negri Filho, médico, especialista em medicina de emergências, consultor da ONU, coordenador da Rede Brasileira de Cooperação em Emergências;

    – Gerusa Bittencourt, enfermeira, especialista em saúde coletiva.

    Mediação: Elmar Bones.

    Clique aqui para ativar a notificação da transmissão no YouTube.

  • Funcionários do “extinto” Imesf fazem três dias de greve em Porto Alegre

    Funcionários do “extinto” Imesf fazem três dias de greve em Porto Alegre

    Ainda na luta pela manutenção dos empregos, trabalhadores do Instituto de Estratégia da Família de Porto Alegre (Imesf) iniciaram nesta quarta-feira (14), uma greve de três dias.

    O processo na Justiça a respeito da extinção do órgão está encerrado, com decisão final do Supremo Tribunal Federal (STF), mas há processos na Justiça do Trabalho sobre destinação dos 1,8 mil funcionários do órgão. A Prefeitura já demitiu cerca de 500 e pretende afastar os demais ainda este ano.

    O executivo alega que segue todas as determinações judiciais. “A rescisão dos contratos de trabalho dos profissionais ligados ao Imesf segue decisão do Tribunal de Justiça (TJ/RS), que declarou o instituto inconstitucional, com trânsito em julgado certificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Mesmo com 11 reuniões de mediação e formulação de propostas com sindicatos que representam os trabalhadores, todas foram recusadas em assembleias das categorias. Após encerramento da mediação, os contratos de trabalho foram declarados nulos por sentença proferida pela Justiça do Trabalho, em ações movidas pelos sindicatos”, diz a Prefeitura.

    A Secretaria de Saúde divulgou nota em que também afirma: “Com o novo modelo, construído pela Secretaria de Saúde, contando com Irmandade Santa Casa de Misericórdia, Associação Sulina Divina Providência e Associação Hospitalar Vila Nova, greves e desassistência para a população não ocorrem, tampouco o porto-alegrense ficará refém de interesses político-sindicais de categorias, em pleno período de pandemia e campanha de vacinação’. Cerca de 75% dos postos de saúde vão passar aos “parceiros” da Prefeitura.

    O primeiro dia da greve dos trabalhadores do Imesf teve concentração no Posto Modelo e, à tarde, caminhada até a Câmara de Vereadores, onde o presidente da Casa, Reginaldo Pujol, comprometeu-se com o SindSaúde-RS e demais sindicatos a realizar uma audiência pública para rediscutir a questão Imesf.

    “Fomos à Câmara de Vereadores durante a tarde para fazer essa pressão política, requisitando algo que desde setembro de 2019 repetimos: a atenção básica de Porto Alegre não pode e não precisa ser privatizada. E conseguimos esse compromisso do Pujol”, declarou o presidente do sindicato, Julio Jesien.

    Ao todo, foram registradas sete Unidades de Saúde fechadas pela paralisação, o que, diz a Prefeitura, deixa 35 mil pessoas sem atendimento em saúde.

     

  • Bolsonaro e o uso político de jogo da seleção

    Bolsonaro e o uso político de jogo da seleção

    O governo Bolsonaro entrou em campo na noite dessa terça-feira junto com a seleção de futebol do Brasil. Durante a transmissão do jogo da equipe brasileira contra a seleção do Peru, válido pelas eliminatórias da próxima Copa do Mundo, o narrador André Marques, da TV Brasil, responsável pela transmissão do jogo em canal aberto, além de elogiar dirigentes da CBF por permitir sua transmissão, citou nominalmente o presidente Jair Bolsonaro duas vezes. “Mando meu abraço para o presidente Bolsonaro, ele deve estar vendo o jogo”, falou Marques, perto do final do primeiro tempo e do final do jogo.

    A partida, vencida pelo Brasil por 4 a 2, foi válida pela segunda rodada das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa de 2022 (Catar). Quem tinha a exclusividade para transmissões dos jogos da seleção brasileira até o início do governo Bolsonaro era a Rede Globo, que impunha os interesses de sua grade de programação.

    O cenário mudou com as novas regras da Conebol e FIFA, que dá os direitos de transmissão ao mandante, no caso de ontem a federação peruana, e com o rompimento do governo federal com a Rede Globo. Sem acerto financeiro da Globo, duas horas antes do início da partida houve o anúncio que ela seria transmitida pela TV Brasil e suas afiliadas, aqui no estado a TVE. O período coincidiu com horário de novela da Rede Globo, um dos carros chefe da programação da emissora carioca.

    Nas redes sociais houve, de um lado, muitas críticas à citação do nome do presidente Bolsonaro, com internautas chamando o narrador do jogo de “chapa branca” e criticando a emissora pública de fazer propaganda pessoal do presidente, e do outro, apoiadores do governo elogiando a postura do governo de “encarar o monopólio da Globo”. Agora, resta saber se a prática da propaganda política pode se tornar comum nas transmissões dos jogos da seleção brasileira. A Globo comprou o pacote de jogos do Brasil realizados em território nacional. Nos jogos fora de casa não há nenhum acerto ainda. Novos capítulos virão.

    A CBF diz que disponibilizou os direitos à TV Brasil de graça, mas não divulgou se pagou a federação peruana pela transmissão.

    A TV Brasil faz parte da EBC, empresa pública de comunicação criada no governo Lula. Em 2018, ao ganhar eleição, Bolsonaro indicava que a EBC seria extinta ou privatizada. Mas até agora, como boa parte do pacote de privatização anunciado em campanha, não saiu do papel o fim do veículo, que no jogo do Brasil obteve audiência muito maior do que habitual.

     

  • Eleições 2020: Uma análise das propostas para a saúde em Porto Alegre

    Eleições 2020: Uma análise das propostas para a saúde em Porto Alegre

    Em plena pandemia, cuja evolução é incerta,  os desafios na área de saúde tendem ser ainda mais complexos para qualquer que seja o candidato eleito.

    Temas como uma futura vacinação da população contra o Covid-19 e como gerir o atendimento básico à população são contemplados nos planos de governos.

    E como fica a demanda causada pelo fechamento do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família (Imesf)?

    O Imesf  possuía mais de 1800 funcionários, cerca de 500 já foram desligados desde que a Justiça determinou o encerramento das atividades e mais de 1200 ainda esperam o desligamento.

    Até o final do ano, 75% dos postos de saúde de Porto Alegre estarão a cargo de entidades privadas, ainda que esta “contratualização”  tenha sido criticada pelo Conselho Municipal da Saúde da Capital.

    Serão 104 postos nas mãos de entidades privadas e filantrópicas – três em cada quatro que funcionam na cidade.

    As propostas aqui sintetizadas foram levantadas com base em planos de governo protocolados na Justiça Eleitoral.

    São documentos um tanto restritos e não esclarecem totalmente as visões e planejamentos dos candidatos. Mas podem servir com uma orientação para que o eleitor tenha informações básicas sobre o que pensam os postulantes ao Paço Municipal.

    Fernanda Melchionna (50) – (PSOL)

    O programa de governo do PSOL é o mais extenso apresentado à Justiça eleitoral. Enquanto a média é de 30 páginas, o do PSOL tem 133 páginas.

    O programa promete “Vacinas e testes para todos”, e é um dos únicos a indicar de onde viria os valores para a empreitada. “Cobrando a Unimed-RS/Federação das Cooperativas Médicas do RS, que deve R$ 20,1 milhões ao Município em ISSQN: cobraremos a dívida em testes e vacinas para a população”.

    Pretende converter o Imesf em uma empresa pública municipal, como a EPTC no transporte e, assim, “reverter a entrega de Unidades de Saúde à iniciativa privada”.

    Fala em qualificação e expansão dos equipamentos públicos de Saúde – Postos, Farmácias, e especialmente, “melhorar o atendimento no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas, e as condições de funcionamento do Hospital Pronto Socorro”.

    Há também propostas como:

    – Ampliação da cobertura das equipes próprias da Estratégia Saúde da Família (ESF) e de Saúde Bucal (ESB);

    – Garantia de acesso à política de saúde mental, com a implantação de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs) regionalizados e públicos;

    – Fortalecer o Programa “Melhor em Casa”, responsável pele serviço de atenção domiciliar a pacientes que recebem alta hospitalar;

    – Ampliar e qualificar os Núcleos de Atenção à Saúde da Criança e do Adolescente (ESCA), com ênfase nas especialidades de oftalmologia, neurologia e psiquiatria.

    E promete ainda devolver o Consultório na Rua para gestão própria e direta e um adicional salarial por difícil acesso para servidores de áreas afastadas.

    Gustavo Paim (11) – (PP e Avante)

    O programa traz um viés claro de que pretende investir em parcerias com a iniciativa privada. “Porto Alegre é o segundo maior polo de saúde do Brasil, atrás apenas de São Paulo. Mesmo com a relevância desse hub, a saúde pública precisa avançar muito, a fim de superar a crise sanitária. Importante sempre destacar que saúde pública não é sinônimo de saúde estatal”, coloca.

    E fala em manter a extensão de horário de atendimento até as 22h das unidades básicas de saúde. Cita como prioridade a telemedicina e “melhorias no Hospital de Pronto Socorro e no Hospital Materno Infantil Presidente Vargas”.

    Coloca o processo de imunização contra a COVID-19 como “prioridade máxima”, mas sem detalhes.

    E promete viabilizar sistema de aviso de exames, consultas, remédios e, em conjunto com a rede privada de farmácias, o fornecimento e a dispensação de medicamentos em qualquer dia e hora.

    João Derly (10) – (Republicanos)

    O projeto fala em uma “Reestruturação da rede de saúde pública municipal”. Com a implantação da atenção domiciliar e fortalecimento das Unidades Básicas de Saúde, e a universalização do prontuário eletrônico.

    Coloca ainda o fortalecimento da rede de atenção à saúde das gestantes e das crianças e anuncia o Programa Luz da Vida, com equipe multiprofissional, para cuidado da gestante – do pré-natal aos primeiros anos de vida das crianças.

    E propõe a criação de “vouchers” para pagamento de exames que a rede pública não oferta ou, então, que não sejam oferecidos em número suficiente (ex: Ultrassom para o pré-natal); sem explicações sobre como funcionaria.

    José Fortunati (14) – (PTB, Patriota, Pode, PSC)

    O texto fala em criação de um fundo Municipal COVID-19, que “será alimentado com recursos de diversas fontes para que, tão logo tenhamos a notícia do lançamento de uma vacina confiável e certificada pela academia científica, possamos ter recursos garantidos para comprá-la e rapidamente imunizar toda a população”.

    Os principais pontos são:

    – Reabrir e ampliar a rede do Programa Melhor em Casa, e a prática da Medicina Integrativa;

    – Implantar motolâncias no atendimento de emergências. “Mediante criação do cargo de motossocorrista, vinculado à Secretaria de Saúde”.

    E ainda fala de um serviço de saúde voltado para Juventude. “Reativar e ampliar o atendimento do projeto ‘Fique Sabendo Jovem’, uma unidade móvel equipada com consultórios, em que podem ser realizados testes rápidos para HIV, sífilis e hepatite C”.

    Juliana Brizola (12) – (PDT, PSB)

    Fala que o “principal desafio do próximo gestor será imunizar, com maior rapidez e organização, a população de Porto Alegre, assim que a vacina da Covid-19 estiver disponível”. Para a imunização, propõe a contratação de profissionais temporários.

    Promete abrir hospitais desativados como: Parque Belém, Beneficência Portuguesa, Unidade Álvaro Alvim e Hospital Porto Alegre. Além de fortalecer o programa de atenção domiciliar, “ampliando gradativamente o número de equipes para o tratamento de doenças em domicílio”.

    E expandir gradativamente a ampliação do horário de funcionamento de todas as Unidades Básicas de Saúde (UBS), das 8h até as 22h. Também visa manter todos os leitos de UTI gerados pela demanda de Covid-19.

    Ainda:

    – Recuperar o papel do Conselho Municipal da Saúde de Porto Alegre;

    – Instituir o centro de informações e decisões estratégicas em saúde;

    – Estender o Aplicativo E-SUS para os usuários da Unidade Básica de Saúde de cada região, agilizando a entrega de exames, marcação de consultas e agendamentos de procedimentos nas UBS;

    – Implementar uma política municipal de promoção e prevenção à saúde da mulher; com expansão dos Bancos de Leite Humano.

    Manuela D’Ávila (65) – (PCdoB, PT)

    O programa apresenta algumas ideias sobre como será gerida a política de saúde. Como “Reorganizar a gestão da saúde municipal para garantir que todos os bairros sejam atendidos pela ESF (Estratégia de Saúde da Família)”.

    Fala em reorganização das equipes do Imesf, com ampliação de no mínimo mais 51 equipes completas. E que “postos fechados deverão ser reavaliados e, na medida do possível, reabertos”, sem indicar critérios claros de como será feita a avaliação.

    Pretende criar um “novo modelo de gestão e de atenção, com vistas à garantia à saúde integral para as mulheres, criança e adolescente, idoso, população negra, povos indígenas, pessoas com deficiência, população LGBTQIA+, entre outros”.

    Organizar ações de prevenção, testagem, rastreio e isolamento dos casos identificados da Covid-19 a partir das equipes da ESF em coordenação com a vigilância epidemiológica. E fortalecer os Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS).

    Fala em dar prioridade para a Maternidade no Hospital da Restinga e valorizar o HPS e HMIPV.

    Realizar um mutirão para diminuir a fila de espera e garantir a meta de menos de 30 dias em prioridades e 90 dias em casos gerais; com agendamento online de consulta.

    Também anuncia uma “Política da Saúde da Mulher: integração das ações e serviços de saúde voltados à atenção da integral da saúde da mulher, dando atenção para as questões psicológicas, sociais, biológicas”.

    Nelson Marchezan Júnior (45) – (PL, PSDB, PSL)

    O programa promete continuar com as “bem-sucedidas”, parcerias com a iniciativa privada, como o atual modelo de delegar unidades básicas a instituições especializadas, como a Santa Casa.

    Promete que novas clínicas da família serão implantadas e que criará serviço eficiente de telessaúde. Além disso, “os espaços físicos do Centro de Referência em Atendimento Infanto Juvenil do HMIPV e do Hospital de Pronto Socorro serão reformados, possibilitando a melhoria e a ampliação dos serviços”.

    As ações do Programa Primeira Infância Melhor Porto Infância Alegre (PIM PIA) serão ampliadas. E serão implantados centros de atenção psicossocial infantis e executadas ações intersetoriais para crianças com transtornos do neurodesenvolvimento.

    Pacientes das Doenças Transmissíveis (Sífilis, HIV e Tuberculose) terão a prática do cuidado integral ampliada, buscando a eliminação da transmissão vertical e a redução da morbimortalidade.

    Sebastião Melo (15) – Cidadania, DEM, MDB, Solidariedade)

    O programa do candidato diz que: “O exemplo do setor privado deve ser seguido para orientar as políticas públicas para o setor”, e que “os programas da saúde da família são centrais para as comunidades”.
    A aposta é na “integração das redes pública e privada de saúde, com melhor uso da rede conveniada. Incluindo o uso da tecnologia para integrar com toda a rede pública e privada por meio do prontuário eletrônico”.

    Valter Nagelstein (55) – (PSD)

    Fala em ampla integração com a política nacional da União, “que é a mantenedora e coordenadora do SUS”. E diz que o objetivo é “Vencer a COVID-19, com a implantação de protocolos seguros de saúde, para liberar a população e a economia ‘para viver’ com relativa tranquilidade”.

    E pretende promover através da área de informática da Prefeitura uma atualização do sistema de dados sensíveis, acumulados nos prontuários médicos e sistema de marcação de Consultas em prol da melhoria da aplicação da tecnologia à disposição dos usuários.

    “Planejamento familiar, gravidez precoce, drogadição, pessoas em situação de rua, saúde mental, prevenção de moléstias graves serão somados a rede de atendimento de tantos outros programas já conhecidos cujo aperfeiçoamento poderá ser viabilizado mediante a aplicação de conceitos administrativos específicos da área hospitalar”, diz o programa.

    O Consultório de Rua será mantido e ampliado. E fala da ampliação da Rede de Assistência em Saúde Mental e da implantação da Telemedicina.

    Promete “garantir vacina para a COVID-19 para todo o cidadão porto-alegrense”.

  • Medo do desemprego é maior entre as mulheres e os jovens

    Medo do desemprego é maior entre as mulheres e os jovens

    O medo do desemprego é maior entre as mulheres  e os jovens, segundo pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado nesta quarta-feira (14).

    O Índice de Medo do Desemprego e Satisfação com a Vida é uma pesquisa trimestral da CNI e nesta edição entrevistou 2 mil pessoas em 127 municípios do país, entre os dias 17 e 20 de setembro.

    O indicador de medo do desemprego no público feminino ficou em 62,4 contra 46,8 no público masculino, uma diferença de 15,6 pontos.

    O medo do desemprego também é maior entre os jovens, especialmente aqueles na faixa dos 16 aos 24 anos (57,9), e o da faixa seguinte, entre 25 e 34 anos (57,3).

    Esse indicador também é maior entre a população que reside no Nordeste (61,2) e os que recebem até um salário mínimo (65).

    Apesar dos graves impactos econômicos da pandemia de covid-19, o medo do desemprego na população em geral ficou em 55 pontos, uma queda de 1,1 ponto na comparação com dezembro de 2019.

    “A partir do fim do primeiro trimestre de 2020, as medidas de proteção adotadas no período contribuíram para conter o desemprego e aumentar a segurança no emprego. Possivelmente, a transferência de renda às famílias também contribuiu para esse resultado. Por fim, a retomada gradual das atividades comerciais e produtivas nos últimos meses tem impactado positivamente a formação de expectativas dos agentes, que, em um primeiro momento, esperavam por uma recuperação econômica mais lenta”, avalia a CNI.

    Satisfação com a vida
    Já o índice de satisfação com a vida cresceu ligeiramente entre dezembro do ano passado e setembro deste ano, passando de 68,3 para 68,5 pontos. A satisfação com a vida aumenta à medida que a renda também aumenta. Entre os que ganham mais de cinco salários mínimos, esse valor é 72,8 pontos, enquanto quem tem renda de até um salário mínimo registrou pontuação de 65,7.

    O indicador também é melhor entre os homens (70 pontos) na comparação com as mulheres (97,1).

     

  • Eleições: TRE-RS lança WhatsApp e e-mail para receber e esclarecer denúncias de Fake News

    Eleições: TRE-RS lança WhatsApp e e-mail para receber e esclarecer denúncias de Fake News

    Com o objetivo de criar um canal de comunicação direto entre eleitor e justiça eleitoral e buscar esclarecer o eleitor sobre notícias falsas que circulam na campanha municipal foi criado no site do TRE uma página especial de “Enfrentamento à Desinformação” e divulgado número de telefone para denúncias de conteúdos suspeitos.

    Qualquer pessoa pode enviar conteúdo suspeito para checagem através do endereço de e-mail – desinformacao@tre-rs.jus.br ou pelo WhatsApp (51) 98463-9692.

    A iniciativa é do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul, numa tentativa de coibir a disseminação de notícias falsas, relacionadas ao pleito de 2020.

    Na página da internet o usuário tem orientações sobre como entrar em contato com a equipe da Justiça Eleitoral gaúcha e como proceder para denunciar conteúdos suspeitos relacionados às Eleições 2020. Também é possível realizar denúncias no site do Ministério Público Eleitoral.

    A página traz ainda notícias já verificadas, a partir de selos de classificação, que podem ser acessadas através da aba “Fato ou boato?”.

    A medida foi lançada como uma das ações promovidas pela Comissão de Enfrentamento à Desinformação do TRE-RS. Criada neste ano com o objetivo de combater o compartilhamento de informações falsas nas redes sociais e aplicativos de envio de mensagens, durante as eleições municipais.

    O atendimento é realizado no mesmo horário de funcionamento da Justiça Eleitoral, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h.

    Presidida pelo desembargador Jorge Luís Dall’Agnol, a Comissão de Enfrentamento à Desinformação pretende atuar em três eixos: conscientização do eleitor, fiscalização e responsabilização.

    “Queremos, primeiramente, intensificar uma educação midiática, para que o eleitor não seja ludibriado e que escolha baseado em informações verdadeiras”, diz Dall’Agnol, que é o diretor executivo da Escola Judiciária Eleitoral do Rio Grande do Sul (EJERS), além de desembargador do TJ/RS.

    “Vamos sim receber denúncias, pelo WhatsApp e pela internet, e analisar, fazendo uma filtragem para que cada tema seja o mais rapidamente encaminhado, ou ao Tribunal Eleitoral ou órgãos policiais, ou ambos”, explica ao desembargador.