Autor: da Redação

  • Câmara de Porto Alegre anuncia votação de Plano Diretor para o dia 23 de abril

    Câmara de Porto Alegre anuncia votação de Plano Diretor para o dia 23 de abril

    A Câmara Municipal de Porto Alegre definiu que a votação final do Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) ocorrerá no próximo dia 23 de abril. O encerramento da análise das emendas está previsto para a sessão do dia 22, conforme acordo firmado entre líderes da base governista e da oposição, antecipando o cronograma em quase um mês.

    O projeto entra na fase final após meses de impasse e intensa negociação. Mais de 400 emendas foram apresentadas, das quais grande parte já foi apreciada e rejeitada. Até o momento, a oposição na Câmara emplacou pouco mais de 20 emendas.

    O ponto mais controverso do projeto é a previsão de liberação de prédios de até 130 metros de altura, especialmente no Centro Histórico e no Quarto Distrito — regiões afetadas pelas enchentes de 2024. A prefeitura defende a medida como estratégia de desenvolvimento urbano, enquanto especialistas e entidades apontam riscos relacionados às mudanças climáticas e à ocupação de áreas vulneráveis.

    Vereadores da oposição criticam a condução do processo, apontando falta de participação popular e o que classificam como “fatiamento” da votação, o que dificultaria a compreensão dos impactos. “Estão aprovando diretrizes sem que a população compreenda, há pouca participação popular”, afirma a líder Karen Santos (PSol). Já a base governista avalia o acordo como um avanço, destacando a importância do projeto para o futuro da cidade.

    A revisão do Plano Diretor ocorre com atraso, já que a última atualização parcial foi realizada em 2010, embora uma nova revisão estivesse prevista para 2020.


    Impacto no Mercado Imobiliário

    Há expectativa dos defensores do novo Plano Diretor que, no longo prazo, haja redução do custo médio da moradia ao ampliar a oferta de imóveis em áreas com infraestrutura consolidada.

    No entanto, atualmente, o mercado apresenta valorização: os preços residenciais subiram cerca de 5,39% em 2025, atingindo média de R$ 7.505 por metro quadrado.

    Regiões como o Centro Histórico e o Quarto Distrito tendem a atrair investimentos, mas há risco de valorização desigual, que pode dificultar o acesso da população de menor renda às áreas centrais.

    Guia de Alturas

    Abaixo, confira alguns dos limites de altura definidos para as principais áreas da cidade no novo projeto:

    Região / LocalidadeLimite de Altura (Metros)Perfil da Edificação
    Centro Histórico e Quarto Distrito, Praia de Belas, eixos centrais.Até 130mPrédios de grande porte (40 andares)
    Entorno da Arena e Beira-RioAté 130mGrandes empreendimentos e hotéis
    Grandes eixos urbanos (Ipiranga, Carlos Gomes, Protásio Alves, Dom Pedro II)Até 90mPrédios comerciais e residenciais altos
    Áreas urbanas consolidadas (Bom Fim, Cidade Baixa, Menino Deus, etc.)Até 60mPerfil residencial consolidado
    Áreas residenciais intermediáriasAté 18 mBaixa densidade
    Áreas de preservação / baixa densidade (zona sul, ilhas, áreas ambientais)Até 9 mUso muito restrito, baixa verticalização

    A proposta do novo Plano Diretor de Porto Alegre reorganiza a cidade em 16 Zonas de Ordenamento Territorial (ZOTs), cada uma com limites de altura específicos que modificam a regra geral anterior de 52 metros. 

    A prefeitura disponibilizou um Mapa Interativo onde é possível consultar o limite de altura exato para cada rua ou endereço da cidade.

    Com o encerramento da votação das emendas na próxima semana, o texto base segue para a redação final. O impacto esperado é de uma Porto Alegre mais densa, buscando atrair novos moradores para áreas já infraestruturadas e que visa, ao menos promete, frear a expansão desordenada para as periferias.

  • Ambientalistas ampliam debate sobre os impactos de uma nova fábrica de celulose às margens do Guaíba

    Ambientalistas ampliam debate sobre os impactos de uma nova fábrica de celulose às margens do Guaíba

    Um comitê formado por biólogos, engenheiros químicos, médicos, representantes dos povos indígenas e quilombolas promoveu na terça-feira, 7 de abril, na Câmara Municipal de Porto Alegre, uma Audiência Pública Popular para discutir os impactos da instalação de uma nova fábrica de celulose da CMPC, projetada para ser construída no município de Barra do Ribeiro.

    Em pauta, as falhas no estudo de impacto ambiental apresentado pela empresa, a poluição do Guaíba devido ao aumento excessivo de efluentes e possíveis consequências para a qualidade da água, a saúde da população e o meio ambiente. O debate foi promovido pelo vereador Alexandre Bublitz (PT) e pelo biólogo e professor da UFRGS Paulo Brack, vereador suplente pelo PSol.

    A bióloga Rosa Rosado coordenou o debate, acompanhada por cerca de 60 pessoas. Entre os presentes, Eduíno de Mattos, do comitê das bacias Guaíba e Gravataí, a engenheira química Alda Maria Corrêa, ex-analista ambiental da Fepam na área de efluentes, a bióloga Cátia Regina Machado, especialista em efluentes, e a médica e indigenista Roselaine Murlik.

    A empresa CMPC não enviou representantes

    Leia mais sobre:

    Carga tóxica no Guaíba vai dobrar com nova fábrica de celulose, alerta ambientalista

    Bióloga aponta falhas técnicas no estudo de impacto ambiental da nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro

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  • Porto Alegre tem 8,5 mil pessoas em 204 áreas de risco, aponta levantamento

    Porto Alegre tem 8,5 mil pessoas em 204 áreas de risco, aponta levantamento

    Cerca de 8,5 mil pessoas vivem em áreas de risco em Porto Alegre, distribuídas em 204 setores considerados prioritários, segundo dados do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), apresentado nesta sexta-feira (10), em audiência pública na Cinemateca Capitólio, no Centro Histórico da capital gaúcha.

    O estudo identifica 8.591 moradores expostos a riscos geológicos e hidrológicos — como enchentes, deslizamentos e erosões —, sendo 35 setores classificados como de risco muito alto e os demais como de alto risco. Ao todo, foram mapeadas 3.438 edificações em áreas vulneráveis.

    Elaborado em parceria entre a Prefeitura, a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Governo Federal, o plano revisa e detalha o mapeamento de áreas críticas na Capital, com foco na prevenção de desastres e no planejamento de intervenções.

    Como principal medida, o PMRR recomenda investimento de R$ 88,7 milhões na execução de 24 obras estruturais. Dessas, 17 são intervenções hidrológicas, voltadas à drenagem e controle de alagamentos, e sete geotécnicas, direcionadas à contenção de encostas. As ações têm potencial de beneficiar diretamente 1.623 moradias.

    O levantamento também prevê medidas não estruturais, como ações de planejamento, educação e fortalecimento institucional, embora essas não tenham estimativa de custo definida.

    Os dados indicam que a maior parte dos riscos está associada a processos hidrológicos, presentes em 121 setores, incluindo inundações e enxurradas. Já os demais envolvem problemas geodinâmicos, como deslizamentos, queda de blocos e erosão de margens.

    Professor Guilherme Garcia apresentou resultados do Plano Municipal de Redução de Riscos. Foto Cesar Lopes/ PMPA

    Durante a apresentação, o coordenador do estudo e professor da UFRGS, Guilherme Garcia de Oliveira, destacou que o plano passou por reformulação após a enchente de 2024, ampliando o escopo das áreas de inundação. Segundo ele, o documento deve servir como base para a captação de recursos federais e aprimoramento das políticas públicas.

    O prefeito Sebastião Melo afirmou que o município buscará financiamento para viabilizar as obras e ressaltou que o crescimento urbano desordenado contribuiu para a ocupação de áreas de risco. Já
    André Machado, diretor do Departamento Municipal de Habitação (Demhab), destacou a necessidade de equilíbrio em eventuais reassentamentos e a importância da participação das comunidades nas decisões.

    O plano, que levou dois anos para ser elaborado, é considerado um instrumento inicial de planejamento e deverá ser atualizado periodicamente, diante das mudanças urbanas e climáticas que afetam a cidade.

    Veja a apresentação do PMRR aqui.

  • Jornalista Batista Filho palestra em ato pelos 62 anos do Golpe Militar

    Jornalista Batista Filho palestra em ato pelos 62 anos do Golpe Militar

    O jornalista João Batista Filho, de 86 anos, será o palestrante do “Ato de Repúdio pelos 62 Anos da Ditadura Militar”, que ocorre nesta quarta-feira (8), às 19h, no Auditório Ana Terra da Câmara Municipal de Porto Alegre. A atividade é promovida pela Associação dos Ex-Presos e Perseguidos Políticos do Rio Grande do Sul (AEPPP/RS).

    Batista Filho é militante histórico do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) e presidente de honra da Associação Riograndense de Imprensa (ARI). Durante o evento, ele deve relatar sua experiência pessoal no período do golpe de 1964, quando tinha 24 anos e já atuava como jornalista.

    Na época, Batista acompanhou de perto os desdobramentos iniciais do golpe, incluindo a saída do então presidente João Goulart e de Leonel Brizola do país. Em sua palestra, pretende abordar o impacto do regime militar, marcado pela suspensão de direitos políticos e civis, censura à imprensa, repressão, perseguições, prisões, torturas e mortes.

    À época do golpe, Batista Filho trabalhava como redator e apresentador de notícias na TV Piratini, além de atuar na sucursal da Agência Nacional em Porto Alegre e como comentarista esportivo em rádio.

    O presidente da AEPPP/RS, Sérgio Bittencourt, destaca a importância da realização do ato em um contexto de polarização política no país. Segundo ele, há interpretações equivocadas sobre o período da ditadura, o que reforça a necessidade de iniciativas que resgatem a memória histórica. Bittencourt também ressaltou a trajetória do jornalista, classificando-o como uma referência ética e uma liderança consolidada no meio da comunicação.

    Memória, verdade e justiça

    O evento conta com apoio da Fundação Caminhos da Soberania (FCS) e do gabinete do vereador Pedro Ruas (PSOL), que tradicionalmente promove atividades para marcar a data e destacar o Movimento da Legalidade.

    De acordo com o vereador, a realização do ato na Câmara integra sua atuação em defesa dos direitos humanos. Ele afirma que os princípios de memória, verdade e justiça justificam o apoio à iniciativa e reforçam a necessidade de reflexão sobre o período.

    Ruas também avalia que o país ainda enfrenta dificuldades em lidar com o legado da ditadura, especialmente pela ausência de responsabilização dos envolvidos em violações de direitos humanos. Para ele, ações como essa são fundamentais para conscientizar as novas gerações sobre os impactos do regime militar.

    Programação inclui mostra de charges

    A programação alusiva ao golpe também inclui a exposição “1º de Abril: 62 anos do golpe militar em charges”, organizada pelo Movimento de Justiça e Direitos Humanos. A mostra foi aberta no dia 1º de abril e segue até o dia 15, no saguão Adel Carvalho da Câmara Municipal de Porto Alegre.

    A exposição reúne 60 trabalhos de 22 chargistas, com participação da Grafar – Grafistas Associados do Rio Grande do Sul – e do jornal O Grifo. A curadoria é do jornalista Celso Schröder.

  • Governo gaúcho abre consulta pública para PPP de ampliação do Centro Administrativo Fernando Ferrari

    Governo gaúcho abre consulta pública para PPP de ampliação do Centro Administrativo Fernando Ferrari

    O governo do Estado lançou, na segunda-feira (6/4), uma consulta pública sobre a parceria público-privada (PPP) do Centro Administrativo Fernando Ferrari (Caff), localizado em Porto Alegre. O período de escuta da população, para acolher sugestões e críticas ao projeto, vai até 15 de maio.

    A Parceria Público-Privada visa modernizar, reformar e ampliar o complexo, com previsão de R$ 1,3 bilhão em investimentos. O projeto inclui a construção de novos andares no prédio central e novas áreas de convivência, visando eficiência energética e melhor infraestrutura.

    As minutas de edital e contrato, bem como os estudos, estão disponíveis nesta página. Uma audiência pública também está prevista, em data a ser confirmada.

    Proposta

    A proposta da PPP, estruturada em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), prevê obras de reforma, requalificação e equipagem. Inclui ainda operação, manutenção e gestão do complexo, abrangendo edificações onde estão alocados órgãos como o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) e a Procuradoria-Geral do Estado (PGE).  

    Segundo o governo estadual, a parceria com a iniciativa privada, que será de 30 anos, vai garantir maior agilidade na execução das obras – previstas para serem concluídas nos seis primeiros anos do contrato – e menos burocracia – pois se trata de um contrato apenas.

    A PPP prevê a construção de nove andares no Caff e 2.904 estações de trabalho. Projeta ainda 3.263 novas vagas de estacionamento e 14 edificações – que resultarão em mais espaços de reunião e coworking, além de áreas comerciais e de convivência, entre outros ambientes.

    Sobre o Caff

    Localizado em uma área de 104.653 metros quadrados, o Caff integra o movimento urbanístico que ocupa a faixa entre a Usina do Gasômetro e o Parque Marinha do Brasil. Inspirado na arquitetura modernista de Brasília, o complexo começou a ser construído em 1976 e foi inaugurado em 1987.

    Com formato piramidal, o edifício principal abriga atualmente 18 secretarias de Estado, distribuídas em 21 andares organizados em duas alas. Abrange também o anexo onde funciona a Secretaria da Educação (Seduc) e a Casa da Ospa – totalizando 19 órgãos instalados no conjunto.

  • Audiência pública em Porto Alegre discute ampliação da CMPC

    Audiência pública em Porto Alegre discute ampliação da CMPC

    Uma audiência pública, nesta terça-feira, 07 de abril, a partir das 18h, na Câmara de Vereadores de Porto Alegre, debate o projeto de expansão da multinacional CMPC, que planeja instalar em Barra do Ribeiro o que pode ser a maior indústria de celulose da América Latina, com investimento de R$ 27 bilhões. Embora o empreendimento prometa a geração de milhares de empregos e melhorias na infraestrutura logística, ele enfrenta forte resistência de ambientalistas e órgãos oficiais. O Ministério Público Federal, inclusive, já recomendou a suspensão do licenciamento devido à ausência de consultas prévias a comunidades indígenas e quilombolas, conforme exigido por normas internacionais.

    Os principais pontos de alerta concentram-se no impacto ambiental extremo sobre o bioma Pampa e no sistema hídrico do Guaíba. Preocupa a escala da captação de água — superior ao consumo de toda a capital — e o descarte de efluentes químicos próximo a pontos de captação do DMAE, o que coloca em risco a segurança hídrica da população. Além disso, o avanço da silvicultura de eucalipto em mais de 70 municípios e a possível contaminação por metais pesados e agrotóxicos mobilizam especialistas e comunidades tradicionais que dependem diretamente desses ecossistemas.

    Local:Plenário Ana Terra
    Categoria:Aberto ao Público
    Data:em 07/04/2026, das 18:00 às 22:00

    Endereço. Av. Loureiro da Silva, 255 – Porto Alegre

  • Porto Alegre avança na votação do Plano Diretor sob críticas de “fatiamento” e riscos climáticos

    Porto Alegre avança na votação do Plano Diretor sob críticas de “fatiamento” e riscos climáticos

    A Câmara Municipal de Porto Alegre entrou na fase final da revisão do Plano Diretor. Após meses de impasse, um acordo entre a base do prefeito Sebastião Melo (MDB) e a oposição acelerou a votação de mais de 200 emendas. A expectativa é que o texto final seja apreciado ainda em abril e que todo o processo se encerre no início de maio.

    Nas últimas sessões, foram aprovadas as primeiras 18 emendas sugeridas pela oposição. Mas, outras 136 foram rejeitadas em bloco.

    Entre os pontos já aprovados, tanto de emendas da base quanto da oposição, há desde a criação de “refúgios climáticos”, atualização de áreas de risco, até regras para veículos aéreos elétricos e também a manutenção das Zonas Especiais de Interesse Social (ZEIS), além da inclusão de bibliotecas comunitárias no planejamento urbano.

    Os vereadores da oposição criticam o que chamam de “fatiamento” da votação. “Estão aprovando diretrizes sem que a população compreenda os impactos reais nos bairros”, afirma a líder Karen Santos (PSol). Propostas que endureciam regras para grandes empreendimentos foram rejeitadas, como estudos de impacto de vizinhança mais rigorosos.

    Verticalização no centro do debate

    O ponto mais controverso é a liberação de prédios de até 130 metros, especialmente no Centro Histórico e no Quarto Distrito — regiões fortemente atingidas pelas enchentes de 2024.

    A prefeitura defende a medida como estratégia de desenvolvimento. “O adensamento é necessário para otimizar a infraestrutura e gerar recursos para a cidade”, já afirmou o secretário Germano Bremm. O prefeito Sebastião Melo sustenta que o plano busca “preparar Porto Alegre para o futuro”.

    Especialistas, no entanto, apontam riscos. “Há uma desconexão entre o adensamento e a realidade climática”, avaliam representantes do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB-RS), como a conselheira do IAB RS e professora da UFRGS Clarice Oliveira, que participou de um debate promovido no IAB sobre o Plano Diretor.

    A bióloga Simone Azambuja, da Agapan, confirma: “o plano não leva em conta as mudanças climáticas”, e pode agravar problemas em áreas vulneráveis. Ela também critica o argumento de inclusão social: “A população de baixa renda não terá acesso a esses empreendimentos”.

    Pressão e risco

    Entidades da sociedade civil apontam falhas no processo, como falta de participação popular e ausência de diretrizes ambientais. E o Ministério Público chegou a recomendar a suspensão da tramitação. “Se houver ilegalidades, o projeto pode ser questionado na Justiça”, alerta o promotor Cláudio Ari Pinheiro de Mello.

    Segundo ele, há indícios de conflito com o Estatuto da Cidade, especialmente na prevenção de desastres.

    Próximos passos

    Votação das emendas na Câmara ocorre durante o mês de abril. Foto Ederson Nunes/CMPA

    A prefeitura afirma que o plano teve participação popular e admite ajustes técnicos. Também defende que o adensamento permitirá financiar obras contra enchentes.

    A votação deve continuar nos próximos dias. Após aprovação, o texto seguirá para sanção do prefeito.

    A revisão ocorre com anos de atraso — o Plano Diretor de Porto Alegre foi atualizado, parcialmente, em 2010, e deveria ter sido novamente analisado em 2020.

  • Justiça suspende obras de espigão na Rua Gonçalo de Carvalho

    Justiça suspende obras de espigão na Rua Gonçalo de Carvalho

    A juíza Patrícia Antunes Laydner, da Vara Regional do Meio Ambiente de Porto Alegre, determinou liminarmente a suspensão de qualquer intervenção material que altere o estado atual da área do empreendimento imobiliário Tipuanas.

    A decisão estabelece que as empresas responsáveis se abstenham de iniciar ou dar continuidade às obras e que o Município de Porto Alegre apresente estudos e documentos ambientais complementares. Em caso de descumprimento, foi fixada multa diária de R$ 10 mil, limitada inicialmente a R$ 300 mil. A decisão é desta quarta-feira, 1º de abril.

    Parte da comunidade da região já havia realizado protestos contra o projeto da construtora Melnick, que pretende erguer um prédio de 20 andares e 163 apartamentos na área de estacionamento do Shopping Total, com entrada pela Gonçalo de Carvalho.

    A decisão judicial atende a pedido da ONG Princípio Animal, que questiona a regularidade do licenciamento do empreendimento Tipuanas, projetado para área próxima à Rua Gonçalo de Carvalho, de reconhecida relevância ambiental e paisagística em Porto Alegre. A parte autora sustenta que o projeto foi aprovado sem a realização de Estudo de Impacto Ambiental (EIA/RIMA) e sem análise adequada dos impactos sobre a paisagem urbana, a arborização histórica, a fauna urbana e o patrimônio cultural da região.

    Decisão

    A Juíza Patrícia também ressaltou a ausência, nos autos, de estudo específico sobre os impactos do empreendimento na fauna urbana, bem como a existência de previsões de supressão, transplante e compensação vegetal, circunstâncias que, segundo a decisão, afastam a premissa de inexistência de impacto ambiental. “A ausência de corte de árvores do passeio público não esgota a análise dos impactos potenciais sobre o ecossistema urbano, o microclima, a fauna e a paisagem”, afirmou .

    Outro ponto considerado foi o enquadramento do empreendimento no Programa +4D, regime urbanístico excepcional que permite flexibilização de parâmetros construtivos. A decisão consignou que a aplicação desse regime exige compatibilidade material com os objetivos da política pública de regeneração urbana, não sendo suficiente a mera aderência formal, sob pena de retrocesso urbanístico-ambiental.

    Também foram levadas em conta manifestações do Ministério Público e informações sobre possível impacto ao patrimônio cultural e arqueológico da área, inclusive com comunicação do IPHAN, o que reforçou a necessidade de aprofundamento da análise técnica antes do avanço das obras.

    O projeto

    O projeto da Melnick consiste de uma torre de 60 metros de altura com 163 apartamentos, e prevê investimento de R$ 100 milhões. Segundo a construtora, a obra não irá remover árvores ou modificar a estrutura da rua. O prédio ficará no estacionamento do shopping Total, que, em troca, poderá explorar um “boulevard” que também será construído no local.

    A Gonçalo de Carvalho é conhecida pelo seu “túnel verde” formado por mais de 100 tipuanas de até 15 metros de altura, plantadas há mais de 90 anos. A via é um Patrimônio Ambiental de Porto Alegre, preservado após mobilização dos moradores e com reconhecimento em lei de 2006.

  • “Carta de Porto Alegre” propõe frente global em defesa da democracia

    “Carta de Porto Alegre” propõe frente global em defesa da democracia

    Na quinta-feira, Olívio Dutra foi o primeiro a falar. Disse que a luta contra o fascismo é, essencialmente, uma luta contra governos que não colocam a vida humana como prioridade central das políticas públicas.

    “A democracia deve ser social e participativa, e não um instrumento controlado por minorias ou pelo mercado financeiro”, afirmou.

    Concluiu com uma convocação para derrotar o fascismo e o “bolsonarismo local” através da mobilização popular nas ruas. 

    A passeata, na quinta-feira, 26 de março de 2026, marcou a abertura da I Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, em Porto Alegre.

    Pelo menos cinco mil pessoas foram às ruas no Centro da capital gaúcha no início da noite e caminharam do Mercado Público até o largo Zumbi dos Palmares, cruzando todo o Centro Histórico de Porto Alegre.  

    A organização envolveu partidos de esquerda (PSOL, PT, PCdoB), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), além de sindicatos e coletivos.

    Delegados de mais de 40 países participaram dos debates sobre estratégias contra as ameaças à democracia pelo avanço da extrema-direita e do fascismo.

    Cerca de 3.500 pessoas se inscreveram nas conferências e painéis. As atividades ocorreram em diversos locais da capital gaúcha, com destaque para as sessões na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul e na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). 

    Sem ter a dimensão e o alcance das edições do Fórum Social Mundial, a Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos, confirmou Porto Alegre como um potencial polo de resistência democrática, reunindo milhares de pessoas em atos públicos e debates. 

    A  conferência foi encerrada com a “Carta de Porto Alegre”, que reafirma a luta internacional contra o fascismo e em defesa da soberania dos povos, alertando para os riscos à democracia.

    Os atos reafirmaram a defesa da educação pública, ciência, tecnologia e soberania dos povos. 

    Os principais pontos e diretrizes do documento incluem:

    • criação de uma frente internacional ampla para combater o avanço de ideologias de extrema direita e proteger as instituições democráticas.
    • Condenação do “genocídio em Gaza” e o fim das ações militares na região.
    • Repúdio a ataques militares e sanções econômicas unilaterais, citando especificamente o apoio à autodeterminação do povo iraniano e o fim do bloqueio a Cuba.
    • Educação pública e ciência como bases fundamentais para a soberania nacional e a resistência ao fascismo.
    • Clima e Meio Ambiente com respeito a soberania dos povos sobre seus territórios. 

    O texto completo, aprovado no encerramento da 1ª Conferência Internacional Antifascista em 29 de março de 2026, está disponível nos seguintes links:

    • Portal da CUT-RS: Publicou o texto detalhando as resoluções sobre soberania e solidariedade internacional.
    • Site do CPERS Sindicato: Oferece o documento na íntegra com foco nas pautas de educação e serviços públicos.

  • Debate: “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?”

    Debate: “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?”

    Sul21, Brasil de Fato e IAB-RS promovem um debate sobre o Plano Diretor de Porto Alegre, no dia 30 de março. O evento “O Novo Plano Diretor Respeita o Direito à Cidade?” será realizado a partir das 19h30, no solar do IAB, que fica na Rua General Canabarro, nº 363, centro da capital gaúcha.

    A Câmara de Vereadores de Porto Alegre iniciou neste mês de março o que será um longo processo de votação do projeto de lei que atualiza o Plano Diretor Urbano Sustentável (PDUS) da Capital. Com 386 emendas apresentadas, a previsão de conclusão da votação é apenas no segundo semestre deste ano, o que indica um ano marcado por debates sobre o futuro da cidade na Câmara de Vereadores.

    O debate é aberto ao público e tem entrada franca e terá mediação de Vanessa Marx, professora do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e do Departamento de Sociologia da UFRGS e integrante do Observatório das Metrópoles, o evento terá como palestrantes a vereadora Juliana de Souza (PT), a conselheira do IAB-RS e professora do Departamento de Urbanismo da Faculdade de Arquitetura e do PROPUR/UFRGS Clarice Oliveira e o promotor Cláudio Ari Pinheiro de Mello, coordenador do Centro de Apoio Operacional de Defesa da Ordem Urbanística e Questões Fundiárias do MPRS (Caourb-MP/RS).

    A organização convidou para o debate o secretário do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, Germano Bremm, um dos responsáveis pelo elaboração da proposta da Prefeitura, bem como representantes da base aliada ao governo Sebastião Melo na Câmara de Porto Alegre, mas os convites foram declinados.

    Altura em foco

    Apesar de promover impactos profundos em diversas regras urbanísticas, o projeto de revisão do Plano Diretor encaminhado pela Prefeitura tem como foco, mais uma vez, a proposta de elevação da altura máxima para construções em Porto Alegre.

    O Plano Diretor em vigor, que data de 2010, estabelece a altura máxima de 45 metros para construções em algumas partes da cidade. Esse limite já foi rompido no caso do Centro e do 4º Distrito, que ganharam planos específicos e passaram a permitir construções que ultrapassam os 90 metros. A proposta do PDUS em discussão na Câmara é elevar o limite para até 130 metros em algumas áreas da cidade.

    Além da polêmica sobre a altura, há outras questões que indicam que a revisão pode, inclusive, ir parar no Judiciário. Em apresentação recente na Câmara, o promotor Cláudio Ari apontou que o projeto possui ao menos três aspectos importantes em desacordo com o Estatuto da Cidade: não toca na prevenção de desastres, amplia o índice construtivo em prejuízo à negociação de solo criado e torna as regras urbanísticas dependentes das secretarias municipais.

    Também há contestações se a elaboração da proposta de Plano Diretor seguiu as regras de participação e consulta popular previstas em lei.

    Estes temas, bem como os impactos das mudanças previstas na proposta para o futuro de Porto Alegre, serão debatidos no evento.