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  • Quem é Pacheco, o mineiro que se elegeu no Senado com apoio de Bolsonaro e do PT

    Quem é Pacheco, o mineiro que se elegeu no Senado com apoio de Bolsonaro e do PT

    Rodrigo Pacheco, do Democratas de Minas Gerais é o 68º presidente do Senado Federal. Na eleição desta segunda-feira, ele obteve 57 votos, derrotando Simone Tebet (MDB-MS), que obteve 21 votos.

    Outros candidatos, como Jorge Kajuru (Cidadania-GO), Lasier Martins (Podemos-RS) e Major Olímpio (PSL-SP), desistiram de suas candidaturas na última hora para apoiar Simone Tebet, do PMDB, mas isso não foi o suficiente para ela superar Pacheco.

    Ele tem 44 anos, está no primeiro mandato e presidirá o Senado e o Congresso Nacional, pelos próximos dois anos.

    Mas quem é esse senador novato que conseguiu reunir apoio de todas as correntes ideológicas –  de Bolsonaro à bancada do PT?

    Rodrigo Pacheco nasceu em Porto Velho, embora seja apresentado na imprensa como “senador mineiro”.  Seu estilo é realmente típico do político mineiro.  Habilidoso, conciliador, aparador de arestas.

    Em seu discurso, após a vitória, ele disse que sua gestão, formada com alianças de diferentes correntes ideológicas, pode ser uma oportunidade de “pacificação” das relações políticas.

    ” Vamos fazer disso uma grande oportunidade, uma grande oportunidade singular de pacificação das nossas relações políticas e institucionais porque é isso que a sociedade brasileira espera de nós”.

    Rodrigo Pacheco nasceu em Porto Velho, em 3 de novembro de 1976, mas fez carreira política em Minas. Ele é advogado e está em seu primeiro mandato como senador.

    Antes, foi deputado federal entre 2015 e 2018, quando presidiu a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. No Senado, atuou como vice-presidente da Comissão de Transparência e Governança (CTFC).

    Seuprimeiro discurso foi abrangente e conciliador.  Defendeu a independência da Casa, o combate à corrupção, a geração de empregos, o combate à pandemia, a estabilidade econômica e a preservação do meio ambiente.

    Também citou as reformas, sobretudo a tributária, que o governo federal tenta emplacar há vários meses,  Para ele, no entanto,  as reformas devem ser debatidas, mas “sem atropelos”.

    “As votações de reformas que dividem opiniões, como a reforma tributária e a reforma administrativa, deverão ser enfrentadas com urgência, mas sem atropelo. O ritmo dessas e de outras reformas importantes será sempre definido em conjunto com os líderes e com o plenário desta Casa”.

    Pouco depois, em declaração à imprensa, citou a reforma administrativa, criticando o que chamou de “demonização do servidor público”. Para ele, servidor público “não é problema, é solução”.

    Está marcada para amanhã (2) a eleição do restante da Mesa Diretora do Senado, na primeira sessão comandada por Pacheco.

    A Mesa é composta pelo presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e seus suplentes. Graças ao apoio ao senador do DEM, o PT deverá ganhar a 3ª Secretaria da Mesa e a presidência de duas comissões: de Direitos Humanos e a do Meio Ambiente, conforme adiantou o líder do partido, Rogério Carvalho (PT-SE), à TV Senado.

     

  • Campanha contra o candidato de Bolsonaro ganha força nas redes sociais

    Artistas como Fábio Porchat, Débora Falabella, Bruno Gagliasso e Patrícia Pillar têm se mobilizado nas redes sociais com a hashtag #Liranao para pressionar deputados a não votarem no deputado Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara.

    O ato virtual ganhou força na sexta-feira (29) e também conta com a adesão de grupos como Vem Pra Rua e do Movimento Brasil Livre (MBL).

    A candidatura de Lira conta com o apoio do presidente Jair Bolsonaro. O movimento nas redes também faz parte de uma mobilização em favor do impeachment do Bolsonaro.

    Os manifestantes afirmam que, caso Lira seja eleito, nenhum dos 65 pedidos de impeachment contra o presidente da República avançarão. A movimentação nas redes tem tido adesão de pessoas de diferentes posicionamentos políticos.

    As postagens também relembram que Lira responde a um processo por corrupção e outro por agressão à ex-mulher. O principal adversário de Lira na disputa, o deputado Baleia Rossi (MDB-SP), também se manifestou agradecendo a mobilização e defendendo a independência da Câmara.

  • Eleição presencial para escolher novos presidentes da Câmara e do Senado

    Eleição presencial para escolher novos presidentes da Câmara e do Senado

    Deputados e senadores  elegem nesta segunda-feira, 1,  os presidentes da Câmara e do Senado para os próximos dois anos.

    A eleição no Senado começa as 14 horas,  na Câmara a votação será a partir das 19h. Ambas as eleições serão presenciais. O voto também é secreto e apurado pelo sistema eletrônico.

    No Senado, cinco parlamentares concorrem ao cargo.

    São eles: Simone Tebet (MDB-MS), Rodrigo Pacheco (DEM-MG), Major Olimpio (PSL-SP), Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Lasier Martins (Podemos).

    Novas candidaturas podem ser apresentadas até pouco antes do início da votação. A disputa, entretanto, está polarizada entre a senadora Simone Tebet e o senador Rodrigo Pacheco.

    Para ser eleito, o candidato precisará ter no mínimo a maioria absoluta dos votos, ou seja, pelo menos 41 dos 81 senadores.

    Na ocasião serão eleitos ainda os demais membros da Mesa Diretora, também para um mandato de dois anos, mas a recondução é vedada. A Mesa é composta pelo presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e seus suplentes. Os votos para os cargos da Mesa só são apurados depois que for escolhido o presidente.

    Como a eleição será presencial, medidas de segurança foram adotadas para evitar a contaminação pelo novo coronavírus.

    Entre elas estão a colocação de duas urnas de votação do lado de fora do plenário: uma na chapelaria (uma das entradas do prédio do Congresso) e outra no Salão Azul.

    O plenário estará com acesso restrito a senadores. Também haverá mais pontos com oferta de álcool em gel na Casa.

    Cargo
    O cargo de presidente do Senado é privativo de brasileiros natos e acumula a função de presidente do Congresso Nacional, sendo ainda o terceiro na linha de sucessão da Presidência da República, depois do vice-presidente e do presidente da Câmara dos Deputados. Ele também integra o Conselho de Defesa Nacional e o Conselho da República. Ambos são órgãos consultivos do presidente da República.

    Além disso, cabe ao presidente da Casa organizar a pauta de votações e também conduzir os processos de julgamento do presidente da República, vice-presidente, ministros do Supremo Tribunal Federal, membros do Conselho de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público, procurador-geral da República e advogado-geral da União e, nos crimes conexos ao presidente e vice, ministros de Estado, comandantes das Forças Armadas.

    Câmara
    No caso da Câmara, o atual presidente, Rodrigo Maia (DEM-RJ), chegou a propor a realização de maneira remota, mas a mesa decidiu, por maioria, pela votação presencial. Com isso, está prevista a circulação de aproximadamente 3 mil pessoas no prédio da Câmara, em um momento de aumento nos casos de contaminação pelo novo coronavírus em todo o país.

    Visando diminuir as aglomerações e manter o distanciamento, a mesa decidiu que as urnas para a votação ficarão dispostas no plenário e nos salões Verde e Nobre, espaços que ficarão restritos aos parlamentares.

    Até o momento, nove deputados concorrem ao cargo de presidente – dois por blocos partidários, dois de partidos e cinco candidaturas avulsas. Novas candidaturas podem ser apresentadas até pouco antes do início da votação.

    A disputa, entretanto, está polarizada entre as candidaturas dos deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP). Lira foi o primeiro parlamentar a se lançar na disputa. Já Rossi conta com o apoio do atual presidente da Casa.

    Prazo
    Na quinta feira (28), Maia encaminhou ofício aos deputados informando que o prazo limite para a formação de blocos parlamentares termina nesta segunda-feira (1º), às 12h.

    Às 14h, terá início a reunião de líderes, para a escolha dos cargos da Mesa Diretora pelos partidos, conforme o critério de proporcionalidade. Pelo regimento, os cargos são distribuídos aos partidos na proporção do número de integrantes dos blocos partidários.

    A mesa é composta pelo presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e seus suplentes. Os votos para os cargos da Mesa Diretora só são apurados depois que for escolhido o presidente.

    Conforme o Regimento Interno, a eleição dos membros da mesa ocorre em votação secreta e pelo sistema eletrônico, exigindo-se maioria absoluta de votos no primeiro turno e maioria simples no segundo turno.

    Às 17h, termina o prazo para registro das candidaturas. Terminado esse prazo, haverá o sorteio da ordem dos candidatos na urna eletrônica.

    Às 19h está previsto o início do processo de escolha do novo presidente. Pelo regimento da Câmara, para que um candidato seja eleito, ele precisa da maioria absoluta dos votos, ou seja, 257 dos 513 votos disponíveis.

    Caso nenhum candidato alcance a maioria absoluta, será realizado um segundo turno, em que sairá vencedor o que obtiver maioria simples.

    Presidência
    O cargo de presidente da Câmara dos Deputados é reservado a brasileiros natos. Cabe ao presidente falar em nome da Casa legislativa. Quem ocupa o cargo também é responsável por ficar no segundo lugar na linha sucessória da Presidência da República, depois do vice-presidente. Integra ainda o Conselho de Defesa Nacional e o Conselho da República.

    Cabe ao presidente da Casa organizar a pauta de votações, a chamada ordem do dia, em conjunto com o Colégio de Líderes, integrado pelas lideranças dos partidos políticos e bancadas da Casa.

    Além disso, o presidente da Câmara dos Deputados tem a palavra final sobre pedidos de abertura de processo de impeachment ou instalação de comissões parlamentares de Inquérito (CPI’s).
    (Com Agência Brasil)

  • Trabalho escravo: Ministério do Trabalho recebe mais de mil denúncias por ano

    Trabalho escravo: Ministério do Trabalho recebe mais de mil denúncias por ano

    No fim do ano passado, a história de Madalena Gordiniano, que passou quase toda uma vida trabalhando em condições semelhantes à escravidão, chocou o Brasil.

    A mulher, que, aos 8 anos de idade, foi pedir um pedaço de pão e acabou servindo a uma família por 38 anos, nunca recebeu salário nem direitos trabalhistas, vivia reclusa, foi forçada a casar e chegou até a pedir comida e sabonete para vizinhos.

    O calvário só chegou ao fim em novembro de 2020, quando, após denúncia, ela foi resgata por auditores fiscais do trabalho em um apartamento na cidade de Patos de Minas (MG). Vivia num cômodo, que não tinha sequer janelas.

    Madalena foi resgatada em 2020, pleno século 21. Mas, como ela, muitas pessoas ainda sofrem situações semelhantes àquelas vividas pelos escravos no período colonial.

    Trabalho forçado, jornada exaustiva, condições degradantes, servidão por dívida são algumas das características do que se chama trabalho escravo moderno.

    Só nos últimos cinco anos (2016-2020), o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 6 mil denúncias relacionadas aos temas trabalho escravo e aliciamento e tráfico de trabalhadores.

    De acordo com o vice-coordenador nacional de Combate ao Trabalho Escravo e Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas (Conaete), do MPT, Italvar Medina, só no ano passado, mais de 900 trabalhadores foram resgatados de situações análogas ao trabalho escravo.

    “A grande parte das situações ocorreu no meio rural, sobretudo nas atividades de café, carvoarias e plantio e colheita de cebola. Mas também tivemos resgates urbanos em oficinas de costura e trabalho doméstico”.

    Segundo Medina, as vítimas do trabalho escravo moderno são pessoas em situação de alta vulnerabilidade social, baixa escolaridade, com poucas oportunidades de emprego e baixa consciência de seus direitos.

    “Elas são iludidas por promessas de ótimas condições de trabalho e remuneração, muitas vezes levadas a sair do seu estado de origem e quando chegam ao seu destino, percebem que a situação não é como foi prometida”, diz.

    O vice-coordenador nacional da Conaete destaca o perfil desses escravos modernos: 70% dos resgatados são pardos ou negros “o que inclusive é revelador da persistência do racismo estrutural no país, pois a cor de hoje ainda reflete a dos escravos de antigamente”, analisa.

    A maioria deles são homens e com grau de escolaridade baixo. O estado de Minas Gerais é o que possui mais casos de trabalhos análogos à escravidão.

    Histórias

    . A servidora do Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso do Sul, Nayara Lima Xavier, acompanhou diversas diligências no estado e presenciou situações degradantes.

    Numa delas, em 2019, os trabalhadores estavam alojados em barracos improvisados com lona e galhos de árvores. Não havia iluminação e estruturas de madeira montadas no chão de terra serviam como cama.

    Como não existia banheiro, os trabalhadores tinham que fazer suas necessidades fisiológicas no mato.

    “A água utilizada para consumo, banho e preparo de alimentos era colhida de um córrego e trazida em galões de lubrificantes. Tinha um aspecto turvo e barroso.”, lembra.

    Além disso, pela falta de energia elétrica, as carnes ficavam penduradas em varais para secar, sujeitando-se ao contato com sujeira e contaminantes diversos.

    Conscientização e Denúncias

    Para marcar o Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, o MPT realiza uma live sobre trabalho escravo e tráfico de pessoas, hoje às 18h, pelo canal TVMPT, no YouTube.

    Denúncias de práticas de trabalho análogo à escravidão podem ser realizadas por meio do Disque 100, pelo site do Ministério Público do Trabalho, nas sedes do MPT e pelo aplicativo do MPT Pardal.

    • Agência Brasil, com informações do Ministério Público do Trabalho e Ministério Público do Trabalho do Mato Grosso do Sul

     

  • Prisão de policial que matou sem terra: “O único entre centenas de casos no país” 

    Prisão de policial que matou sem terra: “O único entre centenas de casos no país” 

    .Onze anos depois do crime, foi preso o brigadiano Alexandre dos Santos, que matou o sem-terra Elton Brum da Silva, numa operação de reintegração de posse, em São Gabriel, em agosto de 2009.

    A sentença definitiva saiu em dezembro, mas a prisão só ocorreu nesta terça.

    Cerca de 500 famílias haviam ocupado a Fazenda Southall, apontada pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra  (MST) como “latifúndio improdutivo”,  passível de desapropriação para fins de reforma agrária.

    A Justiça, no entanto, considerou que era uma “invasão ilegal à propriedade” e determinou a retirada dos sem-terra. Uma força militar foi requisitada para executar o despejo imediato das famílias.

    Houve conflito. No tumulto, Alexandre, que integrava o Pelotão de Operações Especiais do 6° Regimento de Polícia Montada (RPMon) de Bagé, atingiu Elton com um tiro de espingarda calibre 12, pelas costas segundo testemunhos.

    Durante o inquérito, ele assumiu ser o autor do disparo, mas alegou ter confundido a munição. O policial foi condenado a 12 anos de prisão em regime fechado. Ele estava foragido e até a última semana o Estado do Rio Grande do Sul não havia cumprido a exoneração determinada pela Justiça, segundo os advogados do MST .

    O advogado Emiliano Maldonado declarou que “a prisão é importante porque a responsabilização do Estado e a punição do autor do crime é algo extremamente raro nos casos de violência policial, especialmente, quando se trata de vítimas que militam em movimentos sociais”.

    Leandro Scalabrim, advogado do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), ressaltou o ineditismo da punição:  “O cumprimento da lei nesse crime grave que tirou a vida de mais um negro, nos dá um pouco de alento, mas revela mais uma vez seletividade e omissão das instituições. Hoje esse é o único policial militar preso, apesar de serem centenas os casos de morte de trabalhadores rurais em conflitos fundiários no Brasil”, declarou.

    (Com informações do Brasil de Fato, Sul 21 e RBA)

    NOTA DO EDITOR: A fonte original das informações desta matéria é a reportagem de Juan Ortiz, no Matinal Jornalismo, publicada em 19 de janeiro. O policial só foi preso depois que o repórter começou a buscar informações sobre o caso, praticamente esquecido. Link do Matinal:

    https://www.matinaljornalismo.com.br/matinal/reportagem-matinal/pm-e-preso-por-homicidio-de-integrante-do-mst-apos-11-anos/

     

  • Ciro é o primeiro entrevistado em série sobre “frente ampla” para 2022

    Ciro é o primeiro entrevistado em série sobre “frente ampla” para 2022

    Doze líderes da centro esquerda brasileira serão entrevistados na série  que a TVT promove a partir das 22h30 desta terça-feira (19), intitulada “República e Democracia: o futuro não espera”.

    Buscar “consensos estratégicos” para a  “construção de uma unidade progressista” com vistas às eleições presidenciais de 2022 é o objetivo da série.

    “O objetivo é que essa aliança seja capaz de barrar os retrocessos que se acumulam no país desde o golpe de 2016″, diz a nota da TVT.

    As entrevistas serão mediadas pelo ex-ministro e ex-governador do Rio Grande do Sul Tarso Genro (PT), e pelo doutor em Direito e presidente do Instituto Defesa da Classe Trabalhadora (Declatra), Wilson Ramos Filho, o Xixo.

    O vice-presidente do PDT, Ciro Gomes, é o primeiro convidado do programa.

    Também já estão confirmados diálogos com Fernando Haddad (PT), Guilherme Boulos (Psol), Flávio Dino (PCdoB), Manuela D’Ávila (PCdoB), José Dirceu (PT), Roberto Requião (MDB), Luiza Erundina (Psol), Marina Silva (Rede), Aloizio Mercadante (PT) e o ex-ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim.

    Tarso Genro disse que as entrevistas “visam buscar pontos comuns nas ideias apresentadas pelos entrevistados”.

    De acordo com o ex-ministro, essa é uma forma de “contrariar o que é normal em nosso meio”: a verificação dos ‘dissensos’ entre as esquerdas.

    Vai buscar, segundo ele,  ‘consensos’ superiores que possam informar um programa concertado, para unificar uma nova pluralidade de forças com propósito de enfrentar a decadência da República e a crise da democracia liberal.

    A TVT transmitirá o programa República e Democracia: o futuro não espera todas às terças, às 22h30. Você pode acompanhar pelo canal 44.1 da Grande São Paulo ou pelas redes sociais.

    (*) Com informações da Rede Brasil Atual

  • O algoz que ronda o Palácio Piratini

    O algoz que ronda o Palácio Piratini

    O “desequilíbrio das contas públicas” que imobiliza o Rio Grande do Sul tem origem no déficit crônico – despesa maior do que a receita – que já sustenta uma série de mais de 40 anos, com hiatos circunstanciais.

    É histórico o depoimento do então secretário da Fazenda, Jorge Babot Miranda, para uma comissão na Assembleia Legislativa, em 1977. Ele demonstrou a equação perversa do déficit estrutural: despesas crescentes, receitas em queda.

    “Se nada for feito agora, dentro de dez anos o Estado estará ingovernável”, disse Babot com todas as letras.

    Era tempo da ditadura. Os governadores nomeados, com plena cobertura do governo central, não tinham apetite para cortar despesas e, assim, a profecia de Babot não precisou de uma década para se confirmar.

    Em 1986, após uma devassa nas contas públicas, o governador eleito, Pedro Simon, declarou o Rio Grande do Sul “ingovernável”.

    A conta da carne para o Presídio Central em Porto Alegre dava para alimentar toda a população carcerária do Estado. E faltava carne no Presídio Central.

    Simon atacou o problema por aí. Nomeou para a Fazenda o jovem deputado Cezar Schirmer, que nada entendia de finanças públicas, com a missão de “sentar em cima da chave do cofre”.

    Ao final do segundo ano, Simon ganhava capa de uma revista nacional por ter “equilibrado as contas públicas do Rio Grande do Sul”.

    Desde então, dez governos passaram. Todos em algum momento anunciaram que o tinham subjugado.

    O déficit crônico, porém, permanece como um implacável algoz dos ocupantes do Piratini.

     

     

     

  • Uma democracia encalhada nas águas rasas da imprensa

    A democracia brasileira está encalhada nas águas rasas de uma imprensa que, em tese, deveria dar calado ao seu livre curso.

    Vem de longe, mas reserve o passado.   Pegue uma manchete dos últimos dias: o projeto para tirar a autonomia dos governadores no controle sobre as polícias militares.

    Gestado em 2019 e 2020 ( na verdade adaptado de um antiga proposta centralista), chegou as manchetes (num “furo” do Estadao) neste janeiro quando já tem relator e disputa a pauta da Câmara.

    Graças a autonomia do governadores sobre as Policias Militares, pode Leonel Brizola impedir o golpe em 1961, amparado na Brigada Militar.

    Três anos depois, sob as ordens de Ildo Meneghetti, golpista de primeira hora, a mesma Brigada seria decisiva para desarmar qualquer chance de resistência ao golpe  no Rio Grande do Sul.

    Bolsonaro não esconde sua disposição  de se manter no poder a qualquer custo. “Só papai do céu me tira daqui”, não é a frase?

    A mudança proposta no controle das Policias Militares atende aos propósitos do presidente e, não por acaso. o relator é o deputado José Augusto Rosa, o capitão Augusto,  da PM paulista.

    ” E inconstitucional, não passa”, diz o professor de ciência política e todos se tranquilizam. Mas o essencial já está plantado. O projeto, mesmo não aprovado, é instrumento para galvanizar e ampliar os apoios que Bolsonaro já tem nas  PMS.

    Ele terá mais uma chance de repetir sua frase predileta para o público interno: “Eu tentei, não me deixam fazer”.

    O que teria acontecido se o Estadão tivesse revelado em 2019, que no ministério da Justiça ocorriam reuniões para um projeto golpista?

    Pegue, agora aquele passado reservado. O que teria acontecido se o diretor do Estadão denunciasse em manchete o golpe que se tramava nas reuniões de que ele participava nas vésperas de 1964?

    O Estadão aqui é apenas um caso exemplar, de uma imprensa que não atende às demandas por informação que uma democracia tem.

    Não é só no Brasil, mas reserve o caldo internacional.

     

     

     

  • Leite prepara discurso para a campanha em 2022 e já conta com apoio na imprensa

    Leite prepara discurso para a campanha em 2022 e já conta com apoio na imprensa

    O recado foi dado em manchete na coluna de Rosane de Oliveira nesta quarta-feira: “Como o governo Leite conseguiu colocar as contas em dia depois de dois anos”.

    A matéria não pára em pé e necessitou de três parágrafos de “nariz de cera”  antes de chegar à notícia, que não faz jus ao título:

    “Nesta terça-feira (12), ao fazer o balanço parcial do ano que passou, o governador e o secretário da Fazenda, Marco Aurélio Cardoso, comemoraram os resultados das reformas aprovadas em 2019 e 2020 e os indicadores de que as contas estão, finalmente, caminhando para o equilíbrio”.

    Trata-se. na verdade,  de um novo discurso que o governo Eduardo Leite prepara com base numa “contabilidade criativa”, para evitar que as pretensões do governador fiquem pelo caminho antes da campanha de 2022.

    Guardadas as circunstâncias, é algo como o “déficit zero”, da governadora Yeda Crusius, do mesmo PSDB de Leite.

    Não por acaso, o economista Aod Cunha, ex-secretário da Fazenda de Yeda e assessor informal do governador desde o início, é cogitado para um cargo na equipe de Leite.

    Arrochando as despesas sem piedade, cortando até mesmo contingências constitucionais, como os gastos em educação e saúde,  Aod conseguiu equilibrar o caixa por dois anos. Perdeu o cargo, inclusive, porque ganhou mais notoriedade que a governadora, candidata à reeleição.

    Agora, o recado está dado: não se fala mais em “rombo nas finanças do Estado”.

    A palavra é “equilíbrio”, embora o governo estadual continue na corda bamba –  corda essa que tem uma das pontas nas mãos de Jair Bolsonaro, por enquanto,  interessado em turbinar uma candidatura tucana de Eduardo Leite para minar os planos do adversário que ele mais teme em 2022: João Dória, governador de São Paulo.

     

     

     

  • “Só papai do céu me tira daqui”, diz Bolsonaro no dia em que seu projeto de controlar as PMs é revelado

    “Só papai do céu me tira daqui”, diz Bolsonaro no dia em que seu projeto de controlar as PMs é revelado

    Só agora, na segunda-feira, 11 de janeiro de 2021, a imprensa descobre um projeto que o governo Bolsonaro articula desde 2019 para diminuir a autonomia dos governadores no controle das Polícias Militares estaduais.

    Foi essa autonomia que permitiu ao então governador Leonel Brizola mobilizar a Brigada Militar e impedir o golpe contra o vice-presidente João Goulart, em 1961, quando o presidente Jânio Quadros renunciou.

    O projeto que já tem até um deputado bolsonarista como relator foi revelado nesta segunda-feira pelo jornal O Estado de S. Paulo.

    No mesmo dia, em conversa com apoiadores, Jair Bolsonaro mais uma vez revelou seus propósitos de continuidade, em qualquer circunstância: “Vão ter que me aturar. Para me tirar daqui só o papai do céu, mais ninguém”, disse o presidente.

    Segundo o jornal paulista, o projeto de reduzir a influência dos governadores e aumentar a do Ministério da Justiça e Segurança sobre as PMs é antigo, mas “ganhou força no final do ano passado”, contando com o empenho da bancada da bala na Câmara dos Deputados, onde já tramita.

    Entre as mudanças estão a exigência de uma lista tríplice apresentada pela corporação para a escolha dos comandantes-gerais e a obrigação de o governador justificar a exoneração de um comandante.

    Hoje, os governadores podem destituir os comandantes sem justificativas. Segundo o relator da matéria, deputado bolsonarista Capitão Augusto (PL-SP), no final do ano, líderes de bancadas assinaram um requerimento de urgência para que o texto seja votado ainda neste semestre.

    Os deputados Arthur Lira (PP-AL) e Baleia Rossi (MDB-SP), candidatos à presidência da Câmara, têm posicionamentos diferentes sobre o assunto. Questionado sobre o projeto, Baleia disse que a discussão sobre a matéria é “inoportuna”. Lira por sua vez, afirma que se houver apoio da maioria dos líderes da Casa, o projeto deverá ir ao Plenário.

    A legislação brasileira prevê que o controle das PMs e dos Corpos de Bombeiros é feito exclusivamente pelos governadores dos estados e do Distrito Federal. O projeto não tira dos governadores o comando das instituições, mas impõe limites tanto à nomeação quanto à destituição dos chefes das instituições.

    Atualmente, os comandantes-gerais das PMs e dos Corpos de Bombeiros podem ser escolhidos livremente pelos governadores. A única exigência é que eles sejam oficiais do mais alto posto das corporações: coronel. Além disso, não há limite para o tempo de permanência de um oficial no comando da instituição.

    O substitutivo ao projeto apresentado em 2001, no entanto, prevê que os governadores terão que escolher os seus comandantes-gerais a partir de uma lista tríplice formada pelos próprios oficiais de mais alta patente. Os comandantes terão que cumprir mandatos de dois anos e só poderão ser exonerados pelo governador antes do término desse prazo se a decisão for “justificada e por motivo relevante devidamente comprovado”.

    Neste ponto, o próprio relator do projeto afirma que há debate sobre como seria feita a avaliação de uma exoneração de comandante-geral antes do fim do seu mandato.

    — Nesse ponto, há duas correntes. Uma defende que a análise dessa destituição precisa ser feita pela Assembleia Legislativa. A outra acredita que essa análise acabará sendo feita pelo Judiciário. O que a gente quer é criar uma barreira à exoneração por motivos políticos — afirmou Capitão Augusto, segundo o jornal.

    Outro ponto polêmico do projeto é o que trata das regras de promoção. O texto prevê que militares indiciados em inquéritos policiais ou que sejam réus em processos judiciais ou administrativos não sejam impedidos de serem promovidos. Em tese, isso possibilita que PMs investigados ou processados por envolvimento com milícias, por exemplo, mudem de patente mesmo assim.

    Capitão Augusto reconhece que o ponto é sensível, mas defende a alteração.

    — Sim, existe essa possibilidade. Mas, por outro lado, hoje é muito difícil um bom PM que não seja alvo de um processo movido por inimigos ou por criminosos que querem prejudicá-lo. E aí, essa pessoa deve ficar impedida de ser promovida até ser declarada inocente? Não me parece justo — disse o parlamentar.

    O projeto também prevê a criação de novas patentes para oficiais a partir da incorporação do termo “general”, a exemplo do que acontece nas Forças Armadas. Atualmente, na PM e no Corpo de Bombeiros, a patente mais alta no oficialato é a de coronel. Com a mudança, criam-se três novas patentes: brigadeiro-general, major-general e tenente-general.

    A matéria vem sendo acompanhada de perto pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que designou um representante da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) para participar de reuniões com membros de associações de classe para discutir o tema. O representante escolhido é o coronel Luis Cláudio Laviano, ex-comandante-geral da PM do Rio . As reuniões, ocorridas entre 2019 e 2020, foram confirmadas, por meio de nota, pelo ministério, segundo o G1.

    Especialistas em Segurança Pública disseram que o projeto enfraqueceria os governadores, especialmente em um contexto em que o presidente Jair Bolsonaro, que tem significativo apoio entre policiais militares, trava disputas políticas com governadores em diversos estados do Brasil.

    Em entrevista sobre o assunto, Baleia Rossi diz que a discussão sobre a redução da autonomia dos governadores sobre as PMs é “inoportuna”.

    Já o deputado Arthur Lira, candidato de Bolsonaro à presidência da Câmara afirmou que poderá por a matéria em votação caso seja eleito, “se houver apoio da maioria dos líderes da Casa”.

    “Qualquer pauta com maioria no colégio de líderes, pedido de urgência aprovado, vai ser pautado e o plenário resolve”, afirmou.

    “É um projeto perigoso. Autonomia demais de uma força policial armada é sempre ruim. Valorizar as polícias, pensar carreiras, evitar politização, isso sim é saudável, mas não dando autonomia sem nenhum controle e supervisão — avaliou Renato Sérgio de Lima, presidente do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP).

    Lima destacou a necessidade de uma lei orgânica para a polícia, já que a legislação atual é da época da ditadura. Mas isso não pode ser usado para emplacar retrocessos nem para promover uma “blindagem institucional” da polícia. Ele ressaltou que, no passado, após a Revolução Constitucionalista, que opôs São Paulo ao restante do país, foi promovido um enfraquecimento das polícias estaduais frente às Forças Armadas, tendo como princípio a indivisibilidade do território nacional. O projeto, em sua avaliação, vai na linha oposta.

    — No projeto que trata da Polícia Militar, quem diz o que pode e que não pode é o conselho da própria polícia. Ou seja, as polícias ficam mais poderosas que as próprias Forças Armadas na determinação de suas ações e estratégias. É bastante preocupante, porque acho que pouca gente notou, os governadores não colocaram no radar que eles vão virar meros gestores de pagamento — disse Lima, destacando que as Forças Armadas precisam prestar contas ao Congresso.

    Um dos artigos do texto do relator do projeto, o deputado Capitão Augusto (PL-SP), prevê a criação do Conselho Nacional de Comandantes Gerais de Polícia Militar (CNCGPM) e do Conselho Nacional de Comandantes Gerais de Bombeiros Militares (CNCGBM), com assento e representação no Ministério da Defesa e no Ministério da Justiça.

    — Na medida em que autonomiza, você dá vazão a interesses corporativos e, mais do que isso, está fortalecendo uma autoridade federal sobre as polícias, porque passam a constituir estrutura do Ministério da Defesa, através dos seus conselhos. E me parece que isso atende muito aos interesses do governo Bolsonaro, porque aumenta a possibilidade alinhamento político e ideológico das Polícias Militares — afirmou Sapori.

    — É um “ganha-ganha”, tanto da parte dos policiais, porque conseguiriam aprovar uma blindagem institucional, que garantiria privilégios bastante significativos, e por outro lado, no governo Bolsonaro, ele conseguiria consolidar um certo controle de corações e mentes. Com isso ele consolidaria uma série de  esforços de cooptação dos policiais para sua base eleitoral.

    Os especialistas vêm outros problemas que demonstram o corporativismo da proposta, como a possibilidade de policiais que ganhem uma eleição voltarem à polícia após o fim do mandato (hoje eles não podem); a possibilidade de progressão de carreira quando o PM é indiciado ou réu; e o avanço da Justiça Militar na análise de crimes contra a vida praticados por policiais contra civis. Eles também criticam o aumento de atribuições que o projeto confere às PMs, como a possibilidade de fiscalizar empresas de segurança, uma tarefa hoje da Polícia Federal (PF).

    Os governadores de São Paulo, João Doria (PSDB), e do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), criticaram nesta segunda-feira o projeto em tramitação na Câmara dos Deputados. O presidente da Camara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), externou preocupação ao comentar, em entrevista, a relação de Bolsonaro com a Polícia Militar (PM).

    Doria, ao dizer que era “radicalmente contra”, afirmou que a ideia é de quem “gosta de cheiro de pólvora”.

    Doria afirmou, ainda, que no grupos de mensagens que mantém com governadores, a maioria também se posiciona contrária às novas propostas.

    “Não há nenhuma razão que justifique, exceto a militarização desejada pelo presidente Jair Bolsonaro para intimidar governadores através da força policial” disse Dória.

    Em entrevista concedida nesta segunda-feira ao site “Metrópoles”, Rodrigo Maia foi questionado sobre um vídeo em que seu pai, o vereador César Maia (DEM-RJ), alerta para a importância que as forças policiais tiveram para o golpe de Estado do Chile em 1973. A mensagem, publicada nas redes sociais no fim de semana, chama atenção para a situação do Brasil e para a relação estabalecida entre o presidente Jair Bolsonaro e as corporações do país.

    De acordo com Maia, o episódio chileno é “um histórico que nos preocupa”. O deputado mencionou, sem entrar em detalhes, que essa preocupação se relaciona à maneira como Bolsonaro “vem tratando a relação dele com as polícias militares”. Maia finalizou que, aos parlamentares, cabe “vocalizar” o receio.