LIDIANE KLEIN / Nossos idosos precisam de demonstrações de amor

O momento é crítico não só no Brasil, mas em todo mundo, frente à pandemia. O isolamento tem afetado a saúde mental de toda a população, impreterivelmente. E a terceira idade é a mais vulnerável, o que pode desencadear muitas repercussões psíquicas negativas.

Nas últimas décadas, houve um crescente incentivo a esta parcela da população para que saísse de suas casas, frequentasse grupos de idosos, fosse fazer atividades que lhe desse prazer. Os idosos sentiram o gosto deste protagonismo e a liberdade proporcionada, aprenderam a se valorizar e a viver de uma forma mais plena. Eis que chega este vírus e a orientação agora é que fiquem em casa.

As relações sociais, que sempre foram fatores protetivos a sua saúde mental, agora são restritas a ligações e a vídeo chamadas, na sua maioria.

Eles estão sofrendo com estas restrições. Seus direitos de ir e vir foram tolhidos. A saudade que eles estão dos familiares, dos amigos e, principalmente, dos netos faz o peito apertar. Sentem falta do toque, dos abraços e beijos.

Muitas famílias se fazem presentes da forma que conseguem, porém denúncias à delegacia do idoso mostram que há filhos usando a desculpa do coronavírus para abandonarem seus pais.

Com a proximidade do Dia das Mães e a orientação para manter-se o distanciamento social, as famílias têm ficado indecisas sobre como proceder nesse dia. Essa é uma data muito especial, quando são celebrados e demonstrados afetos pela sua matriarca. Mas, infelizmente, um dos desafios mais dolorosos da quarentena é ficar distante de pessoas queridas, sem podermos tocar, abraçar e beijar.

Neste momento, precisamos ser responsáveis e conscientes de não colocarmos a nós e nem os nossos em risco. Este período irá passar e depois estaremos todos juntos novamente. Sua mãe, ou qualquer outro familiar idoso, precisa sentir-se amparado emocionalmente e sentir que os vínculos afetivos estão fortalecidos.

O distanciamento que a quarentena nos impõe é físico, mas ele não precisa ser emocional.

Existem diversas formas de demonstrar o carinho que sentimos por nossa mãe, o mais importante é que ela possa ter a certeza deste sentimento. Muitas vezes deixamos de dizer para as pessoas o quanto elas são importantes para nós, pois deduzimos que elas já saibam. Será mesmo? Nunca é demais um ‘eu te amo’, ou demonstrar gratidão por tudo que a sua mãe lhe proporcionou.

A quarentena está sendo um tempo de nos reinventarmos em vários aspectos da vida, e essa data comemorativa às mães não será diferente. Teremos que ser criativos para que essas pessoas tão especiais nas nossas vidas possam sentir-se valorizadas e amadas.

Algumas dicas para surpreender sua mãe:

Programe um café ou almoço por vídeo-chamada, assim conseguirão compartilhar deste tempo juntos;

Prepare um vídeo com fotos de momentos que passaram juntos, ela poderá matar sua saudade;

Deixe flores, presente ou mesmo uma sexta de café na manhã na sua porta;

Escreva uma cartilha para sua mãe, demonstrando todo carinho que sente por ela.

É importante termos em mente que este período difícil irá passar, e cada um fazendo a sua parte, prevenindo-se, sairemos mais exitosos.

Nem todas as pessoas possuem recursos internos de enfrentamento para a situação, ajuda profissional pode se fazer necessária. Se você perceber que seu familiar idoso está com dificuldades de adaptação e enfrentamento, busque um auxílio profissional especializado, ninguém precisa sofrer sozinho.

  • Lidiane Klein é psicóloga, especialista em Neuropsicologia, mestre em Psicologia e Saúde, doutoranda em Ciências da Reabilitação.

JOSY Z. MATOS/Relatos de uma quarentena – Parte III

De Alicante/Espanha *

Estou em quarentena na Espanha desde o dia 15 de março. Passamos por várias etapas, desde a descrença inicial nas previsões feitas por especialistas da área de epidemiologia que previam um alto índice de contaminação, a ansiedade que vem junto com as incertezas e até o desespero ao ver o número de mortes chegar a quase mil pessoas (961) em um único dia. Mil pessoas por dia na Espanha, um país que tem uma população de pouco mais de 47,1 milhões habitantes (dados Instituto Nacional de Estadísticas – INE, 2019).

Até o dia 24 de abril, dos 114.879 casos encerrados, 92.355 (80%) se recuperaram da doença e 22.524 (22 %) faleceram (dados do Ministério de Saúde da Espanha). Especialistas chamam a atenção para o fato de que as cifras oficiais podem não ser exatas em função da falta de conhecimento do total de pessoas contagiadas e que não apresentaram sintomas, ou que os tiveram muito leves, de maneira a não entrarem nas estatísticas. Na realidade, alguns prognósticos indicam que entre 5 a 6 milhões de pessoas poderiam estar afetadas, o que significaria aproximadamente 15% da população espanhola.

Bom lembrar que entre os contagiados se encontram 34.355 trabalhadores da área da saúde, que estão na linha de frente na luta contra o Covid-19 e mais expostos ao contágio.

A comunidade de Madri, com 60.487 casos e 7.765 mortos é o principal foco da pandemia aqui na Espanha, junto com a Catalunha, que apresenta 44.892 contagiados e 4.393 mortos.

Lembrando que Madrid é a cidade mais densamente povoada da Espanha e recebeu neste último mês de fevereiro aproximadamente 518.261 turistas estrangeiros, ou seja, grande número de pessoas circulando. O que acontece então?

Aqui, é prática comum a cremação dos falecidos. No dia 27 de março faleceram 322 pessoas na cidade de Madri e os noticiários do país informavam que suas funerárias estavam transladando os corpos para outras cidades para acelerar a cremação, pois não davam conta do grande número de falecidos, que totalizava 2.412 até então.

Passaram a receber mais de 300 falecidos por dia, sendo que em períodos fora da epidemia eram 70. Então, para evitar que as famílias tivessem que esperar muitos dias para se despedir de seus familiares, as funerárias decidiram optar por transportá-los a outros centros.

Esse problema também aconteceu na Itália, na cidade de Bérgamo, considerado um dos principais pontos da contaminação na região da Lombardia.

Então, sim, a doença é muito séria, mata muita gente num período muito reduzido de tempo, trazendo vários problemas para os hospitais, todos trabalhando acima da sua capacidade de atendimento, as casas de anciões com altos índices de contaminação e mortos, e funerárias abarrotadas.

O pico da contaminação neste país chegou no dia 02 de abril, com 961 novas mortes, totalizando 112.065 pessoas contaminadas e 10.348 mortos pelo Covid-19. A partir desse dia, e depois do governo ter estabelecido medidas restritivas mais severas, proibindo totalmente que se saísse às ruas para qualquer coisa que não fosse supermercado e farmácias, começamos a perceber algumas mudanças nos dados. Antes, era permitido passear com os cachorros, mas sempre com o controle e fiscalização da polícia. Alguns cidadãos foram pegos saindo várias vezes ao dia com animais, evidentemente quando a polícia conseguia identificar esse tipo de fraude, multava imediatamente.

Permitida compras de produtos apenas de primeira necessidade. Fotos: Josy Matos

No entanto, quando a curva de contaminação começou a cair, percebi as pessoas mais relaxadas, a maioria ainda usando máscaras e luvas, mas já não tão atentas ao distanciamento. Estão confiantes de que a crise sanitária acabe. Mas, parece que a coisa ainda vai longe.

De qualquer maneira, adquiri alguns hábitos que vou mantê-los como lavar toda a comida quando voltar do supermercado. As latinhas de cerveja não escapam do banho antes de irem para a geladeira! Também foi recomendado passar álcool nas embalagens ou lavá-las com água e sabão.

No dia 22 de abril, os noticiários traziam a informação de que Álex Pastor, o prefeito da cidade de Badalona, província de Barcelona, foi preso depois de ter sido interceptado por policiais num controle de confinamento. Segundo informações dos principais jornais do país, o prefeito apresentava sinais de embriaguez e ainda enfrentou os policias, tentando intimidá-los. Resultado? Preso e multado, e suspenso pelo seu partido, o Partit dels Socialistes de Catalunya (PSC), que pediu a ele que renunciasse.

Josy, em isolamento em casa

No Brasil, vejo o presidente do país constantemente furando o isolamento, frequentando lugares públicos, apertando as mãos de todos que vê pela frente e, o mais absurdo de tudo, participando de manifestações públicas contra a quarentena e a favor da volta da ditadura. Como diz meu irmão César, a cada dia mais apavorado com o que vê nas ruas de Curitiba: esse homem não respeita nada, não respeita a vida de ninguém! Pois é!

Aqui, na Europa, estamos na primavera e neste período inicia a colheita de diversos produtos agrícolas, como hortaliças e frutos vermelhos. Até agora, o setor agrícola não parou, sendo uma das atividades permitidas durante a quarentena, mas diminui muito a velocidade das colheitas em função da necessidade de distanciamento entre os trabalhadores. Essa precaução deve ser observada tanto no transporte dos mesmos como nas atividades de campo.

Segundo informações do Ministério de Agricultura, Pesca e Alimentação, a Espanha necessitaria entre 100 mil e 150 mil trabalhadores para a colheita que deveria começar nas próximas semanas. Diversos países da Europa, como Espanha e Alemanha, importam trabalhadores rurais nesse período. Com as fronteiras fechadas e a proibição de deslocamentos dentro do país e entre países, começa o problema.

A região de Murcia, por exemplo, que fica aqui ao lado de Alicante, deve começar a campanha de colheita de damasco, nectarinas e pêssegos e, em seguida, de melões e melancias. Esse trabalho geralmente é realizado por mão de obra local, mas as pessoas estão impossibilitadas de sair por não ter onde deixar os filhos e por medo do contágio.

Outras regiões do país que trabalham basicamente com mão-de-obra estrangeira tiveram grandes dificuldades com o fechamento das fronteiras. Além das colheitas, neste período também inicia a tosa das ovelhas (retirar a lã), atividade que era desenvolvida por profissionais búlgaros, neste momento impedidos de se deslocar. Uma das alternativas propostas é a incorporação de trabalhadores de outras áreas, como a hotelaria, que perderam seus empregos com a crise do coronavírus e que vivem próximo às zonas de colheita.

Alguns dias atrás foi aprovado o plano do governo espanhol com as últimas medidas que preveem a escalada de retorno às atividades. Um dos principais pontos que vinha sendo discutido durante a semana é a autorização da saída de crianças para um passeio diário. A partir deste domingo, dia 26, está permitida a saída de crianças até 14 anos, acompanhados de um adulto responsável com no máximo três crianças. Poderão sair uma vez ao dia e permanecer durante uma hora, com uma distância máxima de um quilômetro da sua residência. Embora esteja permitida a saída inclusive com brinquedos, não poderão frequentar os parques infantis que aqui são bem comuns em várias partes da cidade. Os adolescentes, entre 15 e 18 anos, agora poderão sair para as compras permitidas, ou seja, supermercados e farmácias. Serão seis milhões de crianças que voltam a ocupar as ruas do país, com todas as medidas de segurança recomendadas pelas autoridades.

Desde o último domingo, as crianças podem sair para rua acompanhadas de adultos mas as pracinhas públicas continuam fechadas.

Na tentativa de encontrar soluções que permitam à sociedade voltar às suas rotinas diárias, vários centros de pesquisas estão tentando desenvolver testes, medicamentos e vacinas que ajudem a combater o Covid-19. Nessa luta, a Espanha, que igual a muitos países, também havia diminuído a verba destinada à pesquisa no país, agora está tendo que correr atrás do prejuízo. E, como sempre, os cientistas não se fazem de rogados e rapidamente se puseram a trabalhar para encontrar uma saída.

Esta semana, uma pesquisa do Instituto de Saúde Carlos III sobre a transmissão do Covid_19 na Espanha concluiu que o vírus entrou no país até por quinze vias diferentes e já estava tendo transmissão comunitária perto de 14 de fevereiro, descartando a existência de um paciente zero. Lembramos que apenas no dia 15 de fevereiro apareceram os primeiros infectados no país. A pesquisa, realizada pelos doutores Francisco Díez e María Iglesias, analisou 28 primeiros genomas completos do vírus sequenciado na Espanha e confirma múltiplas entradas de pessoas infectadas pelo vírus, vindas de outros países durante o mês de fevereiro. Os autores também afirmam que o novo vírus tem um grande potencial de transmissão, que se deve principalmente à sua alta capacidade de reprodução. Quando penetra no corpo de uma pessoa, o vírus se reproduz até 100 mil vezes em 24 horas.

Com essa capacidade de multiplicação dá bem para imaginar a facilidade de contágio e a grande quantidade de pessoas que podem ser contagiadas por um único portador do vírus.

Na sexta-feira, dia 24, a Espanha registrava a mais baixa cifra de mortes em um mês, 367 personas perderam a vida pelo coronavírus em um dia. O confinamento foi prorrogado até o dia 09 de maio e se espera um retorno às atividades de forma escalonada.

Enquanto isso, vejo que no Brasil estão abrindo shoppings e, pior, o povo ansioso para passear e fazer compras!

* Josy é bióloga, doutora em Biodiversidade e Conservação Ambiental. Museu de Ciências Naturais/SEMA-RS.

JOSY Z. MATOS/Relatos de uma quarentena – Parte II

De Alicante/Espanha *

Logo após a Páscoa, o governo espanhol liberou algumas atividades, como centros médicos, clínicas veterinárias, profissionais de eletricidades, encanamento, construção, etc, mas manteve a proibição de funcionamento de várias outras, mesmo atividades esportivas como caminhar ou correr. É estranho, porque apesar da ansiedade, parece que tudo está normal.

No isolamento, nossos dias não têm de ser iguais. Acredito que nos acostumamos a tudo, até a coisas ruins. No começo, a gente grita, chora, esperneia. Depois, vamos nos conformando com o inevitável, o irremediável, como se uma voz interior te dissesse: Olha, não tem jeito, vai ter que ser assim mesmo!

É difícil. Eu, por exemplo, sou das antigas, gosto de olhar nos olhos ao conversar. Mas você se acostuma a não ter com quem falar ou a simplesmente mandar uns watts, com frases rápidas, tentando passar uma mensagem que, às vezes, o outro não entende. Assim como nos acostumamos a sentir dor, a sentir fome, desprezo, a não ser nada mais que um grão de areia numa praia infinita.

Meu dia a dia é bem simples e tranquilo nesta quarentena. Acho que o que não tem remédio, remediado está. E, não é conformismo, mas consciência de que se não posso mudar uma situação, tenho que me adaptar. A minha profissão de bióloga ajudou a perceber, desde o princípio, que a coisa não ia bem e que este isolamento iria longe. O que todos os meus colegas e amigos de profissão daqui da Europa concordaram. Ainda não havia começado o isolamento no Brasil e, aqui, já se falava que estaríamos vivenciando a pior situação mundial desde a segunda e última grande guerra.

Josy com algumas de suas plantas na sacada de casa em Alicante, buscando adaptação no isolamento. Fotos: Arquivo pessoal

Mas, como dizia, minha rotina tem sido tranquila. Levanto lá pelas 7h30, 8h, tomo café, vejo as notícias da manhã, com atualização dos dados sobre a pandemia, depois faço entre uma e duas horas de exercícios acompanhando uma série de vídeos na internet da espanhola Patry Jordan, que me fornecem aquilo que preciso para manter um mínimo de atividades físicas. Muitos amigos também estão tentando manter uma rotina de exercícios físicos, uma das recomendações dos médicos para aliviar a tensão. E cuido das minhas plantas.

Outros elaboram uma receita nova todos os dias de algum prato que ainda não tinham provado.

Após o banho, pego o computador e trabalho até a noite, com algumas paradas para comer. Assim, vou até por volta das 21h, quando paro para ver alguma série ou filme.

Devo fazer um parêntesis aqui para dizer o quanto a internet ajuda neste momento de isolamento. Ter sites onde a gente pode ver filmes, ouvir música e acompanhar as “lives” de todo tipo de assuntos, desde músicos, cursos, política, etc, é um privilégio e um grande alívio para o coração. Vídeos de museus, como o Museo del Prado, que eu adoro e tantos outros onde temos informações sobre as obras aí expostas, é fantástico. Também é bom lembrarmos da possibilidade do trabalho remoto (homework) e do ensino à distância.

Aqui na Espanha isso ficou bem nítido com as Universidades que mantiveram o ritmo de aulas on line, trabalhos e exames realizados neste período. Na verdade, a internet já era uma muito utilizada aqui para a educação e a Universidade fornece ferramentas e auxílio, tanto a professores como a alunos, no processo de uso dessas tecnologias.

Alguns dias antes da quarentena nós tínhamos realizado alguns vídeos curtos sobre Botânica, os quais chamamos de ViBos (Vídeos Botânicos), para auxiliar o aprendizado de temas que envolvem plantas. Muito bem avaliados pelos alunos, agora fazem parte do conteúdo das aulas de botânica.  Mais recentemente, um dos professores do grupo de WhatsApp que temos, formado por membros do Grupo de Botânica Vegetal da Universidade de Alicante, começou um movimento de colocar fotos de plantas que encontrava pelo caminho quando levava seu cachorro para passear. Logo alguém teve a ideia de começar a compartilhar essas fotos no perfil do Tweeter BotCov_UA, @botcove, e do Instagram, botanica_ua. Mais uma fonte de informação sobre a botânica local, criada durante a quarentena.

Videoconferência com colegas da Universidade.

E quando você vê já passou mais um dia, mais uma semana de isolamento. As últimas notícias são boas, os números de infectados e mortes têm diminuído consideravelmente, mas ainda estamos em estado de alerta.

Também estamos muito sensíveis e com a certeza que essa situação vai deixar cicatrizes. Percebi entre as pessoas com quem tenho conversado no meio virtual que a obrigação de ficarmos em casa fez com que tornássemos introspectivos e questionadores do que realmente importa em nossas vidas.

Notaram a grande capacidade que temos de compartilhar? É uma necessidade. Acho que isso nos faz sentir mais próximo um dos outros, que fazemos parte de algo maior, de algo bom. Aí, os grupos de watts que sempre silenciamos e criticamos, agora são ótimos! Queremos colocar algo ali para ver os comentários dos demais e gerar mais diálogos.

Mas não é só isso, compartilhamos muito mais coisas além dos memes, vídeos de informações ou de piadas, compartilhamos nosso tempo, comida, salários, gastos da crise, enfim, estamos socializando mais, nos solidarizando mais. A empatia, considerada um dos pilares da inteligência emocional, tão falada em cursos de gestão de pessoas, agora tem sido notada em muitos lares. Até porque todos foram afetados de alguma maneira e precisamos encontrar no outro um apoio para manter nossas mentes sanas.

E por falar em solidariedade, quero lembrar os aplausos diários dirigidos aos sanitários que, na Espanha, acontecem às 20h. Essa prática começou na Itália, em seguida do início da quarentena em 9 de março. Se convoca as pessoas que estão recolhidas em suas casas a saírem nas janelas, sacadas, enfim, onde for possível, para aplaudir o pessoal sanitário que trabalha para conter a pandemia. Na Espanha, a convocação veio através das redes sociais para o dia 14 de março às 22h, mas no dia seguinte se adiantou para as 20h para que as crianças pudessem participar, e a partir daí não parou mais. Mas não é um evento exclusivo da Espanha, acontece em diversas partes do mundo e de várias formas, e geralmente são aplausos, às vezes algum vizinho coloca alguma das músicas que se destacaram nesses momentos de isolamento por inspirar resistência para vencer as dificuldades.

Umas dessas músicas cantadas em muitos balcões foi Bella Ciao, música italiana de resistência antifascista dos anos 1943/45. Essa música foi tema da série espanhola La Casa de Papel, inicialmente produzida pela Televisión Española (TVE) e posteriormente comprada pela Netflix, foi bastante disseminada e posteriormente servido de hino em diversas manifestações populares.  Hoje, na minha rua, aplaudimos com o som de Color Esperanza, de Diego Torres.

…Sé que lo imposible se puede lograr
Que la tristeza algún día se irá
Y así será la vida cambia y cambiará
Sentirás que el alma vuela
Por cantar una vez más…

Foi emocionante, as pessoas aplaudem, acenam, cantam, enfim, todos que saem para aplaudir têm o mesmo sentimento no coração, de esperança!  Às vezes passam ambulâncias ou caminhões dos bombeiros com as sirenes ligadas nesse horário. Os aplausos também se fazem em homenagem aos integrantes dos corpos de segurança, como policiais e bombeiros, que estão trabalhando intensamente nestes dias.

Servidor de empresa contrata pela prefeitura higienizar paradas de ônibus e outros locais.

Na primeira semana da quarentena já surgiram várias iniciativas de artistas de todo o mundo para apoiar e fortalecer as necessárias ações de isolamento social. Uma dessas iniciativas partiu da rede de rádios Cadena 100, que reuniu vários artistas conhecidos e gravou uma versão da música Resistiré para arrecadar fundos para a instituição Cáritas. Essa música que foi lançada no ano 1988 e mais tarde utilizada como tema do filme Átame!, de Pedro Almodóvar (1990) se tornando bastante conhecido. Assim, quando começou o isolamento algumas pessoas começaram a cantá-la no evento das 20h nas janelas e sacadas, se tornando mais um hino de resistência nestes momentos de quarentena.

…Resistiré, para seguir viviendo
Soportaré los golpes y jamás me rendiré
Y aunque los sueños se me rompan en pedazos
Resistiré, resistiré
Cuando el mundo pierda toda magia
Cuando mi enemigo sea yo
Cuando me apuñale la nostalgia
Y no reconozca ni mi voz…

O outro lado dos aplausos nas sacadas é ocupado pelo pessoal da saúde, médicos, enfermeiros, assistentes, pessoas que estão na linha de frente da luta para vencermos o Covid-19. Pudemos ver nas redes sociais vídeos onde o pessoal de saúde aparece com mensagens de incentivo e de esperança para as pessoas que estão fazendo a quarentena e também para os trabalhadores de segurança, policiais e bombeiros. As mensagens vêm de várias formas, mas geralmente eles saem pelos corredores dos hospitais, evidentemente vestidos com sua indumentária hospitalar, aplaudindo, cantando músicas ou em filas onde cada pessoa leva um cartaz que ao final forma uma frase de agradecimento ou de incentivo.

Em Alicante, população pode ir às compras, mas somente de produtos essenciais.

No dia 17 de abril, na Espanha continuava o descenso nos números de Covid-19, tendo reduzido o número de mortos à metade daquele do início do mês: 503 mortos e 4.289 novos casos. Alguns hospitais de campanha, construídos para enfrentar a crise, já estão vazios e os poucos pacientes que ainda restavam foram transferidos para centros hospitalares.

O governo planeja ir liberando a população para o trabalho de forma escalonada para evitar que o pico de contaminação volte a crescer. No meio de tudo isso temos uma falsa sensação de normalidade. Mas já não sabemos o que é normal neste novo mundo que aqui começa a renascer depois de tanto medo. Mudaremos nossa maneira de ser, nosso comportamento diante da nossa vida e das pessoas que fazem parte dela, ou logo teremos esquecido estes dias de incertezas, de dor e de promessas e voltaremos a ser o que sempre fomos.

* Josy é bióloga, doutora em Biodiversidade e Conservação Ambiental. Museu de Ciências Naturais/SEMA-RS.

JOSY Z. MATOS/Relatos de uma quarentena – Parte I

Josy Z. de Matos *
De Alicante/Espanha

O caminho que me trouxe até Alicante, na Espanha, no dia 28 de janeiro de 2019, começou muito antes, quando terminei o mestrado em 2000 e recebi uma bolsa destinada a estudantes latino-americanos para fazer o doutorado na Universidade de Alicante. Entre idas e vindas, fiquei oito anos. Retornei ao Brasil e passei no concurso da Fundação Zoobotânica do RS, em Porto Alegre. Depois de um desastrado governo gaúcho, que extinguiu a FZB, decidi retornar a Alicante para fazer um pós-doutorado junto ao Grupo de Pesquisa em Botânica e Conservação Vegetal na mesma universidade. Minha pesquisa trata da diversidade genética e conservação de cactos do RS.

Início do isolamento voluntário em março. Fotos: Arquivo pessoal

Aqui tenho muitos amigos, então a adaptação sempre é bem fácil. Mas o mais difícil de estar aqui é a distância dos meus filhos, Eduardo e Elis. Eduardo veio passar as férias comigo e voltou ao Brasil no dia 16 de fevereiro, quando o Covid-19 estava começando a aparecer por aqui, com dois casos registrados na Espanha. Um mês depois, foi decretado o confinamento obrigatório e assim começou esta fase tão difícil da nossa história.

No dia 12 de março de 2020 decidi entrar em isolamento voluntário. Nesse dia, fui ao fisioterapeuta, Andrés, para tratar o meu quadril. Conversamos sobre o coronavírus e os tempos difíceis que ainda estavam por vir. Ele me disse que fechariam a clínica e só atenderiam emergências, mas que isso ainda dependia das medidas que o governo tomaria.

Depois fui à universidade, cheguei tarde, passava das 13h e quase todos já tinham saído para almoçar. Benito, meu orientador, estava lá, organizando algumas coisas porque achava que a partir de segunda a universidade fecharia. Conversamos um pouco e eu lhe disse que não voltaria à uni nos próximos dias, que entraria em isolamento voluntário, ao que ele concordou comigo. “Não se preocupe, Josy, na segunda-feira a universidade provavelmente vai fechar”.

Depois disso, fui para a casa, passei pelo supermercado, comprei algumas coisas pensando em ficar uma semana enclausurada. À noite, conversei com minha colega de apartamento, Ariana, e concordamos que o isolamento seria o melhor a fazer nessa situação. Ela me disse: tenho que ir à uni amanhã, mas vou trazer tudo que necessito para trabalhar em casa. Ariana está fazendo um doutorado com moscas, está na fase final da tese.

Naqueles primeiros dias, nada estava claro, sabíamos apenas que a China estava com um número grande de pessoas contagiadas pelo covid-19. Pelos registros chineses, em 22 de janeiro, havia 571 contaminados e, quase dois meses depois, em 12 de março, eram 80.813 casos e 3.176 mortos. A epidemia tinha tomado proporções assustadoras.

Na Espanha os casos começaram em 15 de fevereiro. Eu estava viajando com meu filho Eduardo, que veio passar umas férias comigo. Estivemos em Roma primeiro, depois Edimburgo, Glasgow e Londres, e voltamos à Alicante.

Na Itália, já se falava em contaminados no início de fevereiro, mas o foco era Milano e não ficamos preocupados. Em Londres, comecei a tossir mas como não tive febre, deduzimos que era um simples resfriado. No dia 3 de março, faleceu a primeira pessoa na Espanha e dez dias depois, quando entrei na quarentena, já eram 133 mortos.

O governo espanhol já estava discutindo as medidas de prevenção e, dia 15, no domingo, o presidente do governo socialista, Pedro Sanchez, informou em rede nacional que adotariam a quarentena. Já eram 7.988 infectados. A partir daí, estava proibido sair às ruas, exceto para ir ao supermercado e farmácia. Autorizados a sair somente para trabalhar em atividades de primeiras necessidades.

Nesse momento você pensa: agora vai ficar tudo bem, daqui uns dias voltará tudo ao normal. Mas as cosias nunca funcionam como nós pensamos e a vida ficou mais difícil. No começo é tudo piada, o mundo foi invadido por memes e charges de como enfrentar uma quarentena. Tudo ainda era muito leve, mas os dias vão passando e as notícias só pioram, mais contaminados, mais mortes, mais incertezas.

Daí, vêm os momentos de angústia, de pensar na vida que foi e na vida que virá. Mas, na primeira semana de confinamento, ainda havia muitas controvérsias e incertezas.

É impressionante como neste momento em que o mundo consegue produzir mais informações sobre qualquer assunto e colocá-las à disposição do público de diferentes maneiras, especialmente com a ajuda da internet, surgem tantas informações falsas e tantos “sábios de plantão”. Todos entendem de todos os assuntos. Blogueiros que sabem mais que cientistas, políticos sabem mais do que professores, e, obviamente, qualquer um sabe mais do que os médicos. Esses “espertos” divulgam suas teorias sobre a doença, a origem do vírus e, é claro, as teorias de conspiração, para todos os gostos.

Depois da primeira semana, e mesmo acompanhando o processo na China, onde o vírus começou a se espalhar, a única certeza era que os números seguiriam crescendo. Começam a faltar equipamentos de proteção individual (EPIs) para o pessoal sanitário utilizar, que seriam as máscaras, luvas e roupas hospitalares. Assim, começam a aparecer também os primeiros sanitários contaminados, enfermeiros, médicos, auxiliares e o pessoal de limpeza dos hospitais.

O governo tenta desesperadamente comprar mais EPIs e respiradouros, mas esbarra na falta de material no mercado, subida absurda dos preços e exigência de pagamento adiantado, isso sem falar nas fraudes. A Espanha comprou kits de testes rápidos que prometiam 80% de certeza na detecção do vírus e, ao serem testados, se viu que a precisão era de 30%. Esse material foi devolvido, mas o tempo perdido não se recupera. Pessoas inescrupulosas tentando ganhar dinheiro a qualquer custo, e o custo, neste momento, é a vida de milhares.

Por outro lado, vimos também diversas pessoas trabalhando como voluntários para auxiliar os sanitários a conter o vírus, pessoas ajudando a anciões que não tinham quem os ajudasse, empresários produzindo álcool em gel, máscaras, respiradouros, luvas, alguns famosos doando dinheiro para comprar equipamentos, lojas de esportes doando todas as máscaras de mergulho que poderiam ser adaptadas como respiradouros, etc. Solidariedade ainda existe.

Enquanto assistia e lia o que outros países estavam fazendo para enfrentar esta crise sanitária, todos considerando o isolamento social extremamente necessário para se evitar novas contaminações e mais mortes, no Brasil, o abominável presidente tentando colocar o país no caos e chamando o trabalhador para ir às ruas e voltar a trabalhar, alegando que o vírus era uma “gripezinha”. Assistimos as primeiras  carreatas em algumas capitais brasileiras sob o lema “O Brasil não pode parar”. Pode e deve!

Felizmente, apesar da pressão vinda do Planalto, muitos governadores e prefeitos adotaram o isolamento atendendo, pelo menos em parte, as recomendações de cientistas.

Entrando na terceira semana de isolamento na Espanha, em 31 de março, com novas regras mais restritivas. Nesse dia, o número de mortes caiu para 748 e o número de novos casos registrados diariamente também caiu, de 7.846 (dia 30/03) para 6.461 (31/03).

No entanto, o maior número de mortos se deu no dia 02 de abril, quando chegamos a atingir 961 mortes, sendo este considerado o pico da quarentena na Espanha. Quando isso acontece, a emoção toma conta, o sentimento é de impotência diante de tanto sofrimento. E a solidariedade se torna imprescindível para continuarmos vivendo. Como me disse uma amiga chilena, Marta, nesse dia: já virá a primavera esperada!

Alicante, Espanha . Arquivo pessoal

Após a Páscoa, depois que se firmasse a queda nos números de novas contaminações (3.804) e mortos (603), a Espanha liberou o funcionamento dos estabelecimentos de comida para entrega, de serviços como eletricidade, encanamento, centros médicos, etc. E o governo já estuda como realizar o retorno às atividades de uma maneira segura.

E com a esperança de que esse novo mundo que vamos iniciar seja mais igualitário e as relações mais humanitárias!

* Bióloga, doutora em Biodiversidade e Conservação Ambiental. Museu de Ciências Naturais/SEMA-RS.  

LUÍS LAMB / O protagonismo da ciência – Scientia Imperii Decus et Tutamen

Nos últimos dias, a ciência voltou a ter protagonismo. No nosso tempo de vida, nunca havíamos presenciado a proliferação de termos científicos. Passamos a conviver com funções exponenciais, achatamento de curvas, “erre zeros”, testes PCR, supressão e mitigação, horizontalidade e verticalidade. Universidades voltaram ao cenário.

Nesta era de oniciência social, cientistas agora têm voz. No nosso Estado, temos recebido grandes contribuições de nossas universidades para vencermos este grande desafio global, com ampla utilização de soluções propostas em parcerias com empresas, governos locais e hospitais, o que muito nos orgulha.

O fato que levou a esta valorização extemporânea da ciência foi a pandemia de Covid-19. E muito deste protagonismo deve-se à popularização das projeções epidemiológicas. Os modelos mais divulgados são os modelos desenvolvidos pelo professor Neil Ferguson, que orientam decisões de diversos países, tornando-se conhecidos como “os modelos do Imperial College”.

Para os leigos, modelos epidemiológicos são áridas construções matemáticas. No entanto, esses modelos matemáticos têm sido extremamente úteis, orientando ações estratégicas e políticas nas pandemias recentes de H1N1 e zika, bem como na epidemia de ebola.

Este conhecimento prévio e os resultados obtidos no enfrentamento a pandemias construíram a credibilidade do grupo de pesquisa de Ferguson, grupo formado anteriormente por Roy Anderson e Robert May, que modelaram a pandemia de aids, entre muitos outros estudos. Antes, por essa universidade, passaram H.G. Wells, o pai da ficção científica, Alexander Fleming, que nos trouxe os antibióticos e Dennis Gabor, que criou a hologrofia utilizada em inúmeras aplicações.

Felizmente, as nossas universidades voltaram a ser citadas e a ter protagonismo. Se hoje são essenciais no enfrentamento à pandemia, no passado recente suas pesquisas incrementaram a nossa produção agropecuária, construíram parques tecnológicos e hospitais que hoje são referências no enfrentamento à pandemia.

Finalmente: o título da coluna é lema da universidade inglesa – a ciência protege o império; aqui, a ciência protege o Estado. Como ex-aluno da Ufrgs e do Imperial College, percebemos o quanto a valorizar a ciência protege a sociedade e nos valoriza como seres humanos.

  • Secretário de Inovação, Ciência e Tecnologia

CARLOS TIBURSKI /A hora mais sombria da humanidade: salvar vidas ou empregos?

“Esses ídolos medíocres reinavam sob um céu espesso nas encruzilhadas sem vida, brutos insensíveis que bem representavam o reino imóvel em que havíamos entrado ou pelo menos, a sua ordem última, a de uma necrópole em que a peste, a pedra e a noite teriam feito calar, enfim, todas as vozes”. (Trecho de A Peste, de Albert Camus, 1947)

Quando o obscurantismo alia-se ao oportunismo é isso que ocorre. Exclusão nas reuniões do governo do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (Democratas), uma das poucas vozes sensatas neste momento, para dar vez a um senhor que há poucos dias manipulou dados e informações sobre a quarentena como forma de combater a disseminação do #Covid19.

Encontraram-se em seus interesses escusos. O discurso de ódio, tática adotada desde sempre pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), agora se alia ao do deputado federal, Osmar Terra (MDB), em sua campanha para verticalizar a quarentena maquiando e até adulterando dados oficiais. Foi desmascarado nas redes sociais em menos de 30 minutos. Rosane de Oliveira, do jornal Zero Hora, foi uma das que rapidamente corrigiu o deputado.

FALSO DILEMA!

Em recente declaração o Secretário Geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que cada país deve avaliar em que fase a proliferação do vírus está e ajustar sua estratégia para alongar a curva de contágio. Afinal, é somente isto que estamos fazendo. Evitar um colapso no sistema de saúde para que os casos mais graves possam receber o atendimento necessário.

Ponderação lúcida surge de onde menos se espera. O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou para o falso dilema que vivemos justamente em “uma das horas mais sombrias da humanidade”: salvar vidas ou empregos? A declaração foi publicada no jornal britânico The Telegraph. Segundo a diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva: “Salvar vidas ou salvar meios de subsistência. Este é um falso dilema – controlar o vírus é, quando muito, um pré-requisito para salvar meios de subsistência”. Vulgo, gente morta não paga conta! O apelo segue ainda lembrando que uma ação está associada a outra, “proteger a saúde pública e deixar que as pessoas retornem a seus trabalhos caminham de mãos dadas”. Primeiro a saúde pública, depois a economia.

Em meio há tantas correntes de pensamento e interesses, devemos optar pela ciência e conhecimento para nos conduzir por este ‘vale de lágrimas’. Ato da mais alta bravura em tempos obscuros. Jejum é bom, saudável, necessário e recomendado, mas não deve ser confundido ou mesmo usado como promessa de salvação para o vírus Covid-19, onde não há vacina ainda. Entre pandemias e pandemônios o presidente até tenta! É decreto dia sim, dia não apenas para incluir as igrejas como serviço essencial. As lotéricas, desde que com vidros a prova de bala, entraram nessa por mera distração para restabelecer os proventos dos mercadores da fé, o dízimo abençoado! Afinal, a bancada evangélica é uma das poucas que se mantêm fiel ao Jair Bolsonaro. E sobre fidelidade, nem mesmo com o oportunismo estrutural do MDB, o deputado Osmar Terra tem o apoio do partido nessa jornada para verticalizar a quarentena.

A PROMESSA DOS AFLITOS

Em Gênesis 12-17, Deus faz um pacto com Abraão onde mesmo com 99 anos e sua esposa Sara, 90, teriam mais um filho. O pacto foi selado pelo sinal da circuncisão e o nascimento de Isaque cumpriu a promessa. Desde Abraão, o pai de multidões, que transita em nosso crençário judaico-cristão a ideia do impossível. Que para Deus nada é impossível, nem se discute. Apenas a sua própria existência, mas isso é outra discussão.

Vencida a resistência de que para uma inteligência superior, nada é impossível, nos debruçamos agora nas promessas de como o governo e o presidente Jair Bolsonaro irão aliviar e mitigar o sofrimento dos aflitos? E mais! O momento do Covid-19 no Brasil é o adequado para aplicar a verticalização da quarentena? Em que dados, informações são baseadas essa decisão? Ao que parece Bolsonaro e Terra estão de mãos dadas na contra mão do mundo ignorando a ciência e todas recomendações de órgãos internacionais: OMS, ONU, FMI… Nem Trump teve culhão para contrariar o senso comum. Respondido isso, ficará fácil garantir para a população que é seguro voltar às ruas para trabalhar e movimentar essa engrenagem.

Aliás, este momento da humanidade sem precedentes está servindo para atestar a veracidade de muitos textos apócrifos que circulam nas correntes de WhatsApp. Bem como colocará por terra tantas outras fake news sobre teorias da conspiração. E quando tudo isso passar, porque irá, poderemos afirmar sem medo: quem realmente movimenta a economia é o trabalhador. E se o trabalhador tudo produz, a ele tudo pertence.

Fontes consultadas:

Agência Brasil
http://agenciabrasil.ebc.com.br/…/veja-medidas-que-cada-es…

O Globo
http://oglobo.globo.com/…/oms-fmi-dizem-que-ha-falso-dilem…
http://oglobo.globo.com/…/mandetta-chama-de-osmar-trevas-e…

Câmara dos Deputados
http://www.camara.leg.br/…/646493-aprovado-o-decreto-que-…/

Bíblia Sagrada
Livro do Gênesis, capítulos 12 a 17.