Pinheiro do Vale
Nesta quinta-feira, circulou em Brasília um placar apurado pelo PC do B dizendo que Dilma Rousseff vai ter 192 votos contrários ao impeachment na votação de domingo, na Câmara dos Deputados.
Este é o número mais conservador das hostes governistas, menos do que os 203 votos apurados pelo ministro Jacques Wagner, da secretaria pessoal, dando como favas contadas que o relatório da comissão será rejeitado.
Já a oposição, na contagem de Veja, teria 332 votos pelo impeachment, contra 123 contrários.
Ou seja: se for assim o jogo ainda está zero a zero, pois nenhum desses resultados atinge a quota mínima para validar alguma continuidade do processo. Fica tudo como está.
O que se comenta, efetivamente, é que a quota de traições irá definir o placar final.
Pode ser que muitos parlamentares que deram a sua palavra a Michel Temer, na hora agá deem para trás. Ou o contrário: fiéis apoiadores do governo, vendo a casa cair, podem roer a corda.
O que mais se comenta, nas áreas sujeitas à traição, é que as tais “pressões das bases” vão definir o que será o placar final.
Leia-se que essas tais “pressões” são cobranças de financiadores de campanha, nos estados, que estão agarrando seus deputados pela goela para que obedeçam a seus senhores.
Segundo se fala nos corredores, esse número poderia chegar a 60 parlamentares que não saber a qual santo acender suas velas.
Eles estariam com a corda no pescoço de um lado, mas contando que, se o impeachment cair, poderão obter favores e prestígio junto ao governo sobrevivente, a ponto de se redimirem com os donos do dinheiro.
“É aí que acontece aquilo que a oposição chama, em Brasília, de “balcão de negócios” e os governistas de “ação individual extrapartidária”, ou conquista de “voto a voto”.
Isto na área política, pois ainda está pendente a reação judicial às contestações de legalidade do processo político desencadeado por Jovair Arantes, relator do processo, integrante do PTB de Goiás, partido que até pouco tempo integrava a base aliada.
As nuvens da política continuam mudando sua forma a cada lufada de vento.
Autor: da Redação
Um plano B para o Alvorada
Pinheiro do Vale
A pá de cal. É assim que muitos observadores chamavam ontem à noite, em Brasília, a ação do ex-governador de Santa Catarina, Espiridião Amim, que fez o PP descer do muro para o lado do impeachment, trazendo consigo uma enxurrada de indecisos, que está pondo em perigo o mandato da presidente Dilma Rousseff.
Se o governo cair, Amin vai se consagrar como líder da direita no sul do País. Dizem quequando Lula soube, anteontem, que o catarinense poderia dobrar o seu partido, herdeiro em linha direta, de sangue da antiga Arena, comentou com os intelectuais que estavam junto com ele na Fundação Progresso, no Rio, numa manifestação pró Dilma: “a vaca foi pro brejo”, disse o ex-presidente a um grupinho que tinha, entre outros interlocutores, Chico Buarque de Hollanda e Eric Nepomuceno.
Entretanto, como dizia Honório Lemes, “não está morto quem peleja”.
A presidente e seu grupo, ainda na linha do Leão do Caverá, “está batendo em retirada com pouca munição, mas lutando”.
Ao contrário do que se imagina, não há hipótese de ela achicar se for perdendo os embates políticos nesta fase parlamentar.
Seu plano é que se a crise chegar à beira do precipício, ou seja, tendo de se afastar da presidência enquanto o Senado Federal julga as razões da Câmara dos Deputados, ela vai se entrincheirar no Palácio da Alvorada para comandar a resistência.
Como presidente, Dilma tem o direito de permanecer na residência presidencial. Temer fica com o Planalto, mas não pode mandá-lo embora do Alvorada.
O plano é não se entregar. Muitos aliados da presidente, os mais aguerridos, chegam a dizer que vão construir um bunker, expressão que os seus marqueteiros não gostam por suas conotações históricas negativas, embora a ideia de uma fortaleza inexpugnável, que é o sentido dessa palavra, seja o objetivo.
Dilma e seus seguidores pretendem manter acesa a chama da resistência, mobilizando os partidos que a apoiam e demais movimentos sociais. Todos na rua, bradando contra o golpe, enquanto, esperam os dilmistas, que o vice-presidente em exercício se afunde nas mazelas da crise econômica.
Em 180 dias o país poderá ter outra cara e todos os atores políticos venham a entender que Dilma é a melhor solução, pois não é candidata e terá propostas concretas para pacificação do país.
Uma delas seria chamar uma constituinte para a reforma política, tal como ela propôs e todos rejeitaram, depois das grandes manifestações de 2013.
Um ator insuspeito, o senador Paulo Paim, pois embora sendo da esquerda, não pertence ao círculo íntimo nem ao núcleo duro do governo, mas é petista de carteirinha e gaúcho, como Dilma, o que dá uma certa credibilidade à iniciativa. Paim apresentou ontem no Senado um
projeto de reforma constitucional convocando as eleições para essa constituinte já agora em outubro, junto com o pleito municipal. Seriam 129 membros eleitos com a finalidade de mudar o sistema político partidário e, eleitoral do Brasil.
Isto tudo são conjecturas, para que ninguém diga que não há um Plano B.
A verdade verdadeira, até o momento, é que o jogo continua empatado, pois se Temer não tem os 342 votos que precisa para derrubar a presidente, Dilma também ainda não conta com os 171 para barrar o processo no plenário da Câmara.
O ambiente piorou muito depois que o PP desembarcou. Como se dizia: O Espiridião abriu a porteira. É o efeito manada, que já se expressa em algumas crônicas. Para os articuladores do governo, o importante é conter a debandada.
É um desafio descomunal para uma executiva de perfil administrativo, como Dilma, ter de enfrentar as mais felpudas raposas da política brasileira. É possível que ela tenha subestimado seus adversários.
Dilma não cai
Pinheiro do Vale
Maquiavel perde. Muita gente chama Aécio Neves de Tancredinho, numa alusão a seu avô, mas ele tem se revelado mais um Tancredão, pois adiciona uma dose de maldade política à celebrada esperteza do ex-presidente Tancredo Neves.
É isto mesmo: o rapaz mineiro revela uma capacidade inigualável de desnortear seus adversários, pois quando se pensa que ele está indo, já está voltando. É o caso de sua atuação neste caso do impeachment da presidente Dilma Rousseff.
Domingo a presidente vai levar um susto, mas não será defenestrada do Palácio da Alvorada. Escapa por pouco. Este é o plano, pois para o jovem tucano não interessa sua deposição. Pelo contrário: mantendo-a no Palácio do Planalto, tutelada pelo ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, ele sai da linha de fogo sem prejuízo político-eleitoral.
Primeiro: Dilma não é candidata, portanto não é adversária. Segundo, com suas manobras de vai não vai, enfogueira Michel Temer aqui, se afasta do PMDB ali, quando chegar domingo estarão frente a frente Lula e Temer, enquanto ele assiste de camarote a briga de faca dos paulistas.
Lula foi de certa forma encurralado, pois teve de entrar em campo aos 45 minutos do segundo tempo. Encontrou um jogo embaralhado no campo adversário: Marina Silva falando em eleições já, mas torcendo para deixar aos tucanos a pecha de golpistas; os tucanos patrocinando o processo de cassação, dão os votos no plenário, mas negam ao PMDB o apoio para o governo pós impeachment. Quer dizer, apostam no tumulto.
Temer está tranquilo, aparentemente. Vazou seu áudio, atribuindo o fato a uma barbeiragem no celular, mas já se coloca fora do governo, ou seja, em campanha como oposicionista. Ao mesmo tempo, seu partido poderá ficar dos dois lados, compondo a nova base aliada, apresentando-se como força dividida, para manter ministérios sem perder a imagem de independente com candidato próprio.
E o Eduardo Cunha? Isto é uma outra história. Como vítima, aglutina os evangélicos na rubrica da perseguição religiosa.
E o Lava Jato? Será o grande legado de seu governo, o combate intransigente à corrupção, não obstante os arrufos com o juiz Sérgio Moro por conta de seus vazamentos seletivos.
Está, portanto, feito o jogo. As cartas estão na mesa: Lula, Temer, Aécio e Marina no ringue. Dilma sangrando, gritando, incomodada e imobilizada por um indemissível vice-presidente que não pode assumir interinamente, amargando uma oposição na base do quanto pior melhor. Ou seja: nada de novo.
Gafe de Temer e ato com artistas no Rio tiram força do impeachment
No início da tarde, a bomba foi o áudio que vazou com um discurso do vice presidente Michel Temer, falando como se o impeachment já estivesse consumado.
No fim do dia, um ato com Lula, Chico Buarque e dezenas de artistas e intelectuais reuniu milhares de pessoas no Rio.
Esses dois fatos reforçaram uma tendência que já vinha se delineando nos últimos dias e que sinaliza para o enfraquecimento do processo de impeachment da presidente Dilma, que entrou em sua fase decisiva na Câmara Federal.
Enquanto os deputados da Comissão Especial que analisa o pedido de impeachment batiam boca no Congresso, Beth Carvalho cantava no anfiteatro da Fundição Progresso, no Rio, um sambinha recém composto: “Não vai ter golpe de novo/ reage, reage meu povo”.
O frei Leonadro Boff disse que estava ali para “o sepultamento do golpe” e Nelson Sargento, decano dos sambistas brasileiros, aos 91 anos, gritou: “Eu não dormiria direito essa noite se não viesse aqui”.
A manifestação prosseguiu do lado de fora, sob os arcos da Lapa, onde era aguardado o discurso do ex-presidente Lula.
A aprovação do relatório pelo impeachment na Comissão Especial, no início da noite, perdeu boa parte do impacto que teria ante esse novo quadro. A decisão está prevista para domingo quando o processo será votado no plenário da Câmara.
Dilma se compara a Vargas por ataques à familia
Pinheiro do Vale
Quando a presidente Dilma Rousseff se compara a Getúlio Vargas, como fez na visita à reunião da Executiva do PDT que fechou questão contra o impeachment, ela de fato não se refere à questão política na Câmara, mas aos ataques à sua família.
Embora não tivesse falado de viva voz, ainda lhe repugnava a baixeza da reportagem de capa da revista Época em que uma equipe inteira procurou sem êxito encontrar alguma migalha que pudesse ligar seu ex-marido Carlos Araújo a algum malfeito, por menor que fosse.
A matéria de Época é um vexame para o jornalismo brasileiro, que se mostra ridículo por produzir profissionais dessa categoria. Expõe sócios controladores cobrando resultados a qualquer preço, sem nenhum prurido ético; um diretor de redação desesperado por sua incompetência para manter-se no cargo; editores de texto medíocres distorcendo declarações e comprometendo descaradamente amigos da família com conteúdos contrários ao que disseram; repórteres tresloucados, errantes no deserto a procura de cavalos com chifres. Uma vergonha! Diria o velho Boris Casoy.
Isto vem da sofreguidão para esconder o tamanho do fracasso, diminuir a distância de concorrentes. Uma ideia brilhante do gênio da redação de Época: “O ex-marido”. Deve ter pensado: como estes coleguinhas são burros, depois de tantos anos cavoucando não se deram conta que o ilibado Carlos Araújo seria o furo do ano. E lá se foram. Que equipe mais esperta…
A matéria foi um espanto: a capa dramática e, lá dentro, nada. Nada vezes nada. Nem uma pista. Coitadas das “fontes” expostas só em negativas. Nem uma linha que levantasse a menor suspeita. Apenas má fé e falta de assunto. Pobre leitor! Esse número da revista dá direito ao comprador de reclamar no PROCON.
Entre os profissionais de imprensa, Época expõe a fraude que se converteu esse tipo de jornalismo investigativo. Os velhos profissionais do ramo lembram-se dos tempos antigos, nos anos 70 e 80, quando o repórter precisava conquistar uma fonte antes de ter uma notícia. Era quase um ritual. Uma alta fonte contava um segredo (“não é para publicar”), deixava “descuidadamente” um papel sobre a mesa e pedia licença para dar um telefonema noutra sala. O repórter rapidamente lia e anotava. Chegando à redação era interrogado duramente pelo editor, tinha de ouvir o outro lado e, sempre, iniciava a matéria com a versão do acusado.
Na fase seguinte já havia mais flexibilidade do editor, a fonte passava um “dossiê”. Vieram os tempos do “denuncismo”. Em meio a muitas verdades também havia as manipulações. Muitas reputações de repórteres furões se fizeram por aí. Pelo menos o jornalista precisava ter uma fonte que lhe passasse um dossiê. Dava algum trabalho.
Agora é mais fácil. Tecnológico. Qualquer hacker passeia como se estivesse em casa nos arquivos dos órgãos públicos. É só plugar o pendrive e tem todo o vazamento em áudio e vídeo sem precisar se esforçar para encontrar uma fonte confiável para lhe passar o “vazamento”. Não precisa prática nem habilidade.
É o caso dos “vazamentos seletivos” do Lava Jato. É melhor para a imagem da Política Federal deixar o público pensando que há uma “garganta profunda” irrigando uma multidão de repórteres do que reconhecer que seus computadores são uma peneira de tela tão grossa que passa tudo. E pior: os órgãos de segurança máxima do País não têm como se defender.
Essa vulnerabilidade veio à tona quando os hackers do Wikileaks de Julian Assenge entraram nos escaninhos mais secretos da presidente Dilma Rousseff. Ela ficou quatro anos brigada com o presidente Barack Obama por causa disso, até o ministro José Eduardo Cardoso confessar que não podia fazer nada par impedir a invasão das delações. Quando um veículo diz que “teve acesso” está na verdade dizendo que invadiu um computador indefeso. Então ela fez as pazes com os norte-americanos.
Por estas e por outras que o programa prioritário do Exército Brasileiro para defender a soberania nacional não fala de tanques e canhões, mas de Segurança Cibernética (a Aeronáutica cuida de segurança espacial e a Marinha de motor nuclear). Se nem os mais profundos segredos de estado estão resguardados, imagine como não estão vulneráveis as pobres máquinas do tempo do Onça da Polícia Federal e do sistema judiciário.
Foi por isto aí que a “esperta” equipe da Época saiu a campo procurando escarafunchar a vida do irrepreensível e discreto Carlos Araújo. E é isto mesmo: tape o nariz e leia a matéria da Época e confirme que ele é irrepreensível e discreto.
Certamente foi por causa dessa grosseria que a presidente Dilma invocou o exemplo de Getúlio Vargas. Ele também teve seus parentes na alça da mira, o irmão Benjamin e o filho Lutero. Com Dilma já tinham procurado o irmão Igor, mas em vez de um nababo encontraram um advogado aposentado com um fusquinha igual ao do presidente Mujica, do Uruguai. Agora foram atrás do Araújo. Encontraram um ex-político de primeira linha retirado e um advogado que tem de trabalhar, mesmo doente, para ganhar seu sustento. Fizeram a anti-matéria. Vergonha!
Voltando a Getúlio, a imprensa ligou o pronunciamento de Dilma no PDT ao impeachment, pois a reunião fechava questão a seu favor e ela estava lá para isto. Entretanto, embora todos os presidentes de 1950 para cá tenham enfrentado pedidos de afastamento na Câmara (e só Collor perdeu), os casos são diferentes. Mas como os jornalistas não atinaram, ficou como se ela estivesse se comparando ao presidente suicida que se concluiu com um tiro no coração e a subsequente derrota eleitoral do candidato da oposição, general Juarez Távora, e eleição do candidato situacionista, Juscelino Kubitschek.
Em todo o caso, naquele ambiente, comparar-se a Vargas foi uma boa tirada retórica, pois ali estavam reunidos os que se apresentam como herdeiros legítimos do legado getulista.
Outubro Rosa
Alice Schuch*
Ela pensa, procura, mas não sabe o que fazer. É bela, boa, é inteligente, tem tudo e, mesmo assim, às vezes experimenta esta particular insatisfação, falta-lhe alguma coisa, um vazio que não sabe como resolver. Cai em depressão e não consegue sair. Adoece.
A depressão é a principal porta para as doenças e as mulheres são atingidas em peso por esse que é um mal do século. A causa é a falta do projeto de vida que deve ter cada uma, na sua individualidade, deveria ter e defender. Ter sonhos, ambição e independência expande uma força que tira a mulher deste vazio interior que muitas sentem. O resultado é a vitalidade.
A vitalidade dificulta o desenvolvimento até de doenças graves. Pensemos nisso.
A depressão alimenta uma alma doente, logo, reflete um corpo doente. Buscar a ajuda que for necessária, criar um projeto de vida, um objetivo de vida. Com isso, ganhar força e independência. Também pontuo atitudes consideradas historicamente masculinas e que, não sendo, devem ser desenvolvidas nas mulheres: a ação eficiente, formalizando o que se quer, movimentando-se, cumprindo e realizando com certo orgulho e praticidade. Assim é a origem feminina. Devemos retornar à nossa natureza, criando uma forma de agir feminina e eficiente, mudando, assim, a história.
Corriqueiramente, a mulher cumpre regras feitas, passadas há muitas gerações. Vibra, sente a própria força, eleva ao máximo suas próprias pretensões. Pretende o belo, o poder, tem uma sensibilidade especial, uma força de inteligência, sabe que possui o poder de gerar a vida, mas no exato momento que a oportunidade real se mostra, entra uma imagem, uma informação contrária que fixa uma forma que dói dentro. Adoece.
Surge um medo infundado e ela não colhe a oportunidade, retira-se do jogo. Perde o centro da ação vencedora, desiste. Rebela-se, culpa os outros, mas não compreende a causa da sua fraqueza.
Todas as mulheres, principalmente as mais inteligentes, percebem a existência de um erro, mas não conseguem identificá-lo de fato. A diferente é considerada uma ameaça, principalmente se é uma líder. Sente-se combatida, agredida, impotente por fim, sente culpa de não ser igual as outras e desiste. Não conseguindo realizar o seu projeto, passa a considerá-lo impossível, não compreende.
Deixa-se arrastar pela massa e, por sua vez, torna-se parte dela, baila no vazio. Mata a própria luz, em boa fé assassina o próprio núcleo individual. E segue adoecendo.
*Palestrante, pesquisadora do universo feminino e autora do livro “Mulher: aonde vais? Convém?”
Uma trama contra a democracia
Henrique Fontana
A tentativa de retirar uma presidenta legitimamente eleita, com mandato conquistado nas urnas, antes de 2018, atenta contra a democracia. E não bastará aos organizadores dessa trama e aos defensores da quebra das normas constitucionais envolverem suas manobras para um golpe institucional num “verniz” legalista.
As conspirações para o impeachment da presidenta Dilma, tramadas, especialmente, pelo presidente Eduardo Cunha e tucanos no Congresso, são frágeis e contraditórias. Desde a reeleição da presidenta, estes têm promovido diferentes ações, com pedidos de recontagem de votos, rejeição das contas de campanha, rejeição das contas do governo e diversos requerimentos de impeachment.
Assim como a tese das supostas “pedaladas fiscais” nas contas do governo em 2014, procedimento contábil até hoje considerado legal pelo TCU, utilizado inclusive pelos governos de Fernando henrique e Lula, e aprovado pela Câmara, outra tese tenta dizer que as doações eleitorais das mesmas empreiteiras, em alguns casos em valores até maiores, para Aécio Neves seriam legais, e as feitas para a campanha de Dilma seriam ilegais e fruto de propinas, sendo que todas estão registradas dentro das regras eleitorais. Nenhuma justifica um impeachment.
A política e a estabilidade das instituições democráticas não devem ser pautadas pelo revanchismo eleitoral ou humores do mercado. Buscar saídas para a crise econômica mundial, que também nos atinge, é tarefa do governo eleito, e mesmo diante de críticas de alguns setores, estas não são motivo para interromper um mandato.
Respeitadas democraticamente todas as manifestações, é preciso dizer que o clima de “terceiro” turno eleitoral, que tem o objetivo de desestabilizar o governo, na verdade tem prejudicado nossa economia e atrasado a retomada do crescimento.
É tarefa de toda sociedade, respeitada a pluralidade de opiniões, defender as instituições e a legalidade democrática duramente conquistada após mais de 20 anos de ditadura. A política não deve ser um jogo de vale-tudo, a maioria do povo não torce pelo “quanto pior, melhor”. Vamos sim reconhecer e corrigir erros, protegendo o que já conquistamos, enfrentando a corrupção e defendendo a democracia.
*Deputado federal (PT/RS)
O jornalismo que não vê e se omite
Luiz Cláudio Cunha
O Brasil ficou chocado com os 84 segundos de imagens em preto e branco que assistiu nos principais telejornais do país na sexta-feira, 28 de agosto. Mostravam as cenas violentas de um assalto à luz do dia numa avenida movimentada de São Bernardo do Campo, SP, quando o ladrão esmurra o vidro de um carro, arranca a motorista que o dirigia, joga a mulher no chão e arranca com o veículo.
(Reprodução de fotos ABCD Maior)
O ataque: aos 15 seg, o homem começa a esmurrar a porta da motorista.
O recuo: aos 21 seg, o carro branco atrás dá marcha a ré para se afastar do ataque.
A fuga: aos 25 seg, o carro de trás manobra pela direita e foge dali.
A omissão: aos 59 seg surge alguém para ajudar, enquanto os carros passam sem parar.
Foram cenas captadas às 8h da manhã do sábado anterior, 22, pelo sistema de segurança da prefeitura, num trecho da avenida José Fornari, no bairro Ferrazópolis, e divulgadas pelo jornalABCD Maior. Repetida exaustivamente, a sequência impressiona pela brutalidade, que todo mundo vê. Os telejornais viram e reprisaram. Mas, o jornalismo fracassou em sua missão básica ao não ver, ali, o que devia ter visto, registrado e denunciado.
Vamos rever a cena captada com neutralidade pela câmera da avenida e ecoada com insensibilidade pela imprensa brasileira – acessível o YouTube.
Um homem de menos de 30 anos aproveita o trânsito parado, circunda por trás de um Honda Fit, como se fosse cruzar a avenida, e aos 10 segundos da gravação se volta de repente em direção à porta da motorista. Com inesperada violência, começa a esmurrar o vidro. O carro tenta arrancar. O primeiro murro acontece aos 15 seg. Aos 16 seg, um segundo murro. Aos 17, o terceiro. Ele força a abertura da porta aos 18, que se abre no segundo seguinte.
Com violência, puxa para fora a motorista, uma senhora de 64 anos, e a joga sobre o canteiro central da avenida, aos 25 segundos. Ele toma o lugar da motorista e arranca com o carro. Outra mulher, que estava no banco de passageiro, consegue sair pela porta direita, pega uma bolsa caída na avenida e vai ao encontro da amiga, caída sobre o canteiro central. Aos 59 seg, enfim, um homem cruza a avenida ao encontro das duas mulheres, para prestar algum socorro.
Na câmera e na consciência
A motorista de 64 anos, a psicopedagoga Rosa Maria Costa, deslocou o tornozelo e sofreu quatro fraturas na perna direita. O ladrão acabou capotando o carro na Via Anchieta e, no acidente, ainda atropelou um homem de 65 anos. Um carro parou para socorrer, o motorista desceu e o ladrão roubou o outro carro, desaparecendo. Um fato nada estranho na Grande São Paulo, onde acontece um roubo ou furto de carro a cada quatro minutos. Entre janeiro e julho, na maior região metropolitana do país, 74.129 veículos foram surrupiados por bandidos.
O que mais espantou na cena de violência em São Bernardo, que todo mundo viu, foi a cena que a imprensa não viu, não comentou ou desprezou. Ninguém da TV, rádio ou jornal, nenhum colunista, nenhum blogueiro, nenhum militante das ubíquas redes sociais destacou o vergonhoso espetáculo coletivo de acovardamento, omissão, negligência e falta de solidariedade que marcou o entorno da agressão na avenida.
Está tudo lá, gravado para sempre na câmera da TV e na consciência envergonhada de quem tudo viu e nada fez. Ou fez errado. Como o motorista do carro branco, provavelmente um Corolla, parado imediatamente atrás do carro atacado pelo assaltante.
Quando o agressor desferiu seu terceiro murro na porta, aos 17 seg, o motorista do Corolla começa a dar ré no carro. Se tivesse feito o contrário, acelerando em direção ao atacante, que não estava armada, ele teria frustrado a agressão e afugentado o agressor. Em vez disso, o carro branco recua uns dois ou três metros, lentamente. No momento em que Rosa Maria é jogada na avenida, o Corolla vira à sua direita e desaparece de cena atrás de uma van parada ao lado, com um motorista, também inerte, à direção. O carro roubado, o Corolla e a van arrancam quase ao mesmo tempo, enquanto a vítima rolava na avenida.
No canto inferior direito da tela, três homens passam pela calçada, indiferentes ao drama das duas mulheres no canteiro central. Só aos 59 seg aparece um homem de jaqueta preta, que atravessa a avenida para socorrer as duas mulheres. Durante os 84 segundos que dura a cena gravada, o que se vê e ninguém comenta é um desfile pusilânime de indiferença, de gente que não se importa, que não vê, não olha, não para e não comete nenhum gesto de solidariedade. Além da van e do Corolla que fugiram da cena do crime, outros quatro carros, dois ônibus e um caminhão passaram pelo local, no sentido do carro assaltado. Do outro lado da avenida, no sentido inverso, passaram 21 carros neste curto espaço de tempo — e ninguém parou, nem por curiosidade.
Nesta sociedade cada vez mais integrada por redes sociais, cada mais conectada por ferramentas como Facebook, Twitter e WhatsApp, cada vez mais interligada por geringonças eletrônicas que deixam todo mundo plugado em todos a todo momento, a cena brutal de São Bernardo escancara o chocante estágio de uma civilização cada vez mais desintegrada, mais desconectada, mais desintegrada. É uma humanidade apenas virtual, falsa, narcisista, cibernética, egoísta, que se decompõe em pixels e se desfaz na tela fria da vida cada vez mais distante e desimportante.
Ninho da omissão
A polícia, sempre fria e técnica, recomenda não reagir em casos de assalto, para evitar danos maiores. No episódio deprimente de Rosa Maria, tratava-se não de reagir, mas de defender uma vida, de proteger um ser humano, de cessar uma agressão, de impedir um abuso, obrigação que cabe a todos e a cada um de nós. A reação de um, um apenas, motivaria o auxílio de outro, e mais outro, numa sucessão de atos reflexivos de autodefesa em grupo que explicam a evolução do homem da caverna para o abrigo solidário da civilização.
Ninguém fez isso — na hora certa, com a firmeza necessária, com a generosidade devida, com a presteza impreterível. Esse espetáculo coletivo de insensibilidade e de crua indiferença atropelou toda a imprensa, em suas várias plataformas. Naufragaram até mesmo os programas e apresentadores que vivem da violência explícita e cotidiana de nossas cidades, grandes ou pequenas, com seu festival interminável de ‘mundo cão’.
Os programas das grandes redes de TV, que cruzam as manhãs e tardes do País com a tediosa banalidade de sangue, morte e violência do cotidiano, se refestelaram com a caso de São Bernardo, reprisando várias vezes a cena da avenida. Como sempre, no estilo furioso e mesmerizado de todos, despontou a tropa de elite da truculência na TV, sob o comando de José Luiz Datena (Band), Marcelo Rezende (Record) e Ratinho (SBT). Aos gritos, aos berros, no jeito gritado de um e de todos, ecoaram como de hábito a visão policial e teratológica da realidade, deixando de lado a preocupação social de uma segurança pública falida e desarvorada pelas balas perdidas da incompetência dos governantes.
Só esqueceram do entorno, da cena explícita de covardia e indiferença das pessoas que testemunham, assistem, presenciam, mas não interferem, não intervêm, não reagem. Ninguém lembrou do exemplo de São Bernardo para denunciar esta falsa sociedade compartilhada, mais preocupada em seus interesses compartimentados, que nenhuma rede social humaniza ou aproxima, a não ser virtualmente.
Um jornalismo que não vê o que é necessário, que não percebe o contexto além do texto, descumpre a sua missão. Esconde a realidade, ao invés de revelá-la. O repórter fiel ao seu ofício deve estar atento ao murro do assaltante no vidro do carro. Mas deve prestar atenção maior ao Corolla branco e aos carros que passam por ali, indiferentes ao que se vê e ao que acontece.
O bom jornalismo sabe que é nesse ninho da omissão que cresce a violência e prospera o fascismo.
A segunda cassação de Jango
Por Luiz Cláudio Cunha
O índice de boçalidade nacional cresceu assustadoramente na quarta-feira, 19, com a surpreendente decisão do governador socialista de Brasília, Rodrigo Rollemberg, declarando nula a cessão de um terreno no Eixo Monumental para a construção do Memorial da Liberdade e Democracia, dedicado ao presidente João Goulart.
É o último projeto desenhado pelo arquiteto Oscar Niemeyer e parecia caminhar bem, até trombar numa aliança hostil formada pelos ex-governadores Joaquim Roriz e José Roberto Arruda e pelo empreiteiro Paulo Octávio Pereira.
Rollemberg atropelou um abaixo-assinado de 45 senadores que corre pelo Senado Federal contra a ‘segunda cassação’ de João Goulart.
A paranoia sobrevive
O governador de Brasília espana a responsabilidade com argumentos técnicos e difusos do Ministério Público, mas existem pressões militares que ele não tem coragem de revelar e que mostram a persistência da paranoia anticomunista.
Dias atrás, a senadora Vanessa Graziottin (PCdoB-AM) teve a prova disso pela boca da maior autoridade militar do País: o general Eduardo Dias da Costa Villas Boas, comandante do Exército.
— Este memorial não pode ser construído ao lado do Quartel-General. Isso é uma afronta ao Exército! — bufou o general, ao visitar com a senadora o terreno no Eixo Monumental reservado para o memorial, num espaço entre a Praça do Cruzeiro e o Memorial JK.
A seta do susto
O terreno fica a um quilômetro de distância, em linha reta, do QG do Exército onde trabalha o comandante Villas Boas e sua assustada tropa de generais.
No final de 2014, pouco antes de deixar o Ministério da Defesa, na transição entre o primeiro e o segundo mandato de Dilma Rousseff, o então ministro Celso Amorim explicou ao perplexo filho de Jango, João Vicente Goulart, a razão da bronca militar contra o memorial:
— Esta seta já provocou alguns problemas. Ela está apontada para o QG e seria melhor colocar do outro lado da avenida — apontou o ministro Amorim.
A infiltração de Niemeyer
A seta que incomoda os generais é uma cunha vermelha, com a ostensiva inscrição do ano de 1964, encravada na cúpula branca da construção ondulada de 1.200 metros quadrados.
A paranoia dos militares, apesar da queda da ditadura há 30 anos, vai além do Memorial João Goulart.
No passado, eles encrencaram com outros dois projetos ‘subversivos’ de Niemeyer, um comunista assumido: a torre de controle do aeroporto internacional Juscelino Kubitschek e o pórtico do Memorial JK, ambos na capital federal.
Para os generais, antes e agora, tudo aquilo não passa de uma clara alusão à foice e ao martelo, símbolos do comunismo internacional que Niemeyer implantou no horizonte de Brasília. Um horror!
A afasia desastrosa de um governo intimidado
Enio Squeff
Amigos que votaram em Dilma Rousseff, acreditam, com certa razão, que não há sentido em criticar o governo e engrossar, assim, o movimento oposicionista em curso em que, a acusações genéricas de meliantes implicados nos casos de corrupção da Petrobrás, se somam nítidos movimentos golpistas.
A crítica só acrescentaria lenha à fogueira. Faz sentido; mas a senhora Dilma Rousseff parece tomada por um surto de afasia. Ao não se defender de absolutamente nada, parece dar razão aos adversários.
E, como se não bastasse, por enquanto só tem estendido a mão à direita política. Não parece serem de todo incorretos, os que a acusam – e ao seu governo – de ter se esquecido de tudo o que defendeu na campanha eleitoral recente, e que, afinal, a elegeu. E de arrebatar, todos os dias, todos os argumentos da esquerda para a defenderem.
Tentemos algumas hipóteses. Kátia Abreu na Agricultura – se não for confirmada – terá se mostrado apenas mais um gesto de falta de um tática minimamente coerente por parte do governo.
Ninguém com um fio de lucidez entenderá qual a finalidade do desgaste. Se era para testar a fidelidade da esquerda – tudo mal: ela, a esquerda ou as forças democráticas do País, já estão com os ouvidos quentes a ouvirem das sacadas, dos fundos dos bares, pelas ruas – que se era para isso, carece de qualquer sentido seu apoio a uma governante que vem fazendo exatamente o que se esperava de seus adversários.
Trata-se de um movimento tático, dizem alguns otimistas. Ao atender a poderosa direita em seus contornos inclusive nitidamente fascistas, encastelada na mídia, na justiça, e na academia, o governo Dilma se livraria do pior – o descrédito pela situação que, se não é catastrófica como pintam seus adversários – nem por isso deixa de abalá-lo.
Tudo bem, seria isso mesmo. Mas e os que elegeram o atual governo? Onde os argumentos do mesmo governo para uso dos que até ontem estavam nas ruas, a defendê-lo?
As respostas por enquanto não têm despontado de lugar algum do oficialato.
Euclides da Cunha dizia de Floriano Peixoto que era a máscara de uma múmia.
Dilma Rousseff deve levar em boa conta a comparação. Mas se esquece de que uma coisa são os Salazares, os Francos, os Stalins e os Florianos Peixotos de todos os tempos – ditadores que se safavam das situações embaraçosas a ostentarem “caras de paisagens”.
Ainda que não seja um ditador “stricto senso”, Vladmir Putin, o todo poderoso presidente russo, pode-se dar ao luxo de relegar as acusações de seus adversários, como meras suposições.
Dilma não é Putin, não vive numa Rússia protoditatorial. Não tem como se esconder em qualquer cara de múmia de todos os ditadores de todos os tempos.
No entanto, vem sendo sistematicamente acusada de tudo de ruim que acontece no país e até agora não disse se tem alguma coisa a dizer – ainda que tenha sido eleita. Fica difícil saber qual a sua lógica, se é que ela tem alguma que não a de seus marqueteiros.
No tempo dificílimo dos debates eleitorais, digamos sem meias palavras – a presidenta se mostrou timorata, embaraçada, fraca, mal se sustinha às acusações agressivas, principalmente de Aécio Neves.
Salvou-a a solidariedade natural de parte dos brasileiros e brasileiras, com os fracos e a sua condição de mulher.
Foi por ser mulher e portanto, frágil, sujeita aos maus bofes de um homem agressivo, e machista que ela se livrou da pecha de pusilânime.
O “tal coração valente” da propaganda oficial por pouco não deixou de bater, na condição de então candidata, a se sentir mal depois de ter sido cruelmente ofendida por Aécio Neves.
Não fosse o próprio Aécio ostentar o título de “batedor de mulheres”, acusação não desmentida que lhe fez Juca Kfouri em sua coluna meses atrás – fato jamais devidamente e explorado pela grande imprensa, mas conhecida pelo grosso dos eleitores – e o tal “coração valente”com que a presidenta se apresentou, teria se infartado definitivamente no famoso debate.
Ficou a lição pensaram os mesmos otimistas. Não, não ficou nada. Os marqueteiros – ou sabe Deus quem – convenceram-na, a ela e ao PT, de que Dilma se saiu bem por não ter respondido à altura o ter sido chamada de “omissa”, “mentirosa”e “corrupta”.
Nada de estranho, portanto, que a arenga continue. E com reações antagônicas dos dois lados.
De parte do Partido da Imprensa Golpista – o já famoso “PIG” – o PT continua a ser o partido “mais corrupto que já governou o País”.
Quanto aos marqueteiros e ao governo em geral – é aconselhável que a presidenta se guarde quietinha às acusações que lhe fazem, à vaias, aos xingamentos e a todo o resto.
Ou seja, se o “Grande Inquisidor”Gilmar Mendes a acusar de corrupta, e de portanto merecer um “impeachment”o tal “coração valente”, a se crer em seus atuais conselheiros, irá se recolher em um convento a pedir a intercessão de Deus e de Santa Terezinha.
Entrementes, os que até ontem saíram às ruas para tentar reelegê-la, ficam a olhar para os lados, assustados dos que os vão acusar de serem, por sua vez, omissos diante de tanta pusilanimidade.
Foi assim, a propósito, durante todo o governo Dilma.
A imprensa a bater, a reforçar os acusadores sem provas dos Mensalões, o Ministério da Justiça a baixar a guarda para a Polícia Federal anti-republicana, devidamente instrumentalizada quase que exclusivamente contra o PT e tudo o mais.
A isso a assessoria de imprensa (??) do governo federal não fez praticamente nada.
Aliás, Franklin Martins, ex-assessor de imprensa de Lula, hoje devidamente aposentado – por que será? – , tentou uma resistência ainda no tempo do governo anterior, quando criou a TV Brasil.
Ela seria a “BBC brasileira” lembram-se? Passado mais de cinco anos, a TV Brasil sequer saiu da condição de TV por assinatura: continua a não ser um canal aberto para todos os brasileiros. Inacreditável, mas é isso mesmo.
Talvez se possas conceder que muitos dos funcionários da TV Brasil seja profissionais aguerridos e que têm tentado inutilmente, ascender à condição de disputar um lugar entre as emissoras de TV do País.
Quem sabe sejam até heróicos. E desconfia- de que sejam mesmo: sabem que servem a um governo amedrontado.
Quem sabe estejam, então, a se preparar para daqui a alguns anos – se Dilma não for derrubada até lá. E então devem estar a calcular, como nós outros, a que tipo de governo de direita irão servir.
Dizem de Dilma Rousseff que é uma mulher que gosta de ópera e de teatro.
Sua atuação na área cultural não tem demonstrado nada disso. Mas se conhecesse uma peça do suíço Max Frisch, chamada “Biedermann e os incendiários” talvez atentasse para a história do sujeito que convida carbonários para se hospedarem em sua casa. E que, contra todas as evidências, por pura covardia, não consegue expulsá-los antes que a destruam.
Dilma gosta de quinta-colunas. Pela sua idade deveria saber o que é que é isso. Mas sequer se deu conta de que ganhou de um candidato comprometido com tudo o que ela diz ser o oposto de seu governo.
Ou melhor, que ela não diz ser o oposto do seu governo, por certamente não ter se recuperado ainda do mal estar que acometeu logo depois do debate em que se sentiu mal.
Desconfiava-se de que fosse um surto afásico. Hoje se sabe que talvez tenha nascido assim, ao menos que ….