PINHEIRO DO VALE
A novidade política desta semana é que o ex-presidente Lula mandou parar com o bordão “Fora Temer” e retirar as expressões “golpe” e “golpismo” do discurso de seu partido.
Este novo posicionamento significaria, na prática, remeter a ex-presidente Dilma para o passado.
São passos de Lula para a retomada de sua iniciativa política, sacudindo a poeira da tragédia pessoal e do comando de seu partido com vistas ao grande desafio de 2018.
Um primeiro passo é recompor o discurso com palavras de ordens propositivas. O que passou, passou.
O passo seguinte será recompor alianças consequentes ao centro. Um dos alvos é o irrequieto PMDB, que também está sem candidato.
O último lance do PT pós impeachment foi a desobediência da bancada federal às ordens estratégicas de Lula.
O PT ficou chupando o dedo. Esta seria a imagem mais aproximada do resultado da atuação da bancada de deputados federais do PT nesse episódio tragicômico em que se converteu a atuação do partido na eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados.
Tamanha barbeiragem está sendo atribuída a uma consequência colateral da tragédia do derrame e morte de Dona Mariza Letícia.
Atucanado com o colapso da mulher, Lula abandonou a bancada à própria sorte e não pode evitar o desastre.
Uma parte significativa da bancada rebelou-se contra a ordem do presidente Lula de se compor com os grandes partidos e votou contra o deputado Rodrigo Maia (DEM/RJ).
Sem resultado e o PT da Câmara Baixa ficou chupando o dedo, a reboque do Centrão.
Categoria: Análise&Opinião
Lula vai mudar o discurso
Missão temerária
GERALDO HASSE
Ao se apossar do poder com um apetite de jejunos e uma imensurável falta de espírito público, o grupo predador da democracia em ação no Planalto não demorou a colocar na agenda uma série de projetos que atingem em cheio a maioria da população brasileira, agora e no futuro.
Os dois primeiros projetos estão quarando ao sol de Brasília e aguardam o momento de entrar em pauta diante de deputados e senadores:
>· A reforma da Previdência Social está em discussão a toque de caixa no Congresso; fala-se que o governo quer a aprovação em março
>· A flexibilização da legislação trabalhista, em discussão há anos, já tem maioria de votos parlamentares
Os outros dois projetos malignos rolam nos bastidores e configuram o que outrora se chamava entreguismo e atualmente se considera “integração na modernidade global”:
>· Alienação da independência energética mediante a venda sem licitação de áreas da maior descoberta da Petrobras: o Pré-Sal
> Esvaziamento do BNDES, do Banco do Brasil e a da Caixa Econômica Federal, abrindo espaço para a atividade de grupos financeiros privados nacionais e internacionais
Restam dúvidas sobre o que Michel Temer e seus ministros pretendem fazer com os fundos de pensão de empresas estatais e com o FGTS; tudo somado, temos aí um ativo de mais de R$ 1 trilhão.
Para o mal ou para o bem, há ameaças de que intervenha nessa área o Ministério Público Federal, como parte da Operação Lava Jato, que há três anos assombra executivos estatais, políticos e empresários com as investigações sobre propinas em contratos de prestação de serviços.
Somando todos os projetos explícitos e os enviesados, fica claro que o governo Temer está na coordenação do maior esforço jamais feito no Brasil para a alienação da soberania nacional.
Se tiver sucesso, a missão temerária poderá coroar-se com a adoção do dólar como moeda brasileira e a colocação de listras horizontais ianques na bandeira nacional.
Se buscarmos o denominador comum dos projetos adotados como seus pelo governo Temer, veremos que eles atendem a interesses globais associados a organizações empresariais brasileiras, especialmente bancos, federações patronais e redes de comunicação alinhadas com o conceito do estado mínimo – alinhamento mais oportunista do que ideológico, é bom lembrar; enquanto a economia ia bem em anos recentes, as cadeias de mídia estavam alinhadas com o desenvolvimentismo, a inclusão social e outras “bondades” governamentais.
Agora jornais, revistas, emissoras de rádio e TV apóiam medidas antiaposentados, antitrabalhadores e antinacionais que buscam a extinção de direitos consagrados internacionalmente.
Espanta, por outro lado, a falta de reação popular via centrais sindicais, universidades, igrejas e a cidadania em geral.
Também chama a atenção o amplo conformismo do Congresso.
Ameaçada pela Operação Lava Jato, boa parte dos parlamentares adotou como tática de sobrevivência a saída antidemocrática: queima as pontes com seus eleitores, mas salva os próprios patrimônios fazendo uma aliança estratégica com os financiadores de suas campanhas.
Enquanto isso, a reforma política fica em segundo plano.
Diante desse conjunto de circunstâncias negativas, restaria aos cidadãos o recurso à Justiça, mas que esperança: enredada numa teia de leis contraditórias, a senhora J. é frequentemente forçada a adotar saídas ditadas por conveniências políticas.
Na instância suprema, uma das saídas mais comuns é omitir-se e/ou postergar as decisões. Dessa forma, em último caso, o julgador acaba sendo o Tempo, que vai liquidando inexoravelmente juízes e réus, sem discriminação nem preferências.
O que está acontecendo que ninguém se mexe?
Vai para quatro anos que começou (junho de 2013) a explosão social contra o aumento de R$ 0,20 nas passagens de ônibus urbanos. As manifestações de revolta foram manipuladas por grupos políticos que acabaram criando o caldo de cultura favorável ao impeachment da presidenta eleita, afastada definitivamente em 31 de agosto passado.
De 2013 para cá, mais do que dobrou o número de desempregados formais no Brasil. São agora 12,3 milhões numa população economicamente ativa de 100 milhões. Esse número (12,3 milhões de trabalhadores) não diz tudo, já que contabiliza apenas as pessoas que, segundo a pesquisa do IBGE, procuraram emprego nos últimos 30 dias.
Estão fora da estatísticas os milhares, milhões que não procuram vagas pois já cansaram ou perderam a esperança e se conformam em fazer bicos no mercado informal de trabalho ou se encostaram em algum membro da família.
Há notícias de que no Nordeste aposentados rurais “ajudam” total ou parcialmente uma dezena de parentes, entre adultos e crianças. Nesse sentido, a reforma da Previdência proposta pelo governo significa uma tragédia em dois atos.
Primeiro, vai diluir os benefícios dos que se valem da previdência pública para sobreviver quando já lhes faltam forças para trabalhar.
Segundo, vai privilegiar a previdência privada, fazendo com que a segurança dos aposentados se torne um negócio lucrativo para alguns e arriscadíssimo para milhões.
LEMBRETE DE OCASIÃO
Desde a falência da Varig, causada por uma mistura de má administração privada e leniência governamental, estão na chuva dez mil contribuintes do Aerus, fundo previdenciário dos aeronautas, que brigam na Justiça para receber seus benefíciosRecado do Espírito Santo: “Eu sou você amanhã”
ELMAR BONES
O Espírito Santo tem menos de 4 milhões de habitantes, 2% da população brasileira, 0,5% do território nacional.
O que ocorre lá há uma semana é, em escala piloto, o que pode ocorrer em todo o país, se a crise política e econômica continuar se aprofundando.
O atraso nos salários e as más condições de trabalho que levaram os policiais militares à greve…a onda da violência que se desencadeou na região metropolitana da capital, Vitória, com a falta de policiamento nas ruas…
São ingredientes de uma situação latente em todas as capitais brasileiras, em muitas delas, o Rio, por exemplo, com potencial explosivo ainda maior.
O saldo neste sábado à tarde era de 138 mortos, 300 casas comerciais arrombadas, 200 carros roubados, saques a lojas e supermercados na periferia de Vitória.
Uma relativa normalidade era garantida por cerca de 3.200 homens do Exército, que desde a quarta-feira patrulham as áreas mais movimentadas da capital e cidades do entorno.
Como num laboratório social, no Espírito Santo misturou-se a falência do poder público, que não consegue garantir nem o básico policiamento das ruas, o esfacelamento da cidadania, desamparada e ameaçada pelo desemprego e a pobreza, o crime organizado cada vez mais armado e poderoso…
O resultado é uma situação explosiva que leva sempre à mesma solução: intervenção das Forças Armadas.
Como naquela propaganda, o recado que o Espírito Santo parece mandar ao Brasil é esse: “Eu sou você amanhã”.
Com o País jogado ao caos, a Esquina Democrática foi profanada
ANDRES VINCE
Rebelião nos presídios do Norte que se espalham pelo País. Rio de Janeiro e Espírito Santo completamente fora de controle. RS e RJ sob intervenção federal branca. Enquanto isso, Temerildo nomeia um comparsa como ministro para ele escapar dos ferozes juízes de primeira instância. Mas foi pouco, não contente, Temerildo indica outro comparsa, de carreira jurídica questionável e suspeito de enriquecimento ilícito, para a mais alta corte do País, de onde poderá dar mais uma mãozinha para outros comparsas da gangue.
O caos se espalha rapidamente pelo País, sem encontrar nenhuma resistência, pois, quem deveria estar no comando, está mais preocupado em salvar a própria pele, não sem antes agradar ao empresariado, aprovando “reformas” que só tiram direitos do cidadão, cada vez mais desprotegido e entregue à própria sorte.
Pois ontem (9), esse avanço vertiginoso da deterioração da democracia atingiu seu ápice aqui na cidade de Porto Alegre. Não que surpreenda a violência e a truculência nas ações da BM, já incorporada ao velho “é assim mesmo”. O que surpreende é o simbolismo do local escolhido para efetuar uma prisão completamente sem motivos, porém com um objetivo bem específico: baixar a moral dos manifestantes. E, assim, com esse objetivo torpe, a esquina democrática foi profanada no que tem de mais sagrado: um local historicamente de resistência e de lutas.
Prisão sem motivos: manifestante foi detido por ajudar os feridos pela BM. Até em guerras os socorristas são preservados, mas, não aqui
Se quem deveria representar a lei, age ilegalmente sob a desculpa de manter a ordem, o que está faltando pra ser caracterizada a ditadura? O rapaz que foi detido era um socorrista, devidamente identificado através da placa/escudo que carregava e outros acessórios que não deixavam dúvidas das intenções do manifestante. Teve todo seu equipamento apreendido e teve que assinar um termo circunstanciado por, alegadamente, impedir o avanço do ônibus do batalhão de choque. Nem ao menos fizeram uma alegação decente.
É claro que muitos são contra os atos de depredação, não poderia ser diferente, afinal já estão todos condicionados a se posicionarem contra tudo que coloque em risco “a ordem” estabelecida pelas autoridades.
Também, é claro que esse mesmo pessoal não ligue tanto para o fato que no interior do estado, os bandidos estão explodindo agências bancarias todo santo dia, usando a população como escudo humano e sambando na cara das autoridades. Até viatura da polícia foi incendiada. Contra isso não há nenhuma repressão, nenhuma operação de guerra é montada com o deslocamento de grandes efetivos, nem ao menos há PMs disponíveis pra policiar as ruas.
Mas, isso não tem problema, contra isso ninguém se revolta, afinal, os assaltos a bancos estão acontecendo bem longe do nosso umbigo.
A criminalidade já está fora de controle há tempos e a BM continua sendo usada como ferramenta política, para abafar protestos legítimos.
Se há depredação, que concentrem as ações para coibir esse tipo de atitude. Mas, usam isso como desculpa pra encerrar os protestos na base do gás e bala de borracha. Imagine que haja um grande evento. Alguém dá queixa que teve ser celular furtado. O que a polícia faz? Manda gás no meio de todo mundo e acaba com o evento pra pegar o ladrão ou vai pegar a descrição do sujeito que roubou e tentar localiza-lo? É óbvio que seria a segunda opção, mas por que agem diferente quando é um protesto político? O secretário de segurança disse aos jornais que não iria tolerar via trancada (como se isso fosse algum crime), mas não mandou a polícia baixar o cacete quando trancaram a avenida Goethe, bem diferente do que ocorreu em outras manifestações. Alguma dúvida do uso político da BM?
Por aqui o governador nada de braçadas na maré do golpe. Já conseguiu a Força Nacional, que não disse a que veio até agora. Conseguiu oxigênio com o não pagamento da dívida federal, que não vai resolver coisa nenhuma, só empurrar pro próximo. Conseguiu extinguir fundações importantes para o funcionamento do Estado, economizando pouco mais que o dobro do que gasta em propaganda pra anunciar a crise financeira.
Porém, aos poucos, as consequências vão aparecendo.
O pessoal de cima pensou que ia dar o golpe e que tudo ia ficar por isso mesmo? A população reage a sua maneira, afinal, que mal tem pegar uma TV de LED ali na loja saqueada se os políticos de Brasília removeram uma presidente eleita honesta só pra salvar os seus próprios rabos e estancar a sangria? Já diziam nossas avós: “o exemplo vem de cima”.
“Saneamento” neoliberal e o desmonte do funcionalismo público
Andre Forastieri
“O Espírito Santo fez o dever de casa. O governador Paulo Hartung saneou o Estado. Equilibrou as contas públicas. É exemplo a ser seguido pelos outros Estados”. No ano passado esse era o discurso dos jornalistas, dos economistas, dos experts. Silenciaram nos últimos dias. Silenciaram também 87 pessoas, assassinadas desde a última sexta-feira.
A violência no Espírito Santo está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo estadual nos últimos anos. Como o crescimento da violência no Brasil – e do desemprego e do desespero – está diretamente ligada aos planos de austeridade impostos pelo governo federal desde 2014. Quando os arrochos nacional e local se somam, as vítimas se multiplicam.
O que os 10.300 policiais militares do Espírito Santo querem? É a PM com o mais baixo piso salarial do país, R$ 2460,00. A média do Brasil é R$ 3980,00. Eles não têm aumento há sete anos, e há três anos o governo estadual nem repõe as perdas da inflação. Os PMs também reivindicam a renovação da frota de veículos, a melhora das condições do hospital da polícia, e a compra de coletes à prova de bala, que estariam em falta.
É fácil de argumentar que não devia existir Polícia Militar, só civil. Mas vamos deixar isso para lá no momento, e reconhecer que o que os PMs do Espírito Santo pedem não é muito. É muito pouco: salário mais próximo da média nacional e condições mínimas para fazer seu trabalho, que é bem perigoso.
Em vez de negociar com a polícia militar, o governador pediu ao governo tropas do exército. Chegaram lá e tomaram tiros dos bandidos. Vitória segue paralisada, comércio e escolas fechadas, ônibus não circulam. Os turistas fogem das praias capixabas. Os corpos se acumulam no departamento médico legal, que não dá conta de tanta morte. A Polícia Civil está avaliando se adere à greve. E as esposas dos PMs seguem protestando nas portas dos quartéis.
Qual a proposta concreta do governo do Espírito Santo para a PM? Nenhuma. A questão é que se o governador cede aos PMs, terá que ceder aos policiais civis. E depois ao resto do funcionalismo.
O governador Paulo Hartung, do PMDB, começou essa política de arrocho já em 2015. Mesmo tendo os custos com funcionalismo bem abaixo do limite da Lei de Responsabilidade Fiscal. Naturalmente não faltou dinheiro para outras atividades do governo – desonerações a grandes empresas, obras eleitoreiras etc. Foi louvado, e até considerado um bom candidato à presidência da República.
Tem outra questão. Se o governo começa a ceder às demandas dos funcionários do Estado, daqui a pouco vai ter que ceder às demandas da população que é atendida pelo Estado. Do povão em geral, que precisa de giz na sala de aula e merenda no intervalo, vaga e leito no hospital, paz para ir e voltar do trabalho, e outras coisas simples assim. E isso é exatamente o que os administradores do país, dos estados e das cidades se recusam a nos dar. Não que nada disso seria “dado”, porque que a gente já paga bem caro por isso tudo.
Nos últimos tempos ouvimos muito o argumento de que “o Brasil está quebrado” – o país, os estados, as cidades – o que exigiria medidas duras. “Herança Maldita” que exige cortar na carne, no osso. Nos salários, aposentadorias, direitos.
Na verdade, a conta é outra. O Brasil não está quebrado. O que o Brasil não pode mais se permitir é ter 99% dos brasileiros pagando muitos impostos, e o 1% dos brasileiros mais ricos pagando quase nada de impostos. Nossos milionários pagam pouco imposto de renda como pessoa física, pagam pouco imposto de herança, e como pessoa jurídica pagam também pouquíssimo imposto. Além disso as grandes empresas têm toda espécie de benefícios do Tesouro Nacional. Empréstimos de pai para filho do BNDES e BB, dívidas perdoadas, “desonerações” etc.
Ontem o Espírito Santo já contava 75 assassinatos, depois de três dias de greve da PM. Ontem o Itaú, o maior banco do Brasil, publicou o seu balanço. No ano de 2016, com a maior recessão que o país já viveu, o Itaú lucrou R$ 22 bilhões. Se esse lucro fosse taxado em 50%, ainda assim seria um belíssimo lucro. O que dá para fazer com R$ 11 bilhões? Escola, estrada, esgoto.
Esse é só um de muitos exemplos possíveis. Se o Brasil não der um presente bilionário às empresas de telecomunicações, como quer o governo, também teremos um bom dinheiro para pagar policiais, professores, enfermeiras. É a Lei Geral das Telecomunicações, que está para ser aprovada, e transfere para Oi e outras teles um valor tão grande, que nem se sabe exatamente quanto é. O governo diz que é R$ 17 bilhões, o Tribunal de Contas da União diz que é R$ 105 bilhões…
E por aí vai.
Ainda podemos botar na conta o tanto que se desvia na corrupção, que sabemos não é pouco. E o que se sonega, que sabemos que é muito. Segundo a Procuradoria da Fazenda Nacional, a sonegação de impostos no Brasil pode chegar a R$ 500 bilhões por ano. Para você comparar: o Bolsa-Família custa R$ 27 bilhões por ano.
A próxima vítima será o Rio de Janeiro. O estado está para assinar um acordo com o governo federal que inclui um pacotão de arrocho para cima dos funcionários públicos do estado, inclusive policiais. Uma das exigências do governo é a privatização da Cedae, a companhia estadual de águas e esgotos, o que será feita por Pezão, vice de Sérgio Cabral…
As políticas de “austeridade” no mundo todo deram errado e estão dando muito errado aqui também. Em 2017 o Brasil não vai crescer nada. O que o poder público nos oferece são serviços públicos cada vez piores, chegando à insanidade de termos 87 mortos em quatro dias no Espírito Santo.
Na prática, os brasileiros pobres e da classe média sustentam as benesses dos brasileiros super ricos, a mamata dos sonegadores e a sujeira da corrupção. Então falta dinheiro para cobrir as necessidades básicas da população. Se a gente parar de sustentar os ricos, o Brasil equilibra as contas rápido.
E se além disso os ricos passarem a pagar a sua parte, o Brasil rapidamente vai ser tornar… rico.
Vamos encarar a realidade: tem dinheiro de sobra para o Brasil ser um país melhor para todos. Esta é a única pauta que importa, a pauta que precisamos impôr a cada dia, e também a cada nova eleição. Basta cobrar mais imposto de quem pode pagar mais, o que nunca aconteceu. Bater forte na sonegação e nos sonegadores, o que nunca aconteceu. E bater forte na corrupção e nos corruptores, o que começou a acontecer – mas só começou e agora, pelo jeito, parou.
Na prática, o que está sendo feito pelos nossos governantes, e apoiado pelos economistas, colunistas, especialistas, é o contrário do que precisa ser feito. O Espírito Santo de hoje é o Brasil de amanhã. E a próxima vítima é você”.
O que está por trás da dívida dos Estados
J. Carlos de Assis
A praça de guerra e de pilhagem em que se transformou Vitória, no Espírito Santo, é o novo normal da sociedade brasileira.
É a própria expressão da falência dos Estados, dos quais nada menos que 12 viram seu PIB retroceder até 2010, de acordo com a consultoria Tendências citada pelo jornal O Globo.
O que o jornal não diz é o que está provocando essa tragédia econômica e social da qual não se vislumbra nenhuma sinal de recuperação no horizonte. Parece que é obra da ira divina, e não culpa dos homens.
Tenho repetido com frequência que a razão última da crise dos Estados é a dívida que lhes foi imputada pelo Governo Federal. É uma dívida que nunca existiu, pois foi paga na origem pelo Governo Federal em nome dos Estados.
Numa Federação, se a União paga uma dívida do conjunto dos Estados, quem está pagando, em última análise, é o contribuinte lá na base da pirâmide federativa, isto é, no município. Ele não pode ser cobrado duas vezes. E, tendo sido cobrado, os pagamentos indevidos devem ser ressarcidos.
Muitas pessoas tem se perturbado com o fato de que apenas agora, quase 30 anos depois que a dívida dos Estados junto à União foi consolidada, descobriu-se que ela é simplesmente nula.
Expliquei as razões em artigos anteriores, sendo o principal motivo o fato de que, quando a dívida foi constituída, ninguém estava preocupado com sua origem, mas com sua aplicação na forma de superávit primário.
Tenho porém constatado uma razão mais forte. As pessoas deixam-se levar por conceitos contábeis que não se aplicam ao caso.
Na verdade, o que está por trás da dívida dos Estados (e de alguns municípios) são elementos da relação federativa, não de relações contábeis entre entes abstratos.
Do ponto de vista federativo, União, Estados e Municípios se superpõem. É o munícipe, na base da pirâmide, que responde por toda a escala tributária, dividida com os outros dois entes federativos segundo tributos diferenciados.
Quando a União paga uma dívida de Estado ou de Município, ela os está substituindo com dinheiro tirado do contribuinte na base da pirâmide.
No caso, a União não pagou a dívida original dos Estados com tributos, mas com títulos da dívida pública dados aos bancos. Aí a relação federativa fica mais clara. De quem é o débito relativo ao título, se não do cidadão brasileiro em geral?
Se é este cidadão que, em última instância, pagou a dívida assumida pela União, por que cobrar dele novamente como contribuinte estadual? A dívida está paga. A União decidiu pagá-la porque quis, atendendo a pressões do FMI para fechar os bancos oficiais estaduais. Isso é indiscutível.
Cálculos que citei anteriormente demonstram que R$ 277 bilhões a título de prestações da dívida foram pagos indevidamente. Isso deve ser restituído. Se for restituído, digamos, em cinco parcelas de R$ 54,5 bilhões por ano poderia formar a base de um tremendo programa keynesiano de retomada da economia via Estados.
Obviamente, como estamos em depressão e a receita tributária está caindo, seria necessário emitir títulos nesse montante para bancar a restituição. É uma quantia ínfima de títulos em relação ao que se paga de juros.
De fato, a dívida pública no ano passado cresceu nada menos do que aproximadamente R$ 350 bilhões, nove vezes o montante que seria resgatado anualmente aos Estados ao longo de cinco anos.
A diferença é que o dinheiro devolvido aos Estados serviria para investimentos e gastos púbicos essenciais, levando à retomada da economia, enquanto os títulos que o Governo emitiu no ano passado não financiaram gastos na economia real, mas giraram na fornalha da especulação financeira, enriquecendo banqueiros e financistas.
Só existe um obstáculo para a solução da crise financeira dos Estados a partir do reconhecimento da nulidade da dívida, cancelando pagamentos da ordem de R$ 476 bilhões nos próximos anos: a covardia dos governadores em enfrentar o Governo Federal.
Ignorando que a o estrangulamento de seus Estados faz parte de um plano internacional para liquidar o setor público e criar espaço para sua privatização, os governadores se limitam a mendigar em Brasília, vendendo ativos de seus Estados e, em última análise, traindo seus constituintes.
Que saudade de Magalhães Pinto em Minas, Carlos Lacerda no Rio e Ademar de Barros em São Paulo: a federação estaria salva, independentemente de ideologias!Os extremos que não se tocam
GERALDO HASSE
A duplicação da taxa de desemprego — de 6% para 12% — em dois anos (2015-2016) está cada vez mais transparente em detalhes explícitos como a multiplicação das placas de ALUGA-SE e VENDE-SE nas fachadas, mas nenhum deles choca mais do que o aumento do número de catadores de lixo o pedintes que cruzam diariamente as ruas das capitais brasileiras.Pobre gente caída do trem da economia, ora conduzido pelos maquinistas do PMDB, muitos dos catadores são desempregados (antigos ou recentes) que perderam suas fontes de ganho e se tornaram hóspedes de marquises e dos viadutos — isso quando não têm ânimo para engrossar o caos habitacional com barracos improvisados nas periferias.Pacíficos uns, revoltados outros, eles configuram o penúltimo elo da corrente da pobreza extrema, nossa velha conterrânea que está de volta às ruas e praças.Desde os anos 1970 a Música Popular Brasileira se ocupa deles. Em “Desgarrados”, o gaúcho sanborjense Mario Barbará cantou: “Carregam lixo, catam baganas e são pingentes nas avenidas da capital”.Chico Buarque denunciou numa canção: “Eles comem luz!”.No Rancho da Goiabada, dedicado aos boias-frias, o compositor Aldir Blanc os comparou a “canibais, lírios, pirados” – em suma, brasileiros miseráveis que andam pelas ruas “dançando a alegoria dos faraós embalsamados”.Os catadores mais dinâmicos e organizados puxam/empurram gaiolas de pneus de borracha e já na coleta vão separando o lixo em compartimentos diversos – plástico transparente, papelão e latas são os itens mais valiosos.Os menos preparados empurram carrinhos de compras de supermercados.Os mais carentes, se assim se pode defini-los, levam nas costas sacos plásticos com os materiais colhidos.
Sua atividade contribui para o funcionamento da economia nacional, mas eles não sabem disso.São todos trabalhadores, embora não tenham nenhuma das garantias legais dos formalmente empregados.Lendo pedaços de jornais, eles catam a notícia de que pinta no horizonte do Brasil um arrocho trabalhista reclamado pelos empresários… Eita Brasil-zil-zil.Por estratégia ou insônia, há catadores que circulam de madrugada, compartilhando as calçadas vazias com baratas e ratazanas. Uns poucos cedem à tentação de depredar bens públicos.
Se tivessem a destreza dos pichadores entrevistos pendurados nas paredes, talvez tomassem coragem de catar algo realmente valioso. Até para roubar fios é preciso possuir alguma estrutura, um veículo, uma quadrilha e quem compre a muamba. É o que acontece com os ladrões de ovelhas e reses na zona rural.E isso não é tudo. No rodapé da nossa pirâmide social, encontram-se aquelas criaturas que já deixaram de acreditar na catação como alavanca de uma possível recuperação pessoal.Esses limitam-se a ficar agachados, sentados ou deitados nas proximidades de supermercados e bancos. Tornaram-se pedintes. “Melhor pedir do que roubar”, diz um deles, que com esse bordão “bonzinho” costuma deixar seu posto com uma sacola cheia de mantimentos doados por pessoas da classe média, dessas que fazem compras a pé e, portanto, carregam poucas sacolas.Outro diz sempre a mesma frase: “Amigo, me dá um real?”, mas só obtém algum retorno de mulheres – os homens lhe dizem “quer dinheiro, vai trabalhar”.Um carente, mais humilde e sorridente, pede “uma moeda”. Acaba ganhando. Duas ou três mães rodeadas de crianças atraem a indignação ou a piedade das pessoas. “E o governo? Não faz nada?” Está nos jornais: os albergues públicos não têm vagas. E muitas pessoas não se sujeitam às regras desses estabelecimentos oficiais, que têm horários e normas de higiene.Para todos esses pingentes do trem Brasil, soa absolutamente non sense a frase “Vai procurar um emprego”, desferida à queima roupa por gente de pavio curto.Na realidade, os catadores e os pedintes estão muito aquém da possibilidade de arranjar um emprego. O primeiro passo nesse sentido seria ir ao SINE, mas a maioria deles não tem uma roupa limpa para entrar na fila e, de resto, já não sabe onde perdeu a cédula de identidade ou a carteira de trabalho, se as teve um dia.Os 1 300 moradores de rua de Porto Alegre recenseados em 2014 já seriam bem mais numerosos.A rua é um rio onde todo dia aparece um catador novato com hábitos insólitos, como o de pular para dentro dos modernos contêineres da coleta mecanizada e jogar para fora os sacos plásticos cheios de lixo.Assim fica mais fácil fazer a seleção que lhes interessa; não raro, eles vão embora sem recolocar no contêiner as sobras de sua coleta. Repetem os cachorros-assaltantes das lixeiras dos bairros distantes do centro.Se não encontram a mercadoria esperada, os catadores mais revoltados protestam chutando o contêiner ou ateando fogo no refugo de catações anteriores.Para eles, que não foram instruídos sobre as diferenças entre lixo orgânico ou reciclável, tudo que jaz dentro de um saco plástico merece ser vasculhado. E assim será até que todo esse pessoal seja reciclado por um programa de recuperação social que compreenda alfabetização e atendimento psicossocial, entre outros cuidados.Estará no horizonte brasileiro tamanho progresso governamental? A curto prazo, tudo indica que não.Ao contrário, a atual cúpula governamental não esconde a pressa em desmanchar os alicerces do estado de bem-social construídos no início do século XXI sobre as bases legais estabelecidas por Getulio Vargas nos anos 1930.Em nome do atendimento aos agentes do Mercado, o governo Temer está trabalhando para reconstituir os padrões anteriores de miserabilidade.Além de contar com a indiferença dos ricos, o desgoverno sacana conquistou a adesão da classe média, que andou batendo panelas contra o governo eleito, num deplorável espetáculo de mendicância política.De uma forma ou de outra, minorias barulhentas se uniram para vilipendiar a democracia, aproveitando-se com raro oportunismo do clamor popular contra a corrupção na administração pública.
Jogo sujo de empresários, de politicos, dos marajás do Judiciário e do Legislativo, com a cumplicidade das forças armadas e a bênção ardilosa das grandes empresas de comunicação social – TV, radio, jornais, revistas e agências de propaganda — que parecem obedecer a um comando único: o plim plim neoliberal emitido pelo grupo Globo, seus repetidores e aliados.Agora, no afã de contentar o Mercado, o governo Temer prepara a tratoragem da legislação que protege os trabalhadores e os aposentados. A batalha será no Congresso, onde está armada uma maioria comprada com favores de toda espécie.Os 300 picaretas apontados por Lula em 1990 foram acrescidos de mais algumas dezenas de oportunistas.Já se fala que é preciso buscar a saída nas eleições de 2018, mas a manipulação das informações, a propaganda enganosa e a ingenuidade popular se juntam para criar um panorama favorável à manutenção de um governo carente de legitimidade.O parlamento brasileiro virou uma cancela aberta à livre passagem do crime do colarinho branco. A pergunta que paira no ar é: de que adianta eleger-se um presidente digno e confiável se o congresso continuar dominado por negociantes de emendas e vendilhões de votos?De alto a baixo a população brasileira está cercada por catadores. Nos altos escalões da administração pública, mesmo acuados por investigações policiais, os catadores de propinas lutam para manter o status quo da corrupção. Nas ruas e debaixo dos viadutos, os catadores e demais caídos do trem buscam tirar do lixo a própria sobrevivência.
São os extremos que não se tocam.LEMBRETE DE OCASIÃO“O homem perde muitas coisasque às vezes volta a achar;mas se perde a vergonha,jamais torna a encontrar.”Jose Hernández (1834-1896), autor de “Martin Fierro”, poema épico publicado em 1872 em Buenos AiresMarisa Letícia, Lula, a mulher e o Brasil – um depoimento
Benedito Tadeu César
Só tive poucos e rápidos contatos com Marisa Letícia Lula da Silva, todos na campanha eleitoral de Lula à Presidência da República, em 1989, na qual participei como coordenador da assessoria de planejamento.
O primeiro, quando pedi para Denise Paraná Santos (que depois escreveria a biografia Lula, um brasileiro) acompanhar Marisa em uma entrevista de TV e, depois, para comprar um terno para Lula participar do debate dos presidenciáveis na TV Bandeirantes.
Para que Marisa aceitasse dar a entrevista, que fazia parte de uma série na qual foram entrevistadas todas as esposas dos candidatos a presidente, Denise teve que conversar muito com ela e garantir que ela deveria ser apenas ela mesma: uma mulher simples, com ideias próprias, que se dedicava prioritariamente aos filhos e ao marido e que não teria que necessariamente ter respostas prontas sobre como Lula governaria o Brasil ou sobre qual seria o destino da Rússia pós Perestroika (então em curso). Ao final da entrevista, a caminho dá loja onde comprariam o termo de Lula, Marisa disse à Denise que aquela tinha sido a primeira vez que ela tinha ido a uma entrevista sem que tivessem lhe enchido de informações e recomendações sobre o PT, o Brasil e o socialismo.
O segundo encontro ocorreu dias depois, quando fui à casa de Lula e de Marisa para dali acompanhar Lula ao debate na Band. Lula não queria vestir o termo que Mariza e Denise, a meu pedido, tinham comprado para que ele fosse ao debate. Lula afirmava que ele era um operário, um metalúrgico, e que, por esse motivo, não deveria usar terno. Marisa insistia que ele era um operário-metalúrgico-candidato-à-presidente-da-República e que um presidente da República, mesmo operário-metalúrgico, quando exerce o mandato presidencial ou quando fala ao país usa terno e gravata e não a camiseta suada do trabalho. Nada o convencia, entretanto. Ele dizia que o terno azul claro, ideal para contrastar com o fundo do cenário e as luzes do estúdio, fazia com que ele esclarecesse com um periquito. Marisa, então, foi até a cozinha e chamou a vó (na verdade a mãe do seu primeiro marido e vó apenas de Marcos Cláudio), que arrumava a louça, para que ela olhasse Lula, vestido a contra gosto no terno e na gravata, e desse seu veredito. A pressão de Marisa e da vó foram decisivas: Lula vestiu terno pela primeira vez em um programa de TV e, nem por isso, deixou de ser o operário metalúrgico que sempre foi – que continuou sendo durante os dois mandatos na Presidência da República e que é até hoje.O golpe passou e ninguém viu
ANDRES VINCE
Dizem os entendidos que, lá pelo final do século XV, os índios não avistaram a chegada das caravelas no horizonte porque seus cérebros não conseguiam processar aquela imagem, pois, jamais haviam visto nada que tivesse qualquer semelhança com aquilo que vinha chegando pelo mar. Portanto, a chegada dos invasores passou despercebida.
Não era uma questão de inteligência, era um fenômeno mais profundo. Apenas quando os estrangeiros desembarcaram na praia, teriam sido notados pelos índios, pois ali, haveria uma semelhança óbvia.
Verdadeira ou não, quinhentos anos depois, a teoria de que os nativos deste lado do continente não conseguem distinguir algo que não conhecem, mesmo diante dos seus narizes, ganhou um notável reforço.
O golpe passou e ninguém viu, pelo menos a grande maioria não. E quando essa maioria escuta falar em golpe fica logo à espera dos tanques nas ruas. Não (re)conhecem esse novo tipo de golpe. Afinal, o silêncio do STF atesta que tudo é constitucional.
Só não vê quem não quer o recrudescimento da violência contra as minorias e, em especial, contra as mulheres. Quem acha que isso não tem nada a ver com as mudanças no comando do país não pode estar falando sério. O governo que usurpou o poder, claramente, está se lixando pras políticas sociais. Claramente, está envolvido em falcatruas até o pescoço. Claramente, mandou uma imensa banana pras políticas públicas em prol das minorias. Claramente, está recebendo tratamento diferenciado da imprensa.
São essas e outras tantas coisas, claramente erradas, que, por mais mobilizado que se esteja, não se consegue combater. A população já não distingue mais o certo do errado, só quer conseguir chegar no fim do mês com alguma coisa pra pôr na mesa. Crise econômica é o ingrediente perfeito pra silenciar o povo.
Hoje, no Brasil, temos no comando dos poderes executivo e legislativo, só gente citada nas delações dos executivos da Odebrecht. Não escapa um. E não é só. Ainda tivemos dois ministérios criados para acomodar mais um delatado, não sem antes fazer uma “média” nomeando uma mulher negra para os Direitos Humanos, pasta essa disputada a tapas, como se sabe.
Salário mínimo sem ganho real, caça aos direitos trabalhistas, tungada na aposentadoria, aumento vertiginoso do déficit, desemprego a galope, atividade econômica em franca retração, ataque aos direitos indígenas, entrega da soberania nacional… São tantas ações, claramente, danosas à população que o resultado de 6% que consideram a atual administração como boa/ótima é pra lá de surpreendente.
Esses 6% aí, não viram nem as caravelas, nem os invasores levando todas as riquezas, bem na cara deles.
Um dia depois de trocar de turma, Fachin é sorteado relator
PC DE LESTER
Dois dias depois da morte do ministro Teori Javascki, o mentor do noticiario político da Rede Globo, Merval Pereira, cravou em sua coluna: “Fachin será o novo relator”.
Naquele momento não estava sequer definido o critério, se a escolha entre os ministros da segunda turma ou se entre todos os integrantes do colegiado do STF.
Foi uma aposta surpreendente num comentarista sempre cauteloso. Ainda mais que Fachin, nomeado para o Supremo por Dilma Rousseff e considerado “petista” não é das preferências de Merval ou da Globo.
Para quem sabe que a principal fonte de Merval Pereira no STF é Gilmar Mendes, seu amigo de longa data, soou ainda mais intrigante a notícia tão categórica.
Na semana passada, ficou definido que a eleição seria entre os cinco ministros da segunda turma, da qual era o ex-ministro Zavascki. Fachin estaria fora pois estava na primeira turma.
Mas eis que, sem mais, providencia-se a transferência de Edson Fachin para a segunda turma e, no dia seguinte, em sorteio eletrônico é escolhido novo relator da Lava-Jato, um pepino que segundo Gilmar Mendes “ninguém queria pegar”.
O premonitório Merval disse, logo após o anúncio, que “ninguém vai acreditar que não houve manipulação”. Ele garante que não ouve. Foi uma questão de cálculo.

