Jornal Já – Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Abril 2nd, 2014 Publicado em Cidadania, Notícias, Política

1964: o fator Meneghetti

Meneghetti colocou o Rio Grande do Sul na contramão do projeto desenvolvimentista, que concentrou os investimentos no centro-sul (rio-são paulo-minas). A maior obra arrolada nas realizações de seu primeiro governo foi a construção da ponte sobre o Guaíba, iniciada no governo anterior e feita com recursos federais.

Não conseguiu fazer seu sucessor e teve que passar o cargo a Leonel Brizola, que derrotou o coronel Peracchi Barcellos, ex-comandante da Brigada Militar, por mais de 100 mil votos.
Mas Meneguetti voltou e foi eleito governador em 1962, num momento igualmente conturbado e que desembocaria no golpe de 1964. Com Meneghetti, eleito pela aliança anti-trabalhista (PSD/UDN/PL), o Rio Grande do Sul se alinhou aos governadores de Minas, Rio e São Paulo que estavam na conspiração contra João Goulart.
Um ponto decisivo para o sucesso do golpe, que esvaziou as chances de resistência, foi o comando da Brigada Militar. Com o comando da Brigada, em 1961, Brizola montou a base militar da Legalidade. Em 1964, Brizola era deputado federal. A Brigada obedece ao governador. E o governador era Meneghetti, que na manhã do primeiro de abril se mandou para Passo Fundo onde se “aquartelou” no regimento da Brigada. Enquanto isso, em Porto Alegre a Brigada Militar estava nas ruas dispersando a população para impedir a adesão popular à resistência.
A Brigada era a mesma. Mudara o governador.
Abril 1st, 2014 Publicado em Cidadania, Imprensa, Política
Abril 1st, 2014 Publicado em Cidadania, Imprensa, Notícias, Política

O golpe avança sem resistência

Na manhã de 1 de abril, os jornais trazem a notícia: há um golpe em andamento. Mas não se sabe direito o que está acontecendo. As aulas,  que já haviam começado, são suspensas. Os bancos, que abririam às dez horas, fazem feriado forçado. As ruas se enchem de soldados.  Brizola fala no rádio, pede aos sargentos que “prendam os gorilas que querem dar o golpe”.
O novo comandante do III Exército, que chegara a Porto Alegre de madrugada, para organizar a resistência, desde cedo tenta requisitar a Brigada Militar, a força estadual que fora decisiva na reação ao golpe em 1961. O comandante da Brigada diz que só cumpre ordens do governador.
O governador Ildo Meneghetti, alinhado com o golpe,  decide sair de Porto Alegre. Deixa o palácio Piratini pelos fundos e segue num fusca verde. Quem dirige é o proprietário do carro, o capitão Jesus Linares Guimarães, ajudante de ordens da Casa Militar. Sairam antes do meio dia com destino a Passo Fundo.
Elmar Bones
Março 31st, 2014 Publicado em Cidadania, Imprensa, Política

Primeira tentativa de golpe falhou

Ministros militares vetaram a posse de Jango em 1961, mas o movimento da Legalidade frustrou o golpe
João Goulart  ainda dormia quando o telefone tocou no quarto do Hotel Raffles, em Singapura, no amanhecer do dia 26 de agosto de 1961. Era um repórter da  Associated  Press, agência de notícias norte-americana. Ligava de Nova Iorque para ouvi-lo sobre a renúncia do presidente Jânio Quadros, no dia anterior.
Na condição de vice-presidente, Goulart presidia uma missão comercial que percorria o Extremo Oriente, em busca de negócios e investimentos para o Brasil. Estivera na República Popular da China, o maior país comunista do mundo e, na véspera, chegara a Singapura, “a esquina do mundo”.  Jantara com parlamentares integrantes da missão num restaurante malaio, perto do hotel e se recolheu. Acordou com o telefone do repórter da AP.  Disse que ia se informar para depois falar.
À hora do café, o senador Barros de Carvalho pediu uma garrafa de champanhe para  “brindar ao novo presidente do Brasil”. Jango atalhou: “Vamos brindar ao imprevisível”.
Jango sabia que para assumir a presidência, como mandava a Constituição, teria que vencer “antigas e arraigadas resistências”. Os coronéis golpistas que o haviam derrubado do Ministério do Trabalho, em 1953, eram todos generais engajados no mesmo movimento que já levara Getulio Vargas ao suicídio.
Logo chegou a informação que  de que os três ministros militares   – Exército, Marinha e Aeronáutica – tinham divulgado uma nota conjunta dizendo que ele não poderia tomar posse.

(segue)

Março 30th, 2014 Publicado em Cidadania, Cultura, Política

Ninguém acreditou, mas o golpe estava nas ruas

Elmar Bones
O general Mourão Filho botou o golpe na rua às cinco hora da manhã de dia 31 de março de 1964. Ele ainda vestia seu roupão vermelho, (Diário) quando anunciou por telefone que ia marchar de Juiz de Fora com suas tropas para destituir o presidente da República no Rio de Janeiro.
Como os jornais diários, que começaram a circular à hora em que Mourão disparava seus telefonemas, não traziam a notícia, o dia foi  de muitos de boatos e escassas informações.  Em Porto Alegre a primeira informação confiável de que havia um golpe em andamento chegou as 16h30 (Hélio Silva), através do rádio ao comando do III Exército, que reservadamente colocou suas unidades em prontidão.  A notícia ficou restrita, no entanto.
A tal ponto, que a festa de aniversário do prefeito da cidade, Sereno Chaise, iniciou por volta das 19 horas numa churrascaria e só foi interrompida por volta das dez, quando alguém cochichou ao ouvido do aniversariante a informação recebida do Rio. Ele tomou o microfone, deu o aviso e convocou a todos para se deslocarem até a prefeitura no centro da cidade e acompanhar os acontecimentos.

Próximo capítulo: Antecedentes de 1964 – Primeira tentativa  de golpe falhou

Março 25th, 2014 Publicado em Cidadania, Cultura, Meio Ambiente

Pressão da comunidade altera projeto do Gasômetro

Prefeitura concorda em incluir Usina no Parque do Gasômetro. Foi na audiência pública desta 2a-feira, 24, na Câmara Municipal. O líder do governo, Airto Ferronato, prometeu para hoje “encaminhar este texto, além de outro que garante a priorização de pedestres e ciclistas”. Esta emenda deve ser votada amanhã.
Na foto, o vice-prefeito Sebastião Mello (Ederson Nunes/CMPA)
Naira Hofmeister, especial para o