Categoria: Análise&Opinião

  • MIRIAM GUSMÃO / A irresponsabilidade dos partidos de esquerda

    Não é possível que a população pobre e os segmentos progressistas independentes desta cidade sejam submetidos, mais uma vez, à irresponsabilidade dos partidos de esquerda.
    Ficaremos, de novo, sem chances, e a direita desmontadora de tudo continuará na prefeitura? Não é concebível que esses partidos continuem com suas disputas por uma tola hegemonia e se envolvam de maneira meramente eleitoreira e sectária no processo eleitoral do ano que vem.
    São patéticas as fotos do lançamento do suposto “Congresso do Povo” que o PT e o PC do B inventaram de fazer, ontem, na Redenção. Só faltou o povo!! Não adianta mencionar o nome de dirigentes de algumas entidades, todos eles com vinculação com esses dois partidos, pra dizer que foi representativo. Não foi. Faltou o povo. Parem de brincar de política, parem de fazer jogo de cena! A situação da cidade é grave, exige maior responsabilidade. Lá estavam os mesmos políticos e militantes falando para eles mesmos e, pior, falando tão-somente as mesmas coisas, sem qualquer aprofundamento.
    E esse grupo critica o Psol, que seria o sectário por não se submeter à busca da “unidade” via PT/PC do B. Já o Psol critica essa via, que seria sectária por ter ignorado a proposta psolista de realização de uma prévia eleitoral para definir nomes e programa. Na verdade, a prévia poderia definir nomes, mas jamais consolidaria um programa unitário para um governo progressista. A construção desse programa unitário exigiria competência, debate unitário aprofundado, estudo sério das questões sociais, verdadeira abertura para uma verdadeira unidade, espírito público, outro modo de fazer política.
    Agora os dois blocos falam em “buscar o povo”, “ir para a periferia”. Ir com tudo pronto, como faz a direita, ir tentar abocanhar o povo, “encantar” com proselitismo. Partidos que se distanciaram do povo, que se encantaram, isso sim, com gabinetes e cargos… Militantes em busca de status, discursando ao microfone para se tornarem “referência”, pois trabalho de base, luta social, é o que menos fazem (e alguns nada fazem).
    Desde que o neoliberalismo passou a destruir totalmente as políticas públicas, com auxílio feroz de fascistas neste país, eu tinha feito a minha parte, cuidando de suspender qualquer crítica a qualquer partido ou liderança das esquerdas. Os dias foram passando, eu e milhares de outros progressistas assistindo, aflitos, à repetição das mesmas disputas irresponsáveis desses partidos… E a gente aguardando a unidade das esquerdas… Agora, quando o ano eleitoral se aproxima e esses políticos e seus fiéis seguidores escancaram seu modo de proceder e sua incompetência para a unidade, não adianta mais ficar calada aguardando…
    Conclamo: esquerdistas, progressistas, mostrem sua indignação com a politicagem, ajudem a buscar a boa política. Sabemos inclusive que os nomes de candidatos não deveriam ser esses que estão sendo jogados na barganha… as esquerdas têm nomes mais agregadores para o executivo municipal (Pedro Ruas, por exemplo, ou outros, dependendo do processo de construção de um programa realmente unitário).

  • VILSON ANTONIO  ROMERO/ Nação Desigual

    Passam os anos e a nossa desigualdade social segue escancarada e insolúvel. Novamente, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgou seu ranking anual do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) e as notícias para o Brasil seguem preocupantes.
    Voltamos a cair na classificação mundial (pesquisados 189 dos cerca de 200 países reconhecidos no mundo) do IDH que mede o bem-estar da população com base em indicadores de saúde (expectativa de vida ao nascer), educação (anos esperados de escolaridade e média de anos de estudo da população adulta) e renda nacional bruta per capita.
    Desde que foi criado em 1990, tendo como base o trabalho dos economistas Mahbub Ul Haq (paquistanês) e Amartya Sem (indiano), nunca logramos chegar ao nível mais elevado do índice surgido como uma medida alternativa de desenvolvimento em contraponto ao simples uso do Produto Interno Bruto (PIB) dos países.
    Com um aumento de apenas 0,001 em relação a 2017, o Brasil passou da 78.ª para a 79.ª colocação em 2018, ficando em 0,761 pontos (quanto mais próximo de 1,000, maior o desenvolvimento humano da população).
    Numa retrospectiva, o Brasil registrou avanços significativos entre 1990 e 2013, porém, desde então vem caindo no ranking: já perdeu três posições, principalmente pelo fato de os indicadores de qualidade na educação se manterem em patamares muito baixos.
    O levantamento mostra o efeito dos equívocos cometidos pois o período esperado para que os brasileiros fiquem na escola estagnou em 15,4 anos desde 2016. Além disso, a média do tempo de estudo da população adulta ficou em apenas 7,8 anos – a mesma de 2017.
    A desigualdade de renda é outra chaga da sociedade brasileira: os 10% mais ricos detêm 41,9% da renda total do país, constituindo-se na segunda maior concentração de renda em todo o mundo, atrás apenas do Catar.
    Em outras variáveis há evoluções tímidas: a expectativa de vida ao nascer passou de 75,5 para 75,7 anos e a renda nacional bruta per capita subiu de US$ 13.975 para US$ 14.068.
    Na classificação geral, o melhor IDH é o da Noruega (0,954), seguido pelo da Suíça (0,954) e da Irlanda (0,942). Os três piores são Chade (0,401), República Centro-Africana (0,381) e Níger (0,377). Na América do Sul, o Brasil está atrás do Chile (0,847), Argentina (0,830) e Uruguai (0,808).
    Como alerta o PNUD, no relatório deste ano: “As desigualdades no desenvolvimento humano ferem as sociedades e enfraquecem a coesão social e a confiança das pessoas no governo, nas instituições e umas nas outras. As desigualdades ferem também as economias, impedindo que as pessoas alcancem seu potencial no trabalho e na vida”.
    Como os organismos internacionais sempre têm denunciado, há muito a ser feito neste nosso país-continente sempre em vias de desenvolvimento, para que tenhamos uma Nação mais justa, igual e solidária.
    Vilson Romero é jornalista, diretor da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) e conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) – vilsonromero@yahoo.com.br – fone 61-981174488

  • JOSÉ ANTONIO SEVERO/A dança das cadeiras no Prata

    José Antonio Severo
    O presidente Alberto Fernández e o vice-presidente Hamilton Mourão botaram o balde de água fria na fervura da crise Argentina/Brasil, arrefecendo o arranca-rabo verbal entre o brasileiro Jair Bolsonaro e o novo governo portenho, que tomou posse nesta semana em Buenos Aires. Essa solução lembra, com papéis trocados entre os atores, revivendo a pacificação de 1910, quando os dois países quase foram à guerra por causa da mesma desfeita: O Brasil não mandou representantes à festa do primeiro centenário da independência das então Províncias Unidas del Río de La Plata, futura (1860) República Argentina. Vamos refrescar a memória histórica.
    O atual episódio aparentemente se extinguiu quando o presidente Maurício Macri, com sua proverbial elegância bonaerense, conseguiu botar panos quentes para evitar que seu sucessor Alberto Fernández ficasse exposto a algum constrangimento logo no início do mandato, aceitando antecipar a 55 ª Reunião de Cúpula do Mercosul, realizada em Bento Gonçalves (RS). Assim, deu mais tempo para seu amigo Jair Bolsonaro se acomodar na situação “pragmática”, sem precisar se retratar. Dar tempo ao tempo, é a regra.
    Com isto, Brasil e Argentina fizeram, terça feira, um afago no lugar de disparar impropérios. Mas as tensões não se resumem aos arrufos entre os dois mandatários. Também o Uruguai, vendo seus vizinhos traçando riscas no chão, amoleceu, mandando como chefe da delegação a vice-presidente Lucia Topolansky, igualmente nos últimos dias de seu mandato. Com isto, o presidente brasileiro, que estava deixando a presidência pró tempore do Mercosul, passou o martelo (como disse Bolsonaro, referindo-se ao bastão de comando) para seu sucessor pelos próximos seis meses, o também estreante presidente do Paraguai, Marco Abdo Benítez.
    Pausa na velha polêmica
    A manobra não desanuviou inteiramente o cenário político das duas maiores economias da sub-região. As relações diplomáticas entre os dois países vêm se atritando desde a eleição do candidato peronista, podendo, rapidamente, contaminar o intercâmbio comercial e minar irremediavelmente o bloco regional, o Mercosul, que já vem mal das pernas. Foi prudente o chefe do governo argentino, contribuindo para adiar a peleja.
    O sinal de alerta foi dado pelo deputado nacional(federal) argentino Ricardo Alfonsín, do Partido União Cívica Radical, advertindo que pode ir por terra a delicada costura realizada por seu pai, o ex-presidente Raúl Alfonsín (1983/89) e o brasileiro José Sarney. Os dois deram por finda uma rivalidade estratificada de séculos, criando o Mercosul.
    É verdade que as relações do mundo lusitano com os hispânicos platinos nunca foram muito tranquilas. Sarney e Alfonsín conseguiram aplainar arestas, o que foi mantido por seus sucessores, Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma. No século passado houve momentos dramáticos, à beira do conflito.
    Artigo abriu os olhos
    Um artigo de jornal abriu os olhos nos dois países. Neste sentido, vale transcrever trechos de um artigo publicado no jornal Clarín, o maior em circulação na Argentina, pelo historiador Rosendo Fraga, relembrando os momentos de maior tensão entre os dois países no Século XX. Fraga é um cientista político e diplomata, que serviu com o mais famoso embaixador argentino no Brasil, Oscar Camillon, depois chanceler de seu país. É um especialista respeitadíssimo.
    Escreve Rosendo (em tradução livre): “Os atuais embates entre Alberto Fernández e Jair Bolsonaro refletem uma difícil situação no vínculo bilateral. Mas não é o único. Houve outro muito mais difícil”, diz o historiador.
    Continua: “de fato, o momento mais difícil das relações entre Brasil e Argentina no Século passado ocorreu na primeira década, concretamente entre 1906 e 1910”.
    Fraga adverte que a grande crise se iniciou com um incidente menor, em 1906, insignificante, que descambou para a insensatez e quase levou os dois países às vias de fato.
    Começou numa ação desastrada da guarda costeira portenha, envolvendo um navio de bandeira uruguaia que navegava numa área proibida do Rio da Prata, disputada na demarcação de limites entre Argentina e Uruguai. O bate-boca entre Montevidéu e Buenos Aires foi escalando, até que o Uruguai, o célebre algodão entre os cristais, “sentindo-se ameaçado por um vizinho maior– conta Rosendo – aproximou-se do outro, no caso o Brasil. Tratava-se do jogo pendular que países como Bolívia, Paraguai e Uruguai, que têm fronteiras com os países de maiores dimensões, fazem o jogo buscando certo equilíbrio de poder conveniente a seus interesses”. Aí a confusão dos platinos chega ao Rio de Janeiro.
    A Primeira Lição
    Vamos acompanhar mais um trecho da narrativa de Rosendo Fraga: “neste caso (do barco uruguaio) a crise foi mais longe do que o previsto. Esta é a primeira lição que deixa este conflito: as crises podem escalar por erro de cálculo”.
    Esta história é uma boa advertência ao Itamaraty, atualmente conduzido por um diplomata de carreira ainda pouco experiente, sem grande experiência nas áreas de conflito. Está mais habituado aos embates retóricos. Entretanto, como conta Rosendo Fraga, a questões pode evoluir das bocas-rotas para a boca de um cano de canhão. Aí, literalmente, esquenta.
    A recusa do presidente Bolsonaro de comparecer à posse do novo presidente da Argentina lembra o incidente do início do século passado.
    “A deterioração do relacionamento para valer começou quando ao se comemorar na Argentina o primeiro centenário (da independência da Espanha), não compareceu nenhuma delegação brasileira”.
    Isto causou grande desconforto em Buenos Aires. Na posse de Fernández, o governo Bolsonaro seria representado pelo ministro Osmar Terra, da Cidadania. A escolha do delegado brasileiro justificava-se porque o ministro foi prefeito de Santa Rosa, às margens do Rio Uruguai, fronteira entre os dois países e terra de Xuxa Meneghel, que até hoje é a artista brasileira mais popular nos pampas argentinos. Esperava-se que isto baste para contornar o carão. Entretanto, na última hora o presidente brasileiro desfez a delegação e disse que não iria ninguém na festa castelhana. A fervura voltou a subir. Tal qual em 1910. Voltemos à narrativa de Rosendo.
    Naqueles tempos, a mídia argentina abriu a boca e considerou um desaforo que o Brasil não mandasse ninguém à grande comemoração. “Ao mesmo tempo – escreve Rosendo – os dois países haviam embarcado numa caríssima corrida armamentista, que tinha como ponto mais importante a compra de dois navios encouraçados”. Estas eram as armas estratégicas mais poderosas daqueles tempos. Cada qual encomendara três embarcações de grande porte, o Brasil na Inglaterra, a Argentina nos Estados Unidos.
    Segunda Lição: vaidades e rancores
    Conta Rosendo Fraga: “Neste conflito, tinham papel importante as personalidades: no Brasil, comandava as relações exteriores o barão do Rio Branco, chanceler entre 1902 e 1912 – quando morre – com quatro presidentes sucessivos. Do outro lado, o presidente argentino José Figueroa Alcorta – sem experiência internacional, escolheu Estanislao Zeballos, uma sólida personalidade na política, no direito, no jornalismo e nas letras, como seu chanceler. Era um grande erudito nas questões de limites em nosso País (Argentina)”, conta Rosendo.
    Continua o narrador: “Parecia o homem certo. Mas ao começar a última década do Século XIX, Zeballos e Rio Branco haviam sido os peritos designados por seus respectivos países para defender suas posições na arbitragem do presidente (Stephen Grover) Cleveland dos Estados Unidos, que deveria pronunciar-se sobre a quem pertencia o território das Missões, contíguo à província argentina que leva seu nome. No Brasil abrangia grande parte de Santa Catarina e um pedaço do Paraná. (Essa terra sem dono produziu, depois o conflito do Contestado).
    O brasileiro Rio Branco havia chegado a esse encontro, preparando-se durante muitos anos nas questões de limites. O argentino não percebeu, pois acreditava ter pela frente um opaco cônsul de seu país em Liverpool.
    Ledo engano. Rio Branco aproveitara o tempo na Inglaterra, para estudar, pesquisar e escrever importantes livros sobre a história e a geografia de seu país. O argentino, por seu lado, chegava muito seguro, com fama e prestígio. Mas o barão terminou sendo mais eficaz e convincente e a sentença de Cleveland favoreceu os interesses do Brasil”.
    Nesse ponto, um lembrete ao jovem chanceler Ernesto Araújo.  Rosendo demonstra como as idiossincrasias podem colocar em grande risco as relações internacionais.
    Rosendo recorda a derrota do figurão argentino ante o ainda desconhecido, mas já experiente e bem preparado Rio Branco: “Isto gerou em Zeballos um rancor, que ao assumir o Ministério de Relações Exteriores, tendo quem o havia derrotado como novo antagonista, fez o conflito escalar desnecessariamente. O argentino queria sua revanche”, escreve Rosendo, advertindo: “Aqui aparece uma segunda lição: personalidade e os rancores podem escalar os conflitos desnecessariamente. Podem levar a se perder a perspectiva e tomar atitudes arriscadas e imprudentes”.
    Rosendo relembra o que foi o Barão do Rio Branco no Brasil daqueles tempos, continuando no cargo ao longo de vários governos. Então não era mais o jovem cônsul dos tempos da arbitragem de Cleveland. Era um gigante diplomático.
    Golpe de Mestre
    “O chanceler brasileiro era um poder permanente em seu país. Já no ´primeiro ano no cargo (1902), trocava cartas regularmente com o presidente argentino, general Júlio A. Roca, que nesse momento exercia sua segunda presidência (. Por esta razão quando escala o conflito e Roca se preparava para regressar de uma prolongada viagem à Europa, após finalizar seu segundo governo, em 1904, recebe a sugestão do chanceler brasileiro para desembarcar em algum ponto do Brasil. Roca era um adversário político de seu sucessor ( Alcina), mas todavia controlava o Senado e os governos de várias províncias. A intensão (de Rio Branco) era demonstrar à opinião pública brasileira que haveria quem (na Argentina) não acompanhasse à rígida postura de Zeballos”.
    A manobra teve grande êxito: “Escolheu-se o porto de Santos para a escala (do navio          que levava o ex-presidente argentino) e ali foi recebido pelo barão, junto com o ex-presidente Campos Salles, que entre 1899 e 1900 havia trocado visitas com o general Roca. O encontro não resolveu o conflito, mas distendeu.
    Ao mesmo tempo, não obstante a ausência brasileira nas festas do Centenário (da independência da Argentina), Rio Branco realiza um segundo movimento. É eleito presidente o embaixador argentino na Itália, Roque Sáenz Peña. Sempre atento às oportunidades, o barão sugere (ao novo presidente) que poderia ser conveniente, dada a deterioração das relações bilaterais, que em seu regresso passasse pelo Rio de Janeiro. E assim se faz. O presidente eleito reúne-se com o brasileiro (o recém empossado marechal Hermes da Fonseca) e com seu chanceler. Acertam que uma vez em Buenos Aires, Sáenz Peña enviará uma pessoa de sua confiança para iniciar uma negociação e chegar a um acordo. Já na capital argentina, o novo presidente escolhe para a delicada missão ao deputado nacional (federal) Ramón J. Cárcano, que será um importante embaixador argentino no Brasil nos anos 1930”.
    O novo embaixador (ainda antes da posse) é recebido no Rio com todas as honras, recorda Rosendo Fraga: “Chega ao Rio de Janeiro, atendendo a um convite intermediado pelo barão, para fazer uma conferência no Instituto Histórico e Geográfico do Rio de Janeiro sobre a história das relações entre os dois países. Trazia, também, a proposta para que os dois países concordem e anunciem a suspensão do terceiro encouraçado que haviam encomendado. O Barão não concorda. Diz que não será fácil. Terá de convencer o presidente. Combinam um código telegráfico para informar do êxito da gestão. De volta a Buenos Aires, Cárcano informa ao presidente sobre as conversações. Em poucos dias chega a resposta positiva. O acordo é anunciado. Ao suspender a construção dos terceiros encouraçados, os países davam por finda a corrida armamentista, que consumia recursos e aumentava os desconfortos e prevenções.
    (No final, os dois países ficaram com dois encouraçados cada um: No Brasil foram batizados como Minas Gerais e São Paulo. O terceiro seria o Rio de Janeiro; na Argentina foram denominados Rivadavia e o Moreno, nomes de heróis da independência).
    Terceira Lição, diplomacia
    Conclui o historiador argentino: “Aqui aparece a terceira lição: Uma boa diplomacia – neste caso exercida por um chanceler de um lado e dois presidentes sucessivos do outro – podem conter e inclusive superar conflitos. Estas lições do passado podem ser uteis quando Argentina e Brasil atravessam um momento delicado em sua relação bilateral”.
    Na posse do novo governo argentino, com a ação decidida do vice-presidente brasileiro, convencendo Bolsonaro a lhe dar a missão, os papeis se inverteram. O cordato Alberto Fernández fez o papel do presidente brasileiro, o gaúcho Hermes da Fonseca (São Gabriel) baixou o tom de seu discurso, Mourão fez os rapapés, e os assim Bolsonaro, no lugar do estridente Alcina, baixou abola, e ministro do Exterior Ernesto Araújo teve de engolir suas diatribes anti-peronistas. OU seja, pela segunda vez esses dois porto-alegrenses se encontraram na arena diplomática, Mourão e Ernesto. A primeira foi em Bogotá, quando o vice-presidente brasileiro desconversou a invasão da Venezuela, e acabou com a guerra de Araújo. Agora uma vez mais o general contém o belicoso diplomata profissional. Quantos gaúchos nesses imbróglios: Mourão, Enresto Araújo e Osmar Terra. Tinha tudo para dar nova briga com os castelhanos. Mas aí enterram os homens do dinheiro e influíram para que seus presidentes dessem uma meia trava. Segundo fontes, foi a Fiesp que deu a prensa decisiva em Bolsonaro, que ouviu e acatou Mourão, do grupo dos generais (Villas-Boas, de Cruz Alta e Santos Cruz – já defenestrado, mas influente – de Rio Grande). Desce o pano do primeiro ato.
     

  • GERALDO HASSE / Tungando os pobres

    Embora tenha mantido o Bolsa Família, o atual governo federal não demonstra vontade de encarar os problemas sociais decorrentes da falta de trabalho, educação e saúde. Prova disso é a notícia de que o Ministério da Economia reduziu de R$ 1.039 para R$ 1.031 o salário mínimo de 2020.
    É uma pequena tunga de R$ 8 por mês que significa menos R$ 100 na receita anual do trabalhador formalmente empregado e, consequentemente, menos nas contas do FGTS e do INSS além de, naturalmente, reduzir a capacidade de consumo de milhões de pessoas.
    Reduzir o poder de comprar do salário mínimo em plena estagnação econômica não é somente maldade, é burrice: ao arrochar os ganhos das classes mais baixas, o governo reduz as possibilidades de retomada da economia, cujo crescimento depende da ativação do consumo de todos.
    Ao sinalizar ao público que não liga a mínima para a prosperidade dos mais pobres, o governo inibe as decisões de investimentos na produção, no comércio, na logística etc. Em consequência da incerteza que paira sobre a economia, os possíveis investidores se acomodam aplicando seus capitais em títulos do mercado financeiro, cujos rendimentos não correm os riscos das atividades produtivas tradicionais.
    Estamos submetidos à lógica do ministro Paulo “Posto Ipiranga” Guedes, que enriqueceu como operador de fundos de investimentos. Ele tem carta branca para facilitar as coisas para os ricos, favorecidos pelo enxugamento da máquina pública, em nome da implantação do Estado Mínimo. Onde vamos parar?
    O governo tem a força, conta com o apoio dos grandes meios de comunicação e dispõe até de habilidades especiais para instrumentar seu poder, mas não tem capacidade de fazer o mal de modo ilimitado e indefinidamente. Em algum momento, o governo federal terá de prestar contas de suas ações e explicar seus objetivos. O presidente Jair Bolsonaro não tem pretensões de estadista, mas não é crível que massacrar os pobres seja um objetivo estratégico de longo prazo.
    LEMBRETE DE OCASIÃO
    “Uma democracia começa com três refeições diárias”. (Millor Fernandes)

  • MARÍLIA VERONESE/Liberdade para escolher o fascismo ou como conviver com a decepção?

    Este texto é sobre decepção e parte de uma experiência pessoal: eu ouvi de uma eleitora inconfessa de Bolsonaro que ela é (sic) “a favor da liberdade, sempre!” Vejam só que coisa mais curiosa. Alega o apreço pela liberdade para escolher a… negação da liberdade! O fascismo, o autoritarismo, a ignorância que já está trazendo consequências socioambientais gravíssimas para o país. Não esperem análises sociopolíticas nos próximos parágrafos, contudo: o foco deste texto é pessoal, psicológico e atitudinal, na linha de refletir sobre como lidar com pessoas próximas que decepcionaram a gente até o limite do suportável?
    Eu não sei a resposta. Quero apenas compartilhar a dor da decepção profunda com meus pares, leitoras e leitores, porque estamos juntos nessa viagem ao fundo do poço. Mesmo arrastados à força, como nação, para a caverna de Platão e depois à borda da terra plana, tentemos raciocinar com clareza e analisemos, primeiramente, o que eleitores do “coiso” chancelaram ao apertar o dezessete na urna: apologia à tortura e à figura de torturadores abjetos, ao extermínio de opositores (incluindo a esquerda política, na qual me incluo… ou seja, eleitores do coiso chancelam a minha aniquilação física), à violência, às armas na mão de qualquer despreparado. Apoiam também homofobia, machismo, racismo, fake news, repetição de mentiras até que virem “verdade”, à lá Goebbels; fanatismo religioso, militarização, anti-cientifiscismo, perseguição aos professores, cortes em investimentos sociais, culturais e acadêmico-científicos,  delírios reacionários do lunático Olavo de Carvalho, guru do presidente; o fim da proposta de educação sexual e para a cidadania nas escolas, a liberação de agrotóxicos perigosíssimos à saúde de humanos e não humanos (há mais de uma década proibidos pela União Europeia); a violência no campo, o fim da legislação ambiental e a entrega da Amazônia e do meio ambiente brasileiro em geral à exploração predatória, a grilagem de terras; a impunidade de ‘bandidos amigos’ como Queiroz (cadê ele?) a corrupção policial (cuja pior expressão é a matança de jovens e crianças periféricas), a ação criminosa das milícias na periferia do Rio de Janeiro, a degradação das instituições democráticas. Há muito mais, se isso não fosse o suficiente. Mas eu acho que já é. Tudo que menciono aqui está fartamente documentado em vídeos do próprio falando, bem como em áudios, fotografias, matérias de jornalismo investigativo, declarações em várias mídias, trabalhos acadêmicos. No final do texto tem links para algumas dessas fontes, embora eu desconfie que as pessoas para as quais o texto é dirigido recusem-se a consultá-las. Têm preguiça, preferem o conforto da sua caverna de Platão cotidiana, cheia de autoindulgência. Muitas das aberrações são antigas e já circulavam na internet quando da campanha presidencial, ou seja, as pessoas escolheram essa infâmia, deliberadamente.
    Poderão dizer: mas nem sempre apoiamos tudo que faz um candidato que elegemos. Por certo que não, eu mesma já discordei com veemência de candidatas/os em quem votei, mas agora há uma linha que foi cruzada, a linha do inadmissível ético. Vejamos o que sempre houve: decisões econômicas equivocadas, relações “perigosas” com empreiteiros, alianças esdrúxulas, concessões a corruptos e pequenas corrupções, vaidade em excesso. Todos, absolutamente todos/as os/as governantes que temos elegido no Brasil desde a redemocratização apresentaram algum tipo de conduta semelhante. Todos/as, contudo, mantiveram postura relativamente digna, não interferindo diretamente com as regras formais de um Estado democrático de direito (a exceção, talvez, de Collor de Mello; diga-se de passagem que quem votou em Collor em 1989, provavelmente votou no “coiso” em 2018). Profundamente lamentáveis tais ações, por certo, mas infelizmente banalizadas no nosso país e no “jogo democrático” da política partidária brasileira; não é disso que se trata. É algo ainda muito mais repugnante. É a apologia à violência, à tortura, ao autoritarismo, é ameaça de novo AI-5, é fascismo (prometo um texto mais teórico sobre, neste só quero compartilhar a dor, é um texto sentido e doído, como nós estamos).
    Onde, afinal, a liberdade alegada entraria nessa tragédia nacional? Nesse pesadelo que levou um país que há poucos anos atrás era considerado uma potência emergente, respeitado no mundo todo, ao fundo do poço? À posição de pária internacional? (http://jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/04/10/100-dias-que-mudaram-a-posicao-do-brasil-no-mundo/) (http://www.bbc.com/portuguese/brasil-48402241).
    Depois de reveladas as conversas da “Vaza-jato” (http://theintercept.com/series/mensagens-lava-jato/), ficou claro com que tipo de gente estamos lidando. Que tipo de desqualificados são procuradores e ex-juízes, atuais ministros que agem contra a lei e o decoro para defender seus patrões (http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2019/11/29/moro-usou-pf-para-intimidar-porteiro-e-proteger-cla-bolsonaro-diz-freixo/?fbclid=IwAR0UvSx4siGdINyLtYCY5DcblhJkpgrsBlFsAa0SC8dpBwYwoNPRESzDVRY)
    A perseguição aos professores e o anti-intelectualismo são também característicos de regimes políticos ditatoriais, sempre hostis à ciência e ao pensamento crítico/reflexivo. (http://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/14/politica/1557790165_316536.html – “Campanha ‘anti-doutrinação’ contra professores eleva estresse em sala de aula: Clima de perseguição estimulado por Bolsonaro e Escola sem Partido geram ambiente de permanente tensão, relatam profissionais de centros públicos e privados”).
    Quando uma pessoa muito próxima a você chancela tudo isso, mostrando que ela não é o que você pensou que ela era durante toda a sua vida, o baque é grande. Chega a doer no corpo. Tira o ar, traz o choro, o mal estar, a ‘dor na boca do estômago’. No meu caso, foi destruidor. Chorei por várias noites. Não podia acreditar. Não tem nada a ver com “diferenças políticas”. Isso seria se ela tivesse votado no opus dei Alckmin, ou no patético neoliberal Amoedo; eu sacudiria a cabeça, diria “tsc, tsc, tsc” e seguiria em frente, normalmente. É da vida, pessoas caindo na cantilena “neoliberal na economia e conservadora nos costumes” há aos montes por aí. Mas dá pra conviver com essas diferenças, na maioria dos casos.
    Com apoiadores do “coiso”, entretanto, a coisa vai para muito além disso. Trata-se de alguém que você ama defendendo Brilhante Ustra, torturador sádico psicopata que, dentre outras crueldades insanas, levou os filhos de Amelinha Teles para vê-la durante uma sessão de tortura, toda machucada, cheia de hematomas, nua, urinada, sangrando, amarrada à “cadeira de dragão”. Edson e Janaína tinham quatro e cinco anos de idade, na ocasião. O “coiso” adora, baba de satisfação ao falar o nome desse criminoso abjeto que foi Brilhante Ustra. E a pessoa que você confiava mais do que 100%, a quem você entregaria sua filha, sua vida e segurança, se fosse preciso, vota nele “pela liberdade”. Como você se sentiria…? Pois eu me sinto destruída, de coração partido. (http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2014/03/31/como-a-ditadura-sequestrou-criancas-e-torturou-familias-inteiras-para-obter-delacoes.htm). (http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,torturado-quando-bebe-filho-de-preso-politico-se-suicida,998518).
    Agora estou tentando fazer o que a minha amiga Virgínia Pacheco propôs, quando me contou que estava usando uma “técnica” ela própria (é psicóloga e trabalha com técnicas corporais e de visualização criativa): com pessoas que ela gostava muito, ela ignorava o discurso absurdo e olhava direto no coração delas. Desconsiderava a capa de desinformação, cegueira e egoísmo que obnubilava a visão de mundo delas e focava direto no coração, naquele pulsar que estivera ligado ao dela durante boa parte da sua vida. Acrescentou que só funcionava com quem ela amava de verdade. Ainda não sei se vai funcionar comigo. São valores, crenças e lutas de uma vida inteira. É a dignidade humana, é a integridade ético-moral como um valor supremo. É coisa da muito séria, o mais importante que temos na vida. É o que somos, é o valor da vida que vivemos; frágil, um sopro, mas o que fazemos dela é tudo o que temos. O que ficará dessa vida, que legado? Fazemos filhos, escrevemos livros, trabalhamos, amamos e nos tornamos quem somos, seres políticos que constroem o mundo na ação e no discurso. Vamo-nos tornando quem sempre seremos depois que tivermos ido embora do mundo.
    Essa semana li sobre Aldo Leopold (1887-1948), um conservacionista que trabalhou em serviços florestais e foi também filósofo, no livro “O fim do império cognitivo”, de Boaventura de Sousa Santos. Aldo escreveu um ensaio, “Land Ethics”, no qual escreveu: “Quando encaramos a terra como uma comunidade à qual pertencemos, poderemos começar a usá-la com amor e respeito”. Defendia uma responsabilidade moral no uso da terra, na relação com a natureza, bem antes de o movimento ambientalista existir como tal. Deixou esse legado, tão importante e necessário, para as gerações vindouras.
    A gente encontra essa delicadeza, essa sabedoria, quando visita agroecologistas ou comunidades de permacultura, por exemplo. Esse posicionamento em relação ao ambiente é exatamente o oposto ao dos grileiros de terra, ruralistas latifundiários, as gentes mal encaradas da ‘bancada do boi’. São toscos, brutos, destroem a natureza, maltratam os animais, matam ativistas como Dorothy Sang e Chico Mendes, desmatam, envenenam, agridem, tudo por dinheiro e poder. Isso é o bolsonarismo, essa tosquice feia, criminosa e brutal. Mandam os jagunços, pessoas pobres (eles são ricos), embrutecidas, fazerem o serviço sujo e ficam nas casas grandes – ou em Brasília – com o ** na mão, como dizia Renato Russo. Eles apoiaram e ajudaram a eleger o “coiso”, visando à fragilização da legislação ambiental e das instituições que buscam fiscalizar a violência no campo e coibir o uso indiscriminado de venenos. Como, pergunto-me como, pessoas que eu julgava delicadas em relação à vida, à natureza, podem aderir a essa brutalidade medonha? Chancelá-la?
    Aprendi com essa terrível situação que vivemos desde o ano passado que as noções de dignidade e justiça não valem nada para algumas pessoas que eu achava que conhecia bem. Não é simples desinformação, embora haja desinformação massiva; não é simples alienação, conceito que não dá conta do mundo hiper-real contemporâneo, embora haja alienação em alguma medida. Mas a dimensão em tela é a dos valores e crenças mais profundos e importantes, mediada pelos afetos; algo que eu não tinha vivenciado ainda, por não ter presenciado o golpe de 1964 e o ambiente social durante os anos de chumbo (nasci no final dos anos 1960 e comecei a militância política durante a campanha das “Diretas Já”, em 1984, aos 16 anos).
    Conheço muita gente no Rio de Janeiro e um desses amigos, que cresceu no Rio das Pedras, me contou que Flavio Bolsonaro frequentemente aparecia por lá. As ligações da “familícia” com os milicianos do Escritório do Crime são públicas e notórias e fartamente documentadas pelos meios de comunicação (embora esses tenham uma relação ambígua com o governo fascista e miliciano, por vezes apoiando ou minimizando os crimes cometidos). Agora que foi citado na investigação do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, Carlos Bolsonaro, o “Carluxo”, apagou suas redes sociais e sumiu com o seu computador. Significativo, não?!
    Nessa semana que vai terminando, o ser ignóbil e abjeto que absurdamente ocupa a cadeira presidencial foi denunciado ao Tribunal Penal Internacional (TPI) pelos crimes contra a humanidade que vem praticando (http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2019/11/bolsonaro-e-denunciado-ao-tribunal-penal-internacional-por-crimes-contra-a-humanidade.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb&fbclid=IwAR3sscHCh6jRFFj-pd7vz3RkRqYxYnk7SR6X6A8tYXXoBavtTbPUDaaEwIY) (http://valor.globo.com/politica/noticia/2019/11/28/bolsonaro-e-denunciado-por-crimes-contra-humanidade-ao-tribunal-penal-internacional.ghtml). Custo a crer que isso vá ter o resultado que deveria, dado que as instituições democráticas estão muito erodidas pelo tacão neoliberal que esmaga a sociedade global. Os senhores do dinheiro e da guerra, os que realmente mandam no mundo, sustentam no poder quem, em nível local, faz o serviço sujo de retirar direitos trabalhistas, não permite a ampliação dos direitos de cidadania aos mais frágeis, retira entraves à acumulação do capital como as regras do jogo do neoliberalismo exigem. E o ‘coiso’ se encontra entre eles, com seu mentiroso discurso de “empreendedorismo”, quando o que existe na realidade dos mais pobres é precarização, retirada de direitos sociais e desespero.
    O recente livro do cientista político Yascha Mounk, “PovoVsDemocracia: saiba porque a nossa liberdade está em perigo” (editora Lua de Papel, 2019) explica que o coquetel explosivo de desigualdade crescente, migrações e deslocamentos globais, redes sociais amplificando vozes fascistas (bichos escrotos saíram dos esgotos) e economia em crise levou a eventos como Brexit e eleição de Trump e Bolsonaro, criando a desconsolidação das democracias e a ameaça às liberdades coletivas e individuais. Há um método nas aparentes maluquices de Trump e Bolsonaro, como esta última de acusar o ator Leonardo DiCaprio de ter ateado fogo na Amazônia. Manter as pessoas sempre ocupadas em comentar e reagir às sandices, enquanto a agenda de destruição vai avançando, é uma técnica (provavelmente não elaborada por ele, que é intelectualmente limítrofe, embora seja um espertalhão).
    O sinistro, digo, ministro da educação diz que universidades plantam maconha e produzem drogas sintéticas em laboratório (http://g1.globo.com/educacao/noticia/2019/11/22/ministro-diz-que-ha-plantacoes-de-maconha-em-universidades-reitores-criticam-ataques-e-retorica-agressiva.ghtml). A sinistra, digo, ministra da “família”, Damares Alves, anuncia que meninos usam azul e meninas usam rosa, e promete pintar de rosa as salas das delegacias para conter a violência doméstica. Acrescenta que na sua “concepção cristã” a mulher deve ser submissa ao homem no casamento, enquanto vai à Hungria do fascista Victor Orban vociferar que agora o Brasil é amigo da família cristã conservadora (http://www.diariodocentrodomundo.com.br/essencial/damares-diz-que-mulher-deve-ser-submissa-ao-homem-no-casamento/) (http://jamilchade.blogosfera.uol.com.br/2019/09/14/governo-bolsonaro-articula-alianca-internacional-pro-familia/).
    O novo pirado, digo, o novo presidente da Funarte disse que os Beatles surgiram para desestabilizar a “família tradicional americana”, incentivar o aborto e implantar o comunismo. Sim, poderia ser uma comédia…, mas é uma tragédia.
    Perguntei à minha amiga Marta Porto, cuja opinião respeito muito (pela trajetória brilhante que teve, por ser uma das pessoas mais inteligentes que eu conheço e por seu trânsito no multilateralismo), se se poderia ter esperança na seriedade do processo junto ao TPI, ao que ela respondeu (transcrevo a resposta dela na rede social Facebook): Marta PortoMarilia, difícil dizer. Mas é um passo gigante essa denúncia. E os humores da comunidade internacional com Bolsonaro são os mais terríveis. Todos os grandes líderes globais têm ojeriza ao miliciano e seus comparsas e um dos signatários mais importantes é o Paulo Sérgio Pinheiro que foi relator da ONU para a Síria e é respeitadíssimo no TPI. A ver. O certo é que estarei em Genebra usando todas as encruzilhadas para ver esse bandido ter o que merece.
    Enquanto isso, no Brasil, o judiciário está completamente aparelhado, virou um partido político que sequer disfarça a sua total falta de apreço pela lei. O STF, por venalidade, desonestidade ou mesmo medo de morrer (o filho de Teori nunca engoliu a versão oficial sobre a morte de seu pai: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2018/01/04/um-ano-apos-acidente-filho-de-teori-diz-nao-descartar-homicidio-do-pai-sao-tantas-coincidencias.htm), deixa o barco correr, a deriva, enquanto usufrui de privilégios obscenos, comendo lagosta às nossas custas (http://g1.globo.com/politica/noticia/2019/05/07/juiz-do-trf-1-libera-licitacao-do-stf-para-compra-de-vinhos-e-lagosta.ghtml).
    Da mesma forma, as instituições multilaterais estão fragilizadas e não detém poder real de veto nesses casos de crimes de lesa-pátria e lesa-humanidade. Isso tudo no nível macrossocial; porque no micro, as famílias seguem se despedaçando e disfarçando, tentando fingir que está tudo bem. Não está. Talvez nunca mais volte a ficar. Hitler, Mussolini, Salazar, Franco, Pinochet, Médici, Bolsonaro, Orban, Duterte… ditadores efetivos do passado ou ditadores wannabe do presente, a direita que conseguiu seduzir pessoas ingênuas do sul ao norte do mundo (não cito Stálin porque o texto é sobre ditaduras de direita, mas está no mesmo nível, registre-se).
    As máscaras caíram e as pessoas se assumiram como defensoras do fascismo, ao votar em Bolsonaro. Fico pensando o quanto meu pai e minha mãe investiram na nossa formação moral, acadêmica, intelectual: tanto trabalho, empenho, sacrifícios, despesas, para em 2018… que tristeza, mas deixa pra lá. Está na hora de terminar o texto.
    Lembro que alunos meus perguntaram: “Como o povo alemão pôde chancelar os horrores do nazismo? Como?!” Bem, agora a gente sabe como. Exatamente como parentes nossos estão chancelando os crimes dos milicianos ora no poder. E aqueles que entregavam seus vizinhos aos sabujos de Hitler, pensando que se salvariam por isso? “Quem seria capaz dessa covardia?” Bom, agora a gente sabe exatamente quem seria. E nunca mais vai confiar neles/as como confiava antes. HashtagMedo, doravante. Cuidem-se, escondam as agendas dos familiares bolsonaristas. Nunca se sabe se, ou quando, a coisa vai desandar para uma ditadura efetiva.
    ****************
    Alguns dos Links dos milhares de evidências (acrescente o seu link nos comentários deste post):
    http://theintercept.com/2019/01/22/bolsonaros-milicias/
    http://revistaforum.com.br/blogs/ocolunista/dezesseis-anos-de-milicias/
    Assassino das estradas:
    http://catracalivre.com.br/cidadania/retirada-de-radares-fez-aumentar-no-de-mortes-nas-estradas/
    Bolsonaro em 5 minutos – vídeos assustadores:
    http://www.youtube.com/watch?v=ghCP4r-hzYI
    http://www.youtube.com/watch?v=R44EN0VuNqM
    A Aliança pelo Brasil é o primeiro partido neofascista do país:
    http://theintercept.com/2019/11/17/alianca-pelo-brasil-bolsonaro-neofascista/
     
    Dossiê (embora desatualizado), recuperado de:
    http://d3n8a8pro7vhmx.cloudfront.net/haddad/pages/553/attachments/original/1540508906/Dossi%C3%AA_Bolsonaro.pdf?1540508906
    1. ATUAÇÃO POLÍTICA
    Bolsonaro vota A FAVOR da PEC 241, que congela os gastos em saúde e educação durante 20 ANOS: http://catracalivre.com.br/cidadania/bolsonaro-vota-sim-pec-241-e-seguidores-se-revoltam-com-decisao/
    Bolsonaro defendeu esterilização de pobres para combater miséria e crime: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/bolsonaro-defendeu-esterilizacao-de-pobres-para-combater-miseria-e-crime.shtml
    Votou A FAVOR do aumento dos salários de deputados e senadores:  http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2010/12/15/veja-lista-dos-politicos-que-apoiaram-a-votacao-do-aumento-de-salario.htm
    Bolsonaro diz ser CONTRA os direitos trabalhistas para empregadas domésticas:  http://tvuol.uol.com.br/video/bolsonaro-diz-ser-contra-os-direitos-trabalhistas-para-empregadas-domestica-04020E9C3764E4995326
    Bolsonaro foi o único deputado a votar CONTRA o Fundo de Combate à Pobreza: http://exame.abril.com.br/economia/descubra-como-deputados-e-senadores-votaram-nos-ultimos-quatro-anos-m0064180/
    PSL de Bolsonaro foi o mais fiel a Temer neste ano: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,psl-de-bolsonaro-foi-o-mais-fiel-a-temer-neste-ano,70002414169
    Bolsonaro destinou apenas 0,3% do valor de suas emendas para segurança pública:
    http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/bolsonaro-destinou-03-do-valor-de-suas-emendas-para-seguranca-publica.shtml
    Bolsonaro votou CONTRA o plano real e disse que o então presidente Fernando Henrique Cardoso merecia ser fuzilado:  http://epocanegocios.globo.com/Brasil/noticia/2017/11/apesar-do-atual-aceno-liberal-bolsonaro-foi-contra-reformas-e-plano-que-domou-inflacao.html
    Bolsonaro votou CONTRA o fim da pensão para filhas de militares: http://goo.gl/9L34YC
    Alvo de Bolsonaro, Estatuto do Desarmamento evita 13,3 mil assassinatos por ano: http://www.brasildefato.com.br/2018/10/04/alvo-de-bolsonaro-estatuto-do-desarmamento-evita-133-mil-assassinatos-por-ano/
    Como o discurso de Bolsonaro mudou ao longo de 27 anos na Câmara: http://www.bbc.com/portuguese/amp/brasil-42231485
    2. CORRUPÇÃO
    Ao explicar R$ 200 mil da JBS, Bolsonaro admite que PP recebeu propina: “qual partido não recebe?”: http://jovempan.uol.com.br/programas/ao-explicar-r-200-mil-da-jbs-bolsonaro-admite-que-pp-recebeu-propina-qual-partido-nao-recebe.html
    Patrimônio de Jair Bolsonaro e filhos se multiplica em apenas dez anos: http://www.opovo.com.br/noticias/politica/2018/01/patrimonio-de-jair-bolsonaro-e-filhos-se-multiplica-em-apenas-dez-anos.html
    Funcionário fantasma, irmão de Jair Bolsonaro recebia R$ 17 mil por mês da Alesp: http://noticias.r7.com/brasil/funcionario-fantasma-irmao-de-jair-bolsonaro-recebia-r-17-mil-por-mes-da-alesp-07042016
    Quando questionado sobre o auxílio moradia que recebia mesmo tendo casa, Bolsonaro diz que utilizava do dinheiro publico para “COMER GENTE”: http://www.youtube.com/watch?v=HwwMlyQkw2Q
    PP (onde ele ficou por mais de 20 anos) é o partido com o maior número de deputados investigados no STF: http://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/pp-e-o-partido-com-o-maior-numero-de-parlamentares-investigados-no-stf/
    Articulador de apoios a Bolsonaro, deputado confessou caixa dois: http://www.gazetaonline.com.br/noticias/politica/eleicoes_2018/2018/06/articulador-de-apoios-a-bolsonaro-deputado-confessou-caixa-dois-1014134496.html
    Bolsonaro tem nome citado em lista na quebra de sigilo do tucano Aécio Neves: http://www.correiodobrasil.com.br/bolsonaro-tem-nome-citado-lista-quebra-sigilo-tucano-aecio/
    Bolsonaro diz que sonega impostos: http://www.youtube.com/watch?v=ElBQbueU0tQ
    Bolsonaro empregou ex-mulher e parentes dela no Legislativo: http://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-empregou-ex-mulher-parentes-dela-no-legislativo-22143135
    Patrimônio de Jair Bolsonaro e filhos têm indícios de lavagem: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-01-07/jair-bolsonaro-patrimonio-familia.html
    Vídeo em que Bolsonaro admite que o dinheiro que recebeu de JBS era propina do partido dele: http://www.youtube.com/watch?v=D62y7u04-U8
    MPF investiga Guedes, economista de Bolsonaro, por suspeita de fraude em fundos: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,mpf-investiga-paulo-guedes-por-suposta-fraude-contra-fundos-de-pensao,70002541914
    Bolsonaro emprega servidora fantasma que vende açaí em Angra: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/01/1949719-bolsonaro-emprega-servidora-fantasma-que-vende-acai-em-angra.shtml
    Tv Folha investiga a funcionária fantasma e os bens de Bolsonaro: http://www.youtube.com/watch?v=k99hXSytsyI
    Bolsonaro e filhos possuem pelo menos R$ 15 milhões em imóveis: http://exame.abril.com.br/brasil/bolsonaro-e-filhos-possuem-pelo-menos-r-15-milhoes-em-imoveis/
    Filho de Bolsonaro aluga seu carro para si mesmo: http://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/filho-de-bolsonaro-aluga-seu-carro-para-si-mesmo.html
    Produtora de vídeo que só existe no papel recebeu R$ 240 mil da campanha de Bolsonaro: http://epoca.globo.com/produtora-de-video-que-so-existe-no-papel-recebeu-240-mil-da-campanha-de-bolsonaro-23107926
    Indicado como ministro por Bolsonaro tinha supersalário com verba pública: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/18/general-heleno-ministro-bolsonaro-supersalario-recursos-publicos.htm
    Fundo ligado a Paulo Guedes lucrou R$ 590 mil com informação privilegiada: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/18/paulo-guedes-informacao-privilegiada-bolsa-de-valores-cvm-bolsonaro.htm
    3. RELAÇÕES INTERNACIONAIS
    Bolsonaro chama refugiados de “escória do mundo”: http://exame.abril.com.br/brasil/bolsonaro-chama-refugiados-de-escoria-do-mundo/
    Bolsonaro defende Hugo Chávez em entrevista de 1999: http://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defende-hugo-chavez-em-entrevista-de-1999/
    “Acusaram o PT de imitar a Venezuela, mas é Bolsonaro quem se espelha no processo de lá”: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/08/politica/1539001055_896195.html
    Bolsonaro diz que vai tirar Brasil da ONU se for eleito presidente: http://g1.globo.com/politica/eleicoes/2018/noticia/2018/08/18/bolsonaro-diz-que-vai-tirar-brasil-da-onu-se-for-eleito-presidente.ghtml
    Bolsonaro quer campo de refugiados em Roraima: http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-quer-campo-de-refugiados-em-roraima,70002226010
    “Não há base para parceria estratégica se Bolsonaro vencer”: http://www.terra.com.br/noticias/brasil/nao-ha-base-para-parceria-estrategica-se-bolsonaro-vencer,df9930ce33e6fd15c6d395f8396276e648ra7ch6.html
    Eurodeputados lançam manifesto contra Bolsonaro: ‘profundo repúdio’: http://veja.abril.com.br/blog/radar/eurodeputados-lancam-manifesto-contra-bolsonaro-profundo-repudio/
    A república popular da China não gostou desta viagem de Bolsonaro: http://exame.abril.com.br/brasil/a-republica-popular-da-china-nao-gostou-desta-viagem-de-bolsonaro/
    4. PROPOSTAS
    Objetivo é fazer Brasil semelhante ao que ‘era 40, 50 anos’, diz Bolsonaro: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/objetivo-e-fazer-brasil-como-era-a-40-50-anos-atras-diz-bolsonaro.shtml
    Bolsonaro diz que quer dar “carta branca” para PM matar em serviço: http://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2017/12/14/bolsonaro-diz-que-quer-dar-carta-branca-para-pm-matar-em-servico.htm
    Bolsonaro diz que quer Alexandre Frota ministro da Cultura em vídeo: http://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-quer-alexandre-frota-ministro-da-cultura-em-video-22535166
    Vice de Bolsonaro, Mourão critica 13º salário e fala em reforma trabalhista ‘séria’: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-de-bolsonaro-mourao-critica-13o-salario-e-fala-em-reforma-trabalhista-seria.shtml
    Bolsonaro defende a extinção do Ministério da Cultura: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/03/29/bolsonaro-defende-a-extincao-do-ministerio-da-cultura.htm
    Bolsonaro defende educação à distância desde o ensino fundamental: http://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-defende-educacao-distancia-desde-ensino-fundamental-22957843
    Bolsonaro diz que jovem brasileiro tem “tara” por formação superior: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/08/28/bolsonaro-diz-que-jovem-brasileiro-tem-tara-por-formacao-superior.htm
    Jair Bolsonaro diz que, se eleito, pode privatizar Petrobras, uma das maiores empresas do Brasil, e entregar de vez a industria do petróleo na mão dos estrangeiros: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/08/bolsonaro-admite-possibilidade-de-privatizar-a-petrobras-apesar-de-se-dizer-pessoalmente-contra.shtml
    Se você está preocupado com a crise, deveria se preocupar com o plano econômico de Jair Bolsonaro: http://theintercept.com/2018/09/20/bolsonaro-economia/
    General ligado a Bolsonaro fala em banir livros sem “a verdade” sobre 1964: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/09/28/general-ligado-a-bolsonaro-fala-em-banir-livros-sem-a-verdade-sobre-1964.htm
    Ascensão de Bolsonaro valoriza as ações da indústria das armas: http://epocanegocios.globo.com/Mercado/noticia/2018/09/favoritismo-de-bolsonaro-valoriza-acoes-da-industria-das-armas.html
    Bolsonaro diz que é favorável a tortura, guerra civil e fim do voto: http://www.youtube.com/watch?v=qIDyw9QKIvw
    Exército recebe doação de 96 blindados dos Estados Unidos: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/10/10/exercito-recebe-doacao-de-96-blindados-dos-estados-unidos.htm
    Porta-helicópteros comprado pela Marinha por R$ 350 milhões chega ao Rio no sábado: http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2018/08/22/porta-helicopteros-comprado-pela-marinha-por-r-350-milhoes-chega-ao-rio-no-sabado.htm
    Marun declara voto em Bolsonaro por enxergar agenda semelhante à de Temer: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/15/marun-declara-voto-em-bolsonaro-por-enxergar-agenda-semelhante-a-de-temer.htm
    5. ONDA DE VIOLÊNCIA
    Morte, ameaças e intimidação: o discurso de Bolsonaro inflama radicais: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/09/politica/1539112288_960840.html Apoiadores de Bolsonaro realizaram pelo menos 50 ataques em todo o país: http://exame.abril.com.br/brasil/apoiadores-de-bolsonaro-realizaram-pelo-menos-50-ataques-em-todo-o-pais/
    Mestre de capoeira é morto com 12 facadas após dizer que votou no PT, em Salvador: http://extra.globo.com/casos-de-policia/mestre-de-capoeira-morto-com-12-facadas-apos-dizer-que-votou-no-pt-em-salvador-23139302.html
    Em vídeo registrado no metrô, grupo canta que “Bolsonaro vai matar veado”: http://vejasp.abril.com.br/cidades/matar-viado-bolsonaro-homofobicos-metro/
    Mulher é agredida por usar camiseta com a expressão #EleNão: http://guaiba.com.br/2018/10/10/mulher-de-19-anos-e-agredida-por-usar-camiseta-com-a-expressao-elenao/
    Discurso de Jair Bolsonaro legitima violência nas ruas, dizem especialistas: http://odia.ig.com.br/eleicoes/2018/10/5582852-discurso-de-jair-bolsonaro-legitima-violencia-nas-ruas-dizem-especialistas.html
    Neonazistas são presos após agredirem homem em Niterói: http://oglobo.globo.com/rio/neonazistas-sao-presos-apos-agredirem-homem-em-niteroi-8230598
    Flávio Bolsonaro defende destruição de placa pró-Marielle: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,flavio-bolsonaro-defende-destruicao-de-placa-pro-marielle-por-correligionarios,70002532531
    Eleitores de Bolsonaro votam com armas e filmam urna eletrônica: http://veja.abril.com.br/blog/rio-grande-do-sul/eleitores-de-bolsonaro-votam-com-armas-e-filmam-urna-eletronica/
    Mulher trans é atacada no Rio com barra de ferro por apoiadores de Bolsonaro: http://www.metro1.com.br/noticias/vida-alheia/62492,mulher-trans-e-atacada-no-rio-com-barra-de-ferro-por-apoiadores-de-bolsonaro.html
    Servidora pública é espancada em PE após criticar Bolsonaro: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/servidora-publica-e-espancada-em-pe-apos-criticar-bolsonaro.shtml
    Teatro da Uerj amanhece pichado com inscrições racistas: http://oglobo.globo.com/rio/teatro-da-uerj-amanhece-pichado-com-inscricoes-racistas-leitor-fotografa-3067270
    Instituições de ensino são pichadas com frases preconceituosas em todo Brasil: http://jovempan.uol.com.br/eleicoes-2018/presidenciais/instituicoes-de-ensino-sao-pichadas-com-frases-preconceituosas-em-todo-brasil.html
    Transexual é espancada por quatro homens na Baixada Fluminense: http://oglobo.globo.com/rio/transexual-espancada-por-quatro-homens-na-baixada-fluminense-23146703
    MP investiga jogo em que Bolsonaro mata gays, negros e feministas: http://tecnoblog.net/263376/mp-investigacao-bolsomito-2k18-bolsonaro-game-steam/
    Bolsonaristas espancam servidora pública em Niterói: http://br.noticias.yahoo.com/bolsonaristas-espancam-servidora-publica-em-pe-185452964.html
    Polícia de SP vê aumento de movimentação neonazista e identifica grupos: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-38603560
    Médica do RN rasga receita após paciente idoso dizer que votou em Haddad para presidente: http://g1.globo.com/rn/rio-grande-do-norte/noticia/2018/10/09/medica-do-rn-rasga-receita-apos-paciente-idoso-dizer-que-votou-em-haddad-para-presidente.ghtml
    Suástica é pichada em muro do Clube Israelita Brasileiro, no Rio: http://oglobo.globo.com/rio/suastica-pichada-em-muro-do-clube-israelita-brasileiro-no-rio-21462726
    Bandeira inspirada no nazismo é exibida em manifestação pró-Bolsonaro: http://congressoemfoco.uol.com.br/eleicoes/bandeira-inspirada-no-nazismo-e-exibida-em-manifestacao-pro-bolsonaro/
    Menino leva arma para escola, dispara sem querer e fica ferido em Mato Grosso do Sul: http://oglobo.globo.com/brasil/menino-leva-arma-para-escola-dispara-sem-querer-fica-ferido-em-mato-grosso-do-sul-23164828
    Portas de alojamentos estudantis da USP amanhecem pichadas com suástica: http://jovempan.uol.com.br/noticias/brasil/portas-de-alojamentos-estudantis-da-usp-amanhecem-pichadas-com-suastica.html
    6. POLÍTICAS PARA O MEIO AMBIENTE
    Bolsonaro é uma ameaça ao planeta: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/17/opinion/1539799897_917536.html
    Em Manaus, Bolsonaro questiona se Brasil tem soberania sobre Amazônia e compara terras indígenas a zoológico: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/12/1943457-bolsonaro-questiona-soberania-sobre-a-amazonia-e-compara-terras-indigenas-a-zoologico.shtml
    Bolsonaro defende o fim do Ministério do Meio Ambiente: http://www.oeco.org.br/reportagens/bolsonaro-defende-o-fim-do-ministerio-do-meio-ambiente/
    ‘Se eu assumir, índio não terá mais 1cm de terra’, diz Bolsonaro: http://www.msn.com/pt-br/noticias/mundo/se-eu-assumir-%C3%ADndio-n%C3%A3o-ter%C3%A1-mais-1cm-de-terra-diz-bolsonaro/ar-BBIUfo2
    Em Roraima, Bolsonaro defende exploração de terras indígenas: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,em-roraima-bolsonaro-defende-exploracao-economica-de-terras-indigenas,70002266170
    Bolsonaro diz que sua candidatura é “imbroxável” e que “a Amazônia não é nossa”: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/18/politica/1526612140_988427.html
    Bolsonaro diz que Brasil tem áreas de proteção ambiental em excesso e defende mudanças na legislação para exploração econômica da Amazônia: http://www.facebook.com/simone.ceccon/videos/2379110435437594/
    As ameaças sombrias de Bolsonaro para o meio ambiente: http://pagina22.com.br/2018/10/09/as-ameacas-sombrias-de-bolsonaro-para-o-meio-ambiente/
    “Esporte saudável”: Bolsonaro defende liberação de caça no Brasil: http://www.jornalopcao.com.br/ultimas-noticias/esporte-saudavel-bolsonaro-defende-liberacao-de-caca-no-brasil-131280/
    Bolsonaro teme ficar inelegível se condenado por pesca ilegal: http://oglobo.globo.com/rio/bolsonaro-teme-ficar-inelegivel-se-condenado-por-pesca-ilegal-8416854
    ‘No meu tempo, não tinha MP e Ibama para encher o saco’, diz general: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/agencia-estado/2018/10/11/no-meu-tempo-nao-tinha-mp-e-ibama-para-encher-o-saco-diz-general.htm
    Conselheiro de Bolsonaro compara Acordo de Paris a papel higiênico: http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,conselheiro-de-bolsonaro-compara-acordo-de-paris-a-papel-higienico,70002553637
    7. FAKE NEWS
    Análise: “Nova direita” se alimenta de informações falsas: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/10/07/analise-campanha-de-bolsonaro-se-alimenta-de-fake-news.htm
    Exclusivo: investigação revela exército de perfis falsos usados para influenciar eleições no Brasil: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-42172146
    Bolsonaro mentiu ao falar de livro de educação sexual no ‘Jornal Nacional’: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/08/29/politica/1535564207_054097.html
    MEC desmente Bolsonaro após fala sobre ‘Kit Gay’ no Jornal Nacional: http://www.msn.com/pt-br/noticias/brasil/mec-desmente-bolsonaro-ap%C3%B3s-fala-sobre-kit-gay-no-jornal-nacional/ar-BBMAT7n
    Ministro do TSE determina exclusão de publicações com expressão ‘kit gay’ usadas por Bolsonaro: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/ministro-do-tse-determina-exclusao-de-publicacoes-com-expressao-kit-gay-usadas-por-bolsonaro.shtml
    Bolsonaro mente ao dizer que Haddad criou ‘kit gay’: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/12/politica/1539356381_052616.html
    Bolsonaro recusa pacto contra fake news e chama Haddad de ‘canalha’: http://www.valor.com.br/politica/5912135/bolsonaro-recusa-pacto-contra-fake-news-e-chama-haddad-de-canalha
    Dono de sites criticados por ‘fake news’ recebe dinheiro de deputado: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/05/26/dono-de-sites-criticados-por-fake-news-recebe-dinheiro-de-deputado.htm
    ‘Estamos indo para o Brasil’, diz diretor da Cambridge Analytica: http://oglobo.globo.com/mundo/estamos-indo-para-brasil-diz-diretor-da-cambridge-analytica-22510961
    Ministro manda Facebook derrubar 33 ‘fake news’ sobre Manuela do ar: http://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/ministro-manda-facebook-derrubar-33-fake-news-sobre-manuela-do-ar/
    Guru da ultra-direita mundial e ex-assessor de Trump atua na campanha das redes sociais de Bolsonaro: http://www.revistaforum.com.br/guru-da-ultra-direita-mundial-e-ex-assessor-de-trump-atua-na-campanha-das-redes-sociais-de-bolsonaro/
    WhatsApp, um fator de distorção que espalha mentiras e atordoa até o TSE: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/10/07/politica/1538877922_089599.html
    Bolsonaro admite não ir a debates com Haddad por ‘estratégia’: http://politica.estadao.com.br/noticias/eleicoes,bolsonaro-admite-nao-ir-a-debates-com-haddad-por-estrategia,70002544163
    É #FAKE cartaz atribuído a Haddad que diz que projeto de lei torna a pedofilia um ato legal: http://oglobo.globo.com/fato-ou-fake/e-fake-cartaz-atribuido-haddad-que-diz-que-projeto-de-lei-torna-pedofilia-um-ato-legal-23154593 É #FAKE post com Manuela D’Ávila dizendo que é mais popular que Jesus e que o cristianismo vai desaparecer: http://g1.globo.com/fato-ou-fake/noticia/2018/10/05/e-fake-post-com-manuela-davila-dizendo-que-e-mais-popular-que-jesus-e-que-o-cristianismo-vai-desaparecer.ghtml
    Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/empresarios-bancam-campanha-contra-o-pt-pelo-whatsapp.shtml
    Afirmação de que Haddad apoia lei para igrejas casarem homossexuais é falsa: http://noticias.uol.com.br/comprova/ultimas-noticias/2018/09/28/afirmacao-de-que-haddad-quer-forcar-igrejas-a-casar-homossexuais-e-falsa.htm
    8. MACHISMO, RACISMO E HOMOFOBIA
    8.1 MACHISMO
    Bolsonaro diz que não pagaria a mulheres o mesmo salário dos homens: http://www.youtube.com/watch?v=IEFzhEQtnSE
    Bolsonaro defendeu redução da licença maternidade: http://veja.abril.com.br/politica/bolsonaro-defendeu-reducao-da-licenca-maternidade/
    Projeto de Bolsonaro desobriga SUS de atender vítima de estupro: http://www.metropoles.com/brasil/politica-br/projeto-de-bolsonaro-desobriga-sus-de-atender-vitima-de-estupro
    “Não estupro porque você não merece, sua vagabunda”, diz Bolsonaro a Maria do Rosário http://www.youtube.com/watch?v=LD8-b4wvIjc
    Em vídeo de palestra, Bolsonaro diz que ter filha foi ‘fraquejada’: http://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-moreno/post/em-video-de-palestra-bolsonaro-diz-que-ter-filha-foi-fraquejada.html
    Bolsonaro vira réu por incitação ao estupro e injúria: http://esporte.band.uol.com.br/jogoaberto/videos/15903671/bolsonaro-vira-reu-por-incitacao-ao-estupro-e-injuria.html
    Filho de Bolsonaro propõe esterilização forçada de mulheres pobres que receberem o Bolsa Família: http://blogdacidadania.com.br/2018/01/filho-de-bolsonaro-propoe-esterilizacao-forcada-de-mulheres-pobres/
    8.2 RACISMO
    Hamilton Mourão cita “branqueamento da raça” ao dizer que neto é bonito: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/10/meu-neto-e-um-cara-bonito-branqueamento-da-raca-diz-general-mourao.shtml
    Justiça condena Bolsonaro por ‘humilhantes ofensas’ a negros e quilombolas: http://www.huffpostbrasil.com/2017/10/03/justica-condena-bolsonaro-por-humilhantes-ofensas-a-negros-e-quilombolas_a_23231143/
    Bolsonaro: “Quilombola não serve nem para procriar”: http://congressoemfoco.uol.com.br/especial/noticias/bolsonaro-quilombola-nao-serve-nem-para-procriar/
    Vice de Bolsonaro relaciona negros à malandragem e indígenas à indolência: http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2018-08-07/vice-bolsonaro-declaracao-racista.html
    ‘Política não é piada’, afirma juíza ao condenar Bolsonaro por frases racistas: http://oglobo.globo.com/brasil/politica-nao-piada-afirma-juiza-ao-condenar-bolsonaro-por-frases-racistas-21902171
    ‘Ele soa como nós’: ex-líder da Ku Klux Klan elogia Bolsonaro, mas critica proximidade com Israel: http://www.bbc.com/portuguese/brasil-45874344
    8.3 HOMOFOBIA
    Bolsonaro: “prefiro filho morto em acidente a um homossexual”: http://www.terra.com.br/noticias/brasil/bolsonaro-prefiro-filho-morto-em-acidente-a-um-homossexual,cf89cc00a90ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html
    Jair Bolsonaro ataca gays em entrevista para documentário inglês: ‘Nós, brasileiros, não gostamos dos homossexuais’: http://extra.globo.com/noticias/mundo/jair-bolsonaro-ataca-gays-em-entrevista-para-documentario-ingles-nos-brasileiros-nao-gostamos-dos-homossexuais-10487491.html
    “Vizinho gay desvaloriza o imóvel”: http://goo.gl/KAKDNd
    ‘Sou homofóbico, sim, com muito orgulho’, diz Bolsonaro em vídeo: http://catracalivre.com.br/cidadania/sou-homofobico-sim-com-muito-orgulho-diz-bolsonaro-em-video/
    Bolsonaro é condenado a pagar R$ 150 mil por declarações contra gays: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2017/11/1934062-bolsonaro-e-condenado-a-pagar-r-150-mil-por-declaracoes-contra-gays.shtml
    Bolsonaro debocha de lei contra homofobia e diz que não contrataria um gay para ser seu motorista: http://www.youtube.com/watch?v=TcOpf2d9mNM
    Bolsonaro diz que sangue de gays é inferior ao de héteros: http://www.youtube.com/watch?v=Z1oGuNkGV2g
    Faculdade tem mensagens homofóbicas, em apoio à tortura e elogios a Ustra e Bolsonaro: http://odia.ig.com.br/brasil/2018/09/5578312-faculdade-tem-mensagens-homofobicas-em-apoio-a-tortura-e-elogios-a-ustra-e-bolsonaro.html
    “Não vou combater nem discriminar, mas, se eu vir dois homens se beijando na rua, vou bater.”: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff1905200210.htm
    “Os gays não são semideuses. A maioria é fruto do consumo de drogas”: http://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/14/politica/1392402426_093148.html
    “Ter filho gay é falta de porrada”: http://www.youtube.com/watch?v=64G85tm_GyE
    Gays querem se transformar em super-raça, diz filho de Bolsonaro: http://noticias.r7.com/brasil/gays-querem-se-transformar-em-super-raca-diz-filho-de-bolsonaro-06112014
    “Agora gostar de homossexual ninguém gosta, a gente suporta.”: http://www.youtube.com/watch?v=YeOGz8oJiUc
    8.4 MINORIAS
    Bolsonaro ameaça terminar com ‘todos os ativismos’: http://theintercept.com/2018/10/09/bolsonaro-ameaca-ativismos/
    Bolsonaro e filho votaram contra lei que protege pessoas com deficiência: http://www.revistaforum.com.br/bolsonaro-e-filho-e-votaram-contra-lei-que-protege-pessoas-com-deficiencia/
    Bolsonaro diz que não entraria em avião pilotado por cotista: http://www.youtube.com/watch?v=pAhUCLAqsxM
    Bolsonaro diz que minoria deve se calar e se curvar diante a maioria: http://www.youtube.com/watch?v=WUBe-tkPqaY
    Com ideia de ‘holofraude’, apoiador de Bolsonaro faz nazismo virar piada: http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2018/10/com-ideia-de-holofraude-apoiador-de-bolsonaro-faz-nazismo-virar-piada.shtml
    9. “CIDADÃO DE BEM”
    Defensor da ditadura, Jair Bolsonaro reforça frase polêmica: “o erro foi torturar e não matar”: http://jovempanfm.uol.com.br/panico/defensor-da-ditadura-jair-bolsonaro-reforca-frase-polemica-o-erro-foi-torturar-e-nao-matar.html
    Bolsonaro declara apoio à ditadura de 1964 e elogia Hitler como um grande estrategista: http://www.youtube.com/watch?v=ZBo-Vh5YARU
    Bolsonaro foi condenado pela unanimidade do conselho com um libelo duro em que se registra “desvio grave de personalidade e uma deformação profissional”, “falta de coragem moral para sair do Exército” e “ter mentido ao longo de todo o processo”: http://istoe.com.br/o-julgamento-que-tirou-bolsonaro-do-anonimato/
    Livro reúne histórias de crianças presas, torturadas ou exiladas durante a ditadura no Brasil: http://oglobo.globo.com/cultura/livros/livro-reune-historias-de-criancas-presas-torturadas-ou-exiladas-durante-ditadura-no-brasil-14496104
    Bolsonaro diz ser a favor da pena de morte e que governo não precisa contratar ninguém para matar pois ele faz o trabalho de graça: http://www.youtube.com/watch?v=xW_3PW5QxJ8
    Bolsonaro diz que Estatuto da Criança e do Adolescente deve ser ‘rasgado e jogado na latrina’: http://oglobo.globo.com/brasil/bolsonaro-diz-que-eca-deve-ser-rasgado-jogado-na-latrina-23006248
    Bolsonaro diz que filhos atiram com armas de fogo desde os 5 anos e que os pais devem ensinar os filhos a usar armas desde pequenos: http://www.youtube.com/watch?v=lY7M-4dDb24
    Bolsonaro diz já ter feito sexo com galinha e que bateu em mulher aos 12 anos: http://www.youtube.com/watch?v=6EIn0EO7NBQ
    Bolsonaro ameaça quem divulgar fotos suas com coronel pedófilo, e imagem se torna viral: http://extra.globo.com/noticias/rio/bolsonaro-ameaca-quem-divulgar-fotos-suas-com-coronel-imagem-se-torna-viral-20115040.html
    Homenagem feita por Bolsonaro durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff para o coronel Brilhante Ustra, torturador e assassino da ditadura: http://globoplay.globo.com/v/4978620/
    Bolsonaro diz que não abriria arquivos da ditadura: “deve ficar no passado”: http://noticias.uol.com.br/politica/eleicoes/2018/noticias/2018/07/30/bolsonaro-diz-que-nao-abrira-arquivos-da-ditadura-deve-ficar-no-passado.htm
    Bolsonaro, um nostálgico da ditadura que sonha com a presidência: http://istoe.com.br/bolsonaro-um-nostalgico-da-ditadura-que-sonha-com-a-presidencia/
    Conheça o coronel Ustra, homenageado por Bolsonaro e chefe do temido DOI-Codi: http://www.gazetadopovo.com.br/ideias/conheca-o-coronel-ustra-homenageado-por-bolsonaro-e-chefe-do-temido-doi-codi-8sed82y14k1b2hnuu1yxk5pnb/
    Vice maçom e Bolsonaro compartilham antipetismo e admiração por Brilhante Ustra: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/09/vice-macom-e-bolsonaro-compartilham-antipetismo-e-admiracao-por-brilhante-ustra.shtml
    Nos anos 90, Bolsonaro defendeu novo golpe militar e guerra: http://www1.folha.uol.com.br/poder/2018/06/nos-anos-90-bolsonaro-defendeu-novo-golpe-militar-e-guerra.shtml
    Bolsonaro encoraja pais a ensinarem crianças a atirar: http://www.valor.com.br/politica/5766091/bolsonaro-encoraja-pais-ensinarem-criancas-atirar
    Um retrato do torturador comandante Brilhante Ustra, segundo as suas vítimas: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/04/20/politica/1461180363_636737.html
    Carlos Bolsonaro será denunciado por apologia à tortura na Câmara do Rio: http://brasil.elpais.com/brasil/2018/09/26/politica/1537997982_557864.html
    10. O QUE O MUNDO ESTÁ FALANDO SOBRE AS ELEIÇÕES DO BRASIL
    Abaixo, manchetes dos PRINCIPAIS JORNAIS DO MUNDO.
    ALEMANHA
    Zeit: Um Fascista Se Apresentando Como Homem Honesto http://bit.ly/2y7Gskf
    Der Spiegel : Jair Bolsonaro – ascensão de um populista de direita http://bit.ly/2OzW22k
    Frankfurter Allgemeine : Alerta vermelho para democracia http://bit.ly/2Qr2YMC
    Sueddeutsche: O demagogo do deserto é de repente uma nova estrela política no Brasil. http://bit.ly/2DOTU2E
    Deutsche Welle : Analistas alemães veem democracia no Brasil em risco http://bit.ly/2IuN7Km
    Handelsblatt: O fascista popular. Até agora, os políticos brasileiros são considerados corruptos e ineficientes, mas ideologicamente flexíveis e educados. Isso mudou com Jair Bolsonaro – o populista poderia até se tornar presidente. Uma história mundial. http://bit.ly/2Iy10aB
    ARGENTINA
    La Nacion: Linha dura e Messianismo: Bolsonaro, o candidato mais temido, se lança para a presidência. http://bit.ly/2ya60NR
    El Clarín: Jair Bolsonaro: militarista, xenófobo e favorito para a eleição brasileira http://clar.in/2y7zImH
    ÁFRICA DO SUL
    The Star: Mulheres brasileiras marcham contra ‘formas misóginas http://bit.ly/2NiZnOO
    ÁUSTRIA
    Die Presse: Ex-Presidente Detido e o Trump Tropical http://bit.ly/2NiHgIG
    AUSTRÁLIA
    News.Au Seria este é o político mais repulsivo do mundo? Pensando que Donald Trump é ruim? Conheça o possível presidente brasileiro cujas crenças repulsivas chocaram o mundo. http://bit.ly/2IwRrIO
    The Australian: Conheça o Candidato que é um risco a democracia http://bit.ly/2xVQdCN
    The Sydney Sunday Herald: Por que alguns no Brasil estão se virando para um explosivo candidato de extrema-direita para o presidente? http://bit.ly/2E09LvA
    CHILE
    El Mercurio: “Bolsonaro assusta com soluções simplistas e autoritárias” http://bit.ly/2OuWDSV
    La Tercera: “Bolsonaro conseguiu captar o sentimento de revolta no Brasil” http://bit.ly/2xU0sYj
    ESPANHA
    El País: Bolsonaro é um Pinochet institutional para o Brasil http://bit.ly/2DA
    El Mundo: Lider Polemico. Bolsonaro: o candidato racista, homofóbico e machista do brasil. http://bit.ly/2xYOzj4
    La Vanguardia Bolsonaro: o Candidato Ultradireitista que canalizou a insatisfacao no Brasil http://bit.ly/2Iy2UIh
    El Confidencial: Jair Bolsonaro: o “Le Pen tropical” que pode ser o próximo presidente do Brasil. http://bit.ly/2P9ETtH
    ESTADOS UNIDOS
    Revista Time: Jair Bolsonaro ama Trump, odeia pessoas gays e admira autocratas. Ele pode ser o próximo presidente do Brasil http://ti.me/2wjfg16
    Fox News: Um olhar sobre os comentários ofensivos do candidato brasileiro Bolsonaro http://fxn.ws/2O0QMFI
    HuffingtonPost: Jair Bolsonaro e o violento caos das eleições presidenciais no Brasil http://bit.ly/2zNnod4
    Washington Post : Um político parecido com Trump no Brasil poderia ter o apoio de um poderoso grupo religioso: os evangélicos http://wapo.st/2Rk6tFZ
    The New York Times : Brasil flerta com um retorno aos dias sombrios http://nyti.ms/2xsXSYv
    The New York Times : Brazil Front-Runner Accused of Illegal Campaign Practices http://www.nytimes.com/aponline/2018/10/18/world/americas/ap-lt-brazil-elections.html
    Americas Quarterly: Ditadura militar iminente no Brasil?: Ganhando ou perdendo, a ascensão de Jair Bolsonaro colocar em perigo a jovem democracia brasileira. http://bit.ly/2OWpYCW
    The New York Times : http://www.nytimes.com/2018/10/17/climate/brazil-election-amazon-environment.html
    FRANÇA
    Le Figaro: Brasil nas garras da tentação autoritária http://bit.ly/2vqsb0S
    Le Monde por Rádio França Internacional RFI Trump tropical, homofóbico e machista http://bit.ly/2zMhaKL
    Liberation No Brasil, um ex-soldado para liquidar a democracia http://bit.ly/2P9qIEZ
    HOLANDA
    Der Volkskrant : Centenas de milhares de mulheres no Brasil nas ruas contra a extrema direita: “Ele nunca!” http://bit.ly/2DQvPsj
    ÍNDIA
    India Express: Deixe a polícia matar criminosos, diz o candidato presidencial do Brasil, Jair Bolsonaro http://bit.ly/2NiJdFd
    ITÁLIA
    La Republica: Bolsonaro, líder xenófobo e anti-gay que dá o assalto à Presidência do Brasil http://bit.ly/2Qrb73H
    Corriende della Sierra : Um pesadelo chamado Bolsonaro http://bit.ly/2zNdkRF
    MÉXICO
    La Jornada: Bolsonaro: O candidato Imprevisível http://bit.ly/2OD93sh
    Milenio: Bolsonaro, o Neofascista que seduz o Brasil http://bit.ly/2zNQjhL
    El Universal: Militar de ultra-direita: um voto pelo passado? http://bit.ly/2P6jjWO
    MOÇAMBIQUE
    O País: Bolsonaro que lidera sondagens de intenção de voto no país com a preferência de 27% dos eleitores terá irritado muitos brasileiros com comentários percebidos como sexistas, racistas e homofóbicos. http://bit.ly/2DQlP29
    PERU
    La Republica: Brasil resiste: a promessa autoritária de Bolsonaro é desafiada pelas mulheres. http://bit.ly/2zFQ0Vy
    ÁFRICA DO SUL
    The Star: Mulheres brasileiras marcham contra ‘formas misóginas http://bit.ly/2NiZnOO
    PORTUGAL
    O Público: Um canalha à porta do planalto: http://www.publico.pt/2018/10/11/mundo/opiniao/um-canalha-a-porta-do-planalto-1847097
    Diário de Notícias: Jair Bolsonaro é perigo real no Brasil e segue passos de Adolf Hitler http://bit.ly/2yaPMUz
    O Público: Bolsonaro, o jagunço à porta do Planalto: http://bit.ly/2xXbM5Y
    POLÔNIA
    Gazeta Prawna: Trump brasileiro e outros. Escândalos de corrupção abrem caminho para o poder dos populistas http://bit.ly/2xWanga
    QATAR (MUNDO ÁRABE)
    Al Jazeera: Milhares de Mulheres protestam contra Bolsonaro http://bit.ly/2RhJjQF
    REINO UNIDO
    Financial Times: O “trágico destino” brasileiro de uma rebelião antidemocrática surge novamente: A raiva pública contra uma elite corrupta poderia precipitar outra revolta http://on.ft.com/2DRGxyO
    The Economist (CAPA) A mais nova Ameaça na América Latina http://econ.st/2OuXKlO
    The Times: Jair Bolsonaro, populista “perigoso” promete tornar o Brasil seguro http://bit.ly/2uxPG8p
    The Guardian: Trump dos trópicos: o candidato ‘perigoso’ que lidera a corrida presidencial do Brasil http://bit.ly/2qKHkYA
    The Telegraph: Dezenas de milhares dizem “ele não” ao principal candidato do Brasil http://bit.ly/2qKHkYA
    The Economist: Brasília, nós temos um problema O perigo representado por Jair Bolsonaro http://econ.st/2vxMFWu
    Jair Bolsonaro acusado de criar “rede criminosa” para espalhar fake news nas eleições do Brasil: http://www.telegraph.co.uk/news/2018/10/18/jair-bolsonaro-accused-creating-criminal-network-spread-fake/
    SUÍÇA
    Neuen Zürcher Zeitung: O Faxineiro Racista do Brasil http://bit.ly/2QoJTdW
     
     
     

  • JOSÉ ANTONIO SEVERO/Por baixo do pano

    José Antonio Severo
    Havia na Campanha um ditado infantil: atirou no galo, acertou na galinha.
    É o que parecem duas medidas altamente polemicas do governo do presidente Jair Bolsonaro.
    Apresenta-se uma coisa, mas o objetivo é outra coisa, ou seja, atender às demandas de parcelas expressivas de sua clientela. As eleições municipais, base de lançamento para a reeleição, estão aí à frente. Falta menos de um ano.
    As tais medidas eleitoreiras não podem ser explicitadas como tal, pois são inconstitucionais. As duas visam atender a fatias do púbico bolsonarista, evangélicos e juventude, mas atingem direitos de outrem.
    Para atender à mocidade, o governo emitiu a Medida Provisória 905/19, com o denominado Contrato de Trabalho Verde Amarelo, dando incentivos fiscais para empresas que oferecerem o primeiro emprego para jovens entre 18 e 29 anos. Esse grupo, que votou em massa no PSL.
    A justificativa para a exceção é inconstitucional, pois excluí da MP pessoas de 30 anos ou mais que estejam desempregadas.
    Embora a fração dos jovens dessa faixa etária que apresente maior percentual de desempregados, 27%, o dobro da taxa oficial geral de desemprego do IBGE, a legislação não permite a discriminação.
    Se não cair nas votações do Congresso, a carteira verde amarela pode ser inviabilizada na Justiça.
    Entretanto, não é a questão dos direitos individuais que move a Oposição para atacar o projeto, mas seu feito eleitoral, atendendo à reivindicação desse segmento majoritariamente governista. Coisas da política.
    O mesmo ocorre com a campanha contra as politicas racialistas de proteção aos afrodescendentes.
    A justificava foi que a esquerda se apoderou dos movimentos negros e que enfrentar o racialíssimo é uma ação de neutralização ideológica do PT, nos discursos “combate ao comunismo”, um bordão usado para enfraquecer a frente liberada pelo Partido dos Trabalhadores, onde se entrincheiram os arqui-adversários do presidente da República.
    Conflito religioso no radar. Um subproduto das mudanças anunciadas nas áreas de políticas identitárias na administração púbica, iniciada com a mudança de comando da Fundação Palmares, poderá acirrar as relações habitualmente tensas e, às vezes, violentas entre evangélicos e religiões de matriz africana.
    O novo presidente da Palmares, Sérgio Nascimento de Camargo, é adversário aberto dos movimentos identitários negros que são reconhecidos no Brasil.
    A reversão da mobilização dos chamados negros vai dar o que falar.
    Começa com a troca de orientação na Fundação Palmares, entidade mater da recuperação da identidade africana na formação do Brasil. Depois, outras partes desse movimento devem ser atacadas pela ala ideológica do novo governo, retirando reconhecimento e apoios oficiais, corte de verbas e algumas regalias.
    Esta é a perspectiva neste momento.
    Neste segmento da rivalidade religiosa entre evangélicos e seitas afro-culturalistas, as disputas não se restringem ao território brasileiro.
    As religiões brasileiras de orientação pentecostal com sede no Brasil vêm liderando uma forte expansão na África como um todo, onde enfrentam a hostilidade das seitas muçulmanas.
    As ditas religiões de inspiração animistas, como candomblé o vudu, nos países africanos estão desaparecidas, figurando apenas como identidade folclórica. Além mar dividem-se em islamitas e cristãos. Esta disputa pelas almas é aqui.
    Entretanto, embora o movimento negro tenha se apropriado das religiões de matriz africana, é sabido que a população dita branca participa em massa dessas seitas.
    No Brasil, todo o mundo (branco, pardo, preto e amarelo) é macumbeiro.
    A primeira reação já foi vigorosa em todos os meios, da mídia às instituições ligadas à cultura, História e todos os influenciadores da opinião pública. No entanto, isto parece apenas reforçar o ânimo dos conservadores, como demonstram outras ações nesse sentido, como nos embates com ambientalistas, indigenistas e na orientação da política cultural.
    Por outro lado, os conservadores dizem não temer reações efetivas, pois avaliam que os movimentos identitários não detêm a força política que se lhes atribui.
    Não obstante as estatísticas apresentarem números expressivos, até majoritários, os situacionistas dizem que os movimentos racialistas não têm a expressão política relevante nas bancadas de parlamentos, ao contrário das corporações, religiões e outros estamentos, suas representações especificas são praticamente nulas nas câmaras e assembleias. Muito barulho, que não será do couro dos tambores.

  • JORGE BARCELLOS/A morte como estratégia de governo

    Jorge Barcellos*
    Havia algo de verdade no gesto da arminha de Jair Bolsonaro. Os dois dedos simulando a arma, adotado por uma imensa maioria de adeptos do pensamento de direita, estava ali para simbolizar exatamente o cerne das políticas que seriam adotadas. A ideia de que matar é uma forma de governo, assumia simbolicamente no gesto, sua verdade.
    A virada fascista neoliberal no Brasil adota o símbolo da arminha, dos dedos em riste, porque guardamos em nossa forma de governar nossas origens escravagistas coloniais. O gesto é a expressão do mais arcaico da política brasileira, signo evidente da morte que se apresenta como efeito da exploração do capital em seu estágio financeiro como objetivo de Estado.
    A ideia de gestão da morte como objetivo de Estado chega a nós pela tradição dos estudos de Michel Foucault e Achille Mbembe. Nesta narrativa, a vida é último objeto de poder, nelas os corpos são vigiados, normatizados e disciplinados, tudo deve entrar na linha de produção. Hospitais, escolas, prisões foram apenas o ensaio geral das formas de poder do capital. No advento da fase neoliberal do capitalismo, a propagação da disciplina e do controle dá-se agora para toda sociedade, a prisão se tornou o modelo para a sociedade e o governo neoliberal, seu gerente. É por isso que nossas liberdades de escolha são cada vez mais reduzidas: como trabalhar, onde trabalhar, que direitos posso possuir? Vivemos no mundo da liberdade de empreender, desde que o fracasso seja individualizado, e os lucros socializados com a elite financeira.
    Essa ideia é o cerne do capítulo “Matar como arte de governo”, integrante da obra Ruptura (n-1 Edições, 2019), escrita pelo Coletivo Centelha. O coletivo é anárquico-revolucionário, não se identifica seus membros como estratégia de luta e seus argumentos atingem o centro das políticas ultra neoliberais. É esse “governo das liberdades de escolha” que faz com que a única opção do desempregado seja, como afirmou Lula em seu discurso, a de ser motorista de aplicativo ou de bicicleta; que faz com que cada vez mais nos aproximemos das regiões coloniais da África do Sul pelo aumento da pobreza extrema. Pois existem muitas formas de propagar a execução sumária, a tortura e o desaparecimento de cidadãos: pode-se executar fisicamente os que de alguma forma incomodam, como foi o caso de Marielle; pode-se impor a tortura sem tocar o corpo, como no caso do parcelamento salarial; pode-se impor o desaparecimento de cidadãos, simplesmente pela adoção de políticas higienistas pelos governantes.
    Para os autores de Ruptura, nas regiões do planeta marcados pela catástrofe, governar é gerir mortos, tratar setores da população – via de regra os mais pobres – como mortos potenciais “governar é produzir zumbis”. Não é a melhor figura para identificar os que defendem o governo de Jair Bolsonaro: não basta a reforma trabalhista e previdenciária, seus defensores continuam, mesmo vítimas de sua política, a adorá-lo. Não é exatamente os zumbis de que fala o coletivo Centelha? A diferença é que aqui não se trata de decidir sobre cadáveres anônimos que se produzem enquanto o Estado garante a concentração de renda para as elites; aqui, os cadáveres estão ainda em vida: você vê isso no olhar do professor que luta por sua sobrevivência mês a mês; você vê isso no pesquisador que vê sua pesquisa ameaçada. Por todo o lado, chega-se ao limite da morte do desejo, da vida, da política, dos direitos. Afirma o coletivo Centelha que nada disso seria possível sem uma vasta rede de práticas de produção otimizada da morte e esquecimento. Nas regiões de extrema pobreza, assassinatos são mantidos em silêncio; no Brasil, uma população miserável vai as sinaleiras pedir uma moeda. Eles também estão morrendo. Otimizamos e esquecemos dia a dia todas as imagens da superexploração.
    O que há é uma estreita ligação entre as vitimas da violência das políticas governamentais no Brasil com as vítimas da violência de estado de regiões periféricas do capitalismo. O que isso quer dizer? Que o Brasil caminha, a passos largos, para voltar a ser uma região periférica – já o havíamos sido no período colonial, lembram-se? É como se o latifúndio escravagista jamais tivesse nos abandonado – abandonou-nos como forma econômica, mas como espiritualidade de nossas elites, nunca saiu de onde estava. Nossas elites financeiras atuais possuem em seu DNA o mesmo gene de nossas elites escravagistas, qual seja, o gene da extração da mais valia, seja bens de exploração ou juros do cartão de crédito. O coração do capitalismo atual brasileiro é predador.
    O extrativismo das sociedades coloniais europeias foi o primeiro capitalismo predador que conhecemos. Moveu populações, apoiou-se na violência, transformou o Brasil no país que mais recebeu negros escravizados do mundo e o último a abolir a escravidão. Neste ponto o coletivo Centelha, mesmo tão radical, não é capaz de avançar, reconhecer que a escravidão assume diversas formas, de que se trata sempre de impor a relação sujeito – objeto. Primeiro o escravo, objeto inteiro; depois o trabalhador, cuja mão de obra é vendida a preço de banana. Abolir a escravidão como forma de governo não significa que nossas elites abandonassem sua ideia por inteiro: voltamos a receber trabalhadores negros imigrantes que vivem em nosso pais pelas ruas em situação análoga à escravidão; estabelecemos formas de trabalho via uberização de serviços que retomam a ideia de que o trabalhador tem sua mão de obra disponível a preço de banana.
    Essa relação de objeto, seja do senhor de escravos ou do capitalista financeiro com o Outro, é que faz com que hoje estejamos vendo práticas predatórias na política: o governo Jair Bolsonaro, Eduardo Leite e Nelson Marchezan Jr não fazem outra coisa se não a de reafirmar brutalmente que sua existência está aí para a defesa das minorias do que das maiorias. Não é exatamente assim, como escravos, que são tratados servidores públicos, policiais, professores e agentes culturais por nossos governantes? Não se reafirma que há, por um lado, os defensores da pátria que a direita encarna frente aos marginais representados pela esquerda? Por que são escravagistas nossos governantes? Porque tudo o que fazem em suas políticas públicas implica em desumanização, extermínio, apagamento e esquecimento “Aqui, a ordem é sinônimo de guerra civil, e a função do Estado é torna-la permanente”, dizem os autores de Ruptura.
    Não acredita nesta hipótese? O coletivo Centelha acrescenta dados. Em 2017, dos 65.601 homicídios no Brasil, 75,5 das vítimas são negras. Em 2018, a polícia cometeu 6.160 assassinatos. Na visão do coletivo os dados mostram que há uma politica estrutural de morte “políticas e grupos paramilitares assumem o lugar dos capitães do mato contra setores da população, objeto de fobia social por amplas parcelas das classes média e alta”. Para o Coletivo, é a velha conciliação de classes que desde a escravidão unifica os de cima contra os de baixo, a prática da desumanização, esquecimento “sempre que os despossuídos começam a se organizar, liberais e conservadores, que antes se xingavam ferozmente nos plenários, se unem para destruir as centelhas de poder popular”.
    A obra é chamada Ruptura porque seus autores têm como proposta a luta contra a ideia de conciliação de classes, contra a ideia de pacto de classes, algo defendido inclusive por setores de esquerda. Para os autores, contra as políticas de compromisso, nossa história é marcada por guerras, guerrilhas e revoltas populares. Desde a Conjuração Baiana, passando pela Cabanagem e Revolta da Chibata, até as greves do ABC, sempre foram as formas de resistência dominação com certo uso da força que enfrentaram a política de morte dos governos. O grupo defende o retorno ao espírito dos ideais das greves de 1917 e 1952, da Coluna Prestes e resistências sob outras formas, contrapartida dos movimentos sociais na história do conformismo a que nos acostumamos e que é necessário para sair da anestesia que toma conta do pais. Caberá a esquerda fazer o diagnóstico de que ponto estamos: se a possibilidade de uma frente de esquerda for real, e os partidos de esquerda se associarem nas próximas eleições, a possibilidade de reversão do quadro político e um retorno ao estado de bem-estar tem mínimas chances, mas tem. Mas se não houver frente alguma de esquerda, estamos todos largados a sorte de resistências individuais, partidárias das quais  não conhecemos as consequências. Mas sabemos que, se no centro do estado atual está a ideia de gestão de morte, as consequências só podem ser nefastas.
    (*) Historiador, Mestre e Doutor em Educação. Autor de O Tribunal de Contas e a Educação Municipal (Editora Fi, 2017) e “A impossibilidade do real: introdução ao pensamento de Jean Baudrillard “(Editora Homo Plásticus,2018), é colaborador de Sul21, Le Monde Diplomatique Brasil, Jornal do Brasil, Carta Maior, Jornal Já, Folha de São Paulo e do Jornal O Estado de Direito. Mantém a página jorgebarcellos.pro.br.  
     

  • JOSÉ ANTONIO SEVERO/O partido de Bolsonaro

    José Antônio Severo
    O primeiro vagido no partido Aliança pelo Brasil soou um tanto decepcionante nos meios empresariais, os chamados mercados. Havia a expectativa de que algumas das propostas enunciadas pelo ministro Paulo Guedes para reformas do estado e da economia entrassem no ideário da nova agremiação. Entretanto, os discursos, tanto do presidente Jair Bolsonaro, como dos demais seguidores que falaram, não tocaram nem de longe nessas questões que interessam aos produtores da indústria e do comércio. Setor financeiro e agronegócio ficam em expectativa.
    Pelo contrário, a Ordem Soberanista, denominação ideológica apresentada pela porta-voz oficial do Aliança, advogada paulista Karina Kufa, ataca de frente um dos sonhos das classes produtoras, que é a globalização da economia de livre-mercado e a integração do Brasil nas cadeias produtivas mundiais.
    O programa anunciado na primeira convenção do Aliança, quinta-feira, 21, foca em quatro pontos. Um deles destaca que a Ordem Soberanista é “oposição às falsas promessas do globalismo”. As demais teses do programa partidário são: respeito a Deus; respeito à memória e à cultura do povo brasileiro; defesa da vida; e garantia da ordem e da segurança.
    “Deus, armas e oposição ao comunismo” constituem o lema básico apresentado na reunião de fundação no auditório do hotel de luxo Tulip Tower, em Brasília. Com essa bandeira, o Aliança se propõe a antagonizar a esquerda ortodoxa, liderada pelo PT com seus aliados PCdoB, Psol e demais pequenos PCs; as chamadas centro-esquerda (PSB, PDT, etc.) e o centro liberal não encontraram ainda como se colocar nesses novos cenários, dizem os analistas políticos.
    Outro fato interessante é que o presidente disse que seu partido poderá ficar ausente das eleições municipais do ano que vem, se não conseguir cumprir todas as demandas do registro, sem, contudo, deixar de existir. Ou seja: um partido que não tem como finalidade disputar eleições. Claro, isto é um plano B. Seus adeptos na área parlamentar, deputados federais estaduais e vereadores, hoje filiados a vários partidos, não podem abandonar as agremiações que os elegeram, sob pena de perderem seus mandatos.
    Enquanto isto, os parlamentares proporcionais bolsonaristas do PSL terão de ficar calados, mesmo durante as campanhas eleitorais do ano que vem. Os que fizerem proselitismo ou campanha para os candidatos do presidente, adversários dos nomes oficialmente apoiados pelo PSL ortodoxo, estarão sujeitos à expulsão pelas comissões de ética, como traidores da legenda. Isto é o que se chamaria de salto alto.
    A família Bolsonaro inicia, depois dessa cerimônia, a corrida de obstáculos para registrar seu partido, a tempo de participar como legenda independente das eleições municipais de 2020. Com a data de 21 de novembro para contar o início da prova, o presidente e seus filhos terão pouco mais de cinco meses para percorrer em alta velocidade as sucessivas barreiras da pista.
    Neste particular, entretanto, não se deve confundir a Aliança com outros 76 pedidos de registro de partidos que tramitam na Justiça Eleitoral, com o fim de se convertem em legendas de aluguel. O partido da família do presidente surgiu justamente para se desvencilhar do PSL, a antiga legenda de aluguel que acolheu suas candidaturas. A rebelião dos Bolsonaros seria uma forma de brecar o avanço dos antigos caciques sobre os fundos eleitorais públicos. Foi o que disse Jair Bolsonaro, ao se desfiliar.
    Por outro lado, a nova legenda não é um aglomerado qualquer, como tantos outros, pois nasce robusto e musculoso, como o partido do presidente da República em início de mandato. É muito poder.
    O Aliança é um fato político e histórico relevante. Vai se juntar a outras poucas experiências brasileiras de partidos de que formam em torno de personalidades.  As experiências registradas seriam de Getúlio Vargas, patriarca do PTB que o levou ao poder, Fernando Collor, fundador do efêmero PRN, que o elegeu presidente da República, e noutro campo, o PRP de Plínio Salgado, herdeiro do antigo Partido Integralista dos anos 1930. Bolsonaro inscreve-se nesta pequena lista. Nenhum deles chegou ao final de seu mandato, tampouco Salgado logrou a presidência, embora fosse candidato duas vezes, mas derrotado nas urnas.
    No País, desde o Império, os partidos se formaram em torno de classes, movimentos ou projetos de poder coletivos. Esta seria a quarta experiencia personalista num nicho que conta com a crônica de centenas de partidos, desde os Regressistas da Regência, que depois de transformaram no Partido Conservador, que se revezava com o Partido Liberal nos comandos gos governos parlamentaristas da monarquia. Bolsonaro vai percorrer esse arriscado caminho de Vargas, Collor e Plínio.
     
     
     

  • KIKO NOGUEIRA/Sobel e Gugu

    Kiko Nogueira, do DcM
    A maneira como o brasileiro reagiu à morte de Gugu Liberato e de Henry Sobel, no mesmo dia, dá uma dimensão da nossa encrenca psicotrópica-moral.
    Sobel foi um gigante que ajudou a enterrar a ditadura quando se recusou, em outubro de 1975, a sepultar Herzog como suicida no Cemitério Israelita do Butantã, em São Paulo.
    O jovem rabino viu as marcas de tortura e não comprou a versão oficial do Exército.
    Na semana seguinte, comandou uma missa ecumênica histórica com dom Paulo Evaristo Arns, à época arcebispo de São Paulo, e o pastor Jaime Wright na Catedral da Sé.
    Tinha 31 anos. (Meu pai, o jornalista Emir Nogueira, fez parte da organização).
    Sobel não encarou apenas o regime militar.
    Sofreu resistência da comunidade judaica, que nunca deixou de ser conservadora. Mesmo assim, foi adiante.
    A internet não perdoou Sobel quando ele faleceu.
    O episódio em que ele furtou gravatas foi mais lembrado que sua batalha pela democracia.
    Aconteceu numa loja em Miami em 2008. Ele passou uma noite na cadeia. De volta ao Brasil, se internou e revelou o uso de remédios. Foi humilhado, julgado e escorraçado.
    Acabou afastado da CIP, Congregação Israelita Paulista.
    Em 2013, admitiu “uma falha moral”. “Peço perdão a todos”, falou. Repetiu essa penitência ao longo da vida.
    Nunca foi perdoado. Nem no caixão.
    Gugu Liberato foi vítima de um acidente fatal ao cair de uma altura de 4 metros quando fazia reparo no ar-condicionado no sótão de sua mansão de 629 metros quadrados em Orlando.
    (Seis quartos, sete banheiros e uma área externa descrita no site realtor como um “oásis particular com uma encantadora piscina de água salgada, equipado com spa, cozinha e uma lareira a gás”).
    Por razões óbvias, seu passamento teve muito mais repercussão que o do outro.
    Mas sua “obra” está sendo festejada.
    Segundo a Folha, ele é “dono de uma das trajetórias mais brilhantes da TV brasileira”.
    O El País o descreve como alguém que “mudou a TV”.
    Um vice-presidente da CNN Brasil citado pelo jornal o classifica como “bom entrevistador porque ouvia atentamente o que o entrevistado dizia e não se desconcentrava pensando na próxima pergunta”.
    “Tinha uma curiosidade genuína, mas não agressiva. Era educado, polido, sutil.”
    Ora.
    Cria de Silvio Santos, eterna cara de menino, Gugu ficou notório com uma atração chamada Domingo Legal, um vale tudo ordinário no SBT.
    Na guerra pela audiência, criou um pornô soft numa banheira, entrevistava assassinos famosos, cobriu a “exumação” do cadáver de Dercy Gonçalves.
    O ponto mais baixo foi a farsa do PCC em 2003, quando dois “membros” da quadrilha falaram ao programa.
    Os picaretas encapuzados receberam 500 reais cada um para mentir diante do apresentador, que fingia surpresa.
    Um antecessor das fake news de massa.
    Gugu nunca admitiu ter conhecimento da fraude. Cascata completa que ele jamais reconheceu.
    Sua morte aos 60 é uma tragédia, claro. A questão não é pessoal.
    Mas seu legado foi contribuir com mais lixo para o monturo da televisão aberta brasileira. Gugu não foi visto, em décadas, indicando um mísero livro.
    Henry Sobel será velado nos EUA numa cerimônia discreta.
    Gugu Liberato, na Assembleia Legislativa de São Paulo. Doria decretou três dias de luto em sua memória.
    Bolsonaro prestou solidariedade à família de somente um deles. Você sabe qual.
    Sobel não teve perdão. Gugu nunca precisou pedir.

  • Verde-amarelismo jurídico: movimento por um trabalho sem direitos

    Almiro Eduardo de Almeida*
    Oscar Krost**
    Em 1926 surgia no Brasil, como uma das decorrências da Semana de Arte Moderna de 1922, o movimento literário Verde Amarelo. Também conhecido como “Escola da Anta”, o movimento sustentava em seu Manifesto oficial, como regra fundamental, “a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser e puder”. O grupo defendia “todas as instituições conservadoras” acreditando que somente por meio delas é que conseguiriam alcançar a “inevitável renovação do Brasil” O movimento propunha um “retorno ao passado” e via “no popular, com sua índole pacífica, a alma da nacionalidade, a ser guiada pelas elites do país”.
    Quase cem anos mais tarde, como um dos desdobramentos da “modernização” das leis trabalhistas realizada pela Reforma Trabalhista, em vigor há dois anos, o Presidente da República lança um novo programa para “beneficiar” jovens trabalhadores. Sob a denominação de contrato de trabalho verde e amarelo, o programa é instituído pela Medida Provisória Nº 905, de 11 de novembro de 2019 e visa à criação de novos postos de trabalho para que jovens entre dezoito e vinte e nove anos de idade tenham acesso ao primeiro emprego.
    De acordo com o texto da Medida Provisória, o programa deveria se destinar exclusivamente a novos postos de trabalho, conforme preceitua o Artigo 2º. Curiosamente, entretanto, o parágrafo primeiro do Artigo 5º autoriza a nova forma de contratação “para qualquer tipo de atividade, transitória ou permanente, e para substituição transitória de pessoal permanente” (destacamos).
    Sob o fundamento de não se destinar a trabalhadores qualificados, o programa coloca um limitador salarial de um salário mínimo e meio para o salário básico mensal dos empregados contratados na nova modalidade. Garante, entretanto, a manutenção da modalidade contratual mesmo quando o salário ultrapassar esse valor em decorrência de aumento após doze meses de trabalho.
    O Artigo 4º da Medida Provisória “garante” os direitos previstos na Constituição Federal – como se uma Medida Provisória pudesse dispor de modo diverso. Não são garantidos, entretanto, os direitos previstos na CLT e nas normas coletivas da categoria a que pertencer o trabalhador. Como ficam os Princípios do Não-Retrocesso Social, da Não-Discriminação e da Proteção, razões de ser do Direito do Trabalho? A projeção da aplicação da regra mais favorável, por exemplo, ganha uma ressalva, mais ou menos assim, “salvo se disposto em contrário, especialmente em MP”. E aí começa uma série de retirada de direitos trabalhistas, quer pela supressão direta, quer pela erosão, afetando, inclusive, o custeio do Estado Social.
    O discurso de geração de empregos – apesar de não ser inédito, pois serviu de lastro para o movimento da reforma deflagrado pela Lei n. 13.467/17, sabidamente inexitoso – mostra-se falacioso. Não só porque a nova modalidade contratual retira direitos dos trabalhadores, diminuindo o poder de compra daqueles que mais consomem, mas também por se tratar de uma nova modalidade de contrato por prazo determinado, por até vinte e quatro meses, “a critério do empregador” (sic.). Assim, ainda que a nova modalidade contratual, fosse capaz de gerar mais empregos, esses teriam a efêmera duração de, no máximo, dois anos. Regras de exceção e temporárias em matéria trabalhista, aliás, também não se mostram novidade, servindo, apenas, como uma cortina de fumaça, passageira e frágil, com finalidade populista e eleitoreira, como em situações recentes envolvendo a realização da Copa do Mundo de Futebol. Além disso, como já referido, a norma autoriza a contratação de trabalhadores sob a nova modalidade para a substituição transitória de pessoal permanente, o que em nada faz aumentar o número de postos de trabalho.
    A nova modalidade de contratação deixa o jovem trabalhador totalmente à mercê do empregador. Isso porque, além de o prazo contratual ser o que melhor sirva aos interesses desse último, fica afastada a conversão contratual para prazo indeterminado quando o contrato for prorrogado mais de uma vez, em evidente ofensa ao princípio da continuidade da relação de emprego. Acentua a hipossuficiência do polo fraco da relação, tirando o foco da luta de classes. Deixa, em seu lugar, aparentemente, um conflito de gerações, entre trabalhadores novos e nem tanto, corroendo ideais de classe e de pertencimento.
    Uma leitura do artigo 6º da Medida Provisória permite compreender porque o “legislador” fez questão de referir no Artigo 4º que os direitos previstos na Constituição restam mantidos. Trata-se, na verdade, de mais um ardil para, de forma indireta, suprimir os direitos dos trabalhadores. E, dessa vez, inclusive, os direitos constitucionalmente assegurados.
    O artigo 6º da Medida Provisória prevê o fracionamento do pagamento do 13º salário e das férias em períodos mensais ou inferiores, conforme ajustado entre empregado e empregador. Dessa forma, o trabalhador que receber o salário mensal de R$ 1.497,00 (teto salarial da nova modalidade contratual) receberá todo mês um acréscimo salarial de R$ 124,75 a título de 13º salário e outro de R$ 165,92 a título de férias com o acréscimo de 1/3. Ou seja, o seu salário mensal será de, no máximo, R$ 1.787,67, valor inferior a dois salários mínimos e, no final do ano, o trabalhador não terá direito à renda extra representada pelo 13º salário, tampouco receberá a remuneração com o acréscimo de 1/3 quando (e se) puder gozar suas férias. Para trabalhadores que percebem menos de R$ 1.500,00 por mês, o acréscimo de R$ 290,67 será certamente diluído nas despesas diárias com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, necessidades vitais básicas do trabalhador e de sua família, que o salário mínimo deveria ser capaz de atender, conforme dispõe expressamente o texto constitucional.
    Para que efetivamente fosse garantido o salário mínimo assegurado na Constituição – e nem falamos aqui dos demais direitos, como faz referência o artigo 4º da Medida Provisória – o seu valor deveria ser de R$ 4.214,62, conforme aponta o DIEESE. Ou seja, mesmo com a perda do direito à décima terceira remuneração no final do ano e a perda da remuneração das férias com o acréscimo constitucional de 1/3 quando o trabalhador efetivamente as gozar, o salário máximo do novo programa governamental de “criação de empregos” não garante nem mesmo a metade do mínimo que um trabalhador deveria receber no Brasil para suprir as suas necessidades vitais básicas e às de sua família.
    Assim como o 13º salário e as férias com 1/3, o FGTS também deverá ser diluído no salário mensal do trabalhador, sofrendo, ainda, uma redução de 75% de seu valor. O trabalhador que, até então tinha direito a depósitos mensais R$ 119,76 a título de FGTS, de modo a corresponder ao valor aproximado de uma remuneração por ano de trabalho, a partir de agora receberá apenas R$ 29,94 por mês, valor que tendencialmente desaparecerá no conjunto das parcelas salariais. E ainda se tem a desfaçatez de falar na garantia dos direitos constitucionalmente previstos.
    O programa simplesmente acaba com a proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa prevista no Artigo 10, inciso I, do ADCT. Isso porque, o seu pagamento também passa a se dar mês a mês, diluído nas demais parcelas que compõem o salário, “independentemente do motivo de demissão do empregado, mesmo que por justa causa” (sic.). Além disso, o valor passa a ser reduzido pela metade. Dito de forma clara, com o contrato de trabalho verde e amarelo, a proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa assegurada na Constituição Federal de 1988 não mais se destina a proteger qualquer forma de despedida e se reduz a R$ 5,98 (cinco reais e noventa e oito centavos), no máximo!
    Passados mais de trinta anos da promulgação da Constituição Federal, a promessa da proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa, estabelecida no inciso I do seu Artigo 7º, não apenas não foi efetivada, pela ausência da edição da Lei Complementar a que o texto faz referência, mas acaba sendo esvaziada de qualquer efetividade pela Medida Provisória em análise.
    Nesse ponto, salta aos olhos a inconstitucionalidade da medida. Ainda que se entenda que a proteção estabelecida no inciso I do artigo 7º, da Constituição Federal configure de norma de eficácia limitada, não se pode olvidar que, conforme a lição de José Afonso da Silva, mesmo essas normas têm certo grau de eficácia. Com efeito, além de revogar a legislação infraconstitucional em contrário, estabelecem um dever ao legislador e aos entes públicos de legislarem no sentido de regulamentá-las e, especialmente, impedem a edição de leis infraconstitucionais em sentido contrário. Sendo assim, a Medida Provisória apresenta-se duplamente inconstitucional, no particular: não apenas esvazia uma garantia constitucional, legislando no sentido contrário ao determinado pela norma fundamental, mas ainda faz por Medida Provisória o que nem mesmo uma Lei Ordinária poderia fazer, haja vista a necessidade de Lei Complementar para regular a matéria.
    Sabe-se que lei não cria emprego, salvo postos de trabalho junto ao Poder Público. O que gera emprego é produção e o que gera produção é consumo. Este, por sua vez, decorre da “renda”, cuja maior parte provem dos salários. Assim, retirando direitos e reduzindo salários, justamente da parcela da população que mais consome, como já referido, se está retirando dinheiro do mercado, agravando ainda mais a crise econômica que assola o país.
    Em seus discursos de campanha eleitoral, o atual Presidente da República bradava que os brasileiros deveriam escolher entre direitos sem emprego ou emprego sem direitos, deixando clara a linha diretriz de sua política econômica. Uma vez eleito, passou imediatamente a cumprir as suas “promessas” de campanha. Como primeiro ato, editou, em 1º de Janeiro de 2019, a Medida Provisória nº 870, convertida na Lei nº 13.844/2019, não apenas extinguindo o Ministério do Trabalho, mas também o esquartejando e o distribuindo entre o Ministério da Economia, para onde foi a maior parte de suas atribuições, e o Ministério da Justiça e Segurança Pública, fazendo com que, o movimento sindical voltasse a ser tratado como uma questão de polícia.
    E assim, como se entrássemos em uma engenhosa máquina do tempo, somos novamente lançados ao ano de 1926, quando o último presidente da República Velha, Washington Luís, assumia o comando do país defendendo que a questão social era uma questão de polícia!
    O retorno ao passado nos remete ao início do presente texto. A anta fez escola. Os ideais do verde-amarelismo de 1926 parecem encontrar terreno fértil no verde-amarelismo de 2019. Assim como movimento literário de outrora, o programa do atual governo parece acreditar que apenas pelo conservadorismo se conseguirá a renovação. Assim como lá, propõe-se aqui um retorno ao passado. Um passado em que os trabalhadores praticamente não tinham direitos e que a maior parte da população, “com sua índole pacífica” era considerada os braços operários do país, “a serem guiados pelas elites”.
    E é assim, retirando-lhes os direitos mais básicos, que o governo pretende “beneficiar” os jovens, abrindo-lhes as portas para o mercado de trabalho. Como já havia feito o Manifesto do verde-amarelismo há quase cem anos, o governo convida a nova geração a produzir sem discutir. Bem ou mal (com o sem direitos), mas produzir. E, como uma reinvenção malfeita do passado, a regra fundamental da “nova economia” brasileira volta a ser “a liberdade plena de cada um ser brasileiro como quiser… mas acima de tudo, como puder”.
    Santa Cruz do Sul/RS e Blumenau/SC, 12 de novembro de 2019
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    *Almiro Eduardo de Almeida é juiz do Trabalho vinculado ao Tribunal Regional do Trabalho da 4a Região, professor de Graduação no Centro Universitário Metodista – IPA, especialista em Direito do Trabalho pela Universidad de la República Oriental del Uruguay, mestre em Direitos Sociais e Políticas Públicas pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC, doutor em Direito do Trabalho pela Universidade de São Paulo – USP.
    **Oscar Kros é juiz do Trabalho vinculado ao Tribunal Regional do Trabalho da 12a Região, professor em nível de Pós-Graduação em Direito e Processo do Trabalho (Amatra/Furb, Cesusc, Unifebe, Femargs, Univille e Unidavi), mestre em Desenvolvimento Regional (PPGDR/Furb), membro do Instituto de Pesquisas e Estudos Avançados da Magistratura e do Ministério Público do Trabalho (Ipeatra), coordenador e conciliador do Cejusc/Blumenau e coordenador de curso de especialização em Direito e Processo do Trabalho (Amatra/Furb).