Oficina de Literatura, Psicanálise e Cinema com Ariane Severo

 A psicanalista e escritora Ariane Severo  abre nova turma para a Oficina de Literatura, Psicanálise e Cinema. As aulas iniciam no dia 09 de março, das 18 às 21 horas e durante três meses, às terças-feiras, num total de doze encontros, os alunos analisam e debatem o filme Meia-noite em Paris, de Woody Allen (seleção oficial do Festival de Cannes e Oscar de roteiro original, assistido por mais de um milhão de espectadores no Brasil).
Ariane explica a metodologia: “A oficina é um facilitador, um potencializador do processo criativo, um espaço ocupado pela experiência cultural. Exercitamos a escrita, aprendemos as técnicas essenciais da arte de escrever e desenvolvemos o nosso texto até que possamos alcançar domínio e segurança”. Os alunos recebem uma aula semanal, com o tema de aula e o de casa. Os contos produzidos são lidos no sarau online que ocorre uma vez por semana. São estudados os componentes da narrativa e os elementos que compõe o filme como: direção, direção de arte, roteiro, montagem, fotografia, trilha sonora, figurino, iluminação e tipos de planos.

Na abertura do filme passeamos pela cidade ao som do clarinetista Signey Brechet, seu ídolo musical. Paris surge numa sequência de cartões postais, do nascer ao pôr do sol. A cidade luz como personagem central, com no mínimo trinta e cinco locações para os alunos ambientarem seus contos.

O protagonista realiza uma nostálgica viagem no tempo para uma Paris onírica e mais romantizada de Ernest Hemingway, Zelda e Scott Fitzgerald, Gertrude Stein, Pablo Picasso, Salvador Dali, Luis Buñuel, T. S. Eliot, Djuna Barnes, Josephine Baker, Côco Chanel. Paris boêmia, dos anos 1920, auge da criatividade, e Paris de 1890 com outros coadjuvantes famosos como Edgar Degas, Gauguin, Tolouse-Lautrec. Também Rodin, Camille Claudel, Monet…

“O deslocamento espaço-temporal dos Estados Unidos à Europa, dos anos 2010 aos anos 1920, 1890, articula pelo menos três temas importantes: a perda da inocência e a recusa da realidade presente e a arte como antídoto contra o vazio da existência e o medo da morte.” Papel do cinema, da literatura e da arte em geral, salienta.

As vagas são limitadas. Maiores Informações podem ser obtidas pelo e-mail ahelena.rilho@yahoo.com.br ou (51) 99703-8175 (whatsapp) c/ Ana Helena Rilho.
Ariane Severo é psicanalista e escritora. Publicou os livros Os Dois Lados do Espelho: Relato de uma Experiência em Psicanálise Vincular (2015), O Suave Mistério Amoroso: Psicanálise das Configurações Vinculares (2014), Encontros & Desencontros: A Complexidade da Vida a Dois (2010) e colaborou na obra Transmissão Transgeracional e a Clínica Vincular (2006), sem contar a publicação de diversos artigos em revistas especializadas. Lançou também o romance Nina – Desvendando Chernobyl, finalista, em 2018, do Prêmio Jabuti. Foi patrona da 28ª Feira do Livro de Caçapava do Sul.
Oficina de Literatura, Psicanálise e Cinema com Ariane Severo
A partir de 09 de março, às terças-feiras, das 18 às 21 horas
Informações e inscrições: ahelena.rilho@yahoo.com.br  e (51) 99703-8175 (celular/whatsapp) com Ana Helena Rilho.

Rede Saraiva põe à venda suas três livrarias no Estado

 

 

A rede de livrarias Saraiva está colocando à venda as três unidades que possui no Rio Grande do Sul – Shopping Praia de Belas e Shopping Iguatemi (Porto Alegre) e Shopping Caxias do Sul.  A decisão faz parte do plano de recuperação financeira da rede.  A Saraiva, junto com a rede Cultura, de São Paulo, durante muito tempo dominou o mercado de venda de livros no País, em shopping center e outros espaços comerciais de luxo.

A loja do grupo no Shopping Iguatemi de Porto Alegre está na lista. Foto: Facebook/Divulgação

Segundo a newsletters Publish News a decisão “é um dos pontos mais importantes do novo plano de recuperação judicial recém aprovado pelos credores da rede. A varejista quer vender parte de suas lojas físicas, ou o seu e-commerce ou uma conjunção de unidades físicas mais a loja virtual. Mas quais lojas estão no jogo? Das 38 lojas em operação hoje, a Saraiva listou 23 que podem ser vendidas”.

Confira a lista:

SUDESTE

São Paulo

Shopping ABC Plaza (Santo André)

Aeroporto de Guarulhos

Shopping Novo Shopping (Ribeirão Preto)

Espírito Santo

Shopping Vitória

Shopping Vila Velha

Minas Gerais

Shopping Juiz de Fora

Shopping Uberlândia

CENTRO OESTE

Distrito Federal

Shopping And Towers

Goiás

Shopping Flamboyant

Shopping Passeio das Aguas

Mato Grosso

Shopping Cuiabá

NORDESTE

Ceará

Shopping Fortaleza II

Paraíba

Shopping Manaíra

Rio Grande do Norte

Shopping Midway

Sergipe

Shopping Aracajú

Pernambuco

Shopping Patteo Olinda

SUL

Rio Grande do Sul

Shopping Praia de Belas (Porto Alegre)

Shopping Caxias do Sul

Shopping Iguatemi Porto Alegre

Santa Catarina

Shopping Florianópolis

NORTE

Amazonas

Shopping Manauara

Pará

Shopping Belém

Grão Pará

 

 

Rio homenageia Mignone, o compositor paulista que botou samba na ópera

Exposição virtual no site do Theatro Municipal do Rio de Janeiro homenageia o compositor e maestro Francisco Mignone, um dos mais importantes nomes da música brasileira.

“A música como luz da existência”, reúne peças de um dos mais importantes do acervo de Mignone que ao morrer em 1986 deixou mais de mil composições, entre óperas, bailados, músicas instrumentais e trilhas para filmes.

Filho de imigrantes italianos, Mignone nasceu em São Paulo mas sua carreira esteve intimamente ligada ao Theatro Municipal do Rio, que agora o homenageia pelos 35 anos de sua morte, em 19 de fevereiro de 1986.

Sua primeira ópera O contratador de diamantes, foi escrita na Itália e conta a história de Chica da Silva, a escrava que seduziu o contratador João Fernandes de Oliveira, no Arraial do Tijuco, em Minas Gerais.

Para a estreia da ópera, em 1924 no Rio e o compositor teve que recorrer à mãe de santo Tia Ciata, em cujo terreiro se reuniam os pioneiros do samba, para encenar um bailado de negros escravos.

Tia Ciata  pediu ajuda ao sambista Donga e este arranjou as passistas que dançaram no palco do Municipal, causando sensação. Pela primeira vez se via um bailado afro numa ópera.

A obra de Mignone no entanto já chamava atenção dos grandes mestres da música da época. Em 1923, Richard Strauss, quando veio ao Brasil com a Orquestra Filarmônica de Viena, fez questão de só tocar Mignone.

Da mesma forma, Arturo Toscanini, quando se apresentou no Municipal do Rio, em 1940, tocou “Congada”, de Mignone, com a Orquestra de Nova Iorque, da qual era regente.

A  “africanidade” é uma das características da música de Francisco Mignone. Os ritmos africanos estão presentes em sua obra.

As composições de Mignone refletem os ritmos da diversidade brasileira, como em “Maracatu de Chico-Rei” (bailado considerado a sua obra-prima), O Espantalho, Leilão, Quadros Amazônicos, Hino à Beleza, Iara, Quincas Berro D ´Água e das histórias musicadas do cotidiano do país, como é o caso das óperas O Contratador de Diamantes, O Chalaça e O Sargento de Milícias.

Mignone começou a estudar música com o pai,, o flautista Alferio Mignone. Completou os estudos no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde se formou em flauta, piano e composição, seguindo, posteriormente, para estudar composição em Milão, Itália, no Conservatório Giuseppe Verdi.

Ainda em vida, recebeu vários prêmios, como o Shell, em 1982, pelo conjunto da obra.

A exposição pode ser conferida pelo público interessado nas plataformas oficiais do Teatro Municipal: Instagram, Facebook, e Youtube.

 

“I-tal”, novo trabalho da banda GrooVI, chega às plataformas digitais

“I-tal” é uma terminologia utilizada dentro da cultura Rastafari para designar o que é vital, natural, limpo e saudável. O prefixo “I” (Eu) expressa o entendimento de unicidade/não separação. I-tal é um conceito que, além da alimentação, se estende à relação com o divino, com a natureza, com a criação e o universo. A exaltação da natureza e o resgate de uma vivência baseada na ancestralidade da cultura africana, traçam os objetivos do trabalho que vem sendo desenvolvido pela GrooVI, conectada com os tempos atuais onde o coletivo precisa estar sempre no horizonte. O novo disco, um financiamento do Fundo Municipal de Cultura / Prefeitura de Gravataí por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e o Conselho Municipal de Política Cultural, chega às plataformas digitais em 26 de fevereiro.

Partindo-se desse conceito foram criadas as músicas do disco I-tal, segundo álbum da banda. Cada faixa traz uma temática específica. I-tal traz a exuberância da alimentação natural e o entendimento do corpo como um templo. Reverência é uma música extremamente impactante que exalta as contribuições da África na história da humanidade. Congoman, em parceria com o cantor NiyoRah das Ilhas Virgens, fala sobre a importância do Nyabinghi, uma batida semelhante ao pulsar do coração, que representa a primeira música ouvida desde o ventre de nossa mãe. Spiritual Warrior, parceria com o selo internacional Zion I Kings, trata do entendimento da vida como uma jornada espiritual de aperfeiçoamento constante, em busca de uma consciência elevada. Águas Tranquilas exalta os elementos da natureza e expõe a forma como nos relacionamos intimamente com eles, nesse caso as águas que nos banham e nutrem. Vivência nos revela conceitos místicos da cultura Rastafari, destacando-se a prática como pilar de fé. A música tem participação do cantor Arkaingelle da Guiana Inglesa. Ancestrais reverencia aqueles que vieram antes de nós, que prepararam o caminho e deixaram um poderoso legado de glória e resistência e permanecem vivos através de EueEu.

O disco conta ainda com uma sessão Dub, com versões exclusivas mixadas por DigitalDubs e Julio Porto. I-tal é uma produção musical de GrooVI e Julio Porto. A masterização é de Laurent “Tippy I” Alfred do selo I Grade Records das Ilhas Virgens. A produção executiva é de Paradise Entretenimento e arte gráfica de Leo Lage. O álbum estará nas plataformas digitais em 26 de fevereiro.

Ilhas Virgens

Guiados pelos ensinamentos de Rastafari, a GrooVI surge em 2010 no formato backing band, acompanhando diversos cantores da cena Reggae, Rap e Black Music no Sul do Brasil. A Sigla VI é uma menção às Ilhas Virgens do Caribe onde estão radicados vários artistas que serviram de referência para a identidade musical da banda. Em seis anos a banda participou de vários projetos culturais e sociais, além do suporte para mais de 30 cantores nacionais e internacionais.

 Em 2016 a GrooVI realizou a gravação do seu primeiro trabalho autoral “Raízes e Cultura”, evidenciando as composições de Amani Kush, que assumiu os vocais da banda, tendo como integrantes Fernando Catatau (bateria), Saulo Pinheiro (baixo), Amós Pachamama (teclados), William Artuso (guitarra) e Ras Vicente (Teclados). O projeto foi lançado em formato audiovisual, com performance ao vivo, gravado no Estúdio Soma, apresentando as principais faixas do disco. Neste mesmo ano participou de um dos maiores concursos de bandas do Brasil, o programa Superstar da Rede Globo. Selecionada entre mais de cinco mil bandas inscritas, a GrooVI ficou entre as 20 melhores colocadas, ampliando o alcance de sua música e levando seu Reggae para todo país. Em 2017 a banda participou do WebFestvalda no Rio de Janeiro e realizou a gravação audiovisual do show “Raízes e Cultura”, captado ao vivo no Bar Opinião em Porto Alegre. O evento contou com a participação da cantora Dezarie, referência mundial do gênero Reggae.

O primeiro álbum da GrooVI chegou em 2018, coroando um ciclo de crescimento e intensa troca com seu público. O disco “Raízes e Cultura” faz um resgate ancestral e espiritual através da música Reggae. Fazem parte desse trabalho duas canções inéditas gravadas em parceria com o renomado selo internacional Zion I Kings que convidou a banda para gravar dois riddims que têm também versões de cantores como Akae Beka, Lutan Fyah e Pressure. O álbum conta com uma sessão Dub com versões exclusivas de DigitalDubs e Julio Porto, seguindo os grandes discos do gênero.

Ficha técnica Disco I-tal:

Amani Kush: voz e backing vocals

Fernando Catatau: bateria e percussão

Amós Martini: piano, ocarina, órgão e backing vocals

Saulo Pinheiro: baixo

William Artuso: guitarra base

Julio Porto: guitarra base, guitarra solo, guitarra pick, synth, clavinete e minimoog

Ras Vicente: orgão, synth e piano elétrico

Lucas Riccordi: orgão, synth, piano elétrico, clavinete e pad

Seraos Oiram: orgão, synth e piano elétrico

Cleômenes Junior: saxofone e flautas

Gabriel Guedes: guitarra slide

Lloyd “Junior” Richards: bateria

David “JAH David” Goldfine: baixo, guitarra pick, percussão

Laurent “Tippy I” Alfred: orgão e guitarra

Andrew “Drew Keys” Stoch: piano e trombone

Andrew “Moon” Bain: guitarra solo

Participações especiais:

Arkaingelle: voz na faixa “Vivência”

NiyoRah: voz na faixa “Congoman”

Produção musical – GrooVI e Julio Porto

Produção executiva – Paulo Hennrichs

Gravado em Gravataí no Breakdown Studios em Fev 2019

Captação – Davilex

Overdubs gravados no Marmita Studios em Porto Alegre

Mixado por Julio Porto no Marmita Studios em Porto Alegre

Masterizado por Laurent “Tippy I” Alfred no Holy Mountain Studio em St Croix, Ilhas Virgens.

“Spiritual Warrior” gravada no Circle House Studio em Miami, EUA e mixada por Laurent “Tippy I” Alfred e “Jah David” Goldfine no Holy Mountain Studio e Zion High Studio em St Croix, Ilhas Virgens.

I-tal – novo disco da GrooVI

Lançamento dia 26 de fevereiro nas plataformas digitais

Este projeto teve o financiamento do Fundo Municipal de Cultura / Prefeitura de Gravataí por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Lazer e o Conselho Municipal de Política Cultural – Edital de Chamamento Público nº 11/2018

Confira GrooVI nas redes:

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Novos críticos de teatro no projeto “Ver a Cena”, do grupo NEELIC

O Grupo NEELIC inicia o ano de 2021 apresentando uma iniciativa que pretende ampliar os olhares sobre o teatro no Rio Grande do Sul. O projeto Ver a Cena envolve a criação e o desenvolvimento de um grande programa artístico cênico, com estreia de espetáculo, mostra de repertório e uma Escola de Crítica Teatral, voltada para artistas e espectadores de artes cênicas.

Contemplado pelo Edital FAC Movimento RS, da Secretaria de Estado da Cultura do Rio Grande do Sul, o projeto será realizado de forma virtual durante todo o primeiro semestre do ano. O lançamento ocorre no dia 27 de fevereiro às 19h30 pelas redes sociais do NEELIC, com a presença dos professores, dos atores do grupo e da professora de Linguística e Letras da UFRGS Lodenir Karnopp, que atua na área da educação de surdos.

Com inscrições gratuitas, a Escola de Crítica Teatral quer incentivar o surgimento de novos críticos de teatro, por meio de um processo imersivo de formação. Serão, ao todo, 33 encontros virtuais, incluindo aulas teóricas e práticas, fruição de espetáculos, debates e exercícios de escrita. Para nutrir a turma de conhecimento sobre a trajetória da crítica cultural no Brasil, o curso vai trazer textos de figuras icônicas na área, a exemplo de Anatol Rosenfeld, Décio de Almeida Prado, Barbara Heliodora e Sábato Magaldi, além de apresentar também o trabalho de críticos contemporâneos brasileiros. Além disso, os alunos vão assistir a espetáculos online gratuitamente e produzir resenhas sobre as peças.

A Escola é aberta a jovens e adultos a partir de 15 anos de idade e tem carga horária total de 72 horas. As aulas iniciam no dia 15 de março e se encerram em agosto, com a publicação de um site com as resenhas produzidas pelos alunos. As inscrições podem ser realizadas pelo email cursosneelic@gmail.com ou WhatsApp 51 99274-9933.

Outras atividades

A programação do Ver a Cena envolve ainda uma mostra de espetáculos do repertório do grupo NEELIC, em atividade desde 2013 em Porto Alegre, com apresentações online de “Capital”, “Primeiro Amor” e “MERDA!”, além da criação e da estreia da primeira peça de teatro infantil do grupo, chamada “Traça Letra e Traça Tudo”.

Outro destaque do projeto é seu caráter de acessibilidade: cada espetáculo proposto pelo NEELIC terá uma apresentação com tradução para Libras e uma com audiodescrição. Todos os vídeos criados durante as oficinas, que ficarão disponíveis no Youtube, terão legendas para melhor acessibilidade de pessoas surdas ou com deficiência auditiva e audiodescrição para pessoas cegas ou com deficiência visual. Completam a programação a realização de três ensaios abertos, um debate aberto ao público e 12 projeções de vídeo.

Escola de Crítica

Nas aulas, os estudantes poderão tomar contato com o estudo da crítica a partir de um enfoque genealógico. Um retorno ao pensamento da Antiguidade clássica e do Medievo nos leva a refletir e a explorar a atualidade das noções de ético-estética, beleza/feiúra, trágico, mimese, catarse, sublime e consolação como ferramentas conceituais para abordar a arte da presença e da cena no tempo presente.

O curso terá ainda aulas destinadas à produção textual de críticas teatrais. Para tanto, serão estudadas as características da resenha crítica e as especificidades deste gênero textual quando voltado aos espetáculos de teatro. Nestes encontros, serão exploradas qualidades discursivas essenciais para a produção de um bom texto, o que abrirá caminhos para a escrita de uma crítica consistente. Espera-se que os e as estudantes sejam capazes, ao final do curso, de planejar, (re)escrever e revisar seus textos de maneira eficaz. A história do jornalismo cultural e da crítica de arte no Brasil também estão contempladas nos encontros.

O corpo docente da Escola de Crítica é composto por professores com experiência em suas respectivas áreas de atuação, como Marcio Pizarro Noronha (doutor em História e doutor em Antropologia, professor no curso de licenciatura em Dança (ESEFID UFRGS)), Desirée Pessoa (doutora em Artes Cênicas UNIRIO e diretora do grupo NEELIC) e Samuel Oliveira (mestre e doutorando em Letras pela UFRGS.). Completam o quadro os editores do site Nonada – Jornalismo Cultural: Rafael Gloria (mestre em Comunicação pela UFRGS e especialista em Jornalismo Digital pela PUCRS) e Thaís Seganfredo (graduada em Jornalismo pela UFRGS)

Serviço

Escola de Crítica Teatral

Aulas de 15 de março a 8 de agosto, no turno da noite

Curso Gratuito e aberto a artistas e espectadores a partir de 15 anos

Inscrições até 12 de março pelo email cursosneelic@gmail.com ou WhatsApp 51 99274-9933.



 
 

Dia da Cultura da UFRGS promove 15 horas de atividades culturais

Diante da impossibilidade de tomar o campus central da Universidade com uma maratona de atividades culturais em meio à pandemia de COVID-19, o Dia da Cultura leva quinze horas de programação até a casa das pessoas. A ação anual, realizada pelo Departamento de Difusão Cultural (DDC) da Pró-Reitoria de Extensão (PROREXT) da UFRGS, ganhará uma edição virtual no dia 27 de fevereiro, sábado, a partir das 10h, com transmissão pelo YouTube do DDC.

Partindo da pergunta “O que é cultura para você?”, lançada pela professora Cláudia Zanatta em uma série de depoimentos, a programação exibe dezenas de trabalhos reunidos sob o princípio da pluralidade e diversidade. São performances, conversas, filmes e oficinas, protagonizadas tanto por alunos e professores da UFRGS quanto por artistas de fora da Universidade e outras instituições.

Espetáculo Amores Surdos. Foto: Divulgação

A programação audiovisual preparada para este Dia da Culturaé o resultado de múltiplas ações de engajamento, de artistas e parceiros, com participação do Departamento de Educação e Desenvolvimento Social (DEDS), Museu da UFRGS, Ponto UFRGS, projeto Teatro, Pesquisa e Extensão (TPE), Leitura em Voz Alta, Ballet da UFRGS, Orquestra Sinfônica de Porto Alegre, Porto Alegre em Cena e Revista Parêntese.

O Dia da Cultura 2021 encerra a recepção aos calouros promovida pela PROREXT-UFRGS. Conheça a programação completa nas redes sociais da UFRGS>

Editora lança campanha nacional de apoio às livrarias

 

A editora Todavia, que chegou no mercado em meados de 2017, colocou em prática ações de apoio às livrarias, com o objetivo de apresentar aos leitores lojas espalhadas por todo o Brasil. Esta semana, a editora inicia a campanha Viva a sua livraria. Nessa primeira edição, até sexta, as redes sociais da Todavia serão ocupadas por 15 livrarias de rua, homenageadas no traço de 15 jovens artistas convidados a representar um pouco do clima desses lugares.

A ideia é que o público conheça as histórias de resistência desses espaços, que mesmo diante de todas as adversidades – econômicas, pandêmicas, políticas, de mercado – seguem cumprindo o seu papel de preservação e difusão do livro. “O mundo do livro e da leitura há anos passa por importantes transformações. Nós acreditamos que, não importa o desafio, se conjuntural ou estrutural, local ou global, as livrarias serão sempre parte da solução e não do problema. Uma paisagem urbana sem livraria no caminho dos cidadãos é apenas um deserto”, explica Marcelo Levy, diretor comercial da Todavia.

A primeira loja a ser retratada nas redes foi a Do Arco da Velha, de Caxias do Sul (RS), com ilustração de Walter Rego. Até o final da semana, passam pelo espaço as livrarias Argumento (RJ), Arte e Ciência (CE), Bamboletras (RS), Blooks (RJ), Cooperativa Cultura (RN), Itiban (PR), Flanarte (SP), Jaqueira (PE), LDM (BA), Da Tarde (SP), Livros e Livros (SC), Nobel (PB), Poeme-se (MA) e Quixote (MG).

Entre os artistas que também fazem parte do projeto estão nomes como Larissa da Cruz, Mari K Neves, Aline Zouvi, Bicho Coletivo, Estevam, Flora Próspero, Helena Obersteiner, mo.ratelli, Sofia Tomic, asflortudo, Luiza Formagim, Zique Lique, Bruno Miranda e Yara Santos.

 

Introdução a Metodologia de Dança Afro-Gaúcha, com Iara Deodoro

Iara Deodoro é uma referência no Sul do Brasil quando se fala em dança afro-gaúcha. Fundadora do Grupo Afro-Sul de Música e Dança, criado em 1974, é a mulher à frente do Afro-Sul Odomode, um renomado espaço que acolhe e difunde a arte dos tambores, o maracatu, as manifestações populares e boa parte da cultura Porto-alegrense, que converge para lá em rodas de samba, shows musicais, apresentações e oficinas de música e dança. Ela é a responsável pelo Curso de introdução a Metodologia da Dança Afro-Gaúcha

 

Segundo o material de divulgação, o curso pretende difundir o trabalho que essa grande artista presta a sociedade com muita dedicação, inclusive com importantes premiações. O conteúdo integra conhecimentos sobre fatos e personalidades históricas da cultura afro-brasileira e vai além da metodologia de dança desenvolvida por Mestra Iara Deodoro há cerca de 50 anos. As aulas teóricas e práticas serão ministradas de forma remota, por meio das plataformas digitais, e o objetivo é instrumentalizar praticantes, bailarinos e professores negros e não negros sobre saberes e traços culturais do povo afro-gaúcho, conforme proposta de ensino de história e cultura prevista na Lei 10.639 de 2003, fortalecendo a identidade negra através da ampliação do conhecimento e da técnica, valorizando, assim, a pluralidade histórica e cultural do Estado do Rio Grande do Sul.

Irene Santos, importante fotógrafa gaúcha autora de ‘Quilombos e quilombolas’, um livro dedicado à memória fotográfica das colônias africanas de Porto Alegre afirma que ‘engana-se quem pensa que o sul [do Brasil] é branco, que nós negros teríamos sido assimilados a ponto de esquecermos nossas valorosas civilizações, dos sons dos atabaques do Batuque, da Umbanda, não perceptíveis a qualquer ouvido que guardam as raízes africanas e fazem desabrochar, a cada toque, nossa alma afro-gaúcha e afro-brasileira’. Essa tentativa sistêmica de apagamento do conhecimento do povo negro tem o intuito de torná-lo invisível, de tirar dele a perspectiva de ser intelectual e construtor de conhecimentos.

O projeto de Iara vem ao encontro dessa valorização da cultura herdada desse povo e se propõe a buscar nas memórias toda a riqueza transmitida de pai para filho. Reconhecer a intelectualidade do povo negro gaúcho a partir de um embasamento teórico sobre temas, fatos e personalidades históricas, mas também pela emoção, pelo corpo, pelo gesto. Assim, utilizando a metodologia de dança de Iara, instigar os participantes a uma reflexão sobre ancestralidade, história e cultura negra gaúcha e movimentos populares que envolvem não apenas a trajetória da Mestra, mas a própria caminhada do povo negro do Rio Grande do Sul.

 

Introdução a Metodologia da Dança Afro-Gaúcha será composto por aulas gratuitas, além de disponibilizar material didático complementar de forma virtual. As cidades escolhidas para as atividades têm uma marca histórica forte de comunidades negras, onde será possível movimentar e fomentar a cultura local. Serão ministradas por bailarinas negras que acompanham e estudam a técnica Deodoro há cerca de 20 anos, além da própria Mestra Iara. São educadoras com formação acadêmica em educação física, fisioterapia, dança, assistência social e publicidade. O curso está organizado em módulos teóricos e práticos, com carga-horária total de 14 horas.

Este projeto está sendo realizado com o financiamento da Lei Aldir Blanc, Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal.

Sobre o curso/inscrições

Serão realizadas cinco edições transmitidas a diferentes cidades do RS: Porto Alegre, Pelotas, Santa Maria e Nova Prata. As aulas utilizarão a plataforma Zoom e as inscrições estão abertas até dia 11 de março. As primeiras aulas se iniciam dia 13 e 14 de março e serão transmitidas a dez cidades gaúchas simultaneamente: Viamão, São Leopoldo, Caxias do Sul, Osório, Cachoeira do Sul, Erechim, Bagé, Venâncio Aires, Santana do Livramento e Uruguaiana. Dias 20 e 21 de março estarão em Pelotas, 27 e 28 de março em Santa Maria, 10 e 11 de abril em Nova Prata e, para encerrar, o curso será transmitido aos moradores da capital nos dias 17 e 18 de abril.

 

Os dois primeiros módulos são teóricos e abordam a Construção Social e Teoria da Dança e a História da Dança e à Metodologia da dança Iara Deodoro. O módulo prático também contará com acompanhamento de música ao vivo, o que auxilia o entendimento rítmico musical e proporciona aos participantes conectarem-se com a ancestralidade. Didaticamente as aulas práticas serão divididas a partir das principais bases técnicas do método Iara Deodoro, sendo três ritmos diferentes para percepção da diferença de movimentação em acelerações rítmicas. São elas: Contração; Dança de memória ancestral – Suave e Forte; Dança Afro Gaúcha – Contratempo; Yabás – Conexão de energias; Relação da música com o corpo.

Responsável pelas diretrizes do projeto, Iara Deodoro fará o momento griot, auxiliando na reprodução da linha do tempo que deu origem a metodologia. Camila Camargo será responsável pelo conteúdo teórico do curso, apresentando fatos históricos e conceitos que gerem reflexões sobre a intelectualidade do povo negro gaúcho. Natália Dornelles traçará um panorama sobre as danças negras no Brasil, trazendo personalidades que marcaram a história da dança afro-brasileira e que formaram uma identidade sobre os estudos das corporalidades negras. Taila Santos e Edjana Deodoro são responsáveis pela parte prática das oficinas, demonstrando e auxiliando os alunos na execução dos passos e aplicação da parte teórica do curso, respeitando as valências físicas dos praticantes de forma a proporcionar um exercício eficiente, agradável e muito divertido. Leciane Ferreira discorrerá sobre temas referentes a tradição, cultura, popular, ancestralidade e diversificação de saberes. Paulo Romeu acompanhará as aulas de dança práticas, dando ritmo para a execução dos movimentos que serão ministrados pelas professoras.

Todo o material didático utilizado no curso será disponibilizado aos alunos, através da ferramenta Google Drive e/ou e-mail, conforme necessidades e conveniência. Para obter o certificado, o aluno deverá ter no mínimo 75% de participação nas aulas. A divulgação do curso será feita através das redes sociais do Grupo Afro-sul Odomodê (Instagram, Facebook e Whatsapp).

Sobre os professores

Iara Deodoro, fundadora do Grupo Afro-Sul de Música e Dança (1974), formou-se na Escola de Danças Folclóricas da Professora Nilva Pinto, em Porto Alegre, no período de 1968 à 1978. Graduada em Serviço Social, focada em famílias negras monoparentais, Iara tem pós-graduação em Educação Popular e Gestão em Movimentos Sociais. É Coordenadora pedagógica do grupo de Escolas Preparatórias de Dança (EPD’s) e está à frente do ponto de cultura Afro-Sul Odomode.

Camila Camargo é bailarina com formação em balé clássico pela escola Elisabeth Santos e em dança afro pelo Grupo Afro-Sul. Integra diferentes grupos de dança como Ògúndábède Dança Yorubá e Mate Masie, e é parte do Grupo Afro-Sul de Música e Dança há 15 anos, com o qual participou de inúmeros espetáculos, entre eles, Reminiscências, Memórias do Nosso Carnaval (2019), Feminino Sagrado: um Olhar Descendente da Mitologia Africana (2014/2016), Três Marias: Mari Mariô (2016), em que atuou como bailarina e também produtora. Publicitária pela ESPM-Sul, especialista em Design Estratégico, foi colunista de dança no portal Todos Negros do Mundo, produtora de eventos na Revista Donna do Grupo RBS e hoje atua como consultora e palestrante de diversidade na Think Eva e Think Olga.

Natália Dornelles é graduada do curso de licenciatura em dança da Universidade Federal do Rio Grande Sul. Atua como Educadora Social na Fundação de Educação e Cultura do S.C / FECI e no Centro de Referência e Assistência Social (CRAS/Glória). Integra os projetos de extensão Coletivo Corpo Negra e Brincantes do Paralelo 30, ambos desenvolvidos na UFRGS, é bailarina do grupo de Música e Dança Afro-Sul e professora do projeto Nossa Identidade. Natália é ainda pesquisadora das corporalidades negras na área da dança e das práticas e ações educacionais pautada nas questões étnico-raciais.

Taila Santos de Souza é bailarina e coreógrafa do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 1994 até os dias atuais. É graduada em Educação Física pelo Centro Universitário Metodista IPA (2011) e pós-graduada em Ética e Educação em Direitos Humanos Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS (2013).

Edjana Deodoro é bailarina do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 1990 e desde 2001, é também coreógrafa. Atua como professora de dança-afro com técnicas voltadas para os públicos adulto e infantil. Formada em Fisioterapia pelo Centro Universitário Metodista IPA (2011). É instrutora de Pilates habilitada pelo Instituto Voll Pilates (2012).

Leciane Rodrigues é bailarina do Grupo Afro-Sul de Música e Dança desde 2007 até os dias atuais. Facilitadora de Círculos de Construção de Paz e Justiça. Graduada Bacharel em Serviço Social pela Universidade Luterana do Brasil- ULBRA (2012). É Pós-Graduada em Ética e Educação em Direitos Humanos pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UFRGS (2014).

SERVIÇO:

Curso de Introdução a Metodologia de Dança Afro Gaúcha : Iara Deodoro

Inscrições entre 15 de fevereiro e 11 de março/ nos formulários abaixo conforme sua região:

10 cidades – http://tiny.cc/cidades

Pelotas – http://tiny.cc/pelotas

Santa Maria – http://tiny.cc/stamaria

Nova Prata – http://tiny.cc/prata

Porto Alegre – http://tiny.cc/midpoa

Edições do curso:

13 e 14 de março em 10 cidades simultaneamente: Viamão, São Leopoldo, Caxias do Sul, Osório, Cachoeira do Sul, Erechim, Bagé, Venâncio Aires, Santana do Livramento e Uruguaiana

20 e 21 de março em Pelotas

27 e 28 de março em Santa Maria

10 e 11 de abril em Nova Prata

17 e 18 de abril em Porto Alegre

Financiamento:

Secretaria de Estado da Cultura do RS, Secretaria Especial da Cultura e Ministério do Turismo do Governo Federal # LEI ALDIR BLANC – edital 09/2020 da SEDAC RS para ser realizado com recursos da Lei n. 14.017/2020

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Alfredo Aquino e sua narrativa pungente de sobrevivente da Covid 19

Geraldo Hasse

“O livro NÃO ABRIR OS OLHOS (Edições ARdoTEmpo, 2020) é um relato sofrido do artista plástico Alfredo Aquino sobre sua experiência como vítima do coronavirus, supostamente contraído durante um evento social a que compareceram diversas pessoas numa noite de agosto passado em Porto Alegre.

Mesmo tendo se resguardado perto da lareira, o pintor demorou a ir embora e ficou exposto a contatos fortuitos. Deu mole, enfim… Os sintomas apareceram depois de alguns dias. Feitos os testes, ele precisou ser internado num hospital de Porto Alegre, do qual saiu, dias depois, grato à equipe médica e revoltado com o desmazelo das autoridades em geral diante da doença mais mortal desde o surgimento da Aids.

Com 90 páginas, o livro tem passagens impactantes, a começar pelo  acompanhamento da evolução do estado do seu companheiro de quarto no hospital. No primeiro dia, os dois possuíam idênticos sinais vitais, mas logo o outro mergulhou num estado de inconsciência do qual não saiu mais. Nos dias seguintes, sua piora exigiu novos cuidados e avaliações frequentes da equipe médica. A seguir, foi levado para a UTI e, por fim, lá pelo quarto ou quinto dia, veio a informação de que ele havia morrido, mesmo tendo sido socorrido pelo respirador mecânico.

Após ver seu espelho partir, o artista ficou solito em seu quarto, sem receber visitas senão de integrantes da equipe do hospital. Decidiu manter-se quieto o máximo do tempo para não perder energia com distrações deletérias. Vem daí o título do livro: trata-se de uma referência a seu próprio estado físico – de olhos fechados – mas serve também como metáfora sobre o comportamento das autoridades políticas diante da gravidade da situação.

Tremendo risco

Sem abrir os olhos mas com a sensibilidade exacerbada pela luta para sobreviver, Aquino entra no melhor do seu relato. Aprofunda-se em algumas reflexões sobre o tremendo risco de morrer sozinho num quarto de hospital. Conclui que a Morte joga cara x coroa com a vida das pessoas, levando uns embora imediatamente e deixando outros para mais tarde. O momento é oportuno para um balanço de vida: segundo Aquino, cada um vai fazendo escolhas que representam “bifurcações”, algumas benfazejas, outras nefastas. Numa divagação próxima do delírio, recorda amigos escritores que a seu ver mereceriam ter ganho o Nobel de Literatura, entre eles o gaúcho Aldyr Garcia Schlee, o poeta maranhense Ferreira Gullar e o paulista Ignacio de Loyola Brandão, seu amigo dos tempos de São Paulo.

O registro é impactante pelo ineditismo e, também, pela descoberta de que, mesmo isolado, um doente pode ser alcançado pela solidariedade de um amigo médico distante que lhe pede informações e dá orientações por vias digitais. Quem o conhece sabe que a mão amistosa é de um psiquiatra de Pelotas.

Narrativa tão pungente pode ser útil às pessoas em geral e, particularmente, para jovens estudantes que desdenham da virulência do coronavirus. É notório que Aquino fez um esforço insano para vencer o vírus na solidão do isolamento e ao mesmo tempo sair do hospital com o rascunho de uma memória sobre a própria internação. Depois, enquanto se recuperava das sequelas da doença – exaustão e vertigens, entre outros sintomas –, ele praticou por semanas um dos atos mais solitários da vida humana: escrever. Coisa que conhecia indiretamente por força de seu ofício como editor.

Quem é

Nascido em 1953 em Porto Alegre, Aquino é formado em arquitetura mas passou boa parte da vida profissional em São Paulo, onde sobreviveu como publicitário e capista de livros da Editora Brasiliense e do Circulo do Livro. Explorando sua habilidade para pintar, em 1978 fez uma pioneira exposição crítica à ditadura militar no Museu de Arte de São Paulo. A partir daí, passou a vender quadros no eixo Rio-São Paulo e abriu um surpreendente nicho de mercado na França, onde expõe com frequência.

De volta ao Rio Grande do Sul no início do século XX, estreou como editor independente ao criar a ArdoTempo com o objetivo de lançar em 2010 Os Limites do Impossível – Contos Gardelianos de Aldyr Garcia Schlee, livro que vendeu 400 exemplares na noite de lançamento em Pelotas e abriu caminho para a luxuosa edição em capa dura de Don Frutos (550 páginas, 2011), romance biográfico sobre Fructuoso Rivera, o caudilho colorado do Uruguai.

Animado com o sucesso de crítica e público, Aquino relançou uma dezena de livros de contos de Schlee, que faleceu em 15/11/2018 aos 84 anos. Depois, a Ardotempo publicou livros de outros autores como a poeta Maria Carpi, a escritora Mariana Ianelli, o poeta Pedro Gonzaga, o médico-cronista Paulo Rosa e o jornalista/cronjista/romancista Ignacio de Loyola Brandão.

Marcas profundas

Mesmo sem estourar nas bancas com seus lançamentos, Aquino vinha otimista quando a pandemia lhe roubou a esperança em dias melhores, deixando marcas profundas no corpo e na alma.

Mais enquadrável como novela do que como romance, seu livro é uma narrativa instrutiva sobre os efeitos do vírus mais devastador do século XXI.

Se a ciência, a educação e o ensino não estivessem passando por um momento tão constrangedor no Brasil, “Não Abrir os Olhos” seria candidato certo à leitura em escolas para uma tomada de consciência sobre os estragos provocados pelo vírus e o estigma deixado por moléstia tão maligna quanto a tuberculose, o câncer e a Aids.

Dadas as restrições às atividades comerciais, o livro está sendo vendido pelo site da Ardotempo. A R$ 40 por exemplar, a receita obtida será doada a um hospital de atendimento ao Covid. Aquino não apostou numa grande tiragem, até porque é mais artista do que empresário. Como costuma fazer ao editar livros de autores de sua estima pessoal, ele custeia as despesas gráficas com o que consegue amealhar vendendo quadros – bem cotados no Brasil, melhor avaliados na França. Não acredita que o livro seja um sucesso de vendas a ponto de merecer uma segunda edição, mas arremata: “Se este livro evitar algumas contaminações e uma morte por Covid, terá valido a pena tê-lo escrito, editado, publicado e distribuído”.

Livro desvenda inserção dos evangélicos na política brasileira

José Antônio Severo

“Povo de Deus”, mantra católico usado, no passado, pelo bispo Dom Hélder Câmara para denominar os pobres e oprimidos, foi o título escolhido pelo antropólogo Juliano Spyer para seu livro sobre a massa de desvalidos que atualmente se reúnem em torno de pastores evangélicos.

É uma obra de referência que chega ao mercado com o carimbo de tese de doutorado aprovada pela University College London (UCL). Quem são e onde estão os crentes, essa massa que hoje constitui uma das mais disciplinadas e consistentes forças eleitorais do País?

Este é um estudo sobre o tema.

É importante anotar que “Povo de Deus” deriva do projeto acadêmico que rendeu, ao autor, dois livros: um deles de grande aceitação nos meios profissionais da comunicação, intitulado “Mídias Sociais no Brasil Emergente”, sobre as consequências do uso da internet pelas camadas populares.

O segundo é esta obra sobre os evangélicos, que está chamando atenção entre cientistas políticos, militantes partidários e profissionais do ramo, tanto que já, mesmo recém lançado, é referência bibliográfica em discursos, conferências e artigos.

A população evangélica é um tema quentíssimo na área, pois traz à tona a conformação de uma parcela significativa da nova direita, no aspecto eleitoral.

A presença de religiões protestantes no Brasil é tão antiga quando o próprio descobrimento do país pelos europeus.

A primeira guerra de fato, envolvendo os recém-chegados europeus, deu-se entre católicos e calvinistas franceses, no atual Rio de Janeiro, em 1555. Outro embate com forte motivação religiosa que a historiografia narra como conflito internacional foi a chamada invasão holandesa, entre 1624, na região leste, a travada na Bahia, depois nos estados nordestinos, em 1630, com epicentro em Pernambuco.

Sem falar da chamada revolta dos malês, na Bahia, em 1835, entre muçulmanos e católicos.

Ou seja: o atual estranhamento da intelectualidade brasileira com a participação de pastores e crentes na disputa pelo poder político não é nada de novo, vem dos momentos fundadores e continua assim.

A diferença é que os padres, desta vez, aparecem perdendo a guerra para os pastores, que estão ganhando almas como nunca antes da História deste País. E não há como botá-los de volta na obscuridade.

É uma obra indispensável, tamanha a riqueza de informações e detalhes sobre esse público submerso, que só aparece nas mídias como se fosse uma aberração sociológica.

É assim que as chamadas elites os veem, embora já estejam se tornando maioria física no País, devendo em uma década ultrapassar em números os papistas brasileiros, que se orgulhavam de ostentar o título de maior população católica do mundo.

O leitor não espere encontrar a aridez da literatura acadêmica. Embora mantenha o rigor científico, o autor não tem como evitar o depoimento pessoal, na primeira pessoa, para respaldar suas observações e conclusões.

Para fazer esse trabalho ele teve de ir viver um ano e meio na periferia da periferia de Salvador, na Bahia. Seu testemunho é um conteúdo essencial.

Spyer chegou à comunidade (que ele não revela qual seja) para estudar os efeitos das mídias sociais, especialmente da internet, naquele mundo de excluídos. Não precisou muito para sentir-se ameaçado.

Aquela figura branca e urbana, fazendo perguntas, não convencia a ninguém do crime: era evidente que se tratava de um espião. O tratamento para policiais disfarçados é a pena de morte.

Ele encontrou acolhida entre os protestantes pentecostais, que validaram sua presença e assim ganhou livre trânsito e pode ficar naquela favela por mais de um ano.

Ao final, percebeu que sua cobertura era mais do que uma garantia, mas, na verdade, um projeto maravilhoso que poderia levar em paralelo. Foi o que fez gerando este “Povo de Deus”.

Essa aventura do autor, arriscando-se num ambiente de alta periculosidade, por si só já é um feito espetacular. Penetrar nas profundezas da periferia é algo raro, poucas vezes encontrado em nossa literatura jornalística (poucas exceções, Carlos Amorim e Caco Barcelos), muito mais surpreendente encontrar num trabalho de rigor científico.

Este é “O Povo de Deus”, que tem um subtítulo ambicioso: “Quem são os evangélicos e por que eles importam”, referindo-se à sua presença no cenário político e eleitoral do País.

O livro começa com uma avaliação estatística, como sói acontecer nos trabalhos sociológicos, com dados quantitativos para oferecer ao leitor um a panorama demográfico do cristianismo evangélico.

Interessante observar que as seitas pentecostais, ramo do protestantismo, se expande não só no Brasil e na América do Sul, mas também na África e na Ásia pobre. É um fenômeno do que hoje se chama de “Sul do Mundo” (que nem sempre corresponde ao sul geográfico dividido pela linha do equador).

Outro capítulo importante para a avaliação política é “Cristianismo e preconceito de classe”, seguido por “Evangélicos na mídia e mídia evangélica”, completando com “Consequências positivas do cristianismo evangélico”, uma incursão lúcida nas entranhas de uma prática religiosa desqualificada pela intelectualidade brasileira.

Mais surpreendente é o capítulo “A religião mais negra do Brasil”, que desmente o estereotipo de que os pretos são praticantes de seitas de matrizes africanas, acrescentando, algo ainda mais revelador, de que essas tendências protestantes, originadas nos Estados Unidos, surgiram em comunidade negras e muito pobres daquele País.

Outras abordagens polêmicas de interesse para a classe política: “Reciclagem de almas – traficantes e cristianismo”, falando sobre as relações dos pastores e fiéis com o crime, que constitui a instituição mais poderosa nessas periferias, e, também, “A esquerda e os evangélicos”, tema explosivo nos arraiais acadêmicos, onde essas comunidades são desconsideradas e suas lideranças execradas como se fossem impostores.

Formado em História pela Universidade de São Paulo, pós graduado, mestre e doutor pela UCL inglesa, Spyer alinha alguns comentários de grande relevância na apresentação de seu livro, chamando atenção um texto introdutório de autoria de Caetano Veloso, músico e compositor,  e prefácio de Gabriel Feltran, professor da Faculdade de Sociologia da Universidade Federal de Santa Catarina.

Destaca-se, também, o deputado federal Patrus Ananias (PT/MG), ex-ministro dos governos Lula e Dilma (criador e gestor do Bolsa Família, programa de profunda penetração nas periferias urbanas), conhecido líder católico e professor da Faculdade de Direito da PUC-MG, que diz ser “o cristianismo evangélico uma forte e crescente realidade entre nós.

“Este livro nos ajuda a entender esse desafio instigante”, escreve Patrus

Na área acadêmica, alinha nomes de grande relevância, professores de universidades de referência mundial, como Amy Erica Smith, professora de ciências políticas da Iowa State University, David Nemer, professor de Estudos de Mídias da Universidade de Virginia (EEUU) e Malu Gatto, cientista política e professora da University College London, completando com a indicação do professor Ricardo Abramovay, titular da FEA/USP e do IEE/USP. Que diz: O autor apresenta as razões pelas quais esta religião tem sido capaz de fortalecer a coesão social de comunidades desamparadas pelo Poder Público, tornando-se, assim, um movimento cultural decisivo”.

“O Povo de Deus – Quem são os evangélicos”, da Geração Editorial, de São Paulo, editado por Luís Fernando Emediato, capa de Alex Maia, produzido em todas as mídias, disponibilizando cópias impressas em papel, também numa versão digital, disponíveis nas livrarias virtuais e nos sites de vendas da editora.