A consagração de uma estrela da bandidagem

De pedra em pedra, de pincelada em pincelada, é montado o charme de um criminoso profissional.
Alguns segmentos da mídia, com um certo apoio de equipes que operam na investigação do tráfico de drogas, estão consagrando a figura de Paulo Ri-cardo dos Santos da Silva, o Paulão, apontado como um dos líderes da ban-didagem em Porto Alegre a partir de um estado maior do crime montado na Vila Maria da Conceição, Zona Leste da capital. As tinturas que definem este homem, tido como senhor do poder de vida e morte em sua área de ação, são uma clara tentativa de fazer dele um Fernandinho Beira Mar tupi-niquim. Paulão manda em clube de futebol, em escola de samba, distribui cestas básicas, manda matar pessoas que gozam de plena saúde e providen-cia no socorro de enfermos. Paulão sabe de tudo sobre todos, mas nem os policiais nem o Ministério Público sabem tudo sobre ele. Uma das últimas novidades sobre Paulão é a de que ele sabia que estava sendo investigado pelo Ministério Público e pela Brigada Militar e, por isso, conseguiu esca-par de uma megaoperação montada pela inteligência dessas instituições. Fico eu, ingênuo, aqui em minha torre, meditando: como um profissional do crime não vai saber que está sendo investigado? E como os investigado-res não sabiam que Paulão sabia que estava sendo investigado? Dentro des-ta moldura, ninguém mais segura o glamour do bandido Paulão.
Cortina
Polícia Civil descartou a relação da morte de um jovem em São Leopoldo com a disputa de torcedores da dupla Gre-Nal. Luis Henrique de Sousa Cerpa, 18 anos foi executado terça-feira no bairro Rio dos Sinos, em São Leopoldo. Ocorre que traficantes de drogas ao realizarem execuções estão tentando estabelecer uma cortina de fumaça nas investigações ao tentar transferir a guerra entre quadrilhas para o quadro dos enfrentamentos entre gremistas e colorados, segundo constatação do titular da 3ª DP Regional Metropolitana, delegado João Bancolini, que coordena as investigações so-bre o assassinato do jovem Luís Henrique.
Enigma
A Polícia Federal, não sem algum atraso, começa a descobrir e intercep-tar a estratégia dos alimentadores do tráfico de drogas no RS. Trata-se de um passo da maior importância. Como rotina, as organizações policiais a-preendem drogas nos morros, mas sem saber como esses produtos sobem os morros, o que é um enigma que tem permanecido insolúvel há muitas décadas. O mesmo acontece com o tráfico de armas.
Cadeado
A Secretaria da Segurança Pública realizou das 8h dessa terça-feira até as 8h de ontem, em 275 municípios gaúchos, a Operação Cadeado. Na ação, foram presas 14 pessoas, mas nenhuma arma foi apreendida. Na operação, foi utilizado um efetivo de 1.630 servidores e o emprego de 445 viaturas.
Armas
Operação de combate ao tráfico de drogas foi realizada na manhã de on-tem em Rosário do Sul. A força tarefa reuniu Ministério Público Estadual, PMs e Polícia Rodoviária Federal. Pelo menos oito pessoas foram investi-gadas. Só foram encontradas armas e munição.
Jogatina
Policiais militares apreenderam na noite de terça-feira 43 máquinas ca-ça níqueis em casa de jogos do centro de Canoas. No estabelecimento loca-lizado na avenida Vítor Barreto 25 pessoas foram surpreendidas fazendo apostas. O prédio era monitorado por câmeras de vídeo.
Crescimento
A Brigada Militar instalou, ontem, mais duas unidades da corporação em Cruzaltense, no Alto Uruguai, e em Nova Boa Vista, na Zona da Produção. Com isso a instituição está presente em todas as 496 cidades gaúchas. Fo-ram designados três policiais para cada município. Eis outro enigma: en-quanto o efetivo da Brigada fica estagnado e até diminui, mais unidades são inauguradas. E estamos em pleno período eleitoral.
Presidiários
A Susepe (Superintendência dos Serviços Penitenciários) está realizando no Presídio Estadual de Camaquã o Projeto Liberdade Responsável. A ini-ciativa, acontece no pavilhão de trabalhos da casa prisional e prevê, inici-almente, a participação de 17 apenados, todos do regime fechado. O objeti-vo é a ressocialização dos detentos, com a produção de papéis reciclados e cartões natalinos. O projeto é fruto de parceria da Susepe com a Associa-ção dos Funcionários do Banco do Brasil, hospital local e o Conselho da Comunidade. Segundo o diretor do Presídio Estadual de Camaquã, Ângelo Larger Carneiro, o critério de escolha dos detentos que vão integrar o traba-lho levou em conta o bom comportamento disciplinar e a aptidão de cada um. Os cartões natalinos serão vendidos em livrarias e empresas e, segundo Larger, já há encomendas de fora do Estado. A renda será divida de forma igualitária entre os presos e os funcionários do Hospital de Camaquã, que também estão participando do mesmo trabalho.

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