As privatizações e os direitos da maioria

Geraldo Hasse
A crise econômica instalada no país tornou mais aguda a disputa por espaços em todas as atividades, da política à economia.
Vem desse contexto a sensação de que os responsáveis pelo governo não se pautam pela ética senão na aparência. Prevalece o egoísmo, conforme o provérbio: “Farinha pouca, meu pirão primeiro.”
Por isso, ao acompanhar o debate sobre as reformas disso e daquilo, já sabemos que não chegaremos a um bom termo porque falta legitimidade aos detentores do Poder. Eles sabem que precisam fazer o serviço rapidamente pois dispõem de pouco tempo.
Muitos ocupantes de cargos públicos, por voto ou concurso, negligenciam a obrigação moral de agir com lisura, como se esquecessem que estão numa vitrine não vitalícia.
Em função pública, quem não agir direito deve pagar muito mais caro do que um particular. Essa é uma máxima da vida republicana que precisa prevalecer. Se não for assim, como vai se construir uma cidadania consciente?
O interesse público tem sido solapado diariamente por atos e medidas em prol de interesses privados.
Os direitos da maioria trabalhadora (100 milhões de brasileiros, entre os quais 13,5 milhões de desempregados) estão para ser retalhados pela terceirização ampla dos contratos de trabalho.
Ao aprovar essa medida, a Câmara dos Deputados deu um salvo-conduto para os famosos “gatos” (intermediários) que atuam no mercado de trabalho no campo e na cidade.
A reforma da Previdência, pior ainda: em nome de uma modernização marota, arma-se um grave retrocesso numa área em que o Brasil progrediu bastante na luta para garantir assistência aos idosos e aos desvalidos em geral.
Não se pode esquecer que a previdência social precisa ser pública, isenta das taxas de administração e lucratividade que caracterizam os fundos privados.
A previdência, a saúde, a educação, a segurança e o transporte devem ser obrigações do Estado, que só deixará à iniciativa privada um espaço complementar, nunca o principal.
Está provado, na prática, que o viés privatista mutila os direitos comunitários.
É o que vemos no modo como a iniciativa privada trata o meio ambiente, os recursos naturais, os trabalhadores e até o patrimônio histórico.
LEMBRETE DE OCASIÃO
“A contradição é a fonte de toda a vida. Só na medida em que encerra em si uma contradição é que uma coisa se move, tem vida e atividade. Só o choque entre o positivo e o negativo permite o processo de desenvolvimento e o eleva a uma fase mais elevada. Quando faltam forças para a desenvolvimento e para o agravamento da contradição, a ideia ou a coisa morrem em virtude dessa contradição, sem nada de novo engendrar.”
Hegel (1770-1831), o pai da dialética moderna

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