Alemanha anuncia ajuda para empresas na quarta onda da pandemia

Peter Altmeier (CDU), ainda ministro da Economia da Alemanha, fez sua última conferência de imprensa na quarta-feira (24/11). Em poucos dias assume a nova coalizão de governo e ele deixará o cargo que ocupou por quase quatro anos. “Há uma escassez de matérias-primas e componentes em nível mundial, por conta da quebra da logística de transporte causada pela pandemia, que agora vê o número de infecções aumentar novamente”, declarou ele em Berlim.

Ao anunciar a ajuda para pequenas e médias empresas, com queda de faturamento por conta das novas restrições já em vigor, Altmeier defendeu a necessidade de adequar a economia à situação.

Na Alemanha foi decretado o Lockdown light esta semana. Não vacinados estão proibidos de atividades sócio-culturais. Grandes eventos e mercados de Natal foram cancelados na maioria dos estados.

“Estamos trabalhando para facilitar o acesso à ajuda do governo para o Natal”, declarou ele no final da manha da quarta-feira. É a quarta rodada de recursos para fazer frente às medidas de redução de circulação de pessoas e controle da pandemia.

O apoio do governo para pequenas e médias empresas é de no máximo 12 milhões de Euros no ano. Profissionais autônomos e micro-empresas receberão valor igual ao do ano passado: De 7,5 mil a 30 mil Euros anual.

Efeito da pandemia, Alemanha estima 24 mil falências em 2021

Os bancos privados da Alemanha esperam um aumento no número de insolvências por conta da crise provocada pelos Lockdowns de combate da pandemia. “Menos do que esperávamos, mas ainda preocupante”, declara Christian Ossig, CEO da Federação dos Bancos Alemães (https://bankenverband.de/ – BdB). Técnicos da entidade estimam 24 mil falências em 2021. “Não será uma explosão, mas um processo lento que se arrastará por vários meses”, afirma o executivo.

“Os bancos da Alemanha estão bem preparados. A amortização do capital foi significativamente elevada e o cálculo do risco aumentado desde o ano anterior”, revela Ossig. Segundo ele, a segurança financeira atual se deve a política monetária e de ajuda do ano anterior, que possibilitou que muitas empresas conseguissem financiar sua saída da crise provocada pelo corona vírus.

Uma das mais proeminentes é a Lufthansa. A gigante da aviação recebeu 9,3 bilhões de Euros em ajuda pela longa paralisação do tráfego aéreo. Como garantia entregou 25% do seu capital ao governo. Desde a retomada dos vôos, a empresa já conseguiu devolver cerca de 3,7 bilhões de Euros. Nesse período, iniciou um processo de reestruturação, visando desativar 100 aeronaves e dispensar 6 mil funcionários. (dpa) 

Marketing político é a única arma contra vexame no Afeganistão

A maior derrota do ocidente na era moderna. Assim é chamada a saída das tropas da OTAN do Afeganistão. Independente do ângulo a ser observado, ela representa um fracasso sem precedentes, e que irá reverberar pelo mundo todo por muito tempo. 

Na perspectiva alemã, segunda maior presença militar depois dos Estados Unidos, a manobra teve nuances nítidas de uma fuga acovardada. Logo no primeiro atentado ao aeroporto em Cabul, os alemães fizeram as malas e vazaram para o Uzbequistão. Quatro dias antes do prazo final acordado com o Talibã, três aviões do Exército (Bundeswehr) pousaram na base militar de Wunstorf, próximo a Hannover. Neles, os últimos 440 soldados da missão germânica.

A ministra e o general com o dedo no gatilho
A ministra da defesa da Alemanha, Annegret Kramp-Karrenbauer, discursa, observada pelo General de Brigada Jens Arlt, com o dedo no gatilho / Daniel Reinhardt / DPA

A bordo, junto com a tropa, estava a ministra da defesa, Annegret Kramp-Karrenbauer. Ela foi ao Uzbequistão para acompanhar o encerramento do resgate. No desembarque em solo alemão, fez um pronunciamento rápido, juntamente com o comandante da operação, o general de Brigada Jens Arlt. Ambos elogiaram a competência e a eficiência na “extremamente difícil e perigosa” evacuação. Nenhum mencionou falhas. Especialmente o fato de que foram deixados para trás mais de 300 alemães e outros milhares de antigos colaboradores nativos, agora sob o jugo talibã.

Teatro de general
Com o dedo na trava do gatilho, o general de brigada, Jens Arlt, comandante do exército alemão, durante a evacuação do Afeganistão, faz o seu pronunciamento após o desembarque na Alemanha / Bundeswehr /DPA

Para dar um ar mais dramático ao evento, todos os soldados desceram dos aviões carregando suas armas e em trajes de combate. Até o general Arlt carregava pendurada uma G-36, fuzil de assalto exclusivo do exército alemão. Durante o discurso da ministra, ele por vezes mantinha o dedo na trava do gatilho da arma, como que pronto para responder a um ataque inimigo. “Na Alemanha!? Ele nunca nem pegou nessa arma no Afeganistão”, comentou, em tom de brincadeira, um colega da Agência de Imprensa do Governo durante a recepção. Outros presentes pareciam consternados com a encenação, que terminou com um abraço carinhoso de Annegret no general, e o fuzil pendurado entre eles.

O abraco da ministra no general
Num ato inusitado, a ministra Karrenbauer abraça o general Arlt, após o discurso de desembarque na Alemanha. A metranca pendurada entre seus corpos  /Bundeswehr /DPA

Apesar do teatro dirigido pelo marketing político, o desgaste causado pela desastrosa retirada é nítido. Tanto que políticos da própria União (CDU/CSU) se anteciparam às críticas. “Fomos sem dúvida desacreditados, mas é importante reconhecer os avanços conquistados e trabalhar para mantê-los através da diplomacia”, declarou Roderich Kiesenwetter (CDU), presidente do Comitê de Relações Exteriores da coalizão. “É uma série de lições amargas que devemos aprender desse episódio”, acrescentou ele, lembrando da infraestrutura construída pela OTAN e agora prestes a ser concedida a empresas chinesas.

Faltando menos de um mês para a eleição geral do parlamento, a catástrofe geopolítica no Afeganistão é só uma pá de cal nas pretensões de Angela Merkel de fazer o seu sucessor (a). Uma gota de água, em um oceano de erros no cálculo político. Um processo de desgaste que vem ocorrendo desde o início da pandemia. 

Movimento esquisito

O fato que atesta internamente a profundidade e abrangência da crise, aconteceu durante os protestos contra o governo no início de agosto. Quando a saída do Afeganistão ainda não trazia nenhum sentimento de vergonha. Como uma rotina dos finais de semana, milhares de pessoas foram às ruas das principais cidades do país. Convocadas pelo chamado “Movimento dos Pensadores Queer, ou Esquisitos” (Querdenken Bewegung), elas demostravam sua inconformidade com as medidas de contenção da pandemia em vigor há 15 meses, mantendo suspensos direitos individuais fundamentais garantidos pela constituição.

Para mostrar força política e moral, o governo federal, em parceria com a prefeitura, havia proibido os protestos convocados para o domingo (01/08) na capital, Berlim. Alegando desrespeito às “normas de segurança sanitária”, as autoridades tentavam barrar o crescimento do movimento. Além do muro político-midiático que o cerca, desta vez foram convocados mais de três mil policiais para debelar qualquer tentativa de ajuntamento. 

Apesar da proibição e da intimidação policial, dezenas de milhares de pessoas marcharam pelas ruas dos principais bairros da antiga parte capitalista de Berlim. Reportagem do grupo Die Welt no Youtube mostra o fiasco do aparato autoritário preparado para reprimir os protestos. Em uma das cenas, policiais empurram duas senhoras de mais de 60 anos que tentavam passar de uma rua para a outra, acompanhando outras pessoas na marcha.

Vergonha policial
A polícia passou vergonha tentando impedir aglomerações nos protestos do início de agosto. Por vezes empurrando, carregando ou prendendo até pessoas idosas /Clemens Bilan / DPA

 

Corrupção legalizada

A discussão que se seguiu às cenas de violência policial, mais a sua nítida inutilidade para conter uma massa de pessoas pelas ruas, conotam uma nova qualidade do ambiente político na maior economia da Europa. Já não são radicais de direita ou de esquerda, confrontando um governo eleito democraticamente. O que se vê hoje nas ruas são pessoas simples, eleitores dos partidos da coalizão do governo no parlamento e que estão fartas das contradições e conflitos de interesse que marcam a política para a pandemia desde o seu início.

Os exemplos só se acumulam. O ministro da saúde, Jens Spahn (CDU), comprou durante a primeira onda da pandemia três imóveis milionários em Berlim. Entre eles, a mansão em que mora junto com seu marido, avaliada em três milhões de euros. Como um bom financista, Spahn pagou os imóveis com empréstimos generosamente concedidos pela Sparkasse, a Caixa Econômica Federal dos alemães, onde havia trabalhado anos antes como membro do “Board” da administração. Em resposta, o ministro processou os autores da denúncia, obtendo liminar da justiça sob alegação de “uso político de um assunto privado”. Afinal, toda a transação foi legal.

No início da segunda onda, Merkel e Spahn tentaram impor a obrigatoriedade de um só tipo de máscaras, as chamadas FFP2. Tecnicamente eram “as mais seguras”. A medida chegou a ser implementada, gerando uma demanda imensa para as empresas que produzem tal insumo. Em seguida apareceram os primeiros casos de lobby dentro do parlamento. De cara, dois deputados da União Democrata-Cristã (CDU) foram denunciados por receberem comissão pela venda de máscaras para o governo. Uma bagatela de 200 e 600 mil euros para cada um deles. 

Opinião cristalizada

Novamente, tudo conforme a lei, já que o trabalho de lobby é legalizado no país. O erro dos parlamentares foi não ter feito a declaração de ganho extra, que é obrigatória. Como resultado acabaram “licenciados” de seus cargos. O caso apenas relembrou aos alemães que muitos parlamentares trabalham como lobistas de interesses corporativos dentro do parlamento. E quase nunca declaram seus ganhos paralelos.

Dr. Klaus Reinhardt
“Uso de máscaras ao ar livre é um absurdo”, defende Klaus Reinhardt, presidente do Conselho Federal de Medicina da Alemanha /Wolfgang Kumm / DPA

No final, a obrigatoriedade de um tipo específico de máscara foi contestada por médicos e especialistas. Sem esquecer que, até hoje, os alemães não sabem se qualquer tipo de máscara protege efetivamente. “Não existe evidência científica de que o uso de máscaras proteja quem usa, ou quem está em volta. Um vírus como o corona não é freado assim. O uso de máscara em lugares abertos é um absurdo”, atestou o presidente do Conselho Federal de Medicina da Alemanha (Bundesartztkammer),  Klaus Reinhardt, em entrevista no dia 21 de Outubro de 2020.

 O mais interessante é que uma questão assim não consegue ser debatida em um país altamente desenvolvido. “Da perspectiva científica trata-se de um carnaval de opiniões, onde ninguém sabe quem é quem”, brinca o filósofo e apresentador Richard David Precht. O que desespera é não parecer haver mais espaço para discussões sobre as controvérsias. Cada um dos lados cristalizou em sua própria posição, e não há sinais de que tal inércia possa agora ser revertida.

Tempestade afegã aprofunda crise do fim da era Merkel

Às vésperas da eleição-geral que definirá o sucessor (a) de Angela Dorothea Merkel, primeira-ministra desde 2005, a Alemanha enfrenta um transe político e institucional sem precedentes em sua história recente. Com consequências que podem colocar definitivamente em cheque todo o projeto de democracia-liberal representado pela União Europeia.

Não bastasse a pandemia, entrando oficialmente em sua quarta onda no país, o verão foi prolífico em produzir situações que acentuam a derrocada da imagem do governo. Nas enchentes de julho, que devastaram povoados e mataram mais de 200 pessoas no Continente, mais de 100 só na Alemanha, a resposta veio rápida. “A reconstrução é uma obrigação nacional”, declarou Armin Laschet, presidente do Partido Democrata-Cristão (CDU) e candidato a herdeiro de Merkel, na mídia oficial. 

Imagem do desastre

Na visita que fez aos lugares destruídos, Laschet foi fotografado rindo descontraidamente. Como que achando graça de uma piada. O preço da graça foi alto, uma queda de 10% na intenção de votos para o pleito de setembro. 

O desempenho do governo também não ajudou. Anunciou com orgulho 10 bilhões de Euros de ajuda para os próximos anos. Estimativas conservadoras das autoridades locais apontam um prejuízo quatro vezes esse valor. Nos lugares atingidos, os próprios moradores fizeram os primeiros trabalhos de limpeza e desobstrução. Por semanas tiveram que se virar para sobreviver, pois os sistemas de abastecimento ainda não estavam restabelecidos.

Inundacao histórica na Alemanha em 2021
A força da água entre os dias 14 e 16 de julho fez deslizar uma antiga bacia de cascalho (Kiezgrübe) na cidade de Erfstadt, estado da Renânia do Norte-Westfalia. Mesmo tendo arrastado apenas três casas, sem fazer vítimas fatais, a imagem é um retrato do novo nível de devastação causado por fenômenos naturais na atualidade.  (Rhein-Erft-Kreis/dpa)

O símbolo da devastação veio da cidade de Erftstadt, no estado de Nordrhein-Westfalen. A inundação fez desabar uma antiga mina de cascalho, engolindo três casas. Um estrago pequeno, comparado com a cratera que se abriu no local. Mas a imagem ilustra sobretudo o despreparo, mesmo de uma das nações mais ricas do mundo, para lidar com a força dos fenômenos climáticos que já estão acontecendo. Com mais metade do seu consumo energético garantido por combustíveis fósseis, a Alemanha se vê agora acossada em seu território pelas consequências do seu próprio modelo de desenvolvimento. 

Explosao no Chempark de Leverkussen julho 2021
Um tanque de resíduos oriundos da produção de pesticidas explode no Chempark de Leverkussen dia 27 de Julho de 2021. Na sequência outros sete tanques com solventes também pegam fogo. ( https://www.n-tv.de/panorama/Zwei-Tote-nach-Explosion-in-Leverkusener-Chempark-Anlage-article22706790.html)

Acidentes que acontecem

Uma semana mais tarde, a explosão de um tanque com 14 metros cúbicos de lixo tóxico, proveniente da produção de pesticidas no Chempark de Leverkusen, provou, mais uma vez, que nem todas as normas de segurança da nação que inventou a indústria química moderna podem evitar acidentes. Neste, sete trabalhadores morreram, e 31 ficaram feridos.

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Por horas os bombeiros lutaram para controlar o incêndio. (Mirko Wolf/dpa)

O sintomático no caso foi a reação das autoridades. “Não sabemos a causa, mas estamos seguros que nossos bombeiros e especialistas têm competência para resolver situações assim da melhor forma”, afirmou a primeira-ministra, horas após o acidente, lembrando que tanto o Chempark, quanto o estado de NordRhein-Westfallen têm know-how suficiente.

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O parque químico onde a explosão e o incêndio ocorreram é relativamente próximo a residências. O conglomerado responsável evita falar em contaminação química (Anna Fross, dpa)

A Currenta, empresa responsável pela operação do incinerador onde o tanque explodiu, é parte do conglomerado Bayer. Ela demorou duas semanas para informar que outros sete tanques com solventes, contendo diferentes concentrações de halogênios, alcalóides e enxofre também pegaram fogo. Até hoje, nem políticos, nem executivos admitem que tenha ocorrido contaminação da população no episódio. Enquanto a mídia oficial declara “não estar descartada” a hipótese levantada pela Greenpeace: “Moradores da região foram contaminados por Dioxinas”.

Se a segurança química falha, a política internacional confirma o encerramento desastroso dessa alta estação.. A vergonhosa saída da OTAN do Afeganistão cria um novo contexto político para os alemães. “Precisamos evacuar todas as pessoas que trabalharam para nós”, antecipou-se Alexander Gauland, líder do partido de oposicao de direita, Alternativa para Alemanha (AfD), quando já era nítida a retomada pelos radicais. 

O ministro das relações exteriores, Heiko Maas (SPD) esperou o talibã chegar até a capital para reagir. “Fomos todos surpreendidos”, explicou ele, ao anunciar a operação especial para o resgate de cidadãos alemães, e cerca de 1.100 afegãos que trabalhavam diretamente com a parte alemã da missão.

CoordenadordosafegaosalemaesGrotian
O ex-capitão Marcus Grotian, coordenava os tradutores e colaboradores afegãos em Cabul. Ele denuncia a falta de clareza da política de asilo na crise humanitária causada pela desocupação do país pelas tropas da OTAN.

“Isso é um pequeno percentual das pessoas que, por terem trabalhado conosco ao longo dos últimos 20 anos, estão agora com suas vidas ameaçadas”, afirma indignado, Marcus Grotian, coordenador dos trabalhadores nativos a serviço dos alemães. Segundo ele, 10 mil pessoas é um número mais realista, todavia modesto. “Afegãos, que por anos cooperaram conosco e agora estavam integrados nas estruturas que criamos, também ficaram na mão, e nossas autoridades não foram sequer capazes de informá-las que não haveria possibilidade de asilo”. Grotian, que serviu como oficial no início da missão, denuncia a falta de uma política de asilo clara até para os ex-colaboradores do próprio exército. “A burocracia têm sido o principal instrumento para negar a maioria pedidos”.

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Em setembro de 2015, Angela Merkel foi retratada, ironicamente, como a Madre Tereza dos refugiados pela revista Der Spiegel. “Mae Angela – Sua política divide a Europa”, diz a manchete da publicação.

A tempestade afegã ainda deve durar até o fim de agosto, conforme previsto oficialmente. Na conta de Merkel vão todos os atrasos, atropelos e negligências ocorridas na calamitosa fuga de Cabul. Não só por ter sido ela quem habilmente conduziu a farsa internamente. A chanceler chegou a receber uma capa da revista Der Spiegel com um semblante de Madre Tereza. Sua política para os refugiados, como sua política para a pandemia, conquistaram corações mundo afora, pelo menos no início. No final, estamos vendo como a realidade imperial se impõe a tais populismos. 

Pandemia econômica e climática são os outros fronts na Europa

No dia em que a União Européia obteve consenso sobre o “pacote de resgate” da economia do bloco, um total de 500 bilhões de euros, agências de notícias informavam o início das negociações entre governo e empresas aéreas. A gigante do turismo TUI recebeu 1,6 bilhão de euros nas primeiras semanas da pandemia, e agora pleiteia pelo menos o dobro. A Lufthansa pede outro um bilhao de Euros. A quarentena do coronavírus já custou 166 bilhões de euros ao tesouro alemão na forma de ajuda a empresas e trabalhadores.

“Devemos evitar a imagem de um Estado que nos ajuda distribuindo dinheiro numa emergência como essa. Em algum momento teremos que pagar essa conta”, aponta Reiner Hoznagel, presidente da Federação Alemã dos Contribuintes.

Na linha de frente, um quinto das empresas do país pretendem demitir funcionários, segundo o IFO-Institut (www.ifo.de). Em meio a esse turbilhão, a pergunta do dia foi: como uma sociedade democraticamente organizada assume o desafio contra uma massiva ameaça contra a vida? Olhando para trás, é inevitável a pergunta sobre se tudo isso era necessário.

Dr. Christian Drosten, Virólogo da Charité de Berlin, e um dos principais responsáveis pela estratégia adotada pelo governo alemão para conter a pandemia, ajuda a responder.

“No mundo todo, 2,6% das pessoas infectadas pelo coronavírus, independente da idade, precisam ir para o hospital. Para termos uma informação mais precisa sobre a situação, precisamos saber também o que ocorre fora dos centros de saúde. Segundo os modelos estatísticos mais avançados, 0,5 % de todas as pessoas infectadas pelo vírus morrem”, explica ele. Detalhe, para os acima de 80 anos a mortalidade é de 8,3%.

Parece nada, um peido molhado na taxa de mortalidade. Cerca de 70% da população de 85 milhões da Alemanha deve ser contaminada pelo vírus, de um jeito ou de outro, de acordo com os dados apresentados pelo co-descobridor do coronavírus da SARS em 2003. Fazendo as contas com calma, serão 280 mil pessoas que morrerão quando a contaminação atingir esse número de pessoas, e a taxa de mortalidade da doença for mantida.

Christian Drosten lembra que se as pessoas não puderem ser atendidas nos hospitais por conta da superlotação, o percentual de mortos em relação ao número de infectados aumenta. “Em algumas regiões da Itália esse percentual chegou a 12%”.

Dr. Drosten aposta sua reputação contra aquilo que chama de “boa vontade política”. “Há tanta fantasia a respeito de como podemos regular nosso comportamento no sentido de proteger-nos de um vírus assim”, conta ele, sem esquecer de frisar que máscaras e luvas não serão suficientes para garantir segurança. “Não ficarei surpreso se observarmos nas próximas semanas um retorno da corrente de infecções que tivemos nas primeiras semanas da epidemia”.

Contrário a qualquer apelo dramático, o mais importante virólogo alemão invoca a cautela recomendada pelas autoridades. “Passamos por um teste, como não vivíamos desde o fim da segunda guerra mundial, ninguém faz com prazer, mas é a verdade, temos, hoje, não o final da pandemia, mas o começo”, consentiu a primeira ministra, Angela Merkel, durante seu discurso no Parlamento.

“O Estado é absolutamente dispensável. É tempo de relaxar a restrição de direitos fundamentais, e delegar a responsabilidade pelas medidas de proteção a cada individuo”, defendeu Alexander Gauland, uma das proeminentes figuras do Afd (Alternative für Deutschland), partido de extrema direita da Alemanha.

Para o líder do Partido Verde no Reichtag, Anton Hofreiter, se o assunto é prevenção, então não podemos esquecer da questão climática. Enquanto “a crise do Cororna” monopoliza atenções, o Hemisfério Norte arde, com incêndios florestais espalhados pela Ucrânia, Russia, Polônia, Alemanha e Holanda.

Na Alemanha a seca é recorde desde 2018. Ainda assim, os alemães assistem impassíveis a recordes de temperatura e de redução pluvial. Dados oficiais apontam que praticamente um terço do país vive uma seca extraordinária para os padrões observados pela ciência há pelo menos cem anos. “É uma verdadeira catástrofe”, diz Philipp Fölsch, diretor da Produtos Agrários Dambec enquanto cava no solo seco e arenoso da sua plantação de milho. Segundo Dr. Andreas Marx, do Centro Helmholtz de Pesquisa em Meio Ambiente, as medições de umidade do solo indicam que a seca irá perdurar por toda temporada de verão.

Coronavírus faz PIB da China cair 6,8% no primeiro trimestre

O Produto Interno Bruto da China foi de 20,65 trilhões de yuans (2,91 trilhões de dólares) no primeiro trimestre de 2020 em meio ao impacto da pandemia do novo coronavírus.

Esse resultado representa uma queda 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme os dados divulgados na sexta-feira  pelo Departamento Nacional de Estatísticas.

Os dados mostraram que a produção do setor de serviços, que representa cerca de 60% do total do PIB, caiu 5,2%, enquanto a indústria primária e a secundária registraram baixas de 3,2% e 9,6%, respectivamente.

“A situação de controle e prevenção da epidemia continuou melhorando com uma interrupção básica na transmissão epidêmica no país”, informou o Departamento, acrescentando que a retomada do trabalho e da produção está acelerando e as indústrias fundamentais estão crescendo constantemente.

As cifras da sexta-feira apontaram que o mercado de trabalho da China melhorou ligeiramente em março, com a taxa de desemprego pesquisada nas áreas urbanas em 5,9%, queda de 0,3 ponto percentual ante o mês anterior.

(Com informações da Xinhua Press)

Taxa de mortalidade por coronavírus no Brasil segue em alta

O Brasil tem 8.066 casos confirmados e 327 mortes mortes pela Covid-19, segundo os últimos números do Ministério da Saúde, divulgados nesta quinta-feira.

A taxa de letalidade (percentual de mortes no total de infectados)  segue subindo, embora em menor velocidade: era 2,4% na semana passada, passou para 3,4% segunda-feira. Na quarta-feira, com 240 mortes em 6.386 casos, chega a 3, 51%.

Nesta quinta-feira, com 8.066 casos e 327 mortes, a taxa de letalidade sobe para 4%, segundo os números oficiais.

Esse é o dado mais inquietante.

Nas últimas 24 horas, até o meio dia da quarta-feira, foram 1.119 novos casos, com 39 óbitos.

São Paulo continua a liderar a quantidade de registros da doença. São 2.981 confirmações e 164 mortes no estado. Em seguida vem Rio de Janeiro, com 832 contaminados e 28 óbitos; Ceará, com 444 casos e oito mortes; e Distrito Federal, com 355 contaminados e três mortes.

Oito estados brasileiros não registram casos de mortes pela Covid-19: Acre, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso, Pará, Roraima, Sergipe e Tocantins.

O Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirma que, com a dificuldade em conseguir insumos, a melhor medida é a continuidade do isolamento.

O Ministério da Saúde informou ainda que começou a distribuição de 500 mil testes rápidos para o coronavírus, com apoio da Força Aérea.

Mas o ministro reforça que esse teste tem índice de sensibilidade baixo, podendo dar falso negativo. Os testes rápidos irão atender os profissionais que atuam nos serviços de saúde de todo o país, além de agentes de segurança.

 

Coronavírus: taxa de mortalidade é de 2,4% no Brasil

O Ministério da Saúde  informou nesta quarta-feira que em 24 horas os casos confirmados da Covid-19 passaram de 2.201 para 2.433 e o número de mortes, de 46 para 57, o que representa uma taxa de letalidade de 2,4%.

Foram registrados 48 óbitos em São Paulo, seis no Rio de Janeiro, um no Rio Grande do Sul e, pela primeira vez foram registradas mortes no Norte e Nordeste, uma no Amazonas e outra em Pernambuco.

A primeira morte no país foi registrada em São Paulo, dia 17 de março.

Os casos confirmados se concentram em São Paulo (862), Rio de Janeiro (370), Ceará (200), Distrito Federal (160), Minas Gerais (133), Rio Grande do Sul (123), Santa Catarina (109), Bahia (84), Paraná (81) e Pernambuco (46).

Na apresentação dos números, o ministro Luiz Henrique Mandetta ressaltou que o dia 26 de março marca 30 dias do aparecimento do primeiro caso da COVID-19 no país.

Com base nos dados coletados neste primeiro mês de epidemia, será elaborado um balanço nos próximos dias para projetar as ações para as próximas semanas.

“Do meu ponto de vista, temos uns números dentro do esperado. Mas vamos trabalhar até o fim da semana para ver quais são as projeções. A partir de amanhã, teremos nossa plataforma (online) disponível com mais detalhes para que a população entenda a maneira como essa virose se desenvolve em nossa sociedade”, afirmou o ministro Luiz Henrique Mandetta.

Ele disse que os números estão crescendo em um ritmo aproximadamente igual nos últimos dias e que a preocupação está nos estados mais populosos.

“São Paulo e Rio de Janeiro, além de Minas Gerais, são os estados que mais nos preocupam, pois é onde estão concentrado os casos. Os três estados somam 100 milhões de pessoas, quase a metade da população do Brasil”, destacou o ministro.

Bolsonaro semeia confusão no momento crítico do combate à epidemia

No momento em que se prevê a aceleração da propagação da Covid 19 no Brasil, o país amanheceu nesta quarta-feira dividido entre a orientação seguida pelos governos estaduais e as autoridades médicas e a posição do presidente da República, expressa em polêmico pronunciamento na noite de terça-feira.

Alinhados às recomendações seguidas no mundo inteiro, os governadores e os especialistas da área de saúde adotam medidas para evitar a circulação de pessoas e as reuniões ou aglomerações para reduzir o ritmo do contágio.

Na direção oposta, Bolsonaro disse em rede nacional  que não faz sentido suspender aulas, restringir transportes e manter as pessoas confinadas em casa, porque isso vai agravar as consequências da epidemia, provocando uma crise econômica e social de proporções incalculáveis.

O presidente brasileiro se alinha com Donald Trump, que resiste à orientação de confinamento de toda a população como forma de conter a propagação da doença, como vem sendo adotado em todos os outros países. Trump diz que isso vai provocar uma crise econômica que pode “destruir os Estados Unidos”.

Bolsonaro recomenda que os governadores revoguem as medidas de contenção já decretadas e seu posicionamento provoca uma reação em todas as áreas.

No meio desse embate, está a população que revela perplexidade pois a posição do presidente da República contraria até a linha que vinha sendo seguida pelo Ministério da Saúde desde o início da crise.

Neste contexto, o país perde uma condição que é apontada pelos especialistas como essencial no combate à doença que é a união de esforços e a solidariedade entre todos.

A crise política que se acirra com esta situação pode ser mais danosa ao país do que a própria pandemia.

Especialistas da área médica criticam desde o início a falta de iniciativa das autoridades brasileiras.

A contenção, que é a primeira fase do combate a uma epidemia,  deve começar antes mesmo das primeiras notificações no país, com o controle de pessoas vindas de países ou regiões onde já há contaminação.

O Brasil, assim como  Europa e os Estados Unidos , se encontra na fase de mitigação, que é quando as transmissões tem forma comunitária, sem possibilidade de saber a origem da contaminação. Segundo o Ministério da Saúde, há transmissão comunitária em todo o país.

É o momento em que os infectologistas recomendam medidas que possam reduzir a transmissão: cancelamento de eventos, fechamento de locais públicos e comércio, diminuição da circulação de pessoas e quarentena.

Quando o ritmo do contágio se acelera é preciso adotar medidas de supressão, para impedir o colapso dos serviços de saúde pelo grande número de pessoas contaminadas e os casos graves e as mortes.

No Brasil, a primeira morte aconteceu no dia 17 e nesta quarta-feira, oito dias depois,  já são 48 mortes (40 em São Paulo, quatro no Rio, uma em Porto Alegre e outra em Manaus).

O posicionamento do presidente Bolsonaro, agora, dissemina a confusão, reforçando a conduta errática que se percebe no governo federal desde o início, apesar das atitudes do ministro da Saúde, Henrique Mendetta, que agora ficou sem o que dizer.

No início do mês de março, em visita aos Estados Unidos, o presidente Bolsonaro disse que o problema vinha sendo “superdimensionado”. E em nenhum momento assumiu a coordenação da estratégia de combate ao surto.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mendetta, vinha quase na contramão da posição do presidente e foi o único apoio que tiveram governadores e prefeitos que tomaram no início do mês as primeiras iniciativas.

Os próximos dias serão decisivos no desdobramento desta crise.

 

Nota da ARI: O antídoto da informação

A Associação Riograndense de Imprensa emitiu hoje uma nota sobre a importância do acesso à informação neste momento de pandemia:

“Neste momento preocupante da história da humanidade, em que uma pandemia de elevada letalidade ameaça a vida de milhões de pessoas, desafia a ciência médica, provoca abalos sem precedentes na economia e impõe extraordinárias mudanças comportamentais, a Associação Riograndense de Imprensa destaca a importância da informação independente, democrática e responsável como instrumento de defesa e proteção dos cidadãos.

Ao reconhecer o trabalho incansável dos jornalistas e profissionais de comunicação que se empenham diariamente na apuração da verdade e na divulgação de notícias relevantes para o público, a ARI reafirma sua convicção de que a liberdade de expressão, o pluralismo de ideias e o acompanhamento crítico das ações dos governantes são indispensáveis não apenas para democracia, mas também para a saúde e o bem-estar de todos.”

Associação Riograndense de Imprensa

Diretoria Executiva
Conselho Deliberativo