Luiz Pinguelli Rosa: "A esquerda está embaixo da mesa"

O programa de privatizações no setor brasileiro de energia foi o tema que lotou o auditório da Faculdade de Economia da UFRGS, nesta quinta-feira, 28.
Na mesa, duas autoridades: Luiz Pinguelli Rosa, engenheiro nuclear, doutor em Física, ex-presidente da Eletrobras, e Ildo Luís Sauer, engenheiro civil, mestre em energia nuclear, ex-diretor da Petrobras, diretor do Instituto Energia e Ambiente da USP.
Na plateia, estudantes de economia, sindicalistas, o ex-deputado Raul Carrion e o ex-governador Olívio Dutra.
O jornalista Juremir Machado da Silva fez as apresentações e coordenou os trabalhos.
Sauer começou falando da “apropriação social do recurso energético”, que seria a exploração econômica dos recursos naturais condicionada a um investimento no desenvolvimento social –  educação, saúde.
Disse que a política neoliberal em andamento, vai no sentido oposto. Remete ao Estado Mínimo de que o Chile foi pioneiro, sob a ditadura de Augusto Pinochet. “O Chile foi o laboratório. Depois é que vieram Thatcher, Regan e outros. O Guedes se formou lá”.
Os protestos violentos que explodiram no Chile há um mês, segundo Sauer, são as consequências do modelo, que resulta num Estado esvaziado, problemas sociais agravados, o conflito nas ruas.
Segundo Sauer, o Brasil não sabe sequer as reservas de petróleo que tem, “talvez sejam as maiores do mundo”. Reservas medidas são 100 bilhões de barris, “mas podem ser 200 bilhões ou mais”.
A Eletrobras, que está no calendário das privatizações para 2020, já “está depenada”.  A redução das tarifas no governo Dilma Rousseff contribuiu para isso.
“O problema é político” disse Luiz Pinguelli Rosa. “Jornalistas justificam todos os dias a necessidade de privatizar a Eletrobras, mas a Eletrobras deu lucro de R$16 bilhões em 2018, e no primeiro semestre deste ano deu R$ 8 bilhões. Vão vender ações, para passar o controle da companhia por R$ 20 bilhões, pouco mais do que o lucro de um ano”. “Parece que o país foi tomado por marcianos”, brincou.
Criticou também a oposição que “não foca no Paulo Guedes”. “Enquanto Bolsonaro distrai com piruetas, Guedes vai fazendo o serviço.”
Comparou a situação brasileira com a invasão da França pelos nazistas na Segunda Guerra. “Estamos vivendo o vexame da França ocupada.”
O pior, disse, é que a resistência da esquerda é pífia. “Nas sessões do Congresso dá para dormir”, brincou. “A esquerda está embaixo da mesa.”
Citou como casos que não mereceram a devida reação: a venda da BR Distribuidora: “Era o caixa da Petrobras”, e a privatização da distribuição de gás. “A Petrobras construiu a rede de 9 mil quilômetros de gasoduto, vendeu, agora vai pagar para usar”.
O discurso de que a competição fará as tarifas caírem “é falácia”: “As tarifas vão aumentar”, sentenciou.
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CPFL Energia registra lucro recorde de R$ 2,17 bilhões em 2018

A CPFL Energia obteve lucro líquido de R$ 2,17 bilhões em 2018. O resultado é o maior já registrado pela companhia e representa alta de 74,2% quando comparado ao ano anterior. O desempenho reflete o crescimento nos principais segmentos de atuação da empresa, com destaque para o negócio de distribuição.
A geração de caixa operacional do grupo, representada pelo EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), também foi recorde, somando R$ 5,64 bilhões em 2018. Impulsionado sobretudo pela expansão do EBITDA das distribuidoras, o valor é 16% superior ao registrado em 2017.
No quarto trimestre do ano de 2018, o EBITDA da empresa atingiu R$ 1,35 bilhão, redução de 0,9% na comparação com o mesmo período de 2017. O lucro líquido cresceu 34,7%, para R$ 670 milhões. No último trimestre de 2018, os investimentos da companhia totalizaram R$ 693 milhões.
No ano passado, o volume de energia distribuída para os clientes nas áreas de concessão cresceu 2,5%, com a ampliação das vendas para todos os mercados. O aumento do volume foi impulsionado pela recuperação da atividade das principais indústrias da área de concessão da CPFL, ligadas a setores como químico e petroquímico, automotivo e metalurgia. Períodos de temperaturas mais altas elevaram o consumo residencial e comercial.
“Em um ano no qual registramos resultados históricos, concentramos nossos esforços em um robusto plano de investimentos e em projetos que gerem valor para a empresa e para nossos clientes, sempre com disciplina financeira”, diz Gustavo Estrella, presidente da CPFL Energia.
Geração de valor
Um dos grandes destaques do ano foi o sucesso da companhia em leilões de geração de energia renovável e transmissão.
Em relação aos leilões de transmissão em junho a CPFL obteve o direito de construção da subestação Maracanaú II, no Ceará, e, em dezembro, venceu os leilões da subestação Itá, em Santa Catarina, bem como das subestações Osório 3, Porto Alegre 1 e Vila Maria, no Rio Grande do Sul.
Em relação à geração renovável, em agosto, a CPFL Renováveis – focada na geração de energia eólica, solar e na gestão de Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) – ganhou o direito de explorar dois empreendimentos leiloados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A empresa adquiriu os projetos da PCH Cherobim, com 28 megawatts (MW) de capacidade instalada, no Paraná, e do Complexo Eólico Gameleira, com 69,3 MW, no Rio Grande do Norte.
A criação da CPFL Soluções, que reúne serviços e produtos antes oferecidos sob as marcas CPFL Brasil, CPFL Serviços e CPFL Eficiência, foi outro avanço relevante para a companhia. Com a nova divisão, a CPFL passou a ter uma plataforma integrada para atender clientes que buscam consultoria e soluções em comercialização de energia, eficiência e infraestrutura energética e geração distribuída.
Plano de investimentos
Em linha com o seu compromisso com a melhoria dos serviços prestados e a evolução do setor elétrico, a empresa investiu R$ 2,07 bilhões em 2018. A maior parte desse valor – cerca de R$ 1,77bilhão – foi utilizada na melhoria das redes de distribuição. Entre as principais iniciativas, merecem destaque a ampliação da rede e da estrutura de atendimento ao consumidor, manutenções, modernização dos sistemas de suporte e projetos de pesquisa e desenvolvimento.
Como resultado dos aportes, os indicadores de qualidade da CPFL Energia têm evoluído. A CPFL Santa Cruz e a CPFL Paulista ficaram entre as dez melhores distribuidoras no ranking de continuidade no fornecimento realizado pela ANEEL em 2018. Por sua vez, as áreas de concessão da RGE e da antiga RGE Sul — no Rio Grande do Sul – reduziram, respectivamente, em 18,6% e 22,7% a frequência de interrupções de energia desde o final de 2017.
Em geração, a CPFL Energia investiu outros R$ 237 milhões. O principal aporte ficou por conta da entrega antecipada das obras da PCH Boa Vista II. Localizado em Minas Gerais, o projeto entrou em operação em novembro, com capacidade instalada de 29,9 MW.
Para os próximos cinco anos, entre 2019 e 2023, a CPFL Energia prevê investimentos de R$ 11,9 bilhões, dos quais R$ 10 bilhões serão feitos na área de distribuição. Os valores não incluem eventuais aquisições de ativos e novos projetos.
A companhia Paulista de Força e Luz 
A CPFL Energia, há 106 anos no setor elétrico, atua nos segmentos de distribuição, geração, comercialização e serviços. Desde janeiro de 2017, o Grupo faz parte da State Grid, estatal chinesa que é a segunda maior organização empresarial do mundo e a maior empresa de energia elétrica, atendendo 88% do território chinês e com operações na Itália, Austrália, Portugal, Filipinas e Hong Kong.
Com 14% de participação, a CPFL Energia é uma das maiores empresas no mercado de distribuição, totalizando mais de 9,6 milhões de clientes em 687 cidades, entre os estados de São Paulo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Paraná. Na comercialização, é uma das líderes no mercado livre, com participação de mercado de 4,2%. É líder na comercialização de energia incentivada para clientes livres entre as comercializadoras.
Na geração, é a terceira maior agente privada do País, com um portfólio baseado em fontes limpas e renováveis, como grandes hidrelétricas, usinas eólicas, térmicas a biomassa, Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH) e usina solar. Considerando a participação acionária na CPFL Renováveis (51,56%), maior empresa de geração da América Latina a partir de fontes alternativas de energia, a capacidade instalada do Grupo CPFL alcançou 3.272 MW, no final de 2018.
Com informações de assessoria